O romance de Hemingway na Primeira Guerra Mundial

Ainda muito jovem, Ernest Hemingway já escrevia no jornal Kansas City Star e tentou alistar-se para lutar na Primeira Guerra Mundial. Foi preterido no exame médico por um problema de visão. Não desistiu e conseguiu uma vaga de motorista de ambulância na Cruz Vermelha. Sua experiência na guerra  foi contada no livro Adeus às Armas, lançado em 1929.

Durante a guerra, Hemingway foi atingido por estilhaços de uma bomba e internado em um hospital de Milão, na Itália, onde apaixonou-se pela enfermeira Agnes von Kurowsky. Hemingway tinha apenas 18 anos, e Agnes, 26.  No livro de Hemingway, Agnes inspirou a criação da heroína Catherine Barkley.

Em 21 de julho de 1899, nascia o escritor Ernest Miller Hemingway na pequena Oak Park, no estado de Illinois, Estados Unidos.

21 de julho Ernest Hemingway with Agnes von Kurowsky, foto 1

Agnes von Kurowsky e Ernest Hemingway

Após o fim da guerra, Agnes escreveu uma carta para Ernest em 7 de março de 1919 terminando o relacionamento. Ele tinha retornado aos Estados Unidos em janeiro do mesmo ano e ambos planejavam se casar por lá. Mas Agnes envolveu-se com um oficial italiano. Leia um trecho:

“Estou escrevendo tarde da noite após pensar muito e tenho medo de machucá-lo, mas eu tenho certeza que isso não irá feri-lo de forma permanente.
Por um tempo antes de você ir embora, eu estava tentando me convencer de que era um caso de amor real, mas nós sempre discordamos nesse ponto e depois eu buscava argumentos que se encaixavam para evitar que você tomasse alguma atitude desesperada. Agora, depois de dois meses longe de você, eu sei que eu gosto de você, mas é mais como uma mãe do que como uma namorada. É certo dizer que eu sou uma garota, mas também sou cada vez menos uma garota a cada dia que passa”.

21 de julho Ernest_Hemingway primeira guerra foto 2

Hemingway de muletas em 1918 (foto do The Guardian)

A resposta de Hemingway à carta nunca foi conhecida porque um dos namorados de Agnes queimou toda sua correspondência. Em junho de 1919, Hemingway escreveu para o amigo Howell Jenkins: “Eu a amei outrora e, em seguida ela me trapaceou. E eu não a culpo. Mas eu me propus a cauterizar as lembranças com o método da bebida e outras mulheres e agora tudo se foi”.

Em 1937, Hemingway cobriu como jornalista a Guerra Civil Espanhola e mais tarde chegou a combater ao lado dos Republicanos.  Mas essa já é outra história.

Sou blogueiro e jornalista. Pai de Lorena, santista e obcecado por literatura, cinema, música e política.

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