Estudante tem mais que protestar

Maconha expande sua mente. Mantra usado e abusado durante 40 anos por muitos. Após a almejada e nem sempre alcançada expansão, a mente deve  buscar objetivos senão claros, a concretude de sonhos e desejos. Ou, ao menos, trazer para o cotidiano comportamentos ou temas fora da ordem estabelecida nos campos da cultura, política ou no combate a preconceitos, hipocrisias.

 

Hilda Hilst contra a PM

Hilda Hilst contra a PM

Quando o objetivo esgota-se no direito individual de consumir o quê, onde e como, sinal de alerta. Tenho esperança que o buraco seja mais embaixo!

Tomo café e pão na chapa na padaria e escuto o executivo afrouxando a gravata a caminho de seu trabalho das 9h às 18h: “esses estudantes maconheiros não querem nada com nada, tem que descer o pau neles”, o atendente com seu uniforme ocre e chapéu da mesma cor: “são uns vagabundos mesmo”.

O movimento estudantil é uma babel. Nerds, barbichas com camisa do Che, descoladas deslocadas, projetos de futuros vereadores. No meio da fauna, gente boa e inteligente.

Participei do Leão XXIII, centro acadêmico da FEA-PUC por volta de 1992. Em uma reunião que se arrastava por três horas, discutia-se se o ângulo da parede a ser levantada para não atrapalhar o jogo de sinuca da galera. Foi o meu limite, fui.

A universidade não é o terreno da objetividade, lá se pode almejar que o subjetivo encontre algum sentido nos colegas, nas aulas ou no boteco mesmo. A discussão é e sempre foi: aqui podemos criar um lugar de exceção, em que a liberdade individual seja mais relevante do que em outras paragens.

Em resumo, a polícia e a repressão não apitam. No Capão Redondo ou na Vila Joaniza, prende-se o primeiro que acende um beque, aqui não.

Polícia não está na USP para prender estudante que fuma, concordo.

Se é válida a revolta para se criar um espaço de privilegiados fumantes de maconha com pitadas de combate à violência policial, que, convenhamos, protesto infundado de estudantes que dificilmente tomam geral dos homi em seu cotidiano, não sei. Como isso vai ajudar a discussão sobre drogas e comportamento, se até FHC confunde-se com D2 hoje, também não sei.

Outros temas como a precariedade educacional, os direitos individuais e a truculência da PM tucana entrarão na pauta dos protestos e suscitarão um debate mais amplo, talvez não passe de esperança e uma certa urgência do debate de temas também importantes.

O sinal é amarelo porém promissor. Estudantes em confronto com a polícia, executivo revoltado na padaria, celeuma na mídia conservadora, todos querendo
palpitar nas mídias sociais, coisa boa pode sair disso tudo!

Sou blogueiro, jornalista e criador de conteúdo. Pai de Lorena, santista e obcecado por literatura, cinema, música e política.

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