Safatle e a geração que quebrou o mundo

Em discurso aos jovens que ocuparam o Vale do Anhangabaú no Movimento Ocupa Sampa, em 2011, o filósofo Vladimir Safatle resumiu o espírito do fracasso da geração dos quarentões:

“Na idade de vocês, dezoito, dezenove , vinte anos, costumava ouvir que não havia mais luta política a ser feita, que o mundo estava globalizado e o que valia era a eficácia, a capacidade de assumir riscos, de ser criativo, inovador, de preferência em uma agência de publicidade ou no departamento de marketing de uma grande empresa. Se assumíssemos essa nova realidade, entraríamos em um futuro radiante onde só haveria vencedores e raves, onde os que ficassem para trás teriam, no fundo, um problema moral, pois não haviam tido a coragem de assumir riscos, a necessidade de inovação e coisas do tipo.

Bem, vejam que interessante. Exatamente essas pessoas que ouviram e acreditaram em tal discurso há vinte anos e que, como eu, estão hoje perto dos quarenta anos foram trabalhar no sistema financeiro e conseguiram criar uma crise maior que a de 1929, da qual ninguém sabe sair. Ou seja, eles simplesmente conseguiram quebrar o mundo”.

 

Trecho retirado do livro Occupy, movimentos e protesto que tomaram as ruas, Editora Boitempo. 

 

13 de junho Cildo Meireles

Obra do artista plástico Cildo Meireles

Sou blogueiro e jornalista. Pai de Lorena, santista e obcecado por literatura, cinema, música e política.

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