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	<title>rússia x ucrânia &#8211; Zona Curva</title>
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	<title>rússia x ucrânia &#8211; Zona Curva</title>
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		<title>Ucrânia: o jornalismo precisa fazer uma autocrítica</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Carlos Castilho]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 24 May 2022 17:44:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Escritos]]></category>
		<category><![CDATA[guerra na ucrânia]]></category>
		<category><![CDATA[guerra na ucrânia cobertura]]></category>
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					<description><![CDATA[Nós, jornalistas, precisamos fazer uma dolorosa autocrítica. Acabamos participantes da construção de uma narrativa sobre a guerra na Ucrânia que está nos levando a uma crise mundial, cujo desfecho é uma gigantesca incógnita, onde apenas uma coisa é certa: o número de perdedores poderá ser muitíssimo maior do que o de ganhadores. Como jornalistas, selecionamos, formatamos e publicamos dados, fatos e eventos sobre a guerra na Ucrânia que influenciaram decisivamente a formação de opiniões contrárias à Rússia em boa parte do planeta. É claro que não somos responsáveis pelo que dizem e fazem Biden, Putin, Zelensky, Xi Jiiping e líderes europeus. Mas somos nós que damos ou não destaque às ações destes protagonistas do conflito, e o que publicamos leva as pessoas a darem mais ou menos importância ao que entra na agenda da imprensa. O resultado disto é que nos tornamos protagonistas da construção de uma narrativa unilateral da crise ucraniana, ignorando o dogma profissional de ouvir os dois lados de forma igualitária, sem a devida contextualização dos fatos e muitas vezes sem até mesmo checar se estamos ou não sendo inocentes úteis numa guerra de fake news. A esmagadora maioria dos jornalistas, na maior parte do mundo, não deu a devida atenção aos precedentes históricos e ao que está por trás do atual xadrez bélico/diplomático. O russo Vladimir Putin não é nenhum modelo de líder democrático. Joe Biden preside um império em declínio obcecado pela perda iminente da hegemonia mundial para a China; e Zelensky, um comediante sem experiência política, acabou manobrado tanto pela extrema direita como pela Casa Branca. Poucos profissionais deram a devida importância ao fato do ucraniano Wolodymyr Zelensky ter sido eleito presidente em 2019, com 72% dos votos propondo um acordo de paz na região de Donbass (1) . Mas a esperança de paz durou pouco porque a extrema direita ucraniana ameaçou matar Zelensky e toda sua família caso Donbass, cuja população é majoritariamente descendente de russos, se tornasse autônoma dentro de um estado federativo. Zelensky cedeu à pressão da extrema direita, o que irritou Putin e deu a Biden o pretexto para usar a Ucrânia para meter a Rússia num atoleiro militar. A imprensa mundial, inclusive a brasileira, não deu a devida importância ao fato de Joe Biden já ter dedicado mais de 60 bilhões de dólares para apoio militar a Zelensky, justo num momento em que a inflação interna nos EUA bate recorde e a economia norte-americana dá sinais de enfraquecimento. A jogada de Biden é clara: penalizar o público doméstico, na aposta de que um eventual revés russo na Ucrânia contribua para reduzir o ímpeto econômico chinês, este sim o grande alvo da Casa Branca. Só que o extremista Donald Trump já está faturando eleitoralmente o descontentamento da classe média norte-americana. O G-7 (as sete nações mais ricas do mundo) anunciou esta semana um empréstimo de 31 bilhões de dólares (30 bilhões de euros) para a reconstrução da Ucrânia e mais 520 milhões de dólares em armas e equipamento militar. Os governos membros da OTAN estão gastando fortunas para alimentar uma guerra, ignorando o fato de que ela agrava uma crise econômica iniciada antes de pandemia da Covid 19. É um absurdo financiar um conflito sabendo que a reconstrução da Ucrânia vai custar ainda mais caro do que a guerra. O mundo poderia evitar o caos econômico e a destruição da Ucrânia se os países da OTAN tivessem feito uma conta básica de custo-benefício da guerra. Bastaria Zelensky renunciar ao ingresso na Aliança Militar do Ocidente, controlar a extrema direita interna, e respeitar o acordo de Minsk (2014) que deu autonomia parcial à região de Donbass. Putin perderia o pretexto para a invasão, seis milhões de ucranianos não precisariam emigrar e a economia mundial teria um ambiente um pouco mais tranquilo para enfrentar a recessão causada pela Covid 19. Nada disto que mostrei acima é inédito pois já foi dito por muitos comentaristas políticos internacionais e acadêmicos. Só que a maioria da imprensa continua presa a uma narrativa do bem contra o mal, do humanitário Biden e do valoroso Zelensky contra o diabólico Putin e o sinistro Xi Jiping. Ignoramos a complexidade dos fatos e processos, para nos refugiarmos no simplismo que nos livra da necessidade de ter que pensar e contrariar estratégias de informação desenvolvidas tanto em Washington, como em Kiev e Moscou. Não há inocentes nesta guerra, mas a imprensa, contrariando seus dogmas, já consagrou um bandido e um mocinho. Todas estas afirmações estão baseadas em fatos e depoimentos que não reproduzo aqui porque acabaria escrevendo um livro. Mas valem o início de um debate. O propósito deste texto é chamar a atenção para a falta de um equilíbrio informativo na cobertura da guerra na Ucrânia. Não se trata apenas de ser ou parecer isento, mas de ter consciência de que as pessoas precisam saber que o desenrolar dos acontecimentos desde o mês de abril sinalizam um agravamento do conflito que nos coloca na faixa de risco para um confronto nuclear. Nossa sobrevivência depende de um fluxo diversificado e transparente de informações sobre o que está acontecendo de fato na Ucrânia. (1) Donbass é uma região da Ucrânia situada na fronteira com a Rússia onde estão as cidades de Luhansk e Donetsk. 5 perguntas sobre o conflito Rússia x Ucrânia A paz é possível? ONU joga para a plateia]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Nós, jornalistas, precisamos fazer uma dolorosa autocrítica. Acabamos participantes da construção de uma narrativa sobre a guerra na Ucrânia que está nos levando a uma crise mundial, cujo desfecho é uma gigantesca incógnita, onde apenas uma coisa é certa: o número de perdedores poderá ser muitíssimo maior do que o de ganhadores.</p>
<p>Como jornalistas, selecionamos, formatamos e publicamos dados, fatos e eventos sobre a guerra na Ucrânia que influenciaram decisivamente a formação de opiniões contrárias à Rússia em boa parte do planeta. É claro que não somos responsáveis pelo que dizem e fazem Biden, Putin, Zelensky, Xi Jiiping e líderes europeus. Mas somos nós que damos ou não destaque às ações destes protagonistas do conflito, e o que publicamos leva as pessoas a darem mais ou menos importância ao que entra na agenda da imprensa.</p>
<p>O resultado disto é que nos tornamos protagonistas da construção de uma narrativa unilateral da crise ucraniana, ignorando o dogma profissional de ouvir os dois lados de forma igualitária, sem a devida contextualização dos fatos e muitas vezes sem até mesmo checar se estamos ou não sendo inocentes úteis numa guerra de <em class="ks">fake news</em>.</p>
<p>A esmagadora maioria dos jornalistas, na maior parte do mundo, não deu a devida atenção aos precedentes históricos e ao que está por trás do atual xadrez bélico/diplomático. O russo Vladimir Putin não é nenhum modelo de líder democrático. Joe Biden preside um império em declínio obcecado pela perda iminente da hegemonia mundial para a China; e Zelensky, um comediante sem experiência política, acabou manobrado tanto pela extrema direita como pela Casa Branca.</p>
<p>Poucos profissionais deram a devida importância ao fato do ucraniano Wolodymyr Zelensky ter sido eleito presidente em 2019, com 72% dos votos propondo um acordo de paz na região de Donbass (1) . Mas a esperança de paz durou pouco porque a extrema direita ucraniana ameaçou matar Zelensky e toda sua família caso Donbass, cuja população é majoritariamente descendente de russos, se tornasse autônoma dentro de um estado federativo. Zelensky cedeu à pressão da extrema direita, o que irritou Putin e deu a Biden o pretexto para usar a Ucrânia para meter a Rússia num atoleiro militar.</p>
<p>A imprensa mundial, inclusive a brasileira, não deu a devida importância ao fato de Joe Biden já ter dedicado mais de 60 bilhões de dólares para apoio militar a Zelensky, justo num momento em que a inflação interna nos EUA bate recorde e a economia norte-americana dá sinais de enfraquecimento. A jogada de Biden é clara: penalizar o público doméstico, na aposta de que um eventual revés russo na Ucrânia contribua para reduzir o ímpeto econômico chinês, este sim o grande alvo da Casa Branca. Só que o extremista Donald Trump já está faturando eleitoralmente o descontentamento da classe média norte-americana.</p>
<p><figure id="attachment_12005" aria-describedby="caption-attachment-12005" style="width: 930px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-12005" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/wp-content/uploads/2022/05/1_5qY86SSr5RpFLGM9nP8dKA.png" alt="" width="930" height="497" /><figcaption id="caption-attachment-12005" class="wp-caption-text">Jornalistas na Ucrânia (Foto de Raphael Lapargue/ ABACAPRESS publicada por Free Press Unlimited)</figcaption></figure><br />
O G-7 (as sete nações mais ricas do mundo) anunciou esta semana um empréstimo de 31 bilhões de dólares (30 bilhões de euros) para a reconstrução da Ucrânia e mais 520 milhões de dólares em armas e equipamento militar. Os governos membros da OTAN estão gastando fortunas para alimentar uma guerra, ignorando o fato de que ela agrava uma crise econômica iniciada antes de pandemia da Covid 19. É um absurdo financiar um conflito sabendo que a reconstrução da Ucrânia vai custar ainda mais caro do que a guerra.</p>
<p>O mundo poderia evitar o caos econômico e a destruição da Ucrânia se os países da OTAN tivessem feito uma conta básica de custo-benefício da guerra. Bastaria Zelensky renunciar ao ingresso na Aliança Militar do Ocidente, controlar a extrema direita interna, e respeitar o acordo de Minsk (2014) que deu autonomia parcial à região de Donbass. Putin perderia o pretexto para a invasão, seis milhões de ucranianos não precisariam emigrar e a economia mundial teria um ambiente um pouco mais tranquilo para enfrentar a recessão causada pela Covid 19.</p>
<p>Nada disto que mostrei acima é inédito pois já foi dito por muitos comentaristas políticos internacionais e acadêmicos. Só que a maioria da imprensa continua presa a uma narrativa do bem contra o mal, do humanitário Biden e do valoroso Zelensky contra o diabólico Putin e o sinistro Xi Jiping. Ignoramos a complexidade dos fatos e processos, para nos refugiarmos no simplismo que nos livra da necessidade de ter que pensar e contrariar estratégias de informação desenvolvidas tanto em Washington, como em Kiev e Moscou. Não há inocentes nesta guerra, mas a imprensa, contrariando seus dogmas, já consagrou um bandido e um mocinho.</p>
<p>Todas estas afirmações estão baseadas em fatos e depoimentos que não reproduzo aqui porque acabaria escrevendo um livro. Mas valem o início de um debate. O propósito deste texto é chamar a atenção para a falta de um equilíbrio informativo na cobertura da guerra na Ucrânia. Não se trata apenas de ser ou parecer isento, mas de ter consciência de que as pessoas precisam saber que o desenrolar dos acontecimentos desde o mês de abril sinalizam um agravamento do conflito que nos coloca na faixa de risco para um confronto nuclear. Nossa sobrevivência depende de um fluxo diversificado e transparente de informações sobre o que está acontecendo de fato na Ucrânia.</p>
<p>(1) Donbass é uma região da Ucrânia situada na fronteira com a Rússia onde estão as cidades de Luhansk e Donetsk.</p>
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="WuDcVAF5eD"><p><a href="https://urutaurpg.com.br/siteluis/5-perguntas-conflito-russia-x-ucrania/" target="_blank" rel="noopener">5 perguntas sobre o conflito Rússia x Ucrânia</a></p></blockquote>
<p><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;5 perguntas sobre o conflito Rússia x Ucrânia&#8221; &#8212; Zona Curva" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/5-perguntas-conflito-russia-x-ucrania/embed/#?secret=PIxBp3U1wW#?secret=WuDcVAF5eD" data-secret="WuDcVAF5eD" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="gU6DxqrUOU"><p><a href="https://urutaurpg.com.br/siteluis/a-paz-e-possivel/" target="_blank" rel="noopener">A paz é possível?</a></p></blockquote>
<p><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;A paz é possível?&#8221; &#8212; Zona Curva" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/a-paz-e-possivel/embed/#?secret=GMcbps7sJP#?secret=gU6DxqrUOU" data-secret="gU6DxqrUOU" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="mPYVOmnNSp"><p><a href="https://urutaurpg.com.br/siteluis/onu-joga-para-a-plateia/" target="_blank" rel="noopener">ONU joga para a plateia</a></p></blockquote>
<p><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;ONU joga para a plateia&#8221; &#8212; Zona Curva" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/onu-joga-para-a-plateia/embed/#?secret=iNVk3Bstq8#?secret=mPYVOmnNSp" data-secret="mPYVOmnNSp" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
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		<item>
		<title>ONU joga para a plateia</title>
		<link>https://zonacurva.com.br/onu-joga-para-a-plateia/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Elaine Tavares]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 23 Apr 2022 21:01:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política análise]]></category>
		<category><![CDATA[Guerra Rússia e Ucrânia 2022]]></category>
		<category><![CDATA[massacre de Bucha]]></category>
		<category><![CDATA[rússia onu]]></category>
		<category><![CDATA[rússia x ucrânia]]></category>
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					<description><![CDATA[A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas suspendeu a Rússia do Conselho de Direitos Humanos. O motivo foi o chamado massacre de Bucha, que Moscou nega alegando que foi um episódio armado pela Ucrânia. Mas, mesmo sem se levar a cabo uma investigação segura, a Rússia já foi julgada sumariamente. E, a punição foi o banimento do Conselho. Foram 93 países a favor, 24 contra e 58 abstenções. Há denúncias de que o texto não foi discutido previamente e que, é claro, a votação aconteceu sob intensa pressão dos Estados Unidos. Ou seja, é mais ou menos como acontece nas nossas Câmaras de Vereadores: ninguém leu nada, mas vota porque o prefeito mandou. Nenhuma novidade, portanto. Ora, a ONU, historicamente, tem sido absolutamente omissa com relação aos crimes dos Estados Unidos e nem mesmo depois que a verdade aparece, como foi o caso do Iraque, quando os EUA anunciaram aos quatro ventos de havia armas químicas por lá e por isso o destruíram, o país do Tio Sam recebe qualquer sanção. Os EUA podem tudo, mas seus adversários são sempre julgados com rigor. Para quem tem memória curta, é bom lembrar que esse mesmo organismo suspendeu a Líbia em 2011, também sob alegações de que lá, Muammar Kadafi cometia um sem fim de violências contra a população. E, na esteira disso, os EUA promoveram a “primavera árabe”  e garantiram que Kadafi fosse assassinado e arrastado pelas ruas. Com isso destruíram a Líbia – um país não alinhado e afeito ao nacionalismo árabe  &#8211; que até hoje não conseguiu sair do atoleiro. A ONU historicamente sempre tem se comportado como um braço longo do imperialismo estadunidense e os países ficam por lá porque entendem que é sempre possível fazer uma batalha por dentro do monstro, denunciando os dois pesos e duas medidas que conformam as decisões. De qualquer sorte, as decisões do órgão que são tomadas contra nações amigas dos EUA nunca são ouvidas e sequer noticiadas com ênfase. Já, agora, com toda a mídia comercial assumindo as relações públicas da OTAN, a medida repercutiu tremendamente. Um exemplo próximo de nós é o dos povos indígenas, que sistematicamente têm denunciado sobre a violação dos direitos humanos no Brasil no que diz respeito às etnias e aos territórios. E o que passou? O Brasil foi escolhido para integrar o Conselho de Direitos Humanos. Não parece estranho? Cuba é um país não alinhado que faz parte desse Conselho, votou contra a resolução de suspensão da Rússia e ainda tem advertido os demais países sobre esse ato que pode se tornar corriqueiro, servindo de moeda de troca dos Estados Unidos com os demais países. Hoje é a Rússia, amanhã pode ser qualquer país que se apresente não alinhado. Para os diplomatas cubanos, o conselho deveria ser um espaço capaz de enfrentar os complexos desafios apresentados pela comunidade internacional nessa área encontrando saídas e não simplesmente aplicando sanções. O embaixador cubano, no seu discurso, questionou: “esta Assembleia alguma vez poderá aprovar uma resolução suspendendo a participação dos Estados Unidos no Conselho de Direitos Humanos? Todos nós sabemos que isto não aconteceu e não acontecerá, apesar de suas flagrantes e maciças violações dos direitos humanos”. O fato é que agora, não adianta querer discutir os crimes estadunidenses. Ao fazê-lo, a maioria das pessoas, já contaminada pelo discurso da mídia servil, só quer saber de julgar o que a mídia mostra. E o que a mídia mostra são os crimes de guerra na Ucrânia. Os demais podem seguir, já que não estão na tela da TV. Para os que não se movem desde a opinião dos poderosos de plantão, os crimes de guerra devem ser julgados, todos. Com apresentação das provas, com a investigação qualificada. Fosse assim, Israel já estaria pagando por seus crimes contra os palestinos, ou os Estados Unidos pelo que fez no Iraque, só para ficarmos em dois exemplos. Mas, ao contrário. Quem está preso e morrendo aos poucos pela tortura é o jornalista Julian Assange, que ousou denunciar – com provas cabais  &#8211; os horrores estadunidenses. Para Assange não se vê qualquer manifestação do Conselho da ONU. Ele está prestes a ser extraditado para os Estados Unidos como se fosse um criminoso de guerra, um espião. Uma situação para lá de bizarra que aparece como normal. De qualquer forma isso não é surpresa. A lógica dos organismos que foram criados no pós-guerra é essa mesma: fortalecer sempre o poder do império estadunidense, sob quaisquer circunstâncias.  Todo cuidado com os amigos e toda a força da lei para os inimigos. Provas? Investigação? Justiça? Não, isso não é necessário. Se o &#8220;rei&#8221; falou, tá falado. A inevitável escalada da guerra nas fronteiras russas 5 perguntas sobre o conflito Rússia x Ucrânia Ucrânia: o jornalismo precisa fazer uma autocrítica]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas suspendeu a Rússia do Conselho de Direitos Humanos. O motivo foi o chamado massacre de Bucha, que Moscou nega alegando que foi um episódio armado pela Ucrânia. Mas, mesmo sem se levar a cabo uma investigação segura, a Rússia já foi julgada sumariamente. E, a punição foi o banimento do Conselho. Foram 93 países a favor, 24 contra e 58 abstenções. Há denúncias de que o texto não foi discutido previamente e que, é claro, a votação aconteceu sob intensa pressão dos Estados Unidos. Ou seja, é mais ou menos como acontece nas nossas Câmaras de Vereadores: ninguém leu nada, mas vota porque o prefeito mandou. Nenhuma novidade, portanto.</p>
<p>Ora, a ONU, historicamente, tem sido absolutamente omissa com relação aos crimes dos Estados Unidos e nem mesmo depois que a verdade aparece, como foi o caso do Iraque, quando os EUA anunciaram aos quatro ventos de havia armas químicas por lá e por isso o destruíram, o país do Tio Sam recebe qualquer sanção. Os EUA podem tudo, mas seus adversários são sempre julgados com rigor.</p>
<p>Para quem tem memória curta, é bom lembrar que esse mesmo organismo suspendeu a Líbia em 2011, também sob alegações de que lá, Muammar Kadafi cometia um sem fim de violências contra a população. E, na esteira disso, os EUA promoveram a “primavera árabe”  e garantiram que Kadafi fosse assassinado e arrastado pelas ruas. Com isso destruíram a Líbia – um país não alinhado e afeito ao nacionalismo árabe  &#8211; que até hoje não conseguiu sair do atoleiro.</p>
<p>A ONU historicamente sempre tem se comportado como um braço longo do imperialismo estadunidense e os países ficam por lá porque entendem que é sempre possível fazer uma batalha por dentro do monstro, denunciando os dois pesos e duas medidas que conformam as decisões. De qualquer sorte, as decisões do órgão que são tomadas contra nações amigas dos EUA nunca são ouvidas e sequer noticiadas com ênfase. Já, agora, com toda a mídia comercial assumindo as relações públicas da OTAN, a medida repercutiu tremendamente.</p>
<p>Um exemplo próximo de nós é o dos povos indígenas, que sistematicamente têm denunciado sobre a violação dos direitos humanos no Brasil no que diz respeito às etnias e aos territórios. E o que passou? O Brasil foi escolhido para integrar o Conselho de Direitos Humanos. Não parece estranho?</p>
<p>Cuba é um país não alinhado que faz parte desse Conselho, votou contra a resolução de suspensão da Rússia e ainda tem advertido os demais países sobre esse ato que pode se tornar corriqueiro, servindo de moeda de troca dos Estados Unidos com os demais países. Hoje é a Rússia, amanhã pode ser qualquer país que se apresente não alinhado. Para os diplomatas cubanos, o conselho deveria ser um espaço capaz de enfrentar os complexos desafios apresentados pela comunidade internacional nessa área encontrando saídas e não simplesmente aplicando sanções.</p>
<p>O embaixador cubano, no seu discurso, questionou: “esta Assembleia alguma vez poderá aprovar uma resolução suspendendo a participação dos Estados Unidos no Conselho de Direitos Humanos? Todos nós sabemos que isto não aconteceu e não acontecerá, apesar de suas flagrantes e maciças violações dos direitos humanos”.</p>
<p>O fato é que agora, não adianta querer discutir os crimes estadunidenses. Ao fazê-lo, a maioria das pessoas, já contaminada pelo discurso da mídia servil, só quer saber de julgar o que a mídia mostra. E o que a mídia mostra são os crimes de guerra na Ucrânia. Os demais podem seguir, já que não estão na tela da TV.</p>
<p>Para os que não se movem desde a opinião dos poderosos de plantão, os crimes de guerra devem ser julgados, todos. Com apresentação das provas, com a investigação qualificada. Fosse assim, Israel já estaria pagando por seus crimes contra os palestinos, ou os Estados Unidos pelo que fez no Iraque, só para ficarmos em dois exemplos.</p>
<p>Mas, ao contrário. Quem está preso e morrendo aos poucos pela tortura é o jornalista Julian Assange, que ousou denunciar – com provas cabais  &#8211; os horrores estadunidenses. Para Assange não se vê qualquer manifestação do Conselho da ONU. Ele está prestes a ser extraditado para os Estados Unidos como se fosse um criminoso de guerra, um espião. Uma situação para lá de bizarra que aparece como normal.</p>
<figure id="attachment_11758" aria-describedby="caption-attachment-11758" style="width: 300px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-11758" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/wp-content/uploads/2022/04/bolsonaro-discurso-onu-7-848x477-1-300x300.jpg" alt="" width="300" height="300" /><figcaption id="caption-attachment-11758" class="wp-caption-text">Assembleia Geral das Nações Unidas  (Reprodução)</figcaption></figure>
<p>De qualquer forma isso não é surpresa. A lógica dos organismos que foram criados no pós-guerra é essa mesma: fortalecer sempre o poder do império estadunidense, sob quaisquer circunstâncias.  Todo cuidado com os amigos e toda a força da lei para os inimigos. Provas? Investigação? Justiça? Não, isso não é necessário. Se o &#8220;rei&#8221; falou, tá falado.</p>
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="C2KFBqB4zg"><p><a href="https://urutaurpg.com.br/siteluis/a-inevitavel-escalada-da-guerra-nas-fronteiras-russas/" target="_blank" rel="noopener">A inevitável escalada da guerra nas fronteiras russas</a></p></blockquote>
<p><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;A inevitável escalada da guerra nas fronteiras russas&#8221; &#8212; Zona Curva" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/a-inevitavel-escalada-da-guerra-nas-fronteiras-russas/embed/#?secret=tifWwkxu8t#?secret=C2KFBqB4zg" data-secret="C2KFBqB4zg" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="zTyb9ovy95"><p><a href="https://urutaurpg.com.br/siteluis/5-perguntas-conflito-russia-x-ucrania/" target="_blank" rel="noopener">5 perguntas sobre o conflito Rússia x Ucrânia</a></p></blockquote>
<p><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;5 perguntas sobre o conflito Rússia x Ucrânia&#8221; &#8212; Zona Curva" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/5-perguntas-conflito-russia-x-ucrania/embed/#?secret=cLxF0JEU2S#?secret=zTyb9ovy95" data-secret="zTyb9ovy95" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="t0RW0kNACX"><p><a href="https://urutaurpg.com.br/siteluis/ucrania-o-jornalismo-precisa-fazer-uma-autocritica/" target="_blank" rel="noopener">Ucrânia: o jornalismo precisa fazer uma autocrítica</a></p></blockquote>
<p><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;Ucrânia: o jornalismo precisa fazer uma autocrítica&#8221; &#8212; Zona Curva" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/ucrania-o-jornalismo-precisa-fazer-uma-autocritica/embed/#?secret=Gw4HNTVMvb#?secret=t0RW0kNACX" data-secret="t0RW0kNACX" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
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		<title>Relógio do Apocalipse indica risco nuclear recorde</title>
		<link>https://zonacurva.com.br/relogio-do-apocalipse-indica-risco-nuclear-recorde/</link>
					<comments>https://zonacurva.com.br/relogio-do-apocalipse-indica-risco-nuclear-recorde/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Carlos Castilho]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 04 Apr 2022 18:07:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Escritos]]></category>
		<category><![CDATA[Ataque Nuclear]]></category>
		<category><![CDATA[Comunidade Internacional]]></category>
		<category><![CDATA[Conflito Geopolítico]]></category>
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					<description><![CDATA[Relógio do apocalipse &#8211; Os ponteiros do simbólico relógio, criado há 75 anos (1947) para medir o perigo de uma guerra nuclear global, mostram que estamos a meros 100 segundos entre o lançamento da primeira bomba atômica e o início de uma retaliação que pode levar à destruição de boa parte do planeta Terra. É apenas a segunda vez na história do relógio que ele aponta para um tempo tão curto para a chegada da fatídica ‘’meia noite” da insanidade atômica. A primeira vez foi em 1953, um período de enorme tensão entre Estados Unidos e a então União Soviética, e que descambou anos mais tarde na fracassada tentativa norte-americana de invasão da Baia dos Porcos, em Cuba, em 1961, agravada um ano depois pela decisão soviética de instalar bases de mísseis atômicos em território cubano. O apocalipse nuclear foi evitado por um acordo entre Washington e Moscou. A mais recente atualização do Relógio do Apocalipse foi feita em janeiro deste ano quando os integrantes do grupo de 28 cientistas , entre eles nove prêmios Nobel, se reuniram para avaliar os riscos de um conflito nuclear no planeta. A crise da Ucrânia ainda não tinha começado, mas o clima de tensão já havia contaminado os meios acadêmicos da Europa e dos Estados Unidos. As atualizações demoram algum tempo para acontecer por conta da diversidade e distribuição geográfica dos participantes. De janeiro até agora, a situação piorou muito em termos da tensão entre os países ocidentais liderados pelos Estados Unidos e a Rússia, com seu arsenal nuclear de seis mil ogivas, 500 a mais do que o dos Estados Unidos. Segundo a jornalista norte-americana Caitlin Johnstone, estamos revivendo os riscos da crise dos mísseis, há 60 anos, mas com duas agravantes. &#160; Fatores agravantes Enquanto nos anos 50 e 60 do século passado, a tensão nuclear contaminou boa parte da população mundial, hoje o medo de uma hecatombe atômica está restrito às pessoas com mais de 50 anos, porque a maioria dos mais jovens não passou pela traumática experiência de esperar o pior sem poder fazer nada. A opinião pública mundial está muito menos consciente dos riscos de um apocalipse planetário depois do fim da Guerra Fria entre o capitalismo e o comunismo. O segundo fator agravante é o risco de decisões erradas por causa das mudanças tecnológicas nos processos de gerenciamento do disparo de armas nucleares. A automação digital dos sistemas de tomada de decisão e acionamento dos mísseis encurtou dramaticamente o tempo entre um ato e o outro. Na crise dos mísseis, todo o processo era basicamente humano, enquanto agora os algoritmos desempenham a maior parte das tarefas que antecedem o início de um apocalipse. O cientista nuclear norte-americano Ray McGovern, autor de um artigo sombriamente intitulado “Will Humans Be the Next ‘Freedom Fries’? (1), afirma que o maior risco está nos sistemas de identificação de disparos de mísseis com ogivas atômicas. McGovern, um ex-analista de assuntos nucleares da CIA (Agência Central de Inteligência), afirma que embora os russos tenham mais e melhores armas nucleares do que os norte-americanos, o sistema deles de alerta de um ataque com mísseis é pouco confiável e desatualizado. &#160; A terceirização do apocalipse “Os russos sabem disto desde 1995 quando tardaram vários minutos para identificar como inofensivo um míssil militar disparado da Noruega para pesquisa atmosférica. Se o foguete tivesse uma carga nuclear, a demora na identificação seria fatal”, diz McGovern. Hoje, pesquisadores americanos acreditam que o sistema russo de detecção ainda é muito menos sofisticado do que o norte-americano, o que pode levar Putin a reagir por impulso diante da menor suspeita de ataque. Outro elemento que tira o sono da equipe de pesquisadores do Relógio do Apocalipse é o fato de que muitos procedimentos prévios ao disparo de um míssil nuclear foram terceirizados nos Estados Unidos para empresas particulares. O elevadíssimo grau de especialização tecnológica incorporado ao sistema de deflagração de um ataque nuclear faz com que várias etapas do processo fiquem fora do controle direto das autoridades civis e militares responsáveis pelo comando das operações. Um erro ou descuido nestas condições dificilmente poderá ser corrigido a tempo. Estes fatores estão presentes também no uso das chamadas armas nucleares táticas, artefatos de menor poder explosivo para destruição de objetivos militares específicos, como um aeroporto ou quartel. O problema é que estas bombas, depois de usadas, geram também radiação atômica de longa duração que contamina pessoas e prédios. Convivemos com arsenais nucleares por mais de 60 anos. Já tivemos períodos de relativa tranquilidade, como o de 1991/1995 quando o Relógio do Apocalipse indicava que a humanidade tinha pouco menos de três horas para evitar uma guerra atômica. Era tempo suficiente para frear impulsos e corrigir erros. Hoje, o que deve nos assustar é a possibilidade de que o minuto e 40 segundos que nos restam sejam insuficientes para uma brevissima reflexão e abortar um processo civil/militar parcialmente automatizado. (1) Freedom Fries é uma expressão pejorativa criada em 2003 por políticos norte-americanos para mostrar irritação contra o governo francês, quando este se opôs à invasão do Iraque. French Fries é batata frita em inglês. Ao adaptar para Freedom Fries a intenção era acusar o governo francês de tolerar uma fritura da liberdade ao rejeitar uma ação militar contra Saddam Hussein, considerado um ditador pelos Estados Unidos. 5 perguntas sobre o conflito Rússia x Ucrânia A guerra e o Brasil As guerras do Império Russo em expansão: Tolstói e seu livro autobiográfico &#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p id="8ef3" class="pw-post-body-paragraph je jf ih jg b jh ji jj jk jl jm jn jo jp jq jr js jt ju jv jw jx jy jz ka kb ia gi" data-selectable-paragraph="">Relógio do apocalipse &#8211; Os ponteiros do simbólico relógio, criado há 75 anos (1947) para medir o perigo de uma guerra nuclear global, mostram que estamos a meros 100 segundos entre o lançamento da primeira bomba atômica e o início de uma retaliação que pode levar à destruição de boa parte do planeta Terra.</p>
<p id="55bb" class="pw-post-body-paragraph je jf ih jg b jh ji jj jk jl jm jn jo jp jq jr js jt ju jv jw jx jy jz ka kb ia gi" data-selectable-paragraph="">É apenas a segunda vez <a class="au ko" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Rel%C3%B3gio_do_Ju%C3%ADzo_Final" target="_blank" rel="noopener ugc nofollow">na história do relógio</a> que ele aponta para um tempo tão curto para a chegada da fatídica ‘’meia noite” da insanidade atômica. A primeira vez foi em 1953, um período de enorme tensão entre Estados Unidos e a então União Soviética, e que descambou anos mais tarde na fracassada tentativa norte-americana de invasão da Baia dos Porcos, em Cuba, em 1961, agravada um ano depois pela decisão soviética de instalar bases de mísseis atômicos em território cubano. O apocalipse nuclear foi evitado por um acordo entre Washington e Moscou.</p>
<p id="b7d0" class="pw-post-body-paragraph je jf ih jg b jh ji jj jk jl jm jn jo jp jq jr js jt ju jv jw jx jy jz ka kb ia gi" data-selectable-paragraph="">A mais recente atualização do Relógio do Apocalipse foi feita em janeiro deste ano quando os integrantes do grupo de <a class="au ko" href="https://thebulletin.org/" target="_blank" rel="noopener ugc nofollow">28 cientistas </a>, entre eles nove prêmios Nobel, se reuniram para avaliar os riscos de um conflito nuclear no planeta. A crise da Ucrânia ainda não tinha começado, mas o clima de tensão já havia contaminado os meios acadêmicos da Europa e dos Estados Unidos. As atualizações demoram algum tempo para acontecer por conta da diversidade e distribuição geográfica dos participantes.</p>
<figure id="attachment_11696" aria-describedby="caption-attachment-11696" style="width: 1313px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-11696" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/wp-content/uploads/2022/04/1_Hh7oSkJFgODNGcb-SDhj4A.png" alt="" width="1313" height="354" /><figcaption id="caption-attachment-11696" class="wp-caption-text">Variações do Relógio do Apocalipse desde sua criação (Reprodução)</figcaption></figure>
<p>De janeiro até agora, a situação piorou muito em termos da tensão entre os países ocidentais liderados pelos Estados Unidos e a Rússia, com seu arsenal nuclear de seis mil ogivas, 500 a mais do que o dos Estados Unidos. Segundo a jornalista norte-americana <a class="au ko" href="https://medium.com/p/being-this-close-to-nuclear-war-should-change-how-we-see-things-e6e631c0ba22?" rel="noopener" target="_blank">Caitlin Johnstone</a>, estamos revivendo os riscos da crise dos mísseis, há 60 anos, mas com duas agravantes.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Fatores agravantes</strong></p>
<p>Enquanto nos anos 50 e 60 do século passado, a tensão nuclear contaminou boa parte da população mundial, hoje o medo de uma hecatombe atômica está restrito às pessoas com mais de 50 anos, porque a maioria dos mais jovens não passou pela traumática experiência de esperar o pior sem poder fazer nada. A opinião pública mundial está muito menos consciente dos riscos de um apocalipse planetário depois do fim da Guerra Fria entre o capitalismo e o comunismo.</p>
<p>O segundo fator agravante é o risco de decisões erradas por causa das mudanças tecnológicas nos processos de gerenciamento do disparo de armas nucleares. A automação digital dos sistemas de tomada de decisão e acionamento dos mísseis encurtou dramaticamente o tempo entre um ato e o outro. Na crise dos mísseis, todo o processo era basicamente humano, enquanto agora os algoritmos desempenham a maior parte das tarefas que antecedem o início de um apocalipse.</p>
<p>O cientista nuclear norte-americano Ray McGovern, autor de um artigo sombriamente intitulado “<em class="kt">Will Humans Be the Next ‘Freedom Fries’</em>? (1), afirma que o maior risco está nos sistemas de identificação de disparos de mísseis com ogivas atômicas. McGovern, um ex-analista de assuntos nucleares da CIA (Agência Central de Inteligência), afirma que embora os russos tenham mais e melhores armas nucleares do que os norte-americanos, o sistema deles de alerta de um ataque com mísseis é pouco confiável e desatualizado.</p>
<figure id="attachment_11698" aria-describedby="caption-attachment-11698" style="width: 300px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-11698 size-medium" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/wp-content/uploads/2022/04/1_UDGUCMKg231EphHJwBKzNQ-300x300.png" alt="relógio do apocalipse" width="300" height="300" /><figcaption id="caption-attachment-11698" class="wp-caption-text">Em janeiro, cientistas já apontavam o perigo de uma guerra atômica (Reprodução)</figcaption></figure>
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<p id="0ef6" class="pw-post-body-paragraph je jf ih jg b jh ji jj jk jl jm jn jo jp jq jr js jt ju jv jw jx jy jz ka kb ia gi" data-selectable-paragraph=""><strong class="jg ii">A terceirização do apocalipse</strong></p>
<p id="c588" class="pw-post-body-paragraph je jf ih jg b jh ji jj jk jl jm jn jo jp jq jr js jt ju jv jw jx jy jz ka kb ia gi" data-selectable-paragraph="">“Os russos sabem disto desde 1995 quando tardaram vários minutos para identificar como inofensivo um míssil militar disparado da Noruega para pesquisa atmosférica. Se o foguete tivesse uma carga nuclear, a demora na identificação seria fatal”, diz McGovern. Hoje, pesquisadores americanos acreditam que o sistema russo de detecção ainda é muito menos sofisticado do que o norte-americano, o que pode levar Putin a reagir por impulso diante da menor suspeita de ataque.</p>
<p id="a420" class="pw-post-body-paragraph je jf ih jg b jh ji jj jk jl jm jn jo jp jq jr js jt ju jv jw jx jy jz ka kb ia gi" data-selectable-paragraph="">Outro elemento que tira o sono da equipe de pesquisadores do Relógio do Apocalipse é o fato de que muitos procedimentos prévios ao disparo de um míssil nuclear foram terceirizados nos Estados Unidos para empresas particulares. O elevadíssimo grau de especialização tecnológica incorporado ao sistema de deflagração de um ataque nuclear faz com que várias etapas do processo fiquem fora do controle direto das autoridades civis e militares responsáveis pelo comando das operações. Um erro ou descuido nestas condições dificilmente poderá ser corrigido a tempo.</p>
<p id="101e" class="pw-post-body-paragraph je jf ih jg b jh ji jj jk jl jm jn jo jp jq jr js jt ju jv jw jx jy jz ka kb ia gi" data-selectable-paragraph="">Estes fatores estão presentes também no uso das chamadas armas nucleares táticas, artefatos de menor poder explosivo para destruição de objetivos militares específicos, como um aeroporto ou quartel. O problema é que estas bombas, depois de usadas, geram também radiação atômica de longa duração que contamina pessoas e prédios.</p>
<p id="b815" class="pw-post-body-paragraph je jf ih jg b jh ji jj jk jl jm jn jo jp jq jr js jt ju jv jw jx jy jz ka kb ia gi" data-selectable-paragraph="">Convivemos com arsenais nucleares por mais de 60 anos. Já tivemos períodos de relativa tranquilidade, como o de 1991/1995 quando o Relógio do Apocalipse indicava que a humanidade tinha pouco menos de três horas para evitar uma guerra atômica. Era tempo suficiente para frear impulsos e corrigir erros. Hoje, o que deve nos assustar é a possibilidade de que o minuto e 40 segundos que nos restam sejam insuficientes para uma brevissima reflexão e abortar um processo civil/militar parcialmente automatizado.</p>
<figure id="attachment_11709" aria-describedby="caption-attachment-11709" style="width: 300px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-11709 size-medium" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/wp-content/uploads/2022/04/4-de-abril-bomba-nuclear-300x300.jpg" alt="bomba nuclear risco" width="300" height="300" /><figcaption id="caption-attachment-11709" class="wp-caption-text">A humanidade perto da meia noite da insanidade atômica (Reprodução)</figcaption></figure>
<p id="47b7" class="pw-post-body-paragraph je jf ih jg b jh ji jj jk jl jm jn jo jp jq jr js jt ju jv jw jx jy jz ka kb ia gi" data-selectable-paragraph="">(1) <em class="kt">Freedom Fries</em> é uma expressão pejorativa criada em 2003 por políticos norte-americanos para mostrar irritação contra o governo francês, quando este se opôs à invasão do Iraque. <em class="kt">French Fries</em> é batata frita em inglês. Ao adaptar para <em class="kt">Freedom Fries</em> a intenção era acusar o governo francês de tolerar uma fritura da liberdade ao rejeitar uma ação militar contra Saddam Hussein, considerado um ditador pelos Estados Unidos.</p>
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="RZ1UYtk43l"><p><a href="https://urutaurpg.com.br/siteluis/5-perguntas-conflito-russia-x-ucrania/" target="_blank" rel="noopener">5 perguntas sobre o conflito Rússia x Ucrânia</a></p></blockquote>
<p><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;5 perguntas sobre o conflito Rússia x Ucrânia&#8221; &#8212; Zona Curva" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/5-perguntas-conflito-russia-x-ucrania/embed/#?secret=HRAZaePhv2#?secret=RZ1UYtk43l" data-secret="RZ1UYtk43l" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="bckI9YsZlK"><p><a href="https://urutaurpg.com.br/siteluis/a-guerra-e-o-brasil/" target="_blank" rel="noopener">A guerra e o Brasil</a></p></blockquote>
<p><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;A guerra e o Brasil&#8221; &#8212; Zona Curva" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/a-guerra-e-o-brasil/embed/#?secret=ZWJAOjNss8#?secret=bckI9YsZlK" data-secret="bckI9YsZlK" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="leUNDPLql2"><p><a href="https://urutaurpg.com.br/siteluis/as-guerras-do-imperio-russo-em-expansao-tolstoi-e-seu-livro-autobiografico/" target="_blank" rel="noopener">As guerras do Império Russo em expansão: Tolstói e seu livro autobiográfico</a></p></blockquote>
<p><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;As guerras do Império Russo em expansão: Tolstói e seu livro autobiográfico&#8221; &#8212; Zona Curva" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/as-guerras-do-imperio-russo-em-expansao-tolstoi-e-seu-livro-autobiografico/embed/#?secret=eppEgRzXwK#?secret=leUNDPLql2" data-secret="leUNDPLql2" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>A guerra e o Brasil</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Zonacurva]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 24 Mar 2022 18:37:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Conversa ao Vivo Zona Curva]]></category>
		<category><![CDATA[Política análise]]></category>
		<category><![CDATA[aumento da inflação Bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[guerra na ucrânia]]></category>
		<category><![CDATA[guerra na ucrânia brasil]]></category>
		<category><![CDATA[guerra na ucrânia gasolina]]></category>
		<category><![CDATA[Guerra Rússia e Ucrânia 2022]]></category>
		<category><![CDATA[rússia x ucrânia]]></category>
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					<description><![CDATA[Colaborou Isabela Gama O CONVERSA AO VIVO ZONACURVA de 10 de março (quinta) recebeu novamente a mestranda em Relações Internacionais Giovana Branco. Desta vez para discutir os impactos do conflito russo no Brasil. O bate-papo contou com a presença do editor Zonacurva Fernando do Valle e Luis Lopes do portal Vishows. Os impactos do conflito russo para o Brasil são muitos e a alta do preço da gasolina é o mais relevante. Apesar do Brasil ser considerado autossuficiente em petróleo com suas enormes reservas do pré-sal e a alta produtividade da Petrobrás, a política entreguista de Bolsonaro, que vende as refinarias brasileiras a preços baixos ao capital estrangeiro, coloca o Brasil em uma situação vulnerável no refino e abastecimento de combustíveis. Por isso, houve um aumento da gasolina de quase 20% em 10 de março. Giovana relembra que a Rússia é o segundo maior exportador de petróleo do mundo, atrás apenas da Arábia Saudita, e que a guerra influenciou na alta do barril que chegou a 140 dólares, mais alto valor em uma década. É importante considerar que a importação de derivados de petróleo é realizada em dólar, e a inflação brasileira corrói o poder de compra do real, complementando os motivos que levam a gasolina a alcançar preços exorbitantes para o consumidor final. A pesquisadora afirma que o Brasil não é o mais afetado pela crise energética ocasionada pelo conflito. A situação dos países da Europa Ocidental é ainda mais complicada. A Alemanha é um dos países mais dependentes da energia russa, mais da metade do gás natural vem do país vizinho. Ambos os países terminaram de construir o Nord Stream 2 (gasoduto com 1230 quilômetros entre Rússia e Alemanha) no final do ano passado e que ainda não entrou em funcionamento. Com a guerra, o gasoduto foi bloqueado como sanção à Rússia. O desespero do governo alemão, que corre o risco de falta de gás para o aquecimento das casas às vésperas do inverno europeu, o levou a fechar acordo às pressas com o Catar para fornecimento de gás. A pesquisadora afirma que, na sua visão, essas sanções são egoístas, pois não levam em consideração a situação dos países da Europa. “As medidas parecem muito mais decisões unilaterais tomadas pelos Estados Unidos do que uma conversa com seus aliados”, afirma Giovana. Ela explica que, para os membros da União Europeia, a rivalidade com a Rússia não é benéfica, nem econômica ou politicamente, “são os norte-americanos que se sentem ameaçados com a presença russa”, completa. Outro ponto abordado na live foram as notícias que surgiram nas últimas semanas sobre empresários russos com seus bens bloqueados ao redor do mundo. Um exemplo foi o de Roman Abramovich, proprietário do time inglês de futebol Chelsea, que foi proibido de vender o time, como forma de retaliação à invasão russa na Ucrânia, considerando que o bilionário tem ligações próximas a Putin.  Giovana explica que os ataques aos oligarcas russos não vão ter o efeito que a comunidade internacional espera, visto que as relações entre o governo e esses empresários são diferentes do que estamos acostumados. “É como se houvesse um acordo, enquanto Putin não interfere na economia e nos negócios da elite russa, esses empresários não opinam nas atitudes do presidente&#8221;, explica. A paz é possível? A inevitável escalada da guerra nas fronteiras russas &#160; 5 perguntas sobre o conflito Rússia x Ucrânia]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="ast-oembed-container " style="height: 100%;"><iframe title="A GUERRA E O BRASIL" width="1200" height="675" src="https://www.youtube.com/embed/P3EYhdZFdr4?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe></div>
<p style="text-align: right;"><b>Colaborou Isabela Gama</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O CONVERSA AO VIVO ZONACURVA de 10 de março (quinta) recebeu novamente a mestranda em Relações Internacionais Giovana Branco. Desta vez para discutir os impactos do conflito russo no Brasil. O bate-papo contou com a presença do editor Zonacurva Fernando do Valle e Luis Lopes do portal Vishows.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os impactos do conflito russo para o Brasil são muitos e a alta do preço da gasolina é o mais relevante. Apesar do Brasil ser considerado autossuficiente em petróleo com suas enormes reservas do pré-sal e a alta produtividade da Petrobrás, a política entreguista de Bolsonaro, que vende as refinarias brasileiras a preços baixos ao capital estrangeiro, coloca o Brasil em uma situação vulnerável no refino e abastecimento de combustíveis.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por isso, houve um aumento da gasolina de quase 20% em 10 de março. Giovana relembra que a Rússia é o segundo maior exportador de petróleo do mundo, atrás apenas da Arábia Saudita, e que a guerra influenciou na alta do barril que chegou a 140 dólares, mais alto valor em uma década.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É importante considerar que a importação de derivados de petróleo é realizada em dólar, e a inflação brasileira corrói o poder de compra do real, complementando os motivos que levam a gasolina a alcançar preços exorbitantes para o consumidor final.</span></p>
<figure id="attachment_11660" aria-describedby="caption-attachment-11660" style="width: 1080px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-11660" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/wp-content/uploads/2022/03/WhatsApp-Image-2022-03-23-at-14.33.45.jpeg" alt="" width="1080" height="1080" /><figcaption id="caption-attachment-11660" class="wp-caption-text">Meme da FUP (Federação Única dos Petroleiros) sobre a apatia da população com a alto preço da gasolina (Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A pesquisadora afirma que o Brasil não é o mais afetado pela crise energética ocasionada pelo conflito. A situação dos países da Europa Ocidental é ainda mais complicada. A Alemanha é um dos países mais dependentes da energia russa, mais da metade do gás natural vem do país vizinho.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ambos os países terminaram de construir o Nord Stream 2 (gasoduto com 1230 quilômetros entre Rússia e Alemanha) no final do ano passado e que ainda não entrou em funcionamento. Com a guerra, o gasoduto foi bloqueado como sanção à Rússia. O desespero do governo alemão, que corre o risco de falta de gás para o aquecimento das casas às vésperas do inverno europeu, o levou a fechar acordo às pressas com o Catar para fornecimento de gás.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A pesquisadora afirma que, na sua visão, essas sanções são egoístas, pois não levam em consideração a situação dos países da Europa. “As medidas parecem muito mais decisões unilaterais tomadas pelos Estados Unidos do que uma conversa com seus aliados”, afirma Giovana. Ela explica que, para os membros da União Europeia, a rivalidade com a Rússia não é benéfica, nem econômica ou politicamente, “são os norte-americanos que se sentem ameaçados com a presença russa”, completa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro ponto abordado na live foram as notícias que surgiram nas últimas semanas sobre empresários russos com seus bens bloqueados ao redor do mundo. Um exemplo foi o de Roman Abramovich, proprietário do time inglês de futebol Chelsea, que foi proibido de vender o time, como forma de retaliação à invasão russa na Ucrânia, considerando que o bilionário tem ligações próximas a Putin. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Giovana explica que os ataques aos oligarcas russos não vão ter o efeito que a comunidade internacional espera, visto que as relações entre o governo e esses empresários são diferentes do que estamos acostumados. “É como se houvesse um acordo, enquanto Putin não interfere na economia e nos negócios da elite russa, esses empresários não opinam nas atitudes do presidente&#8221;, explica.</span></p>
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="7w3E3MLI0z"><p><a href="https://urutaurpg.com.br/siteluis/a-paz-e-possivel/" target="_blank" rel="noopener">A paz é possível?</a></p></blockquote>
<p><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;A paz é possível?&#8221; &#8212; Zona Curva" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/a-paz-e-possivel/embed/#?secret=yOgLW5ZVdz#?secret=7w3E3MLI0z" data-secret="7w3E3MLI0z" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="tEIqNidX7W"><p><a href="https://urutaurpg.com.br/siteluis/a-inevitavel-escalada-da-guerra-nas-fronteiras-russas/" target="_blank" rel="noopener">A inevitável escalada da guerra nas fronteiras russas</a></p></blockquote>
<p><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;A inevitável escalada da guerra nas fronteiras russas&#8221; &#8212; Zona Curva" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/a-inevitavel-escalada-da-guerra-nas-fronteiras-russas/embed/#?secret=ibwevPrFIG#?secret=tEIqNidX7W" data-secret="tEIqNidX7W" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
<p>&nbsp;</p>
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="AjJkJWklMH"><p><a href="https://urutaurpg.com.br/siteluis/5-perguntas-conflito-russia-x-ucrania/" target="_blank" rel="noopener">5 perguntas sobre o conflito Rússia x Ucrânia</a></p></blockquote>
<p><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;5 perguntas sobre o conflito Rússia x Ucrânia&#8221; &#8212; Zona Curva" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/5-perguntas-conflito-russia-x-ucrania/embed/#?secret=mvUpTuWfYb#?secret=AjJkJWklMH" data-secret="AjJkJWklMH" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
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		<title>A inevitável escalada da guerra nas fronteiras russas</title>
		<link>https://zonacurva.com.br/a-inevitavel-escalada-da-guerra-nas-fronteiras-russas/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Zonacurva]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 22 Mar 2022 19:02:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Escritos]]></category>
		<category><![CDATA[Conflito Geopolítico]]></category>
		<category><![CDATA[guerra na ucrânia]]></category>
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		<category><![CDATA[rússia x ucrânia]]></category>
		<category><![CDATA[Vladimir Putin]]></category>
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					<description><![CDATA[por André Márcio Neves Soares [&#8230;] A guerra nunca partiu, filho. As guerras são como as estações do ano: ficam suspensas, a amadurecer no ódio da gente miúda [&#8230;] Mia Couto, &#8220;O Último voo do Flamingo&#8221;. Nos últimos dias, estamos vendo uma guerra que, mesmo ainda localizada, deve mudar os rumos do cenário geopolítico nos próximos anos, quiçá décadas. De fato, a “guerra de demarcação” das novas fronteiras russas contra a Ucrânia extrapola e muito a concretude do horror das imagens. Ela também é simbólica, no sentido de passar uma mensagem ao mundo ocidental sobre seus limites e desejos. Não porque o ditador russo Vladimir Putin queira voltar ao tempo passado da antiga União Soviética (URSS). Ele sabe, mais do que ninguém, que não será possível se reconectar ao outrora paradigma do sistema estatal de governança centralizadora que a Rússia impôs aos seus países satélites na denominada “cortina de ferro”. A própria China, hoje a maior potência econômica do planeta e postulante a maior potência mundial em um futuro próximo, não demanda esse feito. Pelo menos por ora. Então, qual é a real intenção de Putin? É difícil afirmar com certeza, mas podemos ter algumas pistas a partir dos ensinamentos de alguns teóricos. O primeiro deles é Robert Kurz (1943–2012). Esse pensador alemão, crítico ferrenho da modernização capitalista e de seu sistema fetichista de produção de mercadorias, sofreu duras críticas dos seus pares ao apontar o esgotamento do que chamou de “socialismo de caserna”, no que se transformou o modelo estatal soviético (1). Kurz disse: “Nunca houve tanto fim. Com o colapso do socialismo real, toda uma época desaparece e vira história. A constelação familiar da sociedade mundial da época pós-guerra desfaz-se diante de nossos olhos com uma velocidade assustadora” (ob. cit., pág. 13) Assim, para Kurz, a desintegração da União Soviética se deu muito menos porque o ocidente teria vencido a batalha do seu sistema como um todo &#8211; político, econômico e social -, mas por conta das contradições internas geradas por uma pretensa “ditadura do proletariado”, que passou a difundir as ideias da propriedade individual e da economia de mercado baseado na concorrência. É por isso mesmo que ele se pergunta, profético, se o ocidente teria tido realmente consciência e autoconsciência do que  fez, depois que se proclamou vencedor do conflito entre os dois sistemas ideológicos vigentes no mundo do pós-guerras. Nesse sentido, para Kurz, o próprio ocidente se surpreendeu com a implosão tão rápida do complexo sistema socialista real, justamente por não terem sido as ações políticas ocidentais concretas que conduziram a esse declínio, mas sim “a falha dramática de seus mecanismos de funcionamento internos” (ob. cit., pág. 15). Para ele, o que aconteceu foi uma espécie de colapso histórico, onde duas das forças mais poderosas da sociedade humana, a saber, o Estado e o Mercado (a outra é, sem sombra de dúvida, a Religião), não podem servir de base ontológica primeva da humanidade. Portanto, é a crise da sociedade do trabalho, à qual não nos ateremos nesse artigo, que está por trás da sua metacrítica à derrocada dos países socialistas. Ora, se Kurz entende que a categoria trabalho não é nada supra-histórico, este nada mais é do que a exploração do homem pelo homem, ou melhor, a exploração econômica da força de trabalho humana e da natureza por alguns poucos proprietários dos meios de produção, com motivação única de gerar lucros incessantes. É justamente nessa interseção do lucro, da mais-valia ou do mais-valor, como queiram chamar, que se resume o dilema entre os dois sistemas hegemônicos da era moderna/contemporânea. Em outras palavras, se no sistema capitalista (neo)liberal, o lucro é retido por poucos afortunados, com o Estado servindo de capataz para as elites, no “socialismo de caserna” é o Estado que se apropria desse mais-valor, com as empresas estatais sendo dominadas por um grupo partidário único que planeja o mercado, de acordo com os interesses dos membros mais proeminentes desse partido, os oligarcas. Nesse ponto, é possível destacar que Putin é o membro mais importante e imponente que apareceu na Rússia, depois da deblace do bloco soviético. Não à toa ele está desde 1999 no poder. Ele é o representante máximo da oligarquia partidária que sobreviveu à queda do muro de Berlim e à perda da grande maioria dos países que gravitavam em torno do modelo estatal capitalista do chamado “socialismo real”. Putin sabe que a falha fundamental desse modelo foi, justamente, não conseguir se contrapor à sociedade capitalista da contemporaneidade (pós-modernidade, para alguns). Como diz KURZ: “Desde o princípio, o socialismo real não podia suprimir a sociedade capitalista da modernidade; ele próprio é parte do sistema produtor burguês de mercadorias e não substitui essa forma histórica por outra, mas sim representa somente outra fase de desenvolvimento dentro da mesma formação de época. A promessa de um sociedade pós-burguesa vindoura e desmascarada como um regime pré-burguês e estagnado de transição para a modernidade, como um fóssil de um dinossauro pertencente ao heroico passado do capital” (ob. cit., pág. 25) Por conseguinte, Putin não quer acabar com o ocidente, muito menos com o capitalismo. Pelo contrário, o que podemos apreender até o momento do seu já longo “reinado”, é que ele planeja mesmo se equiparar ao modelo capitalista da China, ou seja, ele projeta uma Rússia novamente forte o bastante para exercer, isso sim, influência crescente nos países ao seu entorno, sem, contudo, absorvê-los. É provável que ele assuma as rédeas do comando da Ucrânia nos próximos dias, mas não para dirigi-lo pessoalmente, e sim através de algum presidente fantoche como o ditador da Bielorússia Aleksandr Lukashenko. Todavia, para tal desidério, ele não pode permitir que os Estados Unidos, através da OTAN, cheguem a sua porta: no caso, a Ucrânia. Destarte, Putin ataca! Ataca não para evitar o neoliberalismo – ele próprio já declarou que não quer a Rússia fora do sistema de compensação global chamado “swift” -, mas para mantê-lo nas suas fronteiras, de acordo com os seus interesses e de seus amigos, ou comparsas,]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><span class="_2PHJq public-DraftStyleDefault-ltr"><em>por André Márcio Neves Soares</em></span></p>
<p id="viewer-foo" class="mm8Nw _1j-51 iWv3d _1FoOD _78FBa b+iTF iWv3d public-DraftStyleDefault-block-depth0 fixed-tab-size public-DraftStyleDefault-text-ltr" style="text-align: right;"><span class="_2PHJq public-DraftStyleDefault-ltr"><em>[&#8230;] A guerra nunca partiu, filho. As guerras são como as estações do ano: ficam suspensas, a amadurecer no ódio da gente miúda [&#8230;]</em></span></p>
<p id="viewer-2ta9j" class="mm8Nw _1j-51 iWv3d _1FoOD _78FBa b+iTF iWv3d public-DraftStyleDefault-block-depth0 fixed-tab-size public-DraftStyleDefault-text-ltr" style="text-align: right;"><span class="_2PHJq public-DraftStyleDefault-ltr"><em> Mia Couto, </em>&#8220;O Último voo do Flamingo&#8221;.</span></p>
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<p id="viewer-a7qil" class="mm8Nw _1j-51 iWv3d _1FoOD _78FBa b+iTF iWv3d public-DraftStyleDefault-block-depth0 fixed-tab-size public-DraftStyleDefault-text-ltr"><span class="_2PHJq public-DraftStyleDefault-ltr">Nos últimos dias, estamos vendo uma guerra que, mesmo ainda localizada, deve mudar os rumos do cenário geopolítico nos próximos anos, quiçá décadas. De fato, a “guerra de demarcação” das novas fronteiras russas contra a Ucrânia extrapola e muito a concretude do horror das imagens. Ela também é simbólica, no sentido de passar uma mensagem ao mundo ocidental sobre seus limites e desejos. Não porque o ditador russo Vladimir Putin queira voltar ao tempo passado da antiga União Soviética (URSS). Ele sabe, mais do que ninguém, que não será possível se reconectar ao outrora paradigma do sistema estatal de governança centralizadora que a Rússia impôs aos seus países satélites na denominada “cortina de ferro”. A própria China, hoje a maior potência econômica do planeta e postulante a maior potência mundial em um futuro próximo, não demanda esse feito. Pelo menos por ora.</span></p>
<p id="viewer-bkcqc" class="mm8Nw _1j-51 iWv3d _1FoOD _78FBa b+iTF iWv3d public-DraftStyleDefault-block-depth0 fixed-tab-size public-DraftStyleDefault-text-ltr"><span class="_2PHJq public-DraftStyleDefault-ltr">Então, qual é a real intenção de Putin? É difícil afirmar com certeza, mas podemos ter algumas pistas a partir dos ensinamentos de alguns teóricos. </span></p>
<p id="viewer-96clv" class="mm8Nw _1j-51 iWv3d _1FoOD _78FBa b+iTF iWv3d public-DraftStyleDefault-block-depth0 fixed-tab-size public-DraftStyleDefault-text-ltr"><span class="_2PHJq public-DraftStyleDefault-ltr">O primeiro deles é Robert Kurz (1943–2012). Esse pensador alemão, crítico ferrenho da modernização capitalista e de seu sistema fetichista de produção de mercadorias, sofreu duras críticas dos seus pares ao apontar o esgotamento do que chamou de “socialismo de caserna”, no que se transformou o modelo estatal soviético (1). Kurz disse:</span></p>
<blockquote>
<p id="viewer-e0b88" class="mm8Nw _1j-51 iWv3d _1FoOD _78FBa b+iTF iWv3d public-DraftStyleDefault-block-depth0 fixed-tab-size public-DraftStyleDefault-text-ltr"><span class="_2PHJq public-DraftStyleDefault-ltr"><strong><em>“Nunca houve tanto fim. Com o colapso do socialismo real, toda uma época desaparece e vira história. A constelação familiar da sociedade mundial da época pós-guerra desfaz-se diante de nossos olhos com uma velocidade assustadora” (ob. cit., pág. 13)</em></strong></span></p>
</blockquote>
<p id="viewer-3gapt" class="mm8Nw _1j-51 iWv3d _1FoOD _78FBa b+iTF iWv3d public-DraftStyleDefault-block-depth0 fixed-tab-size public-DraftStyleDefault-text-ltr"><span class="_2PHJq public-DraftStyleDefault-ltr">Assim, para Kurz, a desintegração da União Soviética se deu muito menos porque o ocidente teria vencido a batalha do seu sistema como um todo &#8211; político, econômico e social -, mas por conta das contradições internas geradas por uma pretensa “ditadura do proletariado”, que passou a difundir as ideias da propriedade individual e da economia de mercado baseado na concorrência. É por isso mesmo que ele se pergunta, profético, se o ocidente teria tido realmente consciência e autoconsciência do que  fez, depois que se proclamou vencedor do conflito entre os dois sistemas ideológicos vigentes no mundo do pós-guerras. </span></p>
<p id="viewer-7eljp" class="mm8Nw _1j-51 iWv3d _1FoOD _78FBa b+iTF iWv3d public-DraftStyleDefault-block-depth0 fixed-tab-size public-DraftStyleDefault-text-ltr"><span class="_2PHJq public-DraftStyleDefault-ltr">Nesse sentido, para Kurz, o próprio ocidente se surpreendeu com a implosão tão rápida do complexo sistema socialista real, justamente por não terem sido as ações políticas ocidentais concretas que conduziram a esse declínio, mas sim <strong><em>“a falha dramática de seus mecanismos de funcionamento internos” (ob. cit., pág. 15). </em></strong>Para ele, o que aconteceu foi uma espécie de colapso histórico, onde duas das forças mais poderosas da sociedade humana, a saber, o Estado e o Mercado (a outra é, sem sombra de dúvida, a Religião), não podem servir de base ontológica primeva da humanidade. Portanto, é a crise da sociedade do trabalho, à qual não nos ateremos nesse artigo, que está por trás da sua metacrítica à derrocada dos países socialistas. </span></p>
<p id="viewer-4hfbo" class="mm8Nw _1j-51 iWv3d _1FoOD _78FBa b+iTF iWv3d public-DraftStyleDefault-block-depth0 fixed-tab-size public-DraftStyleDefault-text-ltr"><span class="_2PHJq public-DraftStyleDefault-ltr">Ora, se Kurz entende que a categoria trabalho não é nada supra-histórico, este nada mais é do que a exploração do homem pelo homem, ou melhor, a exploração econômica da força de trabalho humana e da natureza por alguns poucos proprietários dos meios de produção, com motivação única de gerar lucros incessantes. É justamente nessa interseção do lucro, da mais-valia ou do mais-valor, como queiram chamar, que se resume o dilema entre os dois sistemas hegemônicos da era moderna/contemporânea. </span></p>
<p class="mm8Nw _1j-51 iWv3d _1FoOD _78FBa b+iTF iWv3d public-DraftStyleDefault-block-depth0 fixed-tab-size public-DraftStyleDefault-text-ltr"><span class="_2PHJq public-DraftStyleDefault-ltr">Em outras palavras, se no sistema capitalista (neo)liberal, o lucro é retido por poucos afortunados, com o Estado servindo de capataz para as elites, no “socialismo de caserna” é o Estado que se apropria desse mais-valor, com as empresas estatais sendo dominadas por um grupo partidário único que planeja o mercado, de acordo com os interesses dos membros mais proeminentes desse partido, os oligarcas.</span></p>
<p id="viewer-bbu57" class="mm8Nw _1j-51 iWv3d _1FoOD _78FBa b+iTF iWv3d public-DraftStyleDefault-block-depth0 fixed-tab-size public-DraftStyleDefault-text-ltr"><span class="_2PHJq public-DraftStyleDefault-ltr">Nesse ponto, é possível destacar que Putin é o membro mais importante e imponente que apareceu na Rússia, depois da deblace do bloco soviético. Não à toa ele está desde 1999 no poder. Ele é o representante máximo da oligarquia partidária que sobreviveu à queda do muro de Berlim e à perda da grande maioria dos países que gravitavam em torno do modelo estatal capitalista do chamado “socialismo real”. Putin sabe que a falha fundamental desse modelo foi, justamente, não conseguir se contrapor à sociedade capitalista da contemporaneidade (pós-modernidade, para alguns). </span></p>
<p class="mm8Nw _1j-51 iWv3d _1FoOD _78FBa b+iTF iWv3d public-DraftStyleDefault-block-depth0 fixed-tab-size public-DraftStyleDefault-text-ltr"><span class="_2PHJq public-DraftStyleDefault-ltr">Como diz KURZ:</span></p>
<blockquote>
<p id="viewer-aokpi" class="mm8Nw _1j-51 iWv3d _1FoOD _78FBa b+iTF iWv3d public-DraftStyleDefault-block-depth0 fixed-tab-size public-DraftStyleDefault-text-ltr"><span class="_2PHJq public-DraftStyleDefault-ltr"><strong><em>“Desde o princípio, o socialismo real não podia suprimir a sociedade capitalista da modernidade; ele próprio é parte do sistema produtor burguês de mercadorias e não substitui essa forma histórica por outra, mas sim representa somente outra fase de desenvolvimento dentro da mesma formação de época. A promessa de um sociedade pós-burguesa vindoura e desmascarada como um regime pré-burguês e estagnado de transição para a modernidade, como um fóssil de um dinossauro pertencente ao heroico passado do capital” (ob. cit., pág. 25)</em></strong></span></p>
</blockquote>
<figure id="attachment_11518" aria-describedby="caption-attachment-11518" style="width: 375px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-11518" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/wp-content/uploads/2022/03/13-de-setembro-Eduardo-Alves-da-Costa-foto-1.jpg" alt="" width="375" height="271" /><figcaption id="caption-attachment-11518" class="wp-caption-text">Filósofo Robert Kurz (Reprodução)</figcaption></figure>
<p id="viewer-cfpg7" class="mm8Nw _1j-51 iWv3d _1FoOD _78FBa b+iTF iWv3d public-DraftStyleDefault-block-depth0 fixed-tab-size public-DraftStyleDefault-text-ltr"><span class="_2PHJq public-DraftStyleDefault-ltr">Por conseguinte, Putin não quer acabar com o ocidente, muito menos com o capitalismo. Pelo contrário, o que podemos apreender até o momento do seu já longo “reinado”, é que ele planeja mesmo se equiparar ao modelo capitalista da China, ou seja, ele projeta uma Rússia novamente forte o bastante para exercer, isso sim, influência crescente nos países ao seu entorno, sem, contudo, absorvê-los. É provável que ele assuma as rédeas do comando da Ucrânia nos próximos dias, mas não para dirigi-lo pessoalmente, e sim através de algum presidente fantoche como o ditador da Bielorússia Aleksandr Lukashenko. Todavia, para tal desidério, ele não pode permitir que os Estados Unidos, através da OTAN, cheguem a sua porta: no caso, a Ucrânia. </span></p>
<p id="viewer-34kdg" class="mm8Nw _1j-51 iWv3d _1FoOD _78FBa b+iTF iWv3d public-DraftStyleDefault-block-depth0 fixed-tab-size public-DraftStyleDefault-text-ltr"><span class="_2PHJq public-DraftStyleDefault-ltr">Destarte, Putin ataca! Ataca não para evitar o neoliberalismo – ele próprio já declarou que não quer a Rússia fora do sistema de compensação global chamado “swift” -, mas para mantê-lo nas suas fronteiras, de acordo com os seus interesses e de seus amigos, ou comparsas, se quiserem. Os mesmos amigos de longa data da antiga Alemanha Oriental, no tempo da guerra fria. É aqui, na presença desse neoliberalismo meio “putininano”, meio “muskiano”, ou seja, parte física (Putin) que permite a exploração dos corpos de cada ser-no-mundo e parte virtual (Elon Musk) [1] que não mais garante a troca metassocial das mercadorias, todas elas, em que estágio estiverem – sólido, líquido, gasoso e invisível –, que desponta outro pensador: Dany-Robert Dufour (1947 &#8211; ). Para esse filósofo francês (2): </span></p>
<blockquote>
<p id="viewer-4v9r3" class="mm8Nw _1j-51 iWv3d _1FoOD _78FBa b+iTF iWv3d public-DraftStyleDefault-block-depth0 fixed-tab-size public-DraftStyleDefault-text-ltr"><span class="_2PHJq public-DraftStyleDefault-ltr"><strong><em>“As trocas não valem mais como garantidas por um poder superior (de ordem transcendental ou moral), mas pelo que diretamente põem em relação como mercadorias. Em uma palavra, hoje a troca mercadológica tende a dessimbolizar o mundo” (2005, pág. 12)</em></strong></span></p>
</blockquote>
<p id="viewer-4dokk" class="mm8Nw _1j-51 iWv3d _1FoOD _78FBa b+iTF iWv3d public-DraftStyleDefault-block-depth0 fixed-tab-size public-DraftStyleDefault-text-ltr"><span class="_2PHJq public-DraftStyleDefault-ltr">Putin quer garantir a territorialização pública dos seus negócios privados. Em outras palavras, sabe que para garantir poder suficiente para alavancar seus interesses pessoais, e de sua fração de classe mais chegada, é preciso estar à frente dos negócios. E mais. É preciso que exista terra firme e pessoas que o aplaudam. Donde a posição estratégica da Ucrânia é um estímulo à desmesura violenta. Assim, garantida a inviolabilidade do território russo, e cercado por barreiras estratégicas para impedir a aproximação do ocidente, Putin poderá passar para a fase 2 da sua escalada inevitável: a influência totalitária que a Rússia perdeu há mais de 3 décadas no desmanche soviético. </span></p>
<p id="viewer-4adiq" class="mm8Nw _1j-51 iWv3d _1FoOD _78FBa b+iTF iWv3d public-DraftStyleDefault-block-depth0 fixed-tab-size public-DraftStyleDefault-text-ltr"><span class="_2PHJq public-DraftStyleDefault-ltr">Contudo, a influência totalitária que almeja Putin, para além dos aparatos tecnológicos que garantem sua supremacia militar na região, e superado esse pequeno incidente (para ele) de precisar invadir outro país, está na ordem simbólica dos valores que defende. Dufour diz que os homens/mulheres estão sendo instigados/as a se despirem de todas as sobrecargas simbólicas que as trocas carregam em si mesmas. Restará apenas a monetização das trocas, no seu apelo mais dramático: o dinheiro (seja ele físico, cada vez menos; seja ele virtual). Nada mais importa para a sociedade ultraliberal do que a circulação expandida e irrestrita. O neoliberalismo não se fixa a ideologias, como o fascismo, o nazismo ou o socialismo. Nem mesmo ao antigo capitalismo liberal do século XVIII até o fim das duas grandes guerras mundiais. O neoliberalismo quer fabricar um homem novo. </span></p>
<p class="mm8Nw _1j-51 iWv3d _1FoOD _78FBa b+iTF iWv3d public-DraftStyleDefault-block-depth0 fixed-tab-size public-DraftStyleDefault-text-ltr"><span class="_2PHJq public-DraftStyleDefault-ltr">Diz Dufour:</span></p>
<blockquote>
<p id="viewer-a8puh" class="mm8Nw _1j-51 iWv3d _1FoOD _78FBa b+iTF iWv3d public-DraftStyleDefault-block-depth0 fixed-tab-size public-DraftStyleDefault-text-ltr"><span class="_2PHJq public-DraftStyleDefault-ltr"><strong><em>“Mas a grande força dessa nova ideologia com relação às precedentes diz respeito a que ela não começou por visar o próprio homem por meio de programas de reeducação e de coerção. Ela se contentou em introduzir um novo estatuto do objeto, definido como simples mercadoria, aguardando que a sequência acontecesse: que os homens se transformassem por ocasião de sua adaptação à mercadoria, promovida desde então como único real. A nova montagem do indivíduo se efetua, pois, em nome de um ‘real’ no qual é melhor consentir que a ele se opor: ele deve sempre parecer doce, querido, desejado, como se se tratasse de entretenimentos (exemplos: a televisão, a propaganda &#8230;)” (ob. cit., pág. 15)</em></strong></span></p>
</blockquote>
<p id="viewer-2n993" class="mm8Nw _1j-51 iWv3d _1FoOD _78FBa b+iTF iWv3d public-DraftStyleDefault-block-depth0 fixed-tab-size public-DraftStyleDefault-text-ltr"><span class="_2PHJq public-DraftStyleDefault-ltr">É isso exatamente que Putin deseja para seus conterrâneos e povos novamente conquistados. Seres humanos alheios ao que acontece na arena política, aceitando o que vem do Kremlin na qualidade de fiéis seguidores de uma nova religião: a da mercadoria. Apenas a ela devem ser rendidos todos os louvores. Os assuntos pertinentes aos rumos que a Rússia deve tomar devem caber apenas aos integrantes do grupo presidido por Putin. É a versão russa do histórico trajeto do governo misto, onde os muitos, a multidão, elegiam os poucos excelentes para governar. É bem conhecido o caminho desse governo misto da idade moderna até a contemporânea forma de governo da democracia representativa partidária. O que muda até hoje, de país para país que se ampara por detrás de eleições, é como essa figura fantasmagórica – a democracia – é manejada pelos detentores do poder.</span></p>
<p id="viewer-4a3gr" class="mm8Nw _1j-51 iWv3d _1FoOD _78FBa b+iTF iWv3d public-DraftStyleDefault-block-depth0 fixed-tab-size public-DraftStyleDefault-text-ltr"><span class="_2PHJq public-DraftStyleDefault-ltr">Com efeito, Putin parece apostar num mundo sem limites, psicótico, “<em>borderline</em>”. Uma pós-modernidade em que a neurose do cotidiano deve se desfazer frente ao neocapitalismo que produz o novo sujeito aculturado e niilista. A antiga democracia radical ateniense, que proporcionou ao animal humano a única experiência verdadeira de participação popular, se transmutou em uma democracia subjetiva, na qual as grandes instituições da história (políticas, econômicas, sociais e religiosas) estão sendo dissolvidas pela progressiva autonomização dos indivíduos, em relação aos novos desejos autorizados e estimulados pelo mercado. </span></p>
<p id="viewer-d199b" class="mm8Nw _1j-51 iWv3d _1FoOD _78FBa b+iTF iWv3d public-DraftStyleDefault-block-depth0 fixed-tab-size public-DraftStyleDefault-text-ltr"><span class="_2PHJq public-DraftStyleDefault-ltr">Ora, se, como diz Dufour, “<strong><em>o homem é uma substância que não tira sua existência de si mesma, mas de um outro ser</em></strong>” (ob. cit., pág. 27), e se esse outro ser não é mais capaz de proporcionar a garantia de existência para o “seu-outro”, seu vizinho, seu conterrâneo, então a sociedade como um todo perde a capacidade de se reconhecer pelo seu semelhante, ou seja, os viventes não são mais iguais, cidadãos mesmos, dentro de uma determinada região ou de uma fronteira. </span></p>
<p id="viewer-6kjsn" class="mm8Nw _1j-51 iWv3d _1FoOD _78FBa b+iTF iWv3d public-DraftStyleDefault-block-depth0 fixed-tab-size public-DraftStyleDefault-text-ltr"><span class="_2PHJq public-DraftStyleDefault-ltr">A aposta de Putin é que essa incompletude do outro, que permeia a sociedade capitalista produtora de mercadorias impagáveis, acabará pressionando o ocidente a não cerrar os dentes face a uma nova retomada de parte do antigo poder soviético. Digo parte porque não está claro até onde o próprio Putin quer chegar. Na minha opinião, se for esperto o bastante, cessará as hostilidades assim que tiver concluída essa invasão. Pelo menos por ora a águia de duas cabeças, símbolo existente no brasão do Estado russo desde o século XV, estará saciada e segura.</span></p>
<p id="viewer-54p91" class="mm8Nw _1j-51 iWv3d _1FoOD _78FBa b+iTF iWv3d public-DraftStyleDefault-block-depth0 fixed-tab-size public-DraftStyleDefault-text-ltr"><span class="_2PHJq public-DraftStyleDefault-ltr">O que não quer dizer, em absoluto, que Putin permanecerá para sempre paralisado. Pelo contrário, como o próprio título desse texto sinaliza, acredito, assim como o filósofo camaronês Achille Mbembe (1957 &#8211; ), que a escalada do capital é inevitável. Por consequência, não existe mais esfera onde este não tenha penetrado na sociedade humana. Se antes da Revolução Industrial, a política comandava as ações de todos os países, com o passar do tempo e do progresso tecnológico, as nações foram sendo submetidas aos ditames da ordem econômico-financeira, até o estágio atual de completa submissão. Assim, e como se sabe que o capital é amoral, a desigualdade entre todos, entre os poucos (as elites) e os muitos (a multidão), só fez aumentar. Tanto internamente, entre as classes, quanto externamente, entre nações. </span></p>
<p class="mm8Nw _1j-51 iWv3d _1FoOD _78FBa b+iTF iWv3d public-DraftStyleDefault-block-depth0 fixed-tab-size public-DraftStyleDefault-text-ltr"><span class="_2PHJq public-DraftStyleDefault-ltr">Diz Mbembe (3):</span></p>
<blockquote>
<p id="viewer-393h8" class="mm8Nw _1j-51 iWv3d _1FoOD _78FBa b+iTF iWv3d public-DraftStyleDefault-block-depth0 fixed-tab-size public-DraftStyleDefault-text-ltr"><span class="_2PHJq public-DraftStyleDefault-ltr"><strong><em>“Uma vez que tudo se tornou fonte potencial de capitalização, o capital se converteu em mundo, uma alucinação de dimensão planetária, produzindo em escala ampliada sujeitos que são simultaneamente calculistas, fictícios e delirantes” (ob. cit., pág. 73)</em></strong></span></p>
</blockquote>
<figure id="attachment_11595" aria-describedby="caption-attachment-11595" style="width: 1440px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-11595" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/wp-content/uploads/2022/03/imrs-1.jpg" alt="" width="1440" height="810" /><figcaption id="caption-attachment-11595" class="wp-caption-text">Família em frente aos destroços de sua casa (foto de UMIT BEKTAS da REUTERS)</figcaption></figure>
<p id="viewer-aff2h" class="mm8Nw _1j-51 iWv3d _1FoOD _78FBa b+iTF iWv3d public-DraftStyleDefault-block-depth0 fixed-tab-size public-DraftStyleDefault-text-ltr"><span class="_2PHJq public-DraftStyleDefault-ltr">Nessa toada, o capital assumiu vida própria, tornou-se carne, como diz Mbembe, a reclamar para si mesmo todos os institutos da vida antes apenas humana, e agora redefine as prioridades de acordo com seus próprios interesses de reprodução sistemática. Está a ocorrer o impensável para a geração anterior a nossa, a saber, a vida humana, e por tabela a dos demais seres vivos, se tornou um mero detalhe, um inadequado inconveniente para o novo mundo da computação digital. Para Mbembe, a “<em>tecnolatria</em>” pós-moderna é um fantasma metafísico que assombra as três <em>ratio</em> – a econômica, a biológica e a algorítmica (ob. cit., pág. 74). É, portanto, o fim do substrato, da corporeidade, da materialidade mesmo, em nome da potência artificial e autônoma da linguagem máquina-cérebro.</span></p>
<p id="viewer-7t00p" class="mm8Nw _1j-51 iWv3d _1FoOD _78FBa b+iTF iWv3d public-DraftStyleDefault-block-depth0 fixed-tab-size public-DraftStyleDefault-text-ltr"><span class="_2PHJq public-DraftStyleDefault-ltr">É factível pensar que Putin sabe que o mundo como conhecemos será mudado depois da sua invasão. Sabe ademais que o futuro dele como líder, e até como pessoa física, depende do sucesso nessa empreitada[2]. Mas sabe, também, que não poderia ficar muito tempo mais parado diante do cerco a que estava sendo submetido, desde que a OTAN passou a incorporar novos membros da sua antiga zona de influência, como a Estônia, Letônia, Lituânia etc. Qualquer pessoa que veja no mapa os acordos de cooperação militar estabelecidos antes de 1997 e depois dessa data, verá que a Rússia está praticamente cercada. Foi por isso que Putin anexou a Criméia, em 2014, e apoiou os separatistas no leste ucraniano, notadamente na região do Donbass, províncias de Luhansk e Donetsk.</span></p>
<p id="viewer-4dcmj" class="mm8Nw _1j-51 iWv3d _1FoOD _78FBa b+iTF iWv3d public-DraftStyleDefault-block-depth0 fixed-tab-size public-DraftStyleDefault-text-ltr"><span class="_2PHJq public-DraftStyleDefault-ltr">Do mesmo modo, Putin sabe que uma guerra total aniquilaria não só ele e seu país, mas o mundo todo. Portanto, a guerra total da era contemporânea será concretizada, paradoxalmente, nas redes de fibra óticas, ou seja, através da internet. Não à toa, a Rússia está entre os principais países que se utilizam das <em>fake news</em> como arma política. Existem, de fato, fortes suspeitas, para ser conservador, da interferência russa na eleição de Donald Trump e Jair Bolsonaro. Isso para ficarmos só no exemplo do continente americano. O fantasma metafísico da ciência, enquanto mola propulsora da nova natureza do mundo quântico, está encarnado no mundo automatizado.</span></p>
<p id="viewer-e3mp9" class="mm8Nw _1j-51 iWv3d _1FoOD _78FBa b+iTF iWv3d public-DraftStyleDefault-block-depth0 fixed-tab-size public-DraftStyleDefault-text-ltr"><span class="_2PHJq public-DraftStyleDefault-ltr">Mas esse mundo tornado indeterminado por barreiras invisíveis também precisa encontrar, ao fim e ao cabo, algum tipo de fronteira. </span></p>
<p class="mm8Nw _1j-51 iWv3d _1FoOD _78FBa b+iTF iWv3d public-DraftStyleDefault-block-depth0 fixed-tab-size public-DraftStyleDefault-text-ltr"><span class="_2PHJq public-DraftStyleDefault-ltr">Como diz Mbembe:</span></p>
<blockquote>
<p id="viewer-errc4" class="mm8Nw _1j-51 iWv3d _1FoOD _78FBa b+iTF iWv3d public-DraftStyleDefault-block-depth0 fixed-tab-size public-DraftStyleDefault-text-ltr"><span class="_2PHJq public-DraftStyleDefault-ltr"><strong><em>“A fronteira não é mais apenas uma linha de demarcação que separa distintas entidades soberanas. Como um dispositivo ontológico, ela agora opera por si só e em si mesma, anônima e impessoal, com suas próprias leis. Ela é cada vez mais o nome próprio da violência organizada que sustenta o capitalismo contemporâneo e a ordem do nosso mundo em geral” (ob. cit., pág. 75)</em></strong></span></p>
</blockquote>
<p id="viewer-7rc48" class="mm8Nw _1j-51 iWv3d _1FoOD _78FBa b+iTF iWv3d public-DraftStyleDefault-block-depth0 fixed-tab-size public-DraftStyleDefault-text-ltr"><span class="_2PHJq public-DraftStyleDefault-ltr">Putin sabe que não pode abrir mão da territorialidade de seu poder futuro, por mais que o futuro não esteja no território visível[3]. A “fronteirização”, a que Mbembe se refere, nada mais é do que a seleção dos espaços vitais em que cada ser humano pode transitar, a depender dos interesses do capital. Logo, reafirma-se aqui a assertiva de que o espaço físico ainda permanecerá como o “<em>lócus</em>” preponderante da humanidade por muito tempo. Apenas será mais seletivo, ou restritivo para os indesejáveis da nova ordem econômica. As vidas humanas que deixarão de compor a necessidade do capital serão incapacitadas ao longo das próximas gerações, à medida que o próprio capital não precise de tantos consumidores para sua reprodução automática.</span></p>
<p id="viewer-fp1ca" class="mm8Nw _1j-51 iWv3d _1FoOD _78FBa b+iTF iWv3d public-DraftStyleDefault-block-depth0 fixed-tab-size public-DraftStyleDefault-text-ltr"><span class="_2PHJq public-DraftStyleDefault-ltr">Por conseguinte, se para os detentores do poder quanto mais autoritários e totalitários forem, maiores as chances de sobreviverem, resta a opção da caça aos expurgados do sistema global de governança. É possível que já estejamos no tempo em que a sociedade de segurança supere, em todas as suas formas de opressão e pressão, a sociedade liberal que tinha como mote principal a liberdade dos indivíduos. Estamos sendo vigiados até mesmo dentro de nossa casa, no antigo lar sagrado, onde as minúcias da vida eram discutidas sem ninguém saber. Como diz Mbembe, o objetivo desse controle total não é “<strong><em>afirmar a liberdade, mas controlar e governar os modos de aparição</em></strong>” (ob. cit., pág. 83). </span></p>
<p id="viewer-3ijpp" class="mm8Nw _1j-51 iWv3d _1FoOD _78FBa b+iTF iWv3d public-DraftStyleDefault-block-depth0 fixed-tab-size public-DraftStyleDefault-text-ltr"><span class="_2PHJq public-DraftStyleDefault-ltr">Nesse sentido, Putin só está assumindo um protagonismo que outros <em>players</em> já assumiram por vias legais (algumas nem tanto assim) como a China e o próprio Estados Unidos da América. Como esses, a Rússia também precisa do sonho de uma humanidade (trans)lúcida, que justifique o mito da tecnologia libertadora de corações e mentes. Como ainda não experimentamos a futura fuga do solo terrestre para a colonização de planetas semelhantes, ainda que isso já esteja sendo proposto para uma ínfima parcela da população mundial, as fronteiras ainda são uma questão de sobrevivência para qualquer ordenamento político-jurídico. E nelas, nas fronteiras, não existem mais lugar para os condenados à exclusão, os deslocados pelas guerras de pequeno/médio calibre, como estamos a ver na Síria, no Iêmen, na Somália e na Palestina, entre outros. Para atingir as estrelas, antes é preciso dominar a terra. E para dominar a terra, antes é preciso descobrir e absorver todos os recursos que dela provém. </span></p>
<p id="viewer-9oqj" class="mm8Nw _1j-51 iWv3d _1FoOD _78FBa b+iTF iWv3d public-DraftStyleDefault-block-depth0 fixed-tab-size public-DraftStyleDefault-text-ltr"><span class="_2PHJq public-DraftStyleDefault-ltr">Dito tudo isso, e sem diminuir a parcela de responsabilidade que cabe a Putin[4], é forçoso reconhecer a parte que cabe às potências do ocidente, Estados Unidos a frente, para movimentar a máquina de guerra capitalista. Se não quisermos tomar partido de nenhum dos lados beligerantes, é imperioso lembrar os inúmeros apelos e pedidos do próprio Putin para que a Ucrânia não se aliasse à OTAN. Claro, Putin também tem seus motivos capitalistas para evitar uma Ucrânia ocidentalizada. Logo, não se trata aqui de mitigar a culpa dele pelo horror imposto. Porém, parece evidente que o motivo maior sempre foi uma questão de segurança nacional, na visão russa. Qualquer país do mundo faria o mesmo, se se visse cercado por ameaças externas[5]. O ocidente esticou a corda até ela partir. Agora é torcer para que os nós possam ser ajambrados da melhor forma possível no novo espectro geopolítico. </span></p>
<div data-hook="rcv-block34"></div>
<p id="viewer-1ufla" class="mm8Nw _1j-51 iWv3d _1FoOD _78FBa b+iTF iWv3d public-DraftStyleDefault-block-depth0 fixed-tab-size public-DraftStyleDefault-text-ltr"><strong><span class="_2PHJq public-DraftStyleDefault-ltr"><em>André Márcio Neves Soares* (</em></span><span class="_2PHJq public-DraftStyleDefault-ltr"><em>mestre e doutorando em Políticas Sociais e Cidadania pela Universidade Católica do Salvador – UCSAL, e integrante do Núcleo de Estudos sobre Educação e Direitos Humanos (NEDH)).</em></span></strong></p>
<p id="viewer-ds1d5" class="mm8Nw _1j-51 iWv3d _1FoOD _78FBa b+iTF iWv3d public-DraftStyleDefault-block-depth0 fixed-tab-size public-DraftStyleDefault-text-ltr"><span class="_2PHJq public-DraftStyleDefault-ltr"> REFERÊNCIAS:</span></p>
<p id="viewer-2i157" class="mm8Nw _1j-51 iWv3d _1FoOD _78FBa b+iTF iWv3d public-DraftStyleDefault-block-depth0 fixed-tab-size public-DraftStyleDefault-text-ltr"><span class="_2PHJq public-DraftStyleDefault-ltr">1 – KURZ, Robert. O COLAPSO DA MODERNIZAÇÃO. Rio de Janeiro. Paz e Terra. 1992.</span></p>
<p id="viewer-38dnt" class="mm8Nw _1j-51 iWv3d _1FoOD _78FBa b+iTF iWv3d public-DraftStyleDefault-block-depth0 fixed-tab-size public-DraftStyleDefault-text-ltr"><span class="_2PHJq public-DraftStyleDefault-ltr">2 – DUFOUR, Dany-Robert. A ARTE DE REDUZIR AS CABEÇAS: Sobre a nova servidão na sociedade ultraliberal. Rio de Janeiro. Companhia de Freud. 2005,</span></p>
<p id="viewer-9s9rn" class="mm8Nw _1j-51 iWv3d _1FoOD _78FBa b+iTF iWv3d public-DraftStyleDefault-block-depth0 fixed-tab-size public-DraftStyleDefault-text-ltr"><span class="_2PHJq public-DraftStyleDefault-ltr">3 – MBEMBE, Achille. BRUTALISMO. São Paulo. n-1 edições. 2021.</span></p>
<p id="viewer-3re25" class="mm8Nw _1j-51 iWv3d _1FoOD _3M0Fe aujbK iWv3d public-DraftStyleDefault-block-depth0 fixed-tab-size public-DraftStyleDefault-text-ltr"><span class="_2PHJq public-DraftStyleDefault-ltr">[1] Poderia ser dado o exemplo de outro qualquer da mesma classe, como Steve Jobs, Bill Gates etc. [2] Isso tanto é verdade que ele parece ter encaminhado sua própria família para um “bunker” na Sibéria. [3] É bom esclarecer que, quando dizemos que Putin sabe de tudo isso, obviamente estamos nos referindo a um grupo de pessoas ao seu redor, um “staff”, que o aconselha, orienta e fornece todo o tipo de informação necessária para ele tome as decisões que achar conveniente. [4] O que, aliás, parece ter ficado evidente ao longo do texto. [5] Imagine os EUA cercado por Canadá e México aliados da China no futuro. Como reagiriam?</span></p>
</div>
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="fpZRxzOwww"><p><a href="https://urutaurpg.com.br/siteluis/5-perguntas-conflito-russia-x-ucrania/" target="_blank" rel="noopener">5 perguntas sobre o conflito Rússia x Ucrânia</a></p></blockquote>
<p><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;5 perguntas sobre o conflito Rússia x Ucrânia&#8221; &#8212; Zona Curva" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/5-perguntas-conflito-russia-x-ucrania/embed/#?secret=eFRelTaTgD#?secret=fpZRxzOwww" data-secret="fpZRxzOwww" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="MM8TfWdpWN"><p><a href="https://urutaurpg.com.br/siteluis/a-paz-e-possivel/" target="_blank" rel="noopener">A paz é possível?</a></p></blockquote>
<p><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;A paz é possível?&#8221; &#8212; Zona Curva" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/a-paz-e-possivel/embed/#?secret=TeNO9HGeyz#?secret=MM8TfWdpWN" data-secret="MM8TfWdpWN" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
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		<title>A paz é possível?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Zonacurva]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 21 Mar 2022 21:10:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Conversa ao Vivo Zona Curva]]></category>
		<category><![CDATA[Política análise]]></category>
		<category><![CDATA[guerra na ucrânia]]></category>
		<category><![CDATA[guerra na ucrânia paz]]></category>
		<category><![CDATA[Guerra Rússia e Ucrânia 2022]]></category>
		<category><![CDATA[rússia x ucrânia]]></category>
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					<description><![CDATA[Colaborou Isabela Gama O CONVERSA AO VIVO ZONACURVA de 3 de março (quinta) recebeu a mestranda em Relações Internacionais Giovana Branco para discutir sobre o atual conflito entre Rússia e Ucrânia. O bate-papo contou também com a presença do editor Zonacurva Fernando do Valle e Luis Lopes do portal Vishows. Giovana explica que a Rússia está tentando se reafirmar como uma potência mundial no cenário internacional pós-guerra fria, mas o saudosismo da época de glória da URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) não é o suficiente para que o país retorne ao prestígio obtido após a segunda guerra mundial.  “É importante compreender que a Rússia atual é muito distinta da União Soviética, apesar das políticas de Putin lembrarem a de outros líderes lendários russos”, afirmou a pesquisadora, que escreve a dissertação As Relações Rússia-Ocidente: da Cooperação ao Conflito. As Mudanças na Política Externa Russa na Era Putin sob orientação do professor Luís Alexandre Fuccille no programa de pós-graduação de Relações Internacionais San Tiago Dantas. O que despertou o interesse de Giovana pela Rússia foi a leitura dos grandes escritores russos como Fiódor Dostoiévski. Como estudiosa da trajetória do líder russo, Giovana relata que Putin sempre mostrou admiração, e até um certo saudosismo, pelo regime socialista soviético, que foi desmantelado no início dos anos 90. O ex-agente da KGB, serviço secreto russo, defendeu a URSS enquanto pôde, e até o momento conta com forte apoio popular. O nome do filósofo russo Alexander Dugin, apontado por muitos como o “influenciador de Putin” foi trazido à baila por Luís Lopes. “Dugin sempre foi visto como muito radical para o meio acadêmico, mas com a tomada da Criméia em 2014, ele ficou popular por embasar as decisões políticas de Putin” afirma Giovana.  A pesquisadora relembra que o avanço da OTAN sobre o “território de influência russo” gerou a ocupação da Geórgia (antiga república soviética) em 2008 pelos russos, assim como ocorreu com a Ucrânia neste ano. A pesada máquina militar russa tomou Tiblissi, capital da Geórgia, em apenas cinco dias.  Um ponto questionado à Giovana pelo editor Zonacurva Fernando do Valle foi a posição da China no conflito. Por enquanto, a nação tem se mostrado neutra, apesar de ter mantido as relações comerciais com a Rússia. A mestranda acredita que essa suposta neutralidade tenha vindo como um reflexo das severas sanções econômicas impostas pelo ocidente.  Mas, não resta dúvida, de que a Rússia não invadiria seu vizinho sem apoio, mesmo que velado, do gigante chinês. Sobre a ascensão de grupos neonazistas em todo o território da Ucrânia, Giovana explica que na sua visão o governo ucraniano fechou os olhos para o surgimento desses grupos paramilitares. Segundo ela, eles são uma consequência da onda de extrema direita que assolou diversos países do mundo nos últimos anos. Luis ainda reclamou sobre a absurda “normalização” desses grupos, “foi como se brigadas paramilitares se tornassem constitucionais dentro de um determinado país”, afirma o editor do Vishows.  5 perguntas sobre o conflito Rússia x Ucrânia &#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="ast-oembed-container " style="height: 100%;"><iframe title="A PAZ É POSSÍVEL?" width="1200" height="675" src="https://www.youtube.com/embed/TcazsjlsmWw?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe></div>
<p style="text-align: right;"><span style="font-weight: 400;">Colaborou Isabela Gama</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O CONVERSA AO VIVO ZONACURVA de 3 de março (quinta) recebeu a mestranda em Relações Internacionais Giovana Branco para discutir sobre o atual conflito entre Rússia e Ucrânia. O bate-papo contou também com a presença do editor Zonacurva Fernando do Valle e Luis Lopes do portal Vishows.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Giovana explica que a Rússia está tentando se reafirmar como uma potência mundial no cenário internacional pós-guerra fria, mas o saudosismo da época de glória da URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) não é o suficiente para que o país retorne ao prestígio obtido após a segunda guerra mundial. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“É importante compreender que a Rússia atual é muito distinta da União Soviética, apesar das políticas de Putin lembrarem a de outros líderes lendários russos”, afirmou a pesquisadora, que escreve a dissertação </span><i><span style="font-weight: 400;">As Relações Rússia-Ocidente: da Cooperação ao Conflito. As Mudanças na Política Externa Russa na Era Putin</span></i><span style="font-weight: 400;"> sob orientação do professor Luís Alexandre Fuccille no programa de pós-graduação </span><span style="font-weight: 400;">de Relações Internacionais San Tiago Dantas. O que despertou o interesse de Giovana pela Rússia foi a leitura dos grandes escritores russos como Fiódor Dostoiévski.</span></p>
<figure id="attachment_11526" aria-describedby="caption-attachment-11526" style="width: 774px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-11526" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/wp-content/uploads/2022/03/WhatsApp-Image-2022-03-10-at-14.48.34.jpeg" alt="" width="774" height="596" /><figcaption id="caption-attachment-11526" class="wp-caption-text">A guerra de narrativas na guerra na Ucrânia (Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Como estudiosa da trajetória do líder russo, Giovana relata que Putin sempre mostrou admiração, e até um certo saudosismo, pelo regime socialista soviético, que foi desmantelado no início dos anos 90. O ex-agente da KGB, serviço secreto russo, defendeu a URSS enquanto pôde, e até o momento conta com forte apoio popular.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O nome do filósofo russo Alexander Dugin, apontado por muitos como o “influenciador de Putin” foi trazido à baila por Luís Lopes. “Dugin sempre foi visto como muito radical para o meio acadêmico, mas com a tomada da Criméia em 2014, ele ficou popular por embasar as decisões políticas de Putin” afirma Giovana. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A pesquisadora relembra que o avanço da OTAN sobre o “território de influência russo” gerou a ocupação da Geórgia (antiga república soviética) em 2008 pelos russos, assim como ocorreu com a Ucrânia neste ano. A pesada máquina militar russa tomou Tiblissi, capital da Geórgia, em apenas cinco dias. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um ponto questionado à Giovana pelo editor Zonacurva Fernando do Valle foi a posição da China no conflito. Por enquanto, a nação tem se mostrado neutra, apesar de ter mantido as relações comerciais com a Rússia. A mestranda acredita que essa suposta neutralidade tenha vindo como um reflexo das severas sanções econômicas impostas pelo ocidente.  Mas, não resta dúvida, de que a Rússia não invadiria seu vizinho sem apoio, mesmo que velado, do gigante chinês.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sobre a ascensão de grupos neonazistas em todo o território da Ucrânia, Giovana explica que na sua visão o governo ucraniano fechou os olhos para o surgimento desses grupos paramilitares. Segundo ela, eles são uma consequência da onda de extrema direita que assolou diversos países do mundo nos últimos anos. Luis ainda reclamou sobre a absurda “normalização” desses grupos, “foi como se brigadas paramilitares se tornassem constitucionais dentro de um determinado país”, afirma o editor do Vishows. </span></p>
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="480HdqB2RJ"><p><a href="https://urutaurpg.com.br/siteluis/5-perguntas-conflito-russia-x-ucrania/" target="_blank" rel="noopener">5 perguntas sobre o conflito Rússia x Ucrânia</a></p></blockquote>
<p><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;5 perguntas sobre o conflito Rússia x Ucrânia&#8221; &#8212; Zona Curva" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/5-perguntas-conflito-russia-x-ucrania/embed/#?secret=vIPtmWqgdZ#?secret=480HdqB2RJ" data-secret="480HdqB2RJ" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>5 perguntas sobre o conflito Rússia x Ucrânia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Isabela Gama]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 07 Mar 2022 11:03:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[guerra na ucrânia]]></category>
		<category><![CDATA[perguntas rússia x ucrânia]]></category>
		<category><![CDATA[rússia x ucrânia]]></category>
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					<description><![CDATA[Rodrigo Amaral, professor de Relações Internacionais da PUC-SP, responde 5 perguntas do Zonacurva sobre a guerra no leste europeu O Zonacurva procurou o analista de políticas internacionais e professor de relações internacionais da PUC-SP, Rodrigo Amaral, para entendermos a origem do conflito entre Rússia e Ucrânia e sua relação com o Brasil. &#160; ZONACURVA- As relações entre Ucrânia e Rússia estão estremecidas desde a tomada da Crimeia pelos russos em 2014? Por que os ataques só começaram agora?  RODRIGO AMARAL -Sim, as relações estão estremecidas desde 2014. Mas, para compreender o atual conflito, é necessário voltar até um pouco antes da questão da Crimeia. Em 2008, começa a intenção de integrar a Ucrânia à OTAN, com a intenção de conter as políticas intervencionistas da Rússia sobre o leste europeu. Os países europeus que pertencem à OTAN, como a França e a Inglaterra, eram receosos da entrada da Ucrânia no bloco, exatamente porque a Rússia sempre deixou claro que não aceitaria um “vizinho” tão próximo como parte do grupo. Outro ponto significativo é o fato da Ucrânia ser a nação mais ocidentalizada dentre os outros 15 países que fizeram parte da antiga União Soviética. Além disso, esse país também conta com diversas disputas separatistas dentro de seu território. Isso ocorre pois há regiões que se identificam mais com a Rússia, considerando que há uma proximidade cultural, enquanto outras são mais próximas ao ocidente. É o que acontece com Donetsk e Lugansk, ambas regiões separatistas da Ucrânia e pró-Rússia. A discussão sobre a entrada da Ucrânia na OTAN retornou  no final de 2021. Agora com a gestão de Joe Biden, há um interesse americano em reativar as forças multilaterais, visto que isso foi deixado de lado durante o governo de Donald Trump. Desde então, os Estados Unidos têm se mostrado empenhados na inserção da Ucrânia no bloco. &#160; ZONACURVA&#8211; A visita do presidente Jair Bolsonaro à Rússia inseriu, de alguma forma, o Brasil no conflito? RODRIGO AMARAL- Na minha opinião, a visita de Bolsonaro à Putin foi uma tentativa de colocar o Brasil em uma posição de importância internacional, quando atualmente não tem relevância alguma. A política externa brasileira também é historicamente de neutralidade em conflitos internacionais. ZONACURVA- Como a invasão da Ucrânia impacta a economia e a política brasileira? RODRIGO AMARAL- A Rússia é um grande consumidor da carne brasileira, e pode ser que haja um decréscimo de consumo de carne por conta das sanções econômicas impostas pela comunidade internacional. Outro ponto é a questão energética, a Rússia é um grande exportador de petróleo, ou seja, todos os seus derivados devem ficar mais caros, como o plástico e a gasolina, que já está inflacionada no Brasil. Além disso, com o conflito, o dólar também subiu, afetando o mundo inteiro.  &#160; ZONACURVA- Você acredita que os EUA e os membros da OTAN vão tomar providências além das sanções econômicas? RODRIGO AMARAL- É improvável que haja uma guerra de proporções globais, os países da OTAN não vão se envolver militarmente, então as medidas de não comercialização com a Rússia virão juntamente com condições para que o conflito cesse. Uma destas condições talvez seja o não reconhecimento internacional das regiões separatistas Donetsk e Lugansk, visto que Putin afirma defender a autodeterminação dos povos, ou até mesmo exigir a retirada de tropas da Ucrânia. &#160; ZONACURVA- Qual a influência da China na invasão russa da Ucrânia? RODRIGO AMARAL- Em termos militares, não há nenhuma influência. Historicamente a posição da China e da Rússia é muito próxima, por isso, o governo chinês está defendendo que o conflito é reflexo da política internacional de tentativa de integração da Ucrânia na OTAN. Rasputin: entre o místico e a figura histórica O fascista mora ao lado A paz é possível? A inevitável escalada da guerra nas fronteiras russas &#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<blockquote>
<p style="text-align: right;"><span style="font-weight: 400;">Rodrigo Amaral, professor de Relações Internacionais da PUC-SP, responde 5 perguntas do Zonacurva sobre a guerra no leste europeu</span></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><b>Zonacurva</b><span style="font-weight: 400;"> procurou o analista de políticas internacionais e professor de relações internacionais da PUC-SP, Rodrigo Amaral, para entendermos a origem do conflito entre Rússia e Ucrânia e sua relação com o Brasil.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-weight: 400;">ZONACURVA- </span><i><span style="font-weight: 400;">As relações entre Ucrânia e Rússia estão estremecidas desde a tomada da Crimeia pelos russos em 2014? Por que os ataques só começaram agora?</span></i><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">RODRIGO AMARAL -Sim, as relações estão estremecidas desde 2014. Mas, para compreender o atual conflito, é necessário voltar até um pouco antes da questão da Crimeia. Em 2008, começa a intenção de integrar a Ucrânia à OTAN, com a intenção de conter as políticas intervencionistas da Rússia sobre o leste europeu. Os países europeus que pertencem à OTAN, como a França e a Inglaterra, eram receosos da entrada da Ucrânia no bloco, exatamente porque a Rússia sempre deixou claro que não aceitaria um “vizinho” tão próximo como parte do grupo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro ponto significativo é o fato da Ucrânia ser a nação mais ocidentalizada dentre os outros 15 países que fizeram parte da antiga União Soviética. Além disso, esse país também conta com diversas disputas separatistas dentro de seu território. Isso ocorre pois há regiões que se identificam mais com a Rússia, considerando que há uma proximidade cultural, enquanto outras são mais próximas ao ocidente. É o que acontece com Donetsk e Lugansk, ambas regiões separatistas da Ucrânia e pró-Rússia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A discussão sobre a entrada da Ucrânia na OTAN retornou  no final de 2021. Agora com a gestão de Joe Biden, há um interesse americano em reativar as forças multilaterais, visto que isso foi deixado de lado durante o governo de Donald Trump. Desde então, os Estados Unidos têm se mostrado empenhados na inserção da Ucrânia no bloco.</span></p>
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<p><span style="font-weight: 400;">ZONACURVA</span><i><span style="font-weight: 400;">&#8211; A visita do presidente Jair Bolsonaro à Rússia inseriu, de alguma forma, o Brasil no conflito?</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">RODRIGO AMARAL- Na minha opinião, a visita de Bolsonaro à Putin foi uma tentativa de colocar o Brasil em uma posição de importância internacional, quando atualmente não tem relevância alguma. A política externa brasileira também é historicamente de neutralidade em conflitos internacionais.</span></p>
<figure id="attachment_11426" aria-describedby="caption-attachment-11426" style="width: 828px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-11426" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/wp-content/uploads/2022/03/WhatsApp-Image-2022-03-02-at-15.13.49.jpeg" alt="" width="828" height="828" /><figcaption id="caption-attachment-11426" class="wp-caption-text">“A visita de Bolsonaro a Putin foi uma tentativa de colocar o Brasil em uma posição de importância internacional, quando, atualmente não tem relevância alguma”, professor Rodrigo Amaral- (Reprodução/Instagram)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">ZONACURVA- </span><i><span style="font-weight: 400;">Como a invasão da Ucrânia impacta a economia e a política brasileira?</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">RODRIGO AMARAL- A Rússia é um grande consumidor da carne brasileira, e pode ser que haja um decréscimo de consumo de carne por conta das sanções econômicas impostas pela comunidade internacional. Outro ponto é a questão energética, a Rússia é um grande exportador de petróleo, ou seja, todos os seus derivados devem ficar mais caros, como o plástico e a gasolina, que já está inflacionada no Brasil. Além disso, com o conflito, o dólar também subiu, afetando o mundo inteiro. </span></p>
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<p><span style="font-weight: 400;">ZONACURVA- </span><i><span style="font-weight: 400;">Você acredita que os EUA e os membros da OTAN vão tomar providências além das sanções econômicas?</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">RODRIGO AMARAL- É improvável que haja uma guerra de proporções globais, os países da OTAN não vão se envolver militarmente, então as medidas de não comercialização com a Rússia virão juntamente com condições para que o conflito cesse. Uma destas condições talvez seja o não reconhecimento internacional das regiões separatistas Donetsk e Lugansk, visto que Putin afirma defender a autodeterminação dos povos, ou até mesmo exigir a retirada de tropas da Ucrânia.</span></p>
<figure id="attachment_11428" aria-describedby="caption-attachment-11428" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-11428" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/wp-content/uploads/2022/03/90fae7a6c448aae4acb1.png" alt="" width="1280" height="880" /><figcaption id="caption-attachment-11428" class="wp-caption-text">Criança brinca em parque diante de prédios atingidos por ataque em Kiev<br /> (Foto de Umit Bektas da Reuters)</figcaption></figure>
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<p><span style="font-weight: 400;">ZONACURVA- </span><i><span style="font-weight: 400;">Qual a influência da China na invasão russa da Ucrânia?</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">RODRIGO AMARAL- Em termos militares, não há nenhuma influência. Historicamente a posição da China e da Rússia é muito próxima, por isso, o governo chinês está defendendo que o conflito é reflexo da política internacional de tentativa de integração da Ucrânia na OTAN.</span></p>
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="oQYWGaCbUk"><p><a href="https://urutaurpg.com.br/siteluis/rasputin/" target="_blank" rel="noopener">Rasputin: entre o místico e a figura histórica</a></p></blockquote>
<p><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;Rasputin: entre o místico e a figura histórica&#8221; &#8212; Zona Curva" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/rasputin/embed/#?secret=wJ7iA53aiH#?secret=oQYWGaCbUk" data-secret="oQYWGaCbUk" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="kzw85muJge"><p><a href="https://urutaurpg.com.br/siteluis/fascista-brasil/" target="_blank" rel="noopener">O fascista mora ao lado</a></p></blockquote>
<p><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;O fascista mora ao lado&#8221; &#8212; Zona Curva" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/fascista-brasil/embed/#?secret=Kz6wqZYfp5#?secret=kzw85muJge" data-secret="kzw85muJge" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="F5WIln1GNT"><p><a href="https://urutaurpg.com.br/siteluis/a-paz-e-possivel/" target="_blank" rel="noopener">A paz é possível?</a></p></blockquote>
<p><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;A paz é possível?&#8221; &#8212; Zona Curva" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/a-paz-e-possivel/embed/#?secret=Rr3ZWXTfyZ#?secret=F5WIln1GNT" data-secret="F5WIln1GNT" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="SyjniueDb9"><p><a href="https://urutaurpg.com.br/siteluis/a-inevitavel-escalada-da-guerra-nas-fronteiras-russas/" target="_blank" rel="noopener">A inevitável escalada da guerra nas fronteiras russas</a></p></blockquote>
<p><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;A inevitável escalada da guerra nas fronteiras russas&#8221; &#8212; Zona Curva" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/a-inevitavel-escalada-da-guerra-nas-fronteiras-russas/embed/#?secret=404LZgffSX#?secret=SyjniueDb9" data-secret="SyjniueDb9" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
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