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	<title>sérgio moro &#8211; Zona Curva</title>
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	<title>sérgio moro &#8211; Zona Curva</title>
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		<title>Sérgio Moro e os sonâmbulos ideológicos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Guilherme Scalzilli]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 24 Jul 2017 13:34:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política análise]]></category>
		<category><![CDATA[condenação de lula]]></category>
		<category><![CDATA[lula Sérgio moro]]></category>
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		<category><![CDATA[sérgio moro]]></category>
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					<description><![CDATA[por Guilherme Scalzilli Tanto a base material quanto a estrutura argumentativa da sentença de Sérgio Moro contra Lula são pobres, indignas dos recursos empregados no inquérito. Em resumo, e passando ao largo da sintomática verborragia defensiva do juiz, a condenação usa indícios e ilações que a lei brasileira não aceita como elementos probatórios. Chego a duvidar de que existam precedentes similares envolvendo réus anônimos. Dizer que as “informações colhidas pelo Ministério Público” levariam à prisão do petista em certos países é tão inútil quanto dizer que ele seria absolvido em outros. Quem gosta de comparações deveria indagar o que teria acontecido à Lava Jato, nas cortes estrangeiras, depois dos seus grampos ilegais e vazamentos clandestinos. Moro e o MPF comprovam a força de Lula Certos especialistas vêm a público lembrar o “princípio do livre convencimento” de Moro, louvando a “coerência” da sua decisão. Mas os doutores creem de fato nessa bobagem? Concordam com a tentativa de compensar a falta de provas pela tese de ocultação? Com a metáfora anatômica dos nove anos e meio da sentença? Acho que não. Da mesma forma, desconfio que nenhum dos analistas midiáticos (ou dos ministros do STF) esteja verdadeiramente cego aos métodos arbitrários de Moro e ao absurdo dele usar delações “informais” e matérias de jornal para driblar a sua dificuldade de incriminar Lula. Convenhamos, é bem fácil perceber essas coisas. Parece-me que a própria natureza cínica da Lava Jato acionou uma espécie de “regime de hipocrisia” nos círculos antipetistas, um sonambulismo ético do qual as pessoas se negam a despertar, apegadas ao transe civilizatório da Cruzada Anticorrupção. Quanto menos relevantes forem as ninharias usadas contra Lula, maior a resistência dos nefelibatas a reconhecer sua frustração com o desfecho da caçada. A narcose ideológica serve também como álibi de ignorância útil. Forçando a moralidade xiita, muita gente escapa de discutir os temas jurídicos envolvidos no processo. O debate fica boiando nas platitudes juvenis de Moro sobre ninguém estar acima da lei, e jamais penetra nas falhas objetivas da sentença. Aí percebemos que o aspecto moral do caso Lula ajuda a manter o seu tênue conteúdo jurídico de pé, dando uma falsa robustez à gelatina de improvisos técnicos da ação. A criticável proximidade do petista com empreiteiros, por exemplo, vira uma garantia de que toda acusação adjacente possui algo de incontroverso. Provas são desnecessárias quando “sabemos a verdade”. Critérios subjetivos do tipo já seriam ilegítimos se aplicados na destruição indiscriminada de toda a classe política. Usá-los para impedir uma candidatura singular não é aceitável sob qualquer pretexto hermenêutico. Não no país do fisiologismo impune, dos cartéis bilionários, das máfias de editais, dos prefeitos com assessores do PCC. Não por um apartamento no Guarujá, que Lula nunca possuiu ou ocupou. Sem o esqueleto de farisaísmo e ressentimento, a condenação de Lula desabaria sozinha. Publicado originalmente no Blog do Guilherme Scalzilli.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;">por Guilherme Scalzilli</p>
<p>Tanto a base material quanto a estrutura argumentativa da sentença de Sérgio Moro contra Lula são pobres, indignas dos recursos empregados no inquérito. Em resumo, e passando ao largo da sintomática verborragia defensiva do juiz, a condenação usa indícios e ilações que a lei brasileira não aceita como elementos probatórios. Chego a duvidar de que existam precedentes similares envolvendo réus anônimos.</p>
<p>Dizer que as “informações colhidas pelo Ministério Público” levariam à prisão do petista em certos países é tão inútil quanto dizer que ele seria absolvido em outros. Quem gosta de comparações deveria indagar o que teria acontecido à Lava Jato, nas cortes estrangeiras, depois dos seus grampos ilegais e vazamentos clandestinos.</p>
<p><a href="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2017/07/24-de-julho-Sergio-Moro-e-os-sonambulos-ideologicos.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-5684" src="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2017/07/24-de-julho-Sergio-Moro-e-os-sonambulos-ideologicos.jpg" alt="Sergio Moro e os sonambulos ideologicos" width="480" height="438" /></a></p>
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="CUliknM2yA"><p><a href="https://zonacurva.com.br/moro-e-o-mpf-comprovam-forca-de-lula/">Moro e o MPF comprovam a força de Lula</a></p></blockquote>
<p><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;Moro e o MPF comprovam a força de Lula&#8221; &#8212; Zona Curva" src="https://zonacurva.com.br/moro-e-o-mpf-comprovam-forca-de-lula/embed/#?secret=Wp3GS0nJzt#?secret=CUliknM2yA" data-secret="CUliknM2yA" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
<p>Certos especialistas vêm a público lembrar o “princípio do livre convencimento” de Moro, louvando a “coerência” da sua decisão. Mas os doutores creem de fato nessa bobagem? Concordam com a tentativa de compensar a falta de provas pela tese de ocultação? Com a metáfora anatômica dos nove anos e meio da sentença?</p>
<p>Acho que não. Da mesma forma, desconfio que nenhum dos analistas midiáticos (<strong><a href="http://guilhermescalzilli.blogspot.com.br/2016/03/o-stf-lava-as-maos-jato.html" target="_blank" rel="noopener">ou dos ministros do STF</a></strong>) esteja verdadeiramente cego aos <strong><a href="http://guilhermescalzilli.blogspot.com.br/2017/04/os-limites-de-moro.html" target="_blank" rel="noopener">métodos arbitrários de Moro</a></strong> e ao absurdo dele usar delações “informais” e matérias de jornal para driblar a sua dificuldade de incriminar Lula. Convenhamos, é bem fácil perceber essas coisas.</p>
<p>Parece-me que a própria <strong><a href="http://guilhermescalzilli.blogspot.com.br/2017/05/a-lava-jato-continua-seletiva-e.html" target="_blank" rel="noopener">natureza cínica da Lava Jato</a></strong> acionou uma espécie de “regime de hipocrisia” nos círculos antipetistas, um sonambulismo ético do qual as pessoas se negam a despertar, apegadas ao <a href="http://guilhermescalzilli.blogspot.com.br/2016/12/e-necessario-resistir-cruzada.html" target="_blank" rel="noopener"><strong>transe civilizatório da Cruzada Anticorrupção</strong></a>. Quanto menos relevantes forem as ninharias usadas contra Lula, maior a resistência dos nefelibatas a reconhecer sua frustração com o desfecho da caçada.</p>
<p>A narcose ideológica serve também como <strong><a href="http://guilhermescalzilli.blogspot.com.br/2017/07/a-logica-adversativa-da-lava-jato.html" target="_blank" rel="noopener">álibi de ignorância útil</a></strong>. Forçando a moralidade xiita, muita gente escapa de discutir os temas jurídicos envolvidos no processo. O debate fica boiando nas platitudes juvenis de Moro sobre ninguém estar acima da lei, e jamais penetra nas falhas objetivas da sentença.</p>
<p>Aí percebemos que o aspecto moral do caso Lula ajuda a manter o seu tênue conteúdo jurídico de pé, dando uma falsa robustez à gelatina de improvisos técnicos da ação. A criticável proximidade do petista com empreiteiros, por exemplo, vira uma garantia de que toda acusação adjacente possui algo de incontroverso. Provas são desnecessárias quando “sabemos a verdade”.</p>
<p>Critérios subjetivos do tipo já seriam ilegítimos se aplicados na destruição indiscriminada de toda a classe política. Usá-los para impedir uma candidatura singular não é aceitável sob qualquer pretexto hermenêutico. Não no país do fisiologismo impune, <strong><a href="http://guilhermescalzilli.blogspot.com.br/2016/03/vamos-falar-de-corrupcao.html" target="_blank" rel="noopener">dos cartéis bilionários</a></strong>, das máfias de editais, dos <strong><a href="http://guilhermescalzilli.blogspot.com.br/2015/12/prisao-sugere-elo-entre-psb-e-crime.html" target="_blank" rel="noopener">prefeitos com assessores do PCC</a></strong>. Não por um apartamento no Guarujá, que Lula nunca possuiu ou ocupou.</p>
<p>Sem o esqueleto de farisaísmo e ressentimento, a condenação de Lula desabaria sozinha.</p>
<p><a href="http://guilhermescalzilli.blogspot.com.br/2017/07/sergio-moro-e-os-sonambulos-ideologicos.html" target="_blank" rel="noopener"><strong>Publicado originalmente no Blog do Guilherme Scalzilli.</strong></a></p>
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		<title>De santos e de juízes</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Agencia Carta Maior]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 23 Nov 2016 17:56:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política análise]]></category>
		<category><![CDATA[crise política]]></category>
		<category><![CDATA[juízes]]></category>
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		<category><![CDATA[mauro santayana]]></category>
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					<description><![CDATA[por Mauro Santayana (da Agência Carta Maior) A estúpida invasão do Parlamento, com a tomada do plenário da Câmara dos Deputados por um bando de imbecis &#8211; que davam vivas ao Juiz Sérgio Moro e pediam uma “intervenção” militar &#8211; não é um absurdo isolado no crescente cerco à Democracia e às instituições nacionais. A cerrada pressão corporativa do Judiciário e do Ministério Público sobre deputados e senadores para consolidar o controle de um grupo de plutocratas sobre a República, o Legislativo e o Executivo, e, direta e indiretamente, sobre o eleitorado e os cidadãos comuns, representa uma outra face da ascensão de um fenômeno perverso, antidemocrático e fascista &#8211; a Antipolítica. Não interessa se o legislativo que aí está aprovou,  majoritariamente, um golpe que tirou do poder um governo que, venhamos e convenhamos, havia se tornado de certa forma insustentável, por sua própria incapacidade em recusar uma agenda neoliberal recessiva &#8211; criada também para facilitar a sua derrocada &#8211; e de resistir a uma campanha tenaz, mentirosa e fascista que se desenvolvia claramente desde 2013 e que iria &#8211; só os imbecis e os ingênuos não acreditavam nisso &#8211; chegar, inexoravelmente, à derrubada da Presidente da República. O Congresso Nacional &#8211; e nele há também aqueles que tentaram resistir bravamente a essa farsa &#8211; não é perfeito. Mas ninguém chega ali sem voto. E o voto reflete em boa parte a essência, a opinião, a qualidade e o que determina a população brasileira. Tão ou mais responsáveis pela queda de Dilma, do que os deputados e senadores que votaram pelo seu impeachment, foram certos grupos do Ministério Público e do Judiciário, oriundos majoritariamente de uma classe média reacionária e conservadora, que investiram tenazmente na fabricação de uma longa série de factoides, arbitrariedades e escândalos, destinados a dizimar o PT nos tribunais e &#8211; em cumplicidade com uma mídia mendaz, parcial e seletiva &#8211; junto à opinião pública. Ou alguém acredita que, se não existisse a Operação Lava Jato, e seu deletério exemplo, com o evidente antipetismo do Juiz e de vários procuradores envolvidos com sua &#8220;força-tarefa&#8221; &#8211; mesmo com a coleção de equívocos táticos e políticos do governo anterior e de seu partido &#8211; teria se conseguido derrubar a Presidente da República? A “Lava Jato” não apenas destruiu o país, provocando 140 bilhões de reais de prejuízo e aprofundando os efeitos da política recessiva e da crise internacional &#8211; arrebentando com as maiores empresas brasileiras e seus milhares de trabalhadores, acionistas e fornecedores &#8211; para recolher menos de dois bilhões, na verdade, apenas algumas dezenas de milhões de reais, se formos considerar dinheiro efetivamente desviado e não de &#8220;leniência&#8221;, &#8220;multas” e &#8220;bloqueios&#8221; bilionários. Ela também representou a consolidação de uma Jurisprudência da Destruição que já vinha de antes, partidária e sabotadora, com a sucessiva paralisação, por centenas de vezes, de dezenas de grandes obras de infraestrutura e de projetos estratégicos de governos petistas, nos últimos anos, como as hidrelétricas de Jirau e Belo Monte, a Refinaria Abreu e Lima e a Transposição do São Francisco, por exemplo, que tiveram entre outras consequências diretas um extraordinário aumento no preço das obras hoje atribuído quase que exclusivamente a supostos casos de corrupção. E se apoiou no descrédito da democracia, por meio da manipulação da opinião pública,  estratégia essa que é a cabeça de ponte de um movimento que pretende, de fato, diminuir o poder de representantes eleitos, para entregá-lo a um estrato privilegiado de funcionários concursados que se veêm como impolutos Cavaleiros da Justiça, e que consideram, temerariamente, que devem tutelar a República, por meio de sucessivas manobras políticas, quando  não têm um reles voto e  estão proibidos, por lei, de meter-se nesse contexto. Se houvesse um mínimo de respeito à Constituição, o Movimento das 10 Medidas Contra a Corrupção teria sido coibido dede o início. Juízes, procuradores, desembargadores devem fazer cumprir as leis e não criar movimentos de massa, slogans e marcas e sair colhendo assinaturas para reformulá-las partidariamente &#8211; mesmo que não se trate de partido legalmente constituído &#8211; em seu próprio benefício profissional ou pessoal. A não ser que queiram abandonar suas togas e seus confortáveis gabinetes e se candidatar ao Legislativo, disputando, no próximo pleito, com os deputados e senadores aos quais pretendem dar lições éticas, o voto e a preferência do eleitorado. Se não fosse assim, os constituintes de 1988 teriam lhes franqueado o acesso à atividade política, quando o que fizeram, explicitamente, foi exatamente o contrário, como ocorre, aliás, na maioria dos países do mundo. Já imaginaram se as Forças Armadas fizessem um movimento em defesa de seus próprios interesses e do aumento de quinhão de poder, de facto, no conjunto da sociedade brasileira, através de um conjunto de “10 Medidas Pró-defesa”, com soldados da Marinha, do Exército, da Aeronáutica, colhendo assinaturas em bares e restaurantes? Ou os bombeiros, ou os médicos, ou os fiscais, não interessando qual fosse o motivo, até mesmo porque de discursos demagógicos e de “boas” intenções o inferno está cheio? Poderíamos, tranquilamente, fechar o Congresso, as Assembleias Legislativas e Câmaras Municipais, e mudar o nome deste país para República Corporativista Brasileira. É por isso que, tanto do ponto de vista político, quanto do jurídico, os magistrados e procuradores brasileiros deveriam evitar o perigoso caminho &#8211; que estão trilhando com a cumplicidade de parte da mídia, que também aposta na judicialização e na criminalização da política e no enfraquecimento da Democracia &#8211; de tentar aumentar de forma incessante o seu poder, o seu ego e sua arrogância, no trato com a população de modo geral e, especificamente, com outras instituições da República. Uma auditoria do Tribunal Superior do Trabalho acaba de constatar que todos os tribunais regionais descumpriram normas legais em relação a férias de juízes e desembargadores entre 2010 e 2014. Nos casos mais graves, segundo a Folha de São Paulo, cinco TRTs pagaram a 335 magistrados o total de R$ 23,7 milhões a título de indenização, ou seja, da &#8220;venda&#8221; teoricamente ilegal &#8211;  a Lei Orgânica da Magistratura Nacional não prevê a possibilidade]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;">por Mauro Santayana (da Agência Carta Maior)</p>
<p>A estúpida invasão do Parlamento, com a tomada do plenário da Câmara dos Deputados por um bando de imbecis &#8211; que davam vivas ao Juiz Sérgio Moro e pediam uma “intervenção” militar &#8211; não é um absurdo isolado no crescente cerco à Democracia e às instituições nacionais.</p>
<p>A cerrada pressão corporativa do Judiciário e do Ministério Público sobre deputados e senadores para consolidar o controle de um grupo de plutocratas sobre a República, o Legislativo e o Executivo, e, direta e indiretamente, sobre o eleitorado e os cidadãos comuns, representa uma outra face da ascensão de um fenômeno perverso, antidemocrático e fascista &#8211; a Antipolítica.</p>
<p>Não interessa se o legislativo que aí está aprovou,  majoritariamente, um golpe que tirou do poder um governo que, venhamos e convenhamos, havia se tornado de certa forma insustentável, por sua própria incapacidade em recusar uma agenda neoliberal recessiva &#8211; criada também para facilitar a sua derrocada &#8211; e de resistir a uma campanha tenaz, mentirosa e fascista que se desenvolvia claramente desde 2013 e que iria &#8211; só os imbecis e os ingênuos não acreditavam nisso &#8211; chegar, inexoravelmente, à derrubada da Presidente da República.</p>
<figure id="attachment_5032" aria-describedby="caption-attachment-5032" style="width: 640px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2016/11/23-de-novembro-sérgio-moro-justiça-abusos.jpg"><img decoding="async" class="size-full wp-image-5032" src="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2016/11/23-de-novembro-sérgio-moro-justiça-abusos.jpg" alt="abusos judiciário brasileiro" width="640" height="349" /></a><figcaption id="caption-attachment-5032" class="wp-caption-text">O juiz federal Sérgio Moro (foto de Pedro de Oliveira/ ALEP)</figcaption></figure>
<p>O Congresso Nacional &#8211; e nele há também aqueles que tentaram resistir bravamente a essa farsa &#8211; não é perfeito.</p>
<p>Mas ninguém chega ali sem voto.</p>
<p>E o voto reflete em boa parte a essência, a opinião, a qualidade e o que determina a população brasileira.</p>
<p>Tão ou mais responsáveis pela queda de Dilma, do que os deputados e senadores que votaram pelo seu impeachment, foram certos grupos do Ministério Público e do Judiciário, oriundos majoritariamente de uma classe média reacionária e conservadora, que investiram tenazmente na fabricação de uma longa série de factoides, arbitrariedades e escândalos, destinados a dizimar o PT nos tribunais e &#8211; em cumplicidade com uma mídia mendaz, parcial e seletiva &#8211; junto à opinião pública.</p>
<p>Ou alguém acredita que, se não existisse a Operação Lava Jato, e seu deletério exemplo, com o evidente antipetismo do Juiz e de vários procuradores envolvidos com sua &#8220;força-tarefa&#8221; &#8211; mesmo com a coleção de equívocos táticos e políticos do governo anterior e de seu partido &#8211; teria se conseguido derrubar a Presidente da República?</p>
<p>A “Lava Jato” não apenas destruiu o país, provocando 140 bilhões de reais de prejuízo e aprofundando os efeitos da política recessiva e da crise internacional &#8211; arrebentando com as maiores empresas brasileiras e seus milhares de trabalhadores, acionistas e fornecedores &#8211; para recolher menos de dois bilhões, na verdade, apenas algumas dezenas de milhões de reais, se formos considerar dinheiro efetivamente desviado e não de &#8220;leniência&#8221;, &#8220;multas” e &#8220;bloqueios&#8221; bilionários.</p>
<p>Ela também representou a consolidação de uma Jurisprudência da Destruição que já vinha de antes, partidária e sabotadora, com a sucessiva paralisação, por centenas de vezes, de dezenas de grandes obras de infraestrutura e de projetos estratégicos de governos petistas, nos últimos anos, como as hidrelétricas de Jirau e Belo Monte, a Refinaria Abreu e Lima e a Transposição do São Francisco, por exemplo, que tiveram entre outras consequências diretas um extraordinário aumento no preço das obras hoje atribuído quase que exclusivamente a supostos casos de corrupção.</p>
<p>E se apoiou no descrédito da democracia, por meio da manipulação da opinião pública,  estratégia essa que é a cabeça de ponte de um movimento que pretende, de fato, diminuir o poder de representantes eleitos, para entregá-lo a um estrato privilegiado de funcionários concursados que se veêm como impolutos Cavaleiros da Justiça, e que consideram, temerariamente, que devem tutelar a República, por meio de sucessivas manobras políticas, quando  não têm um reles voto e  estão proibidos, por lei, de meter-se nesse contexto.</p>
<p>Se houvesse um mínimo de respeito à Constituição, o Movimento das 10 Medidas Contra a Corrupção teria sido coibido dede o início.</p>
<p>Juízes, procuradores, desembargadores devem fazer cumprir as leis e não criar movimentos de massa, slogans e marcas e sair colhendo assinaturas para reformulá-las partidariamente &#8211; mesmo que não se trate de partido legalmente constituído &#8211; em seu próprio benefício profissional ou pessoal.</p>
<p>A não ser que queiram abandonar suas togas e seus confortáveis gabinetes e se candidatar ao Legislativo, disputando, no próximo pleito, com os deputados e senadores aos quais pretendem dar lições éticas, o voto e a preferência do eleitorado.</p>
<p>Se não fosse assim, os constituintes de 1988 teriam lhes franqueado o acesso à atividade política, quando o que fizeram, explicitamente, foi exatamente o contrário, como ocorre, aliás, na maioria dos países do mundo.</p>
<figure id="attachment_5034" aria-describedby="caption-attachment-5034" style="width: 740px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2016/11/23-de-novembro-Deltan-Dallagnol-medidas-corrupção.jpg"><img decoding="async" class="size-full wp-image-5034" src="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2016/11/23-de-novembro-Deltan-Dallagnol-medidas-corrupção.jpg" alt="abusos judiciário" width="740" height="463" /></a><figcaption id="caption-attachment-5034" class="wp-caption-text">O procurador federal Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato, em reunião na semana passada com deputados da comissão especial que analisa  projeto  contra a  corrupção (foto de Fabio  Rodrigues  Pozzebom /Agência Brasil)</figcaption></figure>
<p>Já imaginaram se as Forças Armadas fizessem um movimento em defesa de seus próprios interesses e do aumento de quinhão de poder, de facto, no conjunto da sociedade brasileira, através de um conjunto de “10 Medidas Pró-defesa”, com soldados da Marinha, do Exército, da Aeronáutica, colhendo assinaturas em bares e restaurantes?</p>
<p>Ou os bombeiros, ou os médicos, ou os fiscais, não interessando qual fosse o motivo, até mesmo porque de discursos demagógicos e de “boas” intenções o inferno está cheio?</p>
<p>Poderíamos, tranquilamente, fechar o Congresso, as Assembleias Legislativas e Câmaras Municipais, e mudar o nome deste país para República Corporativista Brasileira.</p>
<p>É por isso que, tanto do ponto de vista político, quanto do jurídico, os magistrados e procuradores brasileiros deveriam evitar o perigoso caminho &#8211; que estão trilhando com a cumplicidade de parte da mídia, que também aposta na judicialização e na criminalização da política e no enfraquecimento da Democracia &#8211; de tentar aumentar de forma incessante o seu poder, o seu ego e sua arrogância, no trato com a população de modo geral e, especificamente, com outras instituições da República.</p>
<p>Uma auditoria do Tribunal Superior do Trabalho acaba de constatar que todos os tribunais regionais descumpriram normas legais em relação a férias de juízes e desembargadores entre 2010 e 2014.</p>
<p>Nos casos mais graves, segundo a Folha de São Paulo, cinco TRTs pagaram a 335 magistrados o total de R$ 23,7 milhões a título de indenização, ou seja, da &#8220;venda&#8221; teoricamente ilegal &#8211;  a Lei Orgânica da Magistratura Nacional não prevê a possibilidade de conversão de férias não gozadas em remuneração &#8211; de descanso remunerado em troca de dinheiro.</p>
<p>O TRT de São Paulo lidera a lista, com 872 pagamentos irregulares a 290 magistrados, no total de R$ 21,6 milhões.</p>
<p>No Rio de Janeiro, em que se pretende diminuir os salários dos servidores públicos da base da administração, para fazer com que eles dividam com o governo a contribuição para a aposentadoria, um relatório sobre a folha de pagamentos de agosto deste ano informa que só seis dos 861 magistrados do estado ganham abaixo do teto constitucional de R$ 33.763, e que há desembargadores que, com os &#8220;penduricalhos&#8221;, recebem mais de R$ 70 mil por mês.</p>
<p>&#8220;Apenas em dezembro de 2015, cada magistrado estadual do Paraná recebeu R$ 103,6 mil brutos, em média, de remuneração. Ao todo, o Tribunal de Justiça (TJ) gastou só no último mês do ano passado R$ 94,4 milhões com os vencimentos de juízes e desembargadores. Isso significa praticamente o triplo do que foi gasto, em média, entre os meses de fevereiro e novembro de 2015– R$ 32,2 milhões. No mês de janeiro de 2015, os gastos também foram atípicos: R$ 72,1 milhões.&#8221;</p>
<p>O parágrafo acima é do Jornal &#8220;Gazeta do Povo&#8221;. Por causa dessa matéria, 45 juízes do Estado do Paraná, atingidos em sua &#8220;honra&#8221;, moveram ações cruzadas contra os responsáveis pelo jornal, a ponto de a questão ter chegado ao STF, instância em que a Ministra Rosa Weber suspendeu, liminarmente, a perseguição contra a publicação e cinco profissionais de sua equipe (três jornalistas, um infografista e um webdesigner).</p>
<p>No Ministério Público do Paraná &#8211; assim como ocorre na maioria das unidades da Federação &#8211; a situação também não é diferente.</p>
<p>A diferença entre o que foi pago aos membros do órgão e o teto constitucional custou R$ 70 milhões – 74% dos R$ 94,5 milhões ganhos a mais em 2015 com a inclusão do FPE.</p>
<p>E no Tribunal de Justiça, os gastos com pagamentos acima do teto constitucional custaram R$ 108 milhões – 49% dos recursos.</p>
<p>Se o leitor acha altos esses &#8220;proventos&#8221;, que espere que incida sobre eles o aumento recentemente concedido pelo governo federal ao Judiciário em plena &#8220;crise&#8221;, que será de 47% nos próximos dois anos.</p>
<p>Ora, quem acusa e julga deveria ser o primeiro a dar o exemplo, não se afastando, nem por um centímetro, do que determina a lei.</p>
<p>A Senadora Kátia Abreu, já lembrou, há alguns dias, com toda clareza, que juiz ou procurador que recebe acima do teto também é corrupto.</p>
<p>É nesse contexto que, com a desculpa do combate à corrupção, o MP, apoiado por organizações ligadas ao Judiciário, pretende passar no Congresso medidas destinadas a diminuir ainda mais o espaço de defesa do réu diante de um sistema de repressão jurídico-policial-penal dantesco, vergonhoso, na maioria dos aspectos, que está distante de qualquer nação moderna ou civilizada.</p>
<p>E se esforça em impedir, junto com juízes, as tentativas &#8211; em que o Congresso não faz mais do que sua obrigação &#8211; de se estabelecer  limites para a ação de procuradores e magistrados, que prevejam punições mais drásticas, em caso de abuso de autoridade, que o mero afastamento remunerado de funções &#8211; na verdade um prêmio, por meio do qual o sujeito recebe sem trabalhar &#8211;  e de se discutir outras questões, como os super-salários do funcionalismo público, entre os quais se incluem os seus, dos mais altos da República.</p>
<p>O jornal Estado de São Paulo informa que entidades de representação do Poder Judiciário, do Ministério Público e da Polícia Federal reagiram à proposta de mudança da Lei Anticorrupção para instituir o crime de responsabilidade para magistrados, promotores e procuradores, e a anistia em acordos de leniência a executivos de empresas acusadas de corrupção.</p>
<p>O presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), João Ricardo dos Santos, acusou parlamentares de usar o pacote das dez medidas anticorrupção do Ministério Público Federal (MPF) e um projeto para anistiar crimes de caixa 2, para tentar barrar a Operação Lava Jato.</p>
<p>Um grupo autodenominado “Magistrados Independentes” pede a cassação, por “falta de decoro” do Presidente do Senado, Renan Calheiros por ter criticado um juiz que tentou ilegalmente investigar o Legislativo sem autorização da Suprema Corte.</p>
<p>O Presidente do Senado Federal, assim como a maioria de seus pares, que espelham, como ele, a sociedade brasileira, com certeza não é santo e tem inúmeros defeitos, mas não está ali por vontade divina.</p>
<p>Não podemos ser seletivos, como os fascistas.</p>
<p>Da mesma forma que Dilma representava 54 milhões de brasileiros que a elegeram, o Senador Renan Calheiros representa diretamente mais de 840.000 homens e mulheres que votaram nele.</p>
<p>Parafraseando Stalin, que teria indagado quantas divisões tem o Papa, perguntamos: quantos votos têm os magistrados que pretendem cassar Renan Calheiros?</p>
<p>Essa falta de respeito, esse manifesto desprezo pela vontade do eleitor e pelas prerrogativas individuais com relação à sociedade, também está presente, indiretamente, na declaração do presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), que disse que sua maior preocupação é a falta de “filtro” para quem realizará a denúncia de crime de responsabilidade contra as autoridades.</p>
<p>“O que o deputado está propondo é que qualquer cidadão acusado de qualquer crime, homicida, traficante, pode entrar com petição e a autoridade terá de responder”, disse, ilustrando quão longe está indo a abordagem fascista da justiça no Brasil de hoje, como se houvesse cidadãos com mais direitos que os outros, em sua presunção de inocência, e a &#8220;autoridade&#8221; em questão fosse absolutamente infalível e não tivesse que se submeter ao poder de quem vota e lhe paga os régios salários de que falamos há pouco, mesmo que, ou principalmente quando o cidadão for suspeito de qualquer crime, já que, como mero  acusado, ainda não foi condenado e tem direito constitucional a ampla defesa.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><em>Quis custodiet ipsos custodes?</em></strong></p>
<p>&#8220;Quem guardará os guardiões? já perguntavam, sabiamente, os romanos, há quase 20 séculos, por meio de Décimo Júnio Juvenal &#8211; quanto mais poder tem um cidadão a serviço do Estado, maior controle e limites ele tem que ter, maior tem que ser a sua submissão e obediência à Lei e à comunidade que serve &#8211; pois que ele existe apenas para isso mesmo &#8211; para meramente servir aos cidadãos e não a si mesmo.</p>
<p>O relator da Comissão que estuda a aprovação das “10 medidas Anticorrupção” já recuou dessa missão, citando a “opinião das ruas” &#8211; que na verdade é apenas a opinião dos  procuradores e juízes que foram procurá-lo na Câmara dos Deputados &#8211; com relação à imposição de limites para o abuso de autoridade com o estabelecimento de crimes de responsabilidade para juízes e procuradores.</p>
<p>O Congresso precisa, em nome da História e de sua própria sobrevivência como instituição, resistir à pressão corporativista de quem pretende agir como uma casta &#8211; em nada casta, aliás &#8211; que está acima da população.</p>
<p>Há quem esteja chamando os políticos de “os donos do mundo”.</p>
<p>Mas os homens públicos não são donos do mundo. Eles são donos, apenas, de seus votos, que lhes conferem poder apenas enquanto os têm, e que são obrigados a manter e a reconquistar constantemente &#8211; ao contrário dos juízes, procuradores, desembargadores &#8211; a cada novo pleito. Pode-se criticar este ou aquele político, em livre exercício democrático.</p>
<p>O que não se pode é generalizar e nivelar, de forma fascista, a todos.</p>
<p>Ou tentar retirar ou diminuir a legitimidade do voto para voltar à máxima pelésiana &#8211; aquela de que “o brasileiro não sabe votar” &#8211; tão em voga durante a ditadura.</p>
<p>Se o Judiciário e o Ministério Público brasileiros fossem perfeitos, não viveríamos em um país em que são assassinadas quase 60.000 pessoas por ano, boa parte delas &#8211; em situações polêmicas e controversas &#8211; por agentes do próprio Estado.</p>
<p>Em uma Nação em que, apesar de termos uma das forças de segurança mais violentas do mundo, menos de 6% dos homicídios são elucidados e esclarecidos.</p>
<p>Em que, em alguns estados, quase 60% dos presos se encontram ilegalmente mofando, de forma imoral, há anos, atrás das grades, sem julgamento.</p>
<p>Em que o Conselho Nacional de Justiça eximiu, há poucos meses, juízes e procuradores de declararem, antecipadamente, junto com o endereço e a data, o valor das palestras pagas que estão livres para fazer para instituições de qualquer espécie.</p>
<p>Ao mesmo tempo em que &#8220;pune&#8221;, com apenas dois anos de suspensão, remunerada, uma juíza que permitiu que uma adolescente ficasse reclusa, durante semanas, com 30 presos do sexo masculino, em uma cadeia do estado do Pará.</p>
<p>A mesma punição reservada pelo CNJ, no caso, de aposentadoria compulsória também remunerada, para um Juiz que vendia sentenças no Tribunal de Justiça do mesmo Estado. E para outros magistrados, envolvidos com quadrilhas dedicadas ao mesmo crime, em outras unidades da Federação como o Piauí, a Bahia, Roraima, Pernambuco, etc.<br />
Um país em que dezenas de presos desarmados são metralhados, encurralados dentro de celas e corredores de um presídio, e os responsáveis pelo massacre, com equipamentos de proteção e armados até os dentes na ocasião dos fatos, são absolvidos por &#8220;legítima defesa&#8221;.</p>
<p>Em que as prisões, como pôde constatar, mais uma vez, a Presidente do STF, Ministra Carmem Lúcia, em visita à Penitenciária da Papuda, em plena capital da República, há alguns dias, são, principalmente pela superlotação, verdadeiras masmorras em que não existe a menor garantia, por parte do Estado, de condições minimamente dignas para o cumprimento, pelo condenado de sua sentença.</p>
<p>E em que não existe nenhuma possibilidade, e, eventualmente, interesse, de garantir sua incolumidade física durante os longos períodos em que, na maioria dos casos, sem assistência médica ou judiciária, o preso eventualmente “provisório” ficará enclausurado, em condições absolutamente animalescas, à mercê de Deus, das facções e do Sistema.</p>
<p>Muitas vezes, porque foi apanhado com algumas pedras de &#8220;crack&#8221; ou alguns papelotes no bolso, na esquina, produzidos à base de querosene ou de comprimidos vencidos de anfetamina, sem nenhum vestígio de cocaína.</p>
<p>Isso, em um planeta no qual, em nações como os EUA, a população acaba de aprovar, em plebiscito, em novos estados, incluído o mais populoso deles, a Califórnia, o uso recreativo da maconha, diante da constatação de que a mera repressão e penas implacáveis, até mesmo para usuários, como ocorre comumente por aqui, não resolvem, de forma alguma, a questão do tráfico de substâncias entorpecentes.</p>
<p>Diante de uma &#8220;justiça&#8221; assim, todo indivíduo tem o direito moral de tentar escapar da &#8220;lei&#8221;. De não produzir provas contra si mesmo.</p>
<p>E de postergar seu julgamento e encarceramento, indefinidamente, porque a justiça que o julga e o condena, com a mão cada vez mais pesada de jovens juízes e procuradores recém-formados que vivem no mundo perfeito de suas gravatas de seda, seus altos salários e seus ternos bem cortados, é a mesma que não consegue garantir que a maioria dos detentos brasileiros passe por julgamento ou possa cumprir sua pena de reclusão em condições de relativa igualdade com apenados de outros países, como já dissemos, minimamente modernos ou civilizados, neste vigésimo-primeiro século da Era Cristã.</p>
<p>Se, em resposta a uma longa sucessão de desmandos, em que a delação, como nos regimes autoritários mais abjetos da História, tornou-se o maior instrumento de investigação de uma justiça que se mostra incapaz de correr atrás de provas claras, irrefutáveis, incontestáveis, o Judiciário insiste em aumentar o casuísmo?</p>
<p>Se, com o intuito de  institucionalizar-se essa nova ordem judiciária, blindando-a contra iniciativas que possam restaurar o direito e possibilitar a defesa de quem está sendo acusado, em mais uma decisão que implica em novo passo rumo à fascistização, de facto, do país, transformando-nos, também no aspecto judicial, em uma ditadura,  a  5ª Turma do Superior Tribunal de Justiça decidiu nesta semana ser inviável que cidadãos delatados por terceiros questionem acordos de delação celebrados por quem os está acusando?</p>
<p>Se essa absurda determinação &#8211; que precisa ser contestada no STF &#8211; mais uma no sentido de restringir os direitos cidadãos que estão teoricamente consubstanciados na Constituição, afirma que as pessoas citadas ou acusadas nas delações, não poderão, doravante, questionar as circunstâncias, as condições em que tal delação foi obtida &#8211; se por pressão sobre o réu, eventualmente já aprisionado e sob o arbítrio de seus carcereiros e interrogadores, se sob tortura ou eventual ameaça ou chantagem, em um país em que todos sabem, existe uma das polícias mais violentas do mundo?</p>
<p>Se poderão, no máximo, os delatados, que &#8211; a partir da declaração de um desafeto, de alguém que está procedendo assim em troca de uma eventual promessa de soltura &#8211; correm o risco de ser presos e acusados de qualquer crime, mesmo que não haja provas; contestar o teor das acusações, sem entrar no mérito de como foi obtida a tal &#8220;delação&#8221; pela &#8220;justiça&#8221;?</p>
<p>Se o STF acaba de aceitar institucionalizar a prisão após condenação em segunda instância, restringindo ainda mais a possibilidade de defesa do réu, neste perfeito &#8211; justo, equilibrado, em nada arbitrário &#8211;  sistema judiciário em que vivemos?</p>
<p>Como no caso da possível aprovação da validação de provas &#8220;ilícitas&#8221;, obtidas de &#8220;boa fé&#8221; por agentes do Estado, em exame pelo Congresso, estamos vivendo uma fase da vida nacional que só pode ser comparada ao período de ascensão do nazismo, quando, uma após outra, medidas de restrição do Estado de Direito e dos direitos individuais foram aprovadas pelo regime, até que a máscara de uma suposta legalidade caiu, com a imposição do ignominioso arcabouço &#8220;jurídico&#8221; das Leis de Nuremberg.</p>
<p>Nesse contexto, não pode restar, àqueles que defendem a liberdade e a democracia, duramente reconquistadas por nossa geração, mais do que cerrar fileiras e combater, decididamente, até mesmo em benefício da própria consciência, se não do futuro de seus descendentes, em todos os foros, cada casuísmo que possa estar sendo implementado nesse sentido, mesmo que muitas vezes eles  sejam adotados sob o manto hipócrita da defesa de um país mais &#8220;honesto&#8221; e menos corrupto, até mesmo porque não há regime autoritário, sangrento e assassino da História que tenha chegado ao poder sem essas bandeiras.</p>
<p>Por outro lado, a emblemática absolvição de João Vaccari Neto, do fantástico desvio &#8211; tão propalado pela mídia &#8211; de 100 milhões de reais, quando presidia a Bancoop, pela juíza Cristina Balbone Costa, da Quinta Vara Criminal de São Paulo, mostra que ainda existe justiça neste país, fora do âmbito da Operação Lava-Jato, com suas ilações, sua seletividade, suas arbitrariedades, a pressão sobre os presos para a imposição, dirigida e premeditada de “delações&#8221; &#8220;premiadas&#8221; e uma longa série de acusações que não se sustentam.</p>
<p>Mesmo que essa operação viesse a trabalhar com provas absolutamente irrefutáveis e sem pressões e arbitrariedades sobre presos e testemunhas, ainda seria necessário provar à opinião pública que seus principais integrantes não estão apenas se esforçando para encontrar algum prêmio político-eleitoral &#8211; em 2018, quem sabe &#8211; no fim do arco-íris, ou não têm a intenção de se transformar, de fato, e permanentemente, em um quarto poder oculto dentro da estrutura do Estado Brasileiro.</p>
<p>Não se espera que boa parte dos juízes e procuradores que dividem privilégios e vantagens, abandone, como se vê pelo comportamento de suas associações de classe, seu arraigado corporativismo, ou deixem de buscar &#8211; mesmo sem voto &#8211; como estão fazendo constante e açodadamente neste momento, aumentar o seu quinhão de poder &#8211; cada vez maior, aliás &#8211; com relação a outros segmentos, como os representantes eleitos do Executivo e do Legislativo, no contexto da sociedade brasileira.</p>
<p>Basta que parem de agir como vestais, e de querer posar de santos, e espetacularmente, de impolutos e messiânicos Cavaleiros da Justiça, porque, como mostram os casos de São Paulo, do Rio de Janeiro, do Pará, do Paraná, de Roraima, do Piauí, da Bahia, de Pernambuco, do Espírito Santo, e de outros, muitíssimos outros lugares, nas capitais e no interior, eles não o são, como não são, também, nem impecáveis nem perfeitos.</p>
<p>Não o são e não estão acima dos Deputados e Senadores que pretendem “exemplar”, nem de nós, comuns mortais, que neles votamos, com nossos muitos defeitos e eventuais qualidades.</p>
<p>Essa é uma perspectiva que a Câmara dos Deputados precisa levar em consideração nesta semana, a não ser que queira cometer mais um suicídio político &#8211; como se não bastasse a PEC 241 que retirará poder do Estado e do Congresso &#8211; e um novo erro histórico de enormes proporções.</p>
<p>E é uma constatação que está começando a ser feita, e a ser melhor entendida, pela população brasileira.</p>
<p><strong> </strong><strong>Publicado originalmente na Agência Carta Maior.</strong></p>
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		<title>Polyana investigadora</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Guilherme Scalzilli]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 Jul 2016 17:55:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[impeachment dilma]]></category>
		<category><![CDATA[josé serra petrobras]]></category>
		<category><![CDATA[Lava Jato]]></category>
		<category><![CDATA[lava jato procuradores]]></category>
		<category><![CDATA[sérgio moro]]></category>
		<category><![CDATA[sérgio moro estados unidos]]></category>
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					<description><![CDATA[por Guilherme Scalzilli Dá para imaginar o escândalo que haveria se o juiz Sérgio Moro e os procuradores da Lava Jato fizessem cursos e reuniões na Rússia ou na Venezuela antes de arrasarem a Petrobras. Gigantes petrolíferos ajudando a destruir a concorrência brasileira? Então. Com os EUA é “cooperação internacional”. Espionagem? Conspiração? Depende da maneira como definimos tais atividades. Ou melhor, do grau de credulidade que abraçamos para embalar nossa ilusão de autonomia e segurança. Quase toda ação escusa tem uma fachada legítima que satisfaz os ingênuos. Claro, soa insensato embaralhar os verdadeiros deslizes éticos de Moro com suspeitas afins. No imaginário diplomático, ele seria um péssimo candidato à cooptação. Além de excessivamente visado, nutre visão messiânica e idealista do seu papel. E tem motivações ideológicas já alinhadas à agenda estadunidense. Ao mesmo tempo, é muita ingenuidade ignorar os elos geopolíticos da desmoralização de algumas das maiores empresas do país, com negócios planetários em áreas estratégicas para as potências financeiras. E é simplesmente estúpido achar que desmontes desse tipo são fenômenos gratuitos no inescrupuloso universo do empresariado transnacional. Podemos até acreditar que a Lava Jato serve “apenas” como instrumento manipulado por interesses poderosos, em troca do seu próprio sucesso no âmbito doméstico. O problema está no pacote de versões oficiais, bem menos convincentes, que dão suporte à hipotética inocência dos nossos berlusconis. Por exemplo, a tese de que o profissionalismo, a força material e o respaldo midiático do movimento pelo impeachment nasceram de ações espontâneas e desarticuladas, embora seus líderes tenham ligações com obscuras companhias norte-americanas. Também a de que o cargo de ministro das Relações Exteriores de José Serra não tem nada a ver com seu projeto que abre o pré-sal à exploração estrangeira. Ou com os policiais federais que vazaram os sigilos da Lava Jato. Será que as teorias conspiratórias nascem da quantidade de coincidências estranhas em torno do mesmo fenômeno, ou do desprezo geral por esses sinais? Precisaríamos mesmo de documentos governamentais para saber que os EUA participaram do golpe militar de 1964? Sem o Wikileaks ninguém imaginaria que a Casa Branca espiona mensagens eletrônicas de governos, empresas e cidadãos? A lista dessas “descobertas” tardias ocuparia compêndios. As nódoas comuns a todos os seus episódios são a covardia da imprensa dita investigativa e o descrédito público dos paranoicos que levantaram as perguntas que ninguém ousava formular Publicado no JusBrasil. ]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;">por Guilherme Scalzilli</p>
<p>Dá para imaginar o escândalo que haveria se o juiz Sérgio Moro e os procuradores da Lava Jato fizessem cursos e reuniões na Rússia ou na Venezuela antes de arrasarem a Petrobras. Gigantes petrolíferos ajudando a destruir a concorrência brasileira? Então. Com os EUA é “cooperação internacional”.</p>
<p>Espionagem? Conspiração? Depende da maneira como definimos tais atividades. Ou melhor, do grau de credulidade que abraçamos para embalar nossa ilusão de autonomia e segurança. Quase toda ação escusa tem uma fachada legítima que satisfaz os ingênuos.</p>
<p><a href="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2016/07/13-de-julho-investigação-lava-jato.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-4677" src="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2016/07/13-de-julho-investigação-lava-jato.jpeg" alt="13 de julho investigação lava jato" width="400" height="260" /></a></p>
<p>Claro, soa insensato embaralhar os <strong><a href="http://guilhermescalzilli.blogspot.com.br/2016/03/o-golpe-em-curso.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">verdadeiros deslizes éticos</a></strong> de Moro com suspeitas afins. No imaginário diplomático, ele seria um péssimo candidato à cooptação. Além de excessivamente visado, nutre visão messiânica e idealista do seu papel. E tem motivações ideológicas já alinhadas à agenda estadunidense.</p>
<p>Ao mesmo tempo, é muita ingenuidade ignorar os elos geopolíticos da desmoralização de algumas das maiores empresas do país, com negócios planetários em áreas estratégicas para as potências financeiras. E é simplesmente estúpido achar que desmontes desse tipo são fenômenos gratuitos no inescrupuloso universo do empresariado transnacional.</p>
<p>Podemos até acreditar que a Lava Jato serve “apenas” como instrumento manipulado por interesses poderosos, em troca do seu próprio sucesso no âmbito doméstico. O problema está no pacote de versões oficiais, bem menos convincentes, que dão suporte à hipotética inocência dos nossos berlusconis.</p>
<p>Por exemplo, a tese de que o profissionalismo, a força material e <strong><a href="http://guilhermescalzilli.blogspot.com.br/2015/03/a-midia-apresenta-suas-armas.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">o respaldo midiático</a></strong> do movimento pelo impeachment nasceram de ações espontâneas e desarticuladas, embora seus líderes tenham ligações com <strong><a href="http://www.viomundo.com.br/denuncias/irmaos-koch-magnatas-do-petroleo-e-financiadores-da-extrema-direita-nos-eua-ajudam-a-bancar-os-meninos-do-golpe-no-brasil.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">obscuras companhias norte-americanas</a></strong>. Também a de que o cargo de ministro das Relações Exteriores de José Serra não tem nada a ver com seu projeto que abre o pré-sal à exploração estrangeira. Ou <a href="http://guilhermescalzilli.blogspot.com.br/2008/11/operao-jos-serra.html" target="_blank" rel="noopener">com os policiais federais</a> que vazaram os sigilos da Lava Jato.</p>
<p>Será que as teorias conspiratórias nascem da quantidade de coincidências estranhas em torno do mesmo fenômeno, ou do desprezo geral por esses sinais? Precisaríamos mesmo de documentos governamentais para saber que os EUA participaram do golpe militar de 1964? Sem o Wikileaks ninguém imaginaria que a Casa Branca espiona mensagens eletrônicas de governos, empresas e cidadãos?</p>
<p>A lista dessas “descobertas” tardias ocuparia compêndios. As nódoas comuns a todos os seus episódios são a covardia da imprensa dita investigativa e o <strong><a href="http://guilhermescalzilli.blogspot.com.br/2016/06/a-intelectualidade-sob-pressao.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">descrédito público dos paranoicos</a></strong> que levantaram as perguntas que ninguém ousava formular</p>
<p><a href="https://guilhermescalzilli.jusbrasil.com.br/artigos/360444038/polyana-investigadora" target="_blank" rel="noopener"><strong>Publicado no JusBrasil. </strong></a></p>
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		<title>Onde eles estavam quando tudo isso começou?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Guilherme Scalzilli]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 Apr 2016 16:55:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Curtas na curva]]></category>
		<category><![CDATA[grampos ilegais]]></category>
		<category><![CDATA[imprensa golpe]]></category>
		<category><![CDATA[sérgio moro]]></category>
		<category><![CDATA[Sérgio Moro imprensa]]></category>
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					<description><![CDATA[por Guilherme Scalzilli Os grampos ilegais de Sérgio Moro e seus arapongas provocaram uma onda de moderação e zelo na mídia corporativa. Editoriais e artigos correram defender que as investigações da Lava Jato fossem pautadas pela prudência e pelo respeito à legalidade. Na maioria dos casos, os autores desses textos não passam no teste da coerência: eles apoiaram alegremente a escalada arbitrária de Moro e da Polícia Federal. Foi sua longeva cumplicidade que alimentou o monstro da espionagem criminosa. Isso fica evidente nas próprias reações aos abusos. Em vez de tratá-los como os crimes que são, os comentaristas usam eufemismos suaves do tipo “deslizes”, “polêmicos”, “trapalhadas”. E, pior, sugerem que não afetam a natureza republicana da Lava Jato. Os neolegalistas deixaram as coisas chegarem a um ponto irremediável para fingir que o desaprovam. Diante do fato consumado, tratam de limpar suas reputações das manchas que denunciarão os artífices do futuro sombrio que se anuncia. O último capítulo dessa reforma póstuma de imagem é lamentar que o golpe do impeachment favoreça conspiradores sujos e malvados. Oh, Eduardo Cunha será o vice-presidente! Oh, Temer negocia a própria impunidade! Oh, a Lava Jato vai acabar! Claro, todos conheciam esses riscos há meses. Chegaram mesmo a dizer que eram criações do governismo aloprado. Agora aparecem repentinamente chocados com as trágicas consequências de uma farsa da qual eles mesmos foram ativos apologistas. Publicado originalmente no Blog do Guilherme Scalzilli.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;">por Guilherme Scalzilli</p>
<p>Os grampos ilegais de Sérgio Moro e seus arapongas provocaram uma onda de moderação e zelo na mídia corporativa. Editoriais e artigos correram defender que as investigações da Lava Jato fossem pautadas pela prudência e pelo respeito à legalidade.</p>
<p>Na maioria dos casos, os autores desses textos não passam no teste da coerência: eles apoiaram alegremente <strong><a href="http://guilhermescalzilli.blogspot.com.br/2016/02/moro-e-o-mpf-comprovam-forca-de-lula.html" target="_blank" rel="noopener">a escalada arbitrária de Moro</a> </strong>e da Polícia Federal. Foi sua longeva cumplicidade que alimentou o monstro da espionagem criminosa.</p>
<p>Isso fica evidente nas próprias reações aos abusos. Em vez de tratá-los como os crimes que são, os comentaristas usam eufemismos suaves do tipo “deslizes”, “polêmicos”, “trapalhadas”. E, pior, sugerem que não afetam a natureza republicana da Lava Jato.</p>
<p>Os neolegalistas deixaram as coisas chegarem a um ponto irremediável para fingir que o desaprovam. Diante do fato consumado, tratam de limpar suas reputações das manchas que denunciarão os artífices do futuro sombrio que se anuncia.</p>
<p>O último capítulo dessa reforma póstuma de imagem é lamentar que o golpe do impeachment favoreça conspiradores sujos e malvados. Oh, Eduardo Cunha será o vice-presidente! Oh, Temer negocia a própria impunidade! Oh, a Lava Jato vai acabar!</p>
<p><a href="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2016/04/13-de-abril-temer-e-cunha-foto-1.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-4384" src="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2016/04/13-de-abril-temer-e-cunha-foto-1.jpg" alt=" temer e cunha foto 1" width="534" height="355" /></a></p>
<p>Claro, todos<strong> </strong><a href="http://www.guilhermescalzilli.blogspot.com.br/2016/04/a-politicagem-e-o-alibi-da.html" target="_blank" rel="noopener"><strong>conheciam esses riscos há mese</strong>s</a>. Chegaram mesmo a dizer que eram criações do governismo aloprado. Agora aparecem repentinamente chocados com as trágicas consequências de uma farsa da qual eles mesmos<strong> <a href="http://www.guilhermescalzilli.blogspot.com.br/2016/03/a-caca-lula-virou-campanha-publicitaria.html" target="_blank" rel="noopener">foram ativos apologistas</a>.</strong></p>
<p><strong><a href="http://guilhermescalzilli.blogspot.com.br/2016/04/onde-eles-estavam-quando-tudo-isso.html" target="_blank" rel="noopener">Publicado originalmente no Blog do Guilherme Scalzilli.</a></strong></p>
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		<title>O que Machado de Assis falou do juiz Sérgio Moro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Urariano Mota]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 Feb 2016 14:13:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[machado de assis corrupção]]></category>
		<category><![CDATA[machado de assis o alienista]]></category>
		<category><![CDATA[sérgio moro]]></category>
		<category><![CDATA[Sérgio moro biografia]]></category>
		<category><![CDATA[simão bacamarte Sérgio moro]]></category>
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					<description><![CDATA[por Urariano Mota O maior escritor brasileiro, gênio absoluto, não deixaria de falar sobre as aparências de justiça da direita brasileira. Mas o mais impressionante é que ele, Machado de Assis, tenha já falado do juiz Sérgio Moro. Sim, daquele mesmo que faz do Paraná o centro do golpe contra a democracia no Brasil. Acompanhem, porque toda arbitrariedade da hipócrita limpeza da sociedade já foi escrita desde 1882, para tipos e gênero como Sérgio Moro, que são mais antigos do que se imagina. Com a pena da galhofa e a tinta da melancolia do mestre da literatura nacional acompanhem, porque não será difícil ver o que poderá sair desse estranho encontro separado por 134 anos. As linhas e a fala de Machado de Assis sobre Sérgio Moro estão em O Alienista, sobre o qual comento agora, livre da delação premiada. Já no começo, ele escreve: “A ciência, disse ele a Sua Majestade, é o meu emprego único; Itaguaí é o meu universo”. Ora, por motivos ficcionais, o Sua Majestade aí quer dizer complexo mídia e direita brasileira. Itaguaí é o novo nome da justiça federal em Curitiba. E a ciência vem a ser os meios de espionagem e montagem sobre os inimigos que se quer denunciar. Mas não nos percamos, porque Machado de Assis observa:  “Foi então que um dos recantos desta lhe chamou especialmente a atenção, &#8211; o recanto psíquico, o exame de patologia cerebral. Não havia na colônia, e ainda no reino, uma só autoridade em semelhante matéria, mal explorada, ou quase inexplorada&#8230; A saúde da alma é a ocupação mais digna do médico”. É claro que em “patologia cerebral” está uma metáfora para a “corrupção que interessa”. E por médico se deseja falar “juiz federal especializado em Harvard e no Departamento de Estado do governo dos Estados Unidos”, que não formam ninguém sem a inoculação da ideologia capitalista. E por “saúde da alma” entenda-se a limpeza Lava Jato. Mas vamos adiante, porque agora começa a verdadeira antecipação do gênio de Machado. “De todas as vilas e arraiais vizinhos afluíam loucos à Casa Verde. Eram furiosos, eram mansos, eram monomaníacos, era toda a família dos deserdados do espírito. Ao cabo de quatro meses, a Casa Verde era um povoação. Não bastaram os primeiros cubículos; mandou-se anexar uma galeria de mais trinta e sete. O padre Lopes confessou que não imaginara a existência de tantos doidos no mundo, e menos ainda o inexplicável de alguns casos”. Observem que assim disposto a pesquisar a corrupção onde interessa, não faltariam mesmo loucos ou corruptos, de toda a família dos deserdados da ética. A Casa Verde, o outro nome antecipatório da cadeia da Polícia Federal em Curitiba, virou uma povoação. Nos cubículos, nas celas já não cabem tantos corruptos, falsos corruptos ou quem o alienista Moro desejar como corrupto. E Machado de Assis esclarece:  “Uma vez desonerado da administração, o alienista procedeu a uma vasta classificação dos seus enfermos. Dividiu-os primeiramente em duas classes principais: os furiosos e os mansos; daí passou às subclasses, monomanias, delírios, alucinações diversas. Isto feito começou um estudo acurado e contínuo; analisava os hábitos de cada louco, as horas de acesso, as aversões, as simpatias, as palavras, os gestos, as tendências; inquiria na vida dos enfermos, profissão, costumes, circunstâncias da revelação mórbida, acidentes da infância e da mocidade, doenças de outra espécie, antecedentes na família, uma devassa, enfim, como a não faria o mais atilado corregedor. E cada dia notava uma observação nova, uma descoberta interessante, um fenômeno extraordinário”. Mas não é extraordinário? Está aí o método de investigação do Dr. Moro. Extraordinária é a previsão em mais de 130 anos do bruxo do Brasil. Olhem só se não é verdade: a divisão entre os loucos, os corruptos furiosos e mansos. Para os primeiros, o peso da lei que alcança todo e qualquer delinquente popular. Para os segundos, os mansos, o que vale dizer, para os que colaboram com a delação premiada, a suavidade e o melhor tratamento. Isso feito, passa-se à análise dos dossiês, dos hábitos, simpatias, palavras, gestos e tendências dos escolhidos furiosos, que loucos apoiaram os governos Lula e Dilma. Daí se vai aos antecedentes familiares, à vida pessoal, “a uma devassa, enfim, como a não faria o mais atilado corregedor”. E a cada dia, a cada semana, uma descoberta interessante. O escritor disse tudo ou não? Mas o velho Machado foi mais longe:  &#8220;Daí em diante foi uma coleta desenfreada. Um homem não podia dar nascença ou curso à mais  simples  mentira  do  mundo, ainda  daquelas  que  aproveitam  ao  inventor  ou  divulgador&#8230;.” O que me dizem? Notam a previsão absoluta do princípio acanalhado da delação premiada? Na delação, ou nos chamados com pompa de “processos investigatórios”, há curso e experiência até mesmo para a mais simples mentira. Mas não nos percamos, porque o melhor virá adiante. Atentem porque assim falou Sérgio Bacamarte, ou melhor, Simão Moro, quero dizer, Simão Sérgio Bacamarte Moro:  “Trata-se, pois, de uma experiência, mas uma experiência que vai mudar a face da terra. A loucura, objeto dos meus  estudos, era  até  agora  uma  ilha  perdida  no  oceano  da  razão; começo  a  suspeitar  que  é  um  continente”. Isso quer dizer: a corrupção, que no começo deveria ser uma ocorrência isolada, como se fosse uma ilha de pecado em um mar de virtude, vê-se agora que é maior. Ou seja: em um sistema corrupto por essência, gênese, nascimento e destino, Simão Moro Bacamarte ainda vai descobrir o capitalismo, esse verdadeiro continente. Ou como escreveu e antecipou Machado de Assis: “Simão Bacamarte refletiu ainda um instante, e disse:  &#8211; Suponho o espírito humano uma vasta concha. O meu fim, Sr. Soares, é ver se posso extrair a pérola, que é a razão; por outros termos, demarquemos definitivamente os limites da razão e da loucura. A razão é o perfeito equilíbrio de todas as faculdades; fora daí insânia, insânia e só insânia”. Mas onde está a razão, ou a decência, ou a pura honestidade? Devemos dizer, onde se encontra a perolazinha da]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;">por Urariano Mota</p>
<p>O maior escritor brasileiro, gênio absoluto, não deixaria de falar sobre as aparências de justiça da direita brasileira. Mas o mais impressionante é que ele, Machado de Assis, tenha já falado do juiz Sérgio Moro. Sim, daquele mesmo que faz do Paraná o centro do golpe contra a democracia no Brasil. Acompanhem, porque toda arbitrariedade da hipócrita limpeza da sociedade já foi escrita desde 1882, para tipos e gênero como Sérgio Moro, que são mais antigos do que se imagina. Com a pena da galhofa e a tinta da melancolia do mestre da literatura nacional acompanhem, porque não será difícil ver o que poderá sair desse estranho encontro separado por 134 anos.</p>
<p>As linhas e a fala de Machado de Assis sobre Sérgio Moro estão em <em>O Alienista</em>, sobre o qual comento agora, livre da delação premiada.</p>
<p>Já no começo, ele escreve: “A ciência, disse ele a Sua Majestade, é o meu emprego único; Itaguaí é o meu universo”.</p>
<p>Ora, por motivos ficcionais, o Sua Majestade aí quer dizer complexo mídia e direita brasileira. Itaguaí é o novo nome da justiça federal em Curitiba.</p>
<p>E a ciência vem a ser os meios de espionagem e montagem sobre os inimigos que se quer denunciar. Mas não nos percamos, porque Machado de Assis observa:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: right;"> <em>“Foi então que um dos recantos desta lhe chamou especialmente a atenção, &#8211; o recanto psíquico, o exame de patologia cerebral. Não havia na colônia, e ainda no reino, uma só autoridade em semelhante matéria, mal explorada, ou quase inexplorada&#8230; A saúde da alma é a ocupação mais digna do médico”.</em></p>
</blockquote>
<figure id="attachment_4189" aria-describedby="caption-attachment-4189" style="width: 960px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2016/02/16-de-fevereiro-Sergio_Moro-foto-1.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-4189" src="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2016/02/16-de-fevereiro-Sergio_Moro-foto-1.jpg" alt="sérgio moro corrupção" width="960" height="640" /></a><figcaption id="caption-attachment-4189" class="wp-caption-text">O juiz federal Sérgio Moro</figcaption></figure>
<p>É claro que em “patologia cerebral” está uma metáfora para a “corrupção que interessa”. E por médico se deseja falar “juiz federal especializado em Harvard e no Departamento de Estado do governo dos Estados Unidos”, que não formam ninguém sem a inoculação da ideologia capitalista. E por “saúde da alma” entenda-se a limpeza Lava Jato. Mas vamos adiante, porque agora começa a verdadeira antecipação do gênio de Machado.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: right;"><em>“De todas as vilas e arraiais vizinhos afluíam loucos à Casa Verde. Eram furiosos, eram mansos, eram monomaníacos, era toda a família dos deserdados do espírito. Ao cabo de quatro meses, a Casa Verde era um povoação. Não bastaram os primeiros cubículos; mandou-se anexar uma galeria de mais trinta e sete. O padre Lopes confessou que não imaginara a existência de tantos doidos no mundo, e menos ainda o inexplicável de alguns casos”.</em></p>
</blockquote>
<p>Observem que assim disposto a pesquisar a corrupção onde interessa, não faltariam mesmo loucos ou corruptos, de toda a família dos deserdados da ética. A Casa Verde, o outro nome antecipatório da cadeia da Polícia Federal em Curitiba, virou uma povoação. Nos cubículos, nas celas já não cabem tantos corruptos, falsos corruptos ou quem o alienista Moro desejar como corrupto. E Machado de Assis esclarece:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: right;"> <em>“Uma vez desonerado da administração, o alienista procedeu a uma vasta classificação dos seus enfermos. Dividiu-os primeiramente em duas classes principais: os furiosos e os mansos; daí passou às subclasses, monomanias, delírios, alucinações diversas. Isto feito começou um estudo acurado e contínuo; analisava os hábitos de cada louco, as horas de acesso, as aversões, as simpatias, as palavras, os gestos, as tendências; inquiria na vida dos enfermos, profissão, costumes, circunstâncias da revelação mórbida, acidentes da infância e da mocidade, doenças de outra espécie, antecedentes na família, uma devassa, enfim, como a não faria o mais atilado corregedor.</em></p>
<p style="text-align: right;"><em>E cada dia notava uma observação nova, uma descoberta interessante, um fenômeno extraordinário”. </em></p>
</blockquote>
<p>Mas não é extraordinário? Está aí o método de investigação do Dr. Moro. Extraordinária é a previsão em mais de 130 anos do bruxo do Brasil. Olhem só se não é verdade: a divisão entre os loucos, os corruptos furiosos e mansos. Para os primeiros, o peso da lei que alcança todo e qualquer delinquente popular. Para os segundos, os mansos, o que vale dizer, para os que colaboram com a delação premiada, a suavidade e o melhor tratamento. Isso feito, passa-se à análise dos dossiês, dos hábitos, simpatias, palavras, gestos e tendências dos escolhidos furiosos, que loucos apoiaram os governos Lula e Dilma. Daí se vai aos antecedentes familiares, à vida pessoal, “a uma devassa, enfim, como a não faria o mais atilado corregedor”. E a cada dia, a cada semana, uma descoberta interessante. O escritor disse tudo ou não? Mas o velho Machado foi mais longe:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: right;"> <em>&#8220;Daí em diante foi uma coleta desenfreada. Um homem não podia dar nascença ou curso à mais  simples  mentira  do  mundo, ainda  daquelas  que  aproveitam  ao  inventor  ou  divulgador&#8230;.”</em></p>
</blockquote>
<p>O que me dizem? Notam a previsão absoluta do princípio acanalhado da delação premiada? Na delação, ou nos chamados com pompa de “processos investigatórios”, há curso e experiência até mesmo para a mais simples mentira. Mas não nos percamos, porque o melhor virá adiante. Atentem porque assim falou Sérgio Bacamarte, ou melhor, Simão Moro, quero dizer, Simão Sérgio Bacamarte Moro:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: right;"><em> “Trata-se, pois, de uma experiência, mas uma experiência que vai mudar a face da terra. A loucura, objeto dos meus  estudos, era  até  agora  uma  ilha  perdida  no  oceano  da  razão; começo  a  suspeitar  que  é  um  continente”.</em></p>
</blockquote>
<figure id="attachment_4191" aria-describedby="caption-attachment-4191" style="width: 697px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2016/02/16-de-fevereiro-simão-bacamarte-o-alienista.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-4191" src="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2016/02/16-de-fevereiro-simão-bacamarte-o-alienista.jpg" alt=" simão bacamarte o alienista" width="697" height="437" /></a><figcaption id="caption-attachment-4191" class="wp-caption-text">Os desenhistas Fábio Moon e Gabriel Bá retrataram Simão Bacamarte. O trabalho rendeu o prêmio Jabuti de melhor livro paradidático em 2007 (fonte: D24am)</figcaption></figure>
<p>Isso quer dizer: a corrupção, que no começo deveria ser uma ocorrência isolada, como se fosse uma ilha de pecado em um mar de virtude, vê-se agora que é maior. Ou seja: em um sistema corrupto por essência, gênese, nascimento e destino, Simão Moro Bacamarte ainda vai descobrir o capitalismo, esse verdadeiro continente. Ou como escreveu e antecipou Machado de Assis:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: right;"><em>“Simão Bacamarte refletiu ainda um instante, e disse:</em><em> </em></p>
<p style="text-align: right;"><em>&#8211; Suponho o espírito humano uma vasta concha. O meu fim, Sr. Soares, é ver se posso extrair a pérola, que é a razão; por outros termos, demarquemos definitivamente os limites da razão e da loucura. A razão é o perfeito equilíbrio de todas as faculdades; fora daí insânia, insânia e só insânia</em>”.</p>
</blockquote>
<p style="text-align: left;">Mas onde está a razão, ou a decência, ou a pura honestidade? Devemos dizer, onde se encontra a perolazinha da concha no oceano da corrupção que existe desde que o mundo é mundo, e o Brasil é Brasil? Por isso, no seu desdobramento, na Itaguaí de O Alienista houve uma revolta. Assim antecipou Machado de Assis:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: right;"> <em>“A Casa Verde é um cárcere privado, disse um médico sem clínica. Nunca uma opinião pegou e grassou tão rapidamente. Cárcere privado: eis o que se repetia de norte a sul e de leste a oeste de Itaguaí, &#8211; a medo, é verdade, porque durante a semana que se seguiu à captura do pobre Mateus, vinte e tantas pessoas, &#8211; duas ou três de consideração, &#8211; foram recolhidas à Casa Verde. O alienista dizia que só eram admitidos os casos patológicos, mas pouca gente lhe dava crédito”.</em></p>
</blockquote>
<p>Mas este é o caso, hoje: Sérgio Moro Bacamarte perdeu a credibilidade de só encarcerar os corruptos. Há muitos e infinitos para os quais ele faz vista de mercador. E mercador, no mercado, é profissão bem própria. Por isso previu Machado:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: right;"> <em>“O terror acentuou-se. Não se sabia já quem estava são, nem quem estava doido&#8230;.  O  vereador  fez  esta  reflexão: &#8211; Nada tenho que ver com a  ciência; mas, se  tantos  homens  em  quem  supomos  juízo, são  reclusos  por  dementes, quem  nos  afirma  que  o  alienado  não  é  o  alienista?”</em></p>
</blockquote>
<p>Ou seja, pelo alcance selecionado de corruptos, dirigido, quem garante a esta altura que o corrupto maior não é o caçador de corruptos? Se nos permitem parodiar o gênio de Machado, perguntamos: vocês sabem a razão por que o juiz Sérgio Moro não vê as suas elevadas qualidades de juiz arbitrário, de servidor de golpistas, de ser o primeiro no pódio da perseguição que deseja parar e destruir a economia do Brasil? A resposta: é porque ele tem ainda uma qualidade que realça todas as outras: a modéstia.</p>
<figure id="attachment_4192" aria-describedby="caption-attachment-4192" style="width: 599px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2016/02/16-de-fevereiro-sérgio-moro-joão-dória-junior-foto-1.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-4192" src="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2016/02/16-de-fevereiro-sérgio-moro-joão-dória-junior-foto-1.jpg" alt="sérgio moro joão dória júnior" width="599" height="311" /></a><figcaption id="caption-attachment-4192" class="wp-caption-text">Sérgio Moro ao lado do pré-candidato à prefeitura de São Paulo, João Dória Júnior</figcaption></figure>
<p>E por fim, assim concluía Machado de Assis o perfil que traçou para Simão Bacamarte,  alterego de Sérgio Moro:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: right;"><em>“Fechada a porta da Casa Verde, entregou-se  ao  estudo  e  à  cura  de  si  mesmo. Dizem  os  cronistas que  ele  morreu  dali  a  dezessete  anos, no  mesmo  estado  em  que  entrou, sem  ter  podido  alcançar  nada. Alguns  chegam  ao  ponto  de  conjeturar  que  nunca  houve  outro  louco  além  dele  em  Itaguaí; mas  esta  opinião, fundada  em  um  boato  que  correu  desde  que  o  alienista  expirou, não  tem  outra  prova  senão  o  boato; e  boato  duvidoso , pois  é atribuído  ao  padre  Lopes, que  com  tanto  fogo  realçara  as  qualidades  do  grande  homem. Seja  como  for,  efetuou-se  o  enterro  com  muita  pompa  e rara  solenidade”.</em></p>
</blockquote>
<p>Ao que concluímos nós, mais uma vez no rasto do nosso Machado de Assis: a vaidade, em si, é um princípio de corrupção. Mas disso ele, Sérgio Simão Moro Bacamarte, ainda não sabe. Para cumprir o destino do alienista, ele também terá o seu justo fim. Ou seja: ele próprio será internado e punido pela mesma doença que acusa nos perseguidos. Nós ainda vamos ver as próximas linhas desta história.</p>
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</tbody>
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<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="c20IC1UVfb"><p><a href="https://zonacurva.com.br/quem-serve-o-judiciario-brasileiro/">A quem serve o Judiciário brasileiro?</a></p></blockquote>
<p><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;A quem serve o Judiciário brasileiro?&#8221; &#8212; Zona Curva" src="https://zonacurva.com.br/quem-serve-o-judiciario-brasileiro/embed/#?secret=iMrIWRWilM#?secret=c20IC1UVfb" data-secret="c20IC1UVfb" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="wtQEkLko1N"><p><a href="https://urutaurpg.com.br/siteluis/o-conto-infantil-segundo-bolsonaro/" target="_blank" rel="noopener">O conto infantil segundo Bolsonaro</a></p></blockquote>
<p><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;O conto infantil segundo Bolsonaro&#8221; &#8212; Zona Curva" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/o-conto-infantil-segundo-bolsonaro/embed/#?secret=IUXBPkhmyQ#?secret=wtQEkLko1N" data-secret="wtQEkLko1N" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
<p>&nbsp;</p>
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