Zona Curva

Conversa ao Vivo Zona Curva

Os principais tópicos abordados durante o CONVERSA AO VIVO, quadro transmitido no canal do Zona Curva no Youtube.

A paz é possível?

Colaborou Isabela Gama O CONVERSA AO VIVO ZONACURVA de 3 de março (quinta) recebeu a mestranda em Relações Internacionais Giovana Branco para discutir sobre o atual conflito entre Rússia e Ucrânia. O bate-papo contou também com a presença do editor Zonacurva Fernando do Valle e Luis Lopes do portal Vishows. Giovana explica que a Rússia está tentando se reafirmar como uma potência mundial no cenário internacional pós-guerra fria, mas o saudosismo da época de glória da URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) não é o suficiente para que o país retorne ao prestígio obtido após a segunda guerra mundial.  “É importante compreender que a Rússia atual é muito distinta da União Soviética, apesar das políticas de Putin lembrarem a de outros líderes lendários russos”, afirmou a pesquisadora, que escreve a dissertação As Relações Rússia-Ocidente: da Cooperação ao Conflito. As Mudanças na Política Externa Russa na Era Putin sob orientação do professor Luís Alexandre Fuccille no programa de pós-graduação de Relações Internacionais San Tiago Dantas. O que despertou o interesse de Giovana pela Rússia foi a leitura dos grandes escritores russos como Fiódor Dostoiévski. Como estudiosa da trajetória do líder russo, Giovana relata que Putin sempre mostrou admiração, e até um certo saudosismo, pelo regime socialista soviético, que foi desmantelado no início dos anos 90. O ex-agente da KGB, serviço secreto russo, defendeu a URSS enquanto pôde, e até o momento conta com forte apoio popular. O nome do filósofo russo Alexander Dugin, apontado por muitos como o “influenciador de Putin” foi trazido à baila por Luís Lopes. “Dugin sempre foi visto como muito radical para o meio acadêmico, mas com a tomada da Criméia em 2014, ele ficou popular por embasar as decisões políticas de Putin” afirma Giovana.  A pesquisadora relembra que o avanço da OTAN sobre o “território de influência russo” gerou a ocupação da Geórgia (antiga república soviética) em 2008 pelos russos, assim como ocorreu com a Ucrânia neste ano. A pesada máquina militar russa tomou Tiblissi, capital da Geórgia, em apenas cinco dias.  Um ponto questionado à Giovana pelo editor Zonacurva Fernando do Valle foi a posição da China no conflito. Por enquanto, a nação tem se mostrado neutra, apesar de ter mantido as relações comerciais com a Rússia. A mestranda acredita que essa suposta neutralidade tenha vindo como um reflexo das severas sanções econômicas impostas pelo ocidente.  Mas, não resta dúvida, de que a Rússia não invadiria seu vizinho sem apoio, mesmo que velado, do gigante chinês. Sobre a ascensão de grupos neonazistas em todo o território da Ucrânia, Giovana explica que na sua visão o governo ucraniano fechou os olhos para o surgimento desses grupos paramilitares. Segundo ela, eles são uma consequência da onda de extrema direita que assolou diversos países do mundo nos últimos anos. Luis ainda reclamou sobre a absurda “normalização” desses grupos, “foi como se brigadas paramilitares se tornassem constitucionais dentro de um determinado país”, afirma o editor do Vishows.  5 perguntas sobre o conflito Rússia x Ucrânia  

Política no TikTok

Ive Brussel – No dia 25 de fevereiro, o CONVERSA AO VIVO ZONACURVA contou com a convidada Ive Brussel, que é advogada e comunicadora digital. Com mais de 250 mil seguidores na rede social TikTok, Ive consegue alto engajamento com seus vídeos em que analisa assuntos políticos pelo prisma da esquerda. Participaram da entrevista o editor ZonaCurva Fernando do Valle e Luis Lopes do Portal Vishows. Ela brinca que chegou na plataforma influenciada pelos filhos e que lá “era tudo mato”. Ive explica que começou a produzir conteúdo para se divertir em cima dos trend topics (assuntos mais comentados) e dublagens (populares nessa plataforma digital). Mas, foi após ser inspirada por outras duas mulheres tiktokers como Bruna Volpi (@bruna.volpi) e Natlhalia Camarco (@nathaliacamarco) que ela decidiu adaptar o seu conteúdo e passou a desabafar sobre a conjuntura política. Ive conta que o TikTok é uma das poucas plataformas em que há a possibilidade do usuário baixar o vídeo e compartilhá-lo em outras redes sociais e pelo whatsapp e isso colabora muito no engajamento. Ela lembra que foi em julho de 2020 que ela teve o seu primeiro vídeo viralizado. No vídeo, Ive mostrava sua indignação sobre as ameaças de Bolsonaro a um jornalista, quando o político foi perguntado sobre os depósitos em dinheiro vivo de Fabrício Queiroz na conta de Michelle, sua esposa. Ao não conseguir explicar o caso de corrupção, Bolsonaro gritava como um sociopata que tinha “vontade de encher sua boca de porrada”. Os depósitos continuam sem esclarecimento. Indagada sobre como irá atuar nas eleições deste ano, Ive afirma que não pretende apoiar abertamente um determinado candidato porque um dos seus principais objetivos é furar as bolhas digitais e “virar votos” para os candidatos de esquerda. Segundo a comunicadora digital, é necessário que a esquerda pare de cair em armadilhas da direita e não polemize sobre assuntos de interesse desse campo político. Pois, com isso, os progressistas não colaboram na propagação de mentiras e notícias falsas. Mônica Iozzi discute política com humor em seu novo programa Comunicação: o uatizapi, sozinho, não muda o mundo  

“O grande recado da Leila era o amor”, afirma Ana Maria Magalhães

Colaborou Isabela Gama O CONVERSA AO VIVO ZONACURVA recebeu no dia 27 de janeiro a atriz e diretora Ana Maria Magalhães, que acaba de lançar seu longa-metragem “Já que ninguém me tira para dançar” sobre a vida e obra de Leila Diniz. Ana Maria conversou sobre a amizade das duas, a importância da discussão sobre a liberdade feminina, e a necessidade do amor nesses tempos de ódio e outros assuntos. O bate-papo contou com a presença do editor Zonacurva Fernando do Valle e da estudante de jornalismo Isabela Gama.  A diretora revelou que iniciou a filmagem do filme em 1982 após 10 anos de morte de Leila para avivar a memória da amiga, entretanto o filme não foi finalizado pela retirada do apoio financeiro que contava na época. Durante um longo período, o projeto ficou parado e o relato de atores, diretores e familiares de Leila sobre a icônica artista permaneceu inédito até hoje. Em 2015, Ana Maria recebeu o  apoio de um restaurador experiente para que ela retomasse o projeto do  documentário, então ela começou a reorganizar o material e a digitalizar as imagens, mas ainda enfrentava o mesmo problema: a falta de grana, como em 1982. Somente em 2020, após uma entrevista da diretora ao Itaú Cultural, é que o filme ganhou o apoio da instituição e a coprodução do jornal Metrópoles o que proporcionou a finalização do filme. Ana Maria conta que uma das motivações para retomar o filme foi a necessidade de apresentar Leila Diniz para as novas gerações. A atriz, que foi o símbolo da liberdade feminina e do amor livre, abriu as portas para diversas discussões que perduram na vida das mulheres até hoje, principalmente em tempos de retrocessos engendrados pelo governo da vez. O filme poderá ser assistido GRATUITAMENTE no Itaú Cultural Play  a partir do dia 25 de março, dia em que Leila completaria 77 anos.  Bem-vindo ao Fatos da Zona, em que adaptamos os textos mais acessados do site do Zonacurva Mídia Livre para o audiovisual. Neste vídeo, visitamos emocionados a memória da grandiosa Leila Diniz. Abordamos a história dessa figura icônica que enfrentou os costumes impostos pela ditadura e reformulou o que era esperado das mulheres de sua época.       Toda mulher é meio Leila Diniz* Documentário sobre Leila Diniz apresenta atriz para os jovens

“A língua de sinais é completa,” afirma Jadson Nunes, intérprete de LIBRAS

Colaboração de Isabela Gama O CONVERSA AO VIVO ZONACURVA recebeu no dia 2 de dezembro o tradutor e intérprete de Libras Jadson Nunes. Em um bate papo esclarecedor, ele deu uma aula sobre a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), seu surgimento e sua importância social. Estavam presentes também o editor Zonacurva Fernando Do Valle, Luciana Rodrigues da Escola do Parlamento de Itapevi e o editor do Vishows Luís Lopes. Nunes conta que a LIBRAS surgiu no Século XIX quando D. Pedro II convidou o francês Ernest Huet para ensinar surdos no país. Assim foi criado o Instituto Nacional da Educação de Surdos, que está ativo até hoje, e é referência na língua de sinais no país. É comum que muitas pessoas confundam a LIBRAS como uma linguagem em vez de uma língua própria, explica Nunes. “A língua portuguesa, por exemplo é composta por muitas linguagens, mas não é só isso, conta com regras gramaticais, acordos ortográficos, entre outros”, completa.  Nunes afirma que a LIBRAS é uma língua completa com gramática específica e conta com sujeito, verbo e objeto, tendo suas especificidades em cada região do país, assim como os sotaques que temos na oralidade.  Mesmo a LIBRAS sendo um sinal de inclusão, é necessário compreender as especificidades das pessoas com deficiência (PCD). Há uma dificuldade para pessoas que perderam a audição ao longo da vida aprenderem LIBRAS, considerando que elas sempre utilizaram a língua portuguesa e a linguagem oral, esclarece Nunes.  Sendo assim, existe uma diferença entre surdos e deficientes auditivos. O primeiro grupo costuma se identificar com a cultura surda, se comunicar através da linguagem de sinais e interagir com a comunidade. Já os deficientes auditivos geralmente falam português e não sabem LIBRAS, segundo Nunes.  Essas especificidades também se aplicam a outros temas como os aparelhos auditivos e o Implante Coclear. Para Nunes, essas alternativas muitas vezes são vendidas como soluções milagrosas, quando na verdade não funcionam tão bem para as pessoas que já nasceram com a deficiência, considerando que, por aumentar a sensibilidade auditiva, faz com que a pessoa ouça muitos barulhos e ruídos que não eram conhecidos anteriormente.  Então, de forma abrupta, a pessoa que começou a utilizar o aparelho ou fez o implante começa a ouvir barulhos como o do relógio, o ruído dos talheres ou o soar da campainha.  Nunes também explicou sobre a importância de usarmos os termos certos. É muito comum ouvirmos a expressão “surdo-mudo” o que é um grande equívoco. “Nem todo surdo é mudo, a mudez vem do dano na corda vocal, assim ele não emite nenhum som, já o surdo consegue sim emitir som, e até falar, ele só não fala porque ainda não aprendeu” diz.  Este aprendizado vem através do trabalho com o fonoaudiólogo, e deve ser estimulado diariamente ainda quando criança. Nunes salienta que não é um caminho fácil, requer muito treino e prática, mas é totalmente possível. Outras expressões comuns são “deficiente” e “pessoa portadora de deficiência”, porém ambas são preconceituosas e capacitistas. Quando se diz “deficiente” se considera apenas a sua condição, ignorando todo o resto, como sua história de vida por exemplo. Já o termo “portador de deficiência” está incorreto pois PCDs (pessoas com deficiência que é o termo correto) não portam nada, visto que algo que é portado pode deixar de ser, e não tem como uma pessoa com deficiência deixar sua deficiência quando quiser.   BENBAR AGOSTO LARANJA  

Conversa ao vivo com o jovem cantor Shibas

Com colaboração de Isabela Gama O CONVERSA AO VIVO ZONACURVA recebeu o cantor e compositor pernambucano Bruno Shibas no dia 21 de novembro. O papo marcou o primeiro aniversário do programa no Youtube e contou com a presença do editor Zonacurva Fernando do Valle e do editor do Portal Vishows, Luis Lopes. Em conversa descontraída, Shibas contou sobre a sua relação com a música, suas inspirações e apresentou um pocket show.  Além de músico, o pernambucano Shibas mudou-se para Salvador para estudar no curso de tecnologia da UFBA (Universidade Federal da Bahia). Ele expressou sua angústia em relação aos cortes feitos na universidade.  O desmonte do ensino superior realizado pelo governo federal fez com que Shibas e outros alunos, mesmo que aprovados, não conseguissem iniciar suas aulas. Outros não conseguiram nem se matricular nas matérias necessárias.  O cantor conta que durante a pandemia começou a compor, antes disso, ele sentia que tocava apenas como diversão, sem refletir sobre isso. Mas durante o distanciamento social, teve a oportunidade de experimentar e encontrou a escrita como forma de catarse naquele difícil momento. Shibas admite que o atual governo o inspira a compor, o que o ajuda a colocar para fora suas aflições. Shibas apresentou duas músicas autorais durante o Conversa ao vivo: “Mostre a que veio”, que fala sobre o valor da vida e das coisas boas que há nela, e “Mergulho no lago verdade” que aborda questões sobre autoconhecimento. O cantor também apresentou canções de outros artistas que é fã como Chico Science e Sergio Sampaio, o último ele conheceu através das músicas de Raul Seixas. Iniciado no mundo musical pela família, foi o avô, que também canta em bares em Boa Viagem em Recife, quem apelidou o cantor de Shibas pela primeira vez, já seu pai compôs músicas que foram gravadas na voz do filho em seu novo álbum que será lançado em janeiro de 2022. Jovem cantora Maluk Yeey produz músicas autorais baseadas em experiências pessoais 10 músicas contra a ditadura militar    

Clemente: o movimento punk nunca há de morrer

Com colaboração de Isabela Gama Clemente – O CONVERSA AO VIVO ZONA CURVA recebeu, no dia 25 de novembro, Clemente Nascimento, vocalista da banda Inocentes e vocalista/guitarrista da Plebe Rude. Em entrevista ao editor Zonacurva Fernando do Valle e editor do Vishows Luis Lopes, o músico afirmou que a morte de jovens negros da periferia faz parte da política pública de extermínio realizada pelo Estado brasileiro. Ele relembrou as mortes ocorridas em um mangue em São Gonçalo, no Rio de Janeiro, provocadas por ação policial em vingança à morte de um sargento de polícia. Segundo moradores da região, havia marcas de torturas nos corpos que foram encontrados, já a Polícia Militar se justifica, como de costume, que todos eram envolvidos com o tráfico de drogas. Clemente afirma que tinha um “x” nas costas por ser negro e punk. “O show das bandas punk acabava quando a polícia chegava” afirma com humor e sua inconfundível gargalhada. Clemente conta que o movimento punk começou na periferia como forma de ir na contramão do rock tradicional, mas o estilo começou na raça e cresceu pela solidariedade entre as bandas. Ele conta que, ao contrário da maioria dos punks da época que foram se politizando e alargando sua formação cultural aos poucos, ele havia lido autores como George Orwell e Albert Camus. Segundo ele, foi quando o movimento punk chegou no meio universitário e na classe média que ganhou uma veia mais ideológica. Clemente explica que as bandas com integrantes de nível universitário tinham acesso a melhores equipamentos musicais e conheciam, por exemplo, em teoria o anarquismo, parte do ideário punk. Clemente relembra que o rock foi a trilha sonora para o Brasil dos anos 80 que vivia a reabertura política após 21 anos de ditadura militar. A popularidade do rock foi caindo após isso, mas Clemente não se mostrou saudosista, e diz compreender que atualmente os jovens não tenham o mesmo interesse como tempos atrás, o rap, por exemplo, é o gênero musical mais ouvido pelos jovens atualmente, e muitas de suas letras carregam tom crítico e de denúncia sobre a sociedade, assim como parte do rock fazia e ainda faz. Para ele, um dos motivos para o rock ter se mantido na bolha dos fãs mais velhos é a falta de lugares e oportunidades para que novas bandas possam se apresentar. Ele cita as rádios de rock como a 89 FM e a antiga MTV como canais importantes para a divulgação de novas bandas. Atualmente, Clemente apresenta o programa Filhos da Pátria na Kiss FM.  O beat William Burroughs e o rock Essa falta de divulgação da mídia atual faz com que Clemente e outros artistas sejam quase que inteiramente responsáveis pela divulgação de seus trabalhos, ele conta que muitas vezes é abordado como se sua banda Os Inocentes estivesse em um hiato ou acabado de vez, quando na verdade a banda continua na ativa desde os anos 80. Em comemoração ao aniversário de 40 anos dos Inocentes, completados este ano, a banda realizará um show no Studio SP, em 17 de dezembro.  60 anos e o rock’n’roll fica sex Jovem cantora Maluk Yeey produz músicas autorais baseadas em experiências pessoais Jão e os 40 anos do Ratos de Porão    

Há vida fora do realismo capitalista

Com colaboração de Isabela Gama O CONVERSA AO VIVO ZONACURVA, recebeu no dia 18 de novembro o professor Victor Marques, participante da organização do livro Realismo Capitalista do filósofo e crítico cultural britânico Mark Fisher. O livro, escrito em 2009, chegou no Brasil pela editora Autonomia Literária e traz à tona a discussão acerca da ascensão do neoliberalismo após o fim da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Em entrevista a Fernando do Valle, editor Zonacurva, e ao editor do Portal VI Shows Luis Lopes, o professor iniciou o papo em um flashback histórico sobre a contracultura e os grandes movimentos da massa operária entre os anos 60 e 80. Ele citou também a relevância de movimentos contra o status quo vigente como os pela paz influenciados pelo movimento hippie contra as guerras ocasionadas pela guerra fria como a do Vietnã. Com a queda do muro de Berlim, a opção política socialista passou a ser vista com desconfiança durante os anos 90, o que abriu brecha para uma nova forma de capitalismo: o neoliberalismo. Hoje é fácil verificar que as promessas neoliberais não foram atingidas como liberdade individual e desburocratização.  O professor alerta que a situação ainda se agravou como jornadas mais longas de trabalho e o aumento da alienação entre o funcionário das grandes corporações e o fruto de seu trabalho. Ela também explicou que, na sociedade pós-moderna e neoliberal, o ócio criativo foi praticamente extinto e como isso afeta, de forma decisiva, a produção cultural atual. O “Realismo Capitalista” de Mark Fisher é uma crítica frontal ao sentimento de “não há alternativa”, incensado pelos intelectuais e políticos capitalistas. Marques afirma que foi apenas após a crise de 2008 que nasceram novas narrativas que ameaçam o neoliberalismo. No papo, foi discutida como a reação ao sistema acontece em ações como o “Vidas Negras Importam” e no novo movimento estudantil. Marques reforça a importância de pautas que contestam o capitalismo como a ambiental. Além disso, é de extrema relevância que os pobres se unam em luta por mais direitos e para derrotar o Realismo Capitalista. Brasil não está quebrado – é a austeridade que sufoca a economia O mundo despertou do pesadelo neoliberal em Seattle

A luta da atriz Nicole Puzzi contra os caretas desde os anos 70

Com colaboração de Isabela Gama O CONVERSA AO VIVO ZONACURVA contou com a presença da atriz e apresentadora Nicole Puzzi no dia 12 de novembro. Em um bate-papo descontraído com o editor Zonacurva Fernando do Valle, a secretária de redação Zonacurva Lilian Dreyfuss e o editor Vishows Luís Lopes, a atriz criticou o retrocesso que o país enfrenta com o atual governo.  Ao comentar sobre sua carreira, Puzzi contou que atuou com diversos nomes de peso no cinema brasileiro como Antônio Fagundes, José Wilker, José de Abreu e Lúcia Veríssimo, mas, segundo ela, apenas ela ficou estigmatizada como a atriz de pornochanchada. Ela explica que o termo pornochanchada foi criado por dois críticos com a intenção de difamar e tirar audiência do cinema nacional. O que posteriormente deu certo, ainda hoje as obras realizadas na região da área central da cidade de São Paulo, que foi apelidada de Boca do Lixo, são tachadas de obras de baixo nível cultural. A vida artística de Nicole foi marcada pelo preconceito e o machismo, principalmente por comentários realizados por outras mulheres, que segundo a atriz, eram os que mais a machucavam. Entretanto, ela ressalta que escolheu a carreira de atriz porque sempre foi apaixonada pela profissão.  Segundo Puzzi, não havia assédio nas gravações dos filmes da chamada Boca do Lixo, mas sim na televisão, em que que situações de importunação sexual eram frequentes. Feminista desde os anos 70, a atriz, que também apresenta o programa Pornolândia no Canal Brasil, ressalta a importância da luta das mulheres da sua época para a conquista de direitos das mulheres atualmente. Ela afirma que a libertação sexual do século 21 começou com o progresso de certos direitos femininos nas décadas de 70 e 80. A pílula anticoncepcional e o ativismo da comunidade LGBTQIA+ e de figuras populares como Cazuza também ajudaram para o avanço da liberdade sexual da mulher.  Mas, Puzzi lembra, que, durante os anos 90, com a ascensão da igreja evangélica se iniciou um certo retrocesso em relação a isso e centenas de pessoas quiseram impor suas crenças sobre essas mulheres. A eleição de Bolsonaro vem nessa toada no sentido de conter o progresso obtido pelas minorias ao longo dos governo Lula e Dilma. Para Puzzi, com a eleição de 2018, a tragédia chegou e todos puderam expor seu pior lado de muito preconceito e ódio, já que agora o próprio chefe de estado representa essas pessoas. A atriz aponta que essa repulsa do governo em relação à comunidade LGBTQIA+ nada mais é do que insegurança sexual. Essa insegurança, segundo ela, leva esses homens reacionários a defenderem com veemência a heteronormatividade e a só confiarem e indicarem homens, em sua grande maioria, para os cargos públicos, colocando a mulher em papel secundário. Mário Frias, atual ministro da cultura, também foi alvo de críticas da atriz. Segundo ela, Frias é um péssimo ator e tinha pouca visibilidade no ramo artístico. O ressentimento do ator se mostrou na hora que virou secretário da Cultura e se tornou responsável pelo desmonte do apoio do governo federal ao setor. “Ele retirou as leis de incentivo à cultura”, afirma. Atualmente, a atriz faz parte do grupo de teatro Satyros e estreia a peça “Aurora” ainda esse mês, no dia 25, e tem filmado com jovens diretores. Além disso, Puzzi prossegue com seu programa Pornolândia no Canal Brasil e se diz em momento de extrema felicidade em sua carreira.  O filme que o Brasil não podia ver  

O vexame brasileiro na COP26

Ecossocialista Mariana Martins comenta sobre a inexistência e defasagem de propostas climáticas pelo governo federal   Com colaboração de Isabela Gama O CONVERSA AO VIVO ZONACURVA recebeu na última sexta-feira (dia 5), a ecossocialista Mariana Martins para comentar sobre o vexame brasileiro na COP 26, reunião organizada pela ONU na cidade escocesa de Glasgow, onde líderes de mais de 200 países discutem o caos climático.  Às vésperas da reunião, o presidente Jair Bolsonaro anunciou o Programa Nacional de Crescimento Verde, alegando que pretende estimular a sustentabilidade, mas não comenta como irá fazer isso. Para a ativista, o Plano Verde deve levar esse nome por não estar maduro. A falta de propostas eficientes e claras dificultam o olhar otimista sobre o tema, afirma a entrevistada para o editor Zonacurva Fernando do Valle, o advogado Roberto Lamari e o editor do Vishows Luís Lopes. Martins explica que o ecossocialismo é uma forma de entender o marxismo respeitando os limites do planeta, revisando o consumo exagerado. “Para o sistema, tirar o lucro como o objetivo principal da sociedade e almejar o bem-estar comunitário é incompatível. Não dá para continuar vivendo no capitalismo achando que também dá para cuidar do meio ambiente”  A COP 26 veio com o objetivo de atualizar e reorganizar as propostas vigentes no Acordo de Paris, assinado por vários líderes mundiais em 2015. Dentre os diversos desafios ambientais que as nações do mundo enfrentam encontramos a política ambiental do atual governo brasileiro que agravou os problemas ambientais, tanto nacionais como mundiais. O Brasil saiu de vítima em 2015 para se tornar o vilão climático em 2021. Os problemas ambientais do país não se limitam apenas às queimadas frequentes na floresta amazônica, mas também às práticas antiambientais de boa parte do agronegócio, que é o grande emissor de metano do país.  Para a ativista, o caráter exploratório do agronegócio o impossibilita de viver em harmonia com a sustentabilidade, afinal seu objetivo é lucrar com a exportação, e não o de alimentar pessoas. Na verdade, os brasileiros dependem da agricultura familiar para seu sustento. O acordo firmado entre o estado e as empresas de exportação de alimentos gerou esses problemas. E, nitidamente, ambos vêm aplicando uma política de desmonte dos órgãos de defesa do meio ambiente como Ibama e Icmbio, deste modo, ambientalistas, indígenas e a sociedade civil que se revoltam ao ver o governo “passando a boiada”, se tornam inimigos do governo. Martins explica que o ataque de Bolsonaro aos povos originários é uma tentativa de cumprir os acordos com o agronegócio. “Bolsonaro fala que os povos originários querem terra, mas quem quer terra é grileiro”, diz a ecossocialista. Ela completa que, para os povos indígenas, a terra não é deles, a terra é a natureza. Inclusive dentro das aldeias, há compostagem e cada um tem responsabilidade com seu próprio lixo. A catástrofe climática que o mundo enfrenta já tem dado seus sinais. Em julho deste ano, ondas de calor jamais vistas anteriormente atingiram a costa oeste do Canadá e dos EUA. Segundo a polícia de Vancouver, mais de 130 óbitos ocorreram por mal súbito na cidade em apenas um dia.  Já nos EUA, o calor foi tão intenso que chegou a derreter os cabos elétricos em Portland. Para a ativista, caso situações extremas como essas ocorram no Brasil, safras de alimentos serão comprometidas. Mariana afirma que a crise de abastecimento poderá se intensificar, afetando as populações mais carentes. Geração Z sofre com eco-ansiedade, medo da destruição ambiental Mil noites no Brasil

“O incentivo à pesquisa retrocedeu ao nível nos anos 90”, afirma Flávia Calé, representante nacional dos Pós Graduandos

  O CONVERSA AO VIVO ZONACURVA recebeu nesta quinta-feira (14) a presidenta da Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG), Flávia Calé. Em conversa com o Fernando do Valle (editor do Zonacurva), ela comentou sobre sua preocupação com o futuro da pesquisa científica no Brasil e o projeto “antinacional” do governo Bolsonaro. Publicado em março, o Orçamento da União de 2021 divulgou o menor número de recursos destinados à educação desde os anos 2000.  “A ciência brasileira retrocedeu aos patamares dos anos 90. Apenas 13% das bolsas aprovadas por mérito acadêmico poderão ser efetivadas com esse orçamento”, diz a entrevistada. Calé também aponta que o sucateamento da educação, o negacionismo científico e econômico fazem parte do plano de destruir o Brasil, que ela nomeou de “ projeto antinacional. A escolha de professores, alunos e cientistas como inimigos da nação é a cortina de fumaça necessária para que Bolsonaro siga com o seu plano. A fuga de cérebros, fenômeno que ocorre quando profissionais brasileiros vão para outro país exercer suas ocupações, e o apagão de dados também foram temas abordados pela presidenta da ANPG. “O Brasil vem sofrendo um apagão de dados com a não realização do censo do IBGE, o desmonte do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). E tudo isso impossibilita a construção de políticas públicas”, afirma Flávia Calé. Ela também alerta sobre da falta de dados e diagnósticos em relação ao impacto que tem a evasão dos cientistas brasileiros para o Brasil. Entretanto, para Calé, o fenômeno “crônico e dramático” da fuga de cérebros não é o pior para o futuro da educação brasileira. Ela aponta que a crise econômica e os desmontes dos centros de pesquisa ocasionam algo muito mais grave que é a desistência da área científica. Calé explica que a educação é uma possibilidade de mobilidade social, e que, nos últimos 20 anos, diversas economias familiares giravam em torno dos estudos de um integrante da família. Deste modo, enquanto todos da casa trabalhavam e um tinha a oportunidade de estudar em uma universidade, e assim surgiam as histórias de pessoas que eram as primeiras da família a irem para a universidade. “Acontece que, com a crise econômica, esses estudantes, que antes poderiam só estudar, agora precisam ir atrás de um emprego. Além disso, também temos milhares de estudantes endividados com o FIES, por terem perdido seus empregos” explicou a entrevistada. A crise econômica e o projeto antinacional atingem diretamente a esperança de milhões de jovens, foi assim que o Enem 2020 teve abstenção de 50% dos alunos inscritos. Calé relembra que essa desesperança coletiva entre os jovens é a mesma do ano de 1998, quando o exame estava em seu primeiro ano de aplicação. Nesta época, alunos de escolas públicas não enxergavam a universidade como possibilidade de futuro. Para Calé, a chance de superação dessa crise econômica também está na educação, “A indústria automobilística brasileira, por exemplo, está em crise por falta de insumos e novas tecnologias, sendo assim a forma de melhorar isso é justamente com o investimento nessa área e na ciência”. Em seu segundo mandato como presidente da ANPG, associação estudantil com mais de 30 anos e que vem lutando pela garantia de direitos dos pós-graduandos brasileiros, Calé e a diretoria da associação estão convocando a paralisação em defesa da ciência e pela  garantia de mais de R$ 5 bilhões para o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(FNDCT),  no dia 26 de outubro. Paulo Freire, educador do mundo Paralisação dos pós-graduandos no dia 26