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	<title>Carlos Marighella &#8211; Zona Curva</title>
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	<description>cobertura exclusiva do SXSW no Zona Curva</description>
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	<title>Carlos Marighella &#8211; Zona Curva</title>
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		<title>‘Marighella’ leva oito estatuetas no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro 2022</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Zonacurva]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 19 Aug 2022 18:38:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[#ditaduranuncamais]]></category>
		<category><![CDATA[Carlos Marighella]]></category>
		<category><![CDATA[carlos marighella filme]]></category>
		<category><![CDATA[Marighella filme prêmios]]></category>
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					<description><![CDATA[O filme Marighella foi o grande vencedor do 21º Grande Prêmio de Cinema Brasileiro, evento organizado pela Academia Brasileira de Cinema e Artes Audiovisuais nesta quarta-feira (12) no Rio de Janeiro. Das 17 categorias em que foi indicado, o longa dirigido por Wagner Moura levou o maior número de premiações da noite, conquistando oito ao todo: Melhor Longa-Metragem Ficção Melhor Primeira Direção de Longa-Metragem Melhor Ator (Seu Jorge) Melhor Roteiro Adaptado Melhor Direção de Fotografia Melhor Som Melhor Direção de Arte Melhor Figurino Enquanto recebia o prêmio de Melhor Roteiro Adaptado, Wagner Moura dedicou a estatueta a todos ex-guerrilheiros da Ação Libertadora Nacional (ALN): “Prestaram um serviço incrível, eles foram muito generosos com a gente”, declarou. Ao todo, foram 32 prêmios entregues, sendo que Dira Paes (Veneza), Rodrigo Santoro (7 Prisioneiros) e Zezé Motta (Doutor Gama) também foram premiados. A cerimônia, que não acontecia de forma presencial desde o início da pandemia do coronavírus, foi guiada por Camila Pitanga e Silvero Pereira. Além de se encarregar da apresentação da premiação, Silvero também performou as canções &#8220;Sujeito de Sorte&#8221;, &#8220;Maria Maria&#8221; e &#8220;Dias Melhores Virão&#8221;. Para assistir a premiação completa, clique aqui. Meus encontros com Marighella Filme Marighella mobiliza a esquerda na volta do cinema Marighella: a execução do inimigo número 1 da ditadura militar &#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">O filme Marighella foi o grande vencedor do 21º Grande Prêmio de Cinema Brasileiro, evento organizado pela Academia Brasileira de Cinema e Artes Audiovisuais nesta quarta-feira (12) no Rio de Janeiro. Das 17 categorias em que foi indicado, o longa dirigido por Wagner Moura levou o maior número de premiações da noite, conquistando oito ao todo:</span></p>
<ul>
<li aria-level="1"><b>Melhor Longa-Metragem Ficção</b></li>
<li aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Melhor Primeira Direção de Longa-Metragem</span></li>
<li aria-level="1"><b>Melhor Ator </b>(Seu Jorge)</li>
<li aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Melhor Roteiro Adaptado</span></li>
<li aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Melhor Direção de Fotografia</span></li>
<li aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Melhor Som</span></li>
<li aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Melhor Direção de Arte</span></li>
<li aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Melhor Figurino</span></li>
</ul>
<figure id="attachment_12806" aria-describedby="caption-attachment-12806" style="width: 822px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-12806 " src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/wp-content/uploads/2022/08/WhatsApp-Image-2022-08-12-at-17.14.20-1.jpeg" alt="Seu Jorge e Wagner Moura durante filmagens de 'Marighella', vencedor do prêmio de melhor roteiro adaptado" width="822" height="547" /><figcaption id="caption-attachment-12806" class="wp-caption-text">Seu Jorge e Wagner Moura durante filmagens de &#8216;Marighella&#8217; (Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto recebia o prêmio de Melhor Roteiro Adaptado, Wagner Moura dedicou a estatueta a todos ex-guerrilheiros da Ação Libertadora Nacional (ALN): “Prestaram um serviço incrível, eles foram muito generosos com a gente”, declarou.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao todo, foram 32 prêmios entregues, sendo que Dira Paes (</span><i><span style="font-weight: 400;">Veneza</span></i><span style="font-weight: 400;">), Rodrigo Santoro (</span><i><span style="font-weight: 400;">7 Prisioneiros)</span></i><span style="font-weight: 400;"> e Zezé Motta (</span><i><span style="font-weight: 400;">Doutor Gama</span></i><span style="font-weight: 400;">) também foram premiados.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A cerimônia, que não acontecia de forma presencial desde o início da pandemia do coronavírus, foi guiada por Camila Pitanga e Silvero Pereira. Além de se encarregar da apresentação da premiação, Silvero também performou as canções &#8220;Sujeito de Sorte&#8221;, &#8220;Maria Maria&#8221; e &#8220;Dias Melhores Virão&#8221;.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para assistir a premiação completa,</span><a href="https://youtu.be/epqvDs11pok" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;"> clique aqui</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="pV9hRS7CbI"><p><a href="https://urutaurpg.com.br/siteluis/meus-encontros-com-marighella/" target="_blank" rel="noopener">Meus encontros com Marighella</a></p></blockquote>
<p><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;Meus encontros com Marighella&#8221; &#8212; Zona Curva" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/meus-encontros-com-marighella/embed/#?secret=HeBacgZ15E#?secret=pV9hRS7CbI" data-secret="pV9hRS7CbI" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="rwRr2NMSAj"><p><a href="https://urutaurpg.com.br/siteluis/filme-marighella/" target="_blank" rel="noopener">Filme Marighella mobiliza a esquerda na volta do cinema</a></p></blockquote>
<p><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;Filme Marighella mobiliza a esquerda na volta do cinema&#8221; &#8212; Zona Curva" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/filme-marighella/embed/#?secret=edMlVgc7cy#?secret=rwRr2NMSAj" data-secret="rwRr2NMSAj" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="nRMnkyPcBK"><p><a href="https://urutaurpg.com.br/siteluis/marighella-a-execucao-do-inimigo-numero-1-da-ditadura-militar/" target="_blank" rel="noopener">Marighella: a execução do inimigo número 1 da ditadura militar</a></p></blockquote>
<p><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;Marighella: a execução do inimigo número 1 da ditadura militar&#8221; &#8212; Zona Curva" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/marighella-a-execucao-do-inimigo-numero-1-da-ditadura-militar/embed/#?secret=ygyoaWV8f2#?secret=nRMnkyPcBK" data-secret="nRMnkyPcBK" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Marighella, imortal no Tempo, nas vozes de Whitman, Maiakovski, Neruda, Shakespeare e Nietzsche</title>
		<link>https://zonacurva.com.br/marighella-imortal-no-tempo-nas-vozes-de-whitman-maiakovski-neruda-shakespeare-e-nietzsche/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Carlos Russo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 20 Dec 2021 12:56:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ditadura nunca mais]]></category>
		<category><![CDATA[#ditaduranuncamais]]></category>
		<category><![CDATA[Carlos Marighella]]></category>
		<category><![CDATA[Marighella]]></category>
		<category><![CDATA[marighella morte]]></category>
		<category><![CDATA[Marighella Vive]]></category>
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					<description><![CDATA[Marighella &#8211; Algum predador poderia tê-lo visto desembarcar ou farejado seu corpo que se esgueirava pelo caminho que conduzia ao Tempo naquela noite escura, do dia quatro de novembro de 1969. O homem atacado, desconfiado, alerta, caminhava com esforço. Vinha do sul e também do norte, do oeste e também do leste, de todas as direções de sua Pátria que fora desde sempre toda a Terra. Quando se deteve frente a mim percebi que, a cada passo dado, as feridas das balas recebidas cicatrizavam; as unhas se recompunham. A respiração ofegante, sossegava. Os lábios, então, se abriam para mim num sorrir franco. Agora ele todo, Carlos irradiava felicidade, aquela que tem um náufrago ao chegar num porto seguro. Olhou-me e descortinei olhos duros da decisão e ternos no mirar, que naquele momento não expressavam medo ou amargura, tristeza ou dor. Um olhar onde a pureza e a transparência se abrigavam, num arder que não havia visto outro igual. Intuí que, finalmente, no Tempo onde aportara, era lhe concedido o direito ao repouso, a salvo dos predadores tão universais. Predadores que inúmeras vezes o atacaram, com ferocidade inaudita. No Tempo, estes haviam perdido a batalha. Marighella era aquele que escolhera ter na vida a obrigação exclusiva de sonhar e lutar para tornar suas utopias realidades e para que outros homens compartissem do mesmo sonho. Homens que, dos próprios devaneios, retiravam o alimento único para a alma combalida e a conduziam a tremendos embates. Sentei-me a seu lado. O que se passaria por trás dos olhos dos quais eu não conseguia despregar os meus? Num instante, naquele olhar, descortinei uma fileira de outros seres, homens e mulheres livres de todas as amarras, caminhando de mãos entrelaçadas pela senda sem fim da vida, entregues à aventura do existir, do compartir, desfrutando de uma experiência coletiva, de um gozar, de um amar que é o viver, o sofrer e o morrer. Agora para ele, o recém-chegado, a corrida e o labor haviam terminado, mas não o projeto mágico ao qual se dedicara desde todo o sempre. Projeto de um espírito que desesperadamente busca por iguais em todo o universo, seres libertos para compartirem, juntos, sonhos imortalizados. E a cada sonho, ele e seus companheiros de viagem combateram forças muito superiores que os destruíam, que os matavam, esquartejavam, mas que jamais os impediam de tornar a reviver, de se multiplicarem em outros corpos, prendas únicas de um sonhar coletivo. E então, de forma lenta e cuidadosa, fui caminhando para dentro daquele universo, até sentir-me incluído em seu sonhar. Percebi que ele também me penetrava, e ambos nos descortinávamos no mais íntimo de nossa intimidade. E nesse instante vi em seu olhar emergir a luz tão resplandecente da aurora: compreendera que não sonhava mais só, não havia nenhum segredo a nos separar, num ápice do seguir irmanado. Expressei-lhe meu desejo de que me desse um nome pelo qual pudesse chamá-lo. Ele que já tivera diversos, os próprios e os emprestados. Possuo tantos nomes, mas se sentir que isto lhe é importante chame-me Carlos, Marighella, Ramón, Menezes, o que importa? Dei-me conta que o leve acinzentado de sua pele desaparecia, transformando-se em branco, depois na cor mulata de Carlos, numa tez que adquiria todos os matizes que o são da humanidade. Ele agigantara-se ao estender-me a mão, que apertei nas minhas. Seu porte avolumado levou-me a percebê-lo numa dimensão superior a todos os seres que eu jamais conhecera e conhecerei. Vamos, meu amigo, precisamos seguir, disse-me baixinho. Mas não faça ruídos, não tropece, permaneça bem junto a mim, pois nos sonhos como na vida muitos são os caminhos e os descaminhos, os vãos e desvios pelos quais podemos deixar escapar nossa alma. E, então, tal qual Dante, segui o meu Virgílio atentamente, em silêncio. Percorremos um longo corredor onde tudo era escuro, ausência, caminho repleto de portas fechadas onde poucas se abriam ao nosso passar. Ao final de um tempo sem tempo, aquilo que parecia ser uma senda infinita abriu-se como que por um passe de mágica numa clareira luminosa e o ar puro trouxe-nos o perfume de todas as flores e o som da água cristalina a correr num rio, o da Memória. Não foram necessárias palavras, eu sabia que chegáramos ao lugar que ele desejara desde o princípio encontrar. Pressentidas presenças, não estávamos mais sós. Espectros, sombras foram adquirindo formas e aproximavam-se. Carlos colocou uma mão em meu ombro, amparando-me sem o que talvez eu tivesse me dissolvido. Meus encontros com Marighella De uma Sombra ouvi em forma de poema, “Nossos atos são os nossos anjos bons e maus a andarem ao nosso lado”. E, antes de afastar-se, dissolvendo-se no éter, a sombra ainda sussurrou: “Nós somos essa matéria de que se fabricam os sonhos, e nossas vidas efêmeras têm por acabamento o sono”. Carlos, então, parando disse-me: “Não existem no mundo dos poetas nem relatos e nem poemas imparciais, porque cada qual vê o mundo de seu próprio modo. Eu sou parte desta sombra, como de todas as que lutaram o bom combate do conhecer a si mesmo, do deslumbrar os limites de cada individualidade, tornando o homem livre das correntes que o escravizam às tradições, aos preconceitos e aos outros homens. Creia-me, sempre a humanidade necessitou e necessitará de uma luz, de um sinal que a conduza no sentido inverso da animalidade, pois ‘se as estrelas se acendem é porque alguém precisa delas, é porque, em verdade, é indispensável que sobre todos os tetos, cada noite, uma única estrela, pelo menos, se alumie’”. Pressenti nova Sombra a aproximar-se e um suave e agreste perfume de gerânios a acompanhava. Num instante a senti amável, doce, e se fosse permitido a um espectro sorrir e abraçar sei que ele o faria com certeza: “Aqui temos só a sombra e a morte, mas lá longe, do outro lado da montanha, o sol ainda irá se levantar sobre um mundo novo! Lá, além da planície, sempre o solo estremecerá sob os passos inumeráveis de homens impávidos]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p id="viewer-foo" class="mm8Nw _1j-51 _1atvN _1FoOD _3M0Fe _2WrB- _1atvN public-DraftStyleDefault-block-depth0 public-DraftStyleDefault-text-ltr"><span class="_2PHJq public-DraftStyleDefault-ltr">Marighella &#8211; Algum predador poderia tê-lo visto desembarcar ou farejado seu corpo que se esgueirava pelo caminho que conduzia ao Tempo naquela noite escura, do dia quatro de novembro de 1969. </span></p>
<p id="viewer-bi2pm" class="mm8Nw _1j-51 _1atvN _1FoOD _3M0Fe _2WrB- _1atvN public-DraftStyleDefault-block-depth0 public-DraftStyleDefault-text-ltr"><span class="_2PHJq public-DraftStyleDefault-ltr">O homem atacado, desconfiado, alerta, caminhava com esforço. Vinha do sul e também do norte, do oeste e também do leste, de todas as direções de sua Pátria que fora desde sempre toda a Terra. </span></p>
<p id="viewer-63dcd" class="mm8Nw _1j-51 _1atvN _1FoOD _3M0Fe _2WrB- _1atvN public-DraftStyleDefault-block-depth0 public-DraftStyleDefault-text-ltr"><span class="_2PHJq public-DraftStyleDefault-ltr">Quando se deteve frente a mim percebi que, a cada passo dado, as feridas das balas recebidas cicatrizavam; as unhas se recompunham. A respiração ofegante, sossegava. Os lábios, então, se abriam para mim num sorrir franco.</span></p>
<p id="viewer-b2olq" class="mm8Nw _1j-51 _1atvN _1FoOD _3M0Fe _2WrB- _1atvN public-DraftStyleDefault-block-depth0 public-DraftStyleDefault-text-ltr"><span class="_2PHJq public-DraftStyleDefault-ltr">Agora ele todo, Carlos irradiava felicidade, aquela que tem um náufrago ao chegar num porto seguro. Olhou-me e descortinei olhos duros da decisão e ternos no mirar, que naquele momento não expressavam medo ou amargura, tristeza ou dor. Um olhar onde a pureza e a transparência se abrigavam, num arder que não havia visto outro igual.</span></p>
<p id="viewer-5t1gf" class="mm8Nw _1j-51 _1atvN _1FoOD _3M0Fe _2WrB- _1atvN public-DraftStyleDefault-block-depth0 public-DraftStyleDefault-text-ltr"><span class="_2PHJq public-DraftStyleDefault-ltr">Intuí que, finalmente, no Tempo onde aportara, era lhe concedido o direito ao repouso, a salvo dos predadores tão universais. Predadores que inúmeras vezes o atacaram, com ferocidade inaudita. No Tempo, estes haviam perdido a batalha.</span></p>
<blockquote>
<p id="viewer-eqkbk" class="mm8Nw _1j-51 _1atvN _1FoOD _3M0Fe _2WrB- _1atvN public-DraftStyleDefault-block-depth0 public-DraftStyleDefault-text-ltr" style="text-align: right;"><span class="_2PHJq public-DraftStyleDefault-ltr"><strong>Marighella era aquele que escolhera ter na vida a obrigação exclusiva de sonhar e lutar para tornar suas utopias realidades e para que outros homens compartissem do mesmo sonho. Homens que, dos próprios devaneios, retiravam o alimento único para a alma combalida e a conduziam a tremendos embates.</strong></span></p>
</blockquote>
<p id="viewer-biaf9" class="mm8Nw _1j-51 _1atvN _1FoOD _3M0Fe _2WrB- _1atvN public-DraftStyleDefault-block-depth0 public-DraftStyleDefault-text-ltr"><span class="_2PHJq public-DraftStyleDefault-ltr">Sentei-me a seu lado. O que se passaria por trás dos olhos dos quais eu não conseguia despregar os meus? </span></p>
<p id="viewer-66ab2" class="mm8Nw _1j-51 _1atvN _1FoOD _3M0Fe _2WrB- _1atvN public-DraftStyleDefault-block-depth0 public-DraftStyleDefault-text-ltr"><span class="_2PHJq public-DraftStyleDefault-ltr">Num instante, naquele olhar, descortinei uma fileira de outros seres, homens e mulheres livres de todas as amarras, caminhando de mãos entrelaçadas pela senda sem fim da vida, entregues à aventura do existir, do compartir, desfrutando de uma experiência coletiva, de um gozar, de um amar que é o viver, o sofrer e o morrer.</span></p>
<p id="viewer-3hjnn" class="mm8Nw _1j-51 _1atvN _1FoOD _3M0Fe _2WrB- _1atvN public-DraftStyleDefault-block-depth0 public-DraftStyleDefault-text-ltr"><span class="_2PHJq public-DraftStyleDefault-ltr">Agora para ele, o recém-chegado, a corrida e o labor haviam terminado, mas não o projeto mágico ao qual se dedicara desde todo o sempre. <strong>Projeto de um espírito que desesperadamente busca por iguais em todo o universo, seres libertos para compartirem, juntos, sonhos imortalizados.</strong></span></p>
<p id="viewer-evh2r" class="mm8Nw _1j-51 _1atvN _1FoOD _3M0Fe _2WrB- _1atvN public-DraftStyleDefault-block-depth0 public-DraftStyleDefault-text-ltr"><span class="_2PHJq public-DraftStyleDefault-ltr">E a cada sonho, ele e seus companheiros de viagem combateram forças muito superiores que os destruíam, que os matavam, esquartejavam, mas que jamais os impediam de tornar a reviver, de se multiplicarem em outros corpos, prendas únicas de um sonhar coletivo.</span></p>
<p id="viewer-91hjq" class="mm8Nw _1j-51 _1atvN _1FoOD _3M0Fe _2WrB- _1atvN public-DraftStyleDefault-block-depth0 public-DraftStyleDefault-text-ltr"><span class="_2PHJq public-DraftStyleDefault-ltr">E então, de forma lenta e cuidadosa, fui caminhando para dentro daquele universo, até sentir-me incluído em seu sonhar. Percebi que ele também me penetrava, e ambos nos descortinávamos no mais íntimo de nossa intimidade. E nesse instante vi em seu olhar emergir a luz tão resplandecente da aurora: compreendera que não sonhava mais só, não havia nenhum segredo a nos separar, num ápice do seguir irmanado.</span></p>
<p id="viewer-9biiv" class="mm8Nw _1j-51 _1atvN _1FoOD _3M0Fe _2WrB- _1atvN public-DraftStyleDefault-block-depth0 public-DraftStyleDefault-text-ltr"><span class="_2PHJq public-DraftStyleDefault-ltr">Expressei-lhe meu desejo de que me desse um nome pelo qual pudesse chamá-lo. Ele que já tivera diversos, os próprios e os emprestados. Possuo tantos nomes, mas se sentir que isto lhe é importante chame-me Carlos, Marighella, Ramón, Menezes, o que importa?</span></p>
<p id="viewer-2o8re" class="mm8Nw _1j-51 _1atvN _1FoOD _3M0Fe _2WrB- _1atvN public-DraftStyleDefault-block-depth0 public-DraftStyleDefault-text-ltr"><span class="_2PHJq public-DraftStyleDefault-ltr">Dei-me conta que o leve acinzentado de sua pele desaparecia, transformando-se em branco, depois na cor mulata de Carlos, numa tez que adquiria todos os matizes que o são da humanidade. </span></p>
<p class="mm8Nw _1j-51 _1atvN _1FoOD _3M0Fe _2WrB- _1atvN public-DraftStyleDefault-block-depth0 public-DraftStyleDefault-text-ltr"><span class="_2PHJq public-DraftStyleDefault-ltr">Ele agigantara-se ao estender-me a mão, que apertei nas minhas. Seu porte avolumado levou-me a percebê-lo numa dimensão superior a todos os seres que eu jamais conhecera e conhecerei.</span></p>
<p id="viewer-d9c3l" class="mm8Nw _1j-51 _1atvN _1FoOD _3M0Fe _2WrB- _1atvN public-DraftStyleDefault-block-depth0 public-DraftStyleDefault-text-ltr"><span class="_2PHJq public-DraftStyleDefault-ltr">Vamos, meu amigo, precisamos seguir, disse-me baixinho. Mas não faça ruídos, não tropece, permaneça bem junto a mim, pois nos sonhos como na vida muitos são os caminhos e os descaminhos, os vãos e desvios pelos quais podemos deixar escapar nossa alma. </span></p>
<p id="viewer-eplj9" class="mm8Nw _1j-51 _1atvN _1FoOD _3M0Fe _2WrB- _1atvN public-DraftStyleDefault-block-depth0 public-DraftStyleDefault-text-ltr"><span class="_2PHJq public-DraftStyleDefault-ltr">E, então, tal qual Dante, segui o meu Virgílio atentamente, em silêncio.</span></p>
<p class="mm8Nw _1j-51 _1atvN _1FoOD _3M0Fe _2WrB- _1atvN public-DraftStyleDefault-block-depth0 public-DraftStyleDefault-text-ltr"><span class="_2PHJq public-DraftStyleDefault-ltr">Percorremos um longo corredor onde tudo era escuro, ausência, caminho repleto de portas fechadas onde poucas se abriam ao nosso passar. Ao final de um tempo sem tempo, aquilo que parecia ser uma senda infinita abriu-se como que por um passe de mágica numa clareira luminosa e o ar puro trouxe-nos o perfume de todas as flores e o som da água cristalina a correr num rio, o da Memória. </span></p>
<p id="viewer-8d9i9" class="mm8Nw _1j-51 _1atvN _1FoOD _3M0Fe _2WrB- _1atvN public-DraftStyleDefault-block-depth0 public-DraftStyleDefault-text-ltr"><span class="_2PHJq public-DraftStyleDefault-ltr">Não foram necessárias palavras, eu sabia que chegáramos ao lugar que ele desejara desde o princípio encontrar.</span></p>
<p id="viewer-4pj8v" class="mm8Nw _1j-51 _1atvN _1FoOD _3M0Fe _2WrB- _1atvN public-DraftStyleDefault-block-depth0 public-DraftStyleDefault-text-ltr"><span class="_2PHJq public-DraftStyleDefault-ltr">Pressentidas presenças, não estávamos mais sós. Espectros, sombras foram adquirindo formas e aproximavam-se. Carlos colocou uma mão em meu ombro, amparando-me sem o que talvez eu tivesse me dissolvido.</span></p>
<figure id="attachment_10723" aria-describedby="caption-attachment-10723" style="width: 300px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-10723" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/wp-content/uploads/2021/12/Marighella_foto3_deputado_46-47_apeerj_cropped-300x300.jpg" alt="Marighella morte" width="300" height="300" /><figcaption id="caption-attachment-10723" class="wp-caption-text">O ativista político Carlos Marighella (Reprodução)</figcaption></figure>
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="tvKCMpNreJ"><p><a href="https://urutaurpg.com.br/siteluis/meus-encontros-com-marighella/" target="_blank" rel="noopener">Meus encontros com Marighella</a></p></blockquote>
<p><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;Meus encontros com Marighella&#8221; &#8212; Zona Curva" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/meus-encontros-com-marighella/embed/#?secret=oAG5StmhLe#?secret=tvKCMpNreJ" data-secret="tvKCMpNreJ" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
<p id="viewer-59h2f" class="mm8Nw _1j-51 _1atvN _1FoOD _3M0Fe _2WrB- _1atvN public-DraftStyleDefault-block-depth0 public-DraftStyleDefault-text-ltr"><span class="_2PHJq public-DraftStyleDefault-ltr">De uma Sombra ouvi em forma de poema, <em>“Nossos atos são os nossos anjos bons e maus a andarem ao nosso lado”</em>. E, antes de afastar-se, dissolvendo-se no éter, a sombra ainda sussurrou: <em>“Nós somos essa matéria de que se fabricam os sonhos, e nossas vidas efêmeras têm por acabamento o sono”.</em></span></p>
<blockquote>
<p id="viewer-cmtkl" class="mm8Nw _1j-51 _1atvN _1FoOD _3M0Fe _2WrB- _1atvN public-DraftStyleDefault-block-depth0 public-DraftStyleDefault-text-ltr"><span class="_2PHJq public-DraftStyleDefault-ltr">Carlos, então, parando disse-me: <em>“Não existem no mundo dos poetas nem relatos e nem poemas imparciais, porque cada qual vê o mundo de seu próprio modo. Eu sou parte desta sombra, como de todas as que lutaram o bom combate do conhecer a si mesmo, do deslumbrar os limites de cada individualidade, tornando o homem livre das correntes que o escravizam às tradições, aos preconceitos e aos outros homens. Creia-me, sempre a humanidade necessitou e necessitará de uma luz, de um sinal que a conduza no sentido inverso da animalidade, pois ‘se as estrelas se acendem é porque alguém precisa delas, é porque, em verdade, é indispensável que sobre todos os tetos, cada noite, uma única estrela, pelo menos, se alumie’”.</em></span></p>
</blockquote>
<p id="viewer-8cg7e" class="mm8Nw _1j-51 _1atvN _1FoOD _3M0Fe _2WrB- _1atvN public-DraftStyleDefault-block-depth0 public-DraftStyleDefault-text-ltr"><span class="_2PHJq public-DraftStyleDefault-ltr">Pressenti nova Sombra a aproximar-se e um suave e agreste perfume de gerânios a acompanhava. Num instante a senti amável, doce, e se fosse permitido a um espectro sorrir e abraçar sei que ele o faria com certeza: <em>“Aqui temos só a sombra e a morte, mas lá longe, do outro lado da montanha, o sol ainda irá se levantar sobre um mundo novo! Lá, além da planície, sempre o solo estremecerá sob os passos inumeráveis de homens impávidos e livres. ”</em></span></p>
<p id="viewer-fdnpp" class="mm8Nw _1j-51 _1atvN _1FoOD _3M0Fe _2WrB- _1atvN public-DraftStyleDefault-block-depth0 public-DraftStyleDefault-text-ltr"><span class="_2PHJq public-DraftStyleDefault-ltr"><em>“Saibam vocês, homens, amados e não amados, conhecidos e desconhecidos, que desfila por esse pórtico um vasto cortejo, o homem livre de que lhes falo virá, acreditem, acreditem-me! ”</em></span></p>
<p id="viewer-3vhiq" class="mm8Nw _1j-51 _1atvN _1FoOD _3M0Fe _2WrB- _1atvN public-DraftStyleDefault-block-depth0 public-DraftStyleDefault-text-ltr"><span class="_2PHJq public-DraftStyleDefault-ltr">Ao afastar-se de nós ainda tentei retardá-la, inútil. </span></p>
<p id="viewer-56vr8" class="mm8Nw _1j-51 _1atvN _1FoOD _3M0Fe _2WrB- _1atvN public-DraftStyleDefault-block-depth0 public-DraftStyleDefault-text-ltr"><span class="_2PHJq public-DraftStyleDefault-ltr">Disse-me, então, Carlos: <em>“Eu renasci muitas vezes, desde o fundo das estrelas derrotadas, reconstruindo o fio das eternidades que povoei com as minhas mãos”</em>. Se agora devo morrer, que a terra cubra com carinho o meu corpo, ele que é destinado a ser terra. Aqueles que sonharam, agiram e viveram como nós, ah, esses sempre souberam que outros viriam após, trazidos por tantas vozes do passado, desde o começo dos tempos quando se compartiram os ideais do homem livre!</span></p>
<p>E ainda prosseguiu. Devo a essas sombras, aos meus iguais, tudo o que sou e fui neste mundo. A eles pertence o crédito pela fraternidade para com quem eu não conheço, e a liberdade que desconhece o egoísta. Elas me ensinaram com o fogo da alma a acender a lavareda da bondade, a possuir a retidão de espírito de que necessita uma rocha, como um farol que precisa luzir para referenciar tantos barcos à deriva. <strong>Com elas também aprendi a entender o que une e distancia os homens, o que significa a integridade do espírito, a sofrer por todos os que morreram para que outros iguais a eles tivessem o direito de viver e de melhorar seus mundos. Que a vitória de um nada mais pode ser que o avanço do coletivo, de todos. E é assim, nessa escola de compreender e ensinar que surgimos os homens livres, em todos os tempos, no Tempo.</strong></p>
<p id="viewer-eds5i" class="mm8Nw _1j-51 _1atvN _1FoOD _3M0Fe _2WrB- _1atvN public-DraftStyleDefault-block-depth0 public-DraftStyleDefault-text-ltr"><span class="_2PHJq public-DraftStyleDefault-ltr">Ao se afastar Marighella ainda me pegou pelo braço e caminhamos um pouco mais pelos campos floridos que a cada momento se desvirginavam. Confidenciou-me: <em>“Foram ainda as sombras que me ensinaram a ver a luz, que o mundo pode ser claro e digno, desde que o direito de sonhar permaneça e seja exercido pelos homens. Igualmente com elas aprendi que se o sonho e a utopia por algum acaso morressem, o mundo se transformaria num lugar inóspito, fétido, onde os predadores em sua maldade e os administradores e gerentes de negócios com seu egoísmo perverso transformariam o viver em escravidão, o belo em feio, o claro em escuro”.</em></span></p>
<p id="viewer-e3rlo" class="mm8Nw _1j-51 _1atvN _1FoOD _3M0Fe _2WrB- _1atvN public-DraftStyleDefault-block-depth0 public-DraftStyleDefault-text-ltr"><span class="_2PHJq public-DraftStyleDefault-ltr">Disse-me mais: <em>“Meus inimigos são os mesmos adversários de morte de todos aqueles que se libertam das amarras da escravidão. Essa matilha humana acanalhada emporcalha, infesta o mundo e trata de torná-lo brutal à sua imagem e semelhança. Com estes malditos predadores não se pode permitir complacência e nem o luxo do perdão, pois eles nunca se redimem e nem se transformam, mas sim, multiplicam-se, misturam-se e se camuflam para melhor explorarem e escravizarem a humanidade e ao seu toque conspurcam o que de melhor existe em cada ser humano”.</em></span></p>
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<p id="viewer-c8gtl" class="mm8Nw _1j-51 _1atvN _1FoOD _3M0Fe _2WrB- _1atvN public-DraftStyleDefault-block-depth0 public-DraftStyleDefault-text-ltr"><span class="_2PHJq public-DraftStyleDefault-ltr">Quando havíamos percorrido quase todo o corredor, nos deparamos, num último quinhão de parede, com uma escrita esmaecida pelos anos:</span></p>
<blockquote>
<p id="viewer-f05cv" class="mm8Nw _1j-51 _1atvN _1FoOD _3M0Fe _2WrB- _1atvN public-DraftStyleDefault-block-depth0 public-DraftStyleDefault-text-ltr"><span class="_2PHJq public-DraftStyleDefault-ltr"><em>“Coragem ainda, meu irmão ou minha irmã! Segue em frente – a Liberdade não será submetida, aconteça o que acontecer. Não se trata de algo que será suprimido em virtude de falhas, que são sempre humanas, ou pela indiferença ou ingratidão das pessoas, ou por traição. Ou ainda pela demonstração dos dentes do poder, soldados, canhões, tribunais. Aquilo em que cremos nos aguarda latente para sempre em todos os continentes, não convida ninguém, nada promete, desconhece o medo. Espera paciente o seu tempo.”</em></span></p>
</blockquote>
<p id="viewer-afobr" class="mm8Nw _1j-51 _1atvN _1FoOD _3M0Fe _2WrB- _1atvN public-DraftStyleDefault-block-depth0 public-DraftStyleDefault-text-ltr"><span class="_2PHJq public-DraftStyleDefault-ltr">E mais adiante, as letras tornavam-se menos indeléveis, como que reescritas todas sempre e sempre: </span></p>
<blockquote>
<p id="viewer-beg0f" class="mm8Nw _1j-51 _1atvN _1FoOD _3M0Fe _2WrB- _1atvN public-DraftStyleDefault-block-depth0 public-DraftStyleDefault-text-ltr"><span class="_2PHJq public-DraftStyleDefault-ltr"><strong>“Não são canções apenas de lealdade, mas gritos de insurreição também, pois que sou o poeta jurado de todos os rebeldes destemidos no mundo inteiro, aquele que arrisca a vida que pode ser aniquilada a qualquer tempo. O infiel, o traidor, supõe que triunfa: prisão, cadafalso, algemas, colar de ferro e balas de chumbo fazem seu trabalho. Os heróis conhecidos e os milhões de anônimos pertencem a outras esferas. Mesmo na derrota, a causa permanece dormente, e enquanto as mais poderosas gargantas estão engasgadas no próprio sangue, os jovens levantam suas pestanas na direção do céu. A Liberdade não perdeu o seu lugar e nem o dominador obteve e nem obterá a sua vitória! ”</strong></span></p>
</blockquote>
<p id="viewer-a0pt4" class="mm8Nw _1j-51 _1atvN _1FoOD _3M0Fe _2WrB- _1atvN public-DraftStyleDefault-block-depth0 public-DraftStyleDefault-text-ltr"><span class="_2PHJq public-DraftStyleDefault-ltr">Carlos Mariguella foi covardemente assassinado em uma embocada montada pelo facínora da ditadura militar, o delegado Sérgio Fleury, em 4/ 11/1969, há 52 anos.</span></p>
<p class="mm8Nw _1j-51 _1atvN _1FoOD _3M0Fe _2WrB- _1atvN public-DraftStyleDefault-block-depth0 public-DraftStyleDefault-text-ltr"><span class="_2PHJq public-DraftStyleDefault-ltr">Referências:</span></p>
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<p id="viewer-ag754" class="mm8Nw _1j-51 _1atvN _1FoOD _3M0Fe _2WrB- _1atvN public-DraftStyleDefault-block-depth0 public-DraftStyleDefault-text-ltr"><span class="_2PHJq public-DraftStyleDefault-ltr">1. As Sombras: a primeira, W. Shakespeare; a segunda, S. Maiakovski; a terceira, F. Nietzsche. Escrita realizada na parede: Walt Whitman. </span></p>
<p id="viewer-34ut7" class="mm8Nw _1j-51 _1atvN _1FoOD _3M0Fe _2WrB- _1atvN public-DraftStyleDefault-block-depth0 public-DraftStyleDefault-text-ltr"><span class="_2PHJq public-DraftStyleDefault-ltr">2. Trechos de fala de Marighella: P. Neruda.</span></p>
<p id="viewer-2b3br" class="mm8Nw _1j-51 _1atvN _1FoOD _3M0Fe _2WrB- _1atvN public-DraftStyleDefault-block-depth0 public-DraftStyleDefault-text-ltr"><span class="_2PHJq public-DraftStyleDefault-ltr">3. Extraído e adaptado do livro “Máscaras de Perséfone”, de autoria de Carlos Russo Jr.</span></p>
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		<title>Meus encontros com Marighella</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Frei Betto]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 Dec 2021 12:05:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Memória]]></category>
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		<category><![CDATA[Carlos Marighella]]></category>
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		<category><![CDATA[Filme Marighella]]></category>
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					<description><![CDATA[Marighella &#8211; Vi o filme dirigido por Wagner Moura. Um importante documento sobre a resistência à ditadura militar e a trajetória do destacado revolucionário brasileiro dos movimentos de luta armada Carlos Marighella. Nos ensaios, falei a atores e atrizes do filme sobre a ALN (Ação Libertadora Nacional), da qual fui militante. Sei dos desafios que Moura enfrentou para superar a falta de recursos e a censura do governo Bolsonaro. O filme é uma preciosa peça histórica. Baseado no livro de Mário Magalhães, “Marighella – o guerrilheiro que incendiou o mundo”, a mais completa biografia do líder revolucionário. Faltou, no entanto, contextualizar melhor, como fez Magalhães, as circunstâncias do envolvimento dos frades dominicanos com o assassinato de Marighella pela ditadura. Em meados de 1967, frei Oswaldo Rezende — meu colega na Ordem Dominicana e, então, aluno da Faculdade de Filosofia da USP — acertou recebermos no parlatório do convento do bairro de Perdizes, em São Paulo, um professor interessado em conhecer melhor a renovação da Igreja Católica. O encontro com o professor fora marcado a pedido de João Antônio Abi-Eçab, colega de Oswaldo na USP. O professor, alto, corpulento, pele morena escura, boca larga e faces alongadas, rosto firme, musculoso, cabelos pretos e ralos recuando na testa grande, dizia-se marxista e fazia-se chamar pelo nome de &#8220;Menezes&#8221;. A conversa girou em torno da história da Igreja, a importância do Concílio Vaticano II, e da visão social e política dos cristãos. Ao despedir-se, entregou-nos um embrulho em papel cor-de-rosa: — São uns livrinhos que andei escrevendo — disse num tom de inusitada modéstia. Vimos, tão logo deixou o convento, tratar-se de obras de Carlos Marighella — nome que, aos nossos ouvidos, não tinha, à época, qualquer ressonância especial. Eram dois livros de poesias e um opúsculo, &#8220;Críticas às teses do Comitê Central&#8221;. Dias após o primeiro encontro, Oswaldo e eu estivemos de novo com Marighella nos fundos da sapataria da família de João Antônio, no bairro da Liberdade. Conversamos, então, sobre o apoio logístico que um grupo de frades dominicanos poderia oferecer à ALN, organização revolucionária fundada por ele após romper com o PCB. Nossos contatos com Marighella amiudaram, mas as pessoas que nos serviam de ponte encontraram uma pedra em seus caminhos. João Antônio Abi-Eçab morreu em acidente de trânsito, em companhia de sua mulher, Catarina Helena Xavier Ferreira, após participar, no Rio, do assalto &#8211; comandado pelo próprio Marighella, a 13 de novembro de 1968 &#8211; ao carro pagador do Instituto de Previdência do Estado da Guanabara. No retorno a São Paulo, o carro de João Antônio colidiu com um caminhão, próximo a Vassouras. No Fusca, a polícia encontrou uma metralhadora e pentes de balas. Reencontrei Marighella em pleno Jardim Europa nos primeiros dias de maio de 1968. Esperei-o à noite, em um ponto de ônibus da rua Colômbia. O bairro de mansões, guardado por seguranças particulares, dispensava a vigilância das viaturas policiais. Não foi difícil adivinhar que Marighella era o homem corpulento a caminhar lentamente pela calçada, como quem dá um passeio após o jantar. A troca de olhares bastou para que eu abandonasse o ponto de ônibus e o acompanhasse. Ninguém parecia atento a nós, o que, se de um lado me tranquilizou, de outro deixou-me a dúvida se, de fato, Marighella possuía um esquema de segurança. Aliás, achei precaríssima a peruca preta que usava. Temi que mais chamasse a atenção do que disfarçasse. Era uma peruca de mulher, cortada rente às orelhas. Os fios lisos pareciam sintéticos. Como ainda não se generalizara o livre penteado para homens, dir-se-ia que ele adotara um corte à moda indígena&#8230; Enveredamos pelas ruas escuras e arborizadas do elegante bairro, caminhando entre residências bem-protegidas por guaritas junto aos muros altos. “Lugar bem escolhido”, pensei. Como os moradores tinham carros, quase ninguém andava pelas calçadas, o que nos permitia dialogar sem o receio de ser escutado por quem passava. E certamente não seria ali, com tantos vigias armados, que a polícia se preocuparia em fazer ronda. Ele soubera que eu iria me mudar para o Rio Grande do Sul, para cursar Teologia na escola dos jesuítas, em São Leopoldo. Queria que eu aceitasse acompanhar, em Porto Alegre, a passagem de refugiados políticos que se destinavam ao Uruguai ou à Argentina para, em seguida, viajar à Europa. Seria uma ajuda a todos que precisassem deixar o país, independentemente de siglas políticas, e não um serviço exclusivo à ALN. Aceitei o encargo, ciente de que se adequava à tradição da Igreja de auxílio a refugiados políticos: — No momento oportuno &#8211; acrescentou Marighella &#8211; passarei a você nossos contatos nas áreas de fronteira. Agora, preciso que você assuma uma missão de urgência. Marighella pediu que fosse a Belo Horizonte levar uma mala. Deu-me dinheiro para alugar um táxi aéreo. No dia seguinte, a encomenda me foi entregue. Pesava. Não a abri, mas fiquei com a impressão de estar repleta de dinheiro. No aeroporto de Congonhas, fretei o avião, viajei a capital mineira e fui cobrir o “ponto” na rua Carangola, no bairro Santo Antônio, próxima à região em que morava minha família. Estava à espera do contato quando vi descer a rua o Alfa Romeo dirigido por minha tia Lígia. Abriguei-me numa loja, como se estivesse interessado nas mercadorias. Ela passou desacelerada, como se me buscasse. Voltei à calçada aliviado, ansioso para que o contato aparecesse logo. A posse da mala me deixava inquieto. Ao virar o rosto para o alto da ladeira, vi o carro de minha tia quebrando a esquina. Refugiei-me novamente na loja. Anos depois, indaguei a ela se havia me visto. Disse que não, fora mera coincidência. A mala foi repassada ao contato e retornei a São Paulo com a sensação curiosa de, por um dia, ter visitado clandestinamente a cidade em que nasci e onde moravam meus pais. Antes de me transferir para o Rio Grande do Sul, passei uma temporada escondido na mansão de Auxiliadora e Antônio Ribeiro Pena, banqueiro, aliado da ALN. Fui receber Marighella na porta]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Marighella &#8211; Vi o filme dirigido por Wagner Moura. Um importante documento sobre a resistência à ditadura militar e a trajetória do destacado revolucionário brasileiro dos movimentos de luta armada Carlos Marighella. Nos ensaios, falei a atores e atrizes do filme sobre a ALN (Ação Libertadora Nacional), da qual fui militante. Sei dos desafios que Moura enfrentou para superar a falta de recursos e a censura do governo Bolsonaro.</p>
<p>O filme é uma preciosa peça histórica. Baseado no livro de Mário Magalhães, “Marighella – o guerrilheiro que incendiou o mundo”, a mais completa biografia do líder revolucionário. Faltou, no entanto, contextualizar melhor, como fez Magalhães, as circunstâncias do envolvimento dos frades dominicanos com o assassinato de Marighella pela ditadura.</p>
<p>Em meados de 1967, frei Oswaldo Rezende — meu colega na Ordem Dominicana e, então, aluno da Faculdade de Filosofia da USP — acertou recebermos no parlatório do convento do bairro de Perdizes, em São Paulo, um professor interessado em conhecer melhor a renovação da Igreja Católica.</p>
<p>O encontro com o professor fora marcado a pedido de João Antônio Abi-Eçab, colega de Oswaldo na USP. O professor, alto, corpulento, pele morena escura, boca larga e faces alongadas, rosto firme, musculoso, cabelos pretos e ralos recuando na testa grande, dizia-se marxista e fazia-se chamar pelo nome de &#8220;Menezes&#8221;. A conversa girou em torno da história da Igreja, a importância do Concílio Vaticano II, e da visão social e política dos cristãos. Ao despedir-se, entregou-nos um embrulho em papel cor-de-rosa:</p>
<p class="hyphenate">— São uns livrinhos que andei escrevendo — disse num tom de inusitada modéstia.</p>
<p>Vimos, tão logo deixou o convento, tratar-se de obras de Carlos Marighella — nome que, aos nossos ouvidos, não tinha, à época, qualquer ressonância especial. Eram dois livros de poesias e um opúsculo, &#8220;Críticas às teses do Comitê Central&#8221;.</p>
<p>Dias após o primeiro encontro, Oswaldo e eu estivemos de novo com Marighella nos fundos da sapataria da família de João Antônio, no bairro da Liberdade. Conversamos, então, sobre o apoio logístico que um grupo de frades dominicanos poderia oferecer à ALN, organização revolucionária fundada por ele após romper com o PCB.</p>
<p>Nossos contatos com Marighella amiudaram, mas as pessoas que nos serviam de ponte encontraram uma pedra em seus caminhos. João Antônio Abi-Eçab morreu em acidente de trânsito, em companhia de sua mulher, Catarina Helena Xavier Ferreira, após participar, no Rio, do assalto &#8211; comandado pelo próprio Marighella, a 13 de novembro de 1968 &#8211; ao carro pagador do Instituto de Previdência do Estado da Guanabara. No retorno a São Paulo, o carro de João Antônio colidiu com um caminhão, próximo a Vassouras. No Fusca, a polícia encontrou uma metralhadora e pentes de balas.</p>
<p>Reencontrei Marighella em pleno Jardim Europa nos primeiros dias de maio de 1968. Esperei-o à noite, em um ponto de ônibus da rua Colômbia. O bairro de mansões, guardado por seguranças particulares, dispensava a vigilância das viaturas policiais. Não foi difícil adivinhar que Marighella era o homem corpulento a caminhar lentamente pela calçada, como quem dá um passeio após o jantar.</p>
<p>A troca de olhares bastou para que eu abandonasse o ponto de ônibus e o acompanhasse. Ninguém parecia atento a nós, o que, se de um lado me tranquilizou, de outro deixou-me a dúvida se, de fato, Marighella possuía um esquema de segurança. Aliás, achei precaríssima a peruca preta que usava. Temi que mais chamasse a atenção do que disfarçasse. Era uma peruca de mulher, cortada rente às orelhas. Os fios lisos pareciam sintéticos. Como ainda não se generalizara o livre penteado para homens, dir-se-ia que ele adotara um corte à moda indígena&#8230;</p>
<figure id="attachment_10555" aria-describedby="caption-attachment-10555" style="width: 300px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-10555" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/wp-content/uploads/2021/12/WhatsApp-Image-2021-12-09-at-16.25.49-300x300.jpeg" alt="imagem de Carlos Marighella" width="300" height="300" /><figcaption id="caption-attachment-10555" class="wp-caption-text">O ativista político Carlos Marighella (Fonte: TV Cultura)</figcaption></figure>
<p>Enveredamos pelas ruas escuras e arborizadas do elegante bairro, caminhando entre residências bem-protegidas por guaritas junto aos muros altos. “Lugar bem escolhido”, pensei. Como os moradores tinham carros, quase ninguém andava pelas calçadas, o que nos permitia dialogar sem o receio de ser escutado por quem passava. E certamente não seria ali, com tantos vigias armados, que a polícia se preocuparia em fazer ronda.</p>
<p>Ele soubera que eu iria me mudar para o Rio Grande do Sul, para cursar Teologia na escola dos jesuítas, em São Leopoldo. Queria que eu aceitasse acompanhar, em Porto Alegre, a passagem de refugiados políticos que se destinavam ao Uruguai ou à Argentina para, em seguida, viajar à Europa. Seria uma ajuda a todos que precisassem deixar o país, independentemente de siglas políticas, e não um serviço exclusivo à ALN. Aceitei o encargo, ciente de que se adequava à tradição da Igreja de auxílio a refugiados políticos:</p>
<p>— No momento oportuno &#8211; acrescentou Marighella &#8211; passarei a você nossos contatos nas áreas de fronteira. Agora, preciso que você assuma uma missão de urgência.</p>
<p>Marighella pediu que fosse a Belo Horizonte levar uma mala. Deu-me dinheiro para alugar um táxi aéreo. No dia seguinte, a encomenda me foi entregue. Pesava. Não a abri, mas fiquei com a impressão de estar repleta de dinheiro. No aeroporto de Congonhas, fretei o avião, viajei a capital mineira e fui cobrir o “ponto” na rua Carangola, no bairro Santo Antônio, próxima à região em que morava minha família. Estava à espera do contato quando vi descer a rua o Alfa Romeo dirigido por minha tia Lígia. Abriguei-me numa loja, como se estivesse interessado nas mercadorias. Ela passou desacelerada, como se me buscasse. Voltei à calçada aliviado, ansioso para que o contato aparecesse logo. A posse da mala me deixava inquieto.</p>
<p class="hyphenate">Ao virar o rosto para o alto da ladeira, vi o carro de minha tia quebrando a esquina. Refugiei-me novamente na loja. Anos depois, indaguei a ela se havia me visto. Disse que não, fora mera coincidência.</p>
<p>A mala foi repassada ao contato e retornei a São Paulo com a sensação curiosa de, por um dia, ter visitado clandestinamente a cidade em que nasci e onde moravam meus pais.</p>
<p>Antes de me transferir para o Rio Grande do Sul, passei uma temporada escondido na mansão de Auxiliadora e Antônio Ribeiro Pena, banqueiro, aliado da ALN. Fui receber Marighella na porta do Clube Paulistano, trazido por Paulo de Tarso Venceslau, que permaneceu no carro. O líder da ALN carregava uma mala. Na mansão, indagou onde ficava o banheiro. Indiquei o do salão. Pediu que o acompanhasse. Abriu a mala, repleta de maços de dinheiro novo revestidos de invólucros do banco. Arrancou-os e jogou-os no vaso sanitário. Acendeu um fósforo e pôs fogo. O vaso rachou, inundando o salão&#8230;</p>
<p>De volta à calçada do clube, no qual havia uma festa, a área estava repleta de policiais militares. E o carro que levara estacionado sem o motorista. Fiquei apreensivo, ali parado ao lado do homem mais procurado pela ditadura. Logo Venceslau apareceu. Havia ido tomar café em um bar próximo.</p>
<p>Na primavera de 1968, voltei a encontrar Marighella no Rio. Numa Rural Willys, dirigida por um companheiro da ALN, fomos de Botafogo ao Leblon. Ao contornar a Lagoa Rodrigo de Freitas, um dos pneus furou. Ao descer para trocá-lo, um carro da polícia civil parou ao nosso lado. Julguei que seríamos presos ou, talvez, mortos. Para o nosso alívio, Marighella não foi reconhecido e os policiais queriam apenas saber se precisávamos de ajuda&#8230;</p>
<p>Ora, os heróis nunca morrem. Chegam a acreditar que são sempre mais espertos que a repressão. Habituados ao risco, julgam-se invisíveis. Vão a lugares onde jamais admitiriam encontrar um companheiro, como a cinemas e restaurantes. Creem que, se forem presos, não será nunca hoje, talvez amanhã.</p>
<p>Por isso, naqueles idos, várias vezes cruzei com Marighella e outros dirigentes revolucionários na churrascaria “A Toca”, situada na esquina das ruas Turiassú e Cardoso de Almeida, na capital paulista. O proprietário, Jacinto Pasqualini, suava frio, ao calor das brasas que assavam as carnes, quando coincidiam, no mesmo espaço, guerrilheiros e policiais. Tratava de separá-los em mesas distantes e avisar-nos. É possível que aqueles investigadores e delegados jamais imaginassem que naquela roda alegre de chope, em torno de saborosas picanhas, estavam alguns dos mais procurados &#8220;terroristas&#8221; do país como Aloysio Nunes Ferreira, Antônio Carlos Madeira, Rolando Fratti, Agonalto Pacheco e Carlos Marighella, cuja peruca improvisada parecia chamar mais atenção do que ele próprio.</p>
<p>Outro contato que tive com o líder da ALN foi para apresentar a ele Jorge de Miranda Jordão, diretor do jornal “Folha da Tarde”, no qual eu trabalhava. Miranda abraçou o projeto revolucionário e diversas vezes transportou Marighella, de São Paulo ao Rio, em seu Karmann-Ghia. Uma ocasião, Miranda hospedou, em sua cobertura no Cosme Velho, os dois comandantes da ALN, Marighella e Toledo. Ao se recolher a seu quarto, o anfitrião deixou a dupla na sala de jantar. Sabia que eles iriam embora dia seguinte bem cedo. Ao despertar, dona Maria, faxineira, perguntou a Miranda se crianças haviam estado no apartamento:</p>
<p>— Por que pergunta?</p>
<p>— Porque o tampo da mesa está todo marcado de desenhos.</p>
<p>Marighella e Toledo haviam desenhado o croquis de uma expropriação bancária em uma folha de papel manteiga.</p>
<p>Levei para a “Folha da Tarde” meu amigo franco-belga, Conrado Detrez, que assumiu a editoria internacional. Como já havia sido preso como militante da Ação Popular, ao se sentir perseguido retornou a Paris. Foi o último jornalista a entrevistar Marighella, em setembro de 1969, para a revista francesa Front. Ele retornara clandestinamente ao Brasil, via Uruguai, tendo sido recebido por mim no Rio Grande do Sul e, dali, encaminhado a São Paulo. Mais tarde, tornou-se romancista de sucesso na França, merecedor do prestigiado Prêmio Renaudot.</p>
<p>Marighella foi assassinado a 4 de novembro de 1969, em São Paulo. E eu preso em Porto Alegre, cinco dias depois.</p>
<p><a href="https://www.correiocidadania.com.br/2-uncategorised/14813-meus-encontros-com-marighella" target="_blank" rel="noopener">Publicado originalmente no Correio da Cidadania.</a></p>
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="QPIOtkYedb"><p><a href="https://urutaurpg.com.br/siteluis/marighella-premio-do-cinema-brasileiro/" target="_blank" rel="noopener">‘Marighella’ leva oito estatuetas no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro 2022</a></p></blockquote>
<p><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;‘Marighella’ leva oito estatuetas no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro 2022&#8221; &#8212; Zona Curva" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/marighella-premio-do-cinema-brasileiro/embed/#?secret=EkO7PjDRwx#?secret=QPIOtkYedb" data-secret="QPIOtkYedb" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="yG1CBxvHN0"><p><a href="https://urutaurpg.com.br/siteluis/marighella-imortal-no-tempo-nas-vozes-de-whitman-maiakovski-neruda-shakespeare-e-nietzsche/" target="_blank" rel="noopener">Marighella, imortal no Tempo, nas vozes de Whitman, Maiakovski, Neruda, Shakespeare e Nietzsche</a></p></blockquote>
<p><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;Marighella, imortal no Tempo, nas vozes de Whitman, Maiakovski, Neruda, Shakespeare e Nietzsche&#8221; &#8212; Zona Curva" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/marighella-imortal-no-tempo-nas-vozes-de-whitman-maiakovski-neruda-shakespeare-e-nietzsche/embed/#?secret=WfM7RVrIOh#?secret=yG1CBxvHN0" data-secret="yG1CBxvHN0" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="ERhYbPn3xS"><p><a href="https://urutaurpg.com.br/siteluis/a-ditadura-brasileira-e-os-dois-demonios/" target="_blank" rel="noopener">A ditadura brasileira e os dois demônios</a></p></blockquote>
<p><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;A ditadura brasileira e os dois demônios&#8221; &#8212; Zona Curva" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/a-ditadura-brasileira-e-os-dois-demonios/embed/#?secret=VOTCw4e3iX#?secret=ERhYbPn3xS" data-secret="ERhYbPn3xS" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
<p>https://urutaurpg.com.br/siteluis/filme-marighella-mobiliza-a-esquerda-na-volta-do-cinema/</p>
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="RwhW9mhyNj"><p><a href="https://urutaurpg.com.br/siteluis/marighella-a-execucao-do-inimigo-numero-1-da-ditadura-militar/" target="_blank" rel="noopener">Marighella: a execução do inimigo número 1 da ditadura militar</a></p></blockquote>
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		<title>Filme Marighella mobiliza a esquerda na volta do cinema</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Isabela Gama]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 03 Nov 2021 19:20:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Carlos Marighella]]></category>
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		<category><![CDATA[Wagner Moura]]></category>
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					<description><![CDATA[Marighella &#8211; Nesta quinta  (dia 4 de novembro) estreia o aguardado filme Marighella, dirigido por Wagner Moura. O filme autobiográfico do inimigo número 1 da ditadura militar, apesar de ter sido aplaudido em pé no festival de cinema de Berlim em fevereiro de 2019, foi censurado pela Ancine (sua estreia foi cancelada pela agência em setembro de 2019 pela recusa da verba que possibilitaria a distribuição do longa), e assim penou uma via-crúcis de dois anos até sua exibição nas telonas brasileiras. O filme já foi exibido inúmeras vezes em festivais de cinema nas cidades de Berlim, Seattle, Hong Kong, Sydney, Santiago, Havana, Istambul, Atenas, Estocolmo e Cairo. A previsão da segunda data estreia ficou para novembro de 2019, mas segundo a Ancine, a produção do longa não cumpriu a tempo os trâmites para a liberação da verba que já havia sido usada e precisava ser ressarcida.  A estreia então foi adiada para maio de 2020, e depois para abril deste ano, por conta da pandemia. Já em agosto deste ano, o setor de análise técnica do órgão federal, encaminhou o lançamento comercial de Marighella para arquivamento. Em ritmo frenético de lançamento, Wagner Moura tem sido entrevistado por vários veículos de comunicação. Em duas entrevistas, tanto no Roda Viva, da TV Cultura, na última segunda, e no podcast Lado B do Rio, ele afirmou que o governo federal se utilizou de trâmites burocráticos para censurar o filme.  Inspirado na obra &#8220;Marighella: O guerrilheiro que incendiou o mundo&#8221; do jornalista Mário Magalhães, o filme traz a história de Carlos Marighella (interpretado por Seu Jorge) entre o início do período da ditadura até sua morte em novembro de 1969. Em entrevista ao Brasil de Fato , Moura conta que quis trazer o momento em que o militante decide entrar na luta armada. O guerrilheiro ingressou no movimento estudantil aos 23 anos na Escola Politécnica da Bahia. Em 1937, foi preso e torturado por fazer oposição a Getúlio Vargas e depois de atuar por pouco tempo na clandestinidade, foi preso novamente, mas agora por seis anos.  Com o fim do Estado Novo em 1945, foi anistiado e, no mesmo ano, eleito deputado federal pelo PCB. O clima polarizado da guerra fria colocou o partido comunista na ilegalidade e Marighella perdeu seu mandato, voltando assim para a clandestinidade. Mas em 1967, após três anos do golpe militar, o baiano resolveu romper com o PCB, que não concordava com a luta armada, e fundou a Ação Libertadora Nacional (ALN). Antes da escolha de Seu Jorge para interpretar Marighella, o cantor Mano Brown foi o primeiro cotado para o papel, o que não aconteceu pela agenda atribulada de shows dos Racionais MC&#8217;s,  banda de Brown. Participam do filme também atores como Bruno Gagliasso como o delegado Lúcio, Luiz Carlos Vasconcellos dando vida ao militante Almir, Herson Capri interpretando o jornalista Jorge Salles, Adriana Esteves como Carla e a neta de Carlos e vereadora em Salvador Maria Marighella (entrevistada pelo Zonacurva). A ANL foi inspirada na vitoriosa revolução cubana e na guerrilha anticolonial que lutou pela independência argelina, explica Magalhães em live no canal Tutaméia . O grupo rompeu com a hierarquia vertical e tradicional dos demais grupos militantes. Um exemplo disso foi o sequestro do embaixador americano Charles Elbrick, em que os membros da ANL não avisaram Marighella da ação. Essa estrutura horizontal inspira até hoje movimentos atuais como o Passe Livre. https://urutaurpg.com.br/siteluis/acao-mais-ousada-contra-o-regime-militar/ Em entrevista ao Brasil de fato, Moura conta que Marighella tentou não entrar na luta armada, o militante foi congressista enquanto põde, esteve no PCB durante anos, mas para ele a resposta para mudar a realidade do Brasil naquele momento era a Aliança  Libertadora Nacional.  E completa que o filme vem para disputar narrativa com o governo, a história de que ditadura militar foi uma “revolução” não pode ser aceita e o longa vem para mostrar a realidade da época.  Já Magalhães comentou na live no canal Tutaméia que, a identidade de Bolsonaro com a ditadura militar não é da boca para fora ,e tem consequências concretas para o país. O revisionismo histórico do presidente enfraquece a memória e a luta de pessoas que deram suas vidas pela democracia. Além disso, confunde algumas pessoas quando propaga que apenas “bandidos” foram mortos durante o regime.  Apesar da censura que sofreu, o diretor alertou em entrevista ao Canal Brasil do perigo da autocensura nesse período tão sombrio para a cultura brasileira, pois é isso é exatamente o que o governo deseja. Segundo Moura, a arte é uma das formas de resistência ao governo brasileiro. Ainda para o Brasil de Fato, o diretor contou que as produtoras ficaram receosas com o longa já no início na produção e que ele sabia que não seria fácil, ”é um filme do petralha falando de terrorista”, brinca. Ele completa que o período em que o país vive influencia na percepção do público e que esse aspecto é primordial para a obra. Em meio a tudo que o filme já passou mesmo sem ainda ter sido lançado, Moura diz estar “preparado para a porrada” e que sabe que sofrerá ataques após todos assistirem ao longa e relata que o set de filmagem sofreu ameaça de invasão.  O primeiro pedido de liberação feito à Ancine em setembro de 2019, veio após o discurso de Jair Bolsonaro em julho do mesmo ano em que o presidente transferiu o Conselho Superior de Cinema da pasta do Ministério da Cidadania para a Casa Civil. Nesta data, Bolsonaro alegou que o financiamento federal para filmes não poderia ser destinado para filmes de “ativismo” ou como o da “Bruna Surfistinha”. Mas o diretor do filme admitiu para o Brasil de Fato que não tem medo dos “trolls” da internet, e nem das possíveis ameaças.  A estreia do filme será em mais de 300 salas de cinema em todo o Brasil no dia 4 de novembro, no 52° aniversário de morte do militante. Na semana passada, algumas capitais já contaram com a pré-estreia do longa, começando pela]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Marighella &#8211; Nesta quinta  (dia 4 de novembro) estreia o aguardado filme Marighella, dirigido por Wagner Moura. O filme autobiográfico do inimigo número 1 da ditadura militar, apesar de ter sido aplaudido em pé no festival de cinema de Berlim em fevereiro de 2019, foi censurado pela Ancine (sua estreia foi cancelada pela agência em setembro de 2019 pela recusa da verba que possibilitaria a distribuição do longa), e assim penou uma via-crúcis de dois anos até sua exibição nas telonas brasileiras.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme já foi exibido inúmeras vezes em festivais de cinema nas cidades de Berlim, Seattle, Hong Kong, Sydney, Santiago, Havana, Istambul, Atenas, Estocolmo e Cairo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A previsão da segunda data estreia ficou para novembro de 2019, mas segundo a Ancine, a produção do longa não cumpriu a tempo os trâmites para a liberação da verba que já havia sido usada e precisava ser ressarcida. </span></p>
<figure id="attachment_9915" aria-describedby="caption-attachment-9915" style="width: 450px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-9915" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/wp-content/uploads/2021/11/4142_capa.jpg" alt="" width="450" height="633" /><figcaption id="caption-attachment-9915" class="wp-caption-text">No filme, Seu Jorge interpreta Marighella &#8211; Foto: Cartaz do filme Marighella/Reprodução</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A estreia então foi adiada para maio de 2020, e depois para abril deste ano, por conta da pandemia. Já em agosto deste ano, o setor de análise técnica do órgão federal, encaminhou o lançamento comercial de Marighella para arquivamento.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em ritmo frenético de lançamento, Wagner Moura tem sido entrevistado por vários veículos de comunicação. Em duas entrevistas, tanto no Roda Viva, da TV Cultura, na última segunda, e no podcast Lado B do Rio, ele afirmou que o governo federal se utilizou de trâmites burocráticos para censurar o filme. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Inspirado na obra &#8220;Marighella: O guerrilheiro que incendiou o mundo&#8221; do jornalista Mário Magalhães, o filme traz a história de Carlos Marighella (interpretado por Seu Jorge) entre o início do período da ditadura até sua morte em novembro de 1969. <a href="https://www.brasildefato.com.br/2019/01/30/estou-preparado-para-a-porrada-diz-wagner-moura-sobre-o-filme-marighella" target="_blank" rel="noopener">Em entrevista ao Brasil de Fato </a></span><span style="font-weight: 400;">, Moura conta que quis trazer o momento em que o militante decide entrar na luta armada.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O guerrilheiro ingressou no movimento estudantil aos 23 anos na Escola Politécnica da Bahia. Em 1937, foi preso e torturado por fazer oposição a Getúlio Vargas e depois de atuar por pouco tempo na clandestinidade, foi preso novamente, mas agora por seis anos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com o fim do Estado Novo em 1945, foi anistiado e, no mesmo ano, eleito deputado federal pelo PCB. O clima polarizado da guerra fria colocou o partido comunista na ilegalidade e Marighella perdeu seu mandato, voltando assim para a clandestinidade. Mas em 1967, após três anos do golpe militar, o baiano resolveu romper com o PCB, que não concordava com a luta armada, e fundou a Ação Libertadora Nacional (ALN).</span></p>
<div class="ast-oembed-container " style="height: 100%;"><iframe title="Como surgiu a ideia para filmar a vida de Carlos Marighella" width="1200" height="675" src="https://www.youtube.com/embed/Iv7oa0ShDz0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Antes da escolha de Seu Jorge para interpretar Marighella, o cantor Mano Brown foi o primeiro cotado para o papel, o que não aconteceu pela agenda atribulada de shows dos Racionais MC&#8217;s,  banda de Brown. Participam do filme também atores como Bruno Gagliasso como o delegado Lúcio, Luiz Carlos Vasconcellos dando vida ao militante Almir, Herson Capri interpretando o jornalista Jorge Salles, Adriana Esteves como Carla</span> <span style="font-weight: 400;">e a neta de Carlos e vereadora em Salvador Maria Marighella </span><span style="font-weight: 400;">(entrevistada pelo Zonacurva)</span><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A ANL foi i</span><span style="font-weight: 400;">nspirada na vitoriosa revolução cubana e na guerrilha anticolonial que lutou pela independência argelina, explica Magalhães em <a href="https://www.youtube.com/watch?v=gV9s_-_MVEc" target="_blank" rel="noopener">live</a> no canal Tutaméia </span><span style="font-weight: 400;">. O grupo rompeu com a hierarquia vertical e tradicional dos demais grupos militantes. Um exemplo disso foi o <a href="https://urutaurpg.com.br/siteluis/acao-mais-ousada-contra-o-regime-militar/" target="_blank" rel="noopener">sequestro do embaixador</a> americano </span><span style="font-weight: 400;">Charles Elbrick,</span><span style="font-weight: 400;"> </span><span style="font-weight: 400;">em que os membros da ANL não avisaram Marighella da ação. Essa estrutura horizontal inspira até hoje movimentos atuais como o Passe Livre.</span></p>
<p>https://urutaurpg.com.br/siteluis/acao-mais-ousada-contra-o-regime-militar/</p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em entrevista ao Brasil de fato, Moura conta que Marighella tentou não entrar na luta armada, o militante foi congressista enquanto põde, esteve no PCB durante anos, mas para ele a resposta para mudar a realidade do Brasil naquele momento era a Aliança  Libertadora Nacional.  E completa que o filme vem para disputar narrativa com o governo, a história de que ditadura militar foi uma “revolução” não pode ser aceita e o longa vem para mostrar a realidade da época. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já Magalhães comentou na live no canal Tutaméia que, a identidade de Bolsonaro com a ditadura militar não é da boca para fora ,e tem consequências concretas para o país. O revisionismo histórico do presidente enfraquece a memória e a luta de pessoas que deram suas vidas pela democracia. Além disso, confunde algumas pessoas quando propaga que apenas “bandidos” foram mortos durante o regime.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> Apesar da censura que sofreu, o diretor alertou <a href="https://youtu.be/jzGWrGCeGCo" target="_blank" rel="noopener">em entrevista </a></span><span style="font-weight: 400;">ao Canal Brasil </span><span style="font-weight: 400;">do perigo da autocensura nesse período tão sombrio para a cultura brasileira, pois é isso é exatamente o que o governo deseja. Segundo Moura, a arte é uma das formas de resistência ao governo brasileiro.</span></p>
<figure id="attachment_9919" aria-describedby="caption-attachment-9919" style="width: 1140px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-9919 size-full" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/wp-content/uploads/2021/11/marighella-e1547140197884-1140x545-1.jpg" alt="Cena do filme Marighela - Seu Jorge e Wagner Moura" width="1140" height="545" /><figcaption id="caption-attachment-9919" class="wp-caption-text">Seu Jorge vive Carlos Marighella no filme dirigido por Wagner Moura (à direita) (Divulgação)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda para o Brasil de Fato, o diretor contou que as produtoras ficaram receosas com o longa já no início na produção e que ele sabia que não seria fácil, ”é um filme do petralha falando de terrorista”, brinca. Ele completa que o período em que o país vive influencia na percepção do público e que esse aspecto é primordial para a obra.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em meio a tudo que o filme já passou mesmo sem ainda ter sido lançado, Moura diz estar “preparado para a porrada” e que sabe que sofrerá ataques após todos assistirem ao longa e relata que o set de filmagem sofreu ameaça de invasão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> </span><span style="font-weight: 400;">O primeiro pedido de liberação feito à Ancine em setembro de 2019, veio após o discurso de Jair Bolsonaro em julho do mesmo ano em que o presidente transferiu o Conselho Superior de Cinema da pasta do Ministério da Cidadania para a Casa Civil. Nesta data, Bolsonaro alegou que o financiamento federal para filmes não poderia ser destinado para filmes de “ativismo” ou como o da “Bruna Surfistinha”. Mas o diretor do filme admitiu para o Brasil de Fato que não tem medo dos “trolls” da internet, e nem das possíveis ameaças. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A estreia do filme será em mais de 300 salas de cinema em todo o Brasil no dia 4 de novembro, no 52° aniversário de morte do militante. Na semana passada, algumas capitais já contaram com a pré-estreia do longa, começando pela terra natal de Marighella, a Bahia. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ocorrerá também exibições especiais em uma ocupação do MTST em São Paulo e em um assentamento do MST na Bahia. Moura também contou que prometeu a Guilherme Boulos apresentar o filme na sede do MTST em São Bernardo do Campo, cidade berço das greves sindicais e onde mora atualmente o ex-presidente Lula, mas ainda não há mais informações sobre essa exibição. </span></p>
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="LaQnbNZSTo"><p><a href="https://urutaurpg.com.br/siteluis/marighella-premio-do-cinema-brasileiro/" target="_blank" rel="noopener">‘Marighella’ leva oito estatuetas no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro 2022</a></p></blockquote>
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<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="UhsOj3ot8V"><p><a href="https://urutaurpg.com.br/siteluis/marighella-imortal-no-tempo-nas-vozes-de-whitman-maiakovski-neruda-shakespeare-e-nietzsche/" target="_blank" rel="noopener">Marighella, imortal no Tempo, nas vozes de Whitman, Maiakovski, Neruda, Shakespeare e Nietzsche</a></p></blockquote>
<p><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;Marighella, imortal no Tempo, nas vozes de Whitman, Maiakovski, Neruda, Shakespeare e Nietzsche&#8221; &#8212; Zona Curva" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/marighella-imortal-no-tempo-nas-vozes-de-whitman-maiakovski-neruda-shakespeare-e-nietzsche/embed/#?secret=zGuVLhnrmv#?secret=UhsOj3ot8V" data-secret="UhsOj3ot8V" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="nFi4S3OAGc"><p><a href="https://urutaurpg.com.br/siteluis/meus-encontros-com-marighella/" target="_blank" rel="noopener">Meus encontros com Marighella</a></p></blockquote>
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		<title>Marighella: a execução do inimigo número 1 da ditadura militar</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Zonacurva]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 04 Nov 2013 23:27:16 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[o inimigo número um da Ditadura Militar]]></category>
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					<description><![CDATA[&#160; &#8220;A única coisa que parece não deixar dúvidas é a decisão dos altos escalões militares, àquela altura sob a hegemonia da linha dura, de que Marighella não deveria ser preso, deveria ser executado&#8221;.  (trecho do livro Carlos Marighella, o inimigo número um da Ditadura Militar, do jornalista Emiliano José) Marighella &#8211; No momento em que o regime militar recrudescia, a morte de Marighella (conhecido como &#8216;inimigo número 1 da ditadura militar&#8217;) era crucial para o governo. A posse de Médici em 30 de outubro de 1969 e a decretação do AI-5 quase um ano antes (13 de dezembro de 68) marcavam o início de um dos períodos mais vergonhosos e sangrentos de nossa História. Em uma emboscada na Alameda Casa Branca, na capital paulista, em 4 de novembro de 1969, Carlos Marighella foi assassinado por 29 agentes da ditadura militar. Ele estava desarmado. No comando da ação, o líder do chamado esquadrão da morte, o delegado do DOPS Sérgio Paranhos Fleury.  &#8220;Havia o desejo de receber o bônus da ditadura por ter eliminado o seu inimigo número um. Fleury não abria mão disso, daí ter conseguido a condição de executor da operação (sem tomar nenhum tiro, enquanto o coordenador acabou ferido). Marighella era um troféu precioso demais e Fleury deu um jeito de ficar com a fama de ter sido o homem que o matou, mesmo não reivindicando a autoria do tiro de misericórdia.&#8221;  (trecho do livro de Emiliano José) https://urutaurpg.com.br/siteluis/filme-marighella-mobiliza-a-esquerda-na-volta-do-cinema/ Ao lado de 7 irmãos, o comunista baiano Marighella foi filho de um anarquista italiano e uma negra do Recôncavo Baiano. Ele lutou contra duas ditaduras, a do Estado Novo e a ditadura militar. Poeta, foi autor também do &#8220;Manual do Guerrilheiro Urbano&#8221;. Marighella, imortal no Tempo, nas vozes de Whitman, Maiakovski, Neruda, Shakespeare e Nietzsche A sobrinha de Marighella, Isa Grinspum Ferraz, dirigiu o documentário Marighella, lançado no ano passado. Veja na íntegra, vale a pena: ‘Marighella’ leva oito estatuetas no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro 2022 A caçada a Lamarca]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;"><b>&#8220;A única coisa que parece não deixar dúvidas é a decisão dos altos escalões militares, àquela altura sob a hegemonia da linha dura, de que Marighella não deveria ser preso, deveria ser executado&#8221;. </b></p>
<p style="text-align: right;"> (trecho do <i>livro Carlos Marighella, o inimigo número um da Ditadura Militar,</i> do jornalista Emiliano José)</p>
<p>Marighella &#8211; No momento em que o regime militar recrudescia, a morte de Marighella (conhecido como &#8216;inimigo número 1 da ditadura militar&#8217;) era crucial para o governo. A posse de Médici em 30 de outubro de 1969 e a decretação do AI-5 quase um ano antes (13 de dezembro de 68) marcavam o início de um dos períodos mais vergonhosos e sangrentos de nossa História.</p>
<p>Em uma emboscada na Alameda Casa Branca, na capital paulista, em <b>4 de novembro de 1969</b>, Carlos Marighella foi assassinado por 29 agentes da ditadura militar. Ele estava desarmado.</p>
<figure id="attachment_7756" aria-describedby="caption-attachment-7756" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-7756" src="http://www.zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2013/11/4-de-novembro-Carlos-Marighella.jpg" alt="" width="800" height="600" /><figcaption id="caption-attachment-7756" class="wp-caption-text">Carlos Marighella</figcaption></figure>
<p>No comando da ação, o líder do chamado esquadrão da morte, o delegado do DOPS Sérgio Paranhos Fleury.</p>
<p style="text-align: center;"> <b>&#8220;Havia o desejo de receber o bônus da ditadura por ter eliminado o seu inimigo número um. Fleury não abria mão disso, daí ter conseguido a condição de executor da operação (sem tomar nenhum tiro, enquanto o coordenador acabou ferido). Marighella era um troféu precioso demais e Fleury deu um jeito de ficar com a fama de ter sido o homem que o matou, mesmo não reivindicando a autoria do tiro de misericórdia.&#8221; </b></p>
<p style="text-align: right;"><b> </b><b>(trecho do livro de Emiliano José)</b></p>
<p>https://urutaurpg.com.br/siteluis/filme-marighella-mobiliza-a-esquerda-na-volta-do-cinema/</p>
<p>Ao lado de 7 irmãos, o comunista baiano Marighella foi filho de um anarquista italiano e uma negra do Recôncavo Baiano. Ele lutou contra duas ditaduras, a do Estado Novo e a ditadura militar. Poeta, foi autor também do &#8220;Manual do Guerrilheiro Urbano&#8221;.</p>
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="KlYsHRA0Vj"><p><a href="https://urutaurpg.com.br/siteluis/marighella-imortal-no-tempo-nas-vozes-de-whitman-maiakovski-neruda-shakespeare-e-nietzsche/" target="_blank" rel="noopener">Marighella, imortal no Tempo, nas vozes de Whitman, Maiakovski, Neruda, Shakespeare e Nietzsche</a></p></blockquote>
<p><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;Marighella, imortal no Tempo, nas vozes de Whitman, Maiakovski, Neruda, Shakespeare e Nietzsche&#8221; &#8212; Zona Curva" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/marighella-imortal-no-tempo-nas-vozes-de-whitman-maiakovski-neruda-shakespeare-e-nietzsche/embed/#?secret=lHlfjdsFpk#?secret=KlYsHRA0Vj" data-secret="KlYsHRA0Vj" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
<p>A sobrinha de Marighella, Isa Grinspum Ferraz, dirigiu o documentário<i> Marighella</i>, lançado no ano passado. Veja na íntegra, vale a pena:</p>
<div class="ast-oembed-container " style="height: 100%;"><iframe title="Marighella Filme Completo HD 2012" width="1200" height="675" src="https://www.youtube.com/embed/7Mw386dVhcY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe></div>
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="c4gFYKD151"><p><a href="https://urutaurpg.com.br/siteluis/marighella-premio-do-cinema-brasileiro/" target="_blank" rel="noopener">‘Marighella’ leva oito estatuetas no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro 2022</a></p></blockquote>
<p><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;‘Marighella’ leva oito estatuetas no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro 2022&#8221; &#8212; Zona Curva" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/marighella-premio-do-cinema-brasileiro/embed/#?secret=Lhbv0oEG6L#?secret=c4gFYKD151" data-secret="c4gFYKD151" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="JVkgMEyPak"><p><a href="https://zonacurva.com.br/a-cacada-a-lamarca/">A caçada a Lamarca</a></p></blockquote>
<p><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;A caçada a Lamarca&#8221; &#8212; Zona Curva" src="https://zonacurva.com.br/a-cacada-a-lamarca/embed/#?secret=5BK6taoSRf#?secret=JVkgMEyPak" data-secret="JVkgMEyPak" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
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