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	<title>Especial Copa do Mundo &#8211; Zona Curva</title>
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	<description>cobertura exclusiva do SXSW no Zona Curva</description>
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	<title>Especial Copa do Mundo &#8211; Zona Curva</title>
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		<title>Nelson Rodrigues, o maior craque da crônica de futebol</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Urariano Mota]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 07 Dec 2022 19:17:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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					<description><![CDATA[Ele na crônica escrevia à semelhança de Garrincha, que driblava para um só lado, e todos sabiam qual, mas ainda assim eram surpreendidos. Nelson Rodrigues foi, de longe, o maior e melhor excelso gênio da literatura de futebol no Brasil. Disse tudo? Não, disse menos. Quero dizer: o sonho de todo escritor, o de ser lido pelas massas, discutido por elas, sem cair um só milímetro da sua dignidade artística, o sonho de escrever para todos, esse possível um dia Nelson Rodrigues conseguiu. Disse tudo? Menos ainda, porque devo dizer: não conheço, na literatura mundial, alguém que tenha sido tão magnífico quanto Nelson Rodrigues na crônica esportiva.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Bem-vindo ao Fatos da Zona, onde adaptamos os textos mais acessados do site do Zonacurva Mídia Livre para o audiovisual. ASSISTA:</p>
<div class="ast-oembed-container " style="height: 100%;"><iframe title="Geisel e o artilheiro Reinaldo - Fatos da Zona EP15" width="1200" height="675" src="https://www.youtube.com/embed/klk1eypFyX8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe></div>
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<p>Ele na crônica escrevia à semelhança de Garrincha, que driblava para um só lado, e todos sabiam qual, mas ainda assim eram surpreendidos. Nelson Rodrigues foi, de longe, o maior e melhor excelso gênio da literatura de futebol no Brasil. Disse tudo? Não, disse menos. Quero dizer: o sonho de todo escritor, o de ser lido pelas massas, discutido por elas, sem cair um só milímetro da sua dignidade artística, o sonho de escrever para todos, esse possível um dia Nelson Rodrigues conseguiu. Disse tudo? Menos ainda, porque devo dizer: não conheço, na literatura mundial, alguém que tenha sido tão magnífico quanto Nelson Rodrigues na crônica esportiva.</p>
<p>Se pensam que me engano, olhem e amaciem na boca feito fruta rara o que Nelson Rodrigues escreveu sobre um jogo de Pelé, antes de começar a Copa do Mundo de 1958. Para não dizê-lo um profeta, devo dizer: a sensibilidade, a genial arte de um escritor descobriu e revelou um fenômeno:</p>
<blockquote><p>“Depois do jogo América x Santos seria um crime não fazer de Pelé o meu personagem da semana. Grande figura que o meu confrade Laurence chama de ‘o Domingos da Guia do ataque’. Examino a ficha de Pelé e tomo um susto: — 17 anos! Há certas idades que são aberrantes, inverossímeis. Uma delas é a de Pelé. Eu, com mais de 40, custo a crer que alguém possa ter 17 anos, jamais. Pois bem: — verdadeiro garoto, o meu personagem anda em campo como uma dessas autoridades irresistíveis e fatais. Dir-se-ia um rei, não sei se Lear, se ‘Imperador Jones’, se etíope. Racialmente perfeito, do seu peito parecem pender mantos invisíveis. Em suma: — ponham-no em qualquer rancho e sua majestade dinástica há de ofuscar toda a corte em derredor.</p>
<p>O que nós chamamos de realeza é, acima de tudo, um estado de alma. E Pelé leva sobre os demais jogadoes uma vantagem considerável: – a de se sentir rei, da cabeça aos pés. Quando ele apanha a bola, e dribla um adversário é como quem enxota, quem escorraça um plebeu ignaro e piolhento. E o meu personagem tem uma tal sensação de superioridade que não faz cerimônia. Já lhe perguntaram: — <em>Quem é o maior meia do mundo?. </em>Ele respondeu com a ênfase das certezas eternas: —<em> Eu.</em> Insistiram: — <em>Qual é o maior ponta do mundo?</em> E Pelé: — <em>Eu. </em></p>
<p>Em outro qualquer, esse desplante faria rir ou sorrir. Mas o fabuloso craque põe no que diz uma tal carga de convicção que ninguém reage e todos passam a admitir que ele seja, realmente, o maior de todas as posições. Nas pontas, nas meias e no centro, há de ser o mesmo, isto é, o incomparável Pelé… Na Suécia, ele não tremerá de ninguém. Há de olhar os húngaros, os ingleses, os russos de alto a baixo. Não se inferiorizará diante de ninguém. E é dessa atitude viril e, mesmo, insolente de que precisamos. Sim, amigos: — aposto minha cabeça como Pelé vai achar todos os nossos adversários uns pernas-de-pau”.</p></blockquote>
<figure id="attachment_13507" aria-describedby="caption-attachment-13507" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-13507 size-full" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/wp-content/uploads/2022/11/nelson-rodrigues.webp" alt="Nelson Rodrigues" width="1920" height="1080" /><figcaption id="caption-attachment-13507" class="wp-caption-text">Nel(son Rodrigues fez da crônica futebolística literatura das boas (Reprodução)</figcaption></figure>
<p>Isso se deu em crônica de março de 1958. Se a epifania de Pelé antes do reconhecimento universal não causa espanto, olhem, mastiguem lento e com calma o que Nelson escreveu sobre Garrincha:</p>
<blockquote><p>“Nos acrobatas chineses o que existe é o esforço, é a técnica, é o virtuosismo, ao passo que Garrincha é puro instinto. Possui uma riqueza instintiva que lhe dá absoluto destaque sobre os demais. Até Deus, lá do alto, há de admirar-se e há de concluir: — ‘Esse Garrincha é o maior!’. O ‘seu’ Mané não trata a bola a pontapés como fazem os outros. Não. Ele cultiva a bola, como se fosse uma orquídea rara”.</p></blockquote>
<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" class="wp-image-646574" src="https://i0.wp.com/vermelho.org.br/wp-content/uploads/2022/11/garrincha-2.jpg?resize=1024%2C716&amp;ssl=1" sizes="(max-width: 1000px) 100vw, 1000px" srcset="https://i0.wp.com/vermelho.org.br/wp-content/uploads/2022/11/garrincha-2.jpg?resize=1024%2C716&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/vermelho.org.br/wp-content/uploads/2022/11/garrincha-2.jpg?resize=300%2C210&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/vermelho.org.br/wp-content/uploads/2022/11/garrincha-2.jpg?resize=768%2C537&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/vermelho.org.br/wp-content/uploads/2022/11/garrincha-2.jpg?w=1189&amp;ssl=1 1189w" alt="" width="660" height="461" /><figcaption>&#8220;Ele (Guarrincha) cultiva a bola, como se fosse uma orquídea rara&#8221; (Reprodução)</figcaption></figure>
<p>Cultivar a bola como uma orquídea rara — isso já deixou de ser futebol e penetrou na delicadeza da arte, no mesmo passo em que vemos a fina e macia pétala que se toca com a percepção da vida fugaz. Mas é uma bola. É uma crônica. Nesta altura eu me sinto um escritor absolutamente desnecessário. O que disser parecerá acento circunflexo sobre o céu azul. Pode? Ser leitor dessas crônicas é tão agradável, que nossa única transmissão possível é copiá-la em trechos, porque o tempo urgente não permite a cópia inteira, o que seria um serviço de utilidade pública e educação estética. É irresistível.</p>
<p>Em O craque sem idade — “A bola tem um instinto clarividente e infalível que a faz encontrar e acompanhar o verdadeiro craque. Foi o que aconteceu: — a pelota não largou Zizinho, a pelota o farejava e seguia com uma fidelidade de cadelinha ao seu dono. (Sim, amigos: — há na bola uma alma de cachorra.). No fim de certo tempo, tínhamos a ilusão de que só Zizinho jogava. Deixara de ser um espetáculo de 22 homens, mais o juiz e os bandeirinhas. Zizinho triturava os outros ou, ainda, Zizinho afundava os outros numa sombra irremediável. Eis o fato: — a partida foi um show pessoal e intransferível.”</p>
<p>Em Vitória Fla-Flu — “O arqueiro Carlos Alberto, que chegara a encostar a mão na bola, caiu de joelhos e, assim ficou, de joelhos e atônito, por muito tempo. Dir-se-ia que o gol de Índio era um altar, diante do qual ele se prostrava”.</p>
<p>Em O desfigurado Fluminense — “A batalha definiu-se, contra o Fluminense, no primeiro minuto. Minto: nos primeiros trinta segundos, exatamente. Vejam vocês: — trinta segundos bastaram para liquidar o líder de sete dias. Mas examinemos o lance fatal. Foi assim: — na primeira carga do Bangu, Zizinho, de fora da área, atira. Foi, sem dúvida, um tiro violento. Mas, de longe, muito longe. Que fez Castilho? Apenas isto: — apanha a bola e larga. Devia, em seguida, agarrá-la, de novo. E, no entanto, o arqueiro tricolor parou, ficou só espiando. Conclusão: veio Wilson e empurrou, docemente. Era o primeiro gol do Bangu e, ao mesmo tempo, a derrota do Fluminense”.</p>
<p>Em Derrota brasileira — “Sábado, enquanto o Fluminense perdia no Pacaembu, eu assistia, no Maracanã pequeno, à luta Carlson x Leão de Portugal. E, então, o locutor do estádio, Jayme Ferreira, começou a anunciar os gols do Honvéd — primeiro, segundo, terceiro, quarto, cinco, meia dúzia…”.</p>
<p>E aqui, me permitam, por favor, um parêntese no céu azul. No parágrafo acima, Nelson Rodrigues fala de jogo a que não assistira. E o leitor, se notar, não sente a falta da presença física do repórter. Onde já se viu isso na imprensa esportiva do mundo? Ele acha pouco e na crônica da semana seguinte, sob o título genial de A Derrota Triunfal escreve:</p>
<p>“O que mais admira, em nós, jornalistas, é a desenvolta irresponsabilidade com que escrevemos as nossas barbaridades. Por exemplo: a propósito do jogo Flamengo x Honvéd, um matutino de domingo escreve o seguinte: ‘depois do segundo tento, o calor tomou conta da rapaziada magiar…’ Leio isso e mergulho numa desesperada meditação. Cabem duas perguntas. Primeira: ‘Só fazia calor para os húngaros e para o Flamengo, não? Segunda: ‘Antes do segundo tento, fazia frio no Maracanã, nevava no Maracanã?’… Eu compreendo que a temporada húngara induz qualquer um a ser idiota. Façamos, porém, uma tentativa de inteligência. E, então, chegaremos à visão certa da batalha de sábado. É a seguinte: — não foi o Honvéd que venceu o Flamengo por 3 x 2. Foi o Flamengo que venceu o Honvéd por 2 x 3”.</p>
<p>Essa crônica esportiva, de gênero e talento que os espanhóis diriam ser esquisito, e aqui recupero pelos sentidos de muito bom e raro, esse texto de Nelson a gente absorve com um prazer e com um sorriso, que posto na face não se desgruda mais. Como é que ele conseguia escrever tão bem, no meio de uma redação barulhenta, sob os tiros de mais de 40 metralhadoras das máquinas de escrever, e nuvens de cigarros, e gritos, e piadas, e explosões de raiva e confusão? Penso que seria como fazer amor em meio às arquibancadas de um estádio durante um Fla x Flu. Vocês já veem que a gente lê Nelson Rodrigues e fica meio contaminado pelo espírito dele.</p>
<p>“Os passes de Didi! São precisos, exatos, irretocáveis como um soneto antigo. Direi mais, se me permitem a comparação: — Didi é a mãe dos pernas-de-pau. Quantos companheiros vivem, e sobrevivem, à sua sombra? Ele não depende de ninguém e quantos dependem dele? Ao lado de Didi, o perna-de-pau já o é muito menos”.</p>
<p>Ele — Nelson Rodrigues em seus craques — arranca humor e graça em frases que guardam sempre os mesmos recursos, imagens, mas ainda assim surpreendem. Ele na crônica escrevia à semelhança de Garrincha, que driblava para um só lado, e todos sabiam qual, mas ainda assim eram surpreendidos. Nelson usa sempre o exagero, as expressões mais despudoradas, melodramáticas, truques de circo na hipérbole, com o maior despudor e cinismo, mas ainda assim o leitor era, é driblado, assim como os marcadores de Garrincha. Que encanto! Com a diferença que a gente é driblado, mas não se frustra, porque enche o peito da gente de felicidade.</p>
<p>“Olhem Pelé, examinem suas fotografias e caiam das nuvens. É, de fato, um menino, um garoto. Se quisesse entrar num filme da Brigitte Bardot, seria barrado, seria enxotado. Mas reparem: é um gênio indubitável. Digo e repito: gênio. Pelé podia virar-se para Miguel Ângelo, Homero ou Dante e cumprimentá-los, com íntima efusão: ‘Como vai, colega?’ ”.</p>
<figure id="attachment_13526" aria-describedby="caption-attachment-13526" style="width: 932px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-13526" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/wp-content/uploads/2022/12/7-de-dezembro-pele-jovem.jpg" alt="pelé nelson rodrigues" width="932" height="1000" /><figcaption id="caption-attachment-13526" class="wp-caption-text">Pelé aos 17 anos com a camisa do Santos (Reprodução)</figcaption></figure>
<p>Na verdade, mesmo sem o seu teatro, Nelson Rodrigues seria imortal, se permitem mais um acento circunflexo no mar de suas crônicas. Dele pode ser dito o mesmo que ele escreveu sobre a morte do romancista José Lins do Rego:</p>
<p>“Morto e, no entanto, parece mais vivo do que muitos que andam por aí, que circulam, que batem nas nossas costas e contam piadas. Não resta dúvida que ‘morrer’ significa, em última análise, um pouco de vocação. Já falei nos vivos tão pouco militantes que temos vontade de lhes enviar coroas ou de lhes atirar na cara a última pá de cal. Esses têm, sim, a vocação da morte. Fomos, todos, enterrá-lo no chão muito doce de São João Batista. Mas é como se não existisse a mínima relação entre o funeral e Zé Lins, entre o caixão e o grande romancista.”</p>
<p>No país das chuteiras, ninguém escreveu sobre o futebol com tanta graça e gênio quanto ele, o recifense Nelson Rodrigues.</p>
<p>*Texto do Dicionário Amoroso do Recife</p>
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="0Jf7CeTz7W"><p><a href="https://urutaurpg.com.br/siteluis/nelson-rodrigues-o-reacionario-da-boca-pra-fora/" target="_blank" rel="noopener">Nelson Rodrigues: o reacionário da boca pra fora</a></p></blockquote>
<p><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;Nelson Rodrigues: o reacionário da boca pra fora&#8221; &#8212; Zona Curva" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/nelson-rodrigues-o-reacionario-da-boca-pra-fora/embed/#?secret=203JWX60eS#?secret=0Jf7CeTz7W" data-secret="0Jf7CeTz7W" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="Lk0YpBAOr5"><p><a href="https://urutaurpg.com.br/siteluis/a-copa-do-mundo-e-suas-perplexidades/" target="_blank" rel="noopener">A Copa do Mundo e suas perplexidades</a></p></blockquote>
<p><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;A Copa do Mundo e suas perplexidades&#8221; &#8212; Zona Curva" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/a-copa-do-mundo-e-suas-perplexidades/embed/#?secret=NrtcZ5bETb#?secret=Lk0YpBAOr5" data-secret="Lk0YpBAOr5" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="kFjif7PRHc"><p><a href="https://urutaurpg.com.br/siteluis/geisel-e-o-artilheiro-reinaldo/" target="_blank" rel="noopener">Na Copa de 78, o ‘conselho’ do ditador Geisel ao artilheiro Reinaldo</a></p></blockquote>
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		<title>A Copa do Mundo e suas perplexidades</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Elaine Tavares]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 28 Nov 2022 20:48:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Especial Copa do Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[#americalatina]]></category>
		<category><![CDATA[#EsquerdaBrasil]]></category>
		<category><![CDATA[américa latina unida]]></category>
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		<category><![CDATA[futebol]]></category>
		<category><![CDATA[futebol e política]]></category>
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					<description><![CDATA[Pouco antes da Copa do Mundo no Brasil, o IELA (Instituto de Estudos Latino-americanos) promoveu uma edição das Jornadas Bolivarianas tratando do tema dos megaeventos e seus impactos, tanto para a América Latina quanto para o mundo no que diz respeito a uma mirada de classe: ou seja, as consequências para os trabalhadores. Foi um momento muito bom para compreendermos como os países se curvam aos interesses da Fifa, ou, em última instância, do capital. Veio gente do México e da África do Sul, países que já tinham sediado uma Copa. E todos foram unânimes em mostrar como a organização de um mundial está longe de ser um momento de congraçamento dos povos. Não é. Já faz um bom tempo que sabemos que o futebol perdeu sua pureza original. No mundo contemporâneo, é uma mercadoria e ponto final. Naqueles dias, inclusive, nós aqui o Brasil nos debatíamos com os dramas das famílias que estavam sendo removidas do caminho das construções, com a situação dos indígenas na Aldeia Maracanã e outros tantos “tratores” que iam passando por cima da vida dos trabalhadores. O país chegou a construir enormes estádios que hoje estão subutilizados e também se rendeu à Fifa ao permitir a venda de bebida nos estádios. Uma loucura total. Teve luta, muita luta, mas o mundial veio, e a vida seguiu. O que não veio mesmo foi toda a sorte de melhorias que haviam prometido aos brasileiros. Isso não foi diferente no México da Copa de 1970 e de 1984. O país também se debatia com as lutas dos trabalhadores que não aceitavam tanto investimento num esporte que nem era o mais praticado da nação. Havia tanta coisa para fazer e os governos insistindo em servir de palco para mais uma onda de assimilação capitalista, da qual a maioria estava fora. Passados os mundiais, as promessas nunca mais foram revistas. O sindicalista Eddie Cottle trouxe a realidade deixada pela Copa do Mundo no torneio de 2010 na África do Sul. Mais do mesmo. Enormes construções, mais estádios, gente despejada, luta de trabalhadores, dinheiro público fluindo para a inciativa privada e grandes lucros para a FIFA e suas marcas parceiras. Agora, no Catar, as denúncias seguem o mesmo diapasão. Enormes estruturas que ficarão obsoletas, morte de trabalhadores, exploração das comunidades mais empobrecidas &#8211; no geral imigrantes. Isso sem falar da violação aos direitos das mulheres e a inexistência da tal democracia. Ora, para a FIFA isso não é problema. Violência contra mulheres, passar máquina por cima de comunidades, expulsar pessoas de suas casas, ditaduras, governos assassinos, nada importa se o fluxo do capital segue firme. Desde que João Havelange assumiu a presidência da entidade no ano de 1974, o futebol virou um esporte planetário e uma mercadoria de grande valor. Um acordo com a Adidas abriu as portas para a FIFA se firmar no mundo do espetáculo mundial. E o que era só uma salinha perdida na Suíça virou um gigante. Vieram a venda dos direitos televisivos, movimentando milhões, propagandas nas camisas dos times, garotos-mercadoria e por aí vai. O dinheiro só circulando. Essa lógica inaugurada por Havelange também foi contaminando o futebol nos países. Nasceram os clubes/empresas. Futebol já não era mais coisa de diletantes, apaixonados pela bola. Time virou negócio e negócio graúdo. É a grana que move as ligas na Europa, nos países da América Latina, nos países asiáticos que decidiriam também entrar no mundo do futebol. Garotos são vendidos e comprados desde a mais tenra idade e o clube/empresa que tiver mais dinheiro é o que aglomera mais gente boa no seu plantel. A lógica da dependência se expressando: no centro, os melhores e, na periferia, o restante. Não precisa ser muito esperto para perceber isso. Uma mirada nos grandes times europeus e o que se vê são muito mais jogadores estrangeiros que gente do próprio país. Pois muito bem, então como é que sabendo disso o futebol ainda é uma paixão que foge a qualquer argumento da razão? Por que milhões de pessoas seguem assistindo aos jogos, aconteçam aonde for? Por que existem torcidas gigantescas que seguem os times, ainda que estejam na série C, D ou E. Como entender o amor que consome a pessoa, mesmo que ela tenha completa noção de que o dirigente é um ladrão e que o futebol é só uma mercadoria para essa gente? Eu mesma não sei. Também sou movida por essa paixão. Torço para o Figueirense, de Santa Catarina, totalmente perdido numa série C qualquer, mas basta uma vitória para que a gente se levante em delírio, ainda que a razão nos diga que tudo isso é uma ilusão. Agora, no Brasil, temos visto muito debate nas redes sobre boicote ao evento da Copa e denúncias sobre a vida no Catar. Acho isso bom. Sempre é importante para os movimentos de luta contar com visibilidade nessa época de megaevento. Afinal, são bilhões de pessoas vendo e comentando o certame. De certa forma, apesar de toda a alienação ideológica e o puxa-saquismo (ou desconhecimento) dos comentaristas, algo escapa. Isso alavanca lutas. Porque o capital é assim: ele vem com voracidade, e nesse movimento acaba expondo as suas vísceras. Mas, é fundamental que a luta dos trabalhadores esteja sempre na nossa pauta, todos os dias, com evento ou sem evento. Outra coisa que escapa à alienação é explícita presença da lógica de dominação e dependência que é típica do capital. Nações ricas trazem os melhores jogadores e nações empobrecidas, da periferia capitalista, vêm com plantéis locais, destacando-se um ou outro que faz sucesso na Europa. Vide o nosso Brasil, com mais de 20 que não jogam em times locais. Esses jovens que cedo são “exportados” são, como diz o professor Nilso Ouriques, os “pé-de-obra” do futebol do centro do capital. E, esses times da periferia, se vencem, é porque conseguem superar de maneira quase heroica a sua condição de dependente. A coisa é clara. Ainda assim, a paixão persiste. De novo, vou buscar em Nilso Ouriques alguma resposta. No]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="adn ads" data-message-id="#msg-f:1750767747142138373" data-legacy-message-id="184bf9fd749e3a05">
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<div dir="auto">Pouco antes da Copa do Mundo no Brasil, o <a href="https://iela.ufsc.br/" target="_blank" rel="noopener"><strong>IELA</strong></a> (Instituto de Estudos Latino-americanos) promoveu uma edição das Jornadas Bolivarianas tratando do tema dos megaeventos e seus impactos, tanto para a América Latina quanto para o mundo no que diz respeito a uma mirada de classe: ou seja, as consequências para os trabalhadores. Foi um momento muito bom para compreendermos como os países se curvam aos interesses da Fifa, ou, em última instância, do capital.</div>
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<div dir="auto">Veio gente do México e da África do Sul, países que já tinham sediado uma Copa. E todos foram unânimes em mostrar como a organização de um mundial está longe de ser um momento de congraçamento dos povos. Não é. Já faz um bom tempo que sabemos que o futebol perdeu sua pureza original.</div>
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<div dir="auto">No mundo contemporâneo, é uma mercadoria e ponto final. Naqueles dias, inclusive, nós aqui o Brasil nos debatíamos com os dramas das famílias que estavam sendo removidas do caminho das construções, com a situação dos indígenas na Aldeia Maracanã e outros tantos “tratores” que iam passando por cima da vida dos trabalhadores. O país chegou a construir enormes estádios que hoje estão subutilizados e também se rendeu à Fifa ao permitir a venda de bebida nos estádios. Uma loucura total. Teve luta, muita luta, mas o mundial veio, e a vida seguiu. O que não veio mesmo foi toda a sorte de melhorias que haviam prometido aos brasileiros.</div>
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<div dir="auto">O sindicalista <a href="https://www.facebook.com/eddie.cottle.3?__cft__[0]=AZVXAen4t8VR34_B727RmHriSjN6vjWTR9kTzItBWhXxQVhb--7uVo_s_5QELctezUc9Ew1xCraUAWyqg6D1bbQPtRYkIX7Qwz_bsCneNnoBYgg_dBuqwTmU8caeL1JtQEd_tVNJUMi7fi8wlUT-w4lJ&amp;__tn__=-]K-R" target="_blank" rel="noopener" data-saferedirecturl="https://www.google.com/url?q=https://www.facebook.com/eddie.cottle.3?__cft__%5B0%5D%3DAZVXAen4t8VR34_B727RmHriSjN6vjWTR9kTzItBWhXxQVhb--7uVo_s_5QELctezUc9Ew1xCraUAWyqg6D1bbQPtRYkIX7Qwz_bsCneNnoBYgg_dBuqwTmU8caeL1JtQEd_tVNJUMi7fi8wlUT-w4lJ%26__tn__%3D-%5DK-R&amp;source=gmail&amp;ust=1669751162357000&amp;usg=AOvVaw0qdz--Y4Fcmam43SuRa7Mx">Eddie Cottle</a> trouxe a realidade deixada pela Copa do Mundo no torneio de 2010 na África do Sul. Mais do mesmo. Enormes construções, mais estádios, gente despejada, luta de trabalhadores, dinheiro público fluindo para a inciativa privada e grandes lucros para a FIFA e suas marcas parceiras.</div>
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<div dir="auto">Agora, no Catar, as denúncias seguem o mesmo diapasão. Enormes estruturas que ficarão obsoletas, morte de trabalhadores, exploração das comunidades mais empobrecidas &#8211; no geral imigrantes. Isso sem falar da violação aos direitos das mulheres e a inexistência da tal democracia.</div>
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<div dir="auto">Ora, para a FIFA isso não é problema. Violência contra mulheres, passar máquina por cima de comunidades, expulsar pessoas de suas casas, ditaduras, governos assassinos, nada importa se o fluxo do capital segue firme. Desde que João Havelange assumiu a presidência da entidade no ano de 1974, o futebol virou um esporte planetário e uma mercadoria de grande valor. Um acordo com a Adidas abriu as portas para a FIFA se firmar no mundo do espetáculo mundial. E o que era só uma salinha perdida na Suíça virou um gigante. Vieram a venda dos direitos televisivos, movimentando milhões, propagandas nas camisas dos times, <em>garotos-mercadoria</em> e por aí vai. O dinheiro só circulando.</div>
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<div dir="auto">Essa lógica inaugurada por Havelange também foi contaminando o futebol nos países. Nasceram os clubes/empresas. Futebol já não era mais coisa de diletantes, apaixonados pela bola. Time virou negócio e negócio graúdo. É a grana que move as ligas na Europa, nos países da América Latina, nos países asiáticos que decidiriam também entrar no mundo do futebol.</div>
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<div dir="auto">Garotos são vendidos e comprados desde a mais tenra idade e o clube/empresa que tiver mais dinheiro é o que aglomera mais gente boa no seu plantel. A lógica da dependência se expressando: no centro, os melhores e, na periferia, o restante. Não precisa ser muito esperto para perceber isso. Uma mirada nos grandes times europeus e o que se vê são muito mais jogadores estrangeiros que gente do próprio país.</div>
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<div dir="auto">Pois muito bem, então como é que sabendo disso o futebol ainda é uma paixão que foge a qualquer argumento da razão? Por que milhões de pessoas seguem assistindo aos jogos, aconteçam aonde for? Por que existem torcidas gigantescas que seguem os times, ainda que estejam na série C, D ou E. Como entender o amor que consome a pessoa, mesmo que ela tenha completa noção de que o dirigente é um ladrão e que o futebol é só uma mercadoria para essa gente?</div>
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<div dir="auto">Eu mesma não sei. Também sou movida por essa paixão. Torço para o Figueirense, de Santa Catarina, totalmente perdido numa série C qualquer, mas basta uma vitória para que a gente se levante em delírio, ainda que a razão nos diga que tudo isso é uma ilusão.</div>
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<div dir="auto">Agora, no Brasil, temos visto muito debate nas redes sobre boicote ao evento da Copa e denúncias sobre a vida no Catar. Acho isso bom. Sempre é importante para os movimentos de luta contar com visibilidade nessa época de megaevento. Afinal, são bilhões de pessoas vendo e comentando o certame. De certa forma, apesar de toda a alienação ideológica e o puxa-saquismo (ou desconhecimento) dos comentaristas, algo escapa. Isso alavanca lutas. Porque o capital é assim: ele vem com voracidade, e nesse movimento acaba expondo as suas vísceras. Mas, é fundamental que a luta dos trabalhadores esteja sempre na nossa pauta, todos os dias, com evento ou sem evento.</div>
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<div dir="auto">Outra coisa que escapa à alienação é explícita presença da lógica de dominação e dependência que é típica do capital. Nações ricas trazem os melhores jogadores e nações empobrecidas, da periferia capitalista, vêm com plantéis locais, destacando-se um ou outro que faz sucesso na Europa. Vide o nosso Brasil, com mais de 20 que não jogam em times locais. Esses jovens que cedo são “exportados” são, como diz o professor <a href="https://www.facebook.com/nilso.ouriques?__cft__[0]=AZVXAen4t8VR34_B727RmHriSjN6vjWTR9kTzItBWhXxQVhb--7uVo_s_5QELctezUc9Ew1xCraUAWyqg6D1bbQPtRYkIX7Qwz_bsCneNnoBYgg_dBuqwTmU8caeL1JtQEd_tVNJUMi7fi8wlUT-w4lJ&amp;__tn__=-]K-R" target="_blank" rel="noopener" data-saferedirecturl="https://www.google.com/url?q=https://www.facebook.com/nilso.ouriques?__cft__%5B0%5D%3DAZVXAen4t8VR34_B727RmHriSjN6vjWTR9kTzItBWhXxQVhb--7uVo_s_5QELctezUc9Ew1xCraUAWyqg6D1bbQPtRYkIX7Qwz_bsCneNnoBYgg_dBuqwTmU8caeL1JtQEd_tVNJUMi7fi8wlUT-w4lJ%26__tn__%3D-%5DK-R&amp;source=gmail&amp;ust=1669751162357000&amp;usg=AOvVaw2wwFsJB8W-rzR7wLc1ij3E">Nilso Ouriques</a>, os “pé-de-obra” do futebol do centro do capital. E, esses times da periferia, se vencem, é porque conseguem superar de maneira quase heroica a sua condição de dependente. A coisa é clara.</div>
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<div dir="auto">Ainda assim, a paixão persiste. De novo, vou buscar em Nilso Ouriques alguma resposta. No seu mais recente livro, ainda no prelo, ele discute esse amor incondicional que algumas pessoas devotam aos seus times e ao jogo. Ele diz que “o futebol é a consagração plena do amor romântico, na busca pelo gozo e pelo prazer, um amor otimista e forte em si mesmo na procura permanente pelo encontro, marcado pela saudade e admiração pelo manto sagrado, pelas cores, hinos e cantos da arquibancada repleta de torcedores fieis a uma camisa e a uma história de glórias e sucessos eterno. Uma relação amorosa de fé e devoção, sem a possibilidade não só de conclusão como de traição ao clube do coração”.</div>
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<figure id="attachment_13456" aria-describedby="caption-attachment-13456" style="width: 620px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-13456" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/wp-content/uploads/2022/11/protesto_catar.webp" alt="Protestos contra Copa do Mundo de futebol no Catar e a violação de direitos humanos e discriminação." width="620" height="430" /><figcaption id="caption-attachment-13456" class="wp-caption-text">Protestos contra a Copa no Catar (Fonte: Agência EFE)</figcaption></figure>
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<div dir="auto">Sinceramente não sei o que é, mas uma coisa eu sei. Ainda que o plantel dos mais diversos espaços geográficos seja essa colcha de retalhos de jogadores que muitas vezes nem jogam nos países, algo passa lá nas quatro linhas e penso que eles – de alguma forma – se deixam tocar por essa magia que o futebol traz. Como a tristeza plasmada no rosto do jogador senegalês depois de perder para o carrossel holandês. Uma derrota que é individual, mas também é de um imenso contingente de pessoas que acredita em milagres&#8230;</div>
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<div dir="auto">Quem pode julgar? Afinal, diante de tantas dores típicas da dependência e do subdesenvolvimento impostas pelo capital, alguns momentos de alegria por conta da bolinha caem bem. Vencer os gigantes tem lá o seu sabor, ainda que perder faça muita gente perder o chão.</div>
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<div dir="auto">Enfim&#8230; a Copa do Mundo é um evento do capital, mas o jogo escapa&#8230;</div>
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		<title>Já passou da hora de José Maria Marin pendurar as chuteiras</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Fernando do Valle]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 15 Jul 2014 00:40:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Especial Copa do Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[futebol ditadura militar]]></category>
		<category><![CDATA[jose maria marin]]></category>
		<category><![CDATA[jose maria marin ditadura militar]]></category>
		<category><![CDATA[jose maria marin vladimir Herzog]]></category>
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					<description><![CDATA[Quando José Maria Marin desceu do ônibus da seleção com uma reluzente gravata amarela no fatídico dia 8 de julho, antes da homérica surra de 7 a 1 para a Alemanha, foi impossível não sentir engulhos. Como pode alguém com a história política de Marin presidir a CBF, entidade que administra uma de nossas maiores paixões? Péssimo de voto e sem carisma, Marin é o arquétipo do político que vive nas sombras para proteger interesses inconfessáveis. Companheiro de todas as horas de Paulo Maluf, na última eleição que participou em 2002, Marin tentou uma vaga no Senado pelo PSC (o mesmo do deputado Marco Feliciano) e conseguiu 0,2% dos votos, ficando em 17º lugar. Em 1975, Marin era deputado pela ARENA, partido do governo militar, e pediu um aparte ao discurso do deputado do mesmo partido, Wadih Helu, futuro presidente do Corinthians, na Assembleia Legislativa de São Paulo e exigiu “providências aos órgãos competentes em relação ao que está acontecendo no canal 2 [TV Cultura…]”, que, segundo ele “sofria infiltração de elementos comunistas”. Na noite de 24 de outubro, 15 dias depois do discurso na Assembleia, os policiais chegaram à TV Cultura para levar o jornalista Vladimir Herzog, diretor de jornalismo da rede. Colegas de Vlado intervieram e ele foi liberado para passar a noite em casa com a condição de se apresentar à polícia no dia seguinte. Após se apresentar no DOI-CODI no dia 25 de outubro, Vladimir Herzog foi preso e assassinado em tortura. Em texto publicado na Folha de São Paulo, Marin defendeu-se: “é uma calúnia e difamação declararem que fui responsável pela tortura e morte do jornalista Vladimir Herzog. Segundo o texto, ele só queria “chamar a atenção sobre o jornalismo parcial da TV Cultura”. Um ano depois da morte de Vladimir Herzog, em outubro de 1976, Marin voltou à carga e discursou a favor do infame delegado Sérgio Fleury, um dos mais perversos assassinos do regime militar: “Queremos prestar nossos melhores cumprimentos a um homem que, de há muito, vem prestando relevantes serviços à coletividade, embora nem sempre tenha sido feita justiça ao trabalho (…) Queremos trazer nossos cumprimentos e dizer do nosso orgulho em contar na polícia de São Paulo com o delegado Sérgio Paranhos Fleury” A morte de Vladimir Herzog e o Brasil que não queremos Carreira política dantesca Marin elegeu-se vereador pelo PRP, partido do fascista Plínio Salgado, em 1963 na cidade de São Paulo. Em 1971, foi eleito deputado estadual pela Arena, partido que deu suporte ao regime militar. Em 1978, foi indicado vice-governador biônico ao lado de seu amigo, Paulo Maluf, pelos delegados da Arena. O perdedor da convenção, Laudo Natel, acusou Marin e Maluf de fraude na contagem dos votos, mas o governo do presidente Geisel impediu a investigação. Em 1985, Marin coordenou a campanha de Jânio Quadros para prefeito de São Paulo, infelizmente vitoriosa. Ele candidatou-se a senador em 1986 pelo PFL e ficou em quarto lugar. Em 2000, candidatou-se à prefeitura de São Paulo pelo PSC (o mesmo de Feliciano), e ficou em 9º lugar, dois anos depois, obteve o 17º lugar na eleição para o Senado. O político também jogou futebol como atacante e chegou a vestir a camisa do São Paulo Futebol Clube entre 1950 e 1952. Marin também foi presidente da Federação Paulista de Futebol entre 1982 e 1986, chefe da Delegação Brasileira na Copa do Mundo de 1986 e vice-presidente da CBF para a região Sudeste. Marin ainda foi protagonista de outro episódio surreal. Na final da Copa São Paulo de Juniores em 2012, ele simplesmente embolsou uma medalha. Assista na íntegra a entrevista de Ivo Herzog, filho de Vlado, que chegou a entregar abaixo-assinado com 53 mil assinaturas contra Marin aos 20 clubes da série A e todas as federações estaduais de futebol: &#160; A Copa do Mundo e suas perplexidades &#160; &#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Quando José Maria Marin desceu do ônibus da seleção com uma reluzente gravata amarela no fatídico dia 8 de julho, antes da homérica surra de 7 a 1 para a Alemanha, foi impossível não sentir engulhos. Como pode alguém com a história política de Marin presidir a CBF, entidade que administra uma de nossas maiores paixões?</p>
<p>Péssimo de voto e sem carisma, Marin é o arquétipo do político que vive nas sombras para proteger interesses inconfessáveis. Companheiro de todas as horas de Paulo Maluf, na última eleição que participou em 2002, Marin tentou uma vaga no Senado pelo PSC (o mesmo do deputado Marco Feliciano) e conseguiu 0,2% dos votos, ficando em <strong>17º </strong>lugar.</p>
<p>Em 1975, Marin era deputado pela ARENA, partido do governo militar, e pediu um aparte ao discurso do deputado do mesmo partido, Wadih Helu, futuro presidente do Corinthians, na Assembleia Legislativa de São Paulo e exigiu “providências aos órgãos competentes em relação ao que está acontecendo no canal 2 [TV Cultura…]”, que, segundo ele “sofria infiltração de elementos comunistas”.</p>
<figure id="attachment_2337" aria-describedby="caption-attachment-2337" style="width: 600px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2014/07/15-de-julho-José-Maria-Marin-CBF-ditadura-militar-foto-1.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-2337" src="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2014/07/15-de-julho-José-Maria-Marin-CBF-ditadura-militar-foto-1.jpg" alt="15 de julho José Maria Marin CBF ditadura militar foto 1" width="600" height="400" /></a><figcaption id="caption-attachment-2337" class="wp-caption-text">José Maria Marin todo pimpão no jogo do Brasil contra Camarões (foto: Ricardo Stuckert, CBF)</figcaption></figure>
<p>Na noite de 24 de outubro, 15 dias depois do discurso na Assembleia, os policiais chegaram à TV Cultura para levar o jornalista Vladimir Herzog, diretor de jornalismo da rede. Colegas de Vlado intervieram e ele foi liberado para passar a noite em casa com a condição de se apresentar à polícia no dia seguinte. Após se apresentar no DOI-CODI no dia 25 de outubro, Vladimir Herzog foi preso e assassinado em tortura.</p>
<p>Em texto publicado na Folha de São Paulo, Marin defendeu-se: “é uma calúnia e difamação declararem que fui responsável pela tortura e morte do jornalista Vladimir Herzog. Segundo o texto, ele só queria “chamar a atenção sobre o jornalismo parcial da TV Cultura”.</p>
<p>Um ano depois da morte de Vladimir Herzog, em outubro de 1976, Marin voltou à carga e discursou a favor do infame delegado Sérgio Fleury, um dos mais perversos assassinos do regime militar:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: right;"><strong>“Queremos prestar nossos melhores cumprimentos a um homem que, de há muito, vem prestando relevantes serviços à coletividade, embora nem sempre tenha sido feita justiça ao trabalho (…) Queremos trazer nossos cumprimentos e dizer do nosso orgulho em contar na polícia de São Paulo com o delegado Sérgio Paranhos Fleury”</strong></p>
</blockquote>
<figure id="attachment_2339" aria-describedby="caption-attachment-2339" style="width: 600px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2014/07/15-de-julho-Vladimir-Herzog-José-Maria-Marin-foto-3.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-2339" src="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2014/07/15-de-julho-Vladimir-Herzog-José-Maria-Marin-foto-3.jpg" alt="15 de julho Vladimir Herzog José Maria Marin foto 3" width="600" height="222" /></a><figcaption id="caption-attachment-2339" class="wp-caption-text">O discurso de Marin contra a TV Cultura afiou os caninos dos agentes da ditadura para o assassinato de Vlado (fonte: Instituto Vladimir Herzog)</figcaption></figure>
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="anm9uGywlH"><p><a href="https://zonacurva.com.br/a-morte-de-vladimir-herzog-e-o-brasil-que-nao-queremos/">A morte de Vladimir Herzog e o Brasil que não queremos</a></p></blockquote>
<p><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;A morte de Vladimir Herzog e o Brasil que não queremos&#8221; &#8212; Zona Curva" src="https://zonacurva.com.br/a-morte-de-vladimir-herzog-e-o-brasil-que-nao-queremos/embed/#?secret=YhtjNL5wUa#?secret=anm9uGywlH" data-secret="anm9uGywlH" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
<p><strong>Carreira política dantesca</strong></p>
<p>Marin elegeu-se vereador pelo PRP, partido do fascista Plínio Salgado, em 1963 na cidade de São Paulo. Em 1971, foi eleito deputado estadual pela Arena, partido que deu suporte ao regime militar. Em 1978, foi indicado vice-governador biônico ao lado de seu amigo, Paulo Maluf, pelos delegados da Arena. O perdedor da convenção, Laudo Natel, acusou Marin e Maluf de fraude na contagem dos votos, mas o governo do presidente Geisel impediu a investigação.</p>
<p>Em 1985, Marin coordenou a campanha de Jânio Quadros para prefeito de São Paulo, infelizmente vitoriosa. Ele candidatou-se a senador em 1986 pelo PFL e ficou em quarto lugar. Em 2000, candidatou-se à prefeitura de São Paulo pelo PSC (o mesmo de Feliciano), e ficou em 9º lugar, dois anos depois, obteve o 17º lugar na eleição para o Senado.</p>
<p>O político também jogou futebol como atacante e chegou a vestir a camisa do São Paulo Futebol Clube entre 1950 e 1952. Marin também foi presidente da Federação Paulista de Futebol entre 1982 e 1986, chefe da Delegação Brasileira na Copa do Mundo de 1986 e vice-presidente da CBF para a região Sudeste.</p>
<figure id="attachment_2340" aria-describedby="caption-attachment-2340" style="width: 813px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2014/07/15-de-julho-Marin-e-Maluf.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-2340" src="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2014/07/15-de-julho-Marin-e-Maluf.jpg" alt="15 de julho Marin e Maluf" width="813" height="591" /></a><figcaption id="caption-attachment-2340" class="wp-caption-text">Maluf e seu fiel escudeiro Marin</figcaption></figure>
<p>Marin ainda foi protagonista de outro episódio surreal. Na final da Copa São Paulo de Juniores em 2012, ele simplesmente embolsou uma medalha.</p>
<p>Assista na íntegra a entrevista de Ivo Herzog, filho de Vlado, que chegou a entregar abaixo-assinado com 53 mil assinaturas contra Marin aos 20 clubes da série A e todas as federações estaduais de futebol:</p>
<div class="ast-oembed-container " style="height: 100%;"><iframe title="Juca Entrevista Ivo Herzog" width="1200" height="675" src="https://www.youtube.com/embed/rY_liKSnMzU?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe></div>
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<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="9JNChumzls"><p><a href="https://urutaurpg.com.br/siteluis/a-copa-do-mundo-e-suas-perplexidades/" target="_blank" rel="noopener">A Copa do Mundo e suas perplexidades</a></p></blockquote>
<p><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;A Copa do Mundo e suas perplexidades&#8221; &#8212; Zona Curva" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/a-copa-do-mundo-e-suas-perplexidades/embed/#?secret=Yohw2KVCQF#?secret=9JNChumzls" data-secret="9JNChumzls" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
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		<title>Na Copa de 78, o ‘conselho’ do ditador Geisel ao artilheiro Reinaldo</title>
		<link>https://zonacurva.com.br/geisel-e-o-artilheiro-reinaldo/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Fernando do Valle]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 24 Jun 2014 19:00:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ditadura nunca mais]]></category>
		<category><![CDATA[Especial Copa do Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[copa de 1978 seleção brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[futebol ditadura militar]]></category>
		<category><![CDATA[reinaldo atlético mineiro]]></category>
		<category><![CDATA[reinaldo copa de 1978]]></category>
		<category><![CDATA[reinaldo seleção brasileira]]></category>
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					<description><![CDATA[Bem-vindo ao Fatos da Zona, onde adaptamos os textos mais acessados do site do Zonacurva Mídia Livre para o audiovisual. ASSISTA: &#160; &#160; &#160; Reinaldo &#8211; O ídolo do Atlético Mineiro, Reinaldo, sempre comemorava os gols reproduzindo o gesto do movimento Panteras Negras que lutava contra o racismo nos Estados Unidos: o artilheiro erguia o braço e cerrava o punho. Convocado para a Copa de 78, em reunião antes do embarque para a Copa na Argentina, o ditador Geisel, incomodado com o misto de protesto e comemoração de Reinaldo, o ameaçou no Palácio Piratini em Porto Alegre: &#8220;quem cuida da política é a gente, você cuida de jogar futebol, deixa a política pra gente&#8221;. O treinador Cláudio Coutinho convocou Reinaldo, de apenas 20 anos, para a seleção em 1977. A comissão técnica da Copa de 78 era composta de militares e o almirante Heleno Nunes (presidente da Confederação Brasileira de Desportos) e André Richer (chefe da delegação brasileira na Copa) diziam para Reinaldo não vibrar de tal forma e evitar comentários sobre política. Richer dizia que não era bom fazer o gesto, pois ele era “meio revolucionário”. Para piorar, a Copa foi realizada durante o assassino governo do general Jorge Videla. A ditadura militar argentina assassinou 30 mil opositores. No primeiro jogo da Copa contra a Suécia, Reinaldo marcou o gol brasileiro (o jogo terminou em 1 a 1) e não se intimidou com as ameaças: BRAÇO EM RISTE na comemoração. Mesmo tendo marcado, Reinaldo foi substituído por Roberto Dinamite nas partidas seguintes. Além dos problemas políticos, Reinaldo também não estava 100% fisicamente. O Brasil terminou a Copa em terceiro lugar, ficando fora da final pelo saldo de gols. Essa foi a única participação do jogador em uma Copa do Mundo. Assista ao gol e a comemoração de Reinaldo contra a Suécia em 78: LEIA TAMBÉM &#8220;Um gol inesquecível contra Pinochet&#8221;  Anos mais tarde, Reinaldo confessou que recebeu durante a Copa um envelope com informações sobre a Operação Condor (aliança entre ditaduras sul-americanas para oprimir opositores). O envolvimento político do jogador trouxe consequências. Em entrevista à Revista Placar em 2012, Reinaldo desabafou: “o corpo fascista do país começou a me minar. Não só moralmente, mas com assédio de todo o tipo. Falavam que eu era cachaceiro, maconheiro, viado. Inventaram que eu era gay por causa da amizade com o radialista Tutti Maravilha [radialista e produtor musical]. Linchamento moral. Eu não tinha partido, sindicato, nada. Fui massacrado sozinho”. Além disso, as lesões prejudicaram o jogador. Perseguido de forma impiedosa pelos zagueiros, Reinaldo sofreu muitas lesões, principalmente no joelho. Depois que parou de jogar, ele enfrentou problemas com a cocaína semelhante a outro ídolo rebelde dos gramados, Maradona. Na mesma entrevista, o jogador afirmou que não dava um tiro há mais de 15 anos e que não iria mais falar em drogas já que elas não faziam mais parte de sua vida. Outro craque que envolveu-se em assuntos políticos e também comemorava seus gols evocando a mensagem dos Panteras Negras, Sócrates popularizou ainda mais o gesto nos gramados. É assim que os torcedores lembram do Magrão, que morreu em dezembro de 2011. Fonte usada: Revista Placar Zico foi excluído da seleção pela ditadura A Copa do Mundo e suas perplexidades &#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Bem-vindo ao Fatos da Zona, onde adaptamos os textos mais acessados do site do Zonacurva Mídia Livre para o audiovisual.</p>
<p>ASSISTA:</p>
<div class="ast-oembed-container " style="height: 100%;"><iframe title="Geisel e o artilheiro Reinaldo - Fatos da Zona EP15" width="1200" height="675" src="https://www.youtube.com/embed/klk1eypFyX8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe></div>
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<p>Reinaldo &#8211; O ídolo do Atlético Mineiro, Reinaldo, sempre comemorava os gols reproduzindo o gesto do movimento Panteras Negras que lutava contra o racismo nos Estados Unidos: o artilheiro erguia o braço e cerrava o punho. Convocado para a Copa de 78, em reunião antes do embarque para a Copa na Argentina, o ditador Geisel, incomodado com o misto de protesto e comemoração de Reinaldo, o ameaçou no Palácio Piratini em Porto Alegre: &#8220;quem cuida da política é a gente, você cuida de jogar futebol, deixa a política pra gente&#8221;.</p>
<figure id="attachment_2281" aria-describedby="caption-attachment-2281" style="width: 450px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2014/06/23-de-junho-reinaldo-copa-de-78-foto-1.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-2281 size-full" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/wp-content/uploads/2014/06/23-de-junho-reinaldo-copa-de-78-foto-1.jpg" alt="comemoração do artilheiro Reinaldo Atlético MG" width="450" height="615" /></a><figcaption id="caption-attachment-2281" class="wp-caption-text">Reinaldo e sua celebração de protesto (fonte: revista Placar)</figcaption></figure>
<p>O treinador Cláudio Coutinho convocou Reinaldo, de apenas 20 anos, para a seleção em 1977. A comissão técnica da Copa de 78 era composta de militares e o almirante Heleno Nunes (presidente da Confederação Brasileira de Desportos) e André Richer (chefe da delegação brasileira na Copa) diziam para Reinaldo não vibrar de tal forma e evitar comentários sobre política. Richer dizia que não era bom fazer o gesto, pois ele era “meio revolucionário”. Para piorar, a Copa foi realizada durante o assassino governo do general Jorge Videla. A ditadura militar argentina assassinou 30 mil opositores.</p>
<p>No primeiro jogo da Copa contra a Suécia, Reinaldo marcou o gol brasileiro (o jogo terminou em 1 a 1) e não se intimidou com as ameaças: BRAÇO EM RISTE na comemoração. Mesmo tendo marcado, Reinaldo foi substituído por Roberto Dinamite nas partidas seguintes. Além dos problemas políticos, Reinaldo também não estava 100% fisicamente. O Brasil terminou a Copa em terceiro lugar, ficando fora da final pelo saldo de gols. Essa foi a única participação do jogador em uma Copa do Mundo.</p>
<p>Assista ao gol e a comemoração de Reinaldo contra a Suécia em 78:</p>
<div class="ast-oembed-container " style="height: 100%;"><iframe title="Copa 1978 - Brasil 1x1 Suécia" width="1200" height="900" src="https://www.youtube.com/embed/8Qqff67ehFI?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe></div>
<figure id="attachment_2284" aria-describedby="caption-attachment-2284" style="width: 634px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2014/06/24-de-junho-reinaldo-black-panther-foto-2.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-2284" src="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2014/06/24-de-junho-reinaldo-black-panther-foto-2.jpg" alt="24 de junho reinaldo black panther foto 2" width="634" height="634" /></a><figcaption id="caption-attachment-2284" class="wp-caption-text">Atletas norte-americanos protestam no pódio das Olimpíadas de 68, na Cidade do México (fonte: The Guardian)</figcaption></figure>
<p style="text-align: right;"><a href="http://www.zonacurva.com.br/um-gol-inesquecivel-contra-pinochet/"><strong>LEIA TAMBÉM &#8220;Um gol inesquecível contra Pinochet&#8221; </strong></a></p>
<p>Anos mais tarde, Reinaldo confessou que recebeu durante a Copa um envelope com informações sobre a Operação Condor (aliança entre ditaduras sul-americanas para oprimir opositores). O envolvimento político do jogador trouxe consequências. Em entrevista à Revista Placar em 2012, Reinaldo desabafou: “o corpo fascista do país começou a me minar. Não só moralmente, mas com assédio de todo o tipo. Falavam que eu era cachaceiro, maconheiro, viado. Inventaram que eu era gay por causa da amizade com o radialista Tutti Maravilha [radialista e produtor musical]. Linchamento moral. Eu não tinha partido, sindicato, nada. Fui massacrado sozinho”.</p>
<p>Além disso, as lesões prejudicaram o jogador. Perseguido de forma impiedosa pelos zagueiros, Reinaldo sofreu muitas lesões, principalmente no joelho. Depois que parou de jogar, ele enfrentou problemas com a cocaína semelhante a outro ídolo rebelde dos gramados, Maradona. Na mesma entrevista, o jogador afirmou que não dava um tiro há mais de 15 anos e que não iria mais falar em drogas já que elas não faziam mais parte de sua vida.</p>
<p>Outro craque que envolveu-se em assuntos políticos e também comemorava seus gols evocando a mensagem dos Panteras Negras, Sócrates popularizou ainda mais o gesto nos gramados. É assim que os torcedores lembram do Magrão, que morreu em dezembro de 2011.</p>
<figure id="attachment_2285" aria-describedby="caption-attachment-2285" style="width: 619px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2014/06/24-de-junho-socrates-panteras-negras-foto-3-fonte-blog-Brasil-Maranhao.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-2285 size-full" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/wp-content/uploads/2014/06/24-de-junho-socrates-panteras-negras-foto-3-fonte-blog-Brasil-Maranhao.jpg" alt="24 de junho socrates reproduzindo gesto dos panteras negras foto 3 fonte blog Brasil Maranhao" width="619" height="464" /></a><figcaption id="caption-attachment-2285" class="wp-caption-text">Sócrates tornou o gesto dos Panteras Negras  sua marca registrada (fonte: blog Brasil Maranhao)</figcaption></figure>
<p><em>Fonte usada: Revista Placar</em></p>
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<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="0SuKbiT5BD"><p><a href="https://zonacurva.com.br/zico-foi-excluido-da-selecao-pela-ditadura/">Zico foi excluído da seleção pela ditadura</a></p></blockquote>
<p><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;Zico foi excluído da seleção pela ditadura&#8221; &#8212; Zona Curva" src="https://zonacurva.com.br/zico-foi-excluido-da-selecao-pela-ditadura/embed/#?secret=2GeDn47oKs#?secret=0SuKbiT5BD" data-secret="0SuKbiT5BD" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="ZPFGaK1JGg"><p><a href="https://urutaurpg.com.br/siteluis/a-copa-do-mundo-e-suas-perplexidades/" target="_blank" rel="noopener">A Copa do Mundo e suas perplexidades</a></p></blockquote>
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