O resumo de tempos idos (ou não) com o cartunista Fortuna

Com economia de traços, os desenhos de Fortuna sintetizavam com fina ironia o cenário político e comportamental brasileiro. Seus trabalhos ocuparam as páginas da imprensa, tanto da alternativa como da tradicional, entre os anos 60 e 90: PIF-PAF, O Cruzeiro, O Pasquim, Correio da Manhã, Folha de S Paulo, Senhor, entre outras.

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O cartunista e professor Gilberto Maringoni conta que para conseguir desconto no preço dos cartuns de Fortuna, alguns editores o provocavam: “você fez isso em quinze minutos”. Ele retrucava: “fiz em quarenta anos mais quinze minutos, que foi o tempo necessário para eu chegar a essa síntese”.

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Fortuna, segundo o PIF-PAF:

“Seu nome foi roubado à famosa deusa de Famagusta, aquela que tem na mão a Cornucópia – com licença da palavra. Fortuna é realmente um humorista nato. Muita gente preferia que fosse um humorista morto mas ele ainda chega lá. Em criança também tinha mania de fazer brincadeiras com os pais, das quais ainda conserva inúmeras cicatrizes. Até hoje continua roxo por uma piada, sobretudo no dia seguinte. Com pouco mais de trinta anos, já é descendente, vivo e antepassado. Vive com a mulher no regime de separação de bens (“Meu bem prá cá meu bem pra lá”). Tem um filho enorme, o que prova que mesmo um subdesenvolvido é capaz de grandes coisas quando as faz com amor”.

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O cartunista Fortuna

Leia texto sobre o PIF-PAF, revista que mostrou os caminhos para a imprensa independente.

Fortuna viveu até seus 14 anos em São Luís onde nasceu. Na capital maranhense, subia as ladeiras à procura do semanário A Manha, do Barão de Itararé  nas bancas de jornais, não perdia um exemplar. Filho único, mudou com a mãe para o Rio de Janeiro após perder o pai. Ainda adolescente, publicou seus primeiros trabalhos na revista infantil do Sesi (“Sesinho”) e A Cigarra no final da década de 40. Uma década depois, fez parte da revista Senhor, que marcou época na imprensa.

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Nos anos 50, o trabalho de Fortuna foi influenciado pelo romeno Saul Steinberg, reconhecido como um dos maiores chargistas do mundo, principalmente pelo seu trabalho na revista New Yorker. Em 1964, no PIF-PAF, Fortuna ironizava os militares e o golpe de Estado.

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No início dos anos 70, Fortuna muda-se para São Paulo e assume a direção da redação da revista Cláudia, onde dava conselhos às leitoras sob o pseudônimo de Ana Maria.

Fortuna morreu no dia 5 de setembro de 1994, aos 63 anos, de um fulminante ataque cardíaco, em São Paulo.

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No ano passado, o caricaturista Cássio Loredano com a ajuda do filho de Fortuna, Felipe, organizou o trabalho do desenhista no livro Fortuna – o cartunista dos cartunistas pela editora Pinakotheke.

Charges no período da ditadura militar:

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Sou blogueiro e jornalista. Pai de Lorena, santista e obcecado por literatura, cinema, música e política.

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