Doido mesmo foi Rasputin

por Fernando do Valle

Nascido em um vilarejo na Sibéria, Grigoriy Yefimovich Rasputin era filho de mujiques (camponeses) e já era assunto quando ainda era menino, corria à boca miúda que tinha poderes sobrenaturais. No anos finais do czarismo entre 1906 e 1916, era próximo ao casal real, o czar Nicolau II e sua esposa Alexandra Feodorvna, muitos diziam que foi amante da czarina. O olhar mezzo psicopata mezzo místico de Rasputin, seus longos cabelos e sua interferência política e religiosa incomodavam parte da nobreza russa, que chafurdava em decadência e intrigas. Enquanto isso o povo sofria as agruras da comida escassa e criava mil histórias sobre aquela estranha figura, que morreu há 100 anos, em 30 de novembro de 1916.

Enquanto a nobreza vivia em sua bolha de privilégios, a Revolução Russa de 1917, que já havia tido sua premiére na Revolução de 1905, era preparada em frente a um czar titubeante e a penúria do povo russo. O jornalista norte-americano John Reed que registrou esse momento histórico no monumental livro Os 10 dias que abalaram o mundo escreveu: “para conseguir leite, pão e açúcar e tabaco era preciso permanecer horas em uma fila debaixo de uma chuva gelada”. O fim estava próximo para os Romanovs, dinastia à qual pertencia Nicolau e que dominou a Rússia e boa parte da Ásia por mais de três séculos.

Em 1905, a fama do místico Grigoriy já circulava entre os nobres e o povo. Ele havia se mudado para São Petersburgo e foi apresentado ao Czar Nicolau II e sua esposa, Alexandra Feodorovna, de origem alemã. Na adolescência, Rasputin estudou no mosteiro de Verkhoture, nos Montes Urais, com o objetivo de se tornar um monge, mas não completou os estudos.

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Rasputin nasceu em Pokrovskoye em 1869 e morreu em 30 de dezembro de 1916, um ano antes da eclosão da Revolução Russa.

De maluco para maluco, o músico arubenho Bobby Farrell, da banda Boney M., e sua performance única (para dizer o mínimo) na música “Rasputin”:

O casal real procurou Rasputin para que ele tentasse curar Alexei, quinto filho, único homem e o herdeiro dos governantes russos. Ele sofria de hemofilia (doença em que o sangue não coagula) e Rasputin fez uma simples oração na cabeça do jovem príncipe que sentia dores. O menino dormiu e acordou revigorado. Além disso, o mago conseguia estancar os sangramentos do menino.

Os supostos poderes místicos também se somavam à sedução sexual que o místico exercia sobre as mulheres. Rasputin fazia sexo com suas seguidoras em orgias regadas ao vinho da Madeira, sua bebida predileta. O estagiário de santo gostava de beber como nunca. Depois de muito pecado, ia rezar na igreja mais próxima. Dizem que certa vez, ironizou: “não há arrependimento sem pecado”.

Apesar de não primar pela higiene, conta a lenda que passou seis meses sem trocar sua roupa de baixo, Rasputin possuía uma fila imensa de seguidoras que encontraram a “graça de Deus” na cama com ele. Em um monastério, chegou a ser acusado pelas freiras responsáveis de organizar bacanais com as noviças. Aos 18 anos, casou-se com Praskovia Fyodorovna, que fazia vista grossa as suas inúmeras puladas de cerca, o casamento durou até a morte do infiel Rasputin. Tiveram três filhos.

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Sempre cercado de mulheres, o mago Rasputin ficou também conhecido por suas proezas eróticas

Alguns historiadores identificam Rasputin como peça-chave para afundar ainda mais a baixa popularidade do czar e da nobreza. No início de dezembro de 1916, Rasputin previu sua morte em carta ao chefe de governo russo Nicolau: “Czar de todas as Rússias, tenho o pressentimento de que até o final do ano eu deixarei este mundo”. E ainda vaticinou a queda da monarquia um ano antes da Revolução Russa: “Dentro de 25 anos não restará um único nobre neste país”.

Como Rasputin incomodava, sua morte era sempre arquitetada pelos seus inimigos. A primeira tentativa ocorreu em 1914 pelas mãos de uma prostituta que conseguiu esfaqueá-lo, ele sobreviveu. Parente do czar Nicolau, o príncipe Felix Yassupov armou a cilada para assssiná-lo em dezembro de 1916 em seu palácio. O bolo com alta dose de cianeto de potássio não surtiu o efeito esperado em Rasputin. Então Yassupov e seus comparsas partiram para as armas de fogo, o monge Rasputin tomou 11 tiros e apanhou muito, o que também não o matou. Muito ferido, o místico xingava seus algozes e jurava vingança. Seus assassinos o enrolaram em um tapete e o jogaram em um rio próximo.

O corpo do monge foi encontrado no dia seguinte e a causa da morte foi identificada como hipotermia, ou seja, os ferimentos não o mataram, o que aumentou ainda mais as histórias sobre Grigoriy Yefimovich Rasputin. E ainda tem mais, o pênis do mago foi retirado antes de seu corpo ser arremessado no rio. Nos anos 20, uma seita de mulheres o usava o utilizava como amuleto de fertilidade em rituais em Paris.

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Sou blogueiro e jornalista. Pai de Lorena, santista e obcecado por literatura, cinema, música e política.

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