País continua desigual, mas índices sociais melhoram entre 2010 e 2014

por Fernando do Valle

Apesar da queda do crescimento do PIB, que caiu de 7,5% em 2010 para 0,5% em 2014, e o turbilhão político que o país mergulhou desde as manifestações iniciadas em 2013, o Brasil ainda apresentou melhorias no quadro social entre 2010 e 2014, segundo dados do RADAR IDHM, estudo coordenado pelo PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) em parceira com o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e a Fundação João Pinheiro e divulgado no início desta semana.

O IDHM (Índice de Desenvolvimento Humano Municipal) cresceu 1% ao ano entre 2011 e 2014, saindo de 0,738 para 0,761 (quanto mais perto de 1, melhor o indicador), porém 41% menos do que entre 2000 e 2010, quando o ritmo de subida foi de 1,7%. A renda per capita foi a que mais impulsionou o crescimento com incremento de 4,8% ao ano no período, o salto foi de R$ 698,48 em 2011 para R$ 803,36 há dois anos atrás.

radar IDHM

Entre 2010 e 2014, o Índice de Desenvolvimento Humano no Brasil cresceu 1% ao ano

O Radar IDHM começou a medir a qualidade de vida nas cidades brasileiras em 2013 levando em conta 60 índices coletados pelo PNAD (Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio), realizado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) com foco principal na evolução da renda, educação e saúde da população.

Em 2010, O Brasil foi o país que mais avançou no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) no mundo. Foram quatro pontos a mais em comparação a 2009. Enquanto o mundo estagnava, o Brasil liderava o grupo de poucos países, apenas 25, que conseguiram melhorar o desempenho.  Dos 169 países analisados à época, 116 mantiveram a posição apresentada em 2009 e 27 tiveram desempenho pior.

Apesar de alguns resultados positivos, o Brasil ainda apresenta quadro de grave desigualdade social.  O índice de Gini, o principal indicador sobre desigualdade social, não obteve mudança considerável, melhorando entre 2011 (0,53) e 2014 (0,49). Os melhores índices são os da Dinamarca (24,7) e Japão (24,9). Número mais baixo significa menor desigualdade.

Agora resta a expectativa de como o agravamento da crise econômica em 2015 e 2016 afetará os índices sociais brasileiros daqui para frente.

Sou blogueiro e jornalista. Pai de Lorena, santista e obcecado por literatura, cinema, música e política.

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