Enquanto isso, na realidade paralela do planalto central

por Fernando do Valle

No mundo paralelo projetado por conhecido arquiteto comunista, a presidenta eleita há cerca de dois anos está sendo defenestrada pelas vossas excelências. Entre elas difícil encontrar qualidades que se aproximem de excelentes ou ilustres, com certa benevolência talvez encontremos algumas boas intenções, mas não nos esqueçamos do popular ditado.

Crime ainda não foi provado contra tal presidenta, mas a maioria das excelências não se importa tamanho o apuro demonstrado em assegurar a continuidade do governo plutocrático do vice eleito na chapa da presidenta. O partido político do vice é péssimo de votos, sempre recebe poucos nos pleitos bienais, mas estranhamente sempre esteve no poder, escudado por mirabolantes negociatas, acordos e ouso dizer jogo de cintura parecido com o de dançarinas adeptas de diminutos shorts.

Esse partido, o mais bem adaptado aos corredores de certos prédios que se foram construídos de concreto hoje são o habitat do mais puro abstracionismo, pelo jeito chegará ao poder pela terceira vez sem voto. Na primeira ocasião, péssimo escritor e presidente governou por cinco longos anos após a morte de um velho político depois de mais de duas décadas de um regime militar que torturou e matou centenas de opositores. No segundo momento, a presidência caiu no colo de mineiro topetudo meio atrapalhado após a queda do alto comando do país de político de imensa sordidez e olhem que a concorrência nesse quesito é considerável por lá.

crise política

Cenário pronto da “realidade paralela” em 1960, clicada por Thomas Farkas

O sórdido político carioca que fez carreira nas Alagoas foi construído nos gabinetes do principal meio de comunicação do país, comandado por conhecido apoiador dos militares. No ano passado, esse mesmo veículo de comunicação fez cobertura incensando os festivos selfies de boa parte da classe média em suas camisetas amarelas com policiais da tropa de choque que matam milhares de pretos e/ou pobres nas periferias das grandes e médias cidades.

Tanto os defensores da tal presidenta como seus opositores são alimentados com sua ração de ódio diário e depois gritam e esperneiam. Alguns tem muita razão, outros muito mais. A maioria que não tem tanta razão assim assiste boquiaberta ao teatro de quinta categoria, mas as otoridades continuam protegidas na bolha dessa realidade paralela.

Sou blogueiro e jornalista. Pai de Lorena, santista e obcecado por literatura, cinema, música e política.

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