Sobre o “caos” no Espírito Santo

por Elaine Tavares

A mídia comercial tem mostrado o “caos” no Espirito Santo por conta da greve dos policiais militares. Algumas coisas precisam bem esclarecidas sobre esse movimento. Em conversa com o cabo Noé, vice-presidente da Associação dos Cabos e Soldados da Polícia Militar e Bombeiros Militares do Espírito Santo, colhemos as seguintes informações.

1 – Não é uma greve de policiais. O que acontece é que as esposas e familiares dos policiais estão trancando as portas do batalhões e não estão permitindo que eles saiam.

2- Os familiares decidiram fazer isso porque é vedado aos policiais fazer greve.

espírito santo greve pm

Esposas e familiares dos PMs se movimentam contra o arrocho e a insegurança

3 – Os familiares reivindicam um salário melhor aos policiais e também condições de trabalho. Hoje o salário médio é de 2.750 bruto, e é o pior salário do Brasil. No Espírito Santo eles estão sem ganho real há sete anos, e desde há três anos sequer têm reajuste da inflação. A situação é de penúria.

4 – Não bastasse a falta de salário, os policiais são obrigados a trabalhar enfrentando riscos cotidianos sem as condições para sua proteção. Os coletes a prova de bala estão vencidos, e os que estão na validade precisam ser usados em sistema de rodízio. Um veste a proteção e outro não. A sorte define quem vive.

5 – As perdas salarias chegam a 45%, mas a Associação dos Praças alega que um reajuste de 10% já poderia abrir uma negociação. Ainda assim o governador Paulo Hartung, que é do PMDB, se nega a negociar.

6 – A postura do governador é descrita como “imperial”. Segundo os policiais eles preferem morrer a ceder.

7 – Por outro lado, os policiais e suas famílias já estão morrendo e tampouco estão dispostos a seguir assim.

8 – Se hoje o estado vive um caos, com criminosos nas ruas, tiroteios, sequestros, roubos de carro, saques, a responsabilidade deve ser dada a quem de direito: o governador e sua política de arrochar os trabalhadores em vez de cobrar as dívidas do empresariado local. Como sempre, o argumento para manter o salário baixo e não garantir a segurança dos soldados é a falência financeira do estado. Como sempre, pagam os trabalhadores.

Publicado originalmente no Blog Palavras Insurgentes.

Jornalista. Humana, demasiado humana. Filha de Abya Yala, domadora de palavras, construtora de mundos, irmã do vento, da lua, do sol, das flores. Educadora, aprendiz, maga. Esperando o dia em que o condor e a águia voarão juntos, inaugurando o esperado pachakuti.

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