O homem-livro Massao Ohno

Filho de imigrantes japoneses, Massao Ohno marcou época entre os editores de livros no país. A Massao Ohno Editora publicou livros que impulsionaram a carreira de toda uma geração de escritores e poetas iniciantes que surgiu na capital paulista nas décadas de 60 e 70. Um desses livros representa o espírito de seu trabalho: a Antologia dos Novíssimos, de 1961, com poemas de Claudio Willer, Álvaro Alves de Faria e Eunice Arruda.  Ele publicou também figuras como Hilda Hilst e Roberto Piva.

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Massao Ohno e Hilda Hilst (fonte: blog Acervo Massao Ohno)

Em entrevista ao livro Dentes da Memória, de Renata D`Elia e Camila Hungria, Ohno lembra como teve a ideia de lançar a Antologia dos Novíssimos:

“Em qualquer canto, havia um grau de criatividade muito grande. Esses poetas traziam uma inovação que gostávamos de incorporar à produção editorial. Mas o critério de escolha não de dava apenas por serem autores novos, e sim pelo fato de conter uma mensagem nova ou um estudo de forma interessante. Aí sim, eu creio que valeu a minha opinião, independente de críticos literários. Foi uma tentativa de sondagem. Um gosto pessoal”

Leia texto sobre o livro Dentes da Memória que retrata a boa geração de poetas paulistanos

Dentista de formação, Ohno iniciou as atividades de sua editora na década de 50 publicando apostilas para cursinhos pré-vestibulares. Mais tarde, começou a publicar autores que despontavam no cenário literário da época. Ohno editou cerca de 800 livros e incorporou trabalhos de Manabu Mabe, Ciro Del Nero, Aldemir Martins, João Suzuki, Jaguar, Millôr, dentre outros artistas, a seus livros, em capas ou ilustrações.

Ohno militou na AP (Ação Popular), que combatia a ditadura militar e foi um dos produtores do genial filme O Bandido da Luz Vermelha, de Rogério Sganzerla. O editor morreu em Sorocaba em julho de 2010, casou quatro vezes e teve quatro filhos.

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A Serena Filmes finaliza um documentário sobre Massao através de financiamento coletivo. Acesse o site da produtora.

Assista ao trailer do documentário:

Sou blogueiro e jornalista. Pai de Lorena, santista e obcecado por literatura, cinema, música e política.

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Um Comentário

  1. José Celestino Teixeira Teixeira diz:

    Obrigado. Conheci o Massao nos anos 70/80 em São Paulo. Esteve com um amigo comum, Pedro Paulo Mendes (editor de gravuras – Papel Assinado) em Caxambu-MG.

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