<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Jango &#8211; Zona Curva</title>
	<atom:link href="https://zonacurva.com.br/tag/jango/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://zonacurva.com.br</link>
	<description>cobertura exclusiva do SXSW no Zona Curva</description>
	<lastBuildDate>Fri, 02 Mar 2018 18:45:05 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.8.2</generator>

<image>
	<url>https://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2024/03/cropped-0049378901ce53fb478c8ffd1d62cf40_400x400-32x32.png</url>
	<title>Jango &#8211; Zona Curva</title>
	<link>https://zonacurva.com.br</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
	<item>
		<title>No enterro de Jango, o começo de uma caminhada</title>
		<link>https://zonacurva.com.br/no-enterro-de-jango-o-comeco-de-uma-caminhada/</link>
					<comments>https://zonacurva.com.br/no-enterro-de-jango-o-comeco-de-uma-caminhada/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Elaine Tavares]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 02 Mar 2018 18:45:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[Jango]]></category>
		<category><![CDATA[jango morte]]></category>
		<category><![CDATA[João Goulart]]></category>
		<category><![CDATA[joão goulart biografia]]></category>
		<category><![CDATA[João Vicente Goulart]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://zonacurva.com.br/?p=6135</guid>

					<description><![CDATA[Bem-vindo ao Fatos da Zona, em que adaptamos os textos mais acessados do site do Zonacurva Mídia Livre. Neste vídeo, mergulhamos na vida e na trajetória política do presidente João Goulart, líder progressista que enfrentou desafios e lutou incansavelmente por justiça social no Brasil. Conheça a história desse presidente popular e suas políticas transformadoras que buscavam garantir direitos trabalhistas e combater as desigualdades. &#160; por Elaine Tavares Era o início de dezembro de 1976. Na pequena cidade onde vivíamos não se falava em outra coisa. Jango estava morto. A notícia se espalhou como um rastilho de pólvora, afinal, São Borja era sua terra-mãe. Em casa, o clima era de profunda tristeza. Nossa vida inteira tinha sido marcada pela presença de João Goulart. Meu pai trabalhava para ele na emissora ZYF-2 Fronteira do Sul desde os anos 60, quando Jango já era o dono da rádio. Com essa marca, de ser uma rádio do Jango, a emissora atravessou os anos de chumbo, sempre vigiada e com os censores à porta. Quando veio o golpe e Jango se exilou no Uruguai, ele distribuiu as ações entre os funcionários e a rádio funcionava como uma cooperativa, algo realmente inusitado naqueles dias de ditadura militar. O faturamento era dividido entre eles. O pai tinha o cargo de gerente e, por incrível que possa parecer, a rádio seguiu transmitindo, ainda que vigiada. Quando o governo de Garrastazu Médici já chegava ao final, em 1973, as coisas ficaram mais difíceis. A rádio começou a ter problemas. Os trabalhadores não conseguiam provar que as ações tinham sido passadas pelo Jango, e a fiscalização não deu trégua. O pai chegou a ir até o Uruguai junto com outro diretor da rádio para ver com Jango como regularizar tudo, mas não conseguiram. Finalmente, em 1975, já no governo de Ernesto Geisel, num belo dia, o representante do Dentel (Departamento Nacional de Telecomunicações) na cidade foi até o transmissor e cortou o cabo da antena. A rádio estava fechada, com o transmissor lacrado, sem nenhuma explicação. Era o fim da generosa proposta de uma emissora de rádio cooperativada. Aquilo tudo foi um baque na vida da família. Sem emprego e ainda com a marca de ser um dos caras do Jango, a saída do pai foi montar um pequeno negócio junto com outro diretor da rádio. Uma tabacaria, bem em frente à praça. Não deu certo, mas isso já é outra história. Um ano depois do fechamento da rádio Jango estava morto e hoje é possível fazer as ligações sobre como a ditadura estava no pé do ex-presidente. Por isso não duvido de que tenha sido mesmo assassinado. Naquele triste dezembro de sua morte, surpreendentemente, a família foi autorizada a trazer o corpo para ser enterrado em São Borja, embora houvesse ordens expressas para ser um enterro discreto, sem aglomerações.  Mas, esse foi um “milagre” que a ditadura não conseguiu realizar. A cidade fervia. Todos se preparavam para receber Jango. Ele teria as honras do povo. Lá em casa, preparávamos nossa melhor roupa. Iríamos ver o presidente, chefe do nosso pai, desse o que desse. O exército montou uma operação de guerra para impedir que houvesse qualquer manifestação. Já na ponte entre Libres (Argentina) e Uruguaiana o carro com o caixão foi parado com a ordem expressa de que seguisse até São Borja em alta velocidade, para que as gentes não pudessem saudá-lo. Ainda assim, se soube de centenas de pessoas à beira da estrada, despedindo-se do presidente. O combinado com o chofer era de que seguisse imediatamente para o cemitério. Mas, sabe-se lá como, o carro foi direto para a Igreja Matriz, onde as pessoas já se aglomeravam aos milhares. Nós estávamos lá, eu e meu irmão, agarrados à mão do pai. São Borja nunca vira uma manifestação como aquela. Eram mais de 10 mil pessoas rodeando a igreja. Depois dos ofícios, os milicos ainda tentaram sair com o caixão para levar, de carro, até o cemitério. O povo não deixou. O caixão foi arrancado das mãos dos milicos e levados pelos são-borjenses, em caminhada, até a morada final. Devia ter mais de 30 mil pessoas nas ruas. Eu tinha 15 anos, mas já estava familiarizada com a luta contra a ditadura. Lá em casa, sempre falamos e soubemos de tudo. E politicamente estávamos ligados ao então MDB. Mas, aquele enterro foi uma espécie de batismo na luta aberta, na ação de massa. Porque na clandestinidade já atuava, distribuindo panfletos do MDB, durante as noites, denunciando a ditadura. Só que naquele dia, no meio da multidão, devo ter entendido que quando estamos juntos, os nossos desejos não podem ser detidos. Nada do que o exército planejara aconteceu. Tudo saiu do script, pelas mãos do povo, e Jango atravessou a cidade nos braços dos seus. Aquilo foi bonito demais, e, hoje, recordando cada minuto daquele dia com a ajuda das memórias do meu irmão, percebo que foi também um divisor de águas para mim. Quem conhece a fronteira sabe o quanto um dezembro pode ser calorento. Pois aquele dia foi assim. E durante o dia todo foi uma louca romaria, com os homens em mangas de camisa, suando em bicas, e as mulheres arrumadas para domingo, de salto alto e lágrimas no rosto. Eram quase cinco da tarde quando Jango finalmente desceu à sepultura. O cemitério cheio, gente por cima dos túmulos, todos dispostos a não arredar pé até o último instante de adeus. Eu, meu pai e meu irmão, então com 10 anos, éramos um pingo na multidão. E fizemos todo o trajeto, rendendo as homenagens, como toda a gente. A manifestação, rebelde, popular e massiva, e a quebra de todas as regras impostas pelos milicos ficaram marcadas em mim como um sinal. Era preciso enfrentar o que fosse para que nossa gente enterrasse a ditadura militar. E aquela despedida missioneira, dramática, cadente e sofrida, se fixou nas retinas, para sempre. Dois anos depois, já em Minas, integrei-me visceralmente à luta pela anistia e nunca mais deixei estar]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Bem-vindo ao Fatos da Zona, em que adaptamos os textos mais acessados do site do Zonacurva Mídia Livre.</p>
<p>Neste vídeo, mergulhamos na vida e na trajetória política do presidente João Goulart, líder progressista que enfrentou desafios e lutou incansavelmente por justiça social no Brasil.</p>
<p>Conheça a história desse presidente popular e suas políticas transformadoras que buscavam garantir direitos trabalhistas e combater as desigualdades.</p>
<div class="ast-oembed-container " style="height: 100%;"><iframe title="Jango revelou as entranhas do Brasil - Fatos da Zona Ep. 3" width="1200" height="675" src="https://www.youtube.com/embed/NarUOPO2YWM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;">por Elaine Tavares</p>
<p>Era o início de dezembro de 1976. Na pequena cidade onde vivíamos não se falava em outra coisa. Jango estava morto. A notícia se espalhou como um rastilho de pólvora, afinal, São Borja era sua terra-mãe. Em casa, o clima era de profunda tristeza. Nossa vida inteira tinha sido marcada pela presença de João Goulart. Meu pai trabalhava para ele na emissora ZYF-2 Fronteira do Sul desde os anos 60, quando Jango já era o dono da rádio. Com essa marca, de ser uma rádio do Jango, a emissora atravessou os anos de chumbo, sempre vigiada e com os censores à porta.</p>
<figure id="attachment_6137" aria-describedby="caption-attachment-6137" style="width: 640px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-6137" src="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2018/03/2-de-março-enterro.jango_.jpg" alt="joão goulart" width="640" height="468" /><figcaption id="caption-attachment-6137" class="wp-caption-text">O enterro do presidente João Goulart</figcaption></figure>
<p>Quando veio o golpe e Jango se exilou no Uruguai, ele distribuiu as ações entre os funcionários e a rádio funcionava como uma cooperativa, algo realmente inusitado naqueles dias de ditadura militar. O faturamento era dividido entre eles. O pai tinha o cargo de gerente e, por incrível que possa parecer, a rádio seguiu transmitindo, ainda que vigiada. Quando o governo de Garrastazu Médici já chegava ao final, em 1973, as coisas ficaram mais difíceis. A rádio começou a ter problemas. Os trabalhadores não conseguiam provar que as ações tinham sido passadas pelo Jango, e a fiscalização não deu trégua. O pai chegou a ir até o Uruguai junto com outro diretor da rádio para ver com Jango como regularizar tudo, mas não conseguiram.</p>
<p>Finalmente, em 1975, já no governo de Ernesto Geisel, num belo dia, o representante do Dentel (Departamento Nacional de Telecomunicações) na cidade foi até o transmissor e cortou o cabo da antena. A rádio estava fechada, com o transmissor lacrado, sem nenhuma explicação. Era o fim da generosa proposta de uma emissora de rádio cooperativada. Aquilo tudo foi um baque na vida da família. Sem emprego e ainda com a marca de ser um dos caras do Jango, a saída do pai foi montar um pequeno negócio junto com outro diretor da rádio. Uma tabacaria, bem em frente à praça. Não deu certo, mas isso já é outra história.</p>
<p>Um ano depois do fechamento da rádio Jango estava morto e hoje é possível fazer as ligações sobre como a ditadura estava no pé do ex-presidente. Por isso não duvido de que tenha sido mesmo assassinado.</p>
<p>Naquele triste dezembro de sua morte, surpreendentemente, a família foi autorizada a trazer o corpo para ser enterrado em São Borja, embora houvesse ordens expressas para ser um enterro discreto, sem aglomerações.  Mas, esse foi um “milagre” que a ditadura não conseguiu realizar. A cidade fervia. Todos se preparavam para receber Jango. Ele teria as honras do povo. Lá em casa, preparávamos nossa melhor roupa. Iríamos ver o presidente, chefe do nosso pai, desse o que desse. O exército montou uma operação de guerra para impedir que houvesse qualquer manifestação. Já na ponte entre Libres (Argentina) e Uruguaiana o carro com o caixão foi parado com a ordem expressa de que seguisse até São Borja em alta velocidade, para que as gentes não pudessem saudá-lo. Ainda assim, se soube de centenas de pessoas à beira da estrada, despedindo-se do presidente.</p>
<p><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-6139" src="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2018/03/2-de-março-enterro.jango2_.jpg" alt="joão goulart morte" width="640" height="381" /><br />
O combinado com o chofer era de que seguisse imediatamente para o cemitério. Mas, sabe-se lá como, o carro foi direto para a Igreja Matriz, onde as pessoas já se aglomeravam aos milhares. Nós estávamos lá, eu e meu irmão, agarrados à mão do pai. São Borja nunca vira uma manifestação como aquela. Eram mais de 10 mil pessoas rodeando a igreja. Depois dos ofícios, os milicos ainda tentaram sair com o caixão para levar, de carro, até o cemitério. O povo não deixou. O caixão foi arrancado das mãos dos milicos e levados pelos são-borjenses, em caminhada, até a morada final. Devia ter mais de 30 mil pessoas nas ruas.</p>
<p>Eu tinha 15 anos, mas já estava familiarizada com a luta contra a ditadura. Lá em casa, sempre falamos e soubemos de tudo. E politicamente estávamos ligados ao então MDB. Mas, aquele enterro foi uma espécie de batismo na luta aberta, na ação de massa. Porque na clandestinidade já atuava, distribuindo panfletos do MDB, durante as noites, denunciando a ditadura. Só que naquele dia, no meio da multidão, devo ter entendido que quando estamos juntos, os nossos desejos não podem ser detidos. Nada do que o exército planejara aconteceu. Tudo saiu do script, pelas mãos do povo, e Jango atravessou a cidade nos braços dos seus. Aquilo foi bonito demais, e, hoje, recordando cada minuto daquele dia com a ajuda das memórias do meu irmão, percebo que foi também um divisor de águas para mim.</p>
<p>Quem conhece a fronteira sabe o quanto um dezembro pode ser calorento. Pois aquele dia foi assim. E durante o dia todo foi uma louca romaria, com os homens em mangas de camisa, suando em bicas, e as mulheres arrumadas para domingo, de salto alto e lágrimas no rosto. Eram quase cinco da tarde quando Jango finalmente desceu à sepultura. O cemitério cheio, gente por cima dos túmulos, todos dispostos a não arredar pé até o último instante de adeus.</p>
<p>Eu, meu pai e meu irmão, então com 10 anos, éramos um pingo na multidão. E fizemos todo o trajeto, rendendo as homenagens, como toda a gente. A manifestação, rebelde, popular e massiva, e a quebra de todas as regras impostas pelos milicos ficaram marcadas em mim como um sinal. Era preciso enfrentar o que fosse para que nossa gente enterrasse a ditadura militar. E aquela despedida missioneira, dramática, cadente e sofrida, se fixou nas retinas, para sempre. Dois anos depois, já em Minas, integrei-me visceralmente à luta pela anistia e nunca mais deixei estar no movimento popular.</p>
<p>De todas as formas, a vida e o governo de João Goulart, o Jango, bem como sua morte, marcaram minha/nossa vida para sempre. E eu o tenho guardado dentro do coração.</p>
<p><a href="http://eteia.blogspot.com.br/2018/03/no-enterro-do-jango-o-comeco-de-uma.html" target="_blank" rel="noopener"><strong>Publicado originalmente no Blog Palavras Insurgentes.</strong></a></p>
<p>https://urutaurpg.com.br/siteluis/jango-no-comicio-que-mudou-o-destino-do-pais/</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://zonacurva.com.br/no-enterro-de-jango-o-comeco-de-uma-caminhada/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>4</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>A ideologia trabalhista em prol do desenvolvimento nacional</title>
		<link>https://zonacurva.com.br/a-ideologia-trabalhista-em-prol-do-desenvolvimento-nacional/</link>
					<comments>https://zonacurva.com.br/a-ideologia-trabalhista-em-prol-do-desenvolvimento-nacional/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Cassio Moreira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 11 Sep 2015 18:54:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política análise]]></category>
		<category><![CDATA[alberto Pasqualini]]></category>
		<category><![CDATA[ciro gomes]]></category>
		<category><![CDATA[ciro gomes pdt]]></category>
		<category><![CDATA[Jango]]></category>
		<category><![CDATA[jango trabalhismo]]></category>
		<category><![CDATA[João Goulart]]></category>
		<category><![CDATA[joão goulart reformas de base]]></category>
		<category><![CDATA[Moniz bandeira]]></category>
		<category><![CDATA[neotrabalhismo]]></category>
		<category><![CDATA[trabalhismo]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://zonacurva.com.br/?p=3618</guid>

					<description><![CDATA[por Cássio Moreira Partindo da visão de Moniz Bandeira que o trabalhismo é a versão brasileira da social-democracia europeia, escrevi em artigos anteriores que o PT, a partir de 2006-2007, começou a se tornar um partido trabalhista (social-democrata). O PT surgiu fruto da organização sindical de operários no final da década de 1970, dentro do vácuo político criado pela repressão do regime militar aos partidos comunistas tradicionais e aos grupos armados de esquerda existentes. Desde a sua fundação, apresenta-se como um partido de esquerda que defende o socialismo como forma de organização social. Contudo, seu principal líder nunca defendeu abertamente esse pensamento. Durante boa parte da sua existência, sempre teve uma postura crítica ao reformismo dos partidos políticos social-democratas (trabalhistas). Sempre houve uma certa rivalidade entre os dois, entretanto muito é verdade por falta de compreensão histórica do antigo PT. Considero um erro histórico o PT e Lula não terem apoiado Brizola à presidência da república em 1989. Embora, após a redemocratização, foi o partido herdeiro das massas do velho PTB, foi apenas a partir do final do primeiro mandato do governo Lula que passou a tornar-se um partido social-democrata. De um primeiro governo (2003-2006) social-liberal passou a ganhar contornos de partido social-democrata (trabalhista) no segundo mandato de Lula (2007-2010). O Brasil mudou muito nesses últimos 15 anos. Pela primeira vez conseguimos manter um período de crescimento com distribuição de renda. As políticas de inclusão social foram os grandes méritos desses governos. Entretanto, muitas questões ainda estão na pauta do dia. Como reformas estruturais e a desindustrialização do país. Se é verdade que o saldo dos governos do PT são mais do que positivos, o saldo negativo é um profundo desgaste político, com a ausência injustificada de melhores comunicações sociais que alimentam a crise econômica atual. Natural para um partido que há tanto tempo está no poder e que é atacado de forma articulada e sistêmica pelos meios de comunicação, cujo objetivo principal é desconstruir um partido para barrar um projeto nacional de desenvolvimento. O desafio posto é como manter e aprofundar um projeto trabalhista num contexto político cada vez mais conservador. A questão chave é continuar o projeto, e aprofundá-lo, trocando o partido que o encabeçará? Além da possível candidatura de Lula do PT para 2018, surge uma nova esperança nas forças progressistas: o casamento perfeito entre Ciro Gomes e PDT. O primeiro pode ter trocado de partido várias vezes, mas nunca trocou de lado. O segundo é o herdeiro teórico do trabalhismo autêntico e um partido orgânico e, conjuntamente com seu irmão, o PT, com a construção teórica de esquerda. A união da esquerda progressista em prol de um projeto nacional de desenvolvimento O PT vive, assim como os demais partidos, um problema de renovação de quadros. O fato de ser governo traz ao partido uma tendência de ir perdendo espaço no campo eleitoral. Seria muito bom, inclusive para o próprio PT, que surgissem forças políticas consistentes à sua esquerda. Infelizmente, as alternativas existentes ainda não conseguiram superar o pragmatismo, a falta de um projeto consistente e viável à esquerda (baseado na doutrina trabalhista, pois esse é o único projeto viável de esquerda dentro do espectro capitalista) e a obsessão em eleger o PT como principal adversário. O PDT pode e deve ser essa alternativa. Mas pra isso não deve ser uma alternativa ao PT ou antipetista, e sim uma alternativa de esquerda e não ao PT. Deve crescer cada vez mais ao lado do PT e, aos poucos e de forma natural, ser a continuação (e o aprofundar) desse projeto trabalhista em curso (inclusive com o apoio do próprio PT). Esse projeto trabalhista atual tem como núcleo o fortalecimento do Estado, da distribuição de renda. O PDT é um partido que pode, finalmente, construir condições para avançar para as sempre atuais Reformas de Base.  Leia texto do autor deste texto no jornal Correio do Povo sobre Jango e as Reformas de Base. Em síntese, o projeto trabalhista iniciou com Vargas, depois houve uma tentativa de aprofundamento com Goulart do PTB antigo, e estava sendo resgatado com Lula-Dilma do PT até a crise política de 2015. Mas deve ser continuado com Ciro Gomes e o PDT. Conforme palavras da presidenta Dilma na campanha em 2010: ”Nós podemos dizer hoje que somos a continuidade desse processo” (referindo-se a história do trabalhismo) e cita que o objetivo do seu governo é mesmo do governo do ex-presidente João Goulart: “promover progresso com Justiça, desenvolvimento com distribuição de renda”. Em outro discurso na campanha de 2014 faz questão de citar conquistas sociais e econômicas promovidas pelos governos dos presidentes Getúlio Vargas e João Goulart – como a criação da Petrobras, da Vale do Rio Doce e do BNDES e, também, a permanente luta de Brizola e Darcy Ribeiro pela educação pública de qualidade. Dilma salienta a importância e o legado de Getúlio Vargas. &#8220;Sem ele não teríamos o Estado nacional e a sua estrutura que temos hoje&#8221;. Sobre João Goulart, classificou-o como &#8220;um democrata que construía consensos&#8221; e que colocou no centro dos debates pautas que até hoje são exigidas pela população. Para definir Darcy Ribeiro, Dilma afirmou que foi &#8220;o homem capaz de pensar a Universidade de Brasília, como ela é hoje, e de também projetar os Cieps (Centros Integrados de Educação Pública)&#8221;. Por fim, emocionada, referiu-se a Leonel Brizola como o político da legalidade e que &#8220;deu início a política de expansão da educação&#8221;. Continua, citando que uma das maiores contribuições do PT a esse projeto é a diminuição das desigualdades sociais alcançada nos últimos anos. Segundo ela, houve um aumento expressivo do salário mínimo real. &#8220;Enquanto a renda per capita cresceu para os mais pobres, daqueles que saíram da miséria e ascenderam socialmente. Por isso, conseguimos diminuir as desigualdades sociais (que é um problema histórico) nos últimos anos&#8221;, enfatizou. Nesse mesmo discurso a presidenta associou a antiga União Democrática Nacional (UDN) (que fazia oposição aos governos de Getúlio e de Jango) com os principais oposicionistas ao governo do PT que]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;">por Cássio Moreira</p>
<p>Partindo da visão de Moniz Bandeira que o trabalhismo é a versão brasileira da social-democracia europeia, escrevi em artigos anteriores que o PT, a partir de 2006-2007, começou a se tornar um partido trabalhista (social-democrata).</p>
<p>O PT surgiu fruto da organização sindical de operários no final da década de 1970, dentro do vácuo político criado pela repressão do regime militar aos partidos comunistas tradicionais e aos grupos armados de esquerda existentes. Desde a sua fundação, apresenta-se como um partido de esquerda que defende o socialismo como forma de organização social. Contudo, seu principal líder nunca defendeu abertamente esse pensamento. Durante boa parte da sua existência, sempre teve uma postura crítica ao reformismo dos partidos políticos social-democratas (trabalhistas).</p>
<p>Sempre houve uma certa rivalidade entre os dois, entretanto muito é verdade por falta de compreensão histórica do antigo PT. Considero um erro histórico o PT e Lula não terem apoiado Brizola à presidência da república em 1989.</p>
<p>Embora, após a redemocratização, foi o partido herdeiro das massas do velho PTB, foi apenas a partir do final do primeiro mandato do governo Lula que passou a tornar-se um partido social-democrata. De um primeiro governo (2003-2006) social-liberal passou a ganhar contornos de partido social-democrata (trabalhista) no segundo mandato de Lula (2007-2010).</p>
<figure id="attachment_3621" aria-describedby="caption-attachment-3621" style="width: 500px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2015/09/11-de-setembro-lula-e-brizola-1989-foto-1.jpg"><img decoding="async" class="size-full wp-image-3621" src="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2015/09/11-de-setembro-lula-e-brizola-1989-foto-1.jpg" alt="brizola e lula 1989 " width="500" height="316" /></a><figcaption id="caption-attachment-3621" class="wp-caption-text">Brizola e Lula na eleição de 1989</figcaption></figure>
<p>O Brasil mudou muito nesses últimos 15 anos. Pela primeira vez conseguimos manter um período de crescimento com distribuição de renda. As políticas de inclusão social foram os grandes méritos desses governos. Entretanto, muitas questões ainda estão na pauta do dia. Como reformas estruturais e a desindustrialização do país.</p>
<p>Se é verdade que o saldo dos governos do PT são mais do que positivos, o saldo negativo é um profundo desgaste político, com a ausência injustificada de melhores comunicações sociais que alimentam a crise econômica atual. Natural para um partido que há tanto tempo está no poder e que é atacado de forma articulada e sistêmica pelos meios de comunicação, cujo objetivo principal é desconstruir um partido para barrar um projeto nacional de desenvolvimento.</p>
<p>O desafio posto é como manter e aprofundar um projeto trabalhista num contexto político cada vez mais conservador. A questão chave é continuar o projeto, e aprofundá-lo, trocando o partido que o encabeçará?</p>
<p>Além da possível candidatura de Lula do PT para 2018, surge uma nova esperança nas forças progressistas: o casamento perfeito entre Ciro Gomes e PDT. O primeiro pode ter trocado de partido várias vezes, mas nunca trocou de lado. O segundo é o herdeiro teórico do trabalhismo autêntico e um partido orgânico e, conjuntamente com seu irmão, o PT, com a construção teórica de esquerda.</p>
<figure id="attachment_3624" aria-describedby="caption-attachment-3624" style="width: 1000px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2015/09/11-de-setembro-ciro-gomes-foto-2.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-3624" src="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2015/09/11-de-setembro-ciro-gomes-foto-2.jpg" alt="ciro gomes pdt" width="1000" height="562" /></a><figcaption id="caption-attachment-3624" class="wp-caption-text">Ciro Gomes acaba de se filiar ao PDT</figcaption></figure>
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="539p14373Y"><p><a href="https://zonacurva.com.br/uniao-da-esquerda-progressista-em-prol-de-um-projeto-nacional-de-desenvolvimento/">A união da esquerda progressista em prol de um projeto nacional de desenvolvimento</a></p></blockquote>
<p><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;A união da esquerda progressista em prol de um projeto nacional de desenvolvimento&#8221; &#8212; Zona Curva" src="https://zonacurva.com.br/uniao-da-esquerda-progressista-em-prol-de-um-projeto-nacional-de-desenvolvimento/embed/#?secret=Qjo2dEJuLI#?secret=539p14373Y" data-secret="539p14373Y" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
<p>O PT vive, assim como os demais partidos, um problema de renovação de quadros. O fato de ser governo traz ao partido uma tendência de ir perdendo espaço no campo eleitoral. Seria muito bom, inclusive para o próprio PT, que surgissem forças políticas consistentes à sua esquerda. Infelizmente, as alternativas existentes ainda não conseguiram superar o pragmatismo, a falta de um projeto consistente e viável à esquerda (baseado na doutrina trabalhista, pois esse é o único projeto viável de esquerda dentro do espectro capitalista) e a obsessão em eleger o PT como principal adversário.</p>
<p>O PDT pode e deve ser essa alternativa. Mas pra isso não deve ser uma alternativa ao PT ou antipetista, e sim uma alternativa de esquerda e não ao PT. Deve crescer cada vez mais ao lado do PT e, aos poucos e de forma natural, ser a continuação (e o aprofundar) desse projeto trabalhista em curso (inclusive com o apoio do próprio PT).</p>
<p>Esse projeto trabalhista atual tem como núcleo o fortalecimento do Estado, da distribuição de renda. O PDT é um partido que pode, finalmente, construir condições para avançar para as sempre atuais Reformas de Base.</p>
<p style="text-align: right;"> <strong>Leia texto do autor deste texto no jornal Correio do Povo sobre Jango e as Reformas de Base.</strong></p>
<p>Em síntese, o projeto trabalhista iniciou com Vargas, depois houve uma tentativa de aprofundamento com Goulart do PTB antigo, e estava sendo resgatado com Lula-Dilma do PT até a crise política de 2015. Mas deve ser continuado com Ciro Gomes e o PDT.</p>
<p>Conforme palavras da presidenta Dilma na campanha em 2010: ”Nós podemos dizer hoje que somos a continuidade desse processo” (referindo-se a história do trabalhismo) e cita que o objetivo do seu governo é mesmo do governo do ex-presidente João Goulart: “promover progresso com Justiça, desenvolvimento com distribuição de renda”.</p>
<p>Em outro discurso na campanha de 2014 faz questão de citar conquistas sociais e econômicas promovidas pelos governos dos presidentes Getúlio Vargas e João Goulart – como a criação da Petrobras, da Vale do Rio Doce e do BNDES e, também, a permanente luta de Brizola e Darcy Ribeiro pela educação pública de qualidade. Dilma salienta a importância e o legado de Getúlio Vargas. &#8220;Sem ele não teríamos o Estado nacional e a sua estrutura que temos hoje&#8221;. Sobre João Goulart, classificou-o como &#8220;um democrata que construía consensos&#8221; e que colocou no centro dos debates pautas que até hoje são exigidas pela população. Para definir Darcy Ribeiro, Dilma afirmou que foi &#8220;o homem capaz de pensar a Universidade de Brasília, como ela é hoje, e de também projetar os Cieps (Centros Integrados de Educação Pública)&#8221;. Por fim, emocionada, referiu-se a Leonel Brizola como o político da legalidade e que &#8220;deu início a política de expansão da educação&#8221;.</p>
<p>Continua, citando que uma das maiores contribuições do PT a esse projeto é a diminuição das desigualdades sociais alcançada nos últimos anos. Segundo ela, houve um aumento expressivo do salário mínimo real. &#8220;Enquanto a renda per capita cresceu para os mais pobres, daqueles que saíram da miséria e ascenderam socialmente. Por isso, conseguimos diminuir as desigualdades sociais (que é um problema histórico) nos últimos anos&#8221;, enfatizou. Nesse mesmo discurso a presidenta associou a antiga União Democrática Nacional (UDN) (que fazia oposição aos governos de Getúlio e de Jango) com os principais oposicionistas ao governo do PT que são o PSDB e o DEM e faz outro elo com o trabalhismo de Vargas e Goulart. Afirmou que o trabalhismo conhece todas as artimanhas e o golpismo dos nossos adversários. Da UDN, no passado, aos opositores atuais&#8221;, declarou Dilma. No segundo mandato, essa visão é reforçada desde o início com a escolha do lema do novo governo “Brasil, Pátria Educadora”, sendo que Dilma afirmou, em discurso de posse, que essa frase sintetiza a educação como prioridade de seu governo.</p>
<figure id="attachment_3625" aria-describedby="caption-attachment-3625" style="width: 828px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2015/09/1961-–-João-Goulart-com-Lincoln-Gordon-Embaixador-dos-E.U.A.-ao-centro.-arquivo-última-hora.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-3625" src="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2015/09/1961-–-João-Goulart-com-Lincoln-Gordon-Embaixador-dos-E.U.A.-ao-centro.-arquivo-última-hora.jpg" alt="jango lincoln gordon" width="828" height="554" /></a><figcaption id="caption-attachment-3625" class="wp-caption-text">João Goulart (à direita) com Lincoln Gordon, embaixador dos Estados Unidos, em 1961 (fonte: Arquivo do jornal Última Hora)</figcaption></figure>
<p>Dilma faz parte de uma corrente (não-oficial) trabalhista dentro do PT. Entretanto, pela proximidade dela com Lula, e pela influência deste dentro do partido, faz com que o trabalhismo tenha sido revisto. Não mais como populismo, mas sim como a alternativa viável de esquerda para o Brasil. Lira Neto afirma que o PT “encarna” a herança do projeto nacional-desenvolvimentista de Getúlio Vargas. “Lula, queiramos ou não, é junto com Getúlio a personalidade mais popular de toda história brasileira”. Segundo o autor da mais recente biografia do ex-presidente gaúcho, o governo do PT tem ideias semelhantes às de Getúlio ao defender um Estado interventor.</p>
<p>Afirmou Lula no dia 30 de agosto de 2007 durante uma reunião ministerial: “estou convencido de que as realizações sociais e econômicas e de projeto de país só terão comparação com o governo do presidente Getúlio Vargas”. Em outro discurso no sindicato dos trabalhadores de Processamento de Dados de São Paulo em 2010, Lula afirmou que: “muitas das coisas boas que temos (devemos) à coragem de Getúlio Vargas, à visão de Estado que tinha Getúlio Vargas. Estamos convencidos de que Getúlio prestou esse serviço ao Brasil. Lamentavelmente, uma parte da elite brasileira, inclusive uma parte da elite intelectual, (vive) inconformada porque não conseguiu ganhar o golpe de 32 que chamam de revolução. Aquilo foi uma tentativa de golpe. Não se conformam. É muito triste aqui em São Paulo a gente não encontrar uma rua com o nome de Getúlio Vargas”. E mais adiante completou: “Eu tenho divergências com Vargas na questão da estrutura sindical (…) mas eu sou capaz de ter divergências com um companheiro e não ver só defeito, ver as virtudes que a pessoa tem. Eu acho que Getúlio foi um excepcional presidente deste país”.</p>
<p>A convocatória para o 5º Congresso do PT teve o seguinte texto: “a história do século XX e dos primeiros anos deste século mostra como as classes dominantes e seus aparelhos reagem contra governos que vão na contramão de seus interesses particulares. A partir de 2003, de forma intermitente, tratou-se de anular os notórios êxitos do Governo, com campanhas que procuravam ou desconstruir as realizações do Governo Lula ou tachá-lo de ‘incapaz’ e ‘corrupto’. Sabe-se que denúncias sobre corrupção sempre foram utilizadas pelos conservadores no Brasil para desestabilizar governos populares, como os casos de Vargas e Goulart”.</p>
<p>Getúlio Vargas, João Goulart, de certo modo JK, Lula e Dilma, todos têm como adversário comum o liberalismo. Ciro Gomes e PDT também. Entretanto, o grande cuidado que o PDT deve ter, e o risco ainda não tem mensuração, é de que as forças conservadoras de direita dentro do PDT (existem centro de esquerda &#8211; cada vez menores &#8211; dentro do PMDB e PSB)  desconfigurem o partido de forma a enfraquecer o acúmulo de forças necessário para aprofundar o projeto trabalhista (que está paralisado com a crise política, cujo governo está refém do PMDB). Um exemplo desse núcleo de direita dentro do PDT é a aliança com o PMDB de Sartori no Rio Grande do Sul.</p>
<p>O antídoto é a construção, no campo das esquerdas, de um projeto eleitoral sólido e trabalhista para afastar-se do proselitismo eleitoral e do cretinismo parlamentar tão comum aos partidos. Para isso a formação ideológica passa a ter caráter fundamental, e deve ser feito em conjunto com os institutos dos partidos. Devemos todos ler <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Alberto_Pasqualini" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><strong>Alberto Pasqualini</strong> </a>, que está cada vez mais atual nos dias de hoje.</p>
<p>O trabalhismo, enquanto ideologia política, está fortemente ameaçado pela onda conservadora propagada pelos meios de comunicação, que nesse primeiro momento centram forças contra Lula, Dilma e o PT. Mas caso o PDT e Ciro atinjam um protagonismo nacional, as baterias serão centradas contra eles. Pois o inimigo real das forças neoliberais é o pensamento trabalhista. Portanto, a questão a ser debatida é a manutenção, e o aprofundamento, desse projeto ao longo prazo. O Trabalhismo é a única alternativa viável de esquerda dentro do capitalismo.</p>
<p>O Golpe de 1964, em sua vigência, teve como objetivo varrer o pensamento e os líderes trabalhistas. Embora, em virtude do contexto internacional, o pretexto foi o combate ao comunismo. Por isso, cada vez mais estratégico e necessário a aproximação entre PDT, PT e PCdoB em diversos Estados e Municípios no Brasil em 2016.</p>
<p>O que presenciamos hoje é a desconstrução de uma imagem de forma tão hábil e sistêmica como é a que se tem feita contra a presidenta Dilma Rousseff. Os meios de comunicação têm construído essa imagem de incompetência e corrupção quando na verdade temos uma presidenta das mais corretas das últimas décadas.</p>
<p>Faz 8 trimestres que a taxa de investimento cai no país. Por &#8220;coincidência&#8221; desde as manifestações de junho de 2013.</p>
<p><a href="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2015/09/11-de-setembro-gráfico-investimentos-brasil-foto-4.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-3626" src="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2015/09/11-de-setembro-gráfico-investimentos-brasil-foto-4.png" alt="11 de setembro gráfico investimentos brasil foto 4" width="836" height="581" /></a></p>
<p>Como todos sabem, um das variáveis fundamentais para a expansão do investimento são as expectativas. O terrorismo midiático começou desde que o governo Dilma iniciou a baixa da taxa de juros, por meio do que restou dos bancos públicos, e o PT defendeu em seu congresso a regulamentação da mídia (no início do primeiro governo Dilma).</p>
<p><a href="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2015/09/11de-setembro-gráfico-2-foto-5.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-3628" src="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2015/09/11de-setembro-gráfico-2-foto-5.png" alt="11de setembro gráfico 2 foto 5" width="563" height="315" /></a></p>
<p>Essa “campanha orquestrada” pela grande mídia fez com que as expectativas passassem a ser pessimistas, agravado nesse contexto de crise internacional. Depois veio as eleições completamente polarizadas e assim o Brasil entrou num ciclo vicioso até hoje. A estratégia de ridicularizar a presidenta para colocar nela o atestado de incompetente, em conjunto com a manipulação da mídia atrelando exclusivamente o PT a corrupção, enfraqueceu politicamente o governo trabalhista e barrou o projeto social-desenvolvimentista . A presidenta seria reeleita em primeiro turno em maio de 2013, após a canalização das manifestações de junho desse ano ela quase não se reelegeu e está com uma popularidade baixíssima.</p>
<p><a href="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2015/09/11-de-setembro-gráfico-3-avaliação-dilma-foto-6.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-3629" src="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2015/09/11-de-setembro-gráfico-3-avaliação-dilma-foto-6.jpg" alt="11 de setembro gráfico 3 avaliação dilma foto 6" width="699" height="420" /></a></p>
<p>A única forma de convencer as pessoas, especialmente a imensa massa de trabalhadores, a derrotar um projeto que as beneficia é o ridicularizando-o. Em 2014 dois projetos nitidamente antagônicos marcaram as eleições de outubro. De um lado, o projeto social-democrata (trabalhista), encabeçado pelo PT, focado no crescimento econômico com distribuição de renda por meio de programas de transferência de renda e numa significativa melhora no salário mínimo. De outro lado, o projeto neoliberal, que usa o argumento da meritocracia (sem igualdade de oportunidades) para fortalecer uma ideologia liberal de livre mercado sem intervenção do estado. Felizmente, o projeto escolhido foi o que tem diminuído consideravelmente o maior de todos os problemas brasileiros que é a nossa IMENSA desigualdade socioeconômica. Entretanto, o país mostra sua face despolitizada nas redes sociais, que juntamente com o cartel da mídia, ajuda a alimentar a desinformação e a ignorância. Embora o projeto neoliberal saiu derrotado das urnas, ele está cada vez mais fortalecido. Um projeto que vê na força do livre-mercado a solução egoísta para problemas que requerem cada vez mais solidariedade.</p>
<p>Para esse ideário neoliberal cooptar o voto da maioria dos cidadãos-contribuintes-eleitores, em sua grande maioria formada por trabalhadores, seria necessário desconstruir o outro projeto e impedir de qualquer forma que esse elegesse o presidente da república e uma maioria no congresso progressista, isso seria muito perigoso (assim como foi em 1964 com o presidente João Goulart) para a classe dominante do país. O primeiro a ser convencido é a classe que mais é influenciada pelos meios de comunicação: a Classe Média, principalmente a emergente, que foram cooptadas pelo discurso da meritocracia e não pelas condições que esses governos criaram para que essas pessoas ascendessem de classe. O neoliberalismo anda junto, enquanto discurso, com uma espécie de Darwinismo social. O egoísmo crescente da sociedade estimula o discurso de que os mais fortes sobrevivem e a solidariedade e a responsabilidade coletiva perde força frente a um individualismo exacerbado.</p>
<p>Conforme o engenheiro Paulo Metri, nos “últimos tempos, têm pessoas, principalmente da classe média, que odeiam com toda alma o PT. Não conseguem pensar com isenção sobre qualquer questão em que este partido esteja envolvido. Reagem emocionalmente, inclusive sem a possibilidade de existir um diálogo construtivo com elas. Não ouvem argumento algum se ele ressaltar um aspecto positivo do PT. Esta reação emocional é, em grande parte, de responsabilidade da mídia tradicional, que é parte integrante do capital. Os transbordantes de ódio nem entendem que são manipulados”. A pergunta que fica é: como convencer as pessoas, em grande maioria as menos privilegiadas materialmente, a escolherem o projeto neoliberal (que as prejudica) em detrimento do trabalhista que as beneficia?</p>
<p>A resposta é simples: por meio da repulsa a um projeto e não pela aceitação de outro.</p>
<p style="text-align: right;"><strong> </strong><a href="http://www.zonacurva.com.br/comunicado-urgente-a-classe-media-nao-ha-vagas-na-fiesp/"><strong>Leia texto “Comunicado urgente à classe média: não há vagas na Fiesp”</strong></a></p>
<p>Parafraseando o célebre artigo de Carlos Lacerda contra o governo nacionalista de Getúlio Vargas e que é o lema da oposição: “A Sra. Dilma Rousseff, presidenta, não deve ser candidata à presidência. Candidata, não deve ser eleita. Eleita não deve tomar posse. Empossada, devemos recorrer a um impeachment (ou um golpe) para impedi-la de governar”.</p>
<p>A marca que entrará para a história dos últimos presidentes do Brasil será essa:</p>
<ul>
<li>Itamar Franco o da estabilidade monetária;</li>
<li>Fernando Henrique Cardoso o criador da Lei de Responsabilidade Fiscal;</li>
<li>Lula o da inclusão social;</li>
<li>Dilma Rousseff o do combate à corrupção.</li>
</ul>
<p>Corrupção essa que é usada desde antigamente para atacar governos trabalhistas. A passagem abaixo ajuda a ilustrar isso:</p>
<p>“Somos um povo honrado governado por ladrões” (TRIBUNA DA IMPRENSA, 1954)</p>
<p>“Baderna é a tática da oposição: guerra de rua para impeachmnt de Jango” (ÚLTIMA HORA, 1964).</p>
<p>“Considerado desastroso para o país um 13º salário” (O GLOBO, 1962).</p>
<p>“Aventureiros e malfeitores acompanhavam o chefe do governo (Getúlio Vargas)” (O GLOBO, 1962).</p>
<p>“A corrupção gerou a revolta” (O GLOBO, 1962).</p>
<p>“Um sindicato de assassinos e ladrões tomou conta do poder”  (O GLOBO, 1962).</p>
<p>Quase todos os jornais da época acusavam os governos trabalhistas de Getúlio Vargas e João Goulart de corrupção. Tanto que na eleição de 1961 o candidato de oposição Jânio Quadros adotou, como símbolo, uma vassoura.</p>
<p>Com a renúncia de Jânio Quadros, presidente que se elegera em 1961 prometendo varrer a corrupção do país (a corrupção não foi inventada pelo PT como parte da mídia insiste em repetir), João Goulart chegou à presidência. Para permitir que Jango assumisse a presidência, os conservadores modificaram o sistema político do país em tempo recorde. Após um período parlamentarista, Goulart retomou os poderes de presidente e partiu para as chamadas Reformas de Base.</p>
<figure id="attachment_3630" aria-describedby="caption-attachment-3630" style="width: 828px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2015/09/11-de-setembro-1961-–-Jango-no-dia-de-sua-posse-para-Presidente-da-República-em-Brasília-foto-7.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-3630" src="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2015/09/11-de-setembro-1961-–-Jango-no-dia-de-sua-posse-para-Presidente-da-República-em-Brasília-foto-7.jpg" alt="11 de setembro 1961 – Jango no dia de sua posse para Presidente da República, em Brasília foto 7" width="828" height="639" /></a><figcaption id="caption-attachment-3630" class="wp-caption-text">Jango no dia de sua posse para Presidente da República, em Brasília, em 1961 (fonte: arquivo do Última Hora)</figcaption></figure>
<p>Desde a época de João Goulart e suas Reformas de Base, que a reforma política era a base de todas as reformas. Nessa época, San Tiago Dantas, que assumiu o ministério da Fazenda do governo de Goulart em 1963, pregava que existiam duas esquerdas: a positiva e a negativa. A positiva estava embasada no processo histórico, no apoio às reformas de forma lenta e gradual. Compreendia os limites de um governo progressista tendo como contraponto um congresso conservador. Por outro lado, a esquerda negativa tinha pressa. Ansiava por revolução e suas propostas eram envoltas, por vezes, de uma simplicidade e ingenuidade típica dos idealistas. Muitas vezes o projeto era “o ser contra algo”, não necessariamente “o propor algo”. Havia partidos bem definidos nesses campos, e o “ser de esquerda” tinha dois significados. Ser comunista ou ser trabalhista (apelidados de pelegos). A diferença é que o primeiro pregava a revolução, a ruptura com o sistema; o segundo pregava as reformas no sistema capitalista. Em muitos casos, se uniam de modo temporário em prol de seus objetivos distintos.</p>
<p>Na época do golpe, conforme pesquisa do IBOPE, Jango contava com um bom índice de aprovação do seu governo. Entretanto, era acusado, principalmente por grande parte da grande mídia, de ser um presidente fraco, indeciso e de realizar um governo caótico e prestes a ser dominado pelos comunistas.</p>
<p>Entretanto, como a história é contada pelos vencedores, faltou dizer que o PTB antigo (em nada se parece com o atual) era o partido que mais crescia nas eleições e em breve teria maioria no congresso. E que João Goulart tinha um projeto consistente para o Brasil. A retomada do processo de substituição de importações em bens de capital e as Reformas de Base. Uma parte do projeto de nação do governo Goulart foi implementada pelo governo Geisel e seu II PND.</p>
<p>Na década de 1960, a doutrina trabalhista ganhava as mesas de bares e o Brasil começava a ter seus ídolos (assim como outras potências como EUA e URSS com seus Washington, Lincoln, Roosevelt, Lênin, Trotski, Stalin). Nós tínhamos o Dr. Getúlio Vargas e seus discípulos Jango e Brizola, Miguel Arraes, entre outros. Esses eram alguns dos executores de um projeto que ameaçava os interesses estrangeiros e de grande parte dos detentores do capital nacional.</p>
<p>O governo Jango tinha uma sustentação política muito frágil. PTB (antigo) aliado a um PSD (não tão antigo assim). O primeiro, de base operaria, abrigava os chamados pelegos, apelido dado pelos mais radicais, e tinha forte apoio dos movimentos sindicais. O segundo, com base no latifúndio e na maquina estatal. Com as Reformas de Base, principalmente a agrária, essa aliança é rompida e o PSD corre para os braços do PSDB-DEM, digo, UDN. É interessante observar que nomes ilustres de centro-esquerda apoiaram o golpe, tais como Ulysses Guimarães e JK.</p>
<p>Eles tinham a certeza de que o regime que se instalaria após o golpe de 1964 seria breve e que logo em 1965 seriam marcadas novas eleições. Ledo engano. O golpe não era contra o governo “caótico” de Jango, tampouco contra a ameaça comunista, embora a maioria dos executores do golpe achasse que sim. O golpe, já tentado em 1954, 1955 e 1961, foi contra um projeto de país consubstanciado dentro do programa de um partido político, o PTB (antigo), e das Reformas de Base, ou seja, contra o Trabalhismo.</p>
<p>O golpe durou 20 anos, pois é um tempo mais que necessário para apagar uma doutrina; pois isso não se faz em poucos anos e sim em gerações. Por isso foi necessário duas décadas de ditadura militar para varrer do mapa o pensamento trabalhista.</p>
<p>Infelizmente conseguiram…</p>
<p>Pasmem! Uma boa parte dos militantes e políticos de esquerda de hoje nunca leram Alberto Pasqualini, ademais alguns ainda atribuem ao trabalhismo (Getúlio e Jango) o termo “populismo”, mas não com sentido de popular, e sim, com o sentido pejorativo de demagogia.</p>
<p>Portanto, o golpe de 1964 foi contra o trabalhismo.</p>
<p>Hoje, em 2015, os tempos são outros, e o “ser de esquerda” não tem mais o mesmo significado. Atualmente, ser de esquerda é ser progressista e pregar uma maior intervenção do estado na economia. Ser de direita é defender o livre-mercado e ser mais conservador politicamente. Pode-se dizer que existe ainda, aquela extrema-esquerda (revolucionária) que continua tendo como proposta “soy gobierno soy contra”. Essa não compreende, ou não aceita, os limites da <em>realpolitik</em>, que infelizmente, e muitas vezes, se torna o tomá-lá-dá-cá dos governos com os partidos fisiológicos, seja por meio de mensalões, seja por meio de oferecimento de cargos, como vimos recentemente no filme “Abraham Lincoln” e a abolição da escravatura nos Estados Unidos.</p>
<p>Contudo, a defesa de um capitalismo com justiça social e um projeto nacional de desenvolvimento tendo o Estado o seu indutor deve unir os trabalhistas existentes nos diversos partidos. Pois ser de esquerda ou direita, hoje, está muito mais relacionado com a defesa do grau de intervenção do Estado na economia do que em relação à questão das multinacionais, do capital estrangeiro ou de fazer uma revolução. Ademais, a obtenção do poder por um partido político não deve ser um fim, e sim, um meio para executar um projeto.</p>
<p>O projeto trabalhista brasileiro teve sua germinação durante o primeiro governo de Vargas. Em 1951, Vargas volta ao poder nos braços do povo por meio de eleições democráticas e aprofundou mudanças iniciadas em seu primeiro governo. No segundo governo Vargas, eleito pelo PTB (antigo) o novo presidente imprimiu a marca de seu governo com a criação do PETROBRAS e do BNDE e consolidou o Estado como principal direcionador do desenvolvimento socioeconômico e com contribuições indeléveis de alguns pensadores, como Alberto Pasqualini, deixou o seu maior legado ao país: o projeto trabalhista (esboçado em sua carta-testamento). Por coincidência, os dois pilares que as forças neoliberais de direita atualmente querem enfraquecer: PETROBRAS e BNDES.</p>
<figure id="attachment_3631" aria-describedby="caption-attachment-3631" style="width: 640px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2015/09/11-de-setembro-getúlio-vargas-petrobras-foto-8.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-3631" src="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2015/09/11-de-setembro-getúlio-vargas-petrobras-foto-8.jpg" alt="getúlio vargas petrobras" width="640" height="452" /></a><figcaption id="caption-attachment-3631" class="wp-caption-text">Getúlio Vargas inaugura a Petrobras em 1953</figcaption></figure>
<p>O termo Trabalhismo é a denominação dada ao movimento operário para defesa dos seus interesses econômicos e políticos, sem ligação direta com os princípios socialistas vigentes na época da URSS. Originalmente, ele teve início na Inglaterra do século XIX, paralelamente à ideologia socialista com as lutas dos sindicatos por direitos trabalhistas e sociais. Embora o surgimento da legislação trabalhista e da justiça do trabalho tenha sido, em parte, consequência do processo de luta e das reivindicações operárias desenvolvida pelo mundo, o termo “Justiça do Trabalho” surgiu na Constituição de 1934, durante do governo Vargas. Mas na prática foi efetivada com o Decreto-lei nº 1.237 de 1939. Surgindo posteriormente, em 1942, a CLT.</p>
<p>João Goulart, o herdeiro político de Vargas, assumiu o poder em 1961 e tentou retomar o projeto varguista. No aspecto da legislação trabalhista, Jango expandiu a legislação para o campo e institui o décimo terceiro salário entre outras medidas. Na parte econômica e social tentou instituir as mudanças estruturais de uma economia em vias de industrialização, acrescentando novo ingrediente ao trabalhismo brasileiro: as reformas de base.</p>
<p>O projeto Vargas, que no âmbito econômico era chamado de Nacional-Desenvolvimentismo era representado pela tríade nacionalismo-industrialização-intervencionismo. Com o acréscimo da preocupação com o social (por meio das reformas de base com viés distributivista) esse projeto foi se transmutando no projeto trabalhista brasileiro com novas variantes do momento histórico do nacional-reformismo.</p>
<p>O conceito de trabalhismo, surgido na Inglaterra, passou por transformações adaptando-se à realidade brasileira e adquirindo características próprias. Nessas mudanças tiveram importância fundamental os escritos de Alberto Pasqualini, que tinha como base os princípios do solidarismo cristão (democracia-cristã). Pasqualini definia o trabalhismo como expressão equivalente a de capitalismo solidarista. Por esta expressão, tem-se que a ideologia trabalhista reconhece o capitalismo como sistema econômico, defendendo consequentemente a propriedade privada.</p>
<p>A ideologia trabalhista defende uma intervenção do Estado na economia, de modo a corrigir os excessos do sistema capitalista e atingir uma forma mais equilibrada e humana do capitalismo, dando ênfase nas políticas públicas com objetivo de melhorar a condição de vida dos trabalhadores, o que seria atingindo baseado na “conciliação de classes”. O trabalhismo sustenta a prevalência do trabalho sobre o capital, buscando a sua convivência harmônica, bem como a superação das diferenças de classe, sem violência, por meio da melhor distribuição da riqueza e da promoção da justiça social. Salienta Pasqualini que “o trabalhismo não é, pois, necessariamente, um movimento socialista. Como vimos, o socialismo não é um fim, mas um meio, isto é, uma forma de organização econômica tendo em vista a eliminação da usura social”.</p>
<p>Portanto, conforme a doutrina trabalhista, o capital deve ser um conjunto de meios instrumentais ou aquisitivos, dirigidos e coordenados pelo Estado, e muitas vezes executado pela iniciativa privada, mas sempre tendo em vista o desenvolvimento da economia e o bem-estar coletivo.  As ideias de Alberto Pasqualini centravam-se numa plataforma reformista que tinha como objetivo transformar o “capitalismo individualista em capitalismo solidarista, com uma socialização parcial do lucro”. Pasqualini acreditava que a ação governamental deveria ser eminentemente pedagógica.</p>
<p>A condução política far-se-ia pelo esclarecimento da sociedade, via mudança de mentalidade. O sistema educacional era, para ele, o caminho mais eficaz para realizar as reformas sociais, políticas e econômicas, superando assim o subdesenvolvimento do país. Sua concepção de Estado era a de que ele era fruto da evolução da sociedade. Ao fazer uso de uma analogia entre “cérebro e corpo”, o Estado é o cérebro da sociedade, o órgão mais especializado e complexo ao qual cabe um papel de direção e organização.</p>
<figure id="attachment_3634" aria-describedby="caption-attachment-3634" style="width: 600px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2015/09/11-de-setembro-alberto-pasqualini-foto-9.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-3634" src="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2015/09/11-de-setembro-alberto-pasqualini-foto-9.jpg" alt="alberto pasqualini" width="600" height="400" /></a><figcaption id="caption-attachment-3634" class="wp-caption-text">O político e sociólogo gaúcho Alberto Pasqualini</figcaption></figure>
<p>Portanto, as reformas necessárias ocorreriam por meio da mudança de mentalidade. Para isso era necessária uma reforma na consciência social, que diminuiria as práticas egoístas e as substituiria por ações solidárias, tais como cooperação, ordem, harmonia, lealdade, evitando, portanto, o confronto entre os interesses individuais (egoístas) com os interesses coletivos (morais). Pasqualini destacou principalmente a função moral do Estado: executar na prática o sistema solidário com suas especificidades.</p>
<p>Conclui Pasqualini que a socialização integral dos meios de produção (socialismo soviético, cubano, chinês) no estado atual da humanidade, poderia trazer ainda outros inconvenientes, pois o Estado se tornaria todo poderoso e seria difícil encontrar homens perfeitos para geri-lo. Acreditava ele que a tendência era para aumentar as funções do Estado, evoluindo da função simplesmente policial à função social e à função econômica. Essa evolução, porém, está condicionada a um maior grau de perfeição dos homens. Por outro lado, não será demais observar que, se a forma socialista da produção pode ser desaconselhada, não será para atender aos interesses capitalistas, mas para atender ao maior interesse da própria coletividade. Será desnecessário esclarecer que há setores da economia onde a socialização ou a estatização se impõe. Não há hoje países onde impere o puro regime capitalista.</p>
<p>O trabalhismo está à esquerda no sistema capitalista, assim como era o oposto do liberalismo na década de 1950-1960 atualmente é o oposto ao neoliberalismo econômico hegemônico nos anos 90. Não visa acabar com o capitalismo, mas adaptá-lo à realidade brasileira.</p>
<p>Nesse sentido a regulamentação dos meios de comunicação conforme prevê a constituição de 1988 (§ 5º &#8211; Os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio), ou seja, a não existência de oligopólio no setor de informação passa a ser estratégico e fundamental para incentivar esses valores solidários e coibir as ações egoístas.</p>
<p>Assim como Pasqualini, outra referência muito próxima ao trabalhismo, no âmbito econômico, é Celso Furtado que está associado com o chamado nacional-desenvolvimentismo, nacional-reformismo e inspirou o social-desenvolvimentismo.  Em um dos seus últimos artigos, Furtado deixa uma síntese de sua obra numa equação para uma estratégia de desenvolvimento nacional que são os pilares do projeto trabalhista brasileiro atualmente.</p>
<p>O desenvolvimento socio-econômico é fruto do crescimento da renda e do emprego com a implementação de políticas sociais ativas. O termo foi usado primeiramente pelo ex-ministro Guido Mantega, que ingressa, juntamente com Dilma, no núcleo do governo Lula e começa a influenciar nessa aproximação com o trabalhismo.</p>
<p>Atualmente, alguns pensadores formularam um novo termo para definir, no âmbito econômico, a atualização do projeto trabalhista, ou seja, o social-desenvolvimentismo que se baseia na associação entre aspectos econômicos e sociais em uma associação biunívoca.</p>
<p>O social-desenvolvimentismo mantém o caráter progressista do nacional-desenvolvimentismo, mas como uma adaptação a um novo contexto marcado pela globalização. Procura fortalecer a associação entre povo e estado por meio da democratização econômica e reconhece que o papel do Estado deixou de ser fortemente interventor ou produtor para se tornar, também, regulador ou indutor, isto é, por meio de planejamento indicativo e coordenação indireta. A nova tríade, que é uma evolução do nacional-desenvolvimentismo, consiste, portanto, em inclusão social &#8211; infraestrutura econômica e social &#8211; e capacitação profissional. A ideologia se transforma com o tempo. Assim como o liberalismo evoluiu para o neoliberalismo, o trabalhismo também se adaptou ao contexto histórico.</p>
<p>A liberdade e a solidariedade são bem maiores para um povo. São como pernas. Uma precisa da outra para termos o equilíbrio. Apenas podemos ter desenvolvimento com liberdade. Liberdade de escolha. Da possibilidade que as pessoas têm de desenvolver suas capacidades inatas como seres humanos e indivíduos sociais. O desenvolvimento econômico e social passa, portanto, na democracia econômica e para isso as pessoas poderem ter acesso à saúde, educação, moradia, segurança, renda e cultura. Para finalizar, as palavras do trabalhista inglês Tony Benn sintetizam bem esse conceito:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: right;"><em>“Acho que a democracia é a coisa mais revolucionária do mundo. Mais revolucionária do que ideias socialistas ou de qualquer outra pessoa [embora seja importante ressaltar que democracia é um meio (um veículo) e não um fim para uma sociedade mais justa e igualitária cujo caminho (a estrada) é o trabalhismo]. Se tiver poder, você o usa para prover as suas necessidades e as da sua comunidade. Essa é a ideia de escolha da qual “O Capital” fala constantemente: ‘Tem que ter uma escolha’. A escolha depende da liberdade de escolher. E, se estiver coberto de dívidas, não tem liberdade de escolha. Parece que o sistema se beneficia, se o trabalhador comum estiver coberto de dívidas. Pessoas endividadas perdem a esperança. E pessoas sem esperança não votam. Dizem que todas as pessoas devem votar. Mas acho que, se os pobres, na Grã-Bretanha ou nos Estados Unidos e [Brasil] votassem em pessoas que representassem seus interesses, seria uma verdadeira revolução democrática. E não querem que isso aconteça. Por isso mantêm as pessoas oprimidas e pessimistas. Penso que há duas formas de controlar as pessoas: primeiramente, assustando-as. E, em segundo, desmoralizando-as. Uma nação educada, saudável e confiante é mais difícil de governar. E acho que há um elemento no pensamento de algumas pessoas: Não queremos que as pessoas sejam educadas, saudáveis e confiantes. Porque ficariam fora de controle”.</em></p>
</blockquote>
<p>Data vênia, embora existem “reinos da verdade” espalhados por toda parte, essa é a minha opinião.</p>
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="Ux8Ykc0PAl"><p><a href="https://zonacurva.com.br/no-enterro-de-jango-o-comeco-de-uma-caminhada/">No enterro de Jango, o começo de uma caminhada</a></p></blockquote>
<p><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;No enterro de Jango, o começo de uma caminhada&#8221; &#8212; Zona Curva" src="https://zonacurva.com.br/no-enterro-de-jango-o-comeco-de-uma-caminhada/embed/#?secret=9UUuFMnzlw#?secret=Ux8Ykc0PAl" data-secret="Ux8Ykc0PAl" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://zonacurva.com.br/a-ideologia-trabalhista-em-prol-do-desenvolvimento-nacional/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>6</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O renascimento do Jango antropofágico</title>
		<link>https://zonacurva.com.br/o-renascimento-do-jango-antropofagico/</link>
					<comments>https://zonacurva.com.br/o-renascimento-do-jango-antropofagico/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Fernando do Valle]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 Apr 2015 20:23:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Escritos]]></category>
		<category><![CDATA[Glauber Rocha Darcy ribeiro]]></category>
		<category><![CDATA[Glauber Rocha João Goulart]]></category>
		<category><![CDATA[golpe de 64]]></category>
		<category><![CDATA[Jango]]></category>
		<category><![CDATA[Jango Marighella]]></category>
		<category><![CDATA[Jango uma tragedya]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://zonacurva.com.br/?p=3193</guid>

					<description><![CDATA[Bem-vindo ao Fatos da Zona, em que adaptamos os textos mais acessados do site do Zonacurva Mídia Livre. Neste vídeo, mergulhamos na vida e na trajetória política do presidente João Goulart, líder progressista que enfrentou desafios e lutou incansavelmente por justiça social no Brasil. Conheça a história desse presidente popular e suas políticas transformadoras que buscavam garantir direitos trabalhistas e combater as desigualdades. &#160; JANGO &#8211; Em Jango uma tragedya, texto teatral de Glauber Rocha de 1974, Jango é devorado pelo povo em ritual antropofágico no carnaval depois de sua morte. O delírio de Glauber embute o desejo do renascimento de um novo Jango, de corpo fechado para enfrentar os Antonios das Mortes, jagunço icônico do cineasta, que o derrubaram nos idos de 1964, e continuam à espreita. Para entender nossa miséria, incluo por minha conta e risco a miséria cognitiva e intelectual, Glauber ia além da racionalidade e da luta de classes. A religiosidade e os meandros mágicos do inconsciente desse povo único que é o nosso eram o caminho para o entendimento de nossa mente ainda colonizada. Era como se o atávico complexo de inferioridade e a necessidade masoquista de auto-imolação pudessem ser expurgados por deuses negros e índios em rituais de libertação. “Nas crenças religiosas e nas práticas mágicas, a que o negro se apegava no esforço ingente por consolar-se do seu destino e para controlar as ameaças do mundo azaroso em que submergia“ (Darcy Ribeiro, no livro “O Povo Brasileiro”). Fascinado por Jango, Glauber escreve em suas andanças pelo mundo pedindo que o professor Darcy Ribeiro, que foi ministro da Educação e da Casa Civil de João Goulart, lhe esclarecesse os reais motivos da queda do presidente em 64. Darcy responde do Chile em 1972: “a política do governo Jango, sendo encarada pelas classes dominantes como revolucionária (porque a execução da Reforma Agrária e da Lei de Remessa de Lucros parecia inevitável se Jango se mantivesse no poder), provocou a contra-revolução, por parte dos interessados em manter a velha ordem” (trecho do livro Cartas ao Mundo, de Glauber Rocha, organizado por Ivana Bentes). Após o golpe, o general Castelo Branco revogou a lei que controlava a remessa de lucros das multinacionais para o exterior. Em pesquisa IBOPE de março de 1964, 59% da população era favorável às reformas de Jango e 45% dos brasileiros cravavam bom e ótimo na avaliação do governo João Goulart. Os dólares (agora euros também) que circulam para comprar políticos e diretores de estatais, cooptados por empresários sonegadores com expertise em maracutaias, já encheram em tempos idos o bolso do general Amaury Kruel, comandante do II Exército e militar de confiança de Jango. Kruel, um dos artífices do dispositivo militar que seguraria os avanços das forças da direita, trocou seu apoio por maletas de verdinhas, entregues pela burguesia paulista, que sempre soube proteger seus interesses. Se o jogo melar, a Suíça é logo ali. http://www.zonacurva.com.br/como-o-general-lott-garantiu-a-posse-de-jk-e-jango-em-1955/ O filho de Jango, João Vicente Goulart defende o pai e questiona por que os outros agentes da esquerda do jogo político da época também não reagiram.  &#8220;Eu acho uma grande injustiça histórica só perguntar por que Jango não resistiu, podemos perguntar também por que o Partido Comunista não resistiu, por que os sindicatos não resistiram, por que as organizações de base não resistiram e por que a Frente Nacionalista que pressionava tanto e queria as reformas de base na marra, fora da legalidade, não resistiu”. Ele próprio responde: “não havia condições de resistência&#8230; Nós teríamos um Brasil dividido em dois”. Hoje estamos divididos novamente em dois e a esquerda perplexa assiste ao avanço da direita e da extrema-direita nos protestos em que PMs são subcelebridades cultuadas em selfies. A falência cognitiva dos humanos direitos vitaminou a polícia para o espancamento de professores e “vândalos” (identificados a critério dos interesses da velha mídia). A fórmula simplória do atual discurso de muitos que pulula nas redes antissociais: professor = vagabundo = drogado. Marighella, o Che baiano, revoltou-se com a falta de reação de Jango ao golpe e desabafou com o filho que “Jango era frouxo”, conforme está escrito na ótima biografia de Marighella, do jornalista Mario Magalhães. Para o indignado Marighella, era inconcebível que Jango não lutasse contra os usurpadores de seu mandato. Imagino o guerrilheiro baiano vociferando contra a política praticada hoje em prol dos interesses do empresariado, do agronegócio e dos bancos. O guru do Méier, Millôr Fernandes dizia que “todos os países são difíceis de governar, só o Brasil é impossível”, tem horas que concordo, não quero, mas concordo. &#160; https://urutaurpg.com.br/siteluis/jango-no-comicio-que-mudou-o-destino-do-pais/]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Bem-vindo ao Fatos da Zona, em que adaptamos os textos mais acessados do site do Zonacurva Mídia Livre.</p>
<p>Neste vídeo, mergulhamos na vida e na trajetória política do presidente João Goulart, líder progressista que enfrentou desafios e lutou incansavelmente por justiça social no Brasil.</p>
<p>Conheça a história desse presidente popular e suas políticas transformadoras que buscavam garantir direitos trabalhistas e combater as desigualdades.</p>
<div class="ast-oembed-container " style="height: 100%;"><iframe title="Jango revelou as entranhas do Brasil - Fatos da Zona Ep. 3" width="1200" height="675" src="https://www.youtube.com/embed/NarUOPO2YWM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>JANGO &#8211; Em<em> Jango uma tragedya</em>, texto teatral de Glauber Rocha de 1974, Jango é devorado pelo povo em ritual antropofágico no carnaval depois de sua morte. O delírio de Glauber embute o desejo do renascimento de um novo Jango, de corpo fechado para enfrentar os Antonios das Mortes, jagunço icônico do cineasta, que o derrubaram nos idos de 1964, e continuam à espreita.</p>
<p>Para entender nossa miséria, incluo por minha conta e risco a miséria cognitiva e intelectual, Glauber ia além da racionalidade e da luta de classes. A religiosidade e os meandros mágicos do inconsciente desse povo único que é o nosso eram o caminho para o entendimento de nossa mente ainda colonizada. Era como se o atávico complexo de inferioridade e a necessidade masoquista de auto-imolação pudessem ser expurgados por deuses negros e índios em rituais de libertação.</p>
<figure id="attachment_3195" aria-describedby="caption-attachment-3195" style="width: 823px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2015/04/30-de-abril-texto-jango-kennedy-foto-1.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-3195" src="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2015/04/30-de-abril-texto-jango-kennedy-foto-1.jpg" alt="jango e kennedy 1963" width="823" height="648" /></a><figcaption id="caption-attachment-3195" class="wp-caption-text">Jango cumprimenta um de seus algozes, o janota Kennedy, na Itália, em 1963 (fonte. CPDOC/FGV)</figcaption></figure>
<blockquote>
<p style="text-align: right;"><strong>“Nas crenças religiosas e nas práticas mágicas, a que o negro se apegava no esforço ingente por consolar-se do seu destino e para controlar as ameaças do mundo azaroso em que submergia“ (Darcy Ribeiro, no livro “O Povo Brasileiro”).</strong></p>
</blockquote>
<p style="text-align: left;">Fascinado por Jango, Glauber escreve em suas andanças pelo mundo pedindo que o professor Darcy Ribeiro, que foi ministro da Educação e da Casa Civil de João Goulart, lhe esclarecesse os reais motivos da queda do presidente em 64. Darcy responde do Chile em 1972: “a política do governo Jango, sendo encarada pelas classes dominantes como revolucionária (porque a execução da Reforma Agrária e da Lei de Remessa de Lucros parecia inevitável se Jango se mantivesse no poder), provocou a contra-revolução, por parte dos interessados em manter a velha ordem” (trecho do livro <em>Cartas ao Mundo</em>, de Glauber Rocha, organizado por Ivana Bentes).</p>
<p>Após o golpe, o general Castelo Branco revogou a lei que controlava a remessa de lucros das multinacionais para o exterior. Em pesquisa IBOPE de março de 1964, 59% da população era favorável às reformas de Jango e 45% dos brasileiros cravavam bom e ótimo na avaliação do governo João Goulart.</p>
<p>Os dólares (agora euros também) que circulam para comprar políticos e diretores de estatais, cooptados por empresários sonegadores com <em>expertise</em> em maracutaias, já encheram em tempos idos o bolso do general Amaury Kruel, comandante do II Exército e militar de confiança de Jango. Kruel, um dos artífices do dispositivo militar que seguraria os avanços das forças da direita, trocou seu apoio por maletas de verdinhas, entregues pela burguesia paulista, que sempre soube proteger seus interesses. Se o jogo melar, a Suíça é logo ali.</p>
<p>http://www.zonacurva.com.br/como-o-general-lott-garantiu-a-posse-de-jk-e-jango-em-1955/</p>
<p><a href="https://youtu.be/R-CSNSo3v40" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><strong>O filho de Jango, João Vicente Goulart defende</strong> </a>o pai e questiona por que os outros agentes da esquerda do jogo político da época também não reagiram.  &#8220;Eu acho uma grande injustiça histórica só perguntar por que Jango não resistiu, podemos perguntar também por que o Partido Comunista não resistiu, por que os sindicatos não resistiram, por que as organizações de base não resistiram e por que a Frente Nacionalista que pressionava tanto e queria as reformas de base na marra, fora da legalidade, não resistiu”. Ele próprio responde: “não havia condições de resistência&#8230; Nós teríamos um Brasil dividido em dois”.</p>
<p>Hoje estamos divididos novamente em dois e a esquerda perplexa assiste ao avanço da direita e da extrema-direita nos protestos em que PMs são subcelebridades cultuadas em <em>selfies</em>. A falência cognitiva dos <em>humanos direitos</em> vitaminou a polícia para o espancamento de professores e “vândalos” (identificados a critério dos interesses da velha mídia). A fórmula simplória do atual discurso de muitos que pulula nas redes <em>antissociais</em>: professor = vagabundo = drogado.</p>
<p>Marighella, o Che baiano, revoltou-se com a falta de reação de Jango ao golpe e desabafou com o filho que “Jango era frouxo”, conforme está escrito na ótima biografia de Marighella, do jornalista Mario Magalhães. Para o indignado Marighella, era inconcebível que Jango não lutasse contra os usurpadores de seu mandato. Imagino o guerrilheiro baiano vociferando contra a política praticada hoje em prol dos interesses do empresariado, do agronegócio e dos bancos. O guru do Méier, Millôr Fernandes dizia que “todos os países são difíceis de governar, só o Brasil é impossível”, tem horas que concordo, não quero, mas concordo.</p>
<figure id="attachment_3194" aria-describedby="caption-attachment-3194" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2015/04/30-de-abril-jango-Di-Cavalcanti-Paulo-Francis-e-outros-foto-2.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-3194" src="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2015/04/30-de-abril-jango-Di-Cavalcanti-Paulo-Francis-e-outros-foto-2.jpg" alt="jango e intelectuais" width="800" height="608" /></a><figcaption id="caption-attachment-3194" class="wp-caption-text">João Goulart com intelectuais. Em sentido horário: o escritor Marques Rebelo (de costas e de óculos), a poeta Adalgisa Nery, Jango, o jornalista Samuel Wainer, o também jornalista Paulo Francis, o escritor Jorge Amado, desconhecido e o pintor Di Cavalcanti</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p>https://urutaurpg.com.br/siteluis/jango-no-comicio-que-mudou-o-destino-do-pais/</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://zonacurva.com.br/o-renascimento-do-jango-antropofagico/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>4</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Como ministro de Vargas, Jango revelou as entranhas do Brasil</title>
		<link>https://zonacurva.com.br/jango-ministro/</link>
					<comments>https://zonacurva.com.br/jango-ministro/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Fernando do Valle]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Oct 2014 18:15:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[50 anos do golpe militar]]></category>
		<category><![CDATA[golpe de 64]]></category>
		<category><![CDATA[Jango]]></category>
		<category><![CDATA[jango anos 50]]></category>
		<category><![CDATA[jango direitos trabalhistas]]></category>
		<category><![CDATA[jango e Getúlio vargas]]></category>
		<category><![CDATA[jango e lacerda]]></category>
		<category><![CDATA[jango ministro do trabalho]]></category>
		<category><![CDATA[João Goulart]]></category>
		<category><![CDATA[suicídio de Getúlio vargas]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://zonacurva.com.br/?p=2730</guid>

					<description><![CDATA[Bem-vindo ao Fatos da Zona, em que adaptamos os textos mais acessados do site do Zonacurva Mídia Livre. Neste vídeo, mergulhamos na vida e na trajetória política do presidente João Goulart, líder progressista que enfrentou desafios e lutou incansavelmente por justiça social no Brasil. Conheça a história desse presidente popular e suas políticas transformadoras que buscavam garantir direitos trabalhistas e combater as desigualdades. &#160; Jango &#8211; Com apenas 34 anos, João Goulart assume o relevante à época Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio, em junho de 1953, no governo Getúlio Vargas, e passa a receber em seu gabinete pessoas humildes e sindicalistas, muitos deles negros. A reação a nomeação do ministro foi imediata: empresários, militares e imprensa passam a orquestrar uma verdadeira campanha para derrubá-lo. O mandato de Jango como ministro durou apenas 8 meses e mostrou como a proximidade de trabalhadores à esfera do poder politico incomoda uma camada de privilegiados que enxerga o Estado como sua propriedade. Hoje o duro enfrentamento que veio à tona a poucos dias do segundo turno da eleição presidencial demonstra, apesar de nosso considerável amadurecimento democrático das últimas duas décadas, como a sociedade brasileira ainda não equalizou muitas de suas contradições. A oposição a Jango ainda está à espreita e metamorfoseou-se em defensora do MERCADO como a tábua de salvação de nossos ainda sérios problemas. Em 1953, a principal proposta do ministro previa aumento que dobrava o salário mínimo para 2.400 cruzeiros. A virulenta reação da oposição, principalmente dos quartéis, assustou o governo. Para evitar riscos ao mandato de Getúlio, seu padrinho político, João Goulart deixa o ministério em fevereiro de 54 e declara: “os trabalhadores podem ficar tranquilos, porque prosseguirei ao lado deles, mudando apenas de trincheira”. Em primeiro de maio (Dia do Trabalho) do mesmo ano, três meses antes do suicídio, Getúlio dobra o salário mínimo. “Os detratores das classes operárias não compreendem que um ministro de Estado possa falar com espontaneidade e estabelecer laços de afeto com criaturas de condição humilde&#8230; enquanto uns estão ameaçados e morrem mesmo de fome, outros ganham num ano aquilo que normalmente deveriam ganhar em 50 anos e até mesmo em um século” (JANGO) Jango alterou as relações entre Estado, classe trabalhadora e empresários. Com isso, os coronéis lançaram manifesto contra ele, os empresários enfureceram-se e a imprensa o atacou. Jango enfrentou a acusação da oposição de maquinar, com a ajuda do presidente argentino na época, Juan Domingo Perón, a implantação da República Sindicalista no Brasil. O jornalista Carlos Lacerda atacava o governo em seu jornal Tribuna da Imprensa. Em surtos de verdadeira psicose, conclamava o Congresso e a opinião pública a reagir contra “a República Sindicalista, a esdrúxula república jangueira, que fará do Sr. Getúlio Vargas, amorfo e dócil homem de quase 80 anos, mal vividos, um ditador que cochila, enquanto Jango age”. O barão das comunicações e à época senador, Assis Chateaubriand, subiu à tribuna do Congresso e disparou: “o político rio-grandense não faz outra coisa senão desenvolver a mais cruel e atormentada luta de classes até hoje vista. Nem o Partido Comunista já produziu uma campanha de atrito de classes tão perfeita, com o colorido que o Sr. Goulart tem desenvolvido”. Em pouco tempo no ministério, Jango conquistou a simpatia dos trabalhadores e passou a mediar inúmeras negociações entre empregados e patrões, o que era inédito na época. Em alguns casos, o ministro até chegava a estimular as mobilizações por melhores condições de trabalho. Em março de 53, a chamada greve dos 300 mil agitou São Paulo e fez surgir o Pacto de Unidade Intersindical (PUI), organização não alinhada à estrutura sindical pelega, comum à época. Em junho, a greve dos marítimos, inaugurou uma estratégia de negociação entre governo e sindicatos. Ao mesmo tempo, desencadeou o temor de muitos, a começar pelo ministro da Fazenda, Oswaldo Aranha, defensor de uma política de contenção de gastos e crítico de qualquer elevação salarial. O I Congresso de Previdência Social no Rio de Janeiro reuniu representantes de todo o país e estabeleceu um maior acesso dos sindicatos aos serviços assistenciais da previdência, além de um maior acesso dos sindicalistas (e também dos petebistas, partido de Jango) aos cargos da administração dos inúmeros Institutos de Pensões e Aposentadorias. A paciência e simplicidade de Goulart davam o tom para longas conversas com diversas lideranças sindicais, empresariais e políticas. Sua jornada estafante de trabalho começava às dez da manhã e terminava no meio da madrugada. Em outubro de 1953, Jango viajou pelo Norte e Nordeste do país e visitou inúmeros sindicatos. No retorno, 78 sindicatos tinham organizado uma recepção consagradora. Cerca de 4 mil pessoas o esperavam no aeroporto do Rio e o celebraram, Jango teve que subir na capota de um carro para que todos o vissem. Goulart mostrou indignação com as condições de trabalho daquela região do Brasil e relatou que havia trabalhadores com jornadas de 30 dias por mês, sem um único dia de descanso. Como pagamento, recebiam 10 quilos de farinha ou 15 de carne. “Acabo de percorrer vários Estados do Norte e do Nordeste e senti de perto a miséria e as privações dos nossos irmãos daquelas plagas. Ouvi trabalhadores de todas as categorias. Esses trabalhadores que vivem abandonados e sem o mínimo conforto” (Jango) Apesar dos esforços de Goulart e do governo, a crise econômica e a inflação deflagraram várias greves no segundo semestre de 1953. No congresso, integrantes da bancada da UDN (União Democrática Nacional), partido de oposição, chamada ironicamente de ‘banda de música’, subiam ao palanque inúmeras vezes para atacar o governo de Getúlio Vargas e em particular, Jango. Não resta dúvida de que a atuação de Jango no Ministério aproximou setores reacionários das Forças Armadas à UDN. O trabalho de Jango no governo colaborou para transformar Getúlio Vargas do ditador do Estado Novo em um líder de massas. Ambos se aproximaram quando Getúlio, após sofrer o golpe de 45, vivia na Estância Itu, a 80 quilômetros de São Borja (RS), terra natal de Getúlio e João Goulart. Isolado,]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Bem-vindo ao Fatos da Zona, em que adaptamos os textos mais acessados do site do Zonacurva Mídia Livre.</p>
<p>Neste vídeo, mergulhamos na vida e na trajetória política do presidente João Goulart, líder progressista que enfrentou desafios e lutou incansavelmente por justiça social no Brasil.</p>
<p>Conheça a história desse presidente popular e suas políticas transformadoras que buscavam garantir direitos trabalhistas e combater as desigualdades.</p>
<div class="ast-oembed-container " style="height: 100%;"><iframe title="Jango revelou as entranhas do Brasil - Fatos da Zona Ep. 3" width="1200" height="675" src="https://www.youtube.com/embed/NarUOPO2YWM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Jango &#8211; Com apenas 34 anos, João Goulart assume o relevante à época Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio, em junho de 1953, no governo Getúlio Vargas, e passa a receber em seu gabinete pessoas humildes e sindicalistas, muitos deles negros. A reação a nomeação do ministro foi imediata: empresários, militares e imprensa passam a orquestrar uma verdadeira campanha para derrubá-lo.</p>
<p>O mandato de Jango como ministro durou apenas 8 meses e mostrou como a proximidade de trabalhadores à esfera do poder politico incomoda uma camada de privilegiados que enxerga o Estado como sua propriedade. Hoje o duro enfrentamento que veio à tona a poucos dias do segundo turno da eleição presidencial demonstra, apesar de nosso considerável amadurecimento democrático das últimas duas décadas, como a sociedade brasileira ainda não equalizou muitas de suas contradições.</p>
<p>A oposição a Jango ainda está à espreita e metamorfoseou-se em defensora do MERCADO como a tábua de salvação de nossos ainda sérios problemas. Em 1953, a principal proposta do ministro previa aumento que dobrava o salário mínimo para 2.400 cruzeiros. A virulenta reação da oposição, principalmente dos quartéis, assustou o governo. Para evitar riscos ao mandato de Getúlio, seu padrinho político, João Goulart deixa o ministério em fevereiro de 54 e declara: “os trabalhadores podem ficar tranquilos, porque prosseguirei ao lado deles, mudando apenas de trincheira”. Em primeiro de maio (Dia do Trabalho) do mesmo ano, três meses antes do suicídio, Getúlio dobra o salário mínimo.</p>
<figure id="attachment_2734" aria-describedby="caption-attachment-2734" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2014/10/15-de-outubro-joão-goulart-ministro-do-trabalho-foto-1.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-2734 size-full" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/wp-content/uploads/2014/10/15-de-outubro-joão-goulart-ministro-do-trabalho-foto-1.jpg" alt="15 de outubro ministro do trabalho foto 1" width="620" height="469" /></a><figcaption id="caption-attachment-2734" class="wp-caption-text">Posse de João Goulart (cigarro na boca) como ministro do Trabalho, Indústria e Comércio (fonte: CPDOC &#8211; FGV)</figcaption></figure>
<blockquote>
<p style="text-align: right;"><strong>“Os detratores das classes operárias não compreendem que um ministro de Estado possa falar com espontaneidade e estabelecer laços de afeto com criaturas de condição humilde&#8230; enquanto uns estão ameaçados e morrem mesmo de fome, outros ganham num ano aquilo que normalmente deveriam ganhar em 50 anos e até mesmo em um século” (JANGO)</strong></p>
</blockquote>
<p>Jango alterou as relações entre Estado, classe trabalhadora e empresários. Com isso, os coronéis lançaram manifesto contra ele, os empresários enfureceram-se e a imprensa o atacou. Jango enfrentou a acusação da oposição de maquinar, com a ajuda do presidente argentino na época, Juan Domingo Perón, a implantação da República Sindicalista no Brasil.</p>
<p>O jornalista Carlos Lacerda atacava o governo em seu jornal <em>Tribuna da Imprensa</em>. Em surtos de verdadeira psicose, conclamava o Congresso e a opinião pública a reagir contra “a República Sindicalista, a esdrúxula república jangueira, que fará do Sr. Getúlio Vargas, amorfo e dócil homem de quase 80 anos, mal vividos, um ditador que cochila, enquanto Jango age”.</p>
<p>O barão das comunicações e à época senador, Assis Chateaubriand, subiu à tribuna do Congresso e disparou: “o político rio-grandense não faz outra coisa senão desenvolver a mais cruel e atormentada <strong>luta de classes </strong>até hoje vista. Nem o Partido Comunista já produziu uma campanha de atrito de classes tão perfeita, com o colorido que o Sr. Goulart tem desenvolvido”.</p>
<figure id="attachment_2735" aria-describedby="caption-attachment-2735" style="width: 900px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2014/10/15-de-outubro-carlos-lacerda-joão-goulart-foto-2.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-2735" src="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2014/10/15-de-outubro-carlos-lacerda-joão-goulart-foto-2.png" alt="15 de outubro carlos lacerda joão goulart foto 2" width="900" height="600" /></a><figcaption id="caption-attachment-2735" class="wp-caption-text">Carlos Lacerda usa o microfone da Rádio Globo de Roberto Marinho para atacar o governo Getúlio Vargas (fonte: www.robertomarinho.com.br)</figcaption></figure>
<p>Em pouco tempo no ministério, Jango conquistou a simpatia dos trabalhadores e passou a mediar inúmeras negociações entre empregados e patrões, o que era inédito na época. Em alguns casos, o ministro até chegava a estimular as mobilizações por melhores condições de trabalho.</p>
<p>Em março de 53, a chamada greve dos 300 mil agitou São Paulo e fez surgir o Pacto de Unidade Intersindical (PUI), organização não alinhada à estrutura sindical pelega, comum à época. Em junho, a greve dos marítimos, inaugurou uma estratégia de negociação entre governo e sindicatos. Ao mesmo tempo, desencadeou o temor de muitos, a começar pelo ministro da Fazenda, Oswaldo Aranha, defensor de uma política de contenção de gastos e crítico de qualquer elevação salarial.</p>
<p>O I Congresso de Previdência Social no Rio de Janeiro reuniu representantes de todo o país e estabeleceu um maior acesso dos sindicatos aos serviços assistenciais da previdência, além de um maior acesso dos sindicalistas (e também dos petebistas, partido de Jango) aos cargos da administração dos inúmeros Institutos de Pensões e Aposentadorias.</p>
<p>A paciência e simplicidade de Goulart davam o tom para longas conversas com diversas lideranças sindicais, empresariais e políticas. Sua jornada estafante de trabalho começava às dez da manhã e terminava no meio da madrugada.</p>
<p>Em outubro de 1953, Jango viajou pelo Norte e Nordeste do país e visitou inúmeros sindicatos. No retorno, 78 sindicatos tinham organizado uma recepção consagradora. Cerca de 4 mil pessoas o esperavam no aeroporto do Rio e o celebraram, Jango teve que subir na capota de um carro para que todos o vissem.</p>
<p>Goulart mostrou indignação com as condições de trabalho daquela região do Brasil e relatou que havia trabalhadores com jornadas de 30 dias por mês, sem um único dia de descanso. Como pagamento, recebiam 10 quilos de farinha ou 15 de carne.</p>
<figure id="attachment_2736" aria-describedby="caption-attachment-2736" style="width: 990px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2014/10/15-de-outubro-jango-foto-3.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-2736" src="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2014/10/15-de-outubro-jango-foto-3.jpg" alt="15 de outubro jango foto 3" width="990" height="614" /></a><figcaption id="caption-attachment-2736" class="wp-caption-text">Filhos de operários erguem faixa pelo aumento do salário mínimo (fonte: João Goulart, uma biografia, de Jorge Ferreira)</figcaption></figure>
<blockquote>
<p style="text-align: right;"><strong>“Acabo de percorrer vários Estados do Norte e do Nordeste e senti de perto a miséria e as privações dos nossos irmãos daquelas plagas. Ouvi trabalhadores de todas as categorias. Esses trabalhadores que vivem abandonados e sem o mínimo conforto” (Jango) </strong></p>
</blockquote>
<p>Apesar dos esforços de Goulart e do governo, a crise econômica e a inflação deflagraram várias greves no segundo semestre de 1953. No congresso, integrantes da bancada da UDN (União Democrática Nacional), partido de oposição, chamada ironicamente de ‘banda de música’, subiam ao palanque inúmeras vezes para atacar o governo de Getúlio Vargas e em particular, Jango. Não resta dúvida de que a atuação de Jango no Ministério aproximou setores reacionários das Forças Armadas à UDN.</p>
<p>O trabalho de Jango no governo colaborou para transformar Getúlio Vargas do ditador do Estado Novo em um líder de massas. Ambos se aproximaram quando Getúlio, após sofrer o golpe de 45, vivia na Estância Itu, a 80 quilômetros de São Borja (RS), terra natal de Getúlio e João Goulart. Isolado, o ex-presidente aproximou-se do jovem político e empresário local, que era amigo do filho de seu filho, Maneco.</p>
<p>Goulart presenteava Getúlio com charutos e ambos conversavam por horas. Nessas conversas, o ministro já demonstrava sua preocupação em <strong>diminuir a desigualdade social brasileira e a necessidade da reforma agrária</strong>. Entre 1947 e 1950, Jango foi um dos mais relevantes articuladores do caminho de retorno de Getúlio à presidência.</p>
<figure id="attachment_2737" aria-describedby="caption-attachment-2737" style="width: 623px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2014/10/15-de-outubro-joão-goulart-foto-4.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-2737 size-full" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/wp-content/uploads/2014/10/15-de-outubro-joão-goulart-foto-4.jpg" alt="15 de outubro ministro joão goulart foto 4" width="623" height="650" /></a><figcaption id="caption-attachment-2737" class="wp-caption-text">Jango (à direita) com o presidente do PTB, Danton Coelho, em foto de 1951 (fonte: CPDOC-FGV)</figcaption></figure>
<p>Incomensurável a angústia de Jango nos 12 anos de exílio (1964-1976) após o golpe civil-militar de 1964. Nesse período, o presidente deposto flertou com a depressão e manifestava para pessoas mais próximas seu imenso desejo de retornar ao Brasil. Morto em 1976, imagino Jango com o inseparável cigarro entre os dedos alertando pacientemente pela união das forças progressistas através do diálogo nesse embate atual pela presidência do país.</p>
<p><strong>Este texto foi inspirado pela leitura do brilhante livro ’João Goulart, uma biografia’, do historiador e professor da UFF (Universidade Federal Fluminense), Jorge Ferreira, fruto de mais de dez anos de sua pesquisa sobre Jango.</strong></p>
<table>
<tbody>
<tr>
<td style="text-align: center;"><iframe style="width: 120px; height: 240px;" src="//ws-na.amazon-adsystem.com/widgets/q?ServiceVersion=20070822&amp;OneJS=1&amp;Operation=GetAdHtml&amp;MarketPlace=BR&amp;source=ac&amp;ref=tf_til&amp;ad_type=product_link&amp;tracking_id=zonacurva-20&amp;marketplace=amazon&amp;region=BR&amp;placement=8520010563&amp;asins=8520010563&amp;linkId=a1d3e2c79f3a21319a3cc081aeed0d84&amp;show_border=true&amp;link_opens_in_new_window=false&amp;price_color=333333&amp;title_color=0066c0&amp;bg_color=ffffff" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"><br />
</iframe></td>
<td style="text-align: center;"><iframe style="width: 120px; height: 240px;" src="//ws-na.amazon-adsystem.com/widgets/q?ServiceVersion=20070822&amp;OneJS=1&amp;Operation=GetAdHtml&amp;MarketPlace=BR&amp;source=ac&amp;ref=tf_til&amp;ad_type=product_link&amp;tracking_id=zonacurva-20&amp;marketplace=amazon&amp;region=BR&amp;placement=853930015X&amp;asins=853930015X&amp;linkId=764470b12fb2497678a024be8c1ab8e6&amp;show_border=true&amp;link_opens_in_new_window=false&amp;price_color=333333&amp;title_color=0066c0&amp;bg_color=ffffff" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"><br />
</iframe></td>
<td style="text-align: center;"><iframe style="width: 120px; height: 240px;" src="//ws-na.amazon-adsystem.com/widgets/q?ServiceVersion=20070822&amp;OneJS=1&amp;Operation=GetAdHtml&amp;MarketPlace=BR&amp;source=ac&amp;ref=tf_til&amp;ad_type=product_link&amp;tracking_id=zonacurva-20&amp;marketplace=amazon&amp;region=BR&amp;placement=8535920935&amp;asins=8535920935&amp;linkId=7437596557bab7c34525690017a2bd01&amp;show_border=true&amp;link_opens_in_new_window=false&amp;price_color=333333&amp;title_color=0066c0&amp;bg_color=ffffff" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"><br />
</iframe></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>http://www.zonacurva.com.br/o-comicio-que-mudou-o-destino-do-pais/</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://zonacurva.com.br/jango-ministro/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>8</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Documentário revive as origens do golpe militar</title>
		<link>https://zonacurva.com.br/documentario-revive-as-origens-do-golpe-de-64/</link>
					<comments>https://zonacurva.com.br/documentario-revive-as-origens-do-golpe-de-64/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Zonacurva]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 Jan 2014 20:26:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[1964 um golpe contra o Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[50 anos do golpe militar]]></category>
		<category><![CDATA[alípio freire]]></category>
		<category><![CDATA[Comissão da verdade]]></category>
		<category><![CDATA[ditadura militar]]></category>
		<category><![CDATA[golpe de 1964]]></category>
		<category><![CDATA[Jango]]></category>
		<category><![CDATA[João Goulart]]></category>
		<category><![CDATA[joão goulart biografia joão goulart resumo]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://zonacurva.com.br/?p=1465</guid>

					<description><![CDATA[O documentário 1964, um golpe contra o Brasil, do jornalista Alípio Freire, recria o clima da época do golpe militar de 1964. Lançado em março de 2013, o documentário foi realizado em parceria entre o Núcleo Preservação da Memória Política e a TVT – Televisão dos Trabalhadores. Leia texto sobre o &#8220;O dia que durou 21 anos&#8221;, filme que também aborda o golpe de 64  O escritor e jornalista baiano Alípio Freire, que foi preso político entre 1969 e 1974, explica que a motivação para a realização do filme veio da falta de informação dos mais jovens sobre o início do regime militar brasileiro. Ele declarou ao blog Viomundo: &#8220;o Núcleo [de Preservação da Memória Política] pensou em um vídeo capaz de informar aos mais jovens o que foi o pré-golpe e o golpe para que se entendam os interesses de classe em jogo no Brasil naquele momento&#8221;. O fime narra os acontecimentos entre a renúncia de Jânio Quadros e a posse do general Castelo Branco, em 1964. O ministro do Trabalho do governo João Goulart, Almino Afonso, prova como Jânio tentou um golpe com sua renúncia em 1961. Afonso lê trechos do livro A História do Povo Brasileiro, que Jânio escreveu ao lado de seu ministro das Relações Exteriores, Afonso Arinos. O livro revela como a mente delirante de Jânio funcionava: sua renúncia &#8220;deixaria o país acéfalo&#8221; e com Jango em viagem oficial na China, Jânio, que já tinha acordo e apoio dos ministros militares, voltaria ao poder &#8216;dentro de novo regime institucional&#8217;. Leia texto Zonacurva sobre o papel de Brizola na posse de Jango após a renúncia de Jânio Quadros   O filme também retorna à polêmica sobre a &#8216;frágil&#8217; reação de Jango diante do avanço dos militares golpistas. O presidente gaúcho temia que tomássemos o rumo de Coréia e Vietnã, que mergulharam em sangrenta guerra civil e foram divididos em dois. O livro Jango, a vida e morte no exílio, do jornalista e professor Juremir Machado da Silva, cita trecho do livro João Goulart: recuerdos en su exilio uruguayo, sobre a ida de Jango ao Uruguai poucos dias após o golpe. Com a palavra, o presidente exilado João Goulart: &#8220;Eu me senti isolado do resto do país em Porto Alegre e desolado diante da única perspectiva que tinha pela frente: uma guerra fratricida&#8221;. [O senhor foi repetidamente rotulado de comunista e&#8230;]  &#8220;Não sou nem nunca fui comunista. Minha política foi eminentemente nacionalista. Foram os monopólios nacionais e estrangeiros que fomentaram a revolta, preocupados com as leis de nacionalização do petróleo e da reforma agrária&#8230;&#8221; Alípio Freire explica as motivações para a realização do documentário: Fontes: Blog Viomundo e livro Jango, a vida e morte no exílio, de Juremir Machado da Silva (editora L&#38;PM, 2013). O grito da Passeata dos Cem Mil contra a ditadura militar]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="ast-oembed-container " style="height: 100%;"><iframe title="1964 Um Golpe Contra o Brasil  Documentario de Alípio Freire COMPLETO" width="1200" height="900" src="https://www.youtube.com/embed/GhoI8FdFF6w?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe></div>
<p>O documentário <i>1964</i>, <i>um golpe contra o Brasil, </i>do jornalista Alípio Freire, recria o clima da época do golpe militar de 1964. Lançado em março de 2013, o documentário foi realizado em parceria entre o Núcleo Preservação da Memória Política e a TVT – Televisão dos Trabalhadores.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.zonacurva.com.br/e-se-nao-existissem-as-aulas-de-educacao-moral-e-civica/"><b><span style="text-decoration: underline;">Leia texto</span></b></a><b> sobre o <b>&#8220;O dia que durou 21 anos&#8221;,</b> filme que também aborda o golpe de 64 </b></p>
<p>O escritor e jornalista baiano Alípio Freire, que foi preso político entre 1969 e 1974, explica que a motivação para a realização do filme veio da falta de informação dos mais jovens sobre o início do regime militar brasileiro. Ele declarou ao <a href="http://www.viomundo.com.br" target="_blank" rel="noopener">blog Viomundo</a>: &#8220;o Núcleo [de Preservação da Memória Política] pensou em um vídeo capaz de informar aos mais jovens o que foi o pré-golpe e o golpe para que se entendam os interesses de classe em jogo no Brasil naquele momento&#8221;.</p>
<figure id="attachment_1472" aria-describedby="caption-attachment-1472" style="width: 650px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2014/01/mulheres.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-1472" src="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2014/01/mulheres-1024x634.jpg" alt="Na foto, artistas como Norma Bengell e Tônia Carrero em passeata contra o regime militar" width="650" height="402" /></a><figcaption id="caption-attachment-1472" class="wp-caption-text">Na foto, artistas como Norma Bengell e Tônia Carrero em passeata contra o regime militar</figcaption></figure>
<p>O fime narra os acontecimentos entre a renúncia de Jânio Quadros e a posse do general Castelo Branco, em 1964. O ministro do Trabalho do governo João Goulart, Almino Afonso, prova como Jânio tentou um golpe com sua renúncia em 1961. Afonso lê trechos do livro <i>A História do Povo Brasileiro,</i> que Jânio escreveu ao lado de seu ministro das Relações Exteriores, Afonso Arinos. O livro revela como a mente delirante de Jânio funcionava: sua renúncia &#8220;deixaria o país acéfalo&#8221; e com Jango em viagem oficial na China, Jânio, que já tinha acordo e apoio dos ministros militares, voltaria ao poder &#8216;dentro de novo regime institucional&#8217;.</p>
<p style="text-align: right;"><strong>Leia texto<span style="text-decoration: underline;"><a href="http://www.zonacurva.com.br/brizola-e-a-renuncia-de-janio-quadros/" target="_blank" rel="noopener"> Zonacurva</a> </span>sobre o papel de Brizola na posse de Jango após a renúncia de Jânio Quadros  </strong></p>
<p>O filme também retorna à polêmica sobre a &#8216;frágil&#8217; reação de Jango diante do avanço dos militares golpistas. O presidente gaúcho temia que tomássemos o rumo de Coréia e Vietnã, que mergulharam em sangrenta guerra civil e foram divididos em dois.</p>
<p>O livro <i>Jango, a vida e morte no exílio</i>, do jornalista e professor Juremir Machado da Silva, cita trecho do livro <i>João Goulart: recuerdos en su exilio uruguayo</i>, sobre a ida de Jango ao Uruguai poucos dias após o golpe. Com a palavra, o presidente exilado João Goulart:</p>
<blockquote><p><b>&#8220;Eu me senti isolado do resto do país em Porto Alegre e desolado diante da única perspectiva que tinha pela frente: uma guerra fratricida&#8221;. [O senhor foi repetidamente rotulado de comunista e&#8230;]  &#8220;Não sou nem nunca fui comunista. Minha política foi eminentemente nacionalista. Foram os monopólios nacionais e estrangeiros que fomentaram a revolta, preocupados com as leis de nacionalização do petróleo e da reforma agrária&#8230;&#8221;</b></p></blockquote>
<p>Alípio Freire explica as motivações para a realização do documentário:</p>
<div class="ast-oembed-container " style="height: 100%;"><iframe title="1964 - Um golpe contra o Brasil (lançamento)" width="1200" height="675" src="https://www.youtube.com/embed/-rbvUnrexps?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe></div>
<p><b>Fontes:</b> Blog Viomundo e livro <i>Jango, a vida e morte no exílio</i>, de Juremir Machado da Silva (editora L&amp;PM, 2013).</p>
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="UQX2Sn3oT2"><p><a href="https://zonacurva.com.br/o-grito-da-passeata-dos-cem-mil-contra-a-ditadura-militar/">O grito da Passeata dos Cem Mil contra a ditadura militar</a></p></blockquote>
<p><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;O grito da Passeata dos Cem Mil contra a ditadura militar&#8221; &#8212; Zona Curva" src="https://zonacurva.com.br/o-grito-da-passeata-dos-cem-mil-contra-a-ditadura-militar/embed/#?secret=COhlhgkQdQ#?secret=UQX2Sn3oT2" data-secret="UQX2Sn3oT2" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://zonacurva.com.br/documentario-revive-as-origens-do-golpe-de-64/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Palestra &#8220;A importância da Comissão da Verdade&#8221;</title>
		<link>https://zonacurva.com.br/palestra-a-importancia-da-comissao-da-verdade/</link>
					<comments>https://zonacurva.com.br/palestra-a-importancia-da-comissao-da-verdade/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Zonacurva]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 Nov 2013 16:18:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agenda]]></category>
		<category><![CDATA[Adriano Diogo]]></category>
		<category><![CDATA[Comissão da verdade]]></category>
		<category><![CDATA[ditadura militar]]></category>
		<category><![CDATA[Jango]]></category>
		<category><![CDATA[João Goulart]]></category>
		<category><![CDATA[Raphael Martinelli]]></category>
		<category><![CDATA[UFABC]]></category>
		<category><![CDATA[Universidade Federal do ABC]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://zonacurva.com.br/?p=1221</guid>

					<description><![CDATA[&#160; Promovida pelo Diretório Acadêmico do campus da UFABC de São Bernardo do Campo, a palestra A importância da Comissão da Verdade acontece em 18 de novembro, às 16h30, no auditório A003 do campus SBC. O Deputado Estadual do PT-SP Adriano Diogo, presidente da Comissão da Verdade do Estado de São Paulo na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, e o ex-líder sindical Raphael Martinelli, presidente do Fórum dos ex-Presos e Perseguidos Políticos do Estado de São Paulo serão os palestrantes. SERVIÇO Local: Auditório A003 do Bloco Beta – Campus SBC  (rua Arcturus, 03) Quando: 18 de novembro, das 16h30 às 18h30 Entrada franca &#160; &#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<figure id="attachment_1222" aria-describedby="caption-attachment-1222" style="width: 960px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2013/11/14-de-novembro-536954_215807458597071_742969228_n.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-1222" title="(foto: Evandro Teixeira)" alt="14 de novembro 536954_215807458597071_742969228_n" src="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2013/11/14-de-novembro-536954_215807458597071_742969228_n.jpg" width="960" height="720" /></a><figcaption id="caption-attachment-1222" class="wp-caption-text">(foto: Evandro Teixeira)</figcaption></figure>
<p>Promovida pelo Diretório Acadêmico do campus da UFABC de São Bernardo do Campo, a palestra <i>A importância da Comissão da Verdade</i> acontece em 18 de novembro, às 16h30, no auditório A003 do campus SBC.</p>
<p>O Deputado Estadual do PT-SP Adriano Diogo, presidente da Comissão da Verdade do Estado de São Paulo na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, e o ex-líder sindical Raphael Martinelli, presidente do Fórum dos ex-Presos e Perseguidos Políticos do Estado de São Paulo serão os palestrantes.</p>
<p>SERVIÇO<br />
Local: Auditório A003 do Bloco Beta – Campus SBC  (rua Arcturus, 03)<br />
Quando: 18 de novembro, das 16h30 às 18h30</p>
<p>Entrada franca</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://zonacurva.com.br/palestra-a-importancia-da-comissao-da-verdade/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Como Brizola adiou o golpe militar após a renúncia de Jânio Quadros</title>
		<link>https://zonacurva.com.br/como-brizola-adiou-o-golpe-militar-apos-a-renuncia-de-janio-quadros/</link>
					<comments>https://zonacurva.com.br/como-brizola-adiou-o-golpe-militar-apos-a-renuncia-de-janio-quadros/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Zonacurva]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 26 Aug 2013 23:41:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[50 anos do golpe militar]]></category>
		<category><![CDATA[Brizola tempos de luta]]></category>
		<category><![CDATA[cadeia da legalidade]]></category>
		<category><![CDATA[Comissão da verdade]]></category>
		<category><![CDATA[Darcy Ribeiro]]></category>
		<category><![CDATA[golpe de 64]]></category>
		<category><![CDATA[Jango]]></category>
		<category><![CDATA[Leonel Brizola]]></category>
		<category><![CDATA[renúncia jânio quadros]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://zonacurva.com/?p=807</guid>

					<description><![CDATA[Em 25 de agosto de 1961, Jânio Quadros renunciou à Presidência da República. O abandono do cargo por Jânio jogou o país no colo dos militares. Graças à atuação do governador do Rio Grande do Sul na época, Leonel de Moura Brizola, os planos de golpe dos setores conservadores do país foram adiados. Infelizmente, a tomada do poder pelos militares aconteceu dois anos e meio mais tarde, o que afundou o país no obscurantismo político por mais de duas décadas. Na ocasião da renúncia de Jânio, o vice-presidente João Goulart estava em viagem oficial a China e os ministros militares queriam impedir sua posse no retorno. Os ministros chegaram a ameaçá-lo de prisão quando retornasse ao país por suas supostas &#8216;ligações como o comunismo internacional&#8217;. Do mesmo partido de Jango (o PTB de Getúlio Vargas) e seu cunhado, Brizola liderou a chamada Cadeia da Legalidade, movimento que mobilizou vários setores da sociedade em apoio à posse de Goulart. O vice-presidente Jango havia sido eleito legitimamente na eleição de outubro de 1960. Ele era o candidato a vice da chapa de Henrique Teixeira Lott, que foi derrotado por Jânio. Na época, as eleições de presidente e vice eram separadas. Opondo-se aos militares, o governador Brizola formou uma rede de estações de rádio e passou a transmitir da sede do governo gaúcho, o Palácio Piratini, programas e discursos em defesa da Constituição, que garantia a posse do vice. Brizola chegou até a propor que João Goulart marchasse do Rio Grande do Sul até Brasília para tomar posse. Jango não aceitou. Para evitar o confronto, foi adotado o Parlamentarismo. Jango assumiu como chefe de Estado em 7 de setembro de 1961 e Tancredo Neves assumiu como primeiro-ministro. Documentário Brizola &#8211; tempos de luta O documentário Brizola &#8211; tempos de luta, de 2007, realizado pelo escritor e cineasta Tabajara Ruas, mostra vários momentos da trajetória do político gaúcho: sua infância, o casamento com Neusa com Getúlio Vargas como padrinho, o exílio, a volta ao Brasil e vários outros episódios de sua agitada biografia. Os vários trechos de entrevistas de Brizola em seu tom teatral são um aperitivo de seu forte carisma. O ex-presidente Lula afirma que as carreatas com Brizola na Baixada Fluminense impressionavam pela verdadeira adoração que a população local tinha por ele. Os esforços de Brizola para democratizar o acesso à educação tanto nos primórdios de sua carreira política no Rio Grande do Sul como com os CIEPS (Centro de Integração de Educação Pública) no Rio de Janeiro, e os desafios à Vênus Platinada nos recordam de sua luta contra duas chagas brasileiras: os gargalos sociais do acesso à educação e o enfrentamento do oligopólio das telecomunicações. Rever Cid Moreira em leitura de duro texto de Brizola contra Roberto Marinho no JN da TV Globo é sempre impagável. No filme, ainda assistimos a presidente Dilma Rousseff, originária do PDT (partido de Brizola), e o líder do MST (Movimento dos Sem Terra) João Pedro Stédile tecendo loas ao líder gaúcho, além de muitos outros depoimentos de personagens da vida política brasileira e mundial, como o ex-primeiro ministro português Mário Soares. O autor do documentário, o também escritor Tabajara Ruas já havia abordado os anos de chumbo no Brasil em seu belo romance histórico O amor de Pedro por João, de 1998, em que narra a história de dois exilados políticos. Ruas produziu a obra quando vivia também exilado em Copenhague, na Dinamarca. Em relatório recentemente divulgado pela CIA (central de inteligência estadunidense), e, que na época foi enviado ao governo brasileiro, comprova como, mesmo no exílio no Uruguai, no final da década de 60, Brizola tentou organizar a resistência à ditadura. (Texto atualizado em 24 de agosto de 2014) Brizola: “julgamento de Lula foi um teatro” Brizola: “eu tirei o dó da minha viola“ &#160; &#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Em 25 de agosto de 1961, Jânio Quadros renunciou à Presidência da República. O abandono do cargo por Jânio jogou o país no colo dos militares. Graças à atuação do governador do Rio Grande do Sul na época, Leonel de Moura Brizola, os planos de golpe dos setores conservadores do país foram adiados.</p>
<p>Infelizmente, a tomada do poder pelos militares aconteceu dois anos e meio mais tarde, o que afundou o país no obscurantismo político por mais de duas décadas. Na ocasião da renúncia de Jânio, o vice-presidente João Goulart estava em viagem oficial a China e os ministros militares queriam impedir sua posse no retorno. Os ministros chegaram a ameaçá-lo de prisão quando retornasse ao país por suas supostas &#8216;ligações como o comunismo internacional&#8217;.</p>
<p>Do mesmo partido de Jango (o PTB de Getúlio Vargas) e seu cunhado, Brizola liderou a chamada Cadeia da Legalidade, movimento que mobilizou vários setores da sociedade em apoio à posse de Goulart. O vice-presidente Jango havia sido eleito legitimamente na eleição de outubro de 1960. Ele era o candidato a vice da chapa de Henrique Teixeira Lott, que foi derrotado por Jânio. Na época, as eleições de presidente e vice eram separadas.</p>
<figure id="attachment_809" aria-describedby="caption-attachment-809" style="width: 206px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://zonacurva.files.wordpress.com/2013/08/26-de-agosto-brasil-janio-quadros.jpg" target="_blank" rel="noopener"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-809" src="http://zonacurva.files.wordpress.com/2013/08/26-de-agosto-brasil-janio-quadros.jpg" alt="A foto histórica simbolizou a surpreendente renúncia de Jânio Quadros" width="206" height="259" /></a><figcaption id="caption-attachment-809" class="wp-caption-text">A foto histórica de Erno Schneider simbolizou a surpreendente renúncia de Jânio Quadros</figcaption></figure>
<p>Opondo-se aos militares, o governador Brizola formou uma rede de estações de rádio e passou a transmitir da sede do governo gaúcho, o Palácio Piratini, programas e discursos em defesa da Constituição, que garantia a posse do vice. Brizola chegou até a propor que João Goulart marchasse do Rio Grande do Sul até Brasília para tomar posse. Jango não aceitou.</p>
<p>Para evitar o confronto, foi adotado o Parlamentarismo. Jango assumiu como chefe de Estado em 7 de setembro de 1961 e Tancredo Neves assumiu como primeiro-ministro.</p>
<p style="color: #252525;"><strong>Documentário Brizola &#8211; tempos de luta</strong></p>
<p>O documentário <em>Brizola &#8211; tempos de luta</em>, de 2007, realizado pelo escritor e cineasta Tabajara Ruas, mostra vários momentos da trajetória do político gaúcho: sua infância, o casamento com Neusa com Getúlio Vargas como padrinho, o exílio, a volta ao Brasil e vários outros episódios de sua agitada biografia.</p>
<p>Os vários trechos de entrevistas de Brizola em seu tom teatral são um aperitivo de seu forte carisma. O ex-presidente Lula afirma que as carreatas com Brizola na Baixada Fluminense impressionavam pela verdadeira adoração que a população local tinha por ele.</p>
<figure id="attachment_2507" aria-describedby="caption-attachment-2507" style="width: 500px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2013/08/25-de-agosto-Brizola-campanha-da-legalidade.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-2507" src="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2013/08/25-de-agosto-Brizola-campanha-da-legalidade.jpg" alt="25 de agosto Brizola cadeia da legalidade" width="500" height="489" /></a><figcaption id="caption-attachment-2507" class="wp-caption-text">Na sede do governo gaúcho, Brizola lança a Cadeia da Legalidade</figcaption></figure>
<p>Os esforços de Brizola para democratizar o acesso à educação tanto nos primórdios de sua carreira política no Rio Grande do Sul como com os CIEPS (Centro de Integração de Educação Pública) no Rio de Janeiro, e os desafios à Vênus Platinada nos recordam de sua luta contra duas chagas brasileiras: os gargalos sociais do acesso à educação e o enfrentamento do oligopólio das telecomunicações. Rever Cid Moreira em leitura de duro texto de Brizola contra Roberto Marinho no JN da TV Globo é sempre impagável.</p>
<div class="ast-oembed-container " style="height: 100%;"><iframe title="Brizola - Tempos de Luta" src="https://player.vimeo.com/video/58124703?dnt=1&amp;app_id=122963" width="480" height="360" frameborder="0" allow="autoplay; fullscreen; picture-in-picture; clipboard-write"></iframe></div>
<p>No filme, ainda assistimos a presidente Dilma Rousseff, originária do PDT (partido de Brizola), e o líder do MST (Movimento dos Sem Terra) João Pedro Stédile tecendo loas ao líder gaúcho, além de muitos outros depoimentos de personagens da vida política brasileira e mundial, como o ex-primeiro ministro português Mário Soares.</p>
<p>O autor do documentário, o também escritor Tabajara Ruas já havia abordado os anos de chumbo no Brasil em seu belo romance histórico <em>O amor de Pedro por João</em>, de 1998, em que narra a história de dois exilados políticos. Ruas produziu a obra quando vivia também exilado em Copenhague, na Dinamarca.</p>
<p>Em relatório recentemente divulgado pela CIA (central de inteligência estadunidense), e, que na época foi enviado ao governo brasileiro, comprova como, mesmo no exílio no Uruguai, no final da década de 60, Brizola tentou organizar a resistência à ditadura.</p>
<p>(Texto atualizado em 24 de agosto de 2014)</p>
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="XSCtUR7Kva"><p><a href="https://zonacurva.com.br/brizola-julgamento-de-lula-foi-um-teatro/">Brizola: “julgamento de Lula foi um teatro”</a></p></blockquote>
<p><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;Brizola: “julgamento de Lula foi um teatro”&#8221; &#8212; Zona Curva" src="https://zonacurva.com.br/brizola-julgamento-de-lula-foi-um-teatro/embed/#?secret=FhdgtxjV24#?secret=XSCtUR7Kva" data-secret="XSCtUR7Kva" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="wHXgOCgbJz"><p><a href="https://urutaurpg.com.br/siteluis/brizola-eu-tirei-o-do-da-minha-viola/" target="_blank" rel="noopener">Brizola: “eu tirei o dó da minha viola“</a></p></blockquote>
<p><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;Brizola: “eu tirei o dó da minha viola“&#8221; &#8212; Zona Curva" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/brizola-eu-tirei-o-do-da-minha-viola/embed/#?secret=ZfKOyx2Ory#?secret=wHXgOCgbJz" data-secret="wHXgOCgbJz" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://zonacurva.com.br/como-brizola-adiou-o-golpe-militar-apos-a-renuncia-de-janio-quadros/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>2</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>E se não existissem as aulas de Educação, Moral e Cívica</title>
		<link>https://zonacurva.com.br/e-se-nao-existissem-as-aulas-de-educacao-moral-e-civica/</link>
					<comments>https://zonacurva.com.br/e-se-nao-existissem-as-aulas-de-educacao-moral-e-civica/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Zonacurva]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 12 Apr 2013 00:33:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política reportagem]]></category>
		<category><![CDATA[50 anos do golpe militar]]></category>
		<category><![CDATA[Camilo Tavares]]></category>
		<category><![CDATA[Comissão da verdade]]></category>
		<category><![CDATA[ditadura militar]]></category>
		<category><![CDATA[Flávio Tavares]]></category>
		<category><![CDATA[golpe de 64]]></category>
		<category><![CDATA[IBAD]]></category>
		<category><![CDATA[IPES]]></category>
		<category><![CDATA[Jango]]></category>
		<category><![CDATA[João Goulart]]></category>
		<category><![CDATA[John Kennedy]]></category>
		<category><![CDATA[Lincoln Gordon]]></category>
		<category><![CDATA[o dia que durou 21 anos]]></category>
		<category><![CDATA[Peter Kornbluh]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://zonacurva.wordpress.com/?p=563</guid>

					<description><![CDATA[Nos início dos anos 80, o adolescente classe média que não estava diretamente ligado ao combate ao regime de exceção que os militares nos impuseram por 21 anos, percebia algo errado quando ia assistir ao seu programa favorito e era avisado que o mesmo tinha sido liberado por uma tal de censura federal. Para quem não se lembra: Noutro dia pela manhã, entre as aulas do colegial, o estudante estranhava os livros recheados de bandeiras, símbolos pátrios e palavras de ordem daquelas duas matérias de nome pomposo: Educação Moral e Cívica e Organização Social e Política Brasileira. Ele não sabia que ambas foram impostas por um decreto lei a partir de 1969 em substituição às aulas de Filosofia e Sociologia, consideradas subversivas pelo regime. Ao assistir ao documentário O dia que durou 21 anos, imagino como teria sido diferente o destino brasileiro sem a censura federal e o OSPB. Como viveríamos hoje se os milhares presentes no histórico comício de Jango na Central do Brasil, em 13 de março de 1964, que exigiam mudanças na estrutura do Estado brasileiro, tivessem suas demandas atendidas? E, se, a Reforma Agrária tivesse sido feita no início dos anos 60? Com respostas não tão fáceis, recorro à máxima de um folclórico comentarista de futebol que sempre dizia que no esporte bretão o &#8216;se&#8217; não entra em campo, na política, também não. Leia mais sobre o Comício de Jango na Central do Brasil O filme de Camilo Tavares, filho do jornalista Flávio Tavares (um dos 15 presos trocados pelo embaixador norte-americano Charles Elbrick em sequestro de 1969), poderia ser adotado nos colégios para elucidar o adolescente de hoje sobre como se deu o golpe militar de 1964. O forte envolvimento do governo Lyndon Johnson no golpe militar foi provocado em grande parte ao medo patológico do perigo vermelho por parte do governo dos Estados Unidos e da possibilidade do surgimento de uma revolução semelhante à cubana (1959) na América do Sul. No filme, John Kennedy, que foi assassinado em 22 de novembro de 1963, poucos meses antes do golpe, discursa no sentido de que tudo seria feito para impedir que os aliados do governo norte-americano se aproximassem do comunismo. Detalhe: Jango nunca foi comunista. Em conversa do embaixador americano Lincoln Gordon, um dos artífices do golpe de 64, e o presidente Kennedy, antecessor de Johnson, Gordon alerta que é melhor dar um basta em Jango já que ele pode ser um novo &#8220;ditador populista como Perón&#8221;. Os áudios originais das conversas entre a alta cúpula da Casa Branca e, principalmente, Gordon, e os telegramas entre a embaixada ianque e a Casa Branca, presentes no documentário, são testemunhos históricos irrefutáveis da ingerência dos Estados Unidos na política interna brasileira. Creio que uma de nossas tarefas mais importantes consiste em fortalecer a espinha militar. É preciso deixar claro, porém com discrição, que não somos necessariamente hostis a qualquer tipo de ação militar, contanto que fique claro o motivo. (Lincoln Gordon) Em 20 de março de 1964, Johson autorizara a formação de uma força naval para intervir no Brasil. A decisão foi tomada em reunião na Casa Branca e contou com a presença de Gordon e a cúpula do Departamento de Defesa. Assista ao trailer do filme: O mentiroso discurso pela democracia e liberdade de Kennedy (sensação déjà vu de ter ouvido o mesmo na boca de Bush, pai e filho, Ronald Reagan&#8230;) justificou a criação de institutos de pesquisa pelos Estados Unidos como o IBAD (Instituto Brasileiro de Ação Democrática) e o IPES (Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais) para o financiamento das campanhas de deputados federais e estaduais e de até 8 candidatos a governador. O professor Peter Kornbluh explica que essa é a política &#8220;feijão com arroz da CIA para desestabilizar governos&#8221;. Os vídeos produzidos pelos institutos e exibidos em cinemas e empresas criaram o pânico que levou às senhoras da Tijuca e do Catete a lotar as ruas na Marcha da Família com Deus pela Liberdade em oração contra Jango e Brizola. A marcha deu coragem ao general Mourão Filho, que reuniu uma pequena tropa e resolveu antecipar o golpe. O cômico depoimento da filha de Mourão conta que seu pai tomou um pito de Castelo Branco pela pressa. Mourão não esmoreceu e foi entregar o golpe a Costa e Silva, que segundo ela, &#8220;estava dormindo, de cuecas&#8221;. Segundo presidente do regime militar, Costa e Silva deslumbra-se em cena do filme ao ser recebido na Casa Branca. De certa forma, somos um país mais moderno ao menos pelo fato de não convivermos mais com figuras dantescas como Costa e Silva no coração do poder. Políticos lamentáveis como Jair Bolsonaro e Coronel Telhada infelizmente são eleitos, mas são mantidos bem distantes dos centros decisórios de nossa política. Hoje, após mais de uma década dos fatos narrados no documentário de Tavares, a história deve ser contada com detalhes às novas gerações para que estudantes não tenham que aprender EMC, somente o E= mc². (texto atualizado em 31 de março de 2015) &#160; O grito da Passeata dos Cem Mil contra a ditadura militar]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Nos início dos anos 80, o adolescente classe média que não estava diretamente ligado ao combate ao regime de exceção que os militares nos impuseram por 21 anos, percebia algo errado quando ia assistir ao seu programa favorito e era avisado que o mesmo tinha sido liberado por uma tal de censura federal. Para quem não se lembra:</p>
<div class="ast-oembed-container " style="height: 100%;"><iframe title="Censura - Chamada" width="1200" height="900" src="https://www.youtube.com/embed/GHrDJnmTjHs?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe></div>
<p>Noutro dia pela manhã, entre as aulas do colegial, o estudante estranhava os livros recheados de bandeiras, símbolos pátrios e palavras de ordem daquelas duas matérias de nome pomposo: Educação Moral e Cívica e Organização Social e Política Brasileira. Ele não sabia que ambas foram impostas por um decreto lei a partir de 1969 em substituição às aulas de Filosofia e Sociologia, consideradas subversivas pelo regime.</p>
<p>Ao assistir ao documentário <em>O dia que durou 21 anos</em>, imagino como teria sido diferente o destino brasileiro sem a censura federal e o OSPB. Como viveríamos hoje se os milhares presentes no histórico comício de Jango na Central do Brasil, em 13 de março de 1964, que exigiam mudanças na estrutura do Estado brasileiro, tivessem suas demandas atendidas? E, se, a Reforma Agrária tivesse sido feita no início dos anos 60? Com respostas não tão fáceis, recorro à máxima de um folclórico comentarista de futebol que sempre dizia que no esporte bretão o &#8216;se&#8217; não entra em campo, na política, também não.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: right;"><a href="http://zonacurva.com.br/o-comicio-que-mudou-o-destino-do-pais/" target="_blank" rel="noopener"><strong><span style="text-decoration: underline;">Leia mais sobre o Comício de Jango na Central do Brasil</span></strong></a></p>
</blockquote>
<p>O filme de Camilo Tavares, filho do jornalista Flávio Tavares (um dos 15 presos trocados pelo embaixador norte-americano Charles Elbrick em sequestro de 1969), poderia ser adotado nos colégios para elucidar o adolescente de hoje sobre como se deu o golpe militar de 1964.</p>
<p>O forte envolvimento do governo Lyndon Johnson no golpe militar foi provocado em grande parte ao medo patológico do perigo vermelho por parte do governo dos Estados Unidos e da possibilidade do surgimento de uma revolução semelhante à cubana (1959) na América do Sul. No filme, John Kennedy, que foi assassinado em 22 de novembro de 1963, poucos meses antes do golpe, discursa no sentido de que tudo seria feito para impedir que os aliados do governo norte-americano se aproximassem do comunismo. Detalhe: Jango nunca foi comunista.</p>
<p>Em conversa do embaixador americano Lincoln Gordon, um dos artífices do golpe de 64, e o presidente Kennedy, antecessor de Johnson, Gordon alerta que é melhor dar um basta em Jango já que ele pode ser um novo &#8220;ditador populista como Perón&#8221;. Os áudios originais das conversas entre a alta cúpula da Casa Branca e, principalmente, Gordon, e os telegramas entre a embaixada ianque e a Casa Branca, presentes no documentário, são testemunhos históricos irrefutáveis da ingerência dos Estados Unidos na política interna brasileira.</p>
<blockquote><p>Creio que uma de nossas tarefas mais importantes consiste em fortalecer a espinha militar. É preciso deixar claro, porém com discrição, que não somos necessariamente hostis a qualquer tipo de ação militar, contanto que fique claro o motivo. (Lincoln Gordon)</p></blockquote>
<p>Em 20 de março de 1964, Johson autorizara a formação de uma força naval para intervir no Brasil. A decisão foi tomada em reunião na Casa Branca e contou com a presença de Gordon e a cúpula do Departamento de Defesa.</p>
<p>Assista ao trailer do filme:</p>
<div class="ast-oembed-container " style="height: 100%;"><iframe title="O Dia Que Durou 21 Anos - Trailer" width="1200" height="675" src="https://www.youtube.com/embed/OWKnNo2jjkw?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe></div>
<p>O mentiroso discurso pela democracia e liberdade de Kennedy (sensação <em>déjà vu</em> de ter ouvido o mesmo na boca de Bush, pai e filho, Ronald Reagan&#8230;) justificou a criação de institutos de pesquisa pelos Estados Unidos como o IBAD (Instituto Brasileiro de Ação Democrática) e o IPES (Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais) para o financiamento das campanhas de deputados federais e estaduais e de até 8 candidatos a governador. O professor Peter Kornbluh explica que essa é a política &#8220;feijão com arroz da CIA para desestabilizar governos&#8221;.</p>
<p>Os vídeos produzidos pelos institutos e exibidos em cinemas e empresas criaram o pânico que levou às senhoras da Tijuca e do Catete a lotar as ruas na Marcha da Família com Deus pela Liberdade em oração contra Jango e Brizola.</p>
<figure id="attachment_564" aria-describedby="caption-attachment-564" style="width: 500px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://zonacurva.files.wordpress.com/2013/04/13087694.jpg" target="_blank" rel="noopener"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-564" src="http://zonacurva.files.wordpress.com/2013/04/13087694.jpg" alt="Com Kennedy, Gordon conspira contra Jango" width="500" height="500" /></a><figcaption id="caption-attachment-564" class="wp-caption-text">Com Kennedy, Lincoln conspira contra Jango</figcaption></figure>
<p>A marcha deu coragem ao general Mourão Filho, que reuniu uma pequena tropa e resolveu antecipar o golpe. O cômico depoimento da filha de Mourão conta que seu pai tomou um pito de Castelo Branco pela pressa. Mourão não esmoreceu e foi entregar o golpe a Costa e Silva, que segundo ela, &#8220;estava dormindo, de cuecas&#8221;.</p>
<p>Segundo presidente do regime militar, Costa e Silva deslumbra-se em cena do filme ao ser recebido na Casa Branca. De certa forma, somos um país mais moderno ao menos pelo fato de não convivermos mais com figuras dantescas como Costa e Silva no coração do poder. Políticos lamentáveis como Jair Bolsonaro e Coronel Telhada infelizmente são eleitos, mas são mantidos bem distantes dos centros decisórios de nossa política.</p>
<p>Hoje, após mais de uma década dos fatos narrados no documentário de Tavares, a história deve ser contada com detalhes às novas gerações para que estudantes não tenham que aprender EMC, somente o E= mc².</p>
<p>(texto atualizado em 31 de março de 2015)</p>
<p>&nbsp;</p>
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="egLU9wpCvc"><p><a href="https://zonacurva.com.br/o-grito-da-passeata-dos-cem-mil-contra-a-ditadura-militar/">O grito da Passeata dos Cem Mil contra a ditadura militar</a></p></blockquote>
<p><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;O grito da Passeata dos Cem Mil contra a ditadura militar&#8221; &#8212; Zona Curva" src="https://zonacurva.com.br/o-grito-da-passeata-dos-cem-mil-contra-a-ditadura-militar/embed/#?secret=GRWYsIYWtJ#?secret=egLU9wpCvc" data-secret="egLU9wpCvc" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://zonacurva.com.br/e-se-nao-existissem-as-aulas-de-educacao-moral-e-civica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>10</slash:comments>
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
