A robotização do cotidiano

 por Albenísio Fonseca

Passamos a habitar um mundo quase que totalmente robotizado em meio à cena diária da urbanidade contemporânea. Estamos submetidos a vozes que nos comandam idas e vindas. Reconhecimentos biométricos a nos identificar na proliferação das redes de dados, indivíduos estatísticos do miraculoso universo virtual, enquanto transitamos nas ruas ou em ambientes climatizados, sorrindo para câmeras que nos perseguem a cada esquina e monitorados por centrais de monitores a vasculhar nossos passos e atitudes.

Desde os anos 70, no século XX, e já nestas últimas décadas, tudo que se presumia por interação humana ganhou novos contornos. Passamos a depender e a despender do trabalho das máquinas. De forma direta ou não, interagimos com elas e bem menos com humanos. Quem quer que se pretenda integrado ao novo cenário não terá “vida” se não dispuser de um endereço eletrônico na Internet junto a portais ou aplicativos de comunicação instantânea, configurados por um avatar (ou duplo) da sua identidade virtual. Antes, a condição da existência exigia um nome; depois, registros e cadastros; agora, ter um e-mail, WhatsApp ou Facebook, entre outros ambientes online, é imprescindível.

 

Interagimos muito mais com robôs e bem menos com humanos

Interagimos mais com robôs do que com humanos

Desde a Revolução Industrial, quando a sociedade passou a criar e programar máquinas que pudessem desempenhar as mesmas funções dos humanos – com extrema velocidade, eficiência e de modo incessante – não raramente, o homem viu-se ameaçado ou aviltado em sua própria humanidade. As máquinas passaram a ocupar o labor de trabalhadores derrubando, de imediato, os mais idosos.

Nesse admirável mundo novo da “sociedade do controle e da informação”, consolidada por um capitalismo cognitivo, seguimos por entre sinais luminosos e sonoros a nos conduzir, mecanicamente, em veículos automotores – mega máquinas de mobilidade – no tráfego estressante de avenidas e highways ou a transitar por escadas rolantes e a atravessar portas giratórias.Faça um boot. Insira sua senha. Redigite. Coloque o dedo mais acima, para o lado, programe elevadores inteligentes que conduzem a “nuvens” de andares ou de proteção a infindáveis arquivos de computadores.

A confirmar o vaticínio de ficções literárias ou cinematográficas, falta pouco para as máquinas assumirem o controle da vida no planeta, à medida que passam a se mostrar mais e mais “humanas”. Agradecemos sua visita à armadilha eletrônica de um Deus Ex-machina desses novos tempos, ao som de “Machine Messiah” da banda Sepultura. Logo, serão apenas nostalgias as características que nos diferenciavam de um robô, vez que o desenvolvimento tecnológico passa a atribuir a ele o poder de simular afetos, desejos e escolhas, nos levando a abdicar de toda presumida consciência.

Letra de Machine Messiah:

Alone away

Lost, darken rage
Far from grace a world
Betrayed come and free the beast
Can you hear me?
I want hopeBehold there’s a way
A spark
A flame
Won’t you feed the needs
Come and save me
I need you
I’ll give you everything
I’ll cure humanity
Shelter security
I’ll make you part of me
Prepare to feel nothingThe soul is dead
Your saviour bled
The soul is dead
Bow down to machine messiahGive me your praise
I’ll keep you safe
The soul is dead
Bow down to machine messiahThe souls is dead
Your saviour bled
The soul is dead
Bow down to machine messiahGive me your praise
I’ll keep you safe
The soul is dead
Bow down to machine messiahI’ll give you everything
I’ll cure humanity
Shelter security
I’ll make you part of me
I have returned

Publicado originalmente no Blog do Albenísio.

Jornalista com trajetória marcante nos principais jornais baianos como repórter e editor nas áreas de Cultura, Política, Economia e Internacional. Como assessor de Comunicação atuou nas duas primeiras campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva à presidência da República, na Bahia, entre outros políticos e junto à iniciativa privada, em shopping centers e indústrias do Pólo Petroquímico. Como empresário, lançou diversos títulos e ganhou o prêmio Colunistas Brasil, em 1992, pelo ineditismo da “Revista do Carnaval”. Atualmente é repórter de Cidade, na Tribuna da Bahia e sócio-editor do jornal “Itapuã na Frente”.

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