O poema de Jack Kerouac para Charlie Parker

Apaixonado pelo bebop, ritmo criado pelo revolucionário Charlie ‘Bird’ Parker e sua turma nos anos 40, o escritor Jack Kerouac homenageou seu ídolo com a gravação musicada do poema ‘Charlie Parker’ em 1957. Na gravação, Kerouac declama o poema acompanhado no piano por Steve Allen. Em 1959, o escritor reuniu esse poema a outros no disco Poetry for the Beat Generation.

A galera apelidada de geração beat pirava e dançava ao som do bebop em bares frequentados predominantemente por negros em uma vibe que prenunciava a libertação pelo rock nos anos 60. Para inventar o bebop, Parker levou além standards conhecidos da música norte-americana com muita improvisação, virtuosismo em um ritmo frenético. O trompetista Louis Armstrong odiava o ritmo.

Charlie Parker

Charlie Parker

O saxofonista Charlie Parker morreu há 60 anos, em 12 de março de 1955, e nasceu em 29 de agosto de 1920. Coincidentemente, o escritor Jack Kerouac nasceu na mesma data em que Parker morreu, um 12 de Março, mas de 1922.

Considerado um dos principais músicos do século XX, o norte-americano Charlie Parker morreu com apenas 34 anos em Nova Iorque depois de muito abuso de heroína e álcool.  O culto ao músico se viu logo após sua morte estampado nas paredes do bairro negro do Harlem: “Bird Lives”.

Antes de sua morte, Parker contabilizou duas tentativas de suicídio e uma longa internação em um sanatório. Destruído pela dependência química, o legista que examinou seu corpo atribuiu ao músico a idade de 65 anos.

Charlie Parker e seu amigo Dizzy Gillespie

Charlie Parker e seu amigo Dizzy Gillespie

Lester Young foi um ídolos de Bird. Saiba mais sobre ele.

O filme recentemente lançado Whiplash, que conta as agruras de um jovem músico nas mãos de seu professor autoritário, ressuscita a história que marcou o início da carreira de Charlie Parker.

Em 1937, o ainda adolescente Bird participou de uma jam com a orquestra do pianista Count Basie, uma das mais conhecidas na época, na cidade natal de Bird, Kansas. Audacioso, Bird improvisou durante a execução da música I Got Rhythm em cima de acordes raramente usados no jazz.

Revoltado com a audácia do jovem músico, o baterista Jo Jones desparafusou tranquilamente o prato da bateria e o arremessou em direção a Parker. O público vaiou Parker e caiu na gargalhada, que retirou-se humilhado do palco. No filme Whiplash, o professor sempre lembra ao aluno que se o baterista não tivesse atirado o prato de bateria, Bird não teria se dedicado para superar essa frustração e nunca teria sido Bird.

“Koko”, Charlie Parker e Dizzy Gillespie

“Now´s the time”

O poema completo de Kerouac:

“Charlie Parker looked like Buddha.

Charlie Parker who recently died laughing at a juggler on TV

after weeks of strain and sickness

was called the perfect musician

and his expression on his face

was as calm beautiful and profund

as the image of the Buddha

represented in the East  the lidded eyes

the expression that says: all is well.

 

This was what Charlie Parker said when he played: all is well.

You had the feeling of early-in-the-morning

like a hemit’s joy

or like the perfect cry of some wild gang at a jam session

Wail! Whap!

Charlie burst his lungs to reach the speed of what the speedsters wanted

and what they wanted was his eternal slowdown.

A great musician

and a great creator of forms

that ultimately find expression

in mores and what-have-you.

 

Musically as important as Beethoven

yet not regarded as such at all

a genteel conductor of string orchestras

in front of wich he stood proud and calm

like a leader of music in the great historie worldnight

and wailed his little saxophone

the alto

with piercing, clear lament

in perfect tune and shining harmony

Toot!

As listeners reacted

without showing it

and began talking

and soon the whole joint is docking and talking

and everybody talking —

and Charlie Parker

whistling them on to the brink of eternity

with his Irish St. Patrick Patootlestick.

And like the holy mists

we blop and we plop

in the waters of slaughter and white meat —

and die

one after one

in Time.

And how sweet a story it is

 

when you hear Charlie Parker tell it

either on records or at sessions

or at official bits in clubs

(shots in the arm for the wallet).

Gleefully he whistled the perfect horn

anyhow made no difference…

Charlie Parker forgive me.

Forgive me for not answering your eyes.

For not having made an indication

of that which you can devise.

Charlie Parker pray for me.

Pray for me and everybody.

 

In the Nirvanas of your brain

where you hide —

indulgent and huge —

no longer Charlie Parker

but the secret unsayable Name

that carries with it

merit not-to-be-measured

from here to up down east or west.

Charlie Parker

lay the bane off me

…and everybody.”

Sou blogueiro e jornalista. Pai de Lorena, santista e obcecado por literatura, cinema, música e política.

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Um Comentário

  1. Grande Fernando, sou professor nietzscheano e apaixonado por musica, além de ser santista, vamos trocar idéias

    luiz zanotti

    luizrzanotti@gmail.com

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