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	<title>João Goulart &#8211; Zona Curva</title>
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	<title>João Goulart &#8211; Zona Curva</title>
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		<title>A democracia em risco</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Frei Betto]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 Mar 2023 17:25:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ditadura nunca mais]]></category>
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					<description><![CDATA[Democracia &#8211; Não nos iludamos de novo: nossa frágil democracia continua em risco. Recordo do governo João Goulart e suas propostas de reformas de base, ao início da década de 1960. As Ligas Camponeses levantavam os nordestinos. Os sindicatos defendiam com ardor os direitos adquiridos no período Vargas. A UNE era temida por seu poder de mobilização da juventude. Era óbvia a inquietação da elite brasileira. Passou a conspirar articulada no IBAD, no IPES e outras organizações, até eclodir nas Marchas da Família com Deus pela Liberdade. Contudo, o Partido Comunista Brasileiro tranquilizava os que sentiam cheiro de quartelada – acreditava-se que Jango se apoiava num esquema militar nacionalista. E, no entanto, em março de 1964 veio o golpe militar. Jango foi derrubado, a Constituição, rasgada; as instituições democráticas, silenciadas; e Castelo Branco empossado sem que os golpistas disparassem um único tiro. Onde andavam “as massas” comprometidas com a defesa da democracia? Conheço bem o estamento militar. Sou de família castrense pelo lado paterno. Bisavô almirante, avô coronel, dois tios generais e pai juiz do tribunal militar (felizmente se aposentou à raiz do golpe). Essa gente vive em um mundo à parte. Sai de casa, mas não da caserna. Frequenta os mesmos clubes (militares), os mesmos restaurantes, as mesmas igrejas. Muitos se julgam superiores aos civis, embora nada produzam. Têm por paradigma as Forças Armadas nos EUA e, por ideologia, um ferrenho anticomunismo. Por isso, não respeitam o limite da Constituição, que lhes atribui a responsabilidade de defender a pátria de inimigos externos. Preocupam-se mais com os “inimigos internos”, os comunistas. Embora a União Soviética tenha se desintegrado; o Muro de Berlim, desabado; a China, capitalizada; tudo que soa como pensamento crítico é suspeito de comunismo. Isso porque nas fileiras militares reina a mais despótica disciplina, não se admite senso crítico, e a autoridade encarna a verdade. O Brasil cometeu o erro de não apurar os crimes da ditadura militar e punir com rigor os culpados de torturas, sequestros, desaparecimentos, assassinatos e atentados terroristas, ao contrário do que fizeram nossos vizinhos Uruguai, Argentina e Chile. Assistam ao filme “Argentina,1985”, estrelado por Ricardo Darín e dirigido por Santiago Mitre. Ali está o que deveríamos ter feito. O resultado dessa grave omissão, carimbada de “anistia recíproca”, é essa impunidade e imunidade que desaguou no deletério governo Bolsonaro. Não concordo com a opinião de que só nos últimos anos a direita brasileira “saiu do armário”. Sem regredir ao período colonial, com mais de três séculos de escravatura e a dizimação de indígenas e da população paraguaia numa guerra injusta, há que recordar a ditadura de Vargas, o Estado Novo, o Integralismo, a TFP e o golpe de 1964. O altissonante silêncio dos militares perante os atos terroristas perpetrados por golpistas a 8 de janeiro deve nos fazer refletir. Cumplicidade não se consuma apenas pela ação; também por omissão. Mas não faltaram ações, como os acampamentos acobertados pelos comandos militares em torno dos quartéis e a atitude do coronel da guarda presidencial que abriu as portas do Planalto aos vândalos e ainda recriminou os policiais militares que pretendiam contê-los. “O preço da liberdade é a eterna vigilância”, reza o aforismo que escuto desde a infância. Nós, defensores da democracia, não podemos baixar a guarda. O bolsonarismo disseminou uma cultura necrófila inflada de ódio que não dará trégua à democracia e ao governo Lula. Nossa reação não deve ser responder com as mesmas moedas ou resguardar-nos no medo. Cabe-nos a tarefa de fortalecer a democracia, em especial os movimentos populares e sindicais, as pautas identitárias, a defesa da Constituição e das instituições, impedindo que as viúvas da ditadura tentem ressuscitá-la. O passado ainda não passou. A memória jamais haverá de sepultá-lo. Só quem pode fazê-lo é a Justiça. Ditadura Nunca Mais com Urariano Mota Breve crítica da democracia louvada Sobre a democracia e o voto Não há meia democracia Frei Betto: &#8220;É uma ilusão e um engano achar que a ditadura foi melhor&#8221;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Democracia &#8211; Não nos iludamos de novo: nossa frágil democracia continua em risco. Recordo do governo João Goulart e suas propostas de reformas de base, ao início da década de 1960. As Ligas Camponeses levantavam os nordestinos. Os sindicatos defendiam com ardor os direitos adquiridos no período Vargas. A UNE era temida por seu poder de mobilização da juventude.</p>
<p>Era óbvia a inquietação da elite brasileira. Passou a conspirar articulada no IBAD, no IPES e outras organizações, até eclodir nas Marchas da Família com Deus pela Liberdade. Contudo, o Partido Comunista Brasileiro tranquilizava os que sentiam cheiro de quartelada – acreditava-se que Jango se apoiava num esquema militar nacionalista. E, no entanto, em março de 1964 veio o golpe militar. Jango foi derrubado, a Constituição, rasgada; as instituições democráticas, silenciadas; e Castelo Branco empossado sem que os golpistas disparassem um único tiro. Onde andavam “as massas” comprometidas com a defesa da democracia?</p>
<p>Conheço bem o estamento militar. Sou de família castrense pelo lado paterno. Bisavô almirante, avô coronel, dois tios generais e pai juiz do tribunal militar (felizmente se aposentou à raiz do golpe).</p>
<p>Essa gente vive em um mundo à parte. Sai de casa, mas não da caserna. Frequenta os mesmos clubes (militares), os mesmos restaurantes, as mesmas igrejas. Muitos se julgam superiores aos civis, embora nada produzam. Têm por paradigma as Forças Armadas nos EUA e, por ideologia, um ferrenho anticomunismo. Por isso, não respeitam o limite da Constituição, que lhes atribui a responsabilidade de defender a pátria de inimigos externos. Preocupam-se mais com os “inimigos internos”, os comunistas.</p>
<p>Embora a União Soviética tenha se desintegrado; o Muro de Berlim, desabado; a China, capitalizada; tudo que soa como pensamento crítico é suspeito de comunismo. Isso porque nas fileiras militares reina a mais despótica disciplina, não se admite senso crítico, e a autoridade encarna a verdade.</p>
<p>O Brasil cometeu o erro de não apurar os crimes da ditadura militar e punir com rigor os culpados de torturas, sequestros, desaparecimentos, assassinatos e atentados terroristas, ao contrário do que fizeram nossos vizinhos Uruguai, Argentina e Chile. Assistam ao filme “Argentina,1985”, estrelado por Ricardo Darín e dirigido por Santiago Mitre. Ali está o que deveríamos ter feito. O resultado dessa grave omissão, carimbada de “anistia recíproca”, é essa impunidade e imunidade que desaguou no deletério governo Bolsonaro.</p>
<figure id="attachment_13702" aria-describedby="caption-attachment-13702" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-13702 size-full" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/wp-content/uploads/2023/02/87b60ad5a99af0785d3b49eb54c9820b-e1500903306444.jpg" alt="Democracia em risco protesto" width="1200" height="803" /><figcaption id="caption-attachment-13702" class="wp-caption-text">&#8220;Nossa frágil democracia continua em risco&#8221; (Reprodução: Fernando Frazão / Agência Brasil)</figcaption></figure>
<p>Não concordo com a opinião de que só nos últimos anos a direita brasileira “saiu do armário”. Sem regredir ao período colonial, com mais de três séculos de escravatura e a dizimação de indígenas e da população paraguaia numa guerra injusta, há que recordar a ditadura de Vargas, o Estado Novo, o Integralismo, a TFP e o golpe de 1964.</p>
<p>O altissonante silêncio dos militares perante os atos terroristas perpetrados por golpistas a 8 de janeiro deve nos fazer refletir. Cumplicidade não se consuma apenas pela ação; também por omissão. Mas não faltaram ações, como os acampamentos acobertados pelos comandos militares em torno dos quartéis e a atitude do coronel da guarda presidencial que abriu as portas do Planalto aos vândalos e ainda recriminou os policiais militares que pretendiam contê-los.</p>
<p>“O preço da liberdade é a eterna vigilância”, reza o aforismo que escuto desde a infância. Nós, defensores da democracia, não podemos baixar a guarda. O bolsonarismo disseminou uma cultura necrófila inflada de ódio que não dará trégua à democracia e ao governo Lula.</p>
<p>Nossa reação não deve ser responder com as mesmas moedas ou resguardar-nos no medo. Cabe-nos a tarefa de fortalecer a democracia, em especial os movimentos populares e sindicais, as pautas identitárias, a defesa da Constituição e das instituições, impedindo que as viúvas da ditadura tentem ressuscitá-la.</p>
<h3>O passado ainda não passou. A memória jamais haverá de sepultá-lo. Só quem pode fazê-lo é a Justiça.</h3>
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="sP3a7wcg6t"><p><a href="https://urutaurpg.com.br/siteluis/ditadura-nunca-mais-com-urariano-mota/" target="_blank" rel="noopener">Ditadura Nunca Mais com Urariano Mota</a></p></blockquote>
<p><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;Ditadura Nunca Mais com Urariano Mota&#8221; &#8212; Zona Curva" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/ditadura-nunca-mais-com-urariano-mota/embed/#?secret=DydHQ0U9Zq#?secret=sP3a7wcg6t" data-secret="sP3a7wcg6t" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="4S05pQuORf"><p><a href="https://urutaurpg.com.br/siteluis/breve-critica-da-democracia-louvada/" target="_blank" rel="noopener">Breve crítica da democracia louvada</a></p></blockquote>
<p><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;Breve crítica da democracia louvada&#8221; &#8212; Zona Curva" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/breve-critica-da-democracia-louvada/embed/#?secret=OCXpYtFF4r#?secret=4S05pQuORf" data-secret="4S05pQuORf" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="2y14UVXHDs"><p><a href="https://urutaurpg.com.br/siteluis/sobre-a-democracia-e-o-voto/" target="_blank" rel="noopener">Sobre a democracia e o voto</a></p></blockquote>
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<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="985y6lRwLV"><p><a href="https://urutaurpg.com.br/siteluis/nao-ha-meia-democracia/" target="_blank" rel="noopener">Não há meia democracia</a></p></blockquote>
<p><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;Não há meia democracia&#8221; &#8212; Zona Curva" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/nao-ha-meia-democracia/embed/#?secret=bsMB0Ybh1i#?secret=985y6lRwLV" data-secret="985y6lRwLV" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="Hzt8f9CCZt"><p><a href="https://saibamais.jor.br/2019/07/frei-betto-e-uma-ilusao-e-um-engano-achar-que-a-ditadura-foi-melhor/" target="_blank" rel="noopener">Frei Betto: &#8220;É uma ilusão e um engano achar que a ditadura foi melhor&#8221;</a></p></blockquote>
<p><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;Frei Betto: &#8220;É uma ilusão e um engano achar que a ditadura foi melhor&#8221;&#8221; &#8212; Saiba Mais" src="https://saibamais.jor.br/2019/07/frei-betto-e-uma-ilusao-e-um-engano-achar-que-a-ditadura-foi-melhor/embed/#?secret=musGT6iswz#?secret=Hzt8f9CCZt" data-secret="Hzt8f9CCZt" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
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		<title>No enterro de Jango, o começo de uma caminhada</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Elaine Tavares]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 02 Mar 2018 18:45:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[Jango]]></category>
		<category><![CDATA[jango morte]]></category>
		<category><![CDATA[João Goulart]]></category>
		<category><![CDATA[joão goulart biografia]]></category>
		<category><![CDATA[João Vicente Goulart]]></category>
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					<description><![CDATA[Bem-vindo ao Fatos da Zona, em que adaptamos os textos mais acessados do site do Zonacurva Mídia Livre. Neste vídeo, mergulhamos na vida e na trajetória política do presidente João Goulart, líder progressista que enfrentou desafios e lutou incansavelmente por justiça social no Brasil. Conheça a história desse presidente popular e suas políticas transformadoras que buscavam garantir direitos trabalhistas e combater as desigualdades. &#160; por Elaine Tavares Era o início de dezembro de 1976. Na pequena cidade onde vivíamos não se falava em outra coisa. Jango estava morto. A notícia se espalhou como um rastilho de pólvora, afinal, São Borja era sua terra-mãe. Em casa, o clima era de profunda tristeza. Nossa vida inteira tinha sido marcada pela presença de João Goulart. Meu pai trabalhava para ele na emissora ZYF-2 Fronteira do Sul desde os anos 60, quando Jango já era o dono da rádio. Com essa marca, de ser uma rádio do Jango, a emissora atravessou os anos de chumbo, sempre vigiada e com os censores à porta. Quando veio o golpe e Jango se exilou no Uruguai, ele distribuiu as ações entre os funcionários e a rádio funcionava como uma cooperativa, algo realmente inusitado naqueles dias de ditadura militar. O faturamento era dividido entre eles. O pai tinha o cargo de gerente e, por incrível que possa parecer, a rádio seguiu transmitindo, ainda que vigiada. Quando o governo de Garrastazu Médici já chegava ao final, em 1973, as coisas ficaram mais difíceis. A rádio começou a ter problemas. Os trabalhadores não conseguiam provar que as ações tinham sido passadas pelo Jango, e a fiscalização não deu trégua. O pai chegou a ir até o Uruguai junto com outro diretor da rádio para ver com Jango como regularizar tudo, mas não conseguiram. Finalmente, em 1975, já no governo de Ernesto Geisel, num belo dia, o representante do Dentel (Departamento Nacional de Telecomunicações) na cidade foi até o transmissor e cortou o cabo da antena. A rádio estava fechada, com o transmissor lacrado, sem nenhuma explicação. Era o fim da generosa proposta de uma emissora de rádio cooperativada. Aquilo tudo foi um baque na vida da família. Sem emprego e ainda com a marca de ser um dos caras do Jango, a saída do pai foi montar um pequeno negócio junto com outro diretor da rádio. Uma tabacaria, bem em frente à praça. Não deu certo, mas isso já é outra história. Um ano depois do fechamento da rádio Jango estava morto e hoje é possível fazer as ligações sobre como a ditadura estava no pé do ex-presidente. Por isso não duvido de que tenha sido mesmo assassinado. Naquele triste dezembro de sua morte, surpreendentemente, a família foi autorizada a trazer o corpo para ser enterrado em São Borja, embora houvesse ordens expressas para ser um enterro discreto, sem aglomerações.  Mas, esse foi um “milagre” que a ditadura não conseguiu realizar. A cidade fervia. Todos se preparavam para receber Jango. Ele teria as honras do povo. Lá em casa, preparávamos nossa melhor roupa. Iríamos ver o presidente, chefe do nosso pai, desse o que desse. O exército montou uma operação de guerra para impedir que houvesse qualquer manifestação. Já na ponte entre Libres (Argentina) e Uruguaiana o carro com o caixão foi parado com a ordem expressa de que seguisse até São Borja em alta velocidade, para que as gentes não pudessem saudá-lo. Ainda assim, se soube de centenas de pessoas à beira da estrada, despedindo-se do presidente. O combinado com o chofer era de que seguisse imediatamente para o cemitério. Mas, sabe-se lá como, o carro foi direto para a Igreja Matriz, onde as pessoas já se aglomeravam aos milhares. Nós estávamos lá, eu e meu irmão, agarrados à mão do pai. São Borja nunca vira uma manifestação como aquela. Eram mais de 10 mil pessoas rodeando a igreja. Depois dos ofícios, os milicos ainda tentaram sair com o caixão para levar, de carro, até o cemitério. O povo não deixou. O caixão foi arrancado das mãos dos milicos e levados pelos são-borjenses, em caminhada, até a morada final. Devia ter mais de 30 mil pessoas nas ruas. Eu tinha 15 anos, mas já estava familiarizada com a luta contra a ditadura. Lá em casa, sempre falamos e soubemos de tudo. E politicamente estávamos ligados ao então MDB. Mas, aquele enterro foi uma espécie de batismo na luta aberta, na ação de massa. Porque na clandestinidade já atuava, distribuindo panfletos do MDB, durante as noites, denunciando a ditadura. Só que naquele dia, no meio da multidão, devo ter entendido que quando estamos juntos, os nossos desejos não podem ser detidos. Nada do que o exército planejara aconteceu. Tudo saiu do script, pelas mãos do povo, e Jango atravessou a cidade nos braços dos seus. Aquilo foi bonito demais, e, hoje, recordando cada minuto daquele dia com a ajuda das memórias do meu irmão, percebo que foi também um divisor de águas para mim. Quem conhece a fronteira sabe o quanto um dezembro pode ser calorento. Pois aquele dia foi assim. E durante o dia todo foi uma louca romaria, com os homens em mangas de camisa, suando em bicas, e as mulheres arrumadas para domingo, de salto alto e lágrimas no rosto. Eram quase cinco da tarde quando Jango finalmente desceu à sepultura. O cemitério cheio, gente por cima dos túmulos, todos dispostos a não arredar pé até o último instante de adeus. Eu, meu pai e meu irmão, então com 10 anos, éramos um pingo na multidão. E fizemos todo o trajeto, rendendo as homenagens, como toda a gente. A manifestação, rebelde, popular e massiva, e a quebra de todas as regras impostas pelos milicos ficaram marcadas em mim como um sinal. Era preciso enfrentar o que fosse para que nossa gente enterrasse a ditadura militar. E aquela despedida missioneira, dramática, cadente e sofrida, se fixou nas retinas, para sempre. Dois anos depois, já em Minas, integrei-me visceralmente à luta pela anistia e nunca mais deixei estar]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Bem-vindo ao Fatos da Zona, em que adaptamos os textos mais acessados do site do Zonacurva Mídia Livre.</p>
<p>Neste vídeo, mergulhamos na vida e na trajetória política do presidente João Goulart, líder progressista que enfrentou desafios e lutou incansavelmente por justiça social no Brasil.</p>
<p>Conheça a história desse presidente popular e suas políticas transformadoras que buscavam garantir direitos trabalhistas e combater as desigualdades.</p>
<div class="ast-oembed-container " style="height: 100%;"><iframe title="Jango revelou as entranhas do Brasil - Fatos da Zona Ep. 3" width="1200" height="675" src="https://www.youtube.com/embed/NarUOPO2YWM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;">por Elaine Tavares</p>
<p>Era o início de dezembro de 1976. Na pequena cidade onde vivíamos não se falava em outra coisa. Jango estava morto. A notícia se espalhou como um rastilho de pólvora, afinal, São Borja era sua terra-mãe. Em casa, o clima era de profunda tristeza. Nossa vida inteira tinha sido marcada pela presença de João Goulart. Meu pai trabalhava para ele na emissora ZYF-2 Fronteira do Sul desde os anos 60, quando Jango já era o dono da rádio. Com essa marca, de ser uma rádio do Jango, a emissora atravessou os anos de chumbo, sempre vigiada e com os censores à porta.</p>
<figure id="attachment_6137" aria-describedby="caption-attachment-6137" style="width: 640px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-full wp-image-6137" src="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2018/03/2-de-março-enterro.jango_.jpg" alt="joão goulart" width="640" height="468" /><figcaption id="caption-attachment-6137" class="wp-caption-text">O enterro do presidente João Goulart</figcaption></figure>
<p>Quando veio o golpe e Jango se exilou no Uruguai, ele distribuiu as ações entre os funcionários e a rádio funcionava como uma cooperativa, algo realmente inusitado naqueles dias de ditadura militar. O faturamento era dividido entre eles. O pai tinha o cargo de gerente e, por incrível que possa parecer, a rádio seguiu transmitindo, ainda que vigiada. Quando o governo de Garrastazu Médici já chegava ao final, em 1973, as coisas ficaram mais difíceis. A rádio começou a ter problemas. Os trabalhadores não conseguiam provar que as ações tinham sido passadas pelo Jango, e a fiscalização não deu trégua. O pai chegou a ir até o Uruguai junto com outro diretor da rádio para ver com Jango como regularizar tudo, mas não conseguiram.</p>
<p>Finalmente, em 1975, já no governo de Ernesto Geisel, num belo dia, o representante do Dentel (Departamento Nacional de Telecomunicações) na cidade foi até o transmissor e cortou o cabo da antena. A rádio estava fechada, com o transmissor lacrado, sem nenhuma explicação. Era o fim da generosa proposta de uma emissora de rádio cooperativada. Aquilo tudo foi um baque na vida da família. Sem emprego e ainda com a marca de ser um dos caras do Jango, a saída do pai foi montar um pequeno negócio junto com outro diretor da rádio. Uma tabacaria, bem em frente à praça. Não deu certo, mas isso já é outra história.</p>
<p>Um ano depois do fechamento da rádio Jango estava morto e hoje é possível fazer as ligações sobre como a ditadura estava no pé do ex-presidente. Por isso não duvido de que tenha sido mesmo assassinado.</p>
<p>Naquele triste dezembro de sua morte, surpreendentemente, a família foi autorizada a trazer o corpo para ser enterrado em São Borja, embora houvesse ordens expressas para ser um enterro discreto, sem aglomerações.  Mas, esse foi um “milagre” que a ditadura não conseguiu realizar. A cidade fervia. Todos se preparavam para receber Jango. Ele teria as honras do povo. Lá em casa, preparávamos nossa melhor roupa. Iríamos ver o presidente, chefe do nosso pai, desse o que desse. O exército montou uma operação de guerra para impedir que houvesse qualquer manifestação. Já na ponte entre Libres (Argentina) e Uruguaiana o carro com o caixão foi parado com a ordem expressa de que seguisse até São Borja em alta velocidade, para que as gentes não pudessem saudá-lo. Ainda assim, se soube de centenas de pessoas à beira da estrada, despedindo-se do presidente.</p>
<p><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-6139" src="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2018/03/2-de-março-enterro.jango2_.jpg" alt="joão goulart morte" width="640" height="381" /><br />
O combinado com o chofer era de que seguisse imediatamente para o cemitério. Mas, sabe-se lá como, o carro foi direto para a Igreja Matriz, onde as pessoas já se aglomeravam aos milhares. Nós estávamos lá, eu e meu irmão, agarrados à mão do pai. São Borja nunca vira uma manifestação como aquela. Eram mais de 10 mil pessoas rodeando a igreja. Depois dos ofícios, os milicos ainda tentaram sair com o caixão para levar, de carro, até o cemitério. O povo não deixou. O caixão foi arrancado das mãos dos milicos e levados pelos são-borjenses, em caminhada, até a morada final. Devia ter mais de 30 mil pessoas nas ruas.</p>
<p>Eu tinha 15 anos, mas já estava familiarizada com a luta contra a ditadura. Lá em casa, sempre falamos e soubemos de tudo. E politicamente estávamos ligados ao então MDB. Mas, aquele enterro foi uma espécie de batismo na luta aberta, na ação de massa. Porque na clandestinidade já atuava, distribuindo panfletos do MDB, durante as noites, denunciando a ditadura. Só que naquele dia, no meio da multidão, devo ter entendido que quando estamos juntos, os nossos desejos não podem ser detidos. Nada do que o exército planejara aconteceu. Tudo saiu do script, pelas mãos do povo, e Jango atravessou a cidade nos braços dos seus. Aquilo foi bonito demais, e, hoje, recordando cada minuto daquele dia com a ajuda das memórias do meu irmão, percebo que foi também um divisor de águas para mim.</p>
<p>Quem conhece a fronteira sabe o quanto um dezembro pode ser calorento. Pois aquele dia foi assim. E durante o dia todo foi uma louca romaria, com os homens em mangas de camisa, suando em bicas, e as mulheres arrumadas para domingo, de salto alto e lágrimas no rosto. Eram quase cinco da tarde quando Jango finalmente desceu à sepultura. O cemitério cheio, gente por cima dos túmulos, todos dispostos a não arredar pé até o último instante de adeus.</p>
<p>Eu, meu pai e meu irmão, então com 10 anos, éramos um pingo na multidão. E fizemos todo o trajeto, rendendo as homenagens, como toda a gente. A manifestação, rebelde, popular e massiva, e a quebra de todas as regras impostas pelos milicos ficaram marcadas em mim como um sinal. Era preciso enfrentar o que fosse para que nossa gente enterrasse a ditadura militar. E aquela despedida missioneira, dramática, cadente e sofrida, se fixou nas retinas, para sempre. Dois anos depois, já em Minas, integrei-me visceralmente à luta pela anistia e nunca mais deixei estar no movimento popular.</p>
<p>De todas as formas, a vida e o governo de João Goulart, o Jango, bem como sua morte, marcaram minha/nossa vida para sempre. E eu o tenho guardado dentro do coração.</p>
<p><a href="http://eteia.blogspot.com.br/2018/03/no-enterro-do-jango-o-comeco-de-uma.html" target="_blank" rel="noopener"><strong>Publicado originalmente no Blog Palavras Insurgentes.</strong></a></p>
<p>https://urutaurpg.com.br/siteluis/jango-no-comicio-que-mudou-o-destino-do-pais/</p>
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		<title>A união da esquerda progressista em prol de um projeto nacional de desenvolvimento</title>
		<link>https://zonacurva.com.br/uniao-da-esquerda-progressista-em-prol-de-um-projeto-nacional-de-desenvolvimento/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Cassio Moreira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Jul 2017 12:00:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política análise]]></category>
		<category><![CDATA[João Goulart]]></category>
		<category><![CDATA[nacional desenvolvimentismo]]></category>
		<category><![CDATA[trabalhismo]]></category>
		<category><![CDATA[união das esquerdas]]></category>
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					<description><![CDATA[O agravamento da crise política demanda a aliança entre PDT, PT PCdoB e PPL em busca de saídas reais para o imbróglio em que o país está afundado por Cássio Moreira Os golpes, sejam eles civis, militares ou parlamentares tem o efeito de tornar evidente o embate entre projetos. Os de 1964 e o de 2016 serviram para mostrar como projetos radicalmente antipopulares só podem ser implantados de forma não democrática. O de 1964 foi um marco para visualizar de forma clara dois projetos para o país que divergem centralmente em torno da questão da independência econômica do Brasil. O nacional desenvolvimentismo foi a estratégia adotada pelos governos de Vargas (1951-1954) e João Goulart (1961-1964). Nacional por que via na dependência econômica (comercial, tecnológica e financeira) os principais entraves ao desenvolvimento. Para isso seria necessário o desenvolvimento do capital nacional de forma a romper com a dominação estrangeira e promover uma forte indústria nacional. &#160; “As nações expansionistas viram que o domínio sobre os povos de outra raça, outra língua, outra religião e outros costumes, é odioso e desperta o orgulho pela pátria, gera nacionalismo e incita os ânimos à revolta e às reivindicações da liberdade. A experiência ensina assim aos povos fortes outros caminhos que os leva, sem aqueles inconvenientes, à mesma finalidade: é o caminho da dominação econômica, que prescinde do ataque frente à soberania política. Esse o perigo que nos cumpre evitar. Os fortes passaram então a apossar-se das riquezas econômicas dos povos fracos, reduzindo-os à impotência e, pois, à submissão política” (Artur Bernardes). Como forma de reação ao nacional-desenvolvimentismo surgiu um modelo híbrido chamado de dependente-associado, que não negava a participação ativa do Estado, porém atribuía outro papel ao capital estrangeiro. Papel esse, fundamental, de parceria e promoção dos investimentos em setores mais intensivos em capital. O fortalecimento dessa corrente se deu com a criação da Instrução 113 da Sumoc (Superintendência da Moeda e do Crédito) pelos economistas Eugênio Gudin (diretor da empresa multinacional norte-americana Amforp &#8211; American Foreign Power) e Otávio G. Bulhões, dirigente da Sumoc. A instrução não foi revogada pelo governo JK e sim, apenas, pelo de João Goulart com a Instrução 242. O modelo dependente-associado de certa forma “cooptou” o capital nacional associando-o com os interesses do capital estrangeiro, sob a tutela e parceria do Estado Nacional. Essa aliança propiciaria a atração de capitais e a modernização do parque industrial por meio de aporte tecnológico. De fato, no governo JK e, em especial, pós-golpe de 1964 houve uma modernização da economia, porém as velhas estruturas sociais e a dependência externa não foram alteradas.  O resultado seria um aumento da dependência tecnológica e estrutural, dada a importância crescente das empresas multinacionais no fornecimento de componentes industriais e bens e serviços, e uma dependência financeira com o brutal endividamento externo, acirrado com a elevação da taxa de juro norte-americana em 1979. A ideologia trabalhista em prol do desenvolvimento nacional O golpe parlamentar de 2016 foi outro marco para visualizar de forma clara novamente dois projetos em disputa: o social-desenvolvimentismo e o projeto neoliberal. Novamente, o fator mais divergente é a independência econômica do Brasil. Em 2002, com a eleição de Luiz Inácio “Lula” da Silva, o Brasil, após um experimento de manutenção da política econômica (tripé macroeconômico) anterior nos primeiros anos do governo Lula (2003-2005), passou a reordenar a atuação do Estado na coordenação dessa política econômica em prol de uma espécie de um novo desenvolvimentismo marcado pelo social, o que foi chamado de social-desenvolvimentismo por alguns autores. Este seria a manutenção do crescimento da renda e do emprego com a adoção de uma política social ativa de inclusão social. Essa nova tentativa de desenvolvimentismo, entretanto, pecou em não deixar como variável principal, para sua sustentação ao longo prazo, a fomentação de uma ideologia nacional do desenvolvimento. A falta desse caráter nacional na implementação no projeto de inclusão social dos governos Lula (PT) ficou visível na utilização das cores da bandeira do Brasil nos protestos contra o governo Dilma.  Esse governo, mesmo usando os dois pilares do projeto Varguista (nacional-desenvolvimentista) &#8211; a Petrobras (política de compra nacional) e o BNDES (desenvolvimento de grandes multinacionais brasileiras) &#8211; acabou não deixando claro para a população a existência de um projeto nacional para o país. Embora, tenha criado uma estatal do Pré-Sal, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), os programas Luz para Todos e Minha Casa Minha Vida, a Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica, a Política de Desenvolvimento Produtivo, entre outros, não foram suficientes para caracterizar um projeto nacional integrado, no máximo um projeto de inclusão social. Que de certa forma retoma, apenas em parte, o projeto nacional-desenvolvimentista dos governos trabalhistas de Vargas e Goulart num contexto de globalização. Mas não atacou a raiz do problema que é a dependência econômica (comercial, produtiva, financeira e tecnológica) por meio de reformas estruturais (as chamadas Reformas de Base do governo Goulart). Esse esboço de projeto social (com um pequeno viés nacional) entretanto, foi interrompido com a mudança da política econômica do segundo governo Dilma e a ascensão ao poder do seu vice, Michel Temer, que adotou as bases do programa econômico da oposição manifestado no documento “Uma Ponte para o Futuro”. Atualmente, vemos a volta da ideologia neoliberal sendo implementada numa alta velocidade, talvez em virtude da pouca legitimidade e durabilidade de um governo cujo projeto não foi legitimado nas urnas. Sua ilegitimidade e impopularidade explica a pressa em implementá-lo. Contudo, desde a desconstrução do governo Dilma (a partir das manifestações de junho de 2013), a população tem absorvido, por meio de uma campanha de propaganda sistemática do oligopólio dos meios de comunicação, alguns valores neoliberais, derrotando, no senso comum da população, as ideias trabalhistas (designadas pejorativamente de “comunistas”). Portanto, a única alternativa de esquerda viável nesse contexto no Brasil é o ideário trabalhista como resposta ao neoliberalismo. O trabalhismo, enquanto doutrina política, não é um conceito estático, e sim adaptado ao seu contexto histórico. Geralmente é por meio das ideologias políticas e econômicas que nos é]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><em>O agravamento da crise política demanda a aliança entre PDT, PT PCdoB e PPL em busca de saídas reais para o imbróglio em que o país está afundado</em></p>
<p style="text-align: right;">por Cássio Moreira</p>
<p>Os golpes, sejam eles civis, militares ou parlamentares tem o efeito de tornar evidente o embate entre projetos. Os de 1964 e o de 2016 serviram para mostrar como projetos radicalmente antipopulares só podem ser implantados de forma não democrática. O de 1964 foi um marco para visualizar de forma clara dois projetos para o país que divergem centralmente em torno da questão da independência econômica do Brasil. O nacional desenvolvimentismo foi a estratégia adotada pelos governos de Vargas (1951-1954) e João Goulart (1961-1964). Nacional por que via na dependência econômica (comercial, tecnológica e financeira) os principais entraves ao desenvolvimento. Para isso seria necessário o desenvolvimento do capital nacional de forma a romper com a dominação estrangeira e promover uma forte indústria nacional.</p>
<p><a href="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2017/07/26-de-julho-união-esquerda-.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-5712" src="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2017/07/26-de-julho-união-esquerda-.jpg" alt="esquerda unida protesto" width="600" height="400" /></a></p>
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<p style="text-align: right;"><em>“As nações expansionistas viram que o domínio sobre os povos de outra raça, outra língua, outra religião e outros costumes, é odioso e desperta o orgulho pela pátria, gera nacionalismo e incita os ânimos à revolta e às reivindicações da liberdade. A experiência ensina assim aos povos fortes outros caminhos que os leva, sem aqueles inconvenientes, à mesma finalidade: é o caminho da dominação econômica, que prescinde do ataque frente à soberania política. Esse o perigo que nos cumpre evitar. Os fortes passaram então a apossar-se das riquezas econômicas dos povos fracos, reduzindo-os à impotência e, pois, à submissão política” (Artur Bernardes).</em></p>
</blockquote>
<p>Como forma de reação ao nacional-desenvolvimentismo surgiu um modelo híbrido chamado de dependente-associado, que não negava a participação ativa do Estado, porém atribuía outro papel ao capital estrangeiro. Papel esse, fundamental, de parceria e promoção dos investimentos em setores mais intensivos em capital. O fortalecimento dessa corrente se deu com a criação da Instrução 113 da Sumoc (Superintendência da Moeda e do Crédito) pelos economistas Eugênio Gudin (diretor da empresa multinacional norte-americana Amforp &#8211; American Foreign Power) e Otávio G. Bulhões, dirigente da Sumoc. A instrução não foi revogada pelo governo JK e sim, apenas, pelo de João Goulart com a Instrução 242.</p>
<p>O modelo dependente-associado de certa forma “cooptou” o capital nacional associando-o com os interesses do capital estrangeiro, sob a tutela e parceria do Estado Nacional. Essa aliança propiciaria a atração de capitais e a modernização do parque industrial por meio de aporte tecnológico. De fato, no governo JK e, em especial, pós-golpe de 1964 houve uma modernização da economia, porém as velhas estruturas sociais e a dependência externa não foram alteradas.  O resultado seria um aumento da dependência tecnológica e estrutural, dada a importância crescente das empresas multinacionais no fornecimento de componentes industriais e bens e serviços, e uma dependência financeira com o brutal endividamento externo, acirrado com a elevação da taxa de juro norte-americana em 1979.</p>
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="c3pFpTGCpV"><p><a href="https://zonacurva.com.br/a-ideologia-trabalhista-em-prol-do-desenvolvimento-nacional/">A ideologia trabalhista em prol do desenvolvimento nacional</a></p></blockquote>
<p><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;A ideologia trabalhista em prol do desenvolvimento nacional&#8221; &#8212; Zona Curva" src="https://zonacurva.com.br/a-ideologia-trabalhista-em-prol-do-desenvolvimento-nacional/embed/#?secret=uxWgmjbEG2#?secret=c3pFpTGCpV" data-secret="c3pFpTGCpV" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
<figure id="attachment_5709" aria-describedby="caption-attachment-5709" style="width: 600px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2017/07/26-de-julho-jk-e-jango.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-5709" src="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2017/07/26-de-julho-jk-e-jango.jpg" alt="jk e jango" width="600" height="371" /></a><figcaption id="caption-attachment-5709" class="wp-caption-text">Os presidentes Juscelino Kubitschek e João Goulart</figcaption></figure>
<p>O golpe parlamentar de 2016 foi outro marco para visualizar de forma clara novamente dois projetos em disputa: o social-desenvolvimentismo e o projeto neoliberal. Novamente, o fator mais divergente é a independência econômica do Brasil.</p>
<p>Em 2002, com a eleição de Luiz Inácio “Lula” da Silva, o Brasil, após um experimento de manutenção da política econômica (tripé macroeconômico) anterior nos primeiros anos do governo Lula (2003-2005), passou a reordenar a atuação do Estado na coordenação dessa política econômica em prol de uma espécie de um novo desenvolvimentismo marcado pelo social, o que foi chamado de social-desenvolvimentismo por alguns autores. Este seria a manutenção do crescimento da renda e do emprego com a adoção de uma política social ativa de inclusão social.</p>
<p>Essa nova tentativa de desenvolvimentismo, entretanto, pecou em não deixar como variável principal, para sua sustentação ao longo prazo, a fomentação de uma ideologia nacional do desenvolvimento. A falta desse caráter nacional na implementação no projeto de inclusão social dos governos Lula (PT) ficou visível na utilização das cores da bandeira do Brasil nos protestos contra o governo Dilma.  Esse governo, mesmo usando os dois pilares do projeto Varguista (nacional-desenvolvimentista) &#8211; a Petrobras (política de compra nacional) e o BNDES (desenvolvimento de grandes multinacionais brasileiras) &#8211; acabou não deixando claro para a população a existência de um projeto nacional para o país. Embora, tenha criado uma estatal do Pré-Sal, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), os programas Luz para Todos e Minha Casa Minha Vida, a Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica, a Política de Desenvolvimento Produtivo, entre outros, não foram suficientes para caracterizar um projeto nacional integrado, no máximo um projeto de inclusão social. Que de certa forma retoma, apenas em parte, o projeto nacional-desenvolvimentista dos governos trabalhistas de Vargas e Goulart num contexto de globalização. Mas não atacou a raiz do problema que é a dependência econômica (comercial, produtiva, financeira e tecnológica) por meio de reformas estruturais (as chamadas Reformas de Base do governo Goulart).</p>
<p>Esse esboço de projeto social (com um pequeno viés nacional) entretanto, foi interrompido com a mudança da política econômica do segundo governo Dilma e a ascensão ao poder do seu vice, Michel Temer, que adotou as bases do programa econômico da oposição manifestado no documento “Uma Ponte para o Futuro”.</p>
<p>Atualmente, vemos a volta da ideologia neoliberal sendo implementada numa alta velocidade, talvez em virtude da pouca legitimidade e durabilidade de um governo cujo projeto não foi legitimado nas urnas. Sua ilegitimidade e impopularidade explica a pressa em implementá-lo. Contudo, desde a desconstrução do governo Dilma (a partir das manifestações de junho de 2013), a população tem absorvido, por meio de uma campanha de propaganda sistemática do oligopólio dos meios de comunicação, alguns valores neoliberais, derrotando, no senso comum da população, as ideias trabalhistas (designadas pejorativamente de “comunistas”).</p>
<p>Portanto, a única alternativa de esquerda viável nesse contexto no Brasil é o ideário trabalhista como resposta ao neoliberalismo. O <strong>trabalhismo</strong>, enquanto doutrina política, não é um conceito estático, e sim adaptado ao seu contexto histórico. Geralmente é por meio das ideologias políticas e econômicas que nos é oferecido o enredo que justifica as decisões a serem tomadas e as ações que determinados governos executam em uma determinada nação. No caso do trabalhismo no Brasil, essa ideologia política sempre veio acompanhada de uma ideologia <strong>econômica desenvolvimentista</strong>. Nos governos de <strong>Getúlio Vargas</strong> foi o <strong>nacional-desenvolvimentismo</strong>, no de João Goulart foi o <strong>nacional-reformismo</strong> e nos dos presidentes Lula (a partir de 2006) e Dilma Rousseff foi o <strong>social-desenvolvimentismo</strong> (um contraponto a essa associação pode ser o do governo <strong>Geisel</strong>: um governo de <strong>nacional-desenvolvimentismo</strong> sem ser trabalhista).</p>
<p>Entretanto, o trabalhismo deve resgatar o seu aspecto principal que é o nacionalismo. O trabalhismo de raiz brasileira, personificado nos governos Vargas e Goulart e o seu antigo partido (o PTB da época), tem tudo para ser resgatado com o projeto defendido pelo pré-candidato Ciro Gomes (PDT). Contudo, sem esquecer as grandes contribuições sociais feitas pelos governos Lula e Dilma (PT).</p>
<p>Bresser-Pereira, no lançamento do manifesto “Projeto Brasil Nação” em abril de 2017, salientou que:  “intelectuais não resolvem muita coisa” [&#8230;], nós precisamos de políticos, e essa tentativa de “desmoralização” dos políticos hoje é uma coisa muito grave; [&#8230;] no processo de elaboração desse projeto eu resolvi chamar o Ciro Gomes e o Fernando Haddad para discutir com eles esse novo desenvolvimentismo, ou seja para discutir com eles esses cinco pontos que estão aí. [&#8230;] Nós precisamos que alguns políticos como eles, que sejam capazes de comandar esse processo de renovação das ideias nacionalistas, desenvolvimentistas e sociais brasileiras [&#8230;] pois o Brasil precisa voltar a ser uma nação”.  Os cinco pontos do manifesto a que Bresser-Pereira se referiu são: 1. Regra fiscal que não seja mera tentativa de reduzir o tamanho do Estado à força, como é a atual regra; 2. Taxa de juros mais baixa, semelhante àquela de países de igual nível de desenvolvimento; 3. Superávit em conta corrente, necessário para que a taxa de câmbio assegure competitividade para as empresas industriais eficientes; 4. Retomada do investimento público; e 5. Reforma tributária que torne os impostos progressivos.</p>
<p>O projeto trabalhista precisa da aproximação cada vez maior entre PT e PDT. Antigamente, Brizola sonhava em unir PDT e PTB, mas na época o PT não tinha esse caráter trabalhista. Hoje alguns dos seus netos veem essa união entre PT e PDT como fundamentais para o Brasil. Seus dois grandes lideres Getúlio e Lula têm muitas diferenças, desde as suas origens até as formas com que conduziram seus governos, mas possuem o mesmo inimigo: o liberalismo econômico. Em discurso de 12.06.2010, Dilma lembrou sua militância dentro do PDT e também fez referência à história do trabalhismo, citando as trajetórias de Getúlio Vargas, João Goulart e Leonel Brizola, fundador do PDT. ”Nós podemos dizer hoje que somos a continuidade desse processo”, afirmou. Dilma passa em revista toda a história do trabalhismo e cita que o objetivo do seu governo é o mesmo do governo do ex-presidente João Goulart: “promover “progresso com Justiça, desenvolvimento com distribuição de renda”, que é o nosso modelo, e que foi afastado do poder”.  Em outro discurso, de 10.06.2014, faz questão de citar conquistas sociais e econômicas promovidas pelos governos dos presidentes Getúlio Vargas e João Goulart – como a criação da Petrobras, da Vale do Rio Doce e do BNDES &#8211; e, também, a permanente luta de Brizola e Darcy Ribeiro pela educação pública de qualidade. Dilma salientou a importância e o legado de Getúlio Vargas. &#8220;Sem ele não teríamos o Estado nacional e a sua estrutura que temos hoje&#8221;. Sobre João Goulart, o Jango, classificou-o como &#8220;um democrata que construía consensos&#8221; e que colocou no centro dos debates pautas que até hoje são exigidas pela população. Para definir Darcy Ribeiro, Dilma afirmou que foi &#8220;o homem capaz de pensar a Universidade de Brasília, como ela é hoje, e de também projetar os Cieps (Centros Integrados de Educação Pública)&#8221;. Por fim, emocionada, referiu-se a Leonel Brizola como o político da legalidade e que &#8220;deu início à política de expansão da educação&#8221;. Continua citando que uma das maiores contribuições do PT a esse projeto foi a diminuição das desigualdades sociais alcançada nos últimos anos.</p>
<p>http://www.zonacurva.com.br/como-ministro-de-getulio-jango-revelou-entranhas-brasil/</p>
<figure id="attachment_5717" aria-describedby="caption-attachment-5717" style="width: 976px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2017/07/26-de-julho-ciep.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-5717" src="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2017/07/26-de-julho-ciep.jpg" alt="darcy ribeiro e leonel brizola" width="976" height="550" /></a><figcaption id="caption-attachment-5717" class="wp-caption-text">CIEPs &#8211; escolas de tempo integral criadas por Brizola (fonte: IELA)</figcaption></figure>
<p>Por isso a importância da união entre PDT e PT nas eleições de 2018 (se houver). Entretanto, mesmo num contexto histórico muito distinto, ainda vigorará o embate entre dois projetos completamente diferentes: um de independência econômica do Brasil x submissão do Brasil aos interesses internacionais. Isso justifica a importância da aliança entre o projeto nacional-desenvolvimentista do PDT com o projeto social-desenvolvimentista do PT sob o mantra do Trabalhismo.</p>
<p>O movimento Ciro-Haddad foi iniciado em dezembro de 2016 pensando na necessidade que o Brasil tem dessa aliança. Percebendo o avanço do Liberfascismo (fascismo e liberalismo econômico) entendeu-se que a união das esquerdas em prol de um projeto nacional de desenvolvimento é fundamental neste momento histórico. O antipetismo está destruindo nossa nação, pois gerou ódios e fissões de nossa elite econômica e política até relações familiares e pessoais. Por isso mesmo, considerando Lula o segundo melhor presidente desse país (atrás de Getúlio Vargas), acredita-se que os setores progressistas devam apoiar Ciro Gomes e o PDT. Entende-se que sem o apoio de Lula dificilmente isso se concretizará. Lula sofre uma perseguição política e não cremos que deram um golpe (travestido de impeachment) nessas proporções para devolver o poder a ele. Por isso, cremos que sua candidatura, posse ou governo será impedida de alguma forma. Diante disso fica a pergunta: quem além de Ciro gostaríamos de ver como presidente? Pensamos que o vice deve ser escolhido fazendo essa pergunta. Dois nomes surgiram: o do senador Requião e o do ex-prefeito Haddad. Entretanto, o primeiro não sairá do PMDB e os setores da esquerda progressista não querem o apoio desse partido. Assim, o outro nome que surgiu foi um dos melhores ministros da educação da nossa história: Fernando Haddad do PT. Surgiu, então, um movimento espontâneo, iniciado por cidadãos, muitos sem filiação partidária (e por isso com uma maior independência de atuação), em prol da chapa dos sonhos do pré-candidato Ciro Gomes. Nasceu então o movimento Ciro-Haddad 2018.</p>
<figure id="attachment_5719" aria-describedby="caption-attachment-5719" style="width: 480px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2017/07/26-de-julho-haddad-e-ciro-gomes-foto-4.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-5719" src="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2017/07/26-de-julho-haddad-e-ciro-gomes-foto-4.jpg" alt="ciro gomes 2018" width="480" height="360" /></a><figcaption id="caption-attachment-5719" class="wp-caption-text">A chapa Ciro-Haddad seria uma boa opção para as forças progressistas</figcaption></figure>
<p>Claro que o ideal seria uma chapa com Lula e Ciro ou Ciro e Lula. Sendo Lula cabeça de chapa, Ciro estaria sendo virtualmente preparado para assumir o legado do lulismo (visto que Lula é maior do que seu próprio partido). Assim posto, Ciro seria o virtual candidato a uma eleição em 2022. O inverso também seria interessante, visto que Ciro no protagonismo da aliança inauguraria uma nova fase na política brasileira e Lula como vice poderia ser uma espécie de embaixador do Brasil para o mundo, dado que ainda mantém um enorme prestigio internacional.</p>
<p>Caso Lula não concorra. Existe também a possibilidade do PT lançar outro nome. Se isso ocorrer será Ciro Gomes do PDT e um outro nome do PT. Isso poderá ser interessante, ambos terem seus candidatos. O raciocínio das cúpulas poderia ser semelhante ao que ocorreu nas eleições de 3 de outubro de 1950. Os partidos getulistas, PSD e PTB, lançaram dois candidatos: a chapa Cristiano Machado-Altino Arantes (PSD-PR) e Getúlio Vargas- João Café Filho (PTB-PSP) concorreu com a de Eduardo Gomes-Odilon Braga (União Democrática Nacional), entre as mais importantes. Vargas saiu amplamente vitorioso, contando, inclusive, com muitos votos de vários eleitores do PSD. A transferência dos votos de Cristiano para Vargas caracterizou um processo de esvaziamento eleitoral que ficou conhecido no jargão político como &#8220;cristianização&#8221;. Isso poderia ocorrer com o PT lançando candidatura própria ao invés de apoiar Ciro Gomes (PDT). Pois, além de permitir a manutenção ou ampliação da bancada federal focaria todo o ódio antipetista ao candidato (com poucas chances) do PT e deixaria a chapa Ciro (e mais algum empresário nacional para repetir a aliança Lula e José Alencar) mais livre para ser uma alternativa progressista para o Brasil.</p>
<p>O leitor, então, pode se perguntar ao final do texto: “e por que não Lula?” Primeiramente, porque existe a possibilidade de o ex-presidente ficar inelegível. Segundo, porque eleito ainda haverá muitos processos em tramitação o que pode ensejar em um novo golpe parlamentar. Por isso, temos que olhar o Brasil além do período eleitoral de quatro anos. Ademais, embora seja o candidato que está à frente das pesquisas no primeiro turno, por haver um índice de rejeição grande aumenta os riscos de que o antipetismo vença num segundo turno. O Brasil não merece mais quatro anos dessa guerra petismo versus antipetismo que tanto divide a sociedade brasileira. Ela gerou inúmeras inimizades, brigas familiares, destruição da nossa economia por meio da enorme instabilidade política gerada a partir das manifestações de junho de 2013. Essa destruição foi alimentada pela mídia, pela não aceitação da derrota no pleito de 2014 pelo principal partido de oposição (PSDB) e pelo aumento da ideologização de muitas pessoas ligadas à instituições que deveriam ser neutras. Por isso, em prol de um projeto nacional de desenvolvimento para o Brasil, o movimento Ciro-Haddad 2018 defende uma aliança do campo popular, nacionalista e progressista tendo a frente PDT e PT.</p>
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		<title>Depois do entreguismo subterrâneo do Pré-sal, só resta a terceira via</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Agencia Carta Maior]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 01 Mar 2016 17:02:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política análise]]></category>
		<category><![CDATA[golpe de 64]]></category>
		<category><![CDATA[João Goulart]]></category>
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		<category><![CDATA[João Vicente Goulart]]></category>
		<category><![CDATA[petrobras pré-sal]]></category>
		<category><![CDATA[petrobras privatização]]></category>
		<category><![CDATA[PLS 131 petrobras]]></category>
		<category><![CDATA[Pré-Sal]]></category>
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					<description><![CDATA[por João Vicente Goulart*, da Agência Carta Maior O que vimos na votação do PLS 131 da Petrobras foi vergonhoso, rasteiro, inoportuno com nossa história de lutas à mercê da traição governamental da qual tínhamos esperança de resistência. Estamos, todos aqueles que amamos o Brasil e nossa nacionalidade, iludidos, magoados e com muita falta de esperança, roubada no mais indigno e subterrâneo ocaso oportunista da subtração de nossos princípios de luta, com a atitude do governo ao negociar por debaixo do tatame a entrega do Pré-Sal, e a retirada da Petrobras do controle dos investimentos de nossas riquezas petrolíferas. A negociação espúria, ao apagar das luzes, deixou os próprios parlamentares da base a ver navios. Navios negreiros, navios dos anjos negros, navios das sete irmãs petroleiras internacionais que naquele momento zarpavam e começavam a navegar a partir de nossas costas, transportando nossas esperanças como fizeram portugueses e espanhóis na nossa América Latina colônia. O ouro mudou de cor, mas não mudou de dono. Sentimo-nos traídos e pior, desamparados por quem acreditávamos estar confiando e defendendo o patrimônio público de nossa Pátria. A surpresa após a votação no Senado com o placar de 40 a 26, com duas abstenções, negociados dentro do Planalto com a oposição na parte da tarde, retirando da Petrobras a primazia do direito de exploração do Pré-Sal, foi um ato de covardia, pois, não precisava tanto, bastava então, entregar o governo aos grandes bancos, aos interesses multinacionais, ao mercado ou, se quisessem aos perdedores da eleição de 2014, para que capitaneassem essas naves junto aos entreguistas e outros mercadores do destino nacional, terminando de privatizar o Brasil, ou melhor, continuar a vendê-lo como fez  o príncipe guru das privatizações, FHC, lesando a Pátria, seus filhos e descendentes, como um verdadeiro Pizarro, sangrando as “veias abertas” de nosso povo. Está na hora de repensar nosso destino, nossos caminhos, reaver nossas esperanças e mergulharmos na história do trabalhismo; reagrupar as forças, extrair de nossas raízes os exemplos de lutas e de propostas da resistência nacional.  E, para tanto, temos direito de chão adquiridos ao longo de nossa trajetória. Temos história de sobra para isto. O trabalhismo propôs ao país o salário mínimo, a CLT, o voto feminino, a organização sindical, a reforma agrária, a reforma tributária, taxando o patrimônio das empresas, não os assalariados. Propusemos a reforma educacional, a lei do controle das remessas de lucros, a reforma urbana, a reforma bancaria que nenhum outro governo se animou a tocar; já desapropriamos empresas estrangeiras que exploravam e sugavam os trabalhadores brasileiros, já encampamos refinarias e outorgamos o monopólio a Petrobras, tanto da extração quanto do refino e já mostramos do que somos capazes, sem temer as reações dos prepotentes das baionetas e dos donos do capital. Já é hora de lembrar isto ao povo brasileiro: nossas riquezas são nossas e não de quem tenha mais. A democracia é a arte política da maioria de conquistar novos objetivos e não pode ser traída por interesses pessoais imaginando a eventualidade da ruptura institucional, arquitetada por manipulações subterrâneas em tribunais não representativos ou eleitos. Já sofremos golpes contra nossas propostas, já amargamos exílio por não trair as conquistas sociais e políticas do nosso povo. Mas continuamos a almejar a libertação de nossos trabalhadores, donos reais de todas as riquezas desta terra miscigenada e brasileira. A eleição de 2018 está próxima e nós temos história, nela temos propostas e no caminho desafios. Falta botar a coragem na rua, “nas praças que são do povo e só ao povo pertencem”, e como disse também Jango, alertando os falsos democratas:  &#8220;Desgraçada a democracia se tiver que ser defendida por tais democratas. Democracia para esses democratas não é o regime da liberdade de reunião para o povo: o que eles querem é uma democracia de povo emudecido, amordaçado nos seus anseios e sufocado nas suas reinvindicações. A democracia que eles desejam impingir-nos é a democracia anti-povo, do anti-sindicato, da anti-reforma, ou seja, aquela que melhor atende aos interesses dos grupos a que eles servem ou representam. A democracia que eles querem é a democracia para liquidar com a Petrobrás; é a democracia dos monopólios privados, nacionais e internacionais, é a democracia que luta contra os governos populares e que levou Getúlio Vargas ao supremo sacrifício.&#8221; Nossa proposta deve ser clara, objetiva e transformista, na legalidade constitucional, na doutrina que nos orienta do positivismo, mas além de tudo ampla e nacionalista. Vamos propor a nossa luta sem dissimulo, vamos propor a retomada e reestatização da Vale, da Embratel, Telesp, Telemar, CEEE, CSN, BEG, BEA, etc., etc. e de tantas outras privatarias que não caberiam neste artigo. A terceira via está em curso. É o trabalhismo nacionalista. Tem cara e tem coragem, tem história e realizações suficientes para a retomada da Pátria, para a retomada da soberania, da dignidade, da educação e das oportunidades iguais para todos. Basta de conversinhas meritocratas em um país tremendamente injusto e sem igualdade de oportunidades. Basta de discursar pelos pobres outorgando privilégios para os barões da mídia e para banqueiros. Fazendo concessões espúrias no apagar das luzes. O bipartidarismo entre oposição e governo está no fim, está nas mãos do povo brasileiro em 2018, construir a terceira via. A terceira via é a via trabalhista e nacionalista, vamos abraçar esta luta, vamos abraçar o Brasil. Com liberdade não ofenderemos, não temeremos e muito menos compactuaremos com os direitos de nossos trabalhadores. * João Vicente Goulart é diretor do Instituto Presidente João Goulart e filho do ex-presidente Jango.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><strong>por João Vicente Goulart*, da Agência Carta Maior</strong></p>
<p>O que vimos na votação do PLS 131 da Petrobras foi vergonhoso, rasteiro, inoportuno com nossa história de lutas à mercê da traição governamental da qual tínhamos esperança de resistência.</p>
<p>Estamos, todos aqueles que amamos o Brasil e nossa nacionalidade, iludidos, magoados e com muita falta de esperança, roubada no mais indigno e subterrâneo ocaso oportunista da subtração de nossos princípios de luta, com a atitude do governo ao negociar por debaixo do tatame a entrega do Pré-Sal, e a retirada da Petrobras do controle dos investimentos de nossas riquezas petrolíferas.</p>
<figure id="attachment_4234" aria-describedby="caption-attachment-4234" style="width: 650px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2016/03/1-de-março-jango-petrobras.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-4234" src="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2016/03/1-de-março-jango-petrobras-1024x609.jpg" alt="joão goulart" width="650" height="386" /></a><figcaption id="caption-attachment-4234" class="wp-caption-text">O ex-presidente João Goulart</figcaption></figure>
<p>A negociação espúria, ao apagar das luzes, deixou os próprios parlamentares da base a ver navios.</p>
<p>Navios negreiros, navios dos anjos negros, navios das sete irmãs petroleiras internacionais que naquele momento zarpavam e começavam a navegar a partir de nossas costas, transportando nossas esperanças como fizeram portugueses e espanhóis na nossa América Latina colônia. O ouro mudou de cor, mas não mudou de dono.</p>
<p>Sentimo-nos traídos e pior, desamparados por quem acreditávamos estar confiando e defendendo o patrimônio público de nossa Pátria. A surpresa após a votação no Senado com o placar de 40 a 26, com duas abstenções, negociados dentro do Planalto com a oposição na parte da tarde, retirando da Petrobras a primazia do direito de exploração do Pré-Sal, foi um ato de covardia, pois, não precisava tanto, bastava então, entregar o governo aos grandes bancos, aos interesses multinacionais, ao mercado ou, se quisessem aos perdedores da eleição de 2014, para que capitaneassem essas naves junto aos entreguistas e outros mercadores do destino nacional, terminando de privatizar o Brasil, ou melhor, continuar a vendê-lo como fez  o príncipe guru das privatizações, FHC, lesando a Pátria, seus filhos e descendentes, como um verdadeiro Pizarro, sangrando as “veias abertas” de nosso povo.</p>
<p>Está na hora de repensar nosso destino, nossos caminhos, reaver nossas esperanças e mergulharmos na história do trabalhismo; reagrupar as forças, extrair de nossas raízes os exemplos de lutas e de propostas da resistência nacional.  E, para tanto, temos direito de chão adquiridos ao longo de nossa trajetória.</p>
<p>Temos história de sobra para isto.</p>
<p>O trabalhismo propôs ao país o salário mínimo, a CLT, o voto feminino, a organização sindical, a reforma agrária, a reforma tributária, taxando o patrimônio das empresas, não os assalariados. Propusemos a reforma educacional, a lei do controle das remessas de lucros, a reforma urbana, a reforma bancaria que nenhum outro governo se animou a tocar; já desapropriamos empresas estrangeiras que exploravam e sugavam os trabalhadores brasileiros, já encampamos refinarias e outorgamos o monopólio a Petrobras, tanto da extração quanto do refino e já mostramos do que somos capazes, sem temer as reações dos prepotentes das baionetas e dos donos do capital.</p>
<p><a href="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2016/03/1-de-março-jango-petrobras-jornal-do-brasil.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-large wp-image-4236" src="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2016/03/1-de-março-jango-petrobras-jornal-do-brasil-1024x617.jpg" alt="joão goulart nacionalismo" width="650" height="391" /></a></p>
<p>Já é hora de lembrar isto ao povo brasileiro: nossas riquezas são nossas e não de quem tenha mais.</p>
<p>A democracia é a arte política da maioria de conquistar novos objetivos e não pode ser traída por interesses pessoais imaginando a eventualidade da ruptura institucional, arquitetada por manipulações subterrâneas em tribunais não representativos ou eleitos.</p>
<p>Já sofremos golpes contra nossas propostas, já amargamos exílio por não trair as conquistas sociais e políticas do nosso povo. Mas continuamos a almejar a libertação de nossos trabalhadores, donos reais de todas as riquezas desta terra miscigenada e brasileira.</p>
<p>A eleição de 2018 está próxima e nós temos história, nela temos propostas e no caminho desafios.</p>
<p>Falta botar a coragem na rua, “<strong><em>nas praças que são do povo e só ao povo pertencem”</em></strong>, e como disse também Jango, alertando os falsos democratas:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: right;"> <strong><em>&#8220;Desgraçada a democracia se tiver que ser defendida por tais democratas.</em></strong></p>
<p style="text-align: right;"><strong><em>Democracia para esses democratas não é o regime da liberdade de reunião para o povo: o que eles querem é uma democracia de povo emudecido, amordaçado nos seus anseios e sufocado nas suas reinvindicações.</em></strong></p>
<p style="text-align: right;"><strong><em>A democracia que eles desejam impingir-nos é a democracia anti-povo, do anti-sindicato, da anti-reforma, ou seja, aquela que melhor atende aos interesses dos grupos a que eles servem ou representam.</em></strong></p>
<p style="text-align: right;"><strong><em>A democracia que eles querem é a democracia para liquidar com a Petrobrás; é a democracia dos monopólios privados, nacionais e internacionais, é a democracia que luta contra os governos populares e que levou Getúlio Vargas ao supremo sacrifício.&#8221;</em></strong></p>
</blockquote>
<p>Nossa proposta deve ser clara, objetiva e transformista, na legalidade constitucional, na doutrina que nos orienta do positivismo, mas além de tudo ampla e nacionalista. Vamos propor a nossa luta sem dissimulo, vamos propor a retomada e reestatização da Vale, da Embratel, Telesp, Telemar, CEEE, CSN, BEG, BEA, etc., etc. e de tantas outras privatarias que não caberiam neste artigo.</p>
<p>A terceira via está em curso. É o trabalhismo nacionalista. Tem cara e tem coragem, tem história e realizações suficientes para a retomada da Pátria, para a retomada da soberania, da dignidade, da educação e das oportunidades iguais para todos.</p>
<p>Basta de conversinhas meritocratas em um país tremendamente injusto e sem igualdade de oportunidades.</p>
<p>Basta de discursar pelos pobres outorgando privilégios para os barões da mídia e para banqueiros. Fazendo concessões espúrias no apagar das luzes.</p>
<p>O bipartidarismo entre oposição e governo está no fim, está nas mãos do povo brasileiro em 2018, construir a terceira via. A terceira via é a via trabalhista e nacionalista, vamos abraçar esta luta, vamos abraçar o Brasil.</p>
<p>Com liberdade não ofenderemos, não temeremos e muito menos compactuaremos com os direitos de nossos trabalhadores.</p>
<p><strong>* João Vicente Goulart é diretor do Instituto Presidente João Goulart e filho do ex-presidente Jango.</strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>A ideologia trabalhista em prol do desenvolvimento nacional</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Cassio Moreira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 11 Sep 2015 18:54:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política análise]]></category>
		<category><![CDATA[alberto Pasqualini]]></category>
		<category><![CDATA[ciro gomes]]></category>
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					<description><![CDATA[por Cássio Moreira Partindo da visão de Moniz Bandeira que o trabalhismo é a versão brasileira da social-democracia europeia, escrevi em artigos anteriores que o PT, a partir de 2006-2007, começou a se tornar um partido trabalhista (social-democrata). O PT surgiu fruto da organização sindical de operários no final da década de 1970, dentro do vácuo político criado pela repressão do regime militar aos partidos comunistas tradicionais e aos grupos armados de esquerda existentes. Desde a sua fundação, apresenta-se como um partido de esquerda que defende o socialismo como forma de organização social. Contudo, seu principal líder nunca defendeu abertamente esse pensamento. Durante boa parte da sua existência, sempre teve uma postura crítica ao reformismo dos partidos políticos social-democratas (trabalhistas). Sempre houve uma certa rivalidade entre os dois, entretanto muito é verdade por falta de compreensão histórica do antigo PT. Considero um erro histórico o PT e Lula não terem apoiado Brizola à presidência da república em 1989. Embora, após a redemocratização, foi o partido herdeiro das massas do velho PTB, foi apenas a partir do final do primeiro mandato do governo Lula que passou a tornar-se um partido social-democrata. De um primeiro governo (2003-2006) social-liberal passou a ganhar contornos de partido social-democrata (trabalhista) no segundo mandato de Lula (2007-2010). O Brasil mudou muito nesses últimos 15 anos. Pela primeira vez conseguimos manter um período de crescimento com distribuição de renda. As políticas de inclusão social foram os grandes méritos desses governos. Entretanto, muitas questões ainda estão na pauta do dia. Como reformas estruturais e a desindustrialização do país. Se é verdade que o saldo dos governos do PT são mais do que positivos, o saldo negativo é um profundo desgaste político, com a ausência injustificada de melhores comunicações sociais que alimentam a crise econômica atual. Natural para um partido que há tanto tempo está no poder e que é atacado de forma articulada e sistêmica pelos meios de comunicação, cujo objetivo principal é desconstruir um partido para barrar um projeto nacional de desenvolvimento. O desafio posto é como manter e aprofundar um projeto trabalhista num contexto político cada vez mais conservador. A questão chave é continuar o projeto, e aprofundá-lo, trocando o partido que o encabeçará? Além da possível candidatura de Lula do PT para 2018, surge uma nova esperança nas forças progressistas: o casamento perfeito entre Ciro Gomes e PDT. O primeiro pode ter trocado de partido várias vezes, mas nunca trocou de lado. O segundo é o herdeiro teórico do trabalhismo autêntico e um partido orgânico e, conjuntamente com seu irmão, o PT, com a construção teórica de esquerda. A união da esquerda progressista em prol de um projeto nacional de desenvolvimento O PT vive, assim como os demais partidos, um problema de renovação de quadros. O fato de ser governo traz ao partido uma tendência de ir perdendo espaço no campo eleitoral. Seria muito bom, inclusive para o próprio PT, que surgissem forças políticas consistentes à sua esquerda. Infelizmente, as alternativas existentes ainda não conseguiram superar o pragmatismo, a falta de um projeto consistente e viável à esquerda (baseado na doutrina trabalhista, pois esse é o único projeto viável de esquerda dentro do espectro capitalista) e a obsessão em eleger o PT como principal adversário. O PDT pode e deve ser essa alternativa. Mas pra isso não deve ser uma alternativa ao PT ou antipetista, e sim uma alternativa de esquerda e não ao PT. Deve crescer cada vez mais ao lado do PT e, aos poucos e de forma natural, ser a continuação (e o aprofundar) desse projeto trabalhista em curso (inclusive com o apoio do próprio PT). Esse projeto trabalhista atual tem como núcleo o fortalecimento do Estado, da distribuição de renda. O PDT é um partido que pode, finalmente, construir condições para avançar para as sempre atuais Reformas de Base.  Leia texto do autor deste texto no jornal Correio do Povo sobre Jango e as Reformas de Base. Em síntese, o projeto trabalhista iniciou com Vargas, depois houve uma tentativa de aprofundamento com Goulart do PTB antigo, e estava sendo resgatado com Lula-Dilma do PT até a crise política de 2015. Mas deve ser continuado com Ciro Gomes e o PDT. Conforme palavras da presidenta Dilma na campanha em 2010: ”Nós podemos dizer hoje que somos a continuidade desse processo” (referindo-se a história do trabalhismo) e cita que o objetivo do seu governo é mesmo do governo do ex-presidente João Goulart: “promover progresso com Justiça, desenvolvimento com distribuição de renda”. Em outro discurso na campanha de 2014 faz questão de citar conquistas sociais e econômicas promovidas pelos governos dos presidentes Getúlio Vargas e João Goulart – como a criação da Petrobras, da Vale do Rio Doce e do BNDES e, também, a permanente luta de Brizola e Darcy Ribeiro pela educação pública de qualidade. Dilma salienta a importância e o legado de Getúlio Vargas. &#8220;Sem ele não teríamos o Estado nacional e a sua estrutura que temos hoje&#8221;. Sobre João Goulart, classificou-o como &#8220;um democrata que construía consensos&#8221; e que colocou no centro dos debates pautas que até hoje são exigidas pela população. Para definir Darcy Ribeiro, Dilma afirmou que foi &#8220;o homem capaz de pensar a Universidade de Brasília, como ela é hoje, e de também projetar os Cieps (Centros Integrados de Educação Pública)&#8221;. Por fim, emocionada, referiu-se a Leonel Brizola como o político da legalidade e que &#8220;deu início a política de expansão da educação&#8221;. Continua, citando que uma das maiores contribuições do PT a esse projeto é a diminuição das desigualdades sociais alcançada nos últimos anos. Segundo ela, houve um aumento expressivo do salário mínimo real. &#8220;Enquanto a renda per capita cresceu para os mais pobres, daqueles que saíram da miséria e ascenderam socialmente. Por isso, conseguimos diminuir as desigualdades sociais (que é um problema histórico) nos últimos anos&#8221;, enfatizou. Nesse mesmo discurso a presidenta associou a antiga União Democrática Nacional (UDN) (que fazia oposição aos governos de Getúlio e de Jango) com os principais oposicionistas ao governo do PT que]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;">por Cássio Moreira</p>
<p>Partindo da visão de Moniz Bandeira que o trabalhismo é a versão brasileira da social-democracia europeia, escrevi em artigos anteriores que o PT, a partir de 2006-2007, começou a se tornar um partido trabalhista (social-democrata).</p>
<p>O PT surgiu fruto da organização sindical de operários no final da década de 1970, dentro do vácuo político criado pela repressão do regime militar aos partidos comunistas tradicionais e aos grupos armados de esquerda existentes. Desde a sua fundação, apresenta-se como um partido de esquerda que defende o socialismo como forma de organização social. Contudo, seu principal líder nunca defendeu abertamente esse pensamento. Durante boa parte da sua existência, sempre teve uma postura crítica ao reformismo dos partidos políticos social-democratas (trabalhistas).</p>
<p>Sempre houve uma certa rivalidade entre os dois, entretanto muito é verdade por falta de compreensão histórica do antigo PT. Considero um erro histórico o PT e Lula não terem apoiado Brizola à presidência da república em 1989.</p>
<p>Embora, após a redemocratização, foi o partido herdeiro das massas do velho PTB, foi apenas a partir do final do primeiro mandato do governo Lula que passou a tornar-se um partido social-democrata. De um primeiro governo (2003-2006) social-liberal passou a ganhar contornos de partido social-democrata (trabalhista) no segundo mandato de Lula (2007-2010).</p>
<figure id="attachment_3621" aria-describedby="caption-attachment-3621" style="width: 500px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2015/09/11-de-setembro-lula-e-brizola-1989-foto-1.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-3621" src="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2015/09/11-de-setembro-lula-e-brizola-1989-foto-1.jpg" alt="brizola e lula 1989 " width="500" height="316" /></a><figcaption id="caption-attachment-3621" class="wp-caption-text">Brizola e Lula na eleição de 1989</figcaption></figure>
<p>O Brasil mudou muito nesses últimos 15 anos. Pela primeira vez conseguimos manter um período de crescimento com distribuição de renda. As políticas de inclusão social foram os grandes méritos desses governos. Entretanto, muitas questões ainda estão na pauta do dia. Como reformas estruturais e a desindustrialização do país.</p>
<p>Se é verdade que o saldo dos governos do PT são mais do que positivos, o saldo negativo é um profundo desgaste político, com a ausência injustificada de melhores comunicações sociais que alimentam a crise econômica atual. Natural para um partido que há tanto tempo está no poder e que é atacado de forma articulada e sistêmica pelos meios de comunicação, cujo objetivo principal é desconstruir um partido para barrar um projeto nacional de desenvolvimento.</p>
<p>O desafio posto é como manter e aprofundar um projeto trabalhista num contexto político cada vez mais conservador. A questão chave é continuar o projeto, e aprofundá-lo, trocando o partido que o encabeçará?</p>
<p>Além da possível candidatura de Lula do PT para 2018, surge uma nova esperança nas forças progressistas: o casamento perfeito entre Ciro Gomes e PDT. O primeiro pode ter trocado de partido várias vezes, mas nunca trocou de lado. O segundo é o herdeiro teórico do trabalhismo autêntico e um partido orgânico e, conjuntamente com seu irmão, o PT, com a construção teórica de esquerda.</p>
<figure id="attachment_3624" aria-describedby="caption-attachment-3624" style="width: 1000px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2015/09/11-de-setembro-ciro-gomes-foto-2.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-3624" src="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2015/09/11-de-setembro-ciro-gomes-foto-2.jpg" alt="ciro gomes pdt" width="1000" height="562" /></a><figcaption id="caption-attachment-3624" class="wp-caption-text">Ciro Gomes acaba de se filiar ao PDT</figcaption></figure>
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="539p14373Y"><p><a href="https://zonacurva.com.br/uniao-da-esquerda-progressista-em-prol-de-um-projeto-nacional-de-desenvolvimento/">A união da esquerda progressista em prol de um projeto nacional de desenvolvimento</a></p></blockquote>
<p><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;A união da esquerda progressista em prol de um projeto nacional de desenvolvimento&#8221; &#8212; Zona Curva" src="https://zonacurva.com.br/uniao-da-esquerda-progressista-em-prol-de-um-projeto-nacional-de-desenvolvimento/embed/#?secret=Qjo2dEJuLI#?secret=539p14373Y" data-secret="539p14373Y" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
<p>O PT vive, assim como os demais partidos, um problema de renovação de quadros. O fato de ser governo traz ao partido uma tendência de ir perdendo espaço no campo eleitoral. Seria muito bom, inclusive para o próprio PT, que surgissem forças políticas consistentes à sua esquerda. Infelizmente, as alternativas existentes ainda não conseguiram superar o pragmatismo, a falta de um projeto consistente e viável à esquerda (baseado na doutrina trabalhista, pois esse é o único projeto viável de esquerda dentro do espectro capitalista) e a obsessão em eleger o PT como principal adversário.</p>
<p>O PDT pode e deve ser essa alternativa. Mas pra isso não deve ser uma alternativa ao PT ou antipetista, e sim uma alternativa de esquerda e não ao PT. Deve crescer cada vez mais ao lado do PT e, aos poucos e de forma natural, ser a continuação (e o aprofundar) desse projeto trabalhista em curso (inclusive com o apoio do próprio PT).</p>
<p>Esse projeto trabalhista atual tem como núcleo o fortalecimento do Estado, da distribuição de renda. O PDT é um partido que pode, finalmente, construir condições para avançar para as sempre atuais Reformas de Base.</p>
<p style="text-align: right;"> <strong>Leia texto do autor deste texto no jornal Correio do Povo sobre Jango e as Reformas de Base.</strong></p>
<p>Em síntese, o projeto trabalhista iniciou com Vargas, depois houve uma tentativa de aprofundamento com Goulart do PTB antigo, e estava sendo resgatado com Lula-Dilma do PT até a crise política de 2015. Mas deve ser continuado com Ciro Gomes e o PDT.</p>
<p>Conforme palavras da presidenta Dilma na campanha em 2010: ”Nós podemos dizer hoje que somos a continuidade desse processo” (referindo-se a história do trabalhismo) e cita que o objetivo do seu governo é mesmo do governo do ex-presidente João Goulart: “promover progresso com Justiça, desenvolvimento com distribuição de renda”.</p>
<p>Em outro discurso na campanha de 2014 faz questão de citar conquistas sociais e econômicas promovidas pelos governos dos presidentes Getúlio Vargas e João Goulart – como a criação da Petrobras, da Vale do Rio Doce e do BNDES e, também, a permanente luta de Brizola e Darcy Ribeiro pela educação pública de qualidade. Dilma salienta a importância e o legado de Getúlio Vargas. &#8220;Sem ele não teríamos o Estado nacional e a sua estrutura que temos hoje&#8221;. Sobre João Goulart, classificou-o como &#8220;um democrata que construía consensos&#8221; e que colocou no centro dos debates pautas que até hoje são exigidas pela população. Para definir Darcy Ribeiro, Dilma afirmou que foi &#8220;o homem capaz de pensar a Universidade de Brasília, como ela é hoje, e de também projetar os Cieps (Centros Integrados de Educação Pública)&#8221;. Por fim, emocionada, referiu-se a Leonel Brizola como o político da legalidade e que &#8220;deu início a política de expansão da educação&#8221;.</p>
<p>Continua, citando que uma das maiores contribuições do PT a esse projeto é a diminuição das desigualdades sociais alcançada nos últimos anos. Segundo ela, houve um aumento expressivo do salário mínimo real. &#8220;Enquanto a renda per capita cresceu para os mais pobres, daqueles que saíram da miséria e ascenderam socialmente. Por isso, conseguimos diminuir as desigualdades sociais (que é um problema histórico) nos últimos anos&#8221;, enfatizou. Nesse mesmo discurso a presidenta associou a antiga União Democrática Nacional (UDN) (que fazia oposição aos governos de Getúlio e de Jango) com os principais oposicionistas ao governo do PT que são o PSDB e o DEM e faz outro elo com o trabalhismo de Vargas e Goulart. Afirmou que o trabalhismo conhece todas as artimanhas e o golpismo dos nossos adversários. Da UDN, no passado, aos opositores atuais&#8221;, declarou Dilma. No segundo mandato, essa visão é reforçada desde o início com a escolha do lema do novo governo “Brasil, Pátria Educadora”, sendo que Dilma afirmou, em discurso de posse, que essa frase sintetiza a educação como prioridade de seu governo.</p>
<figure id="attachment_3625" aria-describedby="caption-attachment-3625" style="width: 828px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2015/09/1961-–-João-Goulart-com-Lincoln-Gordon-Embaixador-dos-E.U.A.-ao-centro.-arquivo-última-hora.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-3625" src="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2015/09/1961-–-João-Goulart-com-Lincoln-Gordon-Embaixador-dos-E.U.A.-ao-centro.-arquivo-última-hora.jpg" alt="jango lincoln gordon" width="828" height="554" /></a><figcaption id="caption-attachment-3625" class="wp-caption-text">João Goulart (à direita) com Lincoln Gordon, embaixador dos Estados Unidos, em 1961 (fonte: Arquivo do jornal Última Hora)</figcaption></figure>
<p>Dilma faz parte de uma corrente (não-oficial) trabalhista dentro do PT. Entretanto, pela proximidade dela com Lula, e pela influência deste dentro do partido, faz com que o trabalhismo tenha sido revisto. Não mais como populismo, mas sim como a alternativa viável de esquerda para o Brasil. Lira Neto afirma que o PT “encarna” a herança do projeto nacional-desenvolvimentista de Getúlio Vargas. “Lula, queiramos ou não, é junto com Getúlio a personalidade mais popular de toda história brasileira”. Segundo o autor da mais recente biografia do ex-presidente gaúcho, o governo do PT tem ideias semelhantes às de Getúlio ao defender um Estado interventor.</p>
<p>Afirmou Lula no dia 30 de agosto de 2007 durante uma reunião ministerial: “estou convencido de que as realizações sociais e econômicas e de projeto de país só terão comparação com o governo do presidente Getúlio Vargas”. Em outro discurso no sindicato dos trabalhadores de Processamento de Dados de São Paulo em 2010, Lula afirmou que: “muitas das coisas boas que temos (devemos) à coragem de Getúlio Vargas, à visão de Estado que tinha Getúlio Vargas. Estamos convencidos de que Getúlio prestou esse serviço ao Brasil. Lamentavelmente, uma parte da elite brasileira, inclusive uma parte da elite intelectual, (vive) inconformada porque não conseguiu ganhar o golpe de 32 que chamam de revolução. Aquilo foi uma tentativa de golpe. Não se conformam. É muito triste aqui em São Paulo a gente não encontrar uma rua com o nome de Getúlio Vargas”. E mais adiante completou: “Eu tenho divergências com Vargas na questão da estrutura sindical (…) mas eu sou capaz de ter divergências com um companheiro e não ver só defeito, ver as virtudes que a pessoa tem. Eu acho que Getúlio foi um excepcional presidente deste país”.</p>
<p>A convocatória para o 5º Congresso do PT teve o seguinte texto: “a história do século XX e dos primeiros anos deste século mostra como as classes dominantes e seus aparelhos reagem contra governos que vão na contramão de seus interesses particulares. A partir de 2003, de forma intermitente, tratou-se de anular os notórios êxitos do Governo, com campanhas que procuravam ou desconstruir as realizações do Governo Lula ou tachá-lo de ‘incapaz’ e ‘corrupto’. Sabe-se que denúncias sobre corrupção sempre foram utilizadas pelos conservadores no Brasil para desestabilizar governos populares, como os casos de Vargas e Goulart”.</p>
<p>Getúlio Vargas, João Goulart, de certo modo JK, Lula e Dilma, todos têm como adversário comum o liberalismo. Ciro Gomes e PDT também. Entretanto, o grande cuidado que o PDT deve ter, e o risco ainda não tem mensuração, é de que as forças conservadoras de direita dentro do PDT (existem centro de esquerda &#8211; cada vez menores &#8211; dentro do PMDB e PSB)  desconfigurem o partido de forma a enfraquecer o acúmulo de forças necessário para aprofundar o projeto trabalhista (que está paralisado com a crise política, cujo governo está refém do PMDB). Um exemplo desse núcleo de direita dentro do PDT é a aliança com o PMDB de Sartori no Rio Grande do Sul.</p>
<p>O antídoto é a construção, no campo das esquerdas, de um projeto eleitoral sólido e trabalhista para afastar-se do proselitismo eleitoral e do cretinismo parlamentar tão comum aos partidos. Para isso a formação ideológica passa a ter caráter fundamental, e deve ser feito em conjunto com os institutos dos partidos. Devemos todos ler <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Alberto_Pasqualini" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><strong>Alberto Pasqualini</strong> </a>, que está cada vez mais atual nos dias de hoje.</p>
<p>O trabalhismo, enquanto ideologia política, está fortemente ameaçado pela onda conservadora propagada pelos meios de comunicação, que nesse primeiro momento centram forças contra Lula, Dilma e o PT. Mas caso o PDT e Ciro atinjam um protagonismo nacional, as baterias serão centradas contra eles. Pois o inimigo real das forças neoliberais é o pensamento trabalhista. Portanto, a questão a ser debatida é a manutenção, e o aprofundamento, desse projeto ao longo prazo. O Trabalhismo é a única alternativa viável de esquerda dentro do capitalismo.</p>
<p>O Golpe de 1964, em sua vigência, teve como objetivo varrer o pensamento e os líderes trabalhistas. Embora, em virtude do contexto internacional, o pretexto foi o combate ao comunismo. Por isso, cada vez mais estratégico e necessário a aproximação entre PDT, PT e PCdoB em diversos Estados e Municípios no Brasil em 2016.</p>
<p>O que presenciamos hoje é a desconstrução de uma imagem de forma tão hábil e sistêmica como é a que se tem feita contra a presidenta Dilma Rousseff. Os meios de comunicação têm construído essa imagem de incompetência e corrupção quando na verdade temos uma presidenta das mais corretas das últimas décadas.</p>
<p>Faz 8 trimestres que a taxa de investimento cai no país. Por &#8220;coincidência&#8221; desde as manifestações de junho de 2013.</p>
<p><a href="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2015/09/11-de-setembro-gráfico-investimentos-brasil-foto-4.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-3626" src="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2015/09/11-de-setembro-gráfico-investimentos-brasil-foto-4.png" alt="11 de setembro gráfico investimentos brasil foto 4" width="836" height="581" /></a></p>
<p>Como todos sabem, um das variáveis fundamentais para a expansão do investimento são as expectativas. O terrorismo midiático começou desde que o governo Dilma iniciou a baixa da taxa de juros, por meio do que restou dos bancos públicos, e o PT defendeu em seu congresso a regulamentação da mídia (no início do primeiro governo Dilma).</p>
<p><a href="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2015/09/11de-setembro-gráfico-2-foto-5.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-3628" src="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2015/09/11de-setembro-gráfico-2-foto-5.png" alt="11de setembro gráfico 2 foto 5" width="563" height="315" /></a></p>
<p>Essa “campanha orquestrada” pela grande mídia fez com que as expectativas passassem a ser pessimistas, agravado nesse contexto de crise internacional. Depois veio as eleições completamente polarizadas e assim o Brasil entrou num ciclo vicioso até hoje. A estratégia de ridicularizar a presidenta para colocar nela o atestado de incompetente, em conjunto com a manipulação da mídia atrelando exclusivamente o PT a corrupção, enfraqueceu politicamente o governo trabalhista e barrou o projeto social-desenvolvimentista . A presidenta seria reeleita em primeiro turno em maio de 2013, após a canalização das manifestações de junho desse ano ela quase não se reelegeu e está com uma popularidade baixíssima.</p>
<p><a href="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2015/09/11-de-setembro-gráfico-3-avaliação-dilma-foto-6.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-3629" src="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2015/09/11-de-setembro-gráfico-3-avaliação-dilma-foto-6.jpg" alt="11 de setembro gráfico 3 avaliação dilma foto 6" width="699" height="420" /></a></p>
<p>A única forma de convencer as pessoas, especialmente a imensa massa de trabalhadores, a derrotar um projeto que as beneficia é o ridicularizando-o. Em 2014 dois projetos nitidamente antagônicos marcaram as eleições de outubro. De um lado, o projeto social-democrata (trabalhista), encabeçado pelo PT, focado no crescimento econômico com distribuição de renda por meio de programas de transferência de renda e numa significativa melhora no salário mínimo. De outro lado, o projeto neoliberal, que usa o argumento da meritocracia (sem igualdade de oportunidades) para fortalecer uma ideologia liberal de livre mercado sem intervenção do estado. Felizmente, o projeto escolhido foi o que tem diminuído consideravelmente o maior de todos os problemas brasileiros que é a nossa IMENSA desigualdade socioeconômica. Entretanto, o país mostra sua face despolitizada nas redes sociais, que juntamente com o cartel da mídia, ajuda a alimentar a desinformação e a ignorância. Embora o projeto neoliberal saiu derrotado das urnas, ele está cada vez mais fortalecido. Um projeto que vê na força do livre-mercado a solução egoísta para problemas que requerem cada vez mais solidariedade.</p>
<p>Para esse ideário neoliberal cooptar o voto da maioria dos cidadãos-contribuintes-eleitores, em sua grande maioria formada por trabalhadores, seria necessário desconstruir o outro projeto e impedir de qualquer forma que esse elegesse o presidente da república e uma maioria no congresso progressista, isso seria muito perigoso (assim como foi em 1964 com o presidente João Goulart) para a classe dominante do país. O primeiro a ser convencido é a classe que mais é influenciada pelos meios de comunicação: a Classe Média, principalmente a emergente, que foram cooptadas pelo discurso da meritocracia e não pelas condições que esses governos criaram para que essas pessoas ascendessem de classe. O neoliberalismo anda junto, enquanto discurso, com uma espécie de Darwinismo social. O egoísmo crescente da sociedade estimula o discurso de que os mais fortes sobrevivem e a solidariedade e a responsabilidade coletiva perde força frente a um individualismo exacerbado.</p>
<p>Conforme o engenheiro Paulo Metri, nos “últimos tempos, têm pessoas, principalmente da classe média, que odeiam com toda alma o PT. Não conseguem pensar com isenção sobre qualquer questão em que este partido esteja envolvido. Reagem emocionalmente, inclusive sem a possibilidade de existir um diálogo construtivo com elas. Não ouvem argumento algum se ele ressaltar um aspecto positivo do PT. Esta reação emocional é, em grande parte, de responsabilidade da mídia tradicional, que é parte integrante do capital. Os transbordantes de ódio nem entendem que são manipulados”. A pergunta que fica é: como convencer as pessoas, em grande maioria as menos privilegiadas materialmente, a escolherem o projeto neoliberal (que as prejudica) em detrimento do trabalhista que as beneficia?</p>
<p>A resposta é simples: por meio da repulsa a um projeto e não pela aceitação de outro.</p>
<p style="text-align: right;"><strong> </strong><a href="http://www.zonacurva.com.br/comunicado-urgente-a-classe-media-nao-ha-vagas-na-fiesp/"><strong>Leia texto “Comunicado urgente à classe média: não há vagas na Fiesp”</strong></a></p>
<p>Parafraseando o célebre artigo de Carlos Lacerda contra o governo nacionalista de Getúlio Vargas e que é o lema da oposição: “A Sra. Dilma Rousseff, presidenta, não deve ser candidata à presidência. Candidata, não deve ser eleita. Eleita não deve tomar posse. Empossada, devemos recorrer a um impeachment (ou um golpe) para impedi-la de governar”.</p>
<p>A marca que entrará para a história dos últimos presidentes do Brasil será essa:</p>
<ul>
<li>Itamar Franco o da estabilidade monetária;</li>
<li>Fernando Henrique Cardoso o criador da Lei de Responsabilidade Fiscal;</li>
<li>Lula o da inclusão social;</li>
<li>Dilma Rousseff o do combate à corrupção.</li>
</ul>
<p>Corrupção essa que é usada desde antigamente para atacar governos trabalhistas. A passagem abaixo ajuda a ilustrar isso:</p>
<p>“Somos um povo honrado governado por ladrões” (TRIBUNA DA IMPRENSA, 1954)</p>
<p>“Baderna é a tática da oposição: guerra de rua para impeachmnt de Jango” (ÚLTIMA HORA, 1964).</p>
<p>“Considerado desastroso para o país um 13º salário” (O GLOBO, 1962).</p>
<p>“Aventureiros e malfeitores acompanhavam o chefe do governo (Getúlio Vargas)” (O GLOBO, 1962).</p>
<p>“A corrupção gerou a revolta” (O GLOBO, 1962).</p>
<p>“Um sindicato de assassinos e ladrões tomou conta do poder”  (O GLOBO, 1962).</p>
<p>Quase todos os jornais da época acusavam os governos trabalhistas de Getúlio Vargas e João Goulart de corrupção. Tanto que na eleição de 1961 o candidato de oposição Jânio Quadros adotou, como símbolo, uma vassoura.</p>
<p>Com a renúncia de Jânio Quadros, presidente que se elegera em 1961 prometendo varrer a corrupção do país (a corrupção não foi inventada pelo PT como parte da mídia insiste em repetir), João Goulart chegou à presidência. Para permitir que Jango assumisse a presidência, os conservadores modificaram o sistema político do país em tempo recorde. Após um período parlamentarista, Goulart retomou os poderes de presidente e partiu para as chamadas Reformas de Base.</p>
<figure id="attachment_3630" aria-describedby="caption-attachment-3630" style="width: 828px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2015/09/11-de-setembro-1961-–-Jango-no-dia-de-sua-posse-para-Presidente-da-República-em-Brasília-foto-7.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-3630" src="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2015/09/11-de-setembro-1961-–-Jango-no-dia-de-sua-posse-para-Presidente-da-República-em-Brasília-foto-7.jpg" alt="11 de setembro 1961 – Jango no dia de sua posse para Presidente da República, em Brasília foto 7" width="828" height="639" /></a><figcaption id="caption-attachment-3630" class="wp-caption-text">Jango no dia de sua posse para Presidente da República, em Brasília, em 1961 (fonte: arquivo do Última Hora)</figcaption></figure>
<p>Desde a época de João Goulart e suas Reformas de Base, que a reforma política era a base de todas as reformas. Nessa época, San Tiago Dantas, que assumiu o ministério da Fazenda do governo de Goulart em 1963, pregava que existiam duas esquerdas: a positiva e a negativa. A positiva estava embasada no processo histórico, no apoio às reformas de forma lenta e gradual. Compreendia os limites de um governo progressista tendo como contraponto um congresso conservador. Por outro lado, a esquerda negativa tinha pressa. Ansiava por revolução e suas propostas eram envoltas, por vezes, de uma simplicidade e ingenuidade típica dos idealistas. Muitas vezes o projeto era “o ser contra algo”, não necessariamente “o propor algo”. Havia partidos bem definidos nesses campos, e o “ser de esquerda” tinha dois significados. Ser comunista ou ser trabalhista (apelidados de pelegos). A diferença é que o primeiro pregava a revolução, a ruptura com o sistema; o segundo pregava as reformas no sistema capitalista. Em muitos casos, se uniam de modo temporário em prol de seus objetivos distintos.</p>
<p>Na época do golpe, conforme pesquisa do IBOPE, Jango contava com um bom índice de aprovação do seu governo. Entretanto, era acusado, principalmente por grande parte da grande mídia, de ser um presidente fraco, indeciso e de realizar um governo caótico e prestes a ser dominado pelos comunistas.</p>
<p>Entretanto, como a história é contada pelos vencedores, faltou dizer que o PTB antigo (em nada se parece com o atual) era o partido que mais crescia nas eleições e em breve teria maioria no congresso. E que João Goulart tinha um projeto consistente para o Brasil. A retomada do processo de substituição de importações em bens de capital e as Reformas de Base. Uma parte do projeto de nação do governo Goulart foi implementada pelo governo Geisel e seu II PND.</p>
<p>Na década de 1960, a doutrina trabalhista ganhava as mesas de bares e o Brasil começava a ter seus ídolos (assim como outras potências como EUA e URSS com seus Washington, Lincoln, Roosevelt, Lênin, Trotski, Stalin). Nós tínhamos o Dr. Getúlio Vargas e seus discípulos Jango e Brizola, Miguel Arraes, entre outros. Esses eram alguns dos executores de um projeto que ameaçava os interesses estrangeiros e de grande parte dos detentores do capital nacional.</p>
<p>O governo Jango tinha uma sustentação política muito frágil. PTB (antigo) aliado a um PSD (não tão antigo assim). O primeiro, de base operaria, abrigava os chamados pelegos, apelido dado pelos mais radicais, e tinha forte apoio dos movimentos sindicais. O segundo, com base no latifúndio e na maquina estatal. Com as Reformas de Base, principalmente a agrária, essa aliança é rompida e o PSD corre para os braços do PSDB-DEM, digo, UDN. É interessante observar que nomes ilustres de centro-esquerda apoiaram o golpe, tais como Ulysses Guimarães e JK.</p>
<p>Eles tinham a certeza de que o regime que se instalaria após o golpe de 1964 seria breve e que logo em 1965 seriam marcadas novas eleições. Ledo engano. O golpe não era contra o governo “caótico” de Jango, tampouco contra a ameaça comunista, embora a maioria dos executores do golpe achasse que sim. O golpe, já tentado em 1954, 1955 e 1961, foi contra um projeto de país consubstanciado dentro do programa de um partido político, o PTB (antigo), e das Reformas de Base, ou seja, contra o Trabalhismo.</p>
<p>O golpe durou 20 anos, pois é um tempo mais que necessário para apagar uma doutrina; pois isso não se faz em poucos anos e sim em gerações. Por isso foi necessário duas décadas de ditadura militar para varrer do mapa o pensamento trabalhista.</p>
<p>Infelizmente conseguiram…</p>
<p>Pasmem! Uma boa parte dos militantes e políticos de esquerda de hoje nunca leram Alberto Pasqualini, ademais alguns ainda atribuem ao trabalhismo (Getúlio e Jango) o termo “populismo”, mas não com sentido de popular, e sim, com o sentido pejorativo de demagogia.</p>
<p>Portanto, o golpe de 1964 foi contra o trabalhismo.</p>
<p>Hoje, em 2015, os tempos são outros, e o “ser de esquerda” não tem mais o mesmo significado. Atualmente, ser de esquerda é ser progressista e pregar uma maior intervenção do estado na economia. Ser de direita é defender o livre-mercado e ser mais conservador politicamente. Pode-se dizer que existe ainda, aquela extrema-esquerda (revolucionária) que continua tendo como proposta “soy gobierno soy contra”. Essa não compreende, ou não aceita, os limites da <em>realpolitik</em>, que infelizmente, e muitas vezes, se torna o tomá-lá-dá-cá dos governos com os partidos fisiológicos, seja por meio de mensalões, seja por meio de oferecimento de cargos, como vimos recentemente no filme “Abraham Lincoln” e a abolição da escravatura nos Estados Unidos.</p>
<p>Contudo, a defesa de um capitalismo com justiça social e um projeto nacional de desenvolvimento tendo o Estado o seu indutor deve unir os trabalhistas existentes nos diversos partidos. Pois ser de esquerda ou direita, hoje, está muito mais relacionado com a defesa do grau de intervenção do Estado na economia do que em relação à questão das multinacionais, do capital estrangeiro ou de fazer uma revolução. Ademais, a obtenção do poder por um partido político não deve ser um fim, e sim, um meio para executar um projeto.</p>
<p>O projeto trabalhista brasileiro teve sua germinação durante o primeiro governo de Vargas. Em 1951, Vargas volta ao poder nos braços do povo por meio de eleições democráticas e aprofundou mudanças iniciadas em seu primeiro governo. No segundo governo Vargas, eleito pelo PTB (antigo) o novo presidente imprimiu a marca de seu governo com a criação do PETROBRAS e do BNDE e consolidou o Estado como principal direcionador do desenvolvimento socioeconômico e com contribuições indeléveis de alguns pensadores, como Alberto Pasqualini, deixou o seu maior legado ao país: o projeto trabalhista (esboçado em sua carta-testamento). Por coincidência, os dois pilares que as forças neoliberais de direita atualmente querem enfraquecer: PETROBRAS e BNDES.</p>
<figure id="attachment_3631" aria-describedby="caption-attachment-3631" style="width: 640px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2015/09/11-de-setembro-getúlio-vargas-petrobras-foto-8.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-3631" src="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2015/09/11-de-setembro-getúlio-vargas-petrobras-foto-8.jpg" alt="getúlio vargas petrobras" width="640" height="452" /></a><figcaption id="caption-attachment-3631" class="wp-caption-text">Getúlio Vargas inaugura a Petrobras em 1953</figcaption></figure>
<p>O termo Trabalhismo é a denominação dada ao movimento operário para defesa dos seus interesses econômicos e políticos, sem ligação direta com os princípios socialistas vigentes na época da URSS. Originalmente, ele teve início na Inglaterra do século XIX, paralelamente à ideologia socialista com as lutas dos sindicatos por direitos trabalhistas e sociais. Embora o surgimento da legislação trabalhista e da justiça do trabalho tenha sido, em parte, consequência do processo de luta e das reivindicações operárias desenvolvida pelo mundo, o termo “Justiça do Trabalho” surgiu na Constituição de 1934, durante do governo Vargas. Mas na prática foi efetivada com o Decreto-lei nº 1.237 de 1939. Surgindo posteriormente, em 1942, a CLT.</p>
<p>João Goulart, o herdeiro político de Vargas, assumiu o poder em 1961 e tentou retomar o projeto varguista. No aspecto da legislação trabalhista, Jango expandiu a legislação para o campo e institui o décimo terceiro salário entre outras medidas. Na parte econômica e social tentou instituir as mudanças estruturais de uma economia em vias de industrialização, acrescentando novo ingrediente ao trabalhismo brasileiro: as reformas de base.</p>
<p>O projeto Vargas, que no âmbito econômico era chamado de Nacional-Desenvolvimentismo era representado pela tríade nacionalismo-industrialização-intervencionismo. Com o acréscimo da preocupação com o social (por meio das reformas de base com viés distributivista) esse projeto foi se transmutando no projeto trabalhista brasileiro com novas variantes do momento histórico do nacional-reformismo.</p>
<p>O conceito de trabalhismo, surgido na Inglaterra, passou por transformações adaptando-se à realidade brasileira e adquirindo características próprias. Nessas mudanças tiveram importância fundamental os escritos de Alberto Pasqualini, que tinha como base os princípios do solidarismo cristão (democracia-cristã). Pasqualini definia o trabalhismo como expressão equivalente a de capitalismo solidarista. Por esta expressão, tem-se que a ideologia trabalhista reconhece o capitalismo como sistema econômico, defendendo consequentemente a propriedade privada.</p>
<p>A ideologia trabalhista defende uma intervenção do Estado na economia, de modo a corrigir os excessos do sistema capitalista e atingir uma forma mais equilibrada e humana do capitalismo, dando ênfase nas políticas públicas com objetivo de melhorar a condição de vida dos trabalhadores, o que seria atingindo baseado na “conciliação de classes”. O trabalhismo sustenta a prevalência do trabalho sobre o capital, buscando a sua convivência harmônica, bem como a superação das diferenças de classe, sem violência, por meio da melhor distribuição da riqueza e da promoção da justiça social. Salienta Pasqualini que “o trabalhismo não é, pois, necessariamente, um movimento socialista. Como vimos, o socialismo não é um fim, mas um meio, isto é, uma forma de organização econômica tendo em vista a eliminação da usura social”.</p>
<p>Portanto, conforme a doutrina trabalhista, o capital deve ser um conjunto de meios instrumentais ou aquisitivos, dirigidos e coordenados pelo Estado, e muitas vezes executado pela iniciativa privada, mas sempre tendo em vista o desenvolvimento da economia e o bem-estar coletivo.  As ideias de Alberto Pasqualini centravam-se numa plataforma reformista que tinha como objetivo transformar o “capitalismo individualista em capitalismo solidarista, com uma socialização parcial do lucro”. Pasqualini acreditava que a ação governamental deveria ser eminentemente pedagógica.</p>
<p>A condução política far-se-ia pelo esclarecimento da sociedade, via mudança de mentalidade. O sistema educacional era, para ele, o caminho mais eficaz para realizar as reformas sociais, políticas e econômicas, superando assim o subdesenvolvimento do país. Sua concepção de Estado era a de que ele era fruto da evolução da sociedade. Ao fazer uso de uma analogia entre “cérebro e corpo”, o Estado é o cérebro da sociedade, o órgão mais especializado e complexo ao qual cabe um papel de direção e organização.</p>
<figure id="attachment_3634" aria-describedby="caption-attachment-3634" style="width: 600px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2015/09/11-de-setembro-alberto-pasqualini-foto-9.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-3634" src="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2015/09/11-de-setembro-alberto-pasqualini-foto-9.jpg" alt="alberto pasqualini" width="600" height="400" /></a><figcaption id="caption-attachment-3634" class="wp-caption-text">O político e sociólogo gaúcho Alberto Pasqualini</figcaption></figure>
<p>Portanto, as reformas necessárias ocorreriam por meio da mudança de mentalidade. Para isso era necessária uma reforma na consciência social, que diminuiria as práticas egoístas e as substituiria por ações solidárias, tais como cooperação, ordem, harmonia, lealdade, evitando, portanto, o confronto entre os interesses individuais (egoístas) com os interesses coletivos (morais). Pasqualini destacou principalmente a função moral do Estado: executar na prática o sistema solidário com suas especificidades.</p>
<p>Conclui Pasqualini que a socialização integral dos meios de produção (socialismo soviético, cubano, chinês) no estado atual da humanidade, poderia trazer ainda outros inconvenientes, pois o Estado se tornaria todo poderoso e seria difícil encontrar homens perfeitos para geri-lo. Acreditava ele que a tendência era para aumentar as funções do Estado, evoluindo da função simplesmente policial à função social e à função econômica. Essa evolução, porém, está condicionada a um maior grau de perfeição dos homens. Por outro lado, não será demais observar que, se a forma socialista da produção pode ser desaconselhada, não será para atender aos interesses capitalistas, mas para atender ao maior interesse da própria coletividade. Será desnecessário esclarecer que há setores da economia onde a socialização ou a estatização se impõe. Não há hoje países onde impere o puro regime capitalista.</p>
<p>O trabalhismo está à esquerda no sistema capitalista, assim como era o oposto do liberalismo na década de 1950-1960 atualmente é o oposto ao neoliberalismo econômico hegemônico nos anos 90. Não visa acabar com o capitalismo, mas adaptá-lo à realidade brasileira.</p>
<p>Nesse sentido a regulamentação dos meios de comunicação conforme prevê a constituição de 1988 (§ 5º &#8211; Os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio), ou seja, a não existência de oligopólio no setor de informação passa a ser estratégico e fundamental para incentivar esses valores solidários e coibir as ações egoístas.</p>
<p>Assim como Pasqualini, outra referência muito próxima ao trabalhismo, no âmbito econômico, é Celso Furtado que está associado com o chamado nacional-desenvolvimentismo, nacional-reformismo e inspirou o social-desenvolvimentismo.  Em um dos seus últimos artigos, Furtado deixa uma síntese de sua obra numa equação para uma estratégia de desenvolvimento nacional que são os pilares do projeto trabalhista brasileiro atualmente.</p>
<p>O desenvolvimento socio-econômico é fruto do crescimento da renda e do emprego com a implementação de políticas sociais ativas. O termo foi usado primeiramente pelo ex-ministro Guido Mantega, que ingressa, juntamente com Dilma, no núcleo do governo Lula e começa a influenciar nessa aproximação com o trabalhismo.</p>
<p>Atualmente, alguns pensadores formularam um novo termo para definir, no âmbito econômico, a atualização do projeto trabalhista, ou seja, o social-desenvolvimentismo que se baseia na associação entre aspectos econômicos e sociais em uma associação biunívoca.</p>
<p>O social-desenvolvimentismo mantém o caráter progressista do nacional-desenvolvimentismo, mas como uma adaptação a um novo contexto marcado pela globalização. Procura fortalecer a associação entre povo e estado por meio da democratização econômica e reconhece que o papel do Estado deixou de ser fortemente interventor ou produtor para se tornar, também, regulador ou indutor, isto é, por meio de planejamento indicativo e coordenação indireta. A nova tríade, que é uma evolução do nacional-desenvolvimentismo, consiste, portanto, em inclusão social &#8211; infraestrutura econômica e social &#8211; e capacitação profissional. A ideologia se transforma com o tempo. Assim como o liberalismo evoluiu para o neoliberalismo, o trabalhismo também se adaptou ao contexto histórico.</p>
<p>A liberdade e a solidariedade são bem maiores para um povo. São como pernas. Uma precisa da outra para termos o equilíbrio. Apenas podemos ter desenvolvimento com liberdade. Liberdade de escolha. Da possibilidade que as pessoas têm de desenvolver suas capacidades inatas como seres humanos e indivíduos sociais. O desenvolvimento econômico e social passa, portanto, na democracia econômica e para isso as pessoas poderem ter acesso à saúde, educação, moradia, segurança, renda e cultura. Para finalizar, as palavras do trabalhista inglês Tony Benn sintetizam bem esse conceito:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: right;"><em>“Acho que a democracia é a coisa mais revolucionária do mundo. Mais revolucionária do que ideias socialistas ou de qualquer outra pessoa [embora seja importante ressaltar que democracia é um meio (um veículo) e não um fim para uma sociedade mais justa e igualitária cujo caminho (a estrada) é o trabalhismo]. Se tiver poder, você o usa para prover as suas necessidades e as da sua comunidade. Essa é a ideia de escolha da qual “O Capital” fala constantemente: ‘Tem que ter uma escolha’. A escolha depende da liberdade de escolher. E, se estiver coberto de dívidas, não tem liberdade de escolha. Parece que o sistema se beneficia, se o trabalhador comum estiver coberto de dívidas. Pessoas endividadas perdem a esperança. E pessoas sem esperança não votam. Dizem que todas as pessoas devem votar. Mas acho que, se os pobres, na Grã-Bretanha ou nos Estados Unidos e [Brasil] votassem em pessoas que representassem seus interesses, seria uma verdadeira revolução democrática. E não querem que isso aconteça. Por isso mantêm as pessoas oprimidas e pessimistas. Penso que há duas formas de controlar as pessoas: primeiramente, assustando-as. E, em segundo, desmoralizando-as. Uma nação educada, saudável e confiante é mais difícil de governar. E acho que há um elemento no pensamento de algumas pessoas: Não queremos que as pessoas sejam educadas, saudáveis e confiantes. Porque ficariam fora de controle”.</em></p>
</blockquote>
<p>Data vênia, embora existem “reinos da verdade” espalhados por toda parte, essa é a minha opinião.</p>
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="Ux8Ykc0PAl"><p><a href="https://zonacurva.com.br/no-enterro-de-jango-o-comeco-de-uma-caminhada/">No enterro de Jango, o começo de uma caminhada</a></p></blockquote>
<p><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;No enterro de Jango, o começo de uma caminhada&#8221; &#8212; Zona Curva" src="https://zonacurva.com.br/no-enterro-de-jango-o-comeco-de-uma-caminhada/embed/#?secret=9UUuFMnzlw#?secret=Ux8Ykc0PAl" data-secret="Ux8Ykc0PAl" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
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		<item>
		<title>Como ministro de Vargas, Jango revelou as entranhas do Brasil</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Fernando do Valle]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Oct 2014 18:15:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[50 anos do golpe militar]]></category>
		<category><![CDATA[golpe de 64]]></category>
		<category><![CDATA[Jango]]></category>
		<category><![CDATA[jango anos 50]]></category>
		<category><![CDATA[jango direitos trabalhistas]]></category>
		<category><![CDATA[jango e Getúlio vargas]]></category>
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		<category><![CDATA[suicídio de Getúlio vargas]]></category>
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					<description><![CDATA[Bem-vindo ao Fatos da Zona, em que adaptamos os textos mais acessados do site do Zonacurva Mídia Livre. Neste vídeo, mergulhamos na vida e na trajetória política do presidente João Goulart, líder progressista que enfrentou desafios e lutou incansavelmente por justiça social no Brasil. Conheça a história desse presidente popular e suas políticas transformadoras que buscavam garantir direitos trabalhistas e combater as desigualdades. &#160; Jango &#8211; Com apenas 34 anos, João Goulart assume o relevante à época Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio, em junho de 1953, no governo Getúlio Vargas, e passa a receber em seu gabinete pessoas humildes e sindicalistas, muitos deles negros. A reação a nomeação do ministro foi imediata: empresários, militares e imprensa passam a orquestrar uma verdadeira campanha para derrubá-lo. O mandato de Jango como ministro durou apenas 8 meses e mostrou como a proximidade de trabalhadores à esfera do poder politico incomoda uma camada de privilegiados que enxerga o Estado como sua propriedade. Hoje o duro enfrentamento que veio à tona a poucos dias do segundo turno da eleição presidencial demonstra, apesar de nosso considerável amadurecimento democrático das últimas duas décadas, como a sociedade brasileira ainda não equalizou muitas de suas contradições. A oposição a Jango ainda está à espreita e metamorfoseou-se em defensora do MERCADO como a tábua de salvação de nossos ainda sérios problemas. Em 1953, a principal proposta do ministro previa aumento que dobrava o salário mínimo para 2.400 cruzeiros. A virulenta reação da oposição, principalmente dos quartéis, assustou o governo. Para evitar riscos ao mandato de Getúlio, seu padrinho político, João Goulart deixa o ministério em fevereiro de 54 e declara: “os trabalhadores podem ficar tranquilos, porque prosseguirei ao lado deles, mudando apenas de trincheira”. Em primeiro de maio (Dia do Trabalho) do mesmo ano, três meses antes do suicídio, Getúlio dobra o salário mínimo. “Os detratores das classes operárias não compreendem que um ministro de Estado possa falar com espontaneidade e estabelecer laços de afeto com criaturas de condição humilde&#8230; enquanto uns estão ameaçados e morrem mesmo de fome, outros ganham num ano aquilo que normalmente deveriam ganhar em 50 anos e até mesmo em um século” (JANGO) Jango alterou as relações entre Estado, classe trabalhadora e empresários. Com isso, os coronéis lançaram manifesto contra ele, os empresários enfureceram-se e a imprensa o atacou. Jango enfrentou a acusação da oposição de maquinar, com a ajuda do presidente argentino na época, Juan Domingo Perón, a implantação da República Sindicalista no Brasil. O jornalista Carlos Lacerda atacava o governo em seu jornal Tribuna da Imprensa. Em surtos de verdadeira psicose, conclamava o Congresso e a opinião pública a reagir contra “a República Sindicalista, a esdrúxula república jangueira, que fará do Sr. Getúlio Vargas, amorfo e dócil homem de quase 80 anos, mal vividos, um ditador que cochila, enquanto Jango age”. O barão das comunicações e à época senador, Assis Chateaubriand, subiu à tribuna do Congresso e disparou: “o político rio-grandense não faz outra coisa senão desenvolver a mais cruel e atormentada luta de classes até hoje vista. Nem o Partido Comunista já produziu uma campanha de atrito de classes tão perfeita, com o colorido que o Sr. Goulart tem desenvolvido”. Em pouco tempo no ministério, Jango conquistou a simpatia dos trabalhadores e passou a mediar inúmeras negociações entre empregados e patrões, o que era inédito na época. Em alguns casos, o ministro até chegava a estimular as mobilizações por melhores condições de trabalho. Em março de 53, a chamada greve dos 300 mil agitou São Paulo e fez surgir o Pacto de Unidade Intersindical (PUI), organização não alinhada à estrutura sindical pelega, comum à época. Em junho, a greve dos marítimos, inaugurou uma estratégia de negociação entre governo e sindicatos. Ao mesmo tempo, desencadeou o temor de muitos, a começar pelo ministro da Fazenda, Oswaldo Aranha, defensor de uma política de contenção de gastos e crítico de qualquer elevação salarial. O I Congresso de Previdência Social no Rio de Janeiro reuniu representantes de todo o país e estabeleceu um maior acesso dos sindicatos aos serviços assistenciais da previdência, além de um maior acesso dos sindicalistas (e também dos petebistas, partido de Jango) aos cargos da administração dos inúmeros Institutos de Pensões e Aposentadorias. A paciência e simplicidade de Goulart davam o tom para longas conversas com diversas lideranças sindicais, empresariais e políticas. Sua jornada estafante de trabalho começava às dez da manhã e terminava no meio da madrugada. Em outubro de 1953, Jango viajou pelo Norte e Nordeste do país e visitou inúmeros sindicatos. No retorno, 78 sindicatos tinham organizado uma recepção consagradora. Cerca de 4 mil pessoas o esperavam no aeroporto do Rio e o celebraram, Jango teve que subir na capota de um carro para que todos o vissem. Goulart mostrou indignação com as condições de trabalho daquela região do Brasil e relatou que havia trabalhadores com jornadas de 30 dias por mês, sem um único dia de descanso. Como pagamento, recebiam 10 quilos de farinha ou 15 de carne. “Acabo de percorrer vários Estados do Norte e do Nordeste e senti de perto a miséria e as privações dos nossos irmãos daquelas plagas. Ouvi trabalhadores de todas as categorias. Esses trabalhadores que vivem abandonados e sem o mínimo conforto” (Jango) Apesar dos esforços de Goulart e do governo, a crise econômica e a inflação deflagraram várias greves no segundo semestre de 1953. No congresso, integrantes da bancada da UDN (União Democrática Nacional), partido de oposição, chamada ironicamente de ‘banda de música’, subiam ao palanque inúmeras vezes para atacar o governo de Getúlio Vargas e em particular, Jango. Não resta dúvida de que a atuação de Jango no Ministério aproximou setores reacionários das Forças Armadas à UDN. O trabalho de Jango no governo colaborou para transformar Getúlio Vargas do ditador do Estado Novo em um líder de massas. Ambos se aproximaram quando Getúlio, após sofrer o golpe de 45, vivia na Estância Itu, a 80 quilômetros de São Borja (RS), terra natal de Getúlio e João Goulart. Isolado,]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Bem-vindo ao Fatos da Zona, em que adaptamos os textos mais acessados do site do Zonacurva Mídia Livre.</p>
<p>Neste vídeo, mergulhamos na vida e na trajetória política do presidente João Goulart, líder progressista que enfrentou desafios e lutou incansavelmente por justiça social no Brasil.</p>
<p>Conheça a história desse presidente popular e suas políticas transformadoras que buscavam garantir direitos trabalhistas e combater as desigualdades.</p>
<div class="ast-oembed-container " style="height: 100%;"><iframe title="Jango revelou as entranhas do Brasil - Fatos da Zona Ep. 3" width="1200" height="675" src="https://www.youtube.com/embed/NarUOPO2YWM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Jango &#8211; Com apenas 34 anos, João Goulart assume o relevante à época Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio, em junho de 1953, no governo Getúlio Vargas, e passa a receber em seu gabinete pessoas humildes e sindicalistas, muitos deles negros. A reação a nomeação do ministro foi imediata: empresários, militares e imprensa passam a orquestrar uma verdadeira campanha para derrubá-lo.</p>
<p>O mandato de Jango como ministro durou apenas 8 meses e mostrou como a proximidade de trabalhadores à esfera do poder politico incomoda uma camada de privilegiados que enxerga o Estado como sua propriedade. Hoje o duro enfrentamento que veio à tona a poucos dias do segundo turno da eleição presidencial demonstra, apesar de nosso considerável amadurecimento democrático das últimas duas décadas, como a sociedade brasileira ainda não equalizou muitas de suas contradições.</p>
<p>A oposição a Jango ainda está à espreita e metamorfoseou-se em defensora do MERCADO como a tábua de salvação de nossos ainda sérios problemas. Em 1953, a principal proposta do ministro previa aumento que dobrava o salário mínimo para 2.400 cruzeiros. A virulenta reação da oposição, principalmente dos quartéis, assustou o governo. Para evitar riscos ao mandato de Getúlio, seu padrinho político, João Goulart deixa o ministério em fevereiro de 54 e declara: “os trabalhadores podem ficar tranquilos, porque prosseguirei ao lado deles, mudando apenas de trincheira”. Em primeiro de maio (Dia do Trabalho) do mesmo ano, três meses antes do suicídio, Getúlio dobra o salário mínimo.</p>
<figure id="attachment_2734" aria-describedby="caption-attachment-2734" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2014/10/15-de-outubro-joão-goulart-ministro-do-trabalho-foto-1.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-2734 size-full" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/wp-content/uploads/2014/10/15-de-outubro-joão-goulart-ministro-do-trabalho-foto-1.jpg" alt="15 de outubro ministro do trabalho foto 1" width="620" height="469" /></a><figcaption id="caption-attachment-2734" class="wp-caption-text">Posse de João Goulart (cigarro na boca) como ministro do Trabalho, Indústria e Comércio (fonte: CPDOC &#8211; FGV)</figcaption></figure>
<blockquote>
<p style="text-align: right;"><strong>“Os detratores das classes operárias não compreendem que um ministro de Estado possa falar com espontaneidade e estabelecer laços de afeto com criaturas de condição humilde&#8230; enquanto uns estão ameaçados e morrem mesmo de fome, outros ganham num ano aquilo que normalmente deveriam ganhar em 50 anos e até mesmo em um século” (JANGO)</strong></p>
</blockquote>
<p>Jango alterou as relações entre Estado, classe trabalhadora e empresários. Com isso, os coronéis lançaram manifesto contra ele, os empresários enfureceram-se e a imprensa o atacou. Jango enfrentou a acusação da oposição de maquinar, com a ajuda do presidente argentino na época, Juan Domingo Perón, a implantação da República Sindicalista no Brasil.</p>
<p>O jornalista Carlos Lacerda atacava o governo em seu jornal <em>Tribuna da Imprensa</em>. Em surtos de verdadeira psicose, conclamava o Congresso e a opinião pública a reagir contra “a República Sindicalista, a esdrúxula república jangueira, que fará do Sr. Getúlio Vargas, amorfo e dócil homem de quase 80 anos, mal vividos, um ditador que cochila, enquanto Jango age”.</p>
<p>O barão das comunicações e à época senador, Assis Chateaubriand, subiu à tribuna do Congresso e disparou: “o político rio-grandense não faz outra coisa senão desenvolver a mais cruel e atormentada <strong>luta de classes </strong>até hoje vista. Nem o Partido Comunista já produziu uma campanha de atrito de classes tão perfeita, com o colorido que o Sr. Goulart tem desenvolvido”.</p>
<figure id="attachment_2735" aria-describedby="caption-attachment-2735" style="width: 900px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2014/10/15-de-outubro-carlos-lacerda-joão-goulart-foto-2.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-2735" src="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2014/10/15-de-outubro-carlos-lacerda-joão-goulart-foto-2.png" alt="15 de outubro carlos lacerda joão goulart foto 2" width="900" height="600" /></a><figcaption id="caption-attachment-2735" class="wp-caption-text">Carlos Lacerda usa o microfone da Rádio Globo de Roberto Marinho para atacar o governo Getúlio Vargas (fonte: www.robertomarinho.com.br)</figcaption></figure>
<p>Em pouco tempo no ministério, Jango conquistou a simpatia dos trabalhadores e passou a mediar inúmeras negociações entre empregados e patrões, o que era inédito na época. Em alguns casos, o ministro até chegava a estimular as mobilizações por melhores condições de trabalho.</p>
<p>Em março de 53, a chamada greve dos 300 mil agitou São Paulo e fez surgir o Pacto de Unidade Intersindical (PUI), organização não alinhada à estrutura sindical pelega, comum à época. Em junho, a greve dos marítimos, inaugurou uma estratégia de negociação entre governo e sindicatos. Ao mesmo tempo, desencadeou o temor de muitos, a começar pelo ministro da Fazenda, Oswaldo Aranha, defensor de uma política de contenção de gastos e crítico de qualquer elevação salarial.</p>
<p>O I Congresso de Previdência Social no Rio de Janeiro reuniu representantes de todo o país e estabeleceu um maior acesso dos sindicatos aos serviços assistenciais da previdência, além de um maior acesso dos sindicalistas (e também dos petebistas, partido de Jango) aos cargos da administração dos inúmeros Institutos de Pensões e Aposentadorias.</p>
<p>A paciência e simplicidade de Goulart davam o tom para longas conversas com diversas lideranças sindicais, empresariais e políticas. Sua jornada estafante de trabalho começava às dez da manhã e terminava no meio da madrugada.</p>
<p>Em outubro de 1953, Jango viajou pelo Norte e Nordeste do país e visitou inúmeros sindicatos. No retorno, 78 sindicatos tinham organizado uma recepção consagradora. Cerca de 4 mil pessoas o esperavam no aeroporto do Rio e o celebraram, Jango teve que subir na capota de um carro para que todos o vissem.</p>
<p>Goulart mostrou indignação com as condições de trabalho daquela região do Brasil e relatou que havia trabalhadores com jornadas de 30 dias por mês, sem um único dia de descanso. Como pagamento, recebiam 10 quilos de farinha ou 15 de carne.</p>
<figure id="attachment_2736" aria-describedby="caption-attachment-2736" style="width: 990px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2014/10/15-de-outubro-jango-foto-3.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-2736" src="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2014/10/15-de-outubro-jango-foto-3.jpg" alt="15 de outubro jango foto 3" width="990" height="614" /></a><figcaption id="caption-attachment-2736" class="wp-caption-text">Filhos de operários erguem faixa pelo aumento do salário mínimo (fonte: João Goulart, uma biografia, de Jorge Ferreira)</figcaption></figure>
<blockquote>
<p style="text-align: right;"><strong>“Acabo de percorrer vários Estados do Norte e do Nordeste e senti de perto a miséria e as privações dos nossos irmãos daquelas plagas. Ouvi trabalhadores de todas as categorias. Esses trabalhadores que vivem abandonados e sem o mínimo conforto” (Jango) </strong></p>
</blockquote>
<p>Apesar dos esforços de Goulart e do governo, a crise econômica e a inflação deflagraram várias greves no segundo semestre de 1953. No congresso, integrantes da bancada da UDN (União Democrática Nacional), partido de oposição, chamada ironicamente de ‘banda de música’, subiam ao palanque inúmeras vezes para atacar o governo de Getúlio Vargas e em particular, Jango. Não resta dúvida de que a atuação de Jango no Ministério aproximou setores reacionários das Forças Armadas à UDN.</p>
<p>O trabalho de Jango no governo colaborou para transformar Getúlio Vargas do ditador do Estado Novo em um líder de massas. Ambos se aproximaram quando Getúlio, após sofrer o golpe de 45, vivia na Estância Itu, a 80 quilômetros de São Borja (RS), terra natal de Getúlio e João Goulart. Isolado, o ex-presidente aproximou-se do jovem político e empresário local, que era amigo do filho de seu filho, Maneco.</p>
<p>Goulart presenteava Getúlio com charutos e ambos conversavam por horas. Nessas conversas, o ministro já demonstrava sua preocupação em <strong>diminuir a desigualdade social brasileira e a necessidade da reforma agrária</strong>. Entre 1947 e 1950, Jango foi um dos mais relevantes articuladores do caminho de retorno de Getúlio à presidência.</p>
<figure id="attachment_2737" aria-describedby="caption-attachment-2737" style="width: 623px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2014/10/15-de-outubro-joão-goulart-foto-4.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-2737 size-full" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/wp-content/uploads/2014/10/15-de-outubro-joão-goulart-foto-4.jpg" alt="15 de outubro ministro joão goulart foto 4" width="623" height="650" /></a><figcaption id="caption-attachment-2737" class="wp-caption-text">Jango (à direita) com o presidente do PTB, Danton Coelho, em foto de 1951 (fonte: CPDOC-FGV)</figcaption></figure>
<p>Incomensurável a angústia de Jango nos 12 anos de exílio (1964-1976) após o golpe civil-militar de 1964. Nesse período, o presidente deposto flertou com a depressão e manifestava para pessoas mais próximas seu imenso desejo de retornar ao Brasil. Morto em 1976, imagino Jango com o inseparável cigarro entre os dedos alertando pacientemente pela união das forças progressistas através do diálogo nesse embate atual pela presidência do país.</p>
<p><strong>Este texto foi inspirado pela leitura do brilhante livro ’João Goulart, uma biografia’, do historiador e professor da UFF (Universidade Federal Fluminense), Jorge Ferreira, fruto de mais de dez anos de sua pesquisa sobre Jango.</strong></p>
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		<title>Jango no comício que mudou o destino do país</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Zonacurva]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 13 Mar 2014 11:42:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[comicio joão goulart central do brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Comissão da verdade]]></category>
		<category><![CDATA[ditadura militar]]></category>
		<category><![CDATA[golpe de 64]]></category>
		<category><![CDATA[governo joão goulart 1961 1964]]></category>
		<category><![CDATA[João Goulart]]></category>
		<category><![CDATA[joão goulart biografia]]></category>
		<category><![CDATA[joão goulart reformas de base]]></category>
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					<description><![CDATA[JANGO &#8211; Em 13 de março de 1964, o presidente João Goulart reuniu 150 mil pessoas no Comício da Central do Brasil, na cidade do Rio de Janeiro, em prol das chamadas reformas de base de seu governo. Carlos Lacerda, governador da Guanabara e um dos principais opositores de Jango, teve a ideia de decretar feriado no dia 13 de março acreditando que, com isso, os trabalhadores não iriam ao comício. A tentativa não deu resultado. Organizado por uma comissão de líderes sindicais, o comício mostrou aos opositores o apoio popular às reformas propostas pelo governo, que pretendiam modernizar a estrutura do país em vários setores como o agrário, bancário, administrativo e eleitoral. João Goulart discursou por cerca de uma hora. No início, atacou os &#8220;democratas&#8221; e sua &#8220;democracia anti-povo e anti-reforma&#8221;. Jango os acusou de defender &#8220;uma democracia dos monopólios nacionais e internacionais&#8221;. Mais adiante, ele propôs a revisão da Constituição de 1946, &#8220;que legaliza uma estrutura socioeconômica já superada&#8221; e a necessidade de &#8220;colocar fim aos privilégios de uma minoria&#8221;. Jango defendeu também a extensão do direito de voto aos analfabetos, soldados, marinheiros e cabos, assim como a elegibilidade para todos os eleitores. Escute trecho do discurso de Jango: Leia também texto sobre a busca da causa da morte de Jango Quinze oradores precederam o presidente da República. O mais aplaudido foi Leonel Brizola, ex-governador do Rio Grande do Sul e deputado federal pelo PTB carioca, que exortou o presidente a &#8220;abandonar a política de conciliação&#8221; e instalar &#8220;uma Assembleia Constituinte com vistas à criação de um Congresso popular, composto de camponeses, operários, sargentos, oficiais nacionalistas e homens autenticamente populares&#8221;. As propostas que levaram a elite brasileira ao desespero As propostas de Jango mexiam em interesses poderosos e arraigados há séculos no país. Entre elas, o presidente pretendia desapropriar terras com mais de 600 hectares, além de áreas que ladeavam rodovias e ferrovias nacionais. Para realizar uma reforma educacional, o governo utilizaria 15% da receita tributária brasileira. Entre os projetos nessa área, constava uma ampla reforma de erradicação do analfabetismo, baseada nas experiências pioneiras do educador Paulo Freire. Na economia, Jango propunha um controle da remessa de lucros das empresas multinacionais para o exterior e o imposto de renda seria proporcional ao lucro pessoal. Com relação à Petrobrás, afirmou que assinara pouco antes o decreto de encampação de todas as refinarias particulares, que passavam a pertencer ao patrimônio nacional.  &#8221; A reforma agrária é também uma imposição progressista do mercado interno, que necessita aumentar a sua produção para sobreviver. Os tecidos e os sapatos sobram nas prateleiras das lojas e as nossas fábricas estão produzindo muito abaixo de sua capacidade. Ao mesmo tempo em que isso acontece, as nossas populações mais pobres vestem farrapos e andam descalças , porque não têm dinheiro para comprar&#8230; (A reforma agrária) interessa, por isso, também a todos os industriais e comerciantes. A reforma agrária é necessária, enfim à nossa vida social e econômica, para que o país possa progredir, em sua indústria e no bem-estar do seu povo&#8221;. (trecho do discurso de Jango) O livro Jango, a vida e a morte no exílio, do professor Juremir Machado da Silva, descreve a entrega pessoal de Jango ao comício: &#8220;Sai exausto. Quase desmaia no carro, para desespero de Maria Thereza. Ao chegar ao palácio, amassado e sem os botões da camisa, o velho Braguinha pergunta: — Que foi que aconteceu, presidente, o senhor parece que está vindo de uma guerra. Está mesmo. Chega vitorioso. Acaba de travar a sua mais franca batalha, de peito aberto, corpo exposto aos inimigos. Essa vitória terá o seu preço. A conta chegará logo&#8221;. Pelo que já se sabe, a ofensiva dos setores conservadores do país não demorou a acontecer. Em 19 de março, dia de São José, considerado o padroeiro da família, milhares de paulistanos saíram às ruas na Marcha da Família com Deus pela Liberdade. O pânico incutido por quase toda a mídia (a exceção mais conhecida era o Última Hora, jornal de Samuel Wainer) na classe média contra a &#8220;ameaça vermelha&#8221; levou, duas semanas depois, ao golpe militar. Leia a matéria da Folha  (dica da jornalista e blogueira @cynaramenezes) claramente favorável  sobre a marcha conservadora em São Paulo. Fontes: livro Jango, a vida e a morte no exílio de Juremir Machado da Silva, CPDOC-FGV e Folha de São Paulo. O renascimento do Jango antropofágico https://urutaurpg.com.br/siteluis/como-ministro-de-getulio-jango-revelou-entranhas-brasil/]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>JANGO &#8211; Em 13 de março de 1964, o presidente João Goulart reuniu 150 mil pessoas no Comício da Central do Brasil, na cidade do Rio de Janeiro, em prol das chamadas reformas de base de seu governo. Carlos Lacerda, governador da Guanabara e um dos principais opositores de Jango, teve a ideia de decretar feriado no dia 13 de março acreditando que, com isso, os trabalhadores não iriam ao comício. A tentativa não deu resultado.</p>
<p>Organizado por uma comissão de líderes sindicais, o comício mostrou aos opositores o apoio popular às reformas propostas pelo governo, que pretendiam modernizar a estrutura do país em vários setores como o agrário, bancário, administrativo e eleitoral.</p>
<figure id="attachment_1915" aria-describedby="caption-attachment-1915" style="width: 506px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2014/03/13-de-março-jango-e-teresa-comício-central-do-brasil.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-1915" src="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2014/03/13-de-março-jango-e-teresa-comício-central-do-brasil.jpg" alt="13 de março jango e teresa comício central do brasil" width="506" height="632" /></a><figcaption id="caption-attachment-1915" class="wp-caption-text">Presidente João Goulart, ao lado da esposa Maria Tereza, discursa no Comício da Central do Brasil (fonte: Arquivo Nacional/ph fot 5610 30)</figcaption></figure>
<p>João Goulart discursou por cerca de uma hora. No início, atacou os &#8220;democratas&#8221; e sua &#8220;democracia anti-povo e anti-reforma&#8221;. Jango os acusou de defender &#8220;uma democracia dos monopólios nacionais e internacionais&#8221;. Mais adiante, ele propôs a revisão da Constituição de 1946, &#8220;que legaliza uma estrutura socioeconômica já superada&#8221; e a necessidade de &#8220;colocar fim aos privilégios de uma minoria&#8221;. Jango defendeu também a extensão do direito de voto aos analfabetos, soldados, marinheiros e cabos, assim como a elegibilidade para todos os eleitores.</p>
<p>Escute trecho do discurso de Jango:</p>
<div class="ast-oembed-container " style="height: 100%;"><iframe title="Comício da Central do Brasil 1964" width="1200" height="900" src="https://www.youtube.com/embed/KjM48ZjevmA?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe></div>
<blockquote>
<p style="text-align: right;"><a href="http://zonacurva.com.br/a-busca-pelo-fim-do-misterio-sobre-a-morte-de-jango/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><b><span style="text-decoration: underline;">Leia também texto sobre a busca da causa da morte de Jango</span></b></a></p>
</blockquote>
<p>Quinze oradores precederam o presidente da República. O mais aplaudido foi Leonel Brizola, ex-governador do Rio Grande do Sul e deputado federal pelo PTB carioca, que exortou o presidente a &#8220;abandonar a política de conciliação&#8221; e instalar &#8220;uma Assembleia Constituinte com vistas à criação de um Congresso popular, composto de camponeses, operários, sargentos, oficiais nacionalistas e homens autenticamente populares&#8221;.</p>
<figure id="attachment_1916" aria-describedby="caption-attachment-1916" style="width: 242px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2014/03/13-de-março-Brizola-no-Comício-da-Central-do-Brasil.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-1916" src="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2014/03/13-de-março-Brizola-no-Comício-da-Central-do-Brasil-242x300.jpg" alt="13 de março Brizola no Comício da Central do Brasil" width="242" height="300" /></a><figcaption id="caption-attachment-1916" class="wp-caption-text">O discurso de Brizola preparou os presentes para o histórico discurso de Jango (fonte: site Brasil Recente)</figcaption></figure>
<p><b>As propostas que levaram a elite brasileira ao desespero</b></p>
<p>As propostas de Jango mexiam em interesses poderosos e arraigados há séculos no país. Entre elas, o presidente pretendia desapropriar terras com mais de 600 hectares, além de áreas que ladeavam rodovias e ferrovias nacionais. Para realizar uma reforma educacional, o governo utilizaria 15% da receita tributária brasileira. Entre os projetos nessa área, constava uma ampla reforma de erradicação do analfabetismo, baseada nas experiências pioneiras do educador Paulo Freire.</p>
<p>Na economia, Jango propunha um controle da remessa de lucros das empresas multinacionais para o exterior e o imposto de renda seria proporcional ao lucro pessoal. Com relação à Petrobrás, afirmou que assinara pouco antes o decreto de encampação de todas as refinarias particulares, que passavam a pertencer ao patrimônio nacional.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: center;"> <b>&#8221; A reforma agrária é também uma imposição progressista do mercado interno, que necessita aumentar a sua produção para sobreviver. Os tecidos e os sapatos sobram nas prateleiras das lojas e as nossas fábricas estão produzindo muito abaixo de sua capacidade. Ao mesmo tempo em que isso acontece, as nossas populações mais pobres vestem farrapos e andam descalças , porque não têm dinheiro para comprar&#8230; (A reforma agrária) interessa, por isso, também a todos os industriais e comerciantes. A reforma agrária é necessária, enfim à nossa vida social e econômica, para que o país possa progredir, em sua indústria e no bem-estar do seu povo&#8221;. </b><b>(trecho do discurso de Jango)</b></p>
</blockquote>
<p>O livro <i>Jango, a vida e a morte no exílio</i>, do professor Juremir Machado da Silva, descreve a entrega pessoal de Jango ao comício: &#8220;Sai exausto. Quase desmaia no carro, para desespero de Maria Thereza. Ao chegar ao palácio, amassado e sem os botões da camisa, o velho Braguinha pergunta: — Que foi que aconteceu, presidente, o senhor parece que está vindo de uma guerra. Está mesmo. Chega vitorioso. Acaba de travar a sua mais franca batalha, de peito aberto, corpo exposto aos inimigos. Essa vitória terá o seu preço. A conta chegará logo&#8221;.</p>
<figure id="attachment_1917" aria-describedby="caption-attachment-1917" style="width: 600px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2014/03/13-de-março-jango-central-do-brasil.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-1917 size-full" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/wp-content/uploads/2014/03/13-de-março-jango-central-do-brasil.jpg" alt="Capa do jornal Última Hora, que apoiava o governo de João Goulart" width="600" height="340" /></a><figcaption id="caption-attachment-1917" class="wp-caption-text">Capa do jornal Última Hora, que apoiava o governo Jango</figcaption></figure>
<p>Pelo que já se sabe, a ofensiva dos setores conservadores do país não demorou a acontecer. Em 19 de março, dia de São José, considerado o padroeiro da família, milhares de paulistanos saíram às ruas na Marcha da Família com Deus pela Liberdade. O pânico incutido por quase toda a mídia (a exceção mais conhecida era o Última Hora, jornal de Samuel Wainer) na classe média contra a &#8220;ameaça vermelha&#8221; levou, duas semanas depois, ao golpe militar.</p>
<p>Leia a <a href="http://almanaque.folha.uol.com.br/brasil_20mar1964.htm" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span style="text-decoration: underline;">matéria da Folha</span></a>  (dica da jornalista e blogueira <a href="https://twitter.com/cynaramenezes" target="_blank" rel="noopener noreferrer">@cynaramenezes</a>) claramente favorável  sobre a marcha conservadora em São Paulo.</p>
<p><b>Fontes:</b> livro <i>Jango, a vida e a morte no exílio</i> de Juremir Machado da Silva, CPDOC-FGV e Folha de São Paulo.</p>
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</tbody>
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<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="FxHImaA4l3"><p><a href="https://www.zonacurva.com.br/o-renascimento-do-jango-antropofagico/">O renascimento do Jango antropofágico</a></p></blockquote>
<p><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;O renascimento do Jango antropofágico&#8221; &#8212; Zona Curva" src="https://www.zonacurva.com.br/o-renascimento-do-jango-antropofagico/embed/#?secret=1WjcIN4yIt#?secret=FxHImaA4l3" data-secret="FxHImaA4l3" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
<p>https://urutaurpg.com.br/siteluis/como-ministro-de-getulio-jango-revelou-entranhas-brasil/</p>
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		<item>
		<title>Documentário revive as origens do golpe militar</title>
		<link>https://zonacurva.com.br/documentario-revive-as-origens-do-golpe-de-64/</link>
					<comments>https://zonacurva.com.br/documentario-revive-as-origens-do-golpe-de-64/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Zonacurva]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 Jan 2014 20:26:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[1964 um golpe contra o Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[50 anos do golpe militar]]></category>
		<category><![CDATA[alípio freire]]></category>
		<category><![CDATA[Comissão da verdade]]></category>
		<category><![CDATA[ditadura militar]]></category>
		<category><![CDATA[golpe de 1964]]></category>
		<category><![CDATA[Jango]]></category>
		<category><![CDATA[João Goulart]]></category>
		<category><![CDATA[joão goulart biografia joão goulart resumo]]></category>
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					<description><![CDATA[O documentário 1964, um golpe contra o Brasil, do jornalista Alípio Freire, recria o clima da época do golpe militar de 1964. Lançado em março de 2013, o documentário foi realizado em parceria entre o Núcleo Preservação da Memória Política e a TVT – Televisão dos Trabalhadores. Leia texto sobre o &#8220;O dia que durou 21 anos&#8221;, filme que também aborda o golpe de 64  O escritor e jornalista baiano Alípio Freire, que foi preso político entre 1969 e 1974, explica que a motivação para a realização do filme veio da falta de informação dos mais jovens sobre o início do regime militar brasileiro. Ele declarou ao blog Viomundo: &#8220;o Núcleo [de Preservação da Memória Política] pensou em um vídeo capaz de informar aos mais jovens o que foi o pré-golpe e o golpe para que se entendam os interesses de classe em jogo no Brasil naquele momento&#8221;. O fime narra os acontecimentos entre a renúncia de Jânio Quadros e a posse do general Castelo Branco, em 1964. O ministro do Trabalho do governo João Goulart, Almino Afonso, prova como Jânio tentou um golpe com sua renúncia em 1961. Afonso lê trechos do livro A História do Povo Brasileiro, que Jânio escreveu ao lado de seu ministro das Relações Exteriores, Afonso Arinos. O livro revela como a mente delirante de Jânio funcionava: sua renúncia &#8220;deixaria o país acéfalo&#8221; e com Jango em viagem oficial na China, Jânio, que já tinha acordo e apoio dos ministros militares, voltaria ao poder &#8216;dentro de novo regime institucional&#8217;. Leia texto Zonacurva sobre o papel de Brizola na posse de Jango após a renúncia de Jânio Quadros   O filme também retorna à polêmica sobre a &#8216;frágil&#8217; reação de Jango diante do avanço dos militares golpistas. O presidente gaúcho temia que tomássemos o rumo de Coréia e Vietnã, que mergulharam em sangrenta guerra civil e foram divididos em dois. O livro Jango, a vida e morte no exílio, do jornalista e professor Juremir Machado da Silva, cita trecho do livro João Goulart: recuerdos en su exilio uruguayo, sobre a ida de Jango ao Uruguai poucos dias após o golpe. Com a palavra, o presidente exilado João Goulart: &#8220;Eu me senti isolado do resto do país em Porto Alegre e desolado diante da única perspectiva que tinha pela frente: uma guerra fratricida&#8221;. [O senhor foi repetidamente rotulado de comunista e&#8230;]  &#8220;Não sou nem nunca fui comunista. Minha política foi eminentemente nacionalista. Foram os monopólios nacionais e estrangeiros que fomentaram a revolta, preocupados com as leis de nacionalização do petróleo e da reforma agrária&#8230;&#8221; Alípio Freire explica as motivações para a realização do documentário: Fontes: Blog Viomundo e livro Jango, a vida e morte no exílio, de Juremir Machado da Silva (editora L&#38;PM, 2013). O grito da Passeata dos Cem Mil contra a ditadura militar]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="ast-oembed-container " style="height: 100%;"><iframe title="1964 Um Golpe Contra o Brasil  Documentario de Alípio Freire COMPLETO" width="1200" height="900" src="https://www.youtube.com/embed/GhoI8FdFF6w?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe></div>
<p>O documentário <i>1964</i>, <i>um golpe contra o Brasil, </i>do jornalista Alípio Freire, recria o clima da época do golpe militar de 1964. Lançado em março de 2013, o documentário foi realizado em parceria entre o Núcleo Preservação da Memória Política e a TVT – Televisão dos Trabalhadores.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.zonacurva.com.br/e-se-nao-existissem-as-aulas-de-educacao-moral-e-civica/"><b><span style="text-decoration: underline;">Leia texto</span></b></a><b> sobre o <b>&#8220;O dia que durou 21 anos&#8221;,</b> filme que também aborda o golpe de 64 </b></p>
<p>O escritor e jornalista baiano Alípio Freire, que foi preso político entre 1969 e 1974, explica que a motivação para a realização do filme veio da falta de informação dos mais jovens sobre o início do regime militar brasileiro. Ele declarou ao <a href="http://www.viomundo.com.br" target="_blank" rel="noopener">blog Viomundo</a>: &#8220;o Núcleo [de Preservação da Memória Política] pensou em um vídeo capaz de informar aos mais jovens o que foi o pré-golpe e o golpe para que se entendam os interesses de classe em jogo no Brasil naquele momento&#8221;.</p>
<figure id="attachment_1472" aria-describedby="caption-attachment-1472" style="width: 650px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2014/01/mulheres.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-1472" src="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2014/01/mulheres-1024x634.jpg" alt="Na foto, artistas como Norma Bengell e Tônia Carrero em passeata contra o regime militar" width="650" height="402" /></a><figcaption id="caption-attachment-1472" class="wp-caption-text">Na foto, artistas como Norma Bengell e Tônia Carrero em passeata contra o regime militar</figcaption></figure>
<p>O fime narra os acontecimentos entre a renúncia de Jânio Quadros e a posse do general Castelo Branco, em 1964. O ministro do Trabalho do governo João Goulart, Almino Afonso, prova como Jânio tentou um golpe com sua renúncia em 1961. Afonso lê trechos do livro <i>A História do Povo Brasileiro,</i> que Jânio escreveu ao lado de seu ministro das Relações Exteriores, Afonso Arinos. O livro revela como a mente delirante de Jânio funcionava: sua renúncia &#8220;deixaria o país acéfalo&#8221; e com Jango em viagem oficial na China, Jânio, que já tinha acordo e apoio dos ministros militares, voltaria ao poder &#8216;dentro de novo regime institucional&#8217;.</p>
<p style="text-align: right;"><strong>Leia texto<span style="text-decoration: underline;"><a href="http://www.zonacurva.com.br/brizola-e-a-renuncia-de-janio-quadros/" target="_blank" rel="noopener"> Zonacurva</a> </span>sobre o papel de Brizola na posse de Jango após a renúncia de Jânio Quadros  </strong></p>
<p>O filme também retorna à polêmica sobre a &#8216;frágil&#8217; reação de Jango diante do avanço dos militares golpistas. O presidente gaúcho temia que tomássemos o rumo de Coréia e Vietnã, que mergulharam em sangrenta guerra civil e foram divididos em dois.</p>
<p>O livro <i>Jango, a vida e morte no exílio</i>, do jornalista e professor Juremir Machado da Silva, cita trecho do livro <i>João Goulart: recuerdos en su exilio uruguayo</i>, sobre a ida de Jango ao Uruguai poucos dias após o golpe. Com a palavra, o presidente exilado João Goulart:</p>
<blockquote><p><b>&#8220;Eu me senti isolado do resto do país em Porto Alegre e desolado diante da única perspectiva que tinha pela frente: uma guerra fratricida&#8221;. [O senhor foi repetidamente rotulado de comunista e&#8230;]  &#8220;Não sou nem nunca fui comunista. Minha política foi eminentemente nacionalista. Foram os monopólios nacionais e estrangeiros que fomentaram a revolta, preocupados com as leis de nacionalização do petróleo e da reforma agrária&#8230;&#8221;</b></p></blockquote>
<p>Alípio Freire explica as motivações para a realização do documentário:</p>
<div class="ast-oembed-container " style="height: 100%;"><iframe title="1964 - Um golpe contra o Brasil (lançamento)" width="1200" height="675" src="https://www.youtube.com/embed/-rbvUnrexps?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe></div>
<p><b>Fontes:</b> Blog Viomundo e livro <i>Jango, a vida e morte no exílio</i>, de Juremir Machado da Silva (editora L&amp;PM, 2013).</p>
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="UQX2Sn3oT2"><p><a href="https://zonacurva.com.br/o-grito-da-passeata-dos-cem-mil-contra-a-ditadura-militar/">O grito da Passeata dos Cem Mil contra a ditadura militar</a></p></blockquote>
<p><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;O grito da Passeata dos Cem Mil contra a ditadura militar&#8221; &#8212; Zona Curva" src="https://zonacurva.com.br/o-grito-da-passeata-dos-cem-mil-contra-a-ditadura-militar/embed/#?secret=COhlhgkQdQ#?secret=UQX2Sn3oT2" data-secret="UQX2Sn3oT2" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Senado devolve simbolicamente mandato de Jango</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Zonacurva]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 18 Dec 2013 22:24:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[ditadura militar]]></category>
		<category><![CDATA[exumação Jango]]></category>
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		<category><![CDATA[João Vicente Goulart]]></category>
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					<description><![CDATA[O Senado Federal tentou reparar sua conivência com o golpe militar de 1964. Hoje, o presidente João Goulart recebeu, de forma simbólica, o mandato de presidente da República em sessão solene. Jango foi destituído do cargo pelo golpe militar em 2 de abril de 1964. A devolução do mandato veio por meio do projeto dos senadores Pedro Simon (PMDB-RS) e Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), que anulou a sessão de 2 de abril de 1964, na qual o então presidente do Senado, Auro de Moura Andrade, declarou vaga a Presidência da República. Leia texto sobre a investigação da morte de Jango  Estiveram presente à solenidade a presidenta Dilma Rousseff, o filho de Jango, João Vicente Goulart, os ministros da Aeronáutica, Marinha e Exército. João Vicente recebeu o diploma de presidente da República a que seu pai, João Goulart, tinha direito.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O Senado Federal tentou reparar sua conivência com o golpe militar de 1964. Hoje, o presidente João Goulart recebeu, de forma simbólica, o mandato de presidente da República em sessão solene.</p>
<p>Jango foi destituído do cargo pelo golpe militar em 2 de abril de 1964. A devolução do mandato veio por meio do projeto dos senadores Pedro Simon (PMDB-RS) e Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), que anulou a sessão de 2 de abril de 1964, na qual o então presidente do Senado, Auro de Moura Andrade, declarou vaga a Presidência da República.</p>
<p style="text-align: right;" align="center"><b>Leia texto sobre a investigação da <a href="http://www.zonacurva.com.br/a-busca-pelo-fim-do-misterio-sobre-a-morte-de-jango/"><span style="text-decoration: underline;">morte de Jango </span></a></b></p>
<figure id="attachment_1418" aria-describedby="caption-attachment-1418" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2013/12/18-de-dezembro-jango.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-1418 " src="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2013/12/18-de-dezembro-jango.jpg" alt="Senado tenta reparar sua submissão ao golpe militar (crédito: Pedro França, Agência Senado)" width="620" height="265" /></a><figcaption id="caption-attachment-1418" class="wp-caption-text">Senado tenta reparar sua submissão ao golpe militar (crédito: Pedro França, Agência Senado)</figcaption></figure>
<p>Estiveram presente à solenidade a presidenta Dilma Rousseff, o filho de Jango, João Vicente Goulart, os ministros da Aeronáutica, Marinha e Exército. João Vicente recebeu o diploma de presidente da República a que seu pai, João Goulart, tinha direito.</p>
<figure id="attachment_1419" aria-describedby="caption-attachment-1419" style="width: 374px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2013/12/18-de-dezembro-Picture-4.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-1419" src="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2013/12/18-de-dezembro-Picture-4.png" alt="Capa do jornal Folha de São Paulo de 2 de abril de 1964" width="374" height="558" /></a><figcaption id="caption-attachment-1419" class="wp-caption-text">Capa do jornal Folha de São Paulo de 2 de abril de 1964</figcaption></figure>
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		<title>Palestra &#8220;A importância da Comissão da Verdade&#8221;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Zonacurva]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 Nov 2013 16:18:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agenda]]></category>
		<category><![CDATA[Adriano Diogo]]></category>
		<category><![CDATA[Comissão da verdade]]></category>
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					<description><![CDATA[&#160; Promovida pelo Diretório Acadêmico do campus da UFABC de São Bernardo do Campo, a palestra A importância da Comissão da Verdade acontece em 18 de novembro, às 16h30, no auditório A003 do campus SBC. O Deputado Estadual do PT-SP Adriano Diogo, presidente da Comissão da Verdade do Estado de São Paulo na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, e o ex-líder sindical Raphael Martinelli, presidente do Fórum dos ex-Presos e Perseguidos Políticos do Estado de São Paulo serão os palestrantes. SERVIÇO Local: Auditório A003 do Bloco Beta – Campus SBC  (rua Arcturus, 03) Quando: 18 de novembro, das 16h30 às 18h30 Entrada franca &#160; &#160;]]></description>
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<figure id="attachment_1222" aria-describedby="caption-attachment-1222" style="width: 960px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2013/11/14-de-novembro-536954_215807458597071_742969228_n.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-1222" title="(foto: Evandro Teixeira)" alt="14 de novembro 536954_215807458597071_742969228_n" src="http://zonacurva.com.br/wp-content/uploads/2013/11/14-de-novembro-536954_215807458597071_742969228_n.jpg" width="960" height="720" /></a><figcaption id="caption-attachment-1222" class="wp-caption-text">(foto: Evandro Teixeira)</figcaption></figure>
<p>Promovida pelo Diretório Acadêmico do campus da UFABC de São Bernardo do Campo, a palestra <i>A importância da Comissão da Verdade</i> acontece em 18 de novembro, às 16h30, no auditório A003 do campus SBC.</p>
<p>O Deputado Estadual do PT-SP Adriano Diogo, presidente da Comissão da Verdade do Estado de São Paulo na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, e o ex-líder sindical Raphael Martinelli, presidente do Fórum dos ex-Presos e Perseguidos Políticos do Estado de São Paulo serão os palestrantes.</p>
<p>SERVIÇO<br />
Local: Auditório A003 do Bloco Beta – Campus SBC  (rua Arcturus, 03)<br />
Quando: 18 de novembro, das 16h30 às 18h30</p>
<p>Entrada franca</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
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