Como Iemanjá dá à luz as estrelas, as nuvens e os orixás

por Fernando do Valle

 

“Iemanjá vivia sozinha no Orum (a morada dos deuses).

Ali ela vivia, ali dormia, ali se alimentava.

Um dia Olodumare (ser supremo) decidiu que Iemanjá

precisava ter uma família,

ter com quem comer, conversar, brincar, viver.

Então o estômago de Iemanjá cresceu e cresceu

e dele nasceram todas as estrelas.

Mas estrelas foram se fixar na distante abóboda celeste.

Iemanjá continuava solitária.

Então de sua barriga crescida nasceram as nuvens.

Mas as nuvens perambulavam pelo céu

Até se precipitarem em chuva sobre a terra.

Iemanjá continuava solitária.

De seu estômago nasceram os orixás,

Nasceram Xangô, Oiá, Ogum, Ossaim, Obaluaê e os Ibejis.

Eles fizeram companhia a Iemanjá”

(trecho extraído do livro “A Mitologia dos Orixás, de Reginaldo Prandi).

 

dia de iemanja salvador foto 1

Devota de Iemanjá faz sua prece na praia do Rio Vermelho, em Salvador

Hoje (2 de fevereiro) é dia de Iemajá, orixá (divindade africana) feminina das águas doces e salgadas, cultuada nas religiões Candomblé e Umbanda. Seu nome tem origem nos termos do idioma africano yorubá “Yèyé omo ejá”, que significa “mãe cujos filhos são como peixes”.

Como durante a escravidão os africanos e seus descendentes não podiam celebrar seus deuses, eles aproveitaram a festa católica de Nossa Senhora de Navegantes, celebrada pelo catolicismo no segundo dia de fevereiro, para homenagear Iemanjá, a Rainha do Mar, em sincretismo religioso que caracteriza a formação religiosa do povo brasileiro.

“Janaína”, Otto:

A celebração como a conhecemos hoje, que mobiliza milhares de pessoas principalmente em Salvador e Rio de Janeiro, começou a se desenhar nos anos 20 quando pescadores rezavam à deusa por fartura na lida diária no mar.

Neste ano, a Prefeitura de Salvador pediu que as ofertas fossem biodegradáveis. Em faixas nos locais da festa alertando à população sobre a poluição das águas e sugerindo oferendas sustentáveis: “ofereça flores 100% naturais, em vez de jogar o frasco de perfume, o balaio; escolha pentes de madeira; use fitas e adereços de fibra natural; e prefira as bonecas de pano”.

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Homenagem a Iemanjá na praia do Rio Vermelho em Salvador, Bahia, hoje de manhã (fonte: Tereza Torres/Fotos Públicas)

“O mar serenou”, Clara Nunes:

Iemanjá também é conhecida por outros nomes como Dandalunda, Inaé, Ísis, Janaína, Marabô, Maria, Mucunã, Princesa de Aiocá, Princesa do 

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Festa de Dia de Iemajá na cidade do Rio de Janeiro hoje (fonte: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

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Iemanjá pelo artista pernambucano J Borges

 

“Rainha do mar”, Dorival Caymmi:

“Canto de Iemanjá”, Baden Powell:

“Conto de areia”, Clara Nunes:

Fontes: “Mitologia dos orixás” de Reginaldo Prandi e Agência Brasil.

Sou blogueiro e jornalista. Pai de Lorena, santista e obcecado por literatura, cinema, música e política.

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