<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>50 anos do golpe militar &#8211; Zona Curva</title>
	<atom:link href="https://zonacurva.com.br/tag/50-anos-do-golpe-militar/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://zonacurva.com.br</link>
	<description>cobertura exclusiva do SXSW no Zona Curva</description>
	<lastBuildDate>Wed, 17 Dec 2014 19:24:41 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.8.2</generator>

<image>
	<url>https://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2024/03/cropped-0049378901ce53fb478c8ffd1d62cf40_400x400-32x32.png</url>
	<title>50 anos do golpe militar &#8211; Zona Curva</title>
	<link>https://zonacurva.com.br</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
	<item>
		<title>O apoio da grande mídia ao golpe de 64</title>
		<link>https://zonacurva.com.br/o-apoio-da-grande-midia-ao-golpe-de-64/</link>
					<comments>https://zonacurva.com.br/o-apoio-da-grande-midia-ao-golpe-de-64/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Fernando do Valle]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 Dec 2014 19:24:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[50 anos do golpe militar]]></category>
		<category><![CDATA[golpe de 64]]></category>
		<category><![CDATA[imprensa ditadura militar]]></category>
		<category><![CDATA[imprensa golpe de 64]]></category>
		<category><![CDATA[imprensa regime militar]]></category>
		<category><![CDATA[mídia anos de chumbo]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://zonacurva.com.br/?p=2955</guid>

					<description><![CDATA[Golpe de 64 &#8211; Além de criar o clima de pânico, em especial na classe média, que passou a aceitar a quebra do Estado democrático, a imprensa apoiou o golpe de 1964 de maneira quase unânime. O livro Cães de Guarda – jornalistas e censores, do AI-5 à Constituição de 1988, da historiadora Beatriz Kushnir, lançado em 2004, e infelizmente pouco conhecido, pesquisou a atuação da imprensa no período da ditadura militar e mostra em cores fortes como as principais empresas de mídia da época (Folha de S. Paulo, O Estado de São Paulo, Jornal do Brasil, Globo e o Correio da Manhã) foram coniventes com o regime. A exceção entre os principais grupos de comunicação do período ficou por conta do Última Hora, jornal criado pelo jornalista Samuel Wainer em 1951. Única voz entre os principais jornais que deu suporte a João Goulart e suas reformas de base, o Última Hora foi praticamente destruído pelos militares após o golpe. Antes disso, o jornal chegou a vender um total de 500 mil exemplares por dia de suas 11 diferentes edições regionalizadas. Kushnir declarou recentemente à revista Carta Capital: “eu reviso essa ideia de resistência e mostro que houve, no lugar disso, um grande colaboracionismo, se houve resistência, está nos veículos alternativos e não na grande imprensa”. O bunker contra a ditadura militar se encontrava mesmo em publicações como Pasquim, Opinião, Movimento, Bondinho, Versus e muitas outras. Em euforia, o editorial do Globo de 2 de abril de 1964 celebrou a tomada do poder pelos militares com o título “Ressurge a Democracia”,  Roberto Marinho vibrava com o golpe militar em seu jornal: “salvos da comunização que celeremente se preparava, os brasileiros devem agradecer aos bravos militares que os protegeram de seus inimigos. Este não foi um movimento partidário. Dele participaram todos os setores conscientes da vida política brasileira, pois a ninguém escapava o significado das manobras presidenciais”. O jornalista Cláudio Abramo que chegou a ocupar a direção do jornal Folha de S. Paulo lembra do clima de março de 64: “Alertei [Darcy Ribeiro, figura próxima a Jango] de que dias antes o dr. Julinho [do jornal O Estado de São Paulo] havia visitado Assis Chateaubriand [conhecido barão da mídia, dono dos Diários Associados], e que aquilo era sinal seguro de que o golpe estava na rua. Porque a burguesia é muito atilada nessas coisas, não tem os preconceitos pueris da esquerda. Na hora H ela se une”. (trecho do livro “A Regra do Jogo” de Abramo)  Em 1977, Cláudio Abramo foi afastado da direção da Folha de S. Paulo atendendo a pressões do ministro do Exército, Sylvio Frota, contra a publicação de uma crônica de Lourenço Diaféria no 7 de setembro e tida pelos militares como ofensiva à memória do Duque de Caxias. Abramo chama em seu livro  o outro jornal do Grupo Folha, a Folha da Tarde, de “jornal sórdido”. Kushnir se debruçou sobre a história da Folha da Tarde. O FT mudou radicalmente de lado com a edição do AI-5. Até 1968 era um jornal inquieto, que concorria diretamente com o irmão mais novo do Estadão, o Jornal da Tarde. A Folha da Tarde foi criada em 1º de julho de 1949 com o slogan “o vespertino das multidões”. Durante uma década e meia sob o comando de policiais, a Folha da Tarde foi apelidada de a de “maior tiragem”. Os jornalistas-tiras, chamados de cães de guarda por Kushnir, que trabalharam por lá, tinham jornada dupla na Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo. Eles “legalizavam” as mortes decorrentes da tortura em seu trabalho na redação, noticiando-as como assassinatos em trocas de tiros. Com informações de dentro do aparelho repressor, a Folha da Tarde chegou ao absurdo de antecipar em suas manchetes algumas mortes de militantes. O outro codinome do FT na época era o Diário Oficial da Oban (Operação Bandeirante). A Oban foi um centro de informações e tortura montado pelo exército para coordenar a repressão e deu origem ao famigerado Doi-Codi (Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna) que, em São Paulo, na rua Tutóia, torturou e matou muitos opositores ao regime. O relatório da Comissão Nacional da Verdade, divulgado na semana passada, confirma os estudos de Kushnir e declara que o Grupo Folha forneceu apoio financeiro, ideológico e material à repressão e que veículos do jornal foram utilizados pelos militares responsáveis pela repressão. &#160; &#8220;É a história de 64. A mídia começou a implorar o golpe desde 62. Tão logo o João Goulart assumiu o lugar do senhor Jânio Quadros, inventaram o parlamentarismo, aquela coisa grotesca. Desde aquele momento, a mídia começou a querer&#8230; E quem estava  bravo aparentemente, onde estava a espuma? Nos quartéis. Então são eles que vão fazer o serviço sujo. Mas quem pensa que o golpe foi militar, a meu ver, está enganado. O golpe foi desse poder que está aí até hoje. Até hoje. Os militares são os gendarmes que executam o serviço. Depois de um certo momento, eles até gostaram do poder. O poder empolga.&#8221;  (jornalista Mino Carta, em entrevista à Revista Caros Amigos número 105, de dezembro de 2005) Nos dias 21/9/1971 e 25/10/1971, carros do Grupo Folha da Manhã foram incendiados por militantes de esquerda. A ação foi uma represália à empresa por ceder automóveis ao Doi-Codi que, com esse disfarce, tinha facilitado seu trabalho de criar emboscadas para a prisão de ativistas. Em editorial na Folha da Tarde e Folha de S. Paulo no dia 22 de setembro de 1971, a Folha se defendeu atacando ‘os que procuram disfarçar sua marginalidade sob o rótulo de idealismo político’ e que ‘da opinião pública, o terror só recebe repúdio’ e emendou loas ao regime: “como o pior cego é o que não quer ver, o pior do terrorismo é não compreender que no Brasil não há lugar para ele. Nunca houve. E de maneira especial não há hoje, quando um governo sério, responsável, e com indiscutível apoio popular, está levando o Brasil pelos seguros]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Golpe de 64 &#8211; Além de criar o clima de pânico, em especial na classe média, que passou a aceitar a quebra do Estado democrático, a imprensa apoiou o golpe de 1964 de maneira quase unânime. O livro <em>Cães de Guarda – jornalistas e censores</em>, <em>do AI-5 à Constituição de 1988</em>, da historiadora Beatriz Kushnir, lançado em 2004, e infelizmente pouco conhecido, pesquisou a atuação da imprensa no período da ditadura militar e mostra em cores fortes como as principais empresas de mídia da época (Folha de S. Paulo, O Estado de São Paulo, Jornal do Brasil, Globo e o Correio da Manhã) foram coniventes com o regime.</p>
<p>A exceção entre os principais grupos de comunicação do período ficou por conta do Última Hora, jornal criado pelo jornalista Samuel Wainer em 1951. Única voz entre os principais jornais que deu suporte a João Goulart e suas reformas de base, o Última Hora foi praticamente destruído pelos militares após o golpe. Antes disso, o jornal chegou a vender um total de 500 mil exemplares por dia de suas 11 diferentes edições regionalizadas.</p>
<p>Kushnir declarou recentemente à revista Carta Capital: “eu reviso essa ideia de resistência e mostro que houve, no lugar disso, um grande colaboracionismo, se houve resistência, está nos veículos alternativos e não na grande imprensa”. O <em>bunker</em> contra a ditadura militar se encontrava mesmo em publicações como Pasquim, Opinião, Movimento, Bondinho, Versus e muitas outras.</p>
<figure id="attachment_2956" aria-describedby="caption-attachment-2956" style="width: 396px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2014/12/17-de-dezembro-editorial-globo-golpe-militar-foto-1.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-2956" src="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2014/12/17-de-dezembro-editorial-globo-golpe-militar-foto-1.jpg" alt="capa do globo golpe militar" width="396" height="586" /></a><figcaption id="caption-attachment-2956" class="wp-caption-text">Para o jornal O Globo, o golpe de 64 “restabeleceu a democracia”</figcaption></figure>
<p>Em euforia, o editorial do Globo de 2 de abril de 1964 celebrou a tomada do poder pelos militares com o título “<em>Ressurge a Democracia</em>”,  Roberto Marinho vibrava com o golpe militar em seu jornal: “salvos da comunização que celeremente se preparava, os brasileiros devem agradecer aos bravos militares que os protegeram de seus inimigos. Este não foi um movimento partidário. Dele participaram todos os setores conscientes da vida política brasileira, pois a ninguém escapava o significado das manobras presidenciais”. O jornalista Cláudio Abramo que chegou a ocupar a direção do jornal Folha de S. Paulo lembra do clima de março de 64:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: right;"><strong>“Alertei </strong><strong>[Darcy Ribeiro, figura próxima a Jango] de que dias antes o dr. Julinho [do jornal O Estado de São Paulo] havia visitado Assis Chateaubriand [conhecido barão da mídia, dono dos Diários Associados], e que aquilo era sinal seguro de que o golpe estava na rua. Porque a burguesia é muito atilada nessas coisas, não tem os preconceitos pueris da esquerda. Na hora H ela se une”.</strong></p>
<p style="text-align: right;"><strong>(trecho do livro “A Regra do Jogo” de Abramo)</strong></p>
</blockquote>
<p style="text-align: left;"> Em 1977, Cláudio Abramo foi afastado da direção da Folha de S. Paulo atendendo a pressões do ministro do Exército, Sylvio Frota, contra a publicação de uma crônica de Lourenço Diaféria no 7 de setembro e tida pelos militares como ofensiva à memória do Duque de Caxias. Abramo chama em seu livro  o outro jornal do Grupo Folha, a Folha da Tarde, de “jornal sórdido”.</p>
<p>Kushnir se debruçou sobre a história da Folha da Tarde. O FT mudou radicalmente de lado com a edição do AI-5. Até 1968 era um jornal inquieto, que concorria diretamente com o irmão mais novo do <em>Estadão</em>, o <em>Jornal da Tarde</em>. A Folha da Tarde foi criada em 1º de julho de 1949 com o slogan “o vespertino das multidões”.</p>
<p>Durante uma década e meia sob o comando de policiais, a Folha da Tarde foi apelidada de a de “maior tiragem”. Os jornalistas-tiras, chamados de cães de guarda por Kushnir, que trabalharam por lá, tinham jornada dupla na Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo. Eles “legalizavam” as mortes decorrentes da tortura em seu trabalho na redação, noticiando-as como assassinatos em trocas de tiros. Com informações de dentro do aparelho repressor, a Folha da Tarde chegou ao absurdo de antecipar em suas manchetes algumas mortes de militantes.</p>
<p>O outro codinome do FT na época era o Diário Oficial da Oban (Operação Bandeirante). A Oban foi um centro de informações e tortura montado pelo exército para coordenar a repressão e deu origem ao famigerado Doi-Codi (Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna) que, em São Paulo, na rua Tutóia, torturou e matou muitos opositores ao regime.</p>
<p>O relatório da Comissão Nacional da Verdade, divulgado na semana passada, confirma os estudos de Kushnir e declara que o Grupo Folha forneceu apoio financeiro, ideológico e material à repressão e que veículos do jornal foram utilizados pelos militares responsáveis pela repressão.</p>
<p>&nbsp;</p>
<figure id="attachment_2957" aria-describedby="caption-attachment-2957" style="width: 650px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2014/12/17-de-dezembro-ditadura-militar-capa-da-folha-da-tarde-foto-2.jpg"><img decoding="async" class="size-large wp-image-2957" src="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2014/12/17-de-dezembro-ditadura-militar-capa-da-folha-da-tarde-foto-2-1024x819.jpg" alt="ditadura militar folha da tarde" width="650" height="519" /></a><figcaption id="caption-attachment-2957" class="wp-caption-text">Capa da Folha da Tarde em 8 de setembro de 1971 com a foto da parada militar de 7 de setembro (fonte: livro Cães de guarda)</figcaption></figure>
<blockquote>
<p style="text-align: right;"><strong>&#8220;É a história de 64. A mídia começou a implorar o golpe desde 62. Tão logo o João Goulart assumiu o lugar do senhor Jânio Quadros, inventaram o parlamentarismo, aquela coisa grotesca. Desde aquele momento, a mídia começou a querer&#8230; E quem estava  bravo aparentemente, onde estava a espuma</strong><strong>? Nos quartéis. Então são eles que vão fazer o serviço sujo. Mas quem pensa que o golpe foi militar, a meu ver, está enganado. O golpe foi desse poder que está aí até hoje. Até hoje. Os militares são os gendarmes que executam o serviço. Depois de um certo momento, eles até gostaram do poder. O poder empolga.&#8221;</strong></p>
<p style="text-align: right;"> (jornalista Mino Carta, em entrevista à Revista Caros Amigos número 105, de dezembro de 2005)</p>
</blockquote>
<p>Nos dias 21/9/1971 e 25/10/1971, carros do Grupo Folha da Manhã foram incendiados por militantes de esquerda. A ação foi uma represália à empresa por ceder automóveis ao Doi-Codi que, com esse disfarce, tinha facilitado seu trabalho de criar emboscadas para a prisão de ativistas.</p>
<p>Em editorial na Folha da Tarde e Folha de S. Paulo no dia 22 de setembro de 1971, a Folha se defendeu atacando ‘os que procuram disfarçar sua marginalidade sob o rótulo de idealismo político’ e que ‘da opinião pública, o terror só recebe repúdio’ e emendou loas ao regime: “como o pior cego é o que não quer ver, o pior do terrorismo é não compreender que no Brasil não há lugar para ele. Nunca houve. E de maneira especial não há hoje, <strong>quando um governo sério, responsável, e com indiscutível apoio popular, está levando o Brasil pelos seguros caminhos do desenvolvimento com justiça social”.</strong></p>
<p><strong> </strong>Na época, o jornal clandestino <em>Venceremos</em>, da ALN (Aliança Libertadora Nacional), grupo que lutava contra o regime militar, respondeu ao editorial: “ Octávio Frias [proprietário da Grupo Folha] denunciou-se ao povo que realmente é um fascista convicto e colaborador da repressão brasileira”.</p>
<p>O Grupo Folha parece não se envergonhar de seu triste passado. Em <a href="http://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2014/12/1561252-editorial-pagina-virada.shtml" target="_blank" rel="noopener"><strong>recente editorial</strong></a>, a Folha defende a lei de anistia e considera os crimes praticados pelo regime militar “página virada”. Em 17 de fevereiro de 2009, em <a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz1702200901.htm" target="_blank" rel="noopener"><strong>outro editorial</strong> </a>, em desrespeito às centenas de mortos e aos milhares de perseguidos, o jornal chamou a ditadura brasileira de “ditabranda”.</p>
<figure id="attachment_2958" aria-describedby="caption-attachment-2958" style="width: 310px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2014/12/17-de-dezembro-carro-folha-regime-militar-foto-3.jpg"><img decoding="async" class="size-full wp-image-2958" src="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2014/12/17-de-dezembro-carro-folha-regime-militar-foto-3.jpg" alt="folha de s paulo oban" width="310" height="206" /></a><figcaption id="caption-attachment-2958" class="wp-caption-text">Caminhonete da Folha de São Paulo incendiada por militantes em 1971 (fonte: Carta Capital)</figcaption></figure>
<blockquote>
<p style="text-align: right;"><strong>“Não quero dar a entender que a autocensura e o colaboracionismo tenham sido praticados pela maioria dos jornalistas, pois isso está longe da verdade. Muitos dos que “combateram” as práticas do Estado pós-1964 e pós-AI-5 ficaram desempregados, foram encarcerados e perseguidos. Muitos jornalistas desempenhavam uma militância de esquerda &#8211; de simpatizantes a engajados &#8211; e padeceram (muitas vezes com marcas na própria pele) por tais atitudes”. </strong></p>
<p style="text-align: right;"> (Beatriz Kushnir, em seu livro “Cães de Guarda, jornalistas e censores, do AI-5 à Constituição de 1988”)</p>
</blockquote>
<p>A partir da radicalização do regime com o AI-5, a grande imprensa se viu vítima dos ditadores que tinha apoiado e suas redações passaram a contar com a presença de censores. Com isso, alguns jornais passaram a publicar versos e receitas de bolos no lugar de matérias para indicar de maneira subliminar que estavam sob censura. A prova de que a estratégia não deu muito certo foram as constantes ligações recebidas de leitores revoltados com seus fracassos culinários ao colocarem em prática as receitas publicadas nos jornais.</p>
<p>O Grupo Estado de São Paulo apoiou com entusiasmo o golpe civil-militar e, por volta de 68, o jornal foi alijado do centro do poder e passou a contar com censores nas redações do Estadão e do Jornal da Tarde. No espaço das matérias censuradas, passou a publicar poemas de Camões.</p>
<p>Antes do golpe, a família Mesquita, dona do jornal, chegou a participar de um grupo de extrema direita anticomunista sob a liderança do coronel (à época) João Paulo Moreira Burnier. Em pleno ano de 68, por acreditar que o Brasil respirava muita liberdade, o insano Burnier tramou o Plano Para-Sar. A trama tresloucada do militar previa a explosão do gasômetro do Rio além de outras explosões em vias públicas na cidade. O caos e as mortes seriam colocadas na conta dos grupos de esquerda, justificando mais repressão do governo. A tragédia foi evitada pelo capitão Sérgio Miranda de Carvalho, Sérgio “Macaco”, que comandava o Para-Sar, grupo de elite da Força Aérea, que se recusou a participar do plano.</p>
<figure id="attachment_2959" aria-describedby="caption-attachment-2959" style="width: 420px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2014/12/17-de-dezembro-O-Castello-Branco-e-Octavio-Frias-de-Oliveira-Folha-de-S.-Paulo-foto-3.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-2959" src="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2014/12/17-de-dezembro-O-Castello-Branco-e-Octavio-Frias-de-Oliveira-Folha-de-S.-Paulo-foto-3.jpg" alt="castelo branco e octavio frias de oliveira" width="420" height="280" /></a><figcaption id="caption-attachment-2959" class="wp-caption-text">O general Castelo Branco, primeiro presidente da ditadura, cumprimenta Octavio Frias de Oliveira, proprietário da Folha de S.Paulo (fonte: Outras palavras)</figcaption></figure>
<p>Após o suporte ao golpe militar dado pelo jornal O Globo, o canal de televisão de Roberto Marinho, que começou a funcionar em 26 de abril de 1965, teve sua contrapartida do governo Castelo Branco. O governo permitiu a venda das ações das Organizações Globo à corporação americana Time-Life, por 6 milhões de dólares, para a compra de equipamentos. Pela lei, a operação era ilegal, pois era proibida a participação estrangeira em empresas brasileiras de comunicação.</p>
<p>Vídeos de Rede Globo em apoio à ditadura militar:</p>
<div class="ast-oembed-container " style="height: 100%;"><iframe title="Exaltação e propaganda da Ditadura Militar na Rede Globo (1975)" width="1200" height="900" src="https://www.youtube.com/embed/YGiQXNf02eQ?start=156&#038;feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe></div>
<p>A partir de 1968, Marinho resolveu evitar dor de cabeça aos militares e começou a praticar a autocensura. Para isso, contratou o ex-diretor do Departamento de Censura da Guanabara para se alinhar ao pensamento do governo e criou uma assessoria especial dentro da empresa que contava até com militares como o coronel Paiva Chaves.</p>
<figure id="attachment_2960" aria-describedby="caption-attachment-2960" style="width: 209px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2014/12/17-de-dezembro-roberto-marinho-joão-figueiredo-foto-4.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-2960" src="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2014/12/17-de-dezembro-roberto-marinho-joão-figueiredo-foto-4.jpg" alt="robero marinho e joão figueiredo" width="209" height="241" /></a><figcaption id="caption-attachment-2960" class="wp-caption-text">Roberto Marinho de braços dados com o ditador João Figueiredo</figcaption></figure>
<p>Recentemente, o jornal O Globo reconheceu que o apoio ao golpe militar foi um “erro” e que o jornal “acreditava que os militares reconduziriam o Brasil à democracia” (!!). A matéria veiculada no Jornal Nacional em setembro de 2013 ainda ressalta que, em 1984, Roberto Marinho publicou editorial em que se mantinha fiel aos ideais da “revolução de 64”. Surreal. Assista ao pedido de desculpas:</p>
<div class="ast-oembed-container " style="height: 100%;"><iframe title="REDE GLOBO ASSUME TER APOIADO GOLPE MILITAR (DITADURA) DE 64." width="1200" height="900" src="https://www.youtube.com/embed/9OCvABy2pBg?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe></div>
<p>No dia 15 de dezembro, o Globo fez coro à Folha e em <strong>editorial</strong> http://noblat.oglobo.globo.com/editoriais/noticia/2014/12/ampla-e-irrestrita.html considerou “lamentável” a possível revisão da lei de Anistia que permitiria a punição de torturadores e criminosos do regime militar.</p>
<figure id="attachment_2961" aria-describedby="caption-attachment-2961" style="width: 600px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2014/12/17-de-dezembro-latuff-midia-ditadura-militar-foto-5.gif"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-2961" src="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2014/12/17-de-dezembro-latuff-midia-ditadura-militar-foto-5.gif" alt="mídia ditadura militar" width="600" height="336" /></a><figcaption id="caption-attachment-2961" class="wp-caption-text">Desenho de Carlos Latuff</figcaption></figure>
<p>Em vídeo recente, um indignado Mino Carta explica os motivos que levam a grande imprensa à defesa da manutenção da lei de anistia:</p>
<div class="ast-oembed-container " style="height: 100%;"><iframe title="Mino Carta critica a manutenção da Lei de Anistia" width="1200" height="675" src="https://www.youtube.com/embed/8aQ_8_yEXYM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe></div>
<p><strong>Fonte</strong>: Cães de Guarda (Jornalistas e Censores, do AI-5 à Constituição de 1988), de Beatriz Kushnir.</p>
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="sXPtT8SjMA"><p><a href="https://zonacurva.com.br/senado-devolve-simbolicamente-mandato-de-jango/">Senado devolve simbolicamente mandato de Jango</a></p></blockquote>
<p><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;Senado devolve simbolicamente mandato de Jango&#8221; &#8212; Zona Curva" src="https://zonacurva.com.br/senado-devolve-simbolicamente-mandato-de-jango/embed/#?secret=ERUFNMIdVn#?secret=sXPtT8SjMA" data-secret="sXPtT8SjMA" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://zonacurva.com.br/o-apoio-da-grande-midia-ao-golpe-de-64/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>3</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Relatório da Comissão da Verdade pode revelar localização do corpo de Stuart Angel</title>
		<link>https://zonacurva.com.br/relatorio-da-comissao-da-verdade-pode-revelar-localizacao-corpo-de-stuart-angel/</link>
					<comments>https://zonacurva.com.br/relatorio-da-comissao-da-verdade-pode-revelar-localizacao-corpo-de-stuart-angel/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Fernando do Valle]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 10 Dec 2014 17:03:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Curtas na curva]]></category>
		<category><![CDATA[50 anos do golpe militar]]></category>
		<category><![CDATA[Comissão da verdade]]></category>
		<category><![CDATA[stuart angel comissão da verdade]]></category>
		<category><![CDATA[stuart angel corpo]]></category>
		<category><![CDATA[stuart angel morte]]></category>
		<category><![CDATA[zuzu Angel]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://zonacurva.com.br/?p=2946</guid>

					<description><![CDATA[A Comissão Nacional da Verdade acaba de entregar seu detalhado relatório à presidenta Dilma Rousseff. A comissão identificou 377 responsáveis por crimes durante a ditadura militar (1964/1985) após dois anos e sete meses de trabalho. Uma das muitas revelações do relatório pode ser o paradeiro do corpo do militante Stuart Angel, morto sob tortura em maio de 1971, aos 26 anos. Segundo depoimento do capitão reformado Álvaro Moreira em junho deste ano à CNV, Stuart teria sido enterrado na cabeceira da pista da Base Aérea de Santa Cruz, zona oeste do Rio de Janeiro. Em 1976, a base aérea de Santa Cruz passou por uma ampla reforma e uma ossada com o crânio quase completo foi encontrado pela empresa Cetenco, responsável pela obra. As fotos do crânio foram localizadas e enviadas para o Centro de Ciências Forenses da Universidade de Northumbria em Newcastle (Inglaterra) e o Centro de Medicina Legal da USP de Ribeirão Preto. Ambos os exames concluíram que o crânio localizado pode ser do desaparecido político. A CNV ainda busca o cemitério em que a ossada foi enterrada. Stuart integrava o MR-8 (Movimento Revolucionário Oito de Outubro) e foi barbaramente torturado por agentes do CISA (Centro de Informações de Segurança da Aeronáutica) na base área do Galeão para que revelasse onde se encontrava Carlos Lamarca, dirigente do MR-8, e outros militantes, e não o fez. O militante Alex Polari, também preso na base área, testemunhou que Stuart chegou a ser amarrado com a boca no escapamento de um carro e arrastado pelo pátio do quartel. O então capitão-aviador Lúcio Valle Barroso, hoje coronel reformado, é o único dos oficiais da Aeronáutica identificados por Alex Polari entre os envolvidos nas atrocidades cometidas contra Stuart Angel que continua vivo. Barroso depôs na CNV e negou seu envolvimento na morte de Stuart e ainda que desconhecia a existência de prisão e de práticas de tortura na Base Aérea do Galeão, apesar de inúmeras acusações contra ele. A mãe de Stuart, a estilista Zuzu Angel pressionou as autoridades por notícias de seu filho, chegando a entregar uma carta ao  secretário de Estado norte-americano, Henry Kissinger, durante sua visita ao Brasil em 1976. O ex-delegado do DOPS, Cláudio Guerra acusou o coronel Freddie Perdigão Pereira de ter forjado o acidente que vitimou Zuzu em 1976. Leia matéria. Fonte usada: Comissão Nacional da Verdade]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A Comissão Nacional da Verdade acaba de entregar seu detalhado relatório à presidenta Dilma Rousseff. A comissão identificou 377 responsáveis por crimes durante a ditadura militar (1964/1985) após dois anos e sete meses de trabalho. Uma das muitas revelações do relatório pode ser o paradeiro do corpo do militante Stuart Angel, morto sob tortura em maio de 1971, aos 26 anos. Segundo depoimento do capitão reformado Álvaro Moreira em junho deste ano à CNV, Stuart teria sido enterrado na cabeceira da pista da Base Aérea de Santa Cruz, zona oeste do Rio de Janeiro.</p>
<p>Em 1976, a base aérea de Santa Cruz passou por uma ampla reforma e uma ossada com o crânio quase completo foi encontrado pela empresa Cetenco, responsável pela obra. As fotos do crânio foram localizadas e enviadas para o Centro de Ciências Forenses da Universidade de Northumbria em Newcastle (Inglaterra) e o Centro de Medicina Legal da USP de Ribeirão Preto. Ambos os exames concluíram que o crânio localizado pode ser do desaparecido político. A CNV ainda busca o cemitério em que a ossada foi enterrada.</p>
<figure id="attachment_2950" aria-describedby="caption-attachment-2950" style="width: 500px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2014/12/10-de-dezembro-stuart-angel-foto-1.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-2950" src="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2014/12/10-de-dezembro-stuart-angel-foto-1.jpg" alt="stuart angel morte" width="500" height="375" /></a><figcaption id="caption-attachment-2950" class="wp-caption-text">Stuart Angel (fonte: CNV)</figcaption></figure>
<p>Stuart integrava o MR-8 (Movimento Revolucionário Oito de Outubro) e foi barbaramente torturado por agentes do CISA (Centro de Informações de Segurança da Aeronáutica) na base área do Galeão para que revelasse onde se encontrava Carlos Lamarca, dirigente do MR-8, e outros militantes, e não o fez. O militante Alex Polari, também preso na base área, testemunhou que Stuart chegou a ser amarrado com a boca no escapamento de um carro e arrastado pelo pátio do quartel.</p>
<p>O então capitão-aviador Lúcio Valle Barroso, hoje coronel reformado, é o único dos oficiais da Aeronáutica identificados por Alex Polari entre os envolvidos nas atrocidades cometidas contra Stuart Angel que continua vivo. Barroso depôs na CNV e negou seu envolvimento na morte de Stuart e ainda que desconhecia a existência de prisão e de práticas de tortura na Base Aérea do Galeão, apesar de inúmeras acusações contra ele.</p>
<p>A mãe de Stuart, a estilista Zuzu Angel pressionou as autoridades por notícias de seu filho, chegando a entregar uma carta ao  secretário de Estado norte-americano, Henry Kissinger, durante sua visita ao Brasil em 1976. O ex-delegado do DOPS, Cláudio Guerra acusou o coronel Freddie Perdigão Pereira de ter forjado o acidente que vitimou Zuzu em 1976. Leia <strong><a href="http://www.zonacurva.com.br/ex-delegado-claudio-guerra-revela-envolvimento-de-coronel-da-ditadura-militar-na-morte-de-zuzu-angel/">matéria</a>.</strong></p>
<figure id="attachment_2951" aria-describedby="caption-attachment-2951" style="width: 600px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2014/12/10-de-dezembro-capitãoreformado-da-Aeronáutica-Álvaro-Moreira-de-Oliveira-Filho-em-depoimento-à-CNV-foto-2.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-2951" src="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2014/12/10-de-dezembro-capitãoreformado-da-Aeronáutica-Álvaro-Moreira-de-Oliveira-Filho-em-depoimento-à-CNV-foto-2.jpg" alt="stuart angel morte" width="600" height="424" /></a><figcaption id="caption-attachment-2951" class="wp-caption-text">Capitão reformado da Aeronáutica Álvaro Moreira de Oliveira Filho em depoimento à CNV (fonte: Terra)</figcaption></figure>
<p>Fonte usada: Comissão Nacional da Verdade</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://zonacurva.com.br/relatorio-da-comissao-da-verdade-pode-revelar-localizacao-corpo-de-stuart-angel/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Como ministro de Vargas, Jango revelou as entranhas do Brasil</title>
		<link>https://zonacurva.com.br/jango-ministro/</link>
					<comments>https://zonacurva.com.br/jango-ministro/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Fernando do Valle]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Oct 2014 18:15:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[50 anos do golpe militar]]></category>
		<category><![CDATA[golpe de 64]]></category>
		<category><![CDATA[Jango]]></category>
		<category><![CDATA[jango anos 50]]></category>
		<category><![CDATA[jango direitos trabalhistas]]></category>
		<category><![CDATA[jango e Getúlio vargas]]></category>
		<category><![CDATA[jango e lacerda]]></category>
		<category><![CDATA[jango ministro do trabalho]]></category>
		<category><![CDATA[João Goulart]]></category>
		<category><![CDATA[suicídio de Getúlio vargas]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://zonacurva.com.br/?p=2730</guid>

					<description><![CDATA[Bem-vindo ao Fatos da Zona, em que adaptamos os textos mais acessados do site do Zonacurva Mídia Livre. Neste vídeo, mergulhamos na vida e na trajetória política do presidente João Goulart, líder progressista que enfrentou desafios e lutou incansavelmente por justiça social no Brasil. Conheça a história desse presidente popular e suas políticas transformadoras que buscavam garantir direitos trabalhistas e combater as desigualdades. &#160; Jango &#8211; Com apenas 34 anos, João Goulart assume o relevante à época Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio, em junho de 1953, no governo Getúlio Vargas, e passa a receber em seu gabinete pessoas humildes e sindicalistas, muitos deles negros. A reação a nomeação do ministro foi imediata: empresários, militares e imprensa passam a orquestrar uma verdadeira campanha para derrubá-lo. O mandato de Jango como ministro durou apenas 8 meses e mostrou como a proximidade de trabalhadores à esfera do poder politico incomoda uma camada de privilegiados que enxerga o Estado como sua propriedade. Hoje o duro enfrentamento que veio à tona a poucos dias do segundo turno da eleição presidencial demonstra, apesar de nosso considerável amadurecimento democrático das últimas duas décadas, como a sociedade brasileira ainda não equalizou muitas de suas contradições. A oposição a Jango ainda está à espreita e metamorfoseou-se em defensora do MERCADO como a tábua de salvação de nossos ainda sérios problemas. Em 1953, a principal proposta do ministro previa aumento que dobrava o salário mínimo para 2.400 cruzeiros. A virulenta reação da oposição, principalmente dos quartéis, assustou o governo. Para evitar riscos ao mandato de Getúlio, seu padrinho político, João Goulart deixa o ministério em fevereiro de 54 e declara: “os trabalhadores podem ficar tranquilos, porque prosseguirei ao lado deles, mudando apenas de trincheira”. Em primeiro de maio (Dia do Trabalho) do mesmo ano, três meses antes do suicídio, Getúlio dobra o salário mínimo. “Os detratores das classes operárias não compreendem que um ministro de Estado possa falar com espontaneidade e estabelecer laços de afeto com criaturas de condição humilde&#8230; enquanto uns estão ameaçados e morrem mesmo de fome, outros ganham num ano aquilo que normalmente deveriam ganhar em 50 anos e até mesmo em um século” (JANGO) Jango alterou as relações entre Estado, classe trabalhadora e empresários. Com isso, os coronéis lançaram manifesto contra ele, os empresários enfureceram-se e a imprensa o atacou. Jango enfrentou a acusação da oposição de maquinar, com a ajuda do presidente argentino na época, Juan Domingo Perón, a implantação da República Sindicalista no Brasil. O jornalista Carlos Lacerda atacava o governo em seu jornal Tribuna da Imprensa. Em surtos de verdadeira psicose, conclamava o Congresso e a opinião pública a reagir contra “a República Sindicalista, a esdrúxula república jangueira, que fará do Sr. Getúlio Vargas, amorfo e dócil homem de quase 80 anos, mal vividos, um ditador que cochila, enquanto Jango age”. O barão das comunicações e à época senador, Assis Chateaubriand, subiu à tribuna do Congresso e disparou: “o político rio-grandense não faz outra coisa senão desenvolver a mais cruel e atormentada luta de classes até hoje vista. Nem o Partido Comunista já produziu uma campanha de atrito de classes tão perfeita, com o colorido que o Sr. Goulart tem desenvolvido”. Em pouco tempo no ministério, Jango conquistou a simpatia dos trabalhadores e passou a mediar inúmeras negociações entre empregados e patrões, o que era inédito na época. Em alguns casos, o ministro até chegava a estimular as mobilizações por melhores condições de trabalho. Em março de 53, a chamada greve dos 300 mil agitou São Paulo e fez surgir o Pacto de Unidade Intersindical (PUI), organização não alinhada à estrutura sindical pelega, comum à época. Em junho, a greve dos marítimos, inaugurou uma estratégia de negociação entre governo e sindicatos. Ao mesmo tempo, desencadeou o temor de muitos, a começar pelo ministro da Fazenda, Oswaldo Aranha, defensor de uma política de contenção de gastos e crítico de qualquer elevação salarial. O I Congresso de Previdência Social no Rio de Janeiro reuniu representantes de todo o país e estabeleceu um maior acesso dos sindicatos aos serviços assistenciais da previdência, além de um maior acesso dos sindicalistas (e também dos petebistas, partido de Jango) aos cargos da administração dos inúmeros Institutos de Pensões e Aposentadorias. A paciência e simplicidade de Goulart davam o tom para longas conversas com diversas lideranças sindicais, empresariais e políticas. Sua jornada estafante de trabalho começava às dez da manhã e terminava no meio da madrugada. Em outubro de 1953, Jango viajou pelo Norte e Nordeste do país e visitou inúmeros sindicatos. No retorno, 78 sindicatos tinham organizado uma recepção consagradora. Cerca de 4 mil pessoas o esperavam no aeroporto do Rio e o celebraram, Jango teve que subir na capota de um carro para que todos o vissem. Goulart mostrou indignação com as condições de trabalho daquela região do Brasil e relatou que havia trabalhadores com jornadas de 30 dias por mês, sem um único dia de descanso. Como pagamento, recebiam 10 quilos de farinha ou 15 de carne. “Acabo de percorrer vários Estados do Norte e do Nordeste e senti de perto a miséria e as privações dos nossos irmãos daquelas plagas. Ouvi trabalhadores de todas as categorias. Esses trabalhadores que vivem abandonados e sem o mínimo conforto” (Jango) Apesar dos esforços de Goulart e do governo, a crise econômica e a inflação deflagraram várias greves no segundo semestre de 1953. No congresso, integrantes da bancada da UDN (União Democrática Nacional), partido de oposição, chamada ironicamente de ‘banda de música’, subiam ao palanque inúmeras vezes para atacar o governo de Getúlio Vargas e em particular, Jango. Não resta dúvida de que a atuação de Jango no Ministério aproximou setores reacionários das Forças Armadas à UDN. O trabalho de Jango no governo colaborou para transformar Getúlio Vargas do ditador do Estado Novo em um líder de massas. Ambos se aproximaram quando Getúlio, após sofrer o golpe de 45, vivia na Estância Itu, a 80 quilômetros de São Borja (RS), terra natal de Getúlio e João Goulart. Isolado,]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Bem-vindo ao Fatos da Zona, em que adaptamos os textos mais acessados do site do Zonacurva Mídia Livre.</p>
<p>Neste vídeo, mergulhamos na vida e na trajetória política do presidente João Goulart, líder progressista que enfrentou desafios e lutou incansavelmente por justiça social no Brasil.</p>
<p>Conheça a história desse presidente popular e suas políticas transformadoras que buscavam garantir direitos trabalhistas e combater as desigualdades.</p>
<div class="ast-oembed-container " style="height: 100%;"><iframe title="Jango revelou as entranhas do Brasil - Fatos da Zona Ep. 3" width="1200" height="675" src="https://www.youtube.com/embed/NarUOPO2YWM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Jango &#8211; Com apenas 34 anos, João Goulart assume o relevante à época Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio, em junho de 1953, no governo Getúlio Vargas, e passa a receber em seu gabinete pessoas humildes e sindicalistas, muitos deles negros. A reação a nomeação do ministro foi imediata: empresários, militares e imprensa passam a orquestrar uma verdadeira campanha para derrubá-lo.</p>
<p>O mandato de Jango como ministro durou apenas 8 meses e mostrou como a proximidade de trabalhadores à esfera do poder politico incomoda uma camada de privilegiados que enxerga o Estado como sua propriedade. Hoje o duro enfrentamento que veio à tona a poucos dias do segundo turno da eleição presidencial demonstra, apesar de nosso considerável amadurecimento democrático das últimas duas décadas, como a sociedade brasileira ainda não equalizou muitas de suas contradições.</p>
<p>A oposição a Jango ainda está à espreita e metamorfoseou-se em defensora do MERCADO como a tábua de salvação de nossos ainda sérios problemas. Em 1953, a principal proposta do ministro previa aumento que dobrava o salário mínimo para 2.400 cruzeiros. A virulenta reação da oposição, principalmente dos quartéis, assustou o governo. Para evitar riscos ao mandato de Getúlio, seu padrinho político, João Goulart deixa o ministério em fevereiro de 54 e declara: “os trabalhadores podem ficar tranquilos, porque prosseguirei ao lado deles, mudando apenas de trincheira”. Em primeiro de maio (Dia do Trabalho) do mesmo ano, três meses antes do suicídio, Getúlio dobra o salário mínimo.</p>
<figure id="attachment_2734" aria-describedby="caption-attachment-2734" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2014/10/15-de-outubro-joão-goulart-ministro-do-trabalho-foto-1.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-2734 size-full" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/wp-content/uploads/2014/10/15-de-outubro-joão-goulart-ministro-do-trabalho-foto-1.jpg" alt="15 de outubro ministro do trabalho foto 1" width="620" height="469" /></a><figcaption id="caption-attachment-2734" class="wp-caption-text">Posse de João Goulart (cigarro na boca) como ministro do Trabalho, Indústria e Comércio (fonte: CPDOC &#8211; FGV)</figcaption></figure>
<blockquote>
<p style="text-align: right;"><strong>“Os detratores das classes operárias não compreendem que um ministro de Estado possa falar com espontaneidade e estabelecer laços de afeto com criaturas de condição humilde&#8230; enquanto uns estão ameaçados e morrem mesmo de fome, outros ganham num ano aquilo que normalmente deveriam ganhar em 50 anos e até mesmo em um século” (JANGO)</strong></p>
</blockquote>
<p>Jango alterou as relações entre Estado, classe trabalhadora e empresários. Com isso, os coronéis lançaram manifesto contra ele, os empresários enfureceram-se e a imprensa o atacou. Jango enfrentou a acusação da oposição de maquinar, com a ajuda do presidente argentino na época, Juan Domingo Perón, a implantação da República Sindicalista no Brasil.</p>
<p>O jornalista Carlos Lacerda atacava o governo em seu jornal <em>Tribuna da Imprensa</em>. Em surtos de verdadeira psicose, conclamava o Congresso e a opinião pública a reagir contra “a República Sindicalista, a esdrúxula república jangueira, que fará do Sr. Getúlio Vargas, amorfo e dócil homem de quase 80 anos, mal vividos, um ditador que cochila, enquanto Jango age”.</p>
<p>O barão das comunicações e à época senador, Assis Chateaubriand, subiu à tribuna do Congresso e disparou: “o político rio-grandense não faz outra coisa senão desenvolver a mais cruel e atormentada <strong>luta de classes </strong>até hoje vista. Nem o Partido Comunista já produziu uma campanha de atrito de classes tão perfeita, com o colorido que o Sr. Goulart tem desenvolvido”.</p>
<figure id="attachment_2735" aria-describedby="caption-attachment-2735" style="width: 900px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2014/10/15-de-outubro-carlos-lacerda-joão-goulart-foto-2.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-2735" src="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2014/10/15-de-outubro-carlos-lacerda-joão-goulart-foto-2.png" alt="15 de outubro carlos lacerda joão goulart foto 2" width="900" height="600" /></a><figcaption id="caption-attachment-2735" class="wp-caption-text">Carlos Lacerda usa o microfone da Rádio Globo de Roberto Marinho para atacar o governo Getúlio Vargas (fonte: www.robertomarinho.com.br)</figcaption></figure>
<p>Em pouco tempo no ministério, Jango conquistou a simpatia dos trabalhadores e passou a mediar inúmeras negociações entre empregados e patrões, o que era inédito na época. Em alguns casos, o ministro até chegava a estimular as mobilizações por melhores condições de trabalho.</p>
<p>Em março de 53, a chamada greve dos 300 mil agitou São Paulo e fez surgir o Pacto de Unidade Intersindical (PUI), organização não alinhada à estrutura sindical pelega, comum à época. Em junho, a greve dos marítimos, inaugurou uma estratégia de negociação entre governo e sindicatos. Ao mesmo tempo, desencadeou o temor de muitos, a começar pelo ministro da Fazenda, Oswaldo Aranha, defensor de uma política de contenção de gastos e crítico de qualquer elevação salarial.</p>
<p>O I Congresso de Previdência Social no Rio de Janeiro reuniu representantes de todo o país e estabeleceu um maior acesso dos sindicatos aos serviços assistenciais da previdência, além de um maior acesso dos sindicalistas (e também dos petebistas, partido de Jango) aos cargos da administração dos inúmeros Institutos de Pensões e Aposentadorias.</p>
<p>A paciência e simplicidade de Goulart davam o tom para longas conversas com diversas lideranças sindicais, empresariais e políticas. Sua jornada estafante de trabalho começava às dez da manhã e terminava no meio da madrugada.</p>
<p>Em outubro de 1953, Jango viajou pelo Norte e Nordeste do país e visitou inúmeros sindicatos. No retorno, 78 sindicatos tinham organizado uma recepção consagradora. Cerca de 4 mil pessoas o esperavam no aeroporto do Rio e o celebraram, Jango teve que subir na capota de um carro para que todos o vissem.</p>
<p>Goulart mostrou indignação com as condições de trabalho daquela região do Brasil e relatou que havia trabalhadores com jornadas de 30 dias por mês, sem um único dia de descanso. Como pagamento, recebiam 10 quilos de farinha ou 15 de carne.</p>
<figure id="attachment_2736" aria-describedby="caption-attachment-2736" style="width: 990px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2014/10/15-de-outubro-jango-foto-3.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-2736" src="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2014/10/15-de-outubro-jango-foto-3.jpg" alt="15 de outubro jango foto 3" width="990" height="614" /></a><figcaption id="caption-attachment-2736" class="wp-caption-text">Filhos de operários erguem faixa pelo aumento do salário mínimo (fonte: João Goulart, uma biografia, de Jorge Ferreira)</figcaption></figure>
<blockquote>
<p style="text-align: right;"><strong>“Acabo de percorrer vários Estados do Norte e do Nordeste e senti de perto a miséria e as privações dos nossos irmãos daquelas plagas. Ouvi trabalhadores de todas as categorias. Esses trabalhadores que vivem abandonados e sem o mínimo conforto” (Jango) </strong></p>
</blockquote>
<p>Apesar dos esforços de Goulart e do governo, a crise econômica e a inflação deflagraram várias greves no segundo semestre de 1953. No congresso, integrantes da bancada da UDN (União Democrática Nacional), partido de oposição, chamada ironicamente de ‘banda de música’, subiam ao palanque inúmeras vezes para atacar o governo de Getúlio Vargas e em particular, Jango. Não resta dúvida de que a atuação de Jango no Ministério aproximou setores reacionários das Forças Armadas à UDN.</p>
<p>O trabalho de Jango no governo colaborou para transformar Getúlio Vargas do ditador do Estado Novo em um líder de massas. Ambos se aproximaram quando Getúlio, após sofrer o golpe de 45, vivia na Estância Itu, a 80 quilômetros de São Borja (RS), terra natal de Getúlio e João Goulart. Isolado, o ex-presidente aproximou-se do jovem político e empresário local, que era amigo do filho de seu filho, Maneco.</p>
<p>Goulart presenteava Getúlio com charutos e ambos conversavam por horas. Nessas conversas, o ministro já demonstrava sua preocupação em <strong>diminuir a desigualdade social brasileira e a necessidade da reforma agrária</strong>. Entre 1947 e 1950, Jango foi um dos mais relevantes articuladores do caminho de retorno de Getúlio à presidência.</p>
<figure id="attachment_2737" aria-describedby="caption-attachment-2737" style="width: 623px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2014/10/15-de-outubro-joão-goulart-foto-4.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-2737 size-full" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/wp-content/uploads/2014/10/15-de-outubro-joão-goulart-foto-4.jpg" alt="15 de outubro ministro joão goulart foto 4" width="623" height="650" /></a><figcaption id="caption-attachment-2737" class="wp-caption-text">Jango (à direita) com o presidente do PTB, Danton Coelho, em foto de 1951 (fonte: CPDOC-FGV)</figcaption></figure>
<p>Incomensurável a angústia de Jango nos 12 anos de exílio (1964-1976) após o golpe civil-militar de 1964. Nesse período, o presidente deposto flertou com a depressão e manifestava para pessoas mais próximas seu imenso desejo de retornar ao Brasil. Morto em 1976, imagino Jango com o inseparável cigarro entre os dedos alertando pacientemente pela união das forças progressistas através do diálogo nesse embate atual pela presidência do país.</p>
<p><strong>Este texto foi inspirado pela leitura do brilhante livro ’João Goulart, uma biografia’, do historiador e professor da UFF (Universidade Federal Fluminense), Jorge Ferreira, fruto de mais de dez anos de sua pesquisa sobre Jango.</strong></p>
<table>
<tbody>
<tr>
<td style="text-align: center;"><iframe style="width: 120px; height: 240px;" src="//ws-na.amazon-adsystem.com/widgets/q?ServiceVersion=20070822&amp;OneJS=1&amp;Operation=GetAdHtml&amp;MarketPlace=BR&amp;source=ac&amp;ref=tf_til&amp;ad_type=product_link&amp;tracking_id=zonacurva-20&amp;marketplace=amazon&amp;region=BR&amp;placement=8520010563&amp;asins=8520010563&amp;linkId=a1d3e2c79f3a21319a3cc081aeed0d84&amp;show_border=true&amp;link_opens_in_new_window=false&amp;price_color=333333&amp;title_color=0066c0&amp;bg_color=ffffff" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"><br />
</iframe></td>
<td style="text-align: center;"><iframe style="width: 120px; height: 240px;" src="//ws-na.amazon-adsystem.com/widgets/q?ServiceVersion=20070822&amp;OneJS=1&amp;Operation=GetAdHtml&amp;MarketPlace=BR&amp;source=ac&amp;ref=tf_til&amp;ad_type=product_link&amp;tracking_id=zonacurva-20&amp;marketplace=amazon&amp;region=BR&amp;placement=853930015X&amp;asins=853930015X&amp;linkId=764470b12fb2497678a024be8c1ab8e6&amp;show_border=true&amp;link_opens_in_new_window=false&amp;price_color=333333&amp;title_color=0066c0&amp;bg_color=ffffff" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"><br />
</iframe></td>
<td style="text-align: center;"><iframe style="width: 120px; height: 240px;" src="//ws-na.amazon-adsystem.com/widgets/q?ServiceVersion=20070822&amp;OneJS=1&amp;Operation=GetAdHtml&amp;MarketPlace=BR&amp;source=ac&amp;ref=tf_til&amp;ad_type=product_link&amp;tracking_id=zonacurva-20&amp;marketplace=amazon&amp;region=BR&amp;placement=8535920935&amp;asins=8535920935&amp;linkId=7437596557bab7c34525690017a2bd01&amp;show_border=true&amp;link_opens_in_new_window=false&amp;price_color=333333&amp;title_color=0066c0&amp;bg_color=ffffff" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"><br />
</iframe></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>http://www.zonacurva.com.br/o-comicio-que-mudou-o-destino-do-pais/</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://zonacurva.com.br/jango-ministro/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>8</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Tribunal Regional Federal do RJ deve julgar acusados da morte de Rubens Paiva</title>
		<link>https://zonacurva.com.br/tribunal-regional-federal-rj-deve-julgar-acusados-da-morte-de-rubens-paiva/</link>
					<comments>https://zonacurva.com.br/tribunal-regional-federal-rj-deve-julgar-acusados-da-morte-de-rubens-paiva/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Fernando do Valle]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Sep 2014 20:44:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ditadura nunca mais]]></category>
		<category><![CDATA[50 anos do golpe militar]]></category>
		<category><![CDATA[ditadura militar]]></category>
		<category><![CDATA[golpe de 64]]></category>
		<category><![CDATA[rubens paiva justiça]]></category>
		<category><![CDATA[rubens paiva morte]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://zonacurva.com.br/?p=2572</guid>

					<description><![CDATA[O Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2) determinou ontem o prosseguimento de ação penal contra cinco militares reformados acusados da morte do ex-deputado Rubens Paiva, em janeiro de 1971, nas dependências do Destacamento de Operações de Informações (DOI) do Exército, na Tijuca. Seu corpo nunca foi encontrado. A Justiça negou o habeas corpus impetrado pelos militares, que visava ao trancamento da ação. A defesa dos réus sustentou a prescrição das acusações e que os acusados seriam beneficiados pela Lei da Anistia, de 1979. O relator do caso, desembargador Messod Azulay, entendeu que se trata de um crime permanente, porque o corpo de Rubens Paiva ainda não foi localizado. &#160; Em maio, o Zonacurva relatou em detalhes o processo na Justiça contra os militares acusados do assassinato e ocultação do cadáver do deputado Rubens Paiva. CLIQUE AQUI PARA SABER MAIS. Fonte usada: EBC]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2) determinou ontem o prosseguimento de ação penal contra cinco militares reformados acusados da morte do ex-deputado Rubens Paiva, em janeiro de 1971, nas dependências do Destacamento de Operações de Informações (DOI) do Exército, na Tijuca. Seu corpo nunca foi encontrado.</p>
<p>A Justiça negou o <em>habeas corpus </em>impetrado pelos militares, que visava ao trancamento da ação. A defesa dos réus sustentou a prescrição das acusações e que os acusados seriam beneficiados pela Lei da Anistia, de 1979. O relator do caso, desembargador Messod Azulay, entendeu que se trata de um crime permanente, porque o corpo de Rubens Paiva ainda não foi localizado.</p>
<figure id="attachment_2573" aria-describedby="caption-attachment-2573" style="width: 483px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2014/09/11-de-setembro-Rubens-Paiva-processo-jurídico-foto-1.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-2573" src="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2014/09/11-de-setembro-Rubens-Paiva-processo-jurídico-foto-1.jpg" alt="11 de setembro Rubens Paiva processo jurídico foto 1" width="483" height="303" /></a><figcaption id="caption-attachment-2573" class="wp-caption-text">O deputado Rubens Paiva</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;">Em maio, o <strong>Zonacurva</strong> relatou em detalhes o processo na Justiça contra os militares acusados do assassinato e ocultação do cadáver do deputado Rubens Paiva. <strong><a href="http://zonacurva.com.br/decisao-historica-da-justica-acata-denuncia-contra-militares-acusados-da-morte-de-rubens-paiva/" target="_blank" rel="noopener">CLIQUE AQUI PARA SABER MAIS</a>.</strong></p>
<p>Fonte usada: EBC</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://zonacurva.com.br/tribunal-regional-federal-rj-deve-julgar-acusados-da-morte-de-rubens-paiva/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Comissão da Verdade suspeita de plano da ditadura para matar Glauber Rocha</title>
		<link>https://zonacurva.com.br/comissao-da-verdade-suspeita-de-plano-da-ditadura-para-matar-glauber-rocha/</link>
					<comments>https://zonacurva.com.br/comissao-da-verdade-suspeita-de-plano-da-ditadura-para-matar-glauber-rocha/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sul21]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 Aug 2014 17:01:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ditadura nunca mais]]></category>
		<category><![CDATA[50 anos do golpe militar]]></category>
		<category><![CDATA[Comissão da verdade]]></category>
		<category><![CDATA[ditadura militar]]></category>
		<category><![CDATA[Glauber Rocha]]></category>
		<category><![CDATA[glauber rocha ditadura militar]]></category>
		<category><![CDATA[glauber rocha morte]]></category>
		<category><![CDATA[golpe de 64]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://zonacurva.com.br/?p=2481</guid>

					<description><![CDATA[Acusado de difundir calúnias contra regime militar no Brasil e classificado como “um dos líderes da esquerda no cinema”, sendo o que “mais atuava na campanha contra o país, na Europa”, o cineasta Glauber Rocha foi vítima de espionagem e perseguição pela ditadura. Na última sexta (16), a Comissão Estadual da Verdade do Rio revelou documentos produzidos pelas Forças Armadas contra o diretor. A entrega do dossiê militar à família foi feita no Parque Lage, na zona sul do Rio de Janeiro, com uma série de atividades que marcaram os 50 anos do filme Deus e o Diabo na Terra do Sol, completados no último dia 10. Oficialmente, Glauber morreu de septicemia, uma infecção, em 22 de agosto de 1981. Em outubro de 1976, Glauber Rocha gravou o velório de seu grande amigo, Di Cavalcanti. Assista ao curta e leia o texto. Produzidos pelo Serviço Nacional de Informação (SNI), os documentos compilam atividades do cineasta, declarações dadas aos jornais fora do país e lista artistas ligados a Glauber e que criticavam o regime militar, como, também o cineasta Luiz Carlos Barreto, apontado como “porta-voz da esquerda cinematográfica nacional”. Um dos documentos lembra que Glauber foi preso, por ter vaiado o presidente Castelo Branco, em 1965 e acusa o diretor de ter “difundido calúnias” ao denunciar a jornais ingleses torturas e perseguições no Brasil pela ditadura. O ator Othon Bastos, um dos personagens principais do filme Deus e o Diabo na Terra do Sol é mencionado no dossiê do SNI como o favorito de Glauber e citado por “conhecido envolvimento político e ideológico”. Presente ao evento na Comissão da Verdade, Bastos disse que ficou surpreso com a revelação. “São tantas pessoas famosas aqui e estou entre um deles, eu não sabia de nada”. A presidenta da Comissão Estadual da Verdade, Nadine Borges, destacou que os documentos encontrados no Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro contém marcas que expressam a intenção dos militares de eliminar Glauber. Ela se referia as palavras “morto”, em lápis, no alto do dossiê, na primeira página. “Recebemos a informação de um agente da repressão que atuou na época, que, em geral, era hábito escrever à mão um indicativo de ordem. Então, isso nos faz pensar que ele estava marcado para morrer. Por sorte, ele se exilou antes”, comentou. A presidenta cobra que o general José Antonio Nogueira Belham, que assina um dos documentos, preste depoimento para esclarecer esse e outros casos. Durante a revelação dos documentos, o cineasta Zelito Viana, parceiro de Glauber no filme o Dragão da Maldade, que venceu o Festival de Cinema de Cannes, e o Terra em Transe, que concorreu no mesmo festival poucos anos antes, lembra os tempos difíceis da ditadura. “Viver era arriscado no Brasil”, ressaltou. Ele levou Terra em Transe clandestinamente para participar do festival no França. Amigo de Glauber, Silvio Tendler destacou que a perseguição a Glauber, que se exilou em 1971, e às pessoas que contestavam o regime prejudicou o Brasil. “Aliás, prejudicou os artistas, os estudantes, os sindicalistas. A ditadura foi um preço muito alto para Nação. Sou de uma geração que desaprendeu a falar e estamos aprendendo a falar depois de velho. Antes, era tudo proibido”. Tendler lembrou também que Glauber foi um artista brilhante, mas não o único alvo da ditadura. “Eu e muito outros fomos perseguidos, como Joaquim Pedro de Andrade, que foi preso, e Olney São Paulo, barbaramente torturado”. No dossiê, estão transcritos ainda trechos de artigos de Glauber. Entre eles, uma justificativa para sua atuação, contra o regime. “O cinema não será para nós uma máscara, porque, o cinema não faz revolução – o cinema é um dos instrumentos revolucionários e para isto deve(-se) criar uma linguagem latino-americana, libertária e revelador”, disse à revista Cine Cubano, em 1971, segundo o SNI. Tribunal Regional Federal do RJ deve julgar acusados da morte de Rubens Paiva Ex-delegado Cláudio Guerra revela envolvimento de coronel da ditadura militar na morte de Zuzu Angel Decisão histórica da Justiça acata denúncia contra militares envolvidos na morte de Rubens Paiva Justiça barra ação contra militares acusados no caso Riocentro Instituto Vladimir Herzog denuncia Bolsonaro na ONU por comemorações do golpe de 64 &#160; &#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Acusado de difundir calúnias contra regime militar no Brasil e classificado como “um dos líderes da esquerda no cinema”, sendo o que “mais atuava na campanha contra o país, na Europa”, o cineasta Glauber Rocha foi vítima de espionagem e perseguição pela ditadura. Na última sexta (16), a Comissão Estadual da Verdade do Rio revelou documentos produzidos pelas Forças Armadas contra o diretor.</p>
<p>A entrega do <em>dossiê</em> militar à família foi feita no Parque Lage, na zona sul do Rio de Janeiro, com uma série de atividades que marcaram os 50 anos do filme <em>Deus e o Diabo na Terra do Sol</em>, completados no último dia 10. Oficialmente, Glauber morreu de septicemia, uma infecção, em <strong>22 de agosto de 1981</strong>.</p>
<p><a href="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2014/08/18-de-agosto-glauber-rocha-terra-em-transe.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-large wp-image-2483" src="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2014/08/18-de-agosto-glauber-rocha-terra-em-transe-1024x640.jpg" alt="18 de agosto glauber-rocha-terra-em-transe" width="650" height="406" /></a></p>
<blockquote>
<p style="text-align: right;">Em outubro de 1976, Glauber Rocha gravou o velório de seu grande amigo, Di Cavalcanti. <strong><a href="http://zonacurva.com.br/di-glauber-na-web/" target="_blank" rel="noopener">Assista ao curta e leia o texto</a>.</strong></p>
</blockquote>
<p>Produzidos pelo Serviço Nacional de Informação (SNI), os documentos compilam atividades do cineasta, declarações dadas aos jornais fora do país e lista artistas ligados a Glauber e que criticavam o regime militar, como, também o cineasta Luiz Carlos Barreto, apontado como “porta-voz da esquerda cinematográfica nacional”.</p>
<p>Um dos documentos lembra que Glauber foi preso, por ter vaiado o presidente Castelo Branco, em 1965 e acusa o diretor de ter “difundido calúnias” ao denunciar a jornais ingleses torturas e perseguições no Brasil pela ditadura.</p>
<p>O ator Othon Bastos, um dos personagens principais do filme <em>Deus e o Diabo na Terra do Sol</em> é mencionado no <em>dossiê</em> do SNI como o favorito de Glauber e citado por “conhecido envolvimento político e ideológico”. Presente ao evento na Comissão da Verdade, Bastos disse que ficou surpreso com a revelação. “São tantas pessoas famosas aqui e estou entre um deles, eu não sabia de nada”.</p>
<p>A presidenta da Comissão Estadual da Verdade, Nadine Borges, destacou que os documentos encontrados no Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro contém marcas que expressam a intenção dos militares de eliminar Glauber. Ela se referia as palavras “morto”, em lápis, no alto do <em>dossiê</em>, na primeira página.</p>
<p>“Recebemos a informação de um agente da repressão que atuou na época, que, em geral, era hábito escrever à mão um indicativo de ordem. Então, isso nos faz pensar que ele estava marcado para morrer. Por sorte, ele se exilou antes”, comentou.</p>
<p>A presidenta cobra que o general José Antonio Nogueira Belham, que assina um dos documentos, preste depoimento para esclarecer esse e outros casos.</p>
<p>Durante a revelação dos documentos, o cineasta Zelito Viana, parceiro de Glauber no filme o <em>Dragão da Maldade</em>, que venceu o Festival de Cinema de Cannes, e o <em>Terra em Transe</em>, que concorreu no mesmo festival poucos anos antes, lembra os tempos difíceis da ditadura. “Viver era arriscado no Brasil”, ressaltou. Ele levou <em>Terra em Transe</em> clandestinamente para participar do festival no França.</p>
<p>Amigo de Glauber, Silvio Tendler destacou que a perseguição a Glauber, que se exilou em 1971, e às pessoas que contestavam o regime prejudicou o Brasil. “Aliás, prejudicou os artistas, os estudantes, os sindicalistas. A ditadura foi um preço muito alto para Nação. Sou de uma geração que desaprendeu a falar e estamos aprendendo a falar depois de velho. Antes, era tudo proibido”.</p>
<p>Tendler lembrou também que Glauber foi um artista brilhante, mas não o único alvo da ditadura. “Eu e muito outros fomos perseguidos, como Joaquim Pedro de Andrade, que foi preso, e Olney São Paulo, barbaramente torturado”.</p>
<p>No <em>dossiê</em>, estão transcritos ainda trechos de artigos de Glauber. Entre eles, uma justificativa para sua atuação, contra o regime. “O cinema não será para nós uma máscara, porque, o cinema não faz revolução – o cinema é um dos instrumentos revolucionários e para isto deve(-se) criar uma linguagem latino-americana, libertária e revelador”, disse à revista<em> Cine Cubano</em>, em 1971, segundo o SNI.</p>
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="TTle1O1Zi2"><p><a href="https://urutaurpg.com.br/siteluis/tribunal-regional-federal-rj-deve-julgar-acusados-da-morte-de-rubens-paiva/" target="_blank" rel="noopener">Tribunal Regional Federal do RJ deve julgar acusados da morte de Rubens Paiva</a></p></blockquote>
<p><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;Tribunal Regional Federal do RJ deve julgar acusados da morte de Rubens Paiva&#8221; &#8212; Zona Curva" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/tribunal-regional-federal-rj-deve-julgar-acusados-da-morte-de-rubens-paiva/embed/#?secret=7k0R2ALjBo#?secret=TTle1O1Zi2" data-secret="TTle1O1Zi2" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="dGdjDtpx2z"><p><a href="https://urutaurpg.com.br/siteluis/ex-delegado-claudio-guerra-revela-envolvimento-de-coronel-da-ditadura-militar-na-morte-de-zuzu-angel/" target="_blank" rel="noopener">Ex-delegado Cláudio Guerra revela envolvimento de coronel da ditadura militar na morte de Zuzu Angel</a></p></blockquote>
<p><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;Ex-delegado Cláudio Guerra revela envolvimento de coronel da ditadura militar na morte de Zuzu Angel&#8221; &#8212; Zona Curva" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/ex-delegado-claudio-guerra-revela-envolvimento-de-coronel-da-ditadura-militar-na-morte-de-zuzu-angel/embed/#?secret=DVuZAbbaxj#?secret=dGdjDtpx2z" data-secret="dGdjDtpx2z" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="9mCrXqjHDt"><p><a href="https://urutaurpg.com.br/siteluis/decisao-historica-da-justica-acata-denuncia-contra-militares-acusados-da-morte-de-rubens-paiva/" target="_blank" rel="noopener">Decisão histórica da Justiça acata denúncia contra militares envolvidos na morte de Rubens Paiva</a></p></blockquote>
<p><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;Decisão histórica da Justiça acata denúncia contra militares envolvidos na morte de Rubens Paiva&#8221; &#8212; Zona Curva" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/decisao-historica-da-justica-acata-denuncia-contra-militares-acusados-da-morte-de-rubens-paiva/embed/#?secret=wEEooQxxBp#?secret=9mCrXqjHDt" data-secret="9mCrXqjHDt" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="jLSSpGmOpM"><p><a href="https://urutaurpg.com.br/siteluis/justica-barra-acao-contra-militares-acusados-caso-riocentro/" target="_blank" rel="noopener">Justiça barra ação contra militares acusados no caso Riocentro</a></p></blockquote>
<p><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;Justiça barra ação contra militares acusados no caso Riocentro&#8221; &#8212; Zona Curva" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/justica-barra-acao-contra-militares-acusados-caso-riocentro/embed/#?secret=hlPeZo7WVu#?secret=jLSSpGmOpM" data-secret="jLSSpGmOpM" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="yR6ikmCmiJ"><p><a href="https://urutaurpg.com.br/siteluis/instituto-vladimir-herzog-denuncia-bolsonaro-na-onu-por-comemoracoes-do-golpe-de-64/" target="_blank" rel="noopener">Instituto Vladimir Herzog denuncia Bolsonaro na ONU por comemorações do golpe de 64</a></p></blockquote>
<p><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;Instituto Vladimir Herzog denuncia Bolsonaro na ONU por comemorações do golpe de 64&#8221; &#8212; Zona Curva" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/instituto-vladimir-herzog-denuncia-bolsonaro-na-onu-por-comemoracoes-do-golpe-de-64/embed/#?secret=c3TDtLNoEw#?secret=yR6ikmCmiJ" data-secret="yR6ikmCmiJ" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://zonacurva.com.br/comissao-da-verdade-suspeita-de-plano-da-ditadura-para-matar-glauber-rocha/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>PIF-PAF tentou curar a ressaca do golpe de 64</title>
		<link>https://zonacurva.com.br/pif-paf-tentou-curar-a-ressaca-do-golpe-de-64/</link>
					<comments>https://zonacurva.com.br/pif-paf-tentou-curar-a-ressaca-do-golpe-de-64/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Fernando do Valle]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 28 Jul 2014 17:31:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[50 anos do golpe militar]]></category>
		<category><![CDATA[Flip 2014]]></category>
		<category><![CDATA[golpe de 64]]></category>
		<category><![CDATA[mídia independente]]></category>
		<category><![CDATA[Millôr Fernandes]]></category>
		<category><![CDATA[millor fernandes flip 2014]]></category>
		<category><![CDATA[pif paf millor Fernandes]]></category>
		<category><![CDATA[pif-paf]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://zonacurva.com.br/?p=2401</guid>

					<description><![CDATA[Bem-vindo ao Fatos da Zona, onde adaptamos os textos mais acessados do site do Zonacurva Mídia Livre para o audiovisual. ASSISTA: &#160; &#160; Em 1964, um mês e meio depois do golpe militar, nascia o PIF-PAF, o pequeno jornal criado por Millôr Fernandes que mostrou novos caminhos para o jornalismo combativo e independente que foi feito mais tarde (e sempre). Charges, tiradas demolidoras, textos de diversos estilos e tamanhos, muitas mulheres (e políticos) de biquíni, embalados por um humor cáustico, foram as armas usadas para a certeira crítica política e comportamental da época. Os leitores aprovaram e já no primeiro número, ele vendeu 40 mil exemplares. Infelizmente, PIF-PAF durou apenas 4 meses e 8 edições. Apesar da boa aceitação dos leitores, a publicação foi fechada por um misto de perseguições políticas e má administração. O jornal PIF-PAF nasceu de uma seção fixa da revista O Cruzeiro, uma das revistas mais lidas da história da imprensa brasileira, que chegou a vender mais de 700 mil exemplares em 1954 no suicido de Getúlio Vargas. Na época, o Brasil tinha cerca de 45 milhões de habitantes. Millôr começou a trabalhar por lá como contínuo com apenas 15 anos, em 1938. Mais tarde, passou a escrever na seção da revista com o codinome de Emmanuel Vão Gôgo e dividia o espaço com Péricles Maranhão, criador do personagem Amigo da Onça, e outros como Borjalo, Ziraldo e Fortuna. Depois de perder o emprego na revista O Cruzeiro por pressões da Igreja Católica por produzir o trabalho satírico A verdadeira história do Paraíso, o humorista e jornalista Millôr conseguiu um empréstimo junto ao banqueiro José Luís de Magalhães Lins, do Banco Nacional, para fundar o PIF-PAF. A trupe do jornal contava com cartunistas como Jaguar, Ziraldo, Claudius, Fortuna e textos de Sérgio Porto, Rubem Braga, Antônio Maria, além de outros colaboradores. O argentino nascido na Áustria, Eugênio Hirsch, foi o responsável pelas inovações gráficas. Millôr explica como funcionava a folha salarial da redação: “ninguém ganhava nada, tudo era sem fins lucrativos”. O jornalista Bernardo Kucinski, em seu livro Jornalistas e revolucionários: nos tempos da imprensa alternativa, explica que essa “precariedade se tornaria marca registrada da imprensa alternativa. Os humoristas entregavam suas colaborações, mas não trabalhavam na revista. Millôr Fernandes, com a experiência de O Cruzeiro, produzia tudo”. 20 frases de Millôr Fernandes O texto da página relata que “Carlota se excedeu nas críticas à ocupante do cargo, apesar de anteriormente tanto tê-la ajudado na posse&#8230; Miss Castelinho agrediu-a na presença de inúmeras testemunhas”. Na foto a seguir, os políticos tomam um drinque já “que as brigas entre amigas antigas e verdadeiras não duram muito”. [Carlos Lacerda e o governador mineiro, Magalhães Pinto, forneceram forte apoio ao golpe militar] Millôr explica a perseguição sofrida pelo poder: “o PIF-PAF Paf  foi fechado por um conluio entre o governo federal e o governo estadual aqui [no antigo estado da Guanabara], que naquela época era o Carlos Lacerda&#8230;. não tive forças para lutar, eles começaram a apreender um número, depois devolveram o número, depois o oitavo número eles apreenderam todo e eu não tinha mais dinheiro para fazer”. O jornal deixou uma dívida de 21 mil cruzeiros para Millôr, que a quitou após dois anos. &#160; “Não tenho procurado outra coisa senão ser livre. Livre das pressões terríveis da vida econômica, das pressões terríveis dos conflitos humanos, livre para o exercício total da vida física e mental. Livre das ideias feitas e mastigadas, tenho como Shaw [Bernard], uma insopitável desconfiança de qualquer idéia que já venha sendo proclamada por mais de dez anos&#8230;&#8221; MILLÔR FERNANDES]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Bem-vindo ao Fatos da Zona, onde adaptamos os textos mais acessados do site do Zonacurva Mídia Livre para o audiovisual. ASSISTA:</p>
<div class="ast-oembed-container " style="height: 100%;"><iframe title="Millôr Fernandes 100 anos - Fatos da Zona EP14" width="1200" height="675" src="https://www.youtube.com/embed/bPwAsKa_UQ8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Em 1964, um mês e meio depois do golpe militar, nascia o PIF-PAF, o pequeno jornal criado por Millôr Fernandes que mostrou novos caminhos para o jornalismo combativo e independente que foi feito mais tarde (e sempre).</p>
<p>Charges, tiradas demolidoras, textos de diversos estilos e tamanhos, muitas mulheres (e <em>políticos</em>) de biquíni, embalados por um humor cáustico, foram as armas usadas para a certeira crítica política e comportamental da época. Os leitores aprovaram e já no primeiro número, ele vendeu 40 mil exemplares. Infelizmente, PIF-PAF durou apenas 4 meses e 8 edições. Apesar da boa aceitação dos leitores, a publicação foi fechada por um misto de perseguições políticas e má administração.</p>
<figure id="attachment_2403" aria-describedby="caption-attachment-2403" style="width: 650px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2014/07/new-doc-10_2.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-2403" src="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2014/07/new-doc-10_2-749x1024.jpg" alt="PIF-PAF millôr" width="650" height="888" /></a><figcaption id="caption-attachment-2403" class="wp-caption-text">Capa do número 5 de PIF-PAF</figcaption></figure>
<p>O jornal PIF-PAF nasceu de uma seção fixa da revista O Cruzeiro, uma das revistas mais lidas da história da imprensa brasileira, que chegou a vender mais de 700 mil exemplares em 1954 no suicido de Getúlio Vargas. Na época, o Brasil tinha cerca de 45 milhões de habitantes. Millôr começou a trabalhar por lá como contínuo com apenas 15 anos, em 1938. Mais tarde, passou a escrever na seção da revista com o codinome de Emmanuel Vão Gôgo e dividia o espaço com Péricles Maranhão, criador do personagem <em>Amigo da Onça, e </em>outros como Borjalo, Ziraldo e Fortuna.</p>
<p>Depois de perder o emprego na revista <em>O Cruzeiro</em> por pressões da Igreja Católica por produzir o trabalho satírico <em>A verdadeira história do Paraíso</em>, o humorista e jornalista Millôr conseguiu um empréstimo junto ao banqueiro José Luís de Magalhães Lins, do Banco Nacional, para fundar o <em>PIF-PAF</em>.</p>
<p>A trupe do jornal contava com cartunistas como Jaguar, Ziraldo, Claudius, Fortuna e textos de Sérgio Porto, Rubem Braga, Antônio Maria, além de outros colaboradores. O argentino nascido na Áustria, Eugênio Hirsch, foi o responsável pelas inovações gráficas. Millôr explica como funcionava a folha salarial da redação: “ninguém ganhava nada, tudo era sem fins lucrativos”.</p>
<p>O jornalista Bernardo Kucinski, em seu livro <em>Jornalistas e revolucionários: nos tempos da imprensa alternativa</em>, explica que essa “precariedade se tornaria marca registrada da imprensa alternativa. Os humoristas entregavam suas colaborações, mas não trabalhavam na revista. Millôr Fernandes, com a experiência de <em>O Cruzeiro</em>, produzia tudo”.</p>
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="F3lDMJNs3b"><p><a href="https://zonacurva.com.br/20-frases-de-millor-fernandes/">20 frases de Millôr Fernandes</a></p></blockquote>
<p><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;20 frases de Millôr Fernandes&#8221; &#8212; Zona Curva" src="https://zonacurva.com.br/20-frases-de-millor-fernandes/embed/#?secret=ZuqqYk1ieZ#?secret=F3lDMJNs3b" data-secret="F3lDMJNs3b" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
<figure id="attachment_2404" aria-describedby="caption-attachment-2404" style="width: 650px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2014/07/new-doc-11_3.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-2404" src="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2014/07/new-doc-11_3-741x1024.jpg" alt="Pif-paf ditadura millitar" width="650" height="898" /></a><figcaption id="caption-attachment-2404" class="wp-caption-text">Presidente Castelo Branco (vulgo Senhorita Castelinho) morde a perna de Carlos Lacerda (Miss Carlota Corwina) no derradeiro número 8 do jornal</figcaption></figure>
<blockquote>
<p style="text-align: right;"><strong>O texto da página relata que “Carlota se excedeu nas críticas à ocupante do cargo, apesar de anteriormente tanto tê-la ajudado na posse&#8230; Miss Castelinho agrediu-a na presença de inúmeras testemunhas”. Na foto a seguir, os políticos tomam um drinque já “que as brigas entre amigas antigas e verdadeiras não duram muito”. [Carlos Lacerda e o governador mineiro, Magalhães Pinto, forneceram forte apoio ao golpe militar]</strong></p>
</blockquote>
<p>Millôr explica a perseguição sofrida pelo poder: “o <em>PIF-PAF Paf</em>  foi fechado por um conluio entre o governo federal e o governo estadual aqui [no antigo estado da Guanabara], que naquela época era o Carlos Lacerda&#8230;. não tive forças para lutar, eles começaram a apreender um número, depois devolveram o número, depois o oitavo número eles apreenderam todo e eu não tinha mais dinheiro para fazer”. O jornal deixou uma dívida de 21 mil cruzeiros para Millôr, que a quitou após dois anos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<figure id="attachment_2402" aria-describedby="caption-attachment-2402" style="width: 650px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2014/07/new-doc-10_3.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-2402" src="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2014/07/new-doc-10_3-745x1024.jpg" alt="PIF-PAF número 6" width="650" height="893" /></a><figcaption id="caption-attachment-2402" class="wp-caption-text">As mulheres de biquíni no PIF-PAF número 6</figcaption></figure>
<blockquote>
<p style="text-align: right;"><strong>“Não tenho procurado outra coisa senão ser livre. Livre das pressões terríveis da vida econômica, das pressões terríveis dos conflitos humanos, livre para o exercício total da vida física e mental. Livre das ideias feitas e mastigadas, tenho como Shaw [Bernard], uma insopitável desconfiança de qualquer idéia que já venha sendo proclamada por mais de dez anos&#8230;&#8221;</strong></p>
<p style="text-align: right;"><strong>MILLÔR FERNANDES</strong></p>
</blockquote>
<p style="text-align: right;">
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://zonacurva.com.br/pif-paf-tentou-curar-a-ressaca-do-golpe-de-64/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>1</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Ex-delegado Cláudio Guerra revela envolvimento de coronel da ditadura militar na morte de Zuzu Angel</title>
		<link>https://zonacurva.com.br/ex-delegado-claudio-guerra-revela-envolvimento-de-coronel-da-ditadura-militar-na-morte-de-zuzu-angel/</link>
					<comments>https://zonacurva.com.br/ex-delegado-claudio-guerra-revela-envolvimento-de-coronel-da-ditadura-militar-na-morte-de-zuzu-angel/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Fernando do Valle]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 25 Jul 2014 17:52:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ditadura nunca mais]]></category>
		<category><![CDATA[50 anos do golpe militar]]></category>
		<category><![CDATA[Cláudio guerra]]></category>
		<category><![CDATA[Comissão da verdade]]></category>
		<category><![CDATA[ditadura militar]]></category>
		<category><![CDATA[golpe de 64]]></category>
		<category><![CDATA[zuzu Angel]]></category>
		<category><![CDATA[zuzu Angel morte]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://zonacurva.com.br/?p=2377</guid>

					<description><![CDATA[Em depoimento prestado à Comissão Nacional da Verdade nesta quarta-feira (23 de julho), o ex-delegado do DOPS do Espírito Santo, Cláudio Guerra, afirmou que o coronel Freddie Perdigão Pereira provocou o acidente que resultou na morte da estilista Zuzu Angel, em 1976. O crime complementa o currículo de algoz a serviço do regime militar de Pereira. O coronel atuou no DOI-CODI de São Paulo e na Casa da Morte de Petrópolis e ainda coordenou o atentado no Riocentro. No ano passado, o ex-soldado do Exército Valdemar Martins de Oliveira revelou em depoimento à Comissão da Verdade do Estado de São Paulo que o coronel executou o casal João Antonio dos Santos Abi Eçab, 25 anos, e Catarina Abi Eçab, 21 anos, militantes da Ação Libertadora Nacional (ALN), em 1968. Infelizmente, o militar não responderá por seus crimes, ele morreu em 1998. Estilista conhecida, Zuzu Angel era mãe de Stuart Angel, membro do MR8, que lutou contra o regime militar, e foi preso em 14 de maio de 1971. Seu corpo nunca foi encontrado. Zuzu mobilizou a opinião pública nacional e estrangeira em busca de seu filho e foi vítima de um acidente na madrugada de 14 de abril de 1976, na Estrada da Gávea, no Rio de Janeiro. O regime militar sempre foi acusado de ter forjado o acidente. O delegado Cláudio Guerra foi indiciado, entre outros, pelo Ministério Público pelo envolvimento no atentado do Riocentro, infelizmente a Justiça Federal barrou ação contra os acusados. SAIBA MAIS SOBRE O CASO RIOCENTRO.  Segundo Guerra, ele e Perdigão eram confidentes e frequentavam a casa um do outro. “Um dia ele me disse que havia planejado simular o acidente dela e estava preocupado, pois achava que havia sido fotografado na cena do crime pela perícia&#8221;, afirmou o delegado no depoimento à Comissão Nacional da Verdade. Em seu depoimento, Guerra afirmou que incinerou os corpos de 12 militantes políticos e que assassinou e incinerou em seguida um tenente de nome Odilon, numa queima de arquivo determinada pelo SNI (Serviço Nacional de Informações). O ex-delegado contou também que executou três militantes em São Paulo, um em Recife e &#8220;dois ou três&#8221; no Rio. Claudio Guerra forneceu a foto para a Comissão que comprova a presença do coronel Perdigão na perícia, ele está indicado pela seta: &#8220;Se cumprisse pena por tudo o que fiz nunca iria sair da cadeia&#8221;, afirmou Cláudio Guerra. Guerra foi condenado e cumpriu pena por três tentativas de homicídio, resultantes de um atentado à bomba do qual participou nos anos 80 no Espírito Santo. Na cadeia, tornou-se pastor da Assembleia de Deus e afirma querer fazer sua parte &#8220;para que uma página triste de nossa história seja passada a limpo&#8221;. Em 2012, Guerra relatou sua história como agente da repressão a Rogério Medeiros e Marcelo Netto no livro Memórias de uma Guerra Suja. &#8211; Fonte usada: Comissão Nacional da Verdade. Documentário Pastor Cláudio escancara a violência da Ditadura Relatório da Comissão da Verdade pode revelar localização do corpo de Stuart Angel]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Em depoimento prestado à Comissão Nacional da Verdade nesta quarta-feira (23 de julho), o ex-delegado do DOPS do Espírito Santo, Cláudio Guerra, afirmou que o coronel Freddie Perdigão Pereira provocou o acidente que resultou na morte da estilista Zuzu Angel, em 1976.</p>
<p>O crime complementa o currículo de algoz a serviço do regime militar de Pereira. O coronel atuou no DOI-CODI de São Paulo e na Casa da Morte de Petrópolis e ainda coordenou o atentado no Riocentro. No ano passado, o ex-soldado do Exército Valdemar Martins de Oliveira revelou em depoimento à Comissão da Verdade do Estado de São Paulo que o coronel executou o casal João Antonio dos Santos Abi Eçab, 25 anos, e Catarina Abi Eçab, 21 anos, militantes da Ação Libertadora Nacional (ALN), em 1968. Infelizmente, o militar não responderá por seus crimes, ele morreu em 1998.</p>
<p>Estilista conhecida, Zuzu Angel era mãe de Stuart Angel, membro do MR8, que lutou contra o regime militar, e foi preso em 14 de maio de 1971. Seu corpo nunca foi encontrado. Zuzu mobilizou a opinião pública nacional e estrangeira em busca de seu filho e foi vítima de um acidente na madrugada de 14 de abril de 1976, na Estrada da Gávea, no Rio de Janeiro. O regime militar sempre foi acusado de ter forjado o acidente.</p>
<figure id="attachment_2380" aria-describedby="caption-attachment-2380" style="width: 1000px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2014/07/25-de-julho-foto-1-Brasil-247.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-2380" src="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2014/07/25-de-julho-foto-1-Brasil-247.jpg" alt="25 de julho foto 1 (Brasil 247)" width="1000" height="357" /></a><figcaption id="caption-attachment-2380" class="wp-caption-text">Cláudio Guerra acusou o coronel Freddie Perdigão pela morte de Zuzu Angel (fonte: Brasil 247)</figcaption></figure>
<p>O delegado Cláudio Guerra foi indiciado, entre outros, pelo Ministério Público pelo envolvimento no atentado do Riocentro, infelizmente a Justiça Federal barrou ação contra os acusados.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: right;"><a href="http://zonacurva.com.br/justica-barra-acao-contra-militares-acusados-caso-riocentro/" target="_blank" rel="noopener"><strong>SAIBA MAIS SOBRE O CASO RIOCENTRO</strong></a><strong>. </strong></p>
</blockquote>
<p>Segundo Guerra, ele e Perdigão eram confidentes e frequentavam a casa um do outro. “Um dia ele me disse que havia planejado simular o acidente dela e estava preocupado, pois achava que havia sido fotografado na cena do crime pela perícia&#8221;, afirmou o delegado no depoimento à Comissão Nacional da Verdade.</p>
<p>Em seu depoimento, Guerra afirmou que incinerou os corpos de 12 militantes políticos e que assassinou e incinerou em seguida um tenente de nome Odilon, numa queima de arquivo determinada pelo SNI (Serviço Nacional de Informações). O ex-delegado contou também que executou três militantes em São Paulo, um em Recife e &#8220;dois ou três&#8221; no Rio.</p>
<p>Claudio Guerra forneceu a foto para a Comissão que comprova a presença do coronel Perdigão na perícia, ele está indicado pela seta:</p>
<p><a href="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2014/07/25-de-julho-freddie-perdigao-zuzu-angel.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-2387" src="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2014/07/25-de-julho-freddie-perdigao-zuzu-angel.jpg" alt="25 de julho freddie perdigao zuzu angel" width="635" height="446" /></a></p>
<blockquote>
<p style="text-align: right;">&#8220;Se cumprisse pena por tudo o que fiz nunca iria sair da cadeia&#8221;, afirmou Cláudio Guerra.</p>
</blockquote>
<p>Guerra foi condenado e cumpriu pena por três tentativas de homicídio, resultantes de um atentado à bomba do qual participou nos anos 80 no Espírito Santo. Na cadeia, tornou-se pastor da Assembleia de Deus e afirma querer fazer sua parte &#8220;para que uma página triste de nossa história seja passada a limpo&#8221;. Em 2012, Guerra relatou sua história como agente da repressão a Rogério Medeiros e Marcelo Netto no livro <em>Memórias de uma Guerra Suja</em>.</p>
<figure id="attachment_2381" aria-describedby="caption-attachment-2381" style="width: 886px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2014/07/25-de-julho-zuzu-angel-foto-2.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-2381" src="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2014/07/25-de-julho-zuzu-angel-foto-2.png" alt="25 de julho zuzu angel foto 2" width="886" height="886" /></a><figcaption id="caption-attachment-2381" class="wp-caption-text">Zuzu Angel enfrentou o regime militar em busca de seu filho desaparecido, Stuart</figcaption></figure>
<p>&#8211; Fonte usada: Comissão Nacional da Verdade.</p>
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="6wduvISB1V"><p><a href="https://urutaurpg.com.br/siteluis/documentario-pastor-claudio-escancara-a-violencia-da-ditadura-militar/" target="_blank" rel="noopener">Documentário Pastor Cláudio escancara a violência da Ditadura</a></p></blockquote>
<p><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;Documentário Pastor Cláudio escancara a violência da Ditadura&#8221; &#8212; Zona Curva" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/documentario-pastor-claudio-escancara-a-violencia-da-ditadura-militar/embed/#?secret=11NAseubQx#?secret=6wduvISB1V" data-secret="6wduvISB1V" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="6cMzvkqYNg"><p><a href="https://zonacurva.com.br/relatorio-da-comissao-da-verdade-pode-revelar-localizacao-corpo-de-stuart-angel/">Relatório da Comissão da Verdade pode revelar localização do corpo de Stuart Angel</a></p></blockquote>
<p><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;Relatório da Comissão da Verdade pode revelar localização do corpo de Stuart Angel&#8221; &#8212; Zona Curva" src="https://zonacurva.com.br/relatorio-da-comissao-da-verdade-pode-revelar-localizacao-corpo-de-stuart-angel/embed/#?secret=MVk3AVLqvM#?secret=6cMzvkqYNg" data-secret="6cMzvkqYNg" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://zonacurva.com.br/ex-delegado-claudio-guerra-revela-envolvimento-de-coronel-da-ditadura-militar-na-morte-de-zuzu-angel/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>1</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Decisão histórica da Justiça acata denúncia contra militares envolvidos na morte de Rubens Paiva</title>
		<link>https://zonacurva.com.br/decisao-historica-da-justica-acata-denuncia-contra-militares-acusados-da-morte-de-rubens-paiva/</link>
					<comments>https://zonacurva.com.br/decisao-historica-da-justica-acata-denuncia-contra-militares-acusados-da-morte-de-rubens-paiva/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Fernando do Valle]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 29 May 2014 20:53:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ditadura nunca mais]]></category>
		<category><![CDATA[50 anos do golpe militar]]></category>
		<category><![CDATA[ditadura militar]]></category>
		<category><![CDATA[golpe de 64]]></category>
		<category><![CDATA[rubens paiva justiça]]></category>
		<category><![CDATA[rubens paiva morte]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://zonacurva.com.br/?p=2203</guid>

					<description><![CDATA[A Justiça Federal aceitou na segunda (dia 26 de maio) denúncia contra cinco militares reformados pela morte do deputado Rubens Beirodt Paiva pelos crimes de homicídio, ocultação de cadáver, associação criminosa armada e fraude processual. José Antonio Nogueira Belham, Rubens Paim Sampaio, Jurandyr Ochsendorf e Souza, Jacy Ochsendorf e Souza e Raymundo Ronaldo Campos serão os primeiros militares a irem a julgamento por crimes cometidos durante o regime militar. A decisão cria um clima de esperança pela revogação da lei de anistia de 1979 e, com isso, militares e agentes do Estado possam responder na Justiça pelos crimes cometidos entre 1964 e 1979. Em janeiro de 1971, o engenheiro e ex-deputado Rubens Paiva foi preso e torturado no Destacamento de Operações e Informações (DOI) no bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro, e seu corpo nunca foi encontrado. Deputado pelo PTB, Paiva teve seu mandato cassado em 1964. Um mês antes de morrer em circunstâncias até o momento ainda não esclarecidas, o coronel reformado Paulo Malhães, de 76 anos, revelou à Comissão da Verdade do Rio (CEV) que foi um dos líderes da equipe encarregada de desenterrar os restos mortais de Paiva em 1973 da praia do Recreio dos Bandeirantes, dois anos após sua morte. Ainda segundo Malhães, que trabalhou no CIE (Centro de Informações do Exército), a operação foi necessária porque alguns agentes do DOI ameaçavam divulgar a localização da ossada. A operação foi uma ordem do gabinete do ministro do Exército na época e futuro presidente, Ernesto Geisel. O coronel falou que não soube para onde foi levado o corpo, mas que acreditava que a ossada foi jogada em um rio ou no mar. Depois dessa afirmação, Malhães voltou atrás e negou a operação em depoimento à Comissão Nacional da Verdade. Malhães foi morto em sua fazenda em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense em abril. Sua esposa, Cristina afirmou que pouco antes de morrer, o coronel lhe contou que o corpo de Paiva foi mesmo jogado em um rio, provavelmente o rio Itaipava, que fica próximo à Casa da Morte, centro de torturas e assassinatos na cidade de Petrópolis (RJ). Malhães ainda revelou detalhes das torturas praticadas na Casa da Morte. Para evitar o risco de identificação, as arcadas dentárias e os dedos das mãos eram retirados. Em seguida, o corpo era embalado em saco impermeável e jogado no rio, com pedras de peso calculado para evitar que descesse ao fundo ou flutuasse. Além disso, o ventre da vítima era cortado para impedir que o corpo inchasse e emergisse. Assim, seguiria o curso do rio até desaparecer. Coronel desmonta a farsa da morte de Rubens Paiva em combate Em fevereiro, em depoimento à Comissão Estadual da Verdade do Rio, o coronel reformado Raymundo Ronaldo Campos (um dos cinco militares denunciados pelo Ministério Público Federal) admitiu que o Exército montou uma farsa para esconder a morte de Rubens Paiva. Campos revelou que ele e outros dois militares teriam recebido ordens de seus superiores para atirar na lataria de um Fusca e incendiá-lo em seguida, no Alto da Boa Vista, no Rio. A montagem era para sustentar a versão oficial de que, ao ser transportado por militares, o ex-deputado foi sequestrado por terroristas, que atearam fogo no carro. Assista ao vídeo da TV Carta de alguns trechos do depoimento de Malhães à Comissão Nacional da Verdade: Fontes usadas: Revista Carta Capital e Blog do Mário Magalhães.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A Justiça Federal aceitou na segunda (dia 26 de maio) denúncia contra cinco militares reformados pela morte do deputado Rubens Beirodt Paiva pelos crimes de homicídio, ocultação de cadáver, associação criminosa armada e fraude processual. José Antonio Nogueira Belham, Rubens Paim Sampaio, Jurandyr Ochsendorf e Souza, Jacy Ochsendorf e Souza e Raymundo Ronaldo Campos <strong>serão os primeiros militares a irem a julgamento por crimes cometidos durante o regime militar.</strong></p>
<p>A decisão cria um clima de esperança pela revogação da lei de anistia de 1979 e, com isso, militares e agentes do Estado possam responder na Justiça pelos crimes cometidos entre 1964 e 1979. Em janeiro de 1971, o engenheiro e ex-deputado Rubens Paiva foi preso e torturado no Destacamento de Operações e Informações (DOI) no bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro, e seu corpo nunca foi encontrado. Deputado pelo PTB, Paiva teve seu mandato cassado em 1964.</p>
<figure id="attachment_2206" aria-describedby="caption-attachment-2206" style="width: 485px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2014/05/29-de-maio-rubens-paiva-fonte-ebc-foto-1.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-2206" src="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2014/05/29-de-maio-rubens-paiva-fonte-ebc-foto-1.jpg" alt="29 de maio rubens paiva fonte ebc  foto 1" width="485" height="364" /></a><figcaption id="caption-attachment-2206" class="wp-caption-text">Cinco militares responderão na Justiça Federal pela morte de Rubens Paiva (fonte: EBC)</figcaption></figure>
<p>Um mês antes de morrer em circunstâncias até o momento ainda não esclarecidas, o coronel reformado Paulo Malhães, de 76 anos, revelou à Comissão da Verdade do Rio (CEV) que foi um dos líderes da equipe encarregada de desenterrar os restos mortais de Paiva em 1973 da praia do Recreio dos Bandeirantes, dois anos após sua morte.</p>
<p>Ainda segundo Malhães, que trabalhou no CIE (Centro de Informações do Exército), a operação foi necessária porque alguns agentes do DOI ameaçavam divulgar a localização da ossada. A operação foi uma ordem do gabinete do ministro do Exército na época e futuro presidente, Ernesto Geisel.</p>
<p>O coronel falou que não soube para onde foi levado o corpo, mas que acreditava que a ossada foi jogada em um rio ou no mar. Depois dessa afirmação, Malhães voltou atrás e negou a operação em depoimento à Comissão Nacional da Verdade.</p>
<p>Malhães foi morto em sua fazenda em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense em abril. Sua esposa, Cristina afirmou que pouco antes de morrer, o coronel lhe contou que o corpo de Paiva foi mesmo jogado em um rio, provavelmente o rio Itaipava, que fica próximo à Casa da Morte, centro de torturas e assassinatos na cidade de Petrópolis (RJ).</p>
<p>Malhães ainda revelou detalhes das torturas praticadas na Casa da Morte. Para evitar o risco de identificação, as arcadas dentárias e os dedos das mãos eram retirados. Em seguida, o corpo era embalado em saco impermeável e jogado no rio, com pedras de peso calculado para evitar que descesse ao fundo ou flutuasse. Além disso, o ventre da vítima era cortado para impedir que o corpo inchasse e emergisse. Assim, seguiria o curso do rio até desaparecer.</p>
<figure id="attachment_2208" aria-describedby="caption-attachment-2208" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2014/05/29-de-maio-paulo-malhaes-foto-2.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-2208" src="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2014/05/29-de-maio-paulo-malhaes-foto-2.jpg" alt="29 de maio paulo-malhaes foto 2" width="620" height="465" /></a><figcaption id="caption-attachment-2208" class="wp-caption-text">Malhães revelou detalhes sobre o destino do corpo de Rubens Paiva (fonte: ABI)</figcaption></figure>
<p><strong>Coronel desmonta a farsa da morte de Rubens Paiva em combate</strong></p>
<p>Em fevereiro, em depoimento à Comissão Estadual da Verdade do Rio, o coronel reformado Raymundo Ronaldo Campos (um dos cinco militares denunciados pelo Ministério Público Federal) admitiu que o Exército montou uma farsa para esconder a morte de Rubens Paiva.</p>
<p>Campos revelou que ele e outros dois militares teriam recebido ordens de seus superiores para atirar na lataria de um Fusca e incendiá-lo em seguida, no Alto da Boa Vista, no Rio. A montagem era para sustentar a versão oficial de que, ao ser transportado por militares, o ex-deputado foi sequestrado por terroristas, que atearam fogo no carro.</p>
<p>Assista ao vídeo da TV Carta de alguns trechos do depoimento de Malhães à Comissão Nacional da Verdade:</p>
<div class="ast-oembed-container " style="height: 100%;"><iframe title="As confissões de Paulo Malhães" width="1200" height="675" src="https://www.youtube.com/embed/T7oSIE5pm3Y?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe></div>
<p>Fontes usadas: Revista Carta Capital e Blog do Mário Magalhães.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://zonacurva.com.br/decisao-historica-da-justica-acata-denuncia-contra-militares-acusados-da-morte-de-rubens-paiva/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>2</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Derrota da emenda das Diretas Já! amplia consciência</title>
		<link>https://zonacurva.com.br/derrota-da-emenda-das-diretas-ja-amplia-consciencia/</link>
					<comments>https://zonacurva.com.br/derrota-da-emenda-das-diretas-ja-amplia-consciencia/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Albenisio Fonseca]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 25 Apr 2014 18:13:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[50 anos do golpe militar]]></category>
		<category><![CDATA[diretas já 30 anos]]></category>
		<category><![CDATA[diretas já comício anhangabaú]]></category>
		<category><![CDATA[diretas já dante de oliveira]]></category>
		<category><![CDATA[diretas já diretas já comício]]></category>
		<category><![CDATA[diretas já rejeição da emenda]]></category>
		<category><![CDATA[ditadura militar]]></category>
		<category><![CDATA[golpe de 64]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://zonacurva.com.br/?p=2109</guid>

					<description><![CDATA[A rejeição da emenda Dante de Oliveira, no início da madrugada de 26 de abril de 1984, pela ausência de parlamentares e voto contrário de deputados do PDS, deixaria entrever situações bastante sui generis para os milhões de brasileiros que, nas capitais estaduais e municípios por todo o país, empenharam-se na luta pela aprovação da emenda que restabeleceria o direito de eleger o presidente da República ainda naquele ano. A eleição para a presidência estava programada, mas seria realizada de modo indireto, através de Colégio Eleitoral. Para que o pleito transcorresse pelo voto popular, ou seja, de forma direta, era necessária a aprovação da emenda constitucional proposta pelo deputado Dante de Oliveira (PMDB – MT). A última eleição direta para presidente fora em 1960. A cor amarela simbolizava a campanha iniciada em 1983. Após duas décadas de intimidação pela repressão, o movimento das Diretas Já ressuscitava a esperança e a coragem da população. A reivindicação sinalizava mudanças não só políticas, mas econômicas e sociais. Dois comícios marcariam o processo: na Candelária, no Rio de Janeiro, em 10 de abril, com um milhão de presentes e, em São Paulo, dia 16, aos gritos de “Diretas Já!”, mais de 1,5 milhão de pessoas lota o Vale do Anhangabaú, na capital paulista. Em Salvador, ocorrera em janeiro com 15 mil pessoas na praça Castro Alves. Entre as figuras de destaque do movimento, o deputado Ulysses Guimarães (PMDB-SP) chegou a ser apelidado de “o Senhor Diretas”. Outros nomes emblemáticos foram a cantora Fafá de Belém (pela interpretação magistral do Hino Nacional) e o apresentador Osmar Santos. Leia texto sobre o comício no Anhangabaú Na noite de 25 de abril de 1984, o Congresso Nacional se reúne para votar a emenda que tornaria possível a eleição direta ainda naquele ano. A população não pode acompanhar a votação dentro do plenário. Temendo manifestações, o governo João Baptista Figueiredo reforça a segurança ao redor do Congresso Nacional. Tanques, metralhadoras e muitos homens deixavam claro que a proposta não interessava ao regime. A expectativa era grande. Mas os 298 votos favoráveis seriam “subtraídos” por 112 deputados que não compareceram e frente aos apenas 65 contrários e três abstenções. Para a aprovação da emenda eram necessários 2/3 a favor ou 320 votos. Uma derrota por 22 votos. As estruturas psíquicas de uma nação são capazes de resistir a golpes bem mais duros. Sobrevivem durante muitos anos, mesmo depois de mudanças infraestruturais profundas. Trata-se de uma agonia lenta para a qual não existe golpe de misericórdia capaz de destruí-las. Preservam-se, ainda que nos mais obscuros recantos do inconsciente coletivo. Fortes o suficiente para enfrentar ou empreender revoluções sociais e combater privilégios voltados a atender interesses de grupos, contra a maioria da população brasileira. &#160; A nacionalidade é uma vinculação existencial inevitável. Não se trata de um ardil ou um álibi. Como hoje, obscuros legisladores nos leva(va)m de roldão – e então, já durante 20 anos após o golpe de 64 – sem se darem conta de que o desejo dos novos oráculos – aos milhões agora – são imediatos e práticos. A solidariedade (mais correto afirmar a cumplicidade) estabelecida em busca de eleições Diretas Já, se traduziria no plano da sublimação por um busca comum de novos valores. A luta, não só continua. Ela é contínua. Derrotava-se uma emenda, mas não a consciência do eleitor. Vale lembrar o quanto as ações de entidades, organizações e comunidades, através de comitês organizados por todo o país, surpreenderam pela decidida forma com que compareceram aos eventos programados a favor da causa legítima, o direito de cada cidadão votar para eleger o seu mandatário máximo. O certo é que ali se tornou impossível aos que detinham o poder manter o povo brasileiro sob a acusação de subversão e à imposição de tirânicas leis de segurança e emergência, em meio a uma economia que asfixiava a todos os setores, indistintamente. O pleito seria consumado em janeiro de 1985 no colégio eleitoral. Tancredo Neves (PMDB) derrotaria Paulo Maluf (PDS) e um novo pesadelo atravessaria a noite no Brasil, mas aí já é outro capítulo da história. Matéria da TV Brasil sobre a rejeição da emenda das Diretas Já!: &#160; Henfil e as Diretas JÁ!]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A rejeição da emenda Dante de Oliveira, no início da madrugada de 26 de abril de 1984, pela ausência de parlamentares e voto contrário de deputados do PDS, deixaria entrever situações bastante <i>sui generis</i> para os milhões de brasileiros que, nas capitais estaduais e municípios por todo o país, empenharam-se na luta pela aprovação da emenda que restabeleceria o direito de eleger o presidente da República ainda naquele ano.</p>
<p>A eleição para a presidência estava programada, mas seria realizada de modo indireto, através de Colégio Eleitoral. Para que o pleito transcorresse pelo voto popular, ou seja, de forma direta, era necessária a aprovação da emenda constitucional proposta pelo deputado Dante de Oliveira (PMDB – MT). A última eleição direta para presidente fora em 1960.</p>
<figure id="attachment_2113" aria-describedby="caption-attachment-2113" style="width: 650px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2014/04/25-de-abril-Diretas-já-congresso-nacional-foto-1.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-2113" src="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2014/04/25-de-abril-Diretas-já-congresso-nacional-foto-1-1024x658.jpg" alt="25 de abril Diretas já congresso nacional foto 1" width="650" height="417" /></a><figcaption id="caption-attachment-2113" class="wp-caption-text">Galeria do Congresso lotada por manifestantes no dia da rejeição da emendas das Diretas Já (fonte: Célio Azevedo &#8211; site Fotos Públicas)</figcaption></figure>
<p>A cor amarela simbolizava a campanha iniciada em 1983. Após duas décadas de intimidação pela repressão, o movimento das Diretas Já ressuscitava a esperança e a coragem da população. A reivindicação sinalizava mudanças não só políticas, mas econômicas e sociais.</p>
<p>Dois comícios marcariam o processo: na Candelária, no Rio de Janeiro, em 10 de abril, com um milhão de presentes e, em São Paulo, dia 16, aos gritos de “Diretas Já!”, mais de 1,5 milhão de pessoas lota o Vale do Anhangabaú, na capital paulista. Em Salvador, ocorrera em janeiro com 15 mil pessoas na praça Castro Alves. Entre as figuras de destaque do movimento, o deputado Ulysses Guimarães (PMDB-SP) chegou a ser apelidado de “o Senhor Diretas”. Outros nomes emblemáticos foram a cantora Fafá de Belém (pela interpretação magistral do Hino Nacional) e o apresentador Osmar Santos.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: right;" align="right"><a href="http://zonacurva.com.br/o-brasil-desperta-movimento-das-diretas-ja/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><b><span style="text-decoration: underline;">Leia texto sobre o comício no Anhangabaú</span></b></a></p>
</blockquote>
<p style="text-align: left;" align="right">Na noite de 25 de abril de 1984, o Congresso Nacional se reúne para votar a emenda que tornaria possível a eleição direta ainda naquele ano. A população não pode acompanhar a votação dentro do plenário. Temendo manifestações, o governo João Baptista Figueiredo reforça a segurança ao redor do Congresso Nacional. Tanques, metralhadoras e muitos homens deixavam claro que a proposta não interessava ao regime.</p>
<p>A expectativa era grande. Mas os 298 votos favoráveis seriam “subtraídos” por 112 deputados que não compareceram e frente aos apenas 65 contrários e três abstenções. Para a aprovação da emenda eram necessários 2/3 a favor ou 320 votos. Uma derrota por 22 votos.</p>
<p>As estruturas psíquicas de uma nação são capazes de resistir a golpes bem mais duros. Sobrevivem durante muitos anos, mesmo depois de mudanças infraestruturais profundas. Trata-se de uma agonia lenta para a qual não existe golpe de misericórdia capaz de destruí-las. Preservam-se, ainda que nos mais obscuros recantos do inconsciente coletivo. Fortes o suficiente para enfrentar ou empreender revoluções sociais e combater privilégios voltados a atender interesses de grupos, contra a maioria da população brasileira.</p>
<p>&nbsp;</p>
<figure id="attachment_2114" aria-describedby="caption-attachment-2114" style="width: 600px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2014/04/25-de-abril-congresso-nacional-1984-diretas-já-foto-2.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-2114" src="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2014/04/25-de-abril-congresso-nacional-1984-diretas-já-foto-2.jpg" alt="25 de abril congresso nacional 1984 diretas já foto 2" width="600" height="350" /></a><figcaption id="caption-attachment-2114" class="wp-caption-text">O povo ocupa o entorno do Congresso Nacional (fonte da foto: blog Osensato)</figcaption></figure>
<p>A nacionalidade é uma vinculação existencial inevitável. Não se trata de um ardil ou um álibi. Como hoje, obscuros legisladores nos leva(va)m de roldão – e então, já durante 20 anos após o golpe de 64 – sem se darem conta de que o desejo dos novos oráculos – aos milhões agora – são imediatos e práticos. A solidariedade (mais correto afirmar a cumplicidade) estabelecida em busca de eleições Diretas Já, se traduziria no plano da sublimação por um busca comum de novos valores. A luta, não só continua. Ela é contínua. Derrotava-se uma emenda, mas não a consciência do eleitor.</p>
<p>Vale lembrar o quanto as ações de entidades, organizações e comunidades, através de comitês organizados por todo o país, surpreenderam pela decidida forma com que compareceram aos eventos programados a favor da causa legítima, o direito de cada cidadão votar para eleger o seu mandatário máximo. O certo é que ali se tornou impossível aos que detinham o poder manter o povo brasileiro sob a acusação de subversão e à imposição de tirânicas leis de segurança e emergência, em meio a uma economia que asfixiava a todos os setores, indistintamente. O pleito seria consumado em janeiro de 1985 no colégio eleitoral. Tancredo Neves (PMDB) derrotaria Paulo Maluf (PDS) e um novo pesadelo atravessaria a noite no Brasil, mas aí já é outro capítulo da história.</p>
<p>Matéria da TV Brasil sobre a rejeição da emenda das Diretas Já!:</p>
<div class="ast-oembed-container " style="height: 100%;"><iframe title="Série sobre as Diretas Já relembra votação da Emenda Dante de Oliveira -" width="1200" height="675" src="https://www.youtube.com/embed/JkwJBUJWizk?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe></div>
<p>&nbsp;</p>
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="fAPzvnIRyT"><p><a href="https://zonacurva.com.br/henfil-e-diretas-ja/">Henfil e as Diretas JÁ!</a></p></blockquote>
<p><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;Henfil e as Diretas JÁ!&#8221; &#8212; Zona Curva" src="https://zonacurva.com.br/henfil-e-diretas-ja/embed/#?secret=F2hUSakEAi#?secret=fAPzvnIRyT" data-secret="fAPzvnIRyT" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://zonacurva.com.br/derrota-da-emenda-das-diretas-ja-amplia-consciencia/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Rubem Fonseca e o silêncio que não apaga o passado</title>
		<link>https://zonacurva.com.br/rubem-fonseca-e-o-silencio-que-nao-apaga-o-passado/</link>
					<comments>https://zonacurva.com.br/rubem-fonseca-e-o-silencio-que-nao-apaga-o-passado/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Zonacurva]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 25 Apr 2014 12:30:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ditadura nunca mais]]></category>
		<category><![CDATA[50 anos do golpe militar]]></category>
		<category><![CDATA[ditadura militar]]></category>
		<category><![CDATA[golpe de 64]]></category>
		<category><![CDATA[Rubem Fonseca]]></category>
		<category><![CDATA[rubem fonseca autobiografia]]></category>
		<category><![CDATA[rubem fonseca ditadura militar]]></category>
		<category><![CDATA[rubem fonseca escritor]]></category>
		<category><![CDATA[rubem fonseca golbery do couto e silva]]></category>
		<category><![CDATA[rubem fonseca IPES]]></category>
		<category><![CDATA[rubem fonseca política]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://zonacurva.com.br/?p=2095</guid>

					<description><![CDATA[Como o escritor Rubem Fonseca sente verdadeira ojeriza por entrevistas, sempre pairou a desconfiança de que a causa dessa aversão advém da tentativa de esconder seu convívio nos anos 60 com algumas figuras de destaque da ditadura militar. Fonseca participou da direção do IPÊS (Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais), que organizou a base ideológica para o golpe de 64, e foi próximo do general Golbery do Couto e Silva, uma espécie de eminência parda do regime de exceção. Em entrevista a revista Bravo! em 2009, o jurista Candido Mendes declarou: &#8220;Eu me lembro do fascínio do general Golbery com o José Rubem&#8230; Ele admirava o José Rubem por sua capacidade, sua implacabilidade de raciocínio&#8221;. Através de Golbery, Fonseca conheceu seu primeiro editor, o ex-camisa verde (apelido dos integralistas), Gumercindo Rocha Dorea, diretor da Editora GRD, que publicou os dois primeiros livros de Rubem: Os Prisioneiros (1963) e Coleira do Cão (1965). Não é possível mais defender o silêncio do escritor que, sem dúvida, teve papel primordial na literatura brasileira das últimas décadas, como apenas uma característica de sua personalidade. Alguns até comparam o silêncio de Rubem ao de outro escritor que também influenciou toda uma geração de escribas, o vampiro de Curitiba Dalton Trevisan, que também rechaça qualquer investida da imprensa. No caso de Trevisan, talvez aí sim seja uma característica pessoal como até indica seu apelido. Já Rubem, nos últimos anos, tem falado e mostrado sua verve em eventos tanto no exterior como em algumas ainda raras ocasiões no país. Assista aos dois vídeos de aparições públicas do escritor no texto Zonacurva sobre seu último livro, Amálgama. Rubem Fonseca no IPÊS O IPÊS (Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais) surgiu em novembro de 1961, apenas dois meses após a renúncia de Jânio Quadros, pelas mãos de Golbery e Figueiredo, entre outros militares, empresários e políticos. O instituto apresentava-se como uma &#8220;agremiação apartidária com objetivos essencialmente educacionais e cívicos e orientado por dirigentes de empresas que participam com convicção democrática e como patriotas&#8221;. De acordo com o historiador uruguaio René Armand Dreifuss em seu livro 1964: a conquista do Estado, Ação Política, Poder e Golpe de Classe, Rubem Fonseca teve como sua principal função no IPÊS a de supervisionar a unificação ideológica e editorial dos materiais de divulgação do instituto. Ao seu lado, trabalhavam o poeta e jornalista Odylo Costa Filho, a escritora Raquel de Queiroz e o jornalista Wilson Figueiredo. O material produzido pelo IPÊS, em especial seus curtos filmes que eram exibidos em cinemas e na televisão, foi um dos responsáveis por criar um clima de pânico, principalmente entre a classe média, do &#8220;verdadeiro descalabro que ameaçava nossa democracia&#8220;. Em conjunto com o IPÊS, atuava o IBAD (Instituto Brasileiro de Ação Democrática) que também reunia em seus quadros intelectuais orgânicos que representavam os interesses do grande empresariado e, em especial, do capital norte-americano. Podemos dizer que ambos constituíram uma verdadeira organização composta por intelectuais, empresários e militares em defesa dos interesses da elite brasileira e seus aliados. Segundo o livro A ditadura envergonhada, do jornalista Elio Gaspari, o IPÊS funcionava no 27º andar do moderno edifício Avenida Central, no centro da capital fluminense. Em incrível coincidência, por lá também atuava o escritório da agência de notícias cubana Prensa Latina. O  democrático prédio ainda abrigava duas bases de operações clandestinas: uma do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e outra de radicais de direita. O documentário O dia que durou 21 anos, de Camilo Tavares, lançado no ano passado, coloca de forma muito clara a participação dos Estados Unidos na criação do IBAD e do IPÊS. Lincoln Gordon, embaixador norte-americano no Brasil no período pré-golpe, aconselha o presidente John Kennedy a ajudar com alguns milhões de dólares os institutos. Kennedy questiona se isso seria realmente necessário. Gordon é categórico: &#8220;nós não podemos correr riscos&#8221;. Plínio de Arruda Sampaio, deputado federal no período que precedeu o golpe, lembra no filme que foi procurado por uma pessoa ligada ao IPÊS, que lhe ofereceu certa quantia para que ele defendesse a democracia, Plínio refutou: &#8220;mas eu já defendo a democracia, para isso, não preciso de dinheiro&#8221;. Leia texto sobre o documentário O dia que durou 21 anos A jornalista Regina Coelho abordou a relação de Rubem Fonseca com o IPÊS na matéria O homem em questão publicada no jornal Correio da Manhã no final dos anos 60. O telefonema da jornalista irritou Rubem Fonseca, que se negou a responder qualquer pergunta. O papo acabou se tornando um áspero diálogo entre os dois: “Se você entrevistasse o Carlos Drummond de Andrade seria importante o que ele faz ou o que ele é&#8221;. Regina Coelho rebate: &#8220;segundo Sartre, o homem é aquilo que ele faz&#8221;. &#8220;E nós somos esta espécie de conjunto desorganizado em termos de função na vida, não tenho nada a dizer”. Silêncio. Regina pergunta: “Isto vai atrapalhar o seu trabalho?” &#8220;Claro que vai, mas profissionalmente a gente se vira, não precisa ficar com complexo de culpa, bem, você estragou o meu dia, não quero ser rude, não devia ter atendido o telefone, interprete como quiser, arranje outro entrevistado”.  Em 1994, José Rubem publicou um artigo no jornal Folha de São Paulo em que afirma que sua participação no IPÊS foi uma decorrência de sua atividade empresarial como executivo da Light e nega ter colaborado com a ditadura. Leia trecho: &#8220;No ato de fundação do IPÊS a Assembleia Geral me escolheu como um dos diretores do Instituto. Toda a direção era composta de empresários que continuavam trabalhando em suas companhias e não recebiam remuneração pela sua colaboração. À medida em que crescia a rejeição ao governo João Goulart na classe média, em setores empresariais, eclesiásticos, militares e também na mídia, no IPÊS se desenvolveram duas tendências. Uma, fiel aos princípios que haviam inspirado a fundação do Instituto, manteve-se favorável a que as reformas de base por ele defendidas fossem implantadas através de ampla discussão com a sociedade civil, o governo e o parlamento; a outra passou a julgar a derrubada do governo João Goulart como única solução para os problemas]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Como o escritor Rubem Fonseca sente verdadeira ojeriza por entrevistas, sempre pairou a desconfiança de que a causa dessa aversão advém da tentativa de esconder seu convívio nos anos 60 com algumas figuras de destaque da ditadura militar. Fonseca participou da direção do IPÊS (Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais), que organizou a base ideológica para o golpe de 64, e foi próximo do general Golbery do Couto e Silva, uma espécie de eminência parda do regime de exceção.</p>
<p>Em entrevista a revista Bravo! em 2009, o jurista Candido Mendes declarou: &#8220;Eu me lembro do fascínio do general Golbery com o José Rubem&#8230; Ele admirava o José Rubem por sua capacidade, sua implacabilidade de raciocínio&#8221;. Através de Golbery, Fonseca conheceu seu primeiro editor, o ex-camisa verde (apelido dos integralistas), Gumercindo Rocha Dorea, diretor da Editora GRD, que publicou os dois primeiros livros de Rubem: Os Prisioneiros (1963) e Coleira do Cão (1965).</p>
<figure id="attachment_2097" aria-describedby="caption-attachment-2097" style="width: 540px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2014/04/24de-abril-Rubem-Fonseca-fonte-blog-Monte-de-Leituras-no-final-dos-anos-70-1.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-2097" src="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2014/04/24de-abril-Rubem-Fonseca-fonte-blog-Monte-de-Leituras-no-final-dos-anos-70-1.jpg" alt="24 de abril Rubem Fonseca (fonte blog Monte de Leituras) no final dos anos 70 (1)" width="540" height="210" /></a><figcaption id="caption-attachment-2097" class="wp-caption-text">Rubem Fonseca, em foto no final dos anos 70, era admirado pelo general Golbery (fonte: blog Monte de Leituras)</figcaption></figure>
<p>Não é possível mais defender o silêncio do escritor que, sem dúvida, teve papel primordial na literatura brasileira das últimas décadas, como apenas uma característica de sua personalidade. Alguns até comparam o silêncio de Rubem ao de outro escritor que também influenciou toda uma geração de escribas, o vampiro de Curitiba Dalton Trevisan, que também rechaça qualquer investida da imprensa. No caso de Trevisan, talvez aí sim seja uma característica pessoal como até indica seu apelido. Já Rubem, nos últimos anos, tem falado e mostrado sua verve em eventos tanto no exterior como em algumas ainda raras ocasiões no país. Assista aos dois vídeos de aparições públicas do escritor no <span style="text-decoration: underline;"><a href="http://zonacurva.com.br/a-volta-de-rubem-fonseca-ao-mundo-embrutecido/" target="_blank" rel="noopener">texto Zonacurva sobre seu último livro, Amálgama</a>.</span></p>
<figure id="attachment_2099" aria-describedby="caption-attachment-2099" style="width: 500px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2014/04/24de-abril-Rubem-Fonseca-fonte-blog-Monte-de-Leituras-no-final-dos-anos-70-2.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-2099" src="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2014/04/24de-abril-Rubem-Fonseca-fonte-blog-Monte-de-Leituras-no-final-dos-anos-70-2.jpg" alt="24 de abril Rubem Fonseca (fonte blog Monte de Leituras) no final dos anos 70 (2)" width="500" height="375" /></a><figcaption id="caption-attachment-2099" class="wp-caption-text">O general Golbery foi um dos fundadores do IPÊS (fonte: Anibal Philot/ O Globo)</figcaption></figure>
<p>Rubem Fonseca no IPÊS</p>
<p>O IPÊS (Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais) surgiu em novembro de 1961, apenas dois meses após a renúncia de Jânio Quadros, pelas mãos de Golbery e Figueiredo, entre outros militares, empresários e políticos.</p>
<p>O instituto apresentava-se como uma &#8220;agremiação apartidária com objetivos essencialmente educacionais e cívicos e orientado por dirigentes de empresas que participam com convicção democrática e como patriotas&#8221;.</p>
<p>De acordo com o historiador uruguaio René Armand Dreifuss em seu livro <i>1964: a conquista do Estado, Ação Política, Poder e Golpe de Classe</i>, Rubem Fonseca teve como sua principal função no IPÊS a de supervisionar a unificação ideológica e editorial dos materiais de divulgação do instituto. Ao seu lado, trabalhavam o poeta e jornalista Odylo Costa Filho, a escritora Raquel de Queiroz e o jornalista Wilson Figueiredo.</p>
<p>O material produzido pelo IPÊS, em especial seus curtos filmes que eram exibidos em cinemas e na televisão, foi um dos responsáveis por criar um clima de pânico, principalmente entre a classe média, do &#8220;verdadeiro descalabro que ameaçava nossa <i>democracia</i>&#8220;. Em conjunto com o IPÊS, atuava o IBAD (Instituto Brasileiro de Ação Democrática) que também reunia em seus quadros intelectuais orgânicos que representavam os interesses do grande empresariado e, em especial, do capital norte-americano. Podemos dizer que ambos constituíram uma verdadeira organização composta por intelectuais, empresários e militares em defesa dos interesses da elite brasileira e seus aliados.</p>
<p>Segundo o livro <i>A ditadura envergonhada</i>, do jornalista Elio Gaspari, o IPÊS funcionava no 27º andar do moderno edifício Avenida Central, no centro da capital fluminense. Em incrível coincidência, por lá também atuava o escritório da agência de notícias cubana Prensa Latina. O  democrático prédio ainda abrigava duas bases de operações clandestinas: uma do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e outra de radicais de direita.</p>
<figure id="attachment_2100" aria-describedby="caption-attachment-2100" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2014/04/24-de-abril-Rubem-Fonseca-ditadura-militar-foto-3.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-2100" src="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2014/04/24-de-abril-Rubem-Fonseca-ditadura-militar-foto-3.jpg" alt="24 de abril Rubem Fonseca ditadura militar foto 3" width="620" height="420" /></a><figcaption id="caption-attachment-2100" class="wp-caption-text">Rubem Fonseca trabalhou na comunicação do IPÊS (fonte: agência Estado)</figcaption></figure>
<p>O documentário <i>O dia que durou 21 anos</i>, de Camilo Tavares, lançado no ano passado, coloca de forma muito clara a participação dos Estados Unidos na criação do IBAD e do IPÊS. Lincoln Gordon, embaixador norte-americano no Brasil no período pré-golpe, aconselha o presidente John Kennedy a ajudar com alguns milhões de dólares os institutos. Kennedy questiona se isso seria realmente necessário. Gordon é categórico: &#8220;nós não podemos correr riscos&#8221;.</p>
<p>Plínio de Arruda Sampaio, deputado federal no período que precedeu o golpe, lembra no filme que foi procurado por uma pessoa ligada ao IPÊS, que lhe ofereceu certa quantia para que ele defendesse a democracia, Plínio refutou: &#8220;mas eu já defendo a democracia, para isso, não preciso de dinheiro&#8221;.</p>
<p align="right"><a href="http://www.zonacurva.com.br/e-se-nao-existissem-as-aulas-de-educacao-moral-e-civica/"><b><span style="text-decoration: underline;">Leia texto sobre o documentário <i>O dia que durou 21 anos</i></span></b></a></p>
<p>A jornalista Regina Coelho abordou a relação de Rubem Fonseca com o IPÊS na matéria <i>O homem em questão</i> publicada no jornal Correio da Manhã no final dos anos 60. O telefonema da jornalista irritou Rubem Fonseca, que se negou a responder qualquer pergunta. O papo acabou se tornando um áspero diálogo entre os dois:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: right;" align="right"><b>“Se você entrevistasse </b><b>o Carlos Drummond de Andrade seria importante o</b><b> que ele faz ou </b><b>o que ele é&#8221;. Regina Coelho rebate: &#8220;segundo Sartre, o homem é aquilo que ele faz&#8221;. &#8220;E nós somos esta </b><b>espécie de conjunto desorganizado em termos de função na vida, não tenho </b><b>nada a dizer”. Silêncio. Regina pergunta: “Isto vai atrapalhar o seu trabalho?” </b><b>&#8220;Claro que vai, mas profissionalmente a gente se vira, não precisa ficar com complexo de culpa, bem, você estragou o meu dia, não quero ser rude, não devia </b><b>ter atendido o telefone, interprete como quiser, arranje outro entrevistado”.</b></p>
</blockquote>
<p style="text-align: left;"> Em 1994, José Rubem publicou um artigo no jornal Folha de São Paulo em que afirma que sua participação no IPÊS foi uma decorrência de sua atividade empresarial como executivo da Light e nega ter colaborado com a ditadura. Leia trecho:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: right;"><b>&#8220;No ato de fundação do IPÊS a Assembleia Geral me escolheu como um dos diretores do Instituto. Toda a direção era composta de empresários que continuavam trabalhando em suas companhias e não recebiam remuneração pela sua colaboração.</b><b></b></p>
<p style="text-align: right;"><b>À medida em que crescia a rejeição ao governo João Goulart na classe média, em setores empresariais, eclesiásticos, militares e também na mídia, no IPÊS se desenvolveram duas tendências. Uma, fiel aos princípios que haviam inspirado a fundação do Instituto, manteve-se favorável a que as reformas de base por ele defendidas fossem implantadas através de ampla discussão com a sociedade civil, o governo e o parlamento; a outra passou a julgar a derrubada do governo João Goulart como única solução para os problemas políticos, econômicos e sociais que o país enfrentava.</b></p>
<p style="text-align: right;"><b>A eclosão do movimento militar solucionou, no que me concernia, a controvérsia existente entre as duas tendências dentro do Instituto. Eu afastei-me completamente do IPÊS e nunca me aproximei do novo governo, nem daqueles que o sucederam. Não era, como homem de empresa, nem sou agora, como escritor, favorável à ruptura da ordem constitucional em nosso país através de revoluções ou golpes de estado, militares ou civis.&#8221;</b><b></b></p>
</blockquote>
<p>Alguns documentos rebatem a afirmação de que o escritor abandonou o IPÊS após o golpe militar em 1964. É certo que, em 1965, há uma carta de um líder do instituto lamentando a exoneração de Fonseca de suas funções da diretoria. Mas, em 1968, outro documento atesta sua recondução como conselheiro da instituição. Recibos encontrados nos arquivos do IPÊS provam a contribuição financeira de Rubem Fonseca até 1970.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: right;">
</blockquote>
<p><b>Antes da literatura, o executivo Rubem Fonseca</b></p>
<p>Muitos anos antes de publicar seu primeiro livro, Rubem Fonseca entrou para a Academia de Polícia em 1949 após formar-se em direito. Foi considerado um dos melhores alunos. Depois de uma curta carreira na polícia, o escritor passou a trabalhar como executivo da área de comunicação na iniciativa privada por volta de 1955.</p>
<p>O ápice de sua carreira como executivo foi na empresa Light, empresa de capital canadense concessionária da produção e distribuição de energia elétrica no Rio de Janeiro e em São Paulo. Entre 1965 e 1974, a Light teve no seu comando o empresário Antonio Gallotti. De origem italiana e notório anticomunista, Gallotti também atuou na fundação do IPÊS.</p>
<p>O livro de Elio Gaspari narra uma história curiosa que mostra a proximidade de Gallotti com a cúpula militar. Presença constante das rodas de pôquer do inveterado apostador Costa e Silva (antes deste se tornar o segundo ditador do regime de exceção), Gallotti recebeu um cheque de Costa e Silva e temia que se descontasse o cheque, ofenderia o militar. O contrário já tinha acontecido e o general correu para a boca do caixa. Gallotti resolveu perguntar para outro empresário próximo aos militares, o empreiteiro Jadir Gomes de Souza, que organizara a jogatina, se não seria melhor a devolução do cheque a Costa e Silva. Após a conversa, Gallotti decidiu não testar o <i>fair play</i> de Costa e Silva e a quantia não foi descontada.</p>
<p>O irônico é que nem os amigos influentes de Rubem Fonseca conseguiram barrar a proibição de seu livro Feliz Ano Novo, censurado em 1976. O ministro da Justiça, Armando Falcão, autor do despacho que determinou a proibição da coletânea de contos, disse que nem precisou ler o livro todo para pedir sua interdição. Segundo ele, bastou encontrar alguns palavrões no início da leitura para tomar sua decisão. A batalha judicial para a liberação do livro durou até 1989.</p>
<p>Nota do autor deste texto:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: right;"><b>&#8220;O que me levou a investigar as relações políticas e empresariais de Rubem Fonseca foi a minha profunda admiração por seus livros. Sempre me intrigou suas relações com o grupo opositor de Jango. É possível a divisão entre a fruição estética de uma obra e os descaminhos políticos (na minha concepção) de determinado artista<b>? </b> A obra artística está acima, ao lado ou abaixo da política? É mais fácil praticar uma obra dentro dos ditames da esquerda ou da direita? Acredito que são perguntas de difícil resposta que me acompanharam na produção deste texto.&#8221; </b></p>
</blockquote>
<p style="text-align: left;" align="right"><b></b><b style="line-height: 1.5em;">Fontes usadas:</b><span style="line-height: 1.5em;"> revista &#8216;Terceira Margem &#8211; Dossiê Rubem Fonseca&#8217; do programa de pós-graduação em Comunicação  da UFRJ, livro &#8216;A Ditadura envergonhada&#8217;, de Elio Gaspari, revista Bravo! e jornal Folha de São Paulo.</span></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://zonacurva.com.br/rubem-fonseca-e-o-silencio-que-nao-apaga-o-passado/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>18</slash:comments>
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
