Zona Curva

Conversa ao Vivo Zona Curva

Os principais tópicos abordados durante o CONVERSA AO VIVO, quadro transmitido no canal do Zona Curva no Youtube.

Jovem cantora Maluk Yeey produz músicas autorais baseadas em experiências pessoais

  O CONVERSA AO VIVO ZONA CURVA do dia 30 de setembro (quinta) contou com a participação da jovem musicista Maluk Yeey de 17 anos. Ela conversou com Fernando do Valle (editor Zonacurva), Luís Lopes (editor Vishows) e o advogado Roberto Lamari sobre música, ativismo jovem, política identitária e suas próximas produções como cantora. Nascida no Rio de Janeiro, Maluk começou a ter aulas de teclado logo quando criança e já se apaixonou pelo mundo da música. Depois, ela aprendeu a tocar ukulele e violão, além de dar início as suas composições já na cidade de São Paulo, onde mora hoje. “Comecei a escrever logo quando criança, me inspirei muito na minha avó e na minha bisavó que escreviam. Meu pai também sempre ouviu muita música, o que me influenciou”, contou. Ainda incerta sobre o estilo musical que segue, ela já gravou 18 músicas autorais, sempre seguindo um ritmo mais calmo em uma mistura de mpb, pop e rock. Suas principais inspirações são de cantores brasileiros como Rita Lee e Tim Bernardes, com quem sonha em fazer uma parceria. A cantora contou que as letras de suas composições são baseadas em experiências pessoais. Um exemplo disso é a música “Amigx”, publicada em 2019. “Eu fiz essa música pensando em como eu me sentia diferente, e como meninos em geral me tratavam diferente de outras garotas, como se eu fosse um garoto! E eu me questionava sempre onde era o erro, onde era o ponto, elas são bonitas? Mas é comigo que você conversa quando você precisa! E eu não queria ser vista como um amigo, e sim como uma amiga”, explicou Maluk na legenda de seu vídeo no YouTube. https://youtu.be/DQoqyDiMMW4 Sobre o uso das redes para divulgar seu trabalho, ela contou que a internet é uma ótima ferramenta e facilita o reconhecimento de suas criações: “Hoje em dia é muito fácil colocar as músicas na rede. Descobri algumas plataformas digitais que funcionam como distribuidoras online e publicam as minhas produções”. É possível encontrar suas músicas no YouTube e no Spotify. Durante a live, Maluk também falou sobre como os jovens enxergam a política e debatem temas que antes não eram amplamente discutidos como identidade de gênero. Além disso, ela demonstrou indignação com a postura do presidente Jair Bolsonaro, a quem chamou de “repugnante” e suas declarações preconceituosas: “Para nós, é tudo muito simples, não dá para entender a dificuldade de respeitar”, completou. https://urutaurpg.com.br/siteluis/sem-pensar-no-amanha-mostra-alceu-valenca-em-estado-puro/ CAVIC lança novo ep autoral sobre experiência de transição para a fase adulta   Conversa ao vivo com o jovem cantor Shibas Exposição homenageia Rita Lee no MIS Leandro Franco aposta em rock e charges para resistir contra o governo

Leandro Franco aposta em rock e charges para resistir contra o governo

  O CONVERSA AO VIVO ZONA CURVA do dia 17 de setembro (quinta) contou com a participação do arquiteto, músico e cartunista Leandro Franco. Ele conversou com Fernando do Valle (editor Zonacurva), Luís Lopes (editor Vishows) e o advogado Roberto Lamari sobre rock, arte e o confuso cenário da política brasileira. Franco lembrou o início da sua carreira como cartunista, aos 17 anos, no jornal Diário de Guarulhos, a inspiração da banda e como foi o processo de criação dos seus trabalhos mais recentes. Ele contou que sempre gostou de desenhar e que o hábito começou ainda quando era criança. Além disso, relembrou sobre a importância dos cartunistas e a sua função social através da relação com a política. “A charge é sempre para criticar quem está no poder, então o Bolsonaro é um prato cheio para os chargistas. Assunto é o que não falta, mas incomoda muita gente”. Hoje produz videoclipes para bandas e artistas solo, como o Supla. Em abril de 2019, Leandro Franco foi o vencedor de melhor animação no festival Green Nation Brasil, com o clipe “Deixe em paz o jumento”. O clipe foi inspirado em um cordel, contendo inspirações de memórias da sua infância, e a produção foi para duas artistas e ativistas veganas: Eline Bélier e Maga Lee. O processo da produção da arte é bastante artesanal, já que o cartunista desenha frame a frame, demorando cerca de 40 dias para finalizar um clipe. Segundo ele, é muito importante contar com artistas famosos porque dá mais visibilidade às suas produções. Além disso, os trabalhos geralmente surgem a partir de um acordo entre o cantor ou a banda e o cartunista, mas que, na maioria das vezes, ele tem liberdade para agir. Vocalista e baterista da banda “Asteroides Trio”, Franco formou a banda com os outros participantes em 2006 ao participar de um fórum na internet. Com inspiração nas bandas de punk e rock dos anos 50, eles gravam músicas de covers e algumas autorais, como a “Punkabilly – Tributo Rockabilly ao Punk Nacional”, de 2014. Antes da pandemia, a banda participava de festivais como o “Psycho Carnival”. Leandro contou também sobre as dificuldades da profissão em meio a um governo opressor: “Os artistas são tratados pelo governo como se fossem bandidos. Se pudessem, eles exterminariam todos nós”. Por não ter muito espaço na mídia, Franco lembra que o rock sempre foi do gueto, apesar de ter contado com temporadas de maior popularidade, como nas décadas 1980 e 1990. Ainda assim, alguns artistas de direita ganham visibilidade, mas o vocalista lembra que há muitos ativistas do rock que lutam por melhorias das pautas sociais: “Tem que saber separar quem é quem, porque apesar deles, de direita, aparecerem na mídia, muitos outros não são reaças”. Colaborou Carolina Raciunas. Jovem cantora Maluk Yeey produz músicas autorais baseadas em experiências pessoais O movimento punk nunca há de morrer  

Bolsonarismo em xeque

O CONVERSA AO VIVO ZONA CURVA do dia 9 de setembro (quinta) contou com a participação da pesquisadora, professora e antropóloga da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Letícia Cesarino. Ela conversou com Fernando do Valle (editor  Zonacurva) e Luís Lopes (editor Vishows) sobre bolsonarismo, a maneira pela qual esse grupo utiliza as redes digitais pra propagar seu discurso extremista e os descaminhos do atual cenário político brasileiro. Cesarino comentou a intensificação do caos político causado pelas manifestações antidemocráticas do presidente no dia 7 de setembro. Segundo ela, a convocação foi uma forma de manter a base aliada de Bolsonaro mobilizada. A antropóloga analisou também a ambiguidade, sempre presente nos discursos do presidente, e as estratégias escolhidas para se manter no poder. Segundo nossa entrevistada, foi previsível a suposta mudança de postura de Bolsonaro depois da pressão contra os discursos de viés inconstitucional que Bolsonaro proferiu tanto em Brasília como em São Paulo. Após ser criticado por lideranças políticas sobre a explícita ameaça golpista de Bolsonaro, o site do governo publicou uma nota, assinada pelo presidente e, pasmem, escrita pelo ex-presidente Michel Temer afirmando nunca ter tido “nenhuma intenção de agredir quaisquer dos Poderes” e que a culpa foi “do calor do momento”. Após quase 3 anos de governo, Cesarino explicou que as estratégias da direita bolsonarista estão ficando ultrapassadas, o que pode diminuir sua eficácia: “As táticas começam a ficar batidas e repetitivas. O próprio ecossistema deles já demonstra sinais de exaustão, observada no comportamento dos próprios seguidores”, afirmou a pesquisadora que já analisou grupos de whatsapp e telegram de “fãs” do presidente. A antropóloga também considera que a base aliada de Bolsonaro se apoia em narrativas superficiais na tentativa de desvincular os graves problemas socioeconômicos de qualquer responsabilidade do mandatário do governo central. Na tática falsamente antissistema do presidente, a culpa é sempre dos outros, podem ser comunistas, governadores, petistas e até do próprio povo. Com isso, o presidente, que pouco trabalha, segue levando no bico seus seguidores. Acerca do desenvolvimento das relações sociais e políticas através das redes, a antropóloga projeta uma rearticulação de posições radicalizadas no futuro, já que a extinção da mediação é pouco provável. “De um lado, temos o especialista tecnocrático que não está disposto a ouvir os leigos. No outro extremo, existe o populismo sem freios. Acredito que, com o tempo, haverá um meio termo nisso”, disse ela. Cesarino explicou ainda que a estruturação das redes sociais avança constantemente de forma sistemática para aumentar o tempo de tela do usuário e sua passividade, o que diminui a capacidade de tecer pensamento crítico. Segundo ela, grupos bolsonaristas se adequam facilmente a esse sistema midiático e o usam a seu favor. “Hoje, as notícias falsas fazem parte da estrutura da internet”, afirmou. Ao utilizar métodos imediatistas e simplistas, que apelam ao lado emocional das pessoas, os bolsonaristas recortam a realidade a seu bel prazer nas redes para torná-la favorável ao governo. “Eles ignoram a existência de estatística e amostragem, isso não funciona naquele ambiente”, completa. Com colaboração de Carolina Raciunas. https://urutaurpg.com.br/siteluis/extrema-direita-nas-redes/ O universo paralelo do fanatismo bolsonarista Mil dias de destruição e mortes

#Ocupapolítica: por mais mulheres na política

#Ocupapolítica – Apesar da luta por equidade de gênero na política, as eleições de 2018 revelaram que o país ainda está distante de chegar a um patamar satisfatório. Na Câmara dos Deputados, por exemplo, apenas 15% dos eleitos são mulheres. Essa discrepância corresponde à implementação tardia de políticas públicas que promovem maior integração feminina. Em entrevista ao Zona Curva, a deputada estadual Monica Seixas (PSOL) explicou como a hegemonia reacionária atua na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. “Esses deputados geralmente se aglutinam porque têm um interesse em comum, que é manter as coisas como estão, ou seja, impedir o progresso das mulheres e da comunidade LGBTQIA+, que provocam mais avanços no processo político”. Seixas destacou a importância da resistência na casa legislativa ao reacionarismo, formado por três segmentos (coronelismo, fundamentalismo religioso e bolsonarismo). “Sou fruto da onda feminista. O levante de negros também tem trazido para o parlamento novos perfis de parlamentares e, por consequência, um perfil de legislatura com proposições novas”, completou a deputada. De acordo com dados do IPU (Inter-Parliamentary Union), o Brasil é um mau exemplo de representatividade feminina no Parlamento. Enquanto o país tem média 14,1% de presença feminina nas Câmaras, o continente europeu possui 29,8%. Essa desigualdade reflete a cultura misógina na política brasileira, que persiste mesmo após a implementação da legislação que reserva parte das candidaturas políticas às mulheres. A Lei n° 9.100/1995, que engloba o direito de cotas a mulheres nas listas de candidaturas de partidos e coligações, foi proposta pela então deputada Marta Suplicy (PT/SP), influenciada por iniciativa argentina de 1991. A decisão de 1995, que inicialmente previa 20% das vagas a vereadores, destinada às mulheres, evoluiu para 30% nas eleições seguintes. No entanto, o estudo “Democracia Inacabada: Um Retrato das Desigualdades Brasileiras”, divulgado recentemente pela Oxfam Brasil, mostrou que, apesar do machismo estrutural no país, há evolução. Em 2010, a quantidade de mulheres candidatas a deputadas chegou a mais de 22%, maior índice da história. Ainda assim, segundo o estudo, na atualização de ⅔ das cadeiras do Senado Federal, 2018 teve o número mais baixo de cadeiras ocupadas por mulheres desde 1998: sete, das 54 disponíveis. Hoje, a ocupação feminina está em 12,34% do total de 81 assentos. Vale lembrar que, apesar do mandato ser de 8 anos, a renovação das cadeiras acontece a cada 4, variando entre ⅓ e ⅔. Apesar das cotas femininas existirem, elas correspondem à reserva das candidaturas, não das cadeiras legislativas. Isso não seria um problema se as disputas nas eleições recebessem o mesmo investimento tanto para homens como para mulheres. Ainda de acordo com o relatório da Oxfam, o poder econômico está diretamente relacionado à garantia de maior poder político. Nesse sentido, as doações a campanhas têm forte potencial para estabelecer maior visibilidade e poder a candidatos e partidos, aumentando sua chance de vitória na eleição. Com informações da IPU e OXFAM. Igualdade na política pode levar mais de um século

Pelos direitos dos povos originários

Com colaboração de Carolina Raciunas  O CONVERSA AO VIVO ZONA CURVA  do dia 2 de setembro contou com a participação da líder indígena, antropóloga e coordenadora geral da União das Mulheres Indígenas da Amazônia Brasileira, Telma Taurepang, e do jornalista e ambientalista Felipe Milanez. Eles conversaram com Fernando do Valle (editor do Zonacurva), Luís Lopes (editor do Vishows) e o advogado Roberto Lamari sobre a tentativa de implementar o marco temporal e a desastrosa gestão do governo, que compactua com a violência contra os povos indígenas. Telma Taurepang contou que a iniciativa a partir do Projeto de Lei 490 é mais uma forma de agredir a existência dos indígenas, mas que eles ainda resistem: “A opressão continua, está no sangue dos europeus que chegaram e dizimaram quase todo o meu povo, mas eles esqueceram que nós somos sementes”, afirmou. Em meio a tantos problemas climáticos, a líder lembrou que os indígenas sempre cuidaram da natureza. “Somos nós que cuidamos da água e do território. Somos nós que cuidamos para que as próximas gerações consigam sobreviver”. O STF (Supremo Tribunal Federal) deve decidir nessa semana o marco temporal de demarcação das terras indígenas. Se o marco temporal passar, os índios só poderão reivindicar terras ocupadas até a promulgação da Constituição de 1988. O jornalista e professor Felipe Milanez explicou que a possível decisão favorável do STF ao marco temporal seria a perpetuação das medidas do atual governo contra a livre existência dos indígenas. Além disso, Milanez criticou a conduta da Fundação Nacional do Índio (FUNAI), que tem perseguidos índios, contrariando à motivação que levou a sua criação de proteção aos povos originários. “O marco temporal é uma medida fascista, extremamente autoritária, contra a Constituição e que a gente não sabe onde ela vai dar. E a Funai está deixando de defender os territórios indígenas, de olho na privatização e exploração dessas áreas”, explicou Além do julgamento no STF, em 23 de junho de 2021, a Comissão de Constituição, Cidadania e Justiça (CCJ), presidida pela deputada bolsonarista Bia Kicis (PSL-DF), aprovou, por 40 votos a 21, o PL 490. O PL 490 cria um “marco temporal”, ou seja, só serão consideradas terras indígenas os lugares ocupados por eles até o dia 5 de outubro de 1988, data da promulgação da Constituição. O Projeto de Lei 490 (PL 490) é de 2007 e foi protocolado pelo então deputado federal Homero Pereira (PP-MT). A proposta era alterar o Estatuto do Índio, promulgado em 1973. Milanez explicou ainda que parte do congresso naturaliza o preconceito histórico contra os índios na discussão do PL 490. “Esse julgamento é um marco do racismo no Brasil. Isso exige que nós, enquanto brancos, tomemos atitudes antirracistas”. Mulheres indígenas lutam pelo futuro em Brasília Povos indígenas em luta contra as mudanças na Constituição  

Ricardo Lísias e a catástrofe em curso no Brasil

Com colaboração de Carolina Raciunas  No CONVERSA AO VIVO ZONACURVA do dia 27 de agosto (sexta-feira), o escritor Ricardo Lísias conversou com Fernando do Valle (editor do Zonacurva), Luís Lopes (editor do Vishows) e o advogado Roberto Lamari sobre seus mais recentes livros lançados e a tragédia política, social e sanitária provocadas pelo atual governo. O autor de “Catástrofe Brasileira ano I – o inimaginável foi eleito” e “Catástrofe Brasileira ano II – o genocídio escancarado” e vários outros livros contou que começou a relatar, em forma de diário, nossa tragédia perpetrada pelo presidente Jair Bolsonaro e sua equipe na tentativa de entender o que estava acontecendo e as responsabilidades de cada um no caos instalado. “Eu comecei logo após a eleição para verificar em que a gente falhou, o que poderia ter acontecido de diferente e quais forças colaboraram para que isso tudo acontecesse. É uma tentativa de compreensão do meu próprio lugar nesse momento”, explicou Lísias. Ao analisar os aspectos políticos que resultaram na eleição do atual presidente, Ricardo Lísias percebeu que a construção de uma sociedade conservadora não era o objetivo do governo, mas sim um meio de promoção para a eleição de Bolsonaro. O escritor ainda explicou que as pessoas têm questionado quais as próximas ações do presidente e não compreendem a gravidade do que já foi feito: “A questão não é o que o Bolsonaro vai fazer. Ele já fez, já promoveu um genocídio. A questão é como nós vamos responder a isso”. Segundo Lísias, o governo naturaliza posicionamentos opressores de grupos que apoiam ou já apoiaram Bolsonaro e que buscam legitimar a narrativa que nos trouxe à atual catástrofe. Recentemente, o escritor retirou seu livro da concorrência que havia sido indicado ao Prêmio São Paulo de Literatura, por não querer dialogar com dois curadores que apoiaram Bolsonaro. “Se eu abrir debate com essas pessoas, eu estarei naturalizando a existência dessas pessoas. É um problema teórico e estético. Eu, dialogando com as minhas personagens, neutralizo o meu texto. E há outra questão: a fragilidade intelectual deles.” José Falero e a literatura de combate

A luta contra a transfobia

O primeiro CONVERSA AO VIVO ZONACURVA recebeu a ativista trans-travesti Patrícia Borges no último sábado (dia 21 de novembro). Discutimos a agressão sofrida por Patrícia enquanto panfletava para a vereadora Erika Hilton (a mulher mais votada na cidade de São Paulo) ativismo, poesia e a luta contra o preconceito. ASSISTA AO VÍDEO, SIGA NOSSA PÁGINA NO YOUTUBE E ACIONE O SININHO Patrícia relata no vídeo acima como foi agredida no dia 10 de novembro por volta das 15 horas durante panfletagem em frente ao Shopping Center 3, na Avenida Paulista, em São Paulo. Ao abordar uma mulher sobre a importância de uma representante transsexual na Câmara de Vereadoras, a mulher respondeu que “essa cambada de viado tinha que morrer”. Poucos minutos depois, a mulher voltou com um pau de selfie e mais dois homens para agredir Patrícia, além de puxões de cabelo, socos e até mordidas. No momento, uma viatura da Polícia Militar passava no local e se recusou a fazer a prisão em flagrante da mulher e dois homens. O shopping não cedeu as imagens de suas câmeras para reconhecimento dos agressores. Na eleição de 15 de novembro, 26 transexuais foram eleitos como vereadores em diversas cidades brasileiras. Em São Paulo, Erika Hilton (PSOL) se elegeu com votação consagradora de 50.508 votos. Patrícia falou da luta contra o sistema CIS (CIS surge da palavra cisgênero que é a identidade de gênero que corresponde ao sexo atribuído no nascimento) e relata como foi expulsa da casa dos pais aos 13 anos por conflitos devido a sua identidade de gênero.     “Eu criei uma família no mundo e meu ativismo surgiu da inquietude para dar voz às travestis que estão na pista sendo agredidas por pessoas frustradas” Patrícia Borges, ativista trans-travesti   Para sobreviver, se prostituiu, chegou a tomar um tiro de raspão e 3 facadas dos “clientes insatisfeitos com suas vidas medíocres”, segundo ela. Com o tempo, percebeu que devia procurar outros caminhos. Com isso, Patrícia despertou para o ativismo e a literatura e hoje é poetisa e exerce diversas atividades como integrante do Cursinho Popular Transformação, que oferece cursos  para pessoas transgêneras, travestis e não binárias em São Paulo.   Patrícia também atua no Transarau, que é uma inciativa organizada por “estudantes, coordenadorxs e profes do Cursinho Popular Transformação como um espaço de representatividade da população LGBTQI+ para se manifestar sem Temer e tremer muito com performances poéticas (ou não), dança, bateção de cabelo, microfone aberto e o que mais vier”, conforme descrição da página do Facebook do sarau. Acessa lá! Beijo bi do super-homem atualiza o mito Poema da ativista trans-travesti Patrícia Borges